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“Estamos vivendo a revolução da longevidade”

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Camila Guedes

Aula inaugural do Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano da UPF falou sobre longevidade e produção do conhecimento. Evento também marcou o ingresso da primeira turma de doutorado do Programa

Envelhecimento humano, longevidade e produção de conhecimento foi o tema da aula inaugural do Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano da Universidade de Passo Fundo (PPGEH/UPF). A atividade, realizada na tarde desta quinta-feira, 15 de agosto, no auditório da Faculdade de Odontologia (FO), marcou os 10 anos da primeira turma de mestrado e o ingresso da primeira turma de doutorado do Programa. Para falar sobre o tema, a convidada foi a professora Dra. Anita Liberalesso Neri, da Universidade de Campinas (Unicamp), São Paulo. 

A aula inaugural faz parte do Seminário de Pesquisa do Programa, momento em que os alunos da turma que ingressou no ano anterior socializam seus projetos de pesquisa. “É o momento de socialização com os ingressantes, de apresentação dos projetos para os professores e alunos para que ocorra essa interface entre as duas linhas de pesquisa que a gente tem no Programa, que são Gerontecnologia e Aspectos biopsicossociais do envelhecimento humano. É o momento de integrar as duas linhas, fazer com que uma conheça os projetos desenvolvidos pela outra”, disse a coordenadora do PPGEH, professora Dra. Ana Carolina Bertoletti De Marchi. 

Estudo pioneiro
Considerada uma das principais referências em pesquisa na área de gerontologia, a professora Anita apresentou os primeiros resultados de um estudo pioneiro no Brasil que vem sendo desenvolvido desde 2014 em parceria entre Unicamp, UPF e Universidade de Brasília. A pesquisa envolve idosos com mais de 80 anos residentes em instituições de longa permanência na região de Passo Fundo, idosos que moram em seus domicílios na cidade de Campinas, e um terceiro grupo de idosos atendidos em um hospital em Brasília. “Nós estamos comparando esses idosos com relação à sua saúde, às suas condições de dependência funcional, à sua cognição e a algumas outras variáveis. Porque muito embora nós saibamos que os velhos não são todos iguais e que o envelhecimento não é igual para todo mundo, muita gente ainda acha que é tudo igual”, explicou.

Segundo a professora, com o aumento da população mais velha, com mais de 80 anos, ficou claro que é preciso conhecer melhor essas pessoas. “Eu trouxe esses primeiros resultados para enquadrá-los no conceito da heterogeneidade do envelhecimento. Quais são as implicações disso para a sociedade e para a cultura”, pontuou Anita, destacando que o objetivo da pesquisa é justamente alavancar o conhecimento na área da longevidade. “Segundo a OMS, nós estamos vivendo a revolução da longevidade. O Brasil, hoje, tem mais idosos acima de 65 anos do que crianças e isso muda a face das profissões, das cidades, das casas, do turismo, dos cosméticos, dos remédios, tudo. Várias necessidades estão passando a coexistir, então, é preciso criar recursos”, completou. 

Na opinião dela, o desafio está em tomar providências pensando na ideia de que as pessoas vão viver por muito tempo como idosas. “É impossível que a gente admita que essas pessoas vivam muito tempo, mas com muita dependência, com sofrimento, com demência. Nós temos que aprender a tomar providências preventivas para que essas pessoas envelheçam bem, tenham uma longa velhice, mas que passem um tempo cada vez mais curto dessa velhice necessitadas de cuidados intensivos. Não significa não precisar, mas a ideia é empurrar para mais longe e compactar num período mais curto os anos vividos com incapacidade, com doença”, ressaltou.