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Amamentar é um ato de amor e cuidado

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Banco de imagens

Sábado (1) o Dia Mundial da Amamentação marca a reflexão sobre a importância do leite materno para o desenvolvimento integral da criança

Criado pela Aliança Mundial de Ação pró-amamentação, o Dia Mundial da Amamentação é lembrado neste sábado, 1º de agosto. O objetivo da data é promover a reflexão sobre a importância do aleitamento materno, dos benefícios para as crianças e para as mães, bem como esclarecer dúvidas, preconceitos e ideias equivocadas a seu respeito.
 
Capaz de oferecer todos os nutrientes necessários até os seis meses de vida, o leite materno apresenta benefícios que farão a diferença em toda a formação e desenvolvimento da criança. De acordo com o Ministério da Saúde, o leite materno é o único alimento que, além de todos os nutrientes que a criança precisa, contém anticorpos e outras substâncias que protegem a criança de infecções comuns da infância, como diarreias, infecções respiratórias, infecções de ouvido entre outras.
 
Para a professora Me. Valéria Hartmann, coordenadora do curso de Nutrição da UPF, o leite materno é o alimento ideal para as crianças, por ser totalmente adequado às necessidades nutricionais nos primeiros anos de vida. “Além disso, ele previne a ocorrência de doenças crônicas no futuro, como diabetes, asma, obesidade, considerando que esta é uma fase decisiva para o crescimento e desenvolvimento da criança, tendo repercussões ao longo da vida do indivíduo. Também é importante para o desenvolvimento infantil e estabelecimento de laços afetivos”, ressalta.
 
Hartmann lembra que, como a amamentação protege a saúde e proporciona um crescimento e desenvolvimento saudáveis, a sua interrupção pode trazer riscos à saúde da criança. “Crianças alimentadas com fórmulas lácteas podem estar mais suscetíveis a doenças, como anemias, alergias alimentares, alterações gastrointestinais, alterações respiratórias, alterações metabólicas, de crescimento e desenvolvimento cognitivo, explica.
 
Infelizmente, nem todas as mães conseguem amamentar e, por isso, a ciência desenvolveu fórmulas capazes de fazer uma substituição adequada e mais próxima realidade. De acordo com a professora Valéria, quando uma criança não é amamentada, deve-se oferecer, como primeira alternativa, a fórmula infantil, pois é o produto mais adequado ao organismo imaturo da criança.
 
O ideal, segundo a professora, é que a família procure orientação com profissionais da saúde, principalmente quando da ocorrência da não amamentação. “Eles podem auxiliar na escolha do melhor leite, que atenda às necessidades da criança. A utilização de fórmulas requer cuidados de higiene no preparo e manipulação. O leite de vaca é desaconselhado, no entanto se for necessária sua utilização, a família deverá receber orientação sobre a forma e diluição mais adequada para sua utilização, principalmente para crianças menores de 4 meses”, pontua, lembrando que, para buscar informações corretas, existem canais como o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos – uma publicação do Ministério da Saúde, atualizado em 2019.


 
Mais do que alimentar, desenvolver
Mestre em Distúrbios da Comunicação, a professora Lisiane Siqueira é coordenadora da Pós-Graduação em Motricidade Orofacial da UPF. Ela ressalta que o aleitamento materno é essencial para o desenvolvimento da musculatura orofacial, pois com os movimentos corretos de sucção, a musculatura orofacial será trabalhada e preparada para desempenhar a função da mastigação e da fala de forma mais eficiente. “O aleitamento materno favorece a respiração nasal, que é o modo correto de respirar. Além disso, ele afasta a necessidade de hábitos deletérios como sucção de dedo, chupeta ou mamadeira, visto que a criança que é amamentada supre toda necessidade de sucção em seio materno”, destaca.
 
A professora recorda que, para uma amamentação eficiente, isto é, em que a criança consiga ter um bom ganho de peso, a sucção precisa estar adequada, pois quando a sucção ocorre de forma inadequada podem acontecer fissuras mamilares, baixa ingestão de leite, baixo ganho de peso e provavelmente o desmame precoce, que vai levar ao uso de mamadeiras e chupetas. Por isso, Lisiane destaca a importância de as mães seguirem as recomendações da posição adequada para amamentar, porque quando a mãe está bem posicionada, o bebê vai conseguir fazer uma pega adequada. “Quando o posicionamento não está correto a pega também ocorre de forma errada fazendo com que os estímulos para o crescimento orofacial ocorram de forma inadequada”, frisa.
 
Outro fator que merece atenção, é a anatomia dos lábios e língua. De acordo com a professora, as mães devem observar se existem alterações no freio lingual, a chamada língua presa. “Essa alteração dificulta a mamada do bebê ao seio materno e faz com que o bebê faça mais esforço, muitas vezes ocorrendo uma baixa ingesta de leite ou mamadas muito rápidas e frequentes”, pontua, destacando que, por isso, é importante a realização do Teste da Linguinha, realizado pelo Fonoaudiólogo ao nascimento para prevenção ao desmame precoce.
 
Vivendo na prática
Egressa do curso de Nutrição da UPF, Fernanda Simor tem colocado em prática com a pequena Milena. Nascida alguns dias antes da pandemia da Covid-19, ela vivencia com a mãe de primeira viagem as experiências da maternidade. “Tem sido enriquecedora desde o primeiro momento. É um período de troca de afeto e fortalecimento do vínculo entre mamãe e bebê. Eu amamento em livre demanda, então não existe uma rotina ou horários exatos, é trabalhoso, mas imensamente gratificante”, conta.
 
Sobre a importância do aleitamento, ela destaca que, embora exista um apelo comercial pelas fórmulas prontas, é preciso informar e conscientizar mães e pais sobre como o leite materno é fundamental. “Como profissional, sempre trabalhei incentivando a amamentação, agora sendo mãe e vivendo toda a experiência tenho ainda mais motivos para continuar incentivando. Eu vejo que existe a tentativa de desqualificar o aleitamento materno para favorecer o comércio de fórmulas infantis, que podem ser ótimas desde que usadas quando realmente forem necessárias”, aponta.
 
Há aqueles que dizem que o leite é fraco, que só o peito não é saudável e isso, na opinião de Fernanda, pode deixar insegura uma mãe que tenha referências corretas ou não seja orientada por um profissional competente. “A verdade é que não existe melhor alimento para o bebê do que o leite materno. Minha dica é que a futura mamãe saiba que a natureza é sábia, que durante a gestação as mamas se preparam para a amamentação e que, para ter mais segurança prevendo e superando possíveis dificuldades, buscar uma consultoria em amamentação é fundamental, pois da mesma maneira que um plano alimentar é individual, a amamentação é muito particular, cada mamãe é única”, ressalta.