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Uma boa opção para o bolso e para a saúde

  • Por: Caroline Simor / Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Alexandre Nienow

Oportunidade de renda para pequenas propriedades, a Amora-Preta é fonte de nutrientes, com baixo custo e é foco de pesquisa na UPF

Amora-Preta é pesquisada no Cepagro, Campus I da UPF

A fruticultura, ramo da agricultura que visa produzir economicamente e racionalmente frutos em geral com o objetivo de comercialização, tem se apresentado com uma boa opção de investimento, gerando renda e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos produtores. Entre as alternativas viáveis para pequenas propriedades, está a amoreira-preta (Rubus spp.). Adaptada às regiões mais frias do Brasil, é no Rio Grande do Sul que ela encontra o espaço ideal. Atenta a esse movimento, a Universidade de Passo Fundo (UPF) desenvolve pesquisas na área e os resultados mostram que, além de saborosa, a fruta pode ser bastante rentável.

Os estudos na UPF são liderados pelo professor Dr. Alexandre Augusto Nienow, docente da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária. Ele destaca que o consumo da amora-preta tem aumentado não apenas pelo sabor e aparência diferenciada dos frutos, mas, principalmente, pela presença de compostos funcionais, como as antocianinas e polifenóis, com elevada atividade antioxidante

Nienow ressalta que, além das questões nutricionais, ainda é possível a comercialização na forma in natura ou congelada, na elaboração de diversos produtos, como, polpa congelada, geleias, sucos, iogurtes e doces.

Uma cultura diversificada e de baixo custo

De acordo com o pesquisador, o interesse pelo cultivo por parte dos produtores tem se justificado pela necessidade de diversificação da propriedade, mas também pela rusticidade da planta, que exige uma baixa utilização de agroquímicos para o controle de pragas e doenças. Outra característica positiva é a precocidade, ou seja, a fruta tem início da produção a partir do segundo ano, permitindo elevada remuneração, possibilidade de produção em pequenas áreas, própria para a agricultura familiar.

O curso de Agronomia da UPF estuda a amoreira-preta cultivada à campo (sistema de cultivo mais utilizado) há mais de 10 anos, no pomar localizado no Centro de Extensão e Pesquisa Agropecuária (Cepagro). Nesta etapa, iniciada em 2019, a novidade é o cultivo em ambiente protegido, cuja tecnologia tem como principais objetivos proteger os frutos das chuvas e do ataque de pássaros, que aumentam as perdas no período de colheita, bem como o aumento de produtividade e qualidade dos frutos

O professor Alexandre explica que o trabalho tem propostas que guiam as pesquisas. Entre elas, comparar a época de florescimento e de colheita, e a produção de duas cultivares lançadas há mais tempo pela Embrapa Clima Temperado, de Pelotas (RS). Estas, ele observa que é a Xavante (sem espinhos) e a Tupy (com espinhos), com outras duas recentemente colocadas no mercado (BRS Xingu e BRS Cainguá, ambas com espinhos), ambas sem informações técnicas na região, muito menos em ambiente protegido, como na pesquisa desenvolvida pela UPF.

Outro objetivo do estudo é avaliar como diferentes sistemas de poda influenciam o florescimento e a época de colheita, o crescimento vegetativo e a produção de frutos nas cultivares Tupy e BRS Xingu, assim como visa avaliar possíveis diferenças entre as cultivares produzidas à campo e em ambiente protegido quanto à ocorrência de pulgões e inimigos naturais, e o potencial de uso de produtos de controle biológico, de baixo impacto ao ambiente e consumidor. 

Para o professor, a pesquisa contribui para a geração de conhecimentos sobre a amoreira-preta e permite, com maior segurança, estimular os produtores a investir nessa alternativa de cultivo. “Sabe-se que o sucesso econômico e sustentável depende da interação entre fatores genéticos (a escolha certa das cultivares em função do destino que será dado aos frutos, se para o consumo in natura ou processada), ambientais (clima e solo) e dos manejos culturais realizados”, explica.

Resultados positivos e retorno para a comunidade

Nienow pontua que a colheita da primeira safra está sendo concluída, com produtividades muito elevadas, de 22 a 33 toneladas por hectare, dependendo da cultivar e sistema de poda realizado. Isso significa que, em uma estufa de 10 m x 50 m (500m2), seria possível produzir de 1.100 a 1.650 kg de amoras. “Esta produção pode ser uma ótima geração de renda para a pequena propriedade, com a opção de venda da fruta in natura (R$ 10,00 a 20,00 o kg), ou entrega para a agroindústria (R$ 3,50 a 4,00 o kg, ou seja, reduz o valor), ou ainda o processamento na própria propriedade, agregando valor, com venda dos produtos durante o ano”, exemplifica o professor.

Para Alexandre, é necessário um incentivo para que existam mais produtores. Em sua opinião, a produção de amoras é pouco conhecida na região, que não possui a tradição da fruticultura. “Os resultados da pesquisa permitirão, além da orientação técnica da estrutura física do cultivo (sistema tutorado), informar sobre as características de cada cultivar, como capacidade produtiva e qualidade dos frutos, para o produtor tomar a melhor decisão”, comenta.

Ele ressalta que o trabalho está finalizando a primeira safra com resultados extremamente promissores e que, a partir de agora, se iniciam as podas de condução dos ramos que irão produzir em 2021, quando a segunda safra será avaliada, de modo a consolidar os resultados até então obtidos.