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Estudantes solucionam crime ambiental por meio da química

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Projeto da UPF propõe desafio a estudantes da educação básica de Passo Fundo e região e estimula o interesse pela área da química

As águas de um rio contaminadas e duas empresas suspeitas de cometer esse crime ambiental. O mistério, fictício, foi apresentado para 965 estudantes de Passo Fundo e região, para que pudessem, com o auxílio da química, solucioná-lo por meio de análises dos vestígios, com a aplicação de princípios relacionados à química forense e ambiental. Além de solucionar o crime, os estudantes foram desafiados a realizar um projeto de preservação da água.

A proposta foi elaborada pelo projeto Química Itinerante, desenvolvido pelos cursos de Química (L e B) da UPF que integra o Programa de Integração da Universidade com a Educação Básica do Instituto de Ciências Exatas e Geociências (Iceg). Conforme o coordenador do projeto, professor Dr. Lairton Tres, o projeto mais uma vez cumpriu com os objetivos previstos, principalmente no envolvimento dos estudantes com a investigação científica. “É preciso cada vez mais que a universidade se estenda até a comunidade, até as escolas, e que uma passe a fazer parte da outra: universidade, escola e comunidade. Nesse sentido, por meio desse projeto, que envolve os estudantes com situações do contexto em que a química se apresenta, desperta-se o interesse pelas questões que envolvem a formação científica dos sujeitos, o que é fundamental para compreenderem a realidade”, avalia.

Desvendando o mistério
As turmas de 25 escolas da região se envolveram na solução do crime. Para isso, participaram das atividades nos laboratórios de Química do Iceg, UPF. Eles receberam a história fictícia de um caso de contaminação ambiental das águas de um rio, tendo como suspeitas duas empresas também fictícias. A partir disso, trabalharam nas análises dos supostos vestígios, realizando técnicas de cromatografia, identificação de impressão digital, análise de comportamento ácido básico e presença de etanol nas amostras de água. Com isso, conseguiam chegar à indicação da empresa e do possível suspeito. 

Conforme Três, a Química foi inserida a partir das análises propostas, que, além de serem desafiadoras, motivaram a revisão de conceitos já trabalhados nas escolas. “O fator principal foi a possibilidade de realização das atividades experimentais, que normalmente não são possíveis de serem trabalhadas nas escolas”, acrescenta. Entre os principais conceitos trabalhados, estiveram aqueles relacionados à química forense e à química ambiental, entre eles: sistemas materiais, separação de sistemas, identificação de substâncias, solubilidade, polaridade, comportamento ácido-básico, reações de oxirredução, funções orgânicas, entre outros.  

Para a professora Paula Bordignon, do município de Paraí, a experiência vivida pelos estudantes do Colégio Estadual Divino Mestre foi única. “Realizar práticas investigativas sobre um caso de química forense é uma coisa que jamais teríamos como fazer em nossa escola”, avalia. A opinião é compartilhada pela professora Eliane Deferrari, do Colégio Notre Dame de Passo Fundo. “Como profissional do ensino de química, pude perceber o entusiasmo dos alunos durante a realização das atividades práticas, despertando o encantamento com a disciplina e até mesmo possibilitando interesse em atuar como profissionais nessa área”, pontua.

Proposta de cuidado
A partir do caso desenvolvido, por se tratar de questão ambiental, também foi pensada a proposta de uma atividade prática a ser realizada nas escolas, relacionada à temática da preservação da água. De um modo livre, a partir do tema, alunos e professores foram convidados a produzir um vídeo comentando a ação feita na escola. Dentre as escolas que aceitaram participar do desafio, a vencedora foi a turma 301 da Escola Mário Quintana, que, acompanhada da professora de Química Luana Zanelato Amaral, produziu o vídeo “Projeto de preservação da água”. A professora avalia a experiência como positiva. “As ideias partiram dos estudantes e todo o trabalho foi realizado por eles. Eu somente auxiliei na organização e no sequenciamento das atividades. A oportunidade permitiu o trabalho em equipe, o envolvimento de cada aluno dentro da parte em que tem maior interesse e aptidão”, afirmou. A entrega do prêmio ocorreu na tarde dessa terça-feira, 17/12.

Grupo da Escola Mário Quintana recebendo o prêmio

Para o acadêmico André Slaviero, bolsista PAIDEX do projeto, a iniciativa contribuiu para a divulgação da ciência e do entendimento do seu papel na sociedade. “Atuei como bolsista do projeto e consegui agregar vários conhecimentos acerca do que era trabalhado com os estudantes, além de vivenciar o contato com meu futuro campo de trabalho, as escolas. O projeto assumiu esse compromisso de cativar cada vez mais os estudantes, para que sejam conhecedores da natureza, compreendendo-a. Meu maior desejo é que o projeto jamais finde, sempre se renove e contribua cada vez mais com a qualificação do ensino de ciências”, enfatizou.

O projeto Química Itinerante tem como objetivo promover a interação com os estudantes das escolas de Educação Básica e proporcionar aos acadêmicos um ambiente para inserção e exercício da prática, contribuindo para as ações previstas na curricularização da pesquisa e da extensão dos cursos de Química B e L, além da divulgação científica.

Confira as escolas participantes:
- Colégio Estadual Antônio Scussel - Getúlio Vargas
- Colégio Estadual Carneiro de Campos - Serafina Corrêa 
- Colégio Estadual Joaquim Fagundes dos Reis - Passo Fundo 
- Colégio Gabriel Taborin - Marau
- Colégio La Salle - Carazinho
- Colégio Notre Dame - Passo Fundo
- Colégio Salvatoriano Bom Conselho - Passo Fundo
- Colégio Tiradentes - Passo Fundo
- EEEF Maurício Sirotsky - Passo Fundo
- EEEM Antônio Stella - Ibiraiaras
- EEEM Belarmino Américo da Veiga - Santa Cecília do Sul
- EEEM Mário Quintana - Passo Fundo
- EEEM Padre Aneto Bogni - Santo Antônio do Palma
- EEEM Pandiá Calógeras - Camargo
- EEEM Ponche Verde - Sertão
- EEEM Vila Maria - Vila Maria
- Escola Conde D’Eu - Rondinha
- Instituto Estadual Cardeal Arcoverde - Passo Fundo
- Instituto Santo Tomás de Aquino - Marau
- IFFar - Campus Panambi    
- EEEB Leopoldo Meinen - Fortaleza dos Valos
- Colégio Estadual Divino Mestre - Paraí
- EEEM General Prestes Guimarães – Passo Fundo 
- EEEM Antonino Xavier e Oliveira – Passo Fundo 
- EEEB Monteiro Lobato – Passo Fundo 

Equipe
As ações do projeto foram organizadas pelos professores Dr. Lairton Tres, Dra. Mara Regina Linck, com colaboração dos docentes Dr. Ademar Antonio Lauxen, Dra. Alana Neto Zoch, Me. Ana Paula Härter Vaniel, Dra. Clóvia Marozzin Mistura, Me. Janaína Chaves Ortiz e Dra. Janaína Fischer. Além disso, contou com o envolvimento dos acadêmicos organizadores André Slaviero, Mayara Luza Chiapinoto e Rafaela Cristina Moretti Rodrigues. E dos acadêmicos colaboradores bolsistas e voluntários Aline Ponzoni, Felipe Moraz, Fernanda Feltrin, Franciele Nara B. dos Passos, Idelso C. Pereira Júnior, Júlia Menin, Júlio Bernieri, Larissa Carlot, Matheus H. Tibola, Pablo Valério S. da Fonseca e Stefanie D. Bernieri.