Ferrovias

02 de outubro de 2012

E os caminhos de ferro?

Bom, a estrada ou os caminhos são tão antigos, ou mais, quanto a história do homem. No entanto, nossa ideia nesse curto espaço e tempo é falar sobre um tipo de caminho que nos dias de hoje já não tem mais o glamour pelo qual já passou. Falando assim já dá para perceber que nos referimos às estradas de ferro. 

Pois, para nossa região, e mais especificamente, Passo Fundo, a estrada de ferro e todo o conjunto de “estruturas” ao seu largo que vão das estações com suas oficinas, caixas d’água e armazéns até locomotivas e vagões, começaram a ser vistas por aqui nos últimos anos da década de 1890. E o que se observou nos anos que se seguiram, por conta desse meio de transporte, foi um crescimento rápido e que em poucas décadas afirmava Passo Fundo como centro regional comercial, educacional e com uma indústria nascente.

Essa onda de prosperidade se propagou durante a chamada belle époque, que trouxe além dos trens, também o desenvolvimento da construção civil, do aumento e do alargamento das ruas da cidade e com isso o aformoseamento – em termos atuais, embelezamento  – realizado pelos órgãos públicos e sociedade local como um todo.   

Os anos 1930 e 40 viram uma gare ainda mais movimentada com a consolidação do transporte de carga e o aumento do vozerio dos grupos cada vez mais numerosos de passageiros com suas chegadas e saídas a passeio ou para negócios. Se podemos dizer que a paisagem urbana foi cortada pelos trilhos, é certo que o mesmo espaço também foi-se modelando, em alguns aspectos, pela existência da estrutura ferroviária; denominavam-se os espaços de “dentro e fora do anel ferroviário”, o centro e o subúrbio. Aquela parte da cidade cresceu junto com a estação: proprietários de hotéis que escolheram estrategicamente as proximidades da estação férrea, pontos de carros de praça – depósitos de mercadorias, moinhos e, não perto dali, mas em seu caminho até mesmo uma charqueada, na localidade de São Miguel.

No entanto, na década de 1950 começaram a haver algumas transformações que não passaram despercebidas aos interesses ferroviários. É o momento em que a matriz viária nacional passa por questionamentos e entre os quais sua gradativa mudança da ferrovia para as rodovias em ascensão, por conta também da crescente indústria automobilística que se instalava no país. Essa questão consolidou-se na década de 1970 com os governos militares que mantiveram essa linha de pensamento. Em Passo Fundo, ainda se viam trens de carga e de passageiros, já não mais na gare da atual rua 7 de setembro, mas no bairro Petrópolis. O glamour ainda resistia com as chegadas e partidas do trem Húngaro para a capital do estado, linha que foi encerrada ainda no início da década de 1980. Nessa época alguns grupos tentaram alternativas de negociação com o setor público para a reativação de pontos das linhas para o transporte de passageiros, mas sem êxito.

A ideia foi de mostrar nesses breves flashes alguns momentos de uma história que é importante para Passo Fundo. E nestes idos de 2012, o que ficou foi a manutenção do transporte de cargas. Para os passageiros que tiveram a oportunidade de utilizar-se desse transporte em outras épocas, ficou a nostalgia, pois os interesses viários nacionais vão por outros caminhos. 

Benhur Jungbeck
Professor de História
Fonte: Acervo AHR
* Os artigos expressam a opinião de seus autores.