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Sem limites para o conhecimento

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Egresso da Medicina da UPF, profissional reconhecido em sua área de atuação, Jorge Cansian retornou aos bancos acadêmicos como mestrando do PPGBioexp. Em artigo publicado, ele deu início à sua contribuição para a pesquisa

Concluir a formação em uma área não significa necessariamente que você atuará nela para toda a vida. É possível, e até saudável, que o conhecimento seja buscado de forma a ampliar e melhorar a atuação profissional. E foi pensando nisso que o egresso do curso de Medicina da Universidade de Passo Fundo (UPF), Jorge Cansian, depois de alcançar uma carreira sólida na cirurgia oncológica reconstrutiva, decidiu voltar aos bancos universitários, agora como mestrando no Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação (PPGBioexp). Incentivado pela família e pelos alunos, ele publicou o primeiro artigo, contribuindo para a pesquisa na área. Jorge foi orientado pelos professores Dr. Ricardo Zanella e Dr. Eraldo Zanella, docentes do curso de Medicina Veterinária e do Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação. 

Segundo Ricardo, foi com muita satisfação e alegria que eles receberam o mestrando. Ele destaca que o ingresso dele no curso mostrou a todos que não existem limites para a busca pelo conhecimento e que, mesmo depois de ter feito diversas especializações, inclusive no exterior, a volta dele para a UPF significa muito para a Instituição. “A interdisciplinaridade presente em nosso currículo permitiu que ele encontrasse essa troca entre a teoria e a prática e isso abre portas para outros profissionais, das mais diferentes áreas do conhecimento”, frisa.

Jorge com os orientadores Ricardo e Eraldo Zanella

A ideia da pesquisa

Intitulada “Efeito da pomada de copaíba 20% em lesões traumáticas na derme de suínos”, a pesquisa desenvolvida por Jorge foi publicada na Revista Eletrônica Acervo Saúde Electronic Journal Collection Health. Ricardo Zanella explica que a escolha em estudar a pomada se deu pela sua alta utilização e pela importância das suas propriedades medicinais. “A ideia inicial do projeto era verificar o efeito dessa pomada na transcrição dos genes e, posteriormente, verificar todo o efeito dela nas questões de cicatrização. Com a infraestrutura da UPF, em especial dos equipamentos e animais do Centro de Extensão e Pesquisa Agropecuária (CEPAGRO), tivemos a ideia de utilizar os suínos para a aplicação”, explica, ressaltando que os animais foram submetidos a procedimentos minimamente invasivos.

Formado em Medicina em 1984, Jorge relata que, apesar de ter idade mais avançada, se sentia jovem no meio dos colegas de aula, oriundos da veterinária, da biologia e de diversas áreas, além dos professores. “O objetivo maior foi melhorar vida pessoal, profissional, mas além disso era conseguir fazer algo pela sociedade, construtivo dentro da minha área que é a cirurgia oncológica reconstrutiva”, conta.

O mestrando recorda que a ideia foi baseada em experimentos que seriam uteis para o dia a dia no hospital, consultório e cirurgias. Segundo ele, caso não fosse para a docência, então teria tido a oportunidade de desenvolver métodos capazes de solucionar problemas no cotidiano médico. Ele explica que, ao analisar os cenários, surgiu a ideia de experimentar algo na parte de expansores teciduais, como uma forma de expandir tecidos em 3 a 4 meses para que pudesse ter mais pele para realizar as reconstruções.

Em conversa com os orientadores, em um primeiro momento, se pensou em realizar a pesquisa em ratos, porém os expansores eram muito grandes em proporção aos animais em questão. Então, foi sugerido a realização com suínos, cuja pele e características anatômicas são mais semelhantes aos humanos, de fácil cuidado e cultivo.

Colocando em prática

Para além do conhecimento, o mestrado lhe trouxe novas amizades e compartilhamento

Cansian pontua que o professor Ricardo Zanella sugeriu voltar a pesquisa para as questões de cicatrização mais rápida, criando uma lesão e realizando testes com medicamento tópico, com mais rapidez e eficiência. Em pesquisas, a equipe encontrou o óleo de Copaíba, muito utilizado e encontrado na região norte, na Amazônia, e que apresenta resultados muito bons em projetos de reação inflamatória. “Com os resultados, conseguimos perceber uma melhora de recuperação, que antes seria de 30 dias, para 12 dias das reações inflamatórias, com o uso da Copaíba, e foi comprovado através dos dados clínicos durante a pesquisa”, observa.

O estudo aumentou a possibilidade do uso da copaíba como uma pomada para melhora da cicatrização de pessoas e animais, comprovando vários artigos e estudos que utilizaram a Copaíba para melhorar a cicatrização e o tempo de recuperação dos pacientes. “Foi muito gratificante porque conseguimos fazer uma nova atuação da Copaíba, realizando a experiência em suínos, uma vez que não existia publicação até então utilizando esse animal”, destaca.

O artigo completo pode ser acessado aqui.

As fotos foram tiradas antes da pandemia da Covid-19.

Para Jorge, o mestrado foi muito mais do que a busca pelo conhecimento. Ele pontua que conheceu profissionais brilhantes em uma área correlacionada, apesar de distante da medicina de humanos. “Consegui ver, na medicina veterinária, que os animais e os humanos vivem juntos e que muitas doenças que os animais têm são transmitidas e são relacionadas entre humanos e vice-versa. Novas vivências, novos conhecimentos e como médico de humanos consegui ver que os biólogos e médicos veterinários tem conhecimento muito grande e amplo, fazem muitas pesquisas que estão inteiramente interligadas aos humanos”, analisa.