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A História mais próxima da comunidade

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em História da UPF visa facilitar o acesso da população a artefatos em 3D de diversas regiões do RS e do país

Existem inúmeras barreiras entre a produção de conhecimento em arqueologia e a sociedade. As reservas técnicas dos laboratórios de salvaguarda de acervos arqueológicos encontram-se abarrotadas de artefatos encaixotados e catalogados em relatórios extensos e de caráter científico, afastados do público não especialista. Soma-se a isso a pouca acessibilidade do material e a parca produção interpretativa do acervo oriundo dos contratos de arqueologia para a liberação de áreas com vistas a empreendimentos imobiliários, rodoviários, empresariais públicos e privados, de modo amplo. Pensando em facilitar o contato da comunidade com esse tipo de material, o Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF) desenvolve a pesquisa “Iconoteca UPF – acervo arqueológico do Laboratório de Cultura Material e Arqueologia (Lacuma)”.

O estudo, que é coordenado pela professora Dra. Jacqueline Ahlert e desenvolvido pelos estudantes Daniel Cunha, Luigi Vivian, Giulia Citollin, Ana Carolina Galvan e Isadora Barbosa, objetiva proporcionar o acesso a artefatos oriundos de diversas regiões do país, sobretudo do Rio Grande do Sul, por meio da visualização em três dimensões das peças, de sua leitura formal, iconográfica e histórica, bem como por disponibilizar o arquivo de impressão do material, proporcionando sua utilização em universidades e escolas. Segundo a professora Jacqueline, o eixo do projeto é interdisciplinar. “Inicialmente, tivemos que realizar a aproximação das diversas áreas do conhecimento que confluíram para a sua concretização, assim como avaliar os limites e as potencialidades de cada instrumento”, conta.

O trabalho é constituído de várias etapas, como a pesquisa histórica e do acervo arqueológico do Lacuma, realizada pelos bolsistas e alunos do curso de História da UPF, em nível de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado); reuniões com os professores e pesquisadores do projeto Fábrica Escola, dos cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica, onde foi possível conhecer as possibilidades e qualidades da digitalização e impressão 3D. “Também fez-se o planejamento de um portal web para os artefatos com a equipe que desenvolveu o software, em parceria com o Parque Científico e Tecnológico da UPF (Fábrica experimental desenvolvimento de software multiplataforma). Agora, o estudo está na fase em que as ações se concentram na classificação dos artefatos, na seleção das peças mais representativas para a digitalização e na construção das informações e análises que serão disponibilizadas na página iconoteca.upf.br. Ainda, serão propostas ações de educação patrimonial com as instituições de ensino”, relata Jacqueline.

Alunos realizam a higienização de artefatos

Uma rica história disponível à população 
Os materiais que estão sendo selecionados e analisados fazem parte do acervo do Lacuma, o qual contém vestígios arqueológicos oriundos de ocupações territoriais pré-históricas, que podem alcançar uma antiguidade significativa – considerando que os registros mais antigos de ocupação humana em território sul-rio-grandense datam de 12.000 antes do presente – e históricos, do período colonial em diante. Conforme Jacqueline, os artefatos eleitos para compor a iconoteca contemplam esse grande leque de tempo. “Buscamos, assim, explicitar a perpetuação e as modificações ocorridas na economia de subsistência dos grupos que ocuparam o território através da agricultura, tecnologia, moradia e demais hábitos culturais”, comenta a professora.

Após a publicação do site, as peças digitalizadas e as informações relativas à localização geográfica, à identificação e aos usos dos artefatos estarão acessíveis para qualquer pessoa com acesso à internet. Os arquivos para impressão também estarão disponíveis para download e sua reprodução dependerá apenas da disposição de uma impressora 3D. De acordo com a coordenadora do projeto, no que tange à comunidade escolar, estão sendo organizados kits didático-pedagógicos para a elaboração de projetos de ensino sobre a pré-história no estado do Rio Grande do Sul. “Numa primeira etapa, os professores participam de um minicurso orientativo que tem como objetivo apresentar o material que compõe e a metodologia de utilização dos kits. Além disso, o curso capacita esses docentes para construir, junto aos alunos, conhecimentos sobre os processos de povoamento da região. O conjunto conta com cinco kits de réplicas impressas e/ou produzidas a partir dos processos realizados: o trabalho do arqueólogo; arqueologia Jê; arqueologia Guarani; arqueologia dos Cerritos; e contexto atual”, destaca Jacqueline.

Pesquisa permite um amplo debate
Na opinião da docente, os artefatos arqueológicos funcionam como meio para a reconstrução e a recolocação de memórias e pertencimentos. “Por meio deles, a educação patrimonial problematiza as diferentes temporalidades históricas e oportuniza discussões de respeito à diferença. A elucidação da sobreposição de tempos históricos e dos diversos contextos de ocupação do território onde hoje estamos contempla a inserção de distintos grupos étnicos (indígenas, negros, imigrantes, entre outros) no processo e os coloca como agenciadores culturais”, finaliza.