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Resíduos de Ritalina na água alteram o padrão de comportamento dos peixes

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Estudo em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação da UPF sugere que a Ritalina pode impactar negativamente na sobrevivência do peixe-zebra

O metilfenidato (MTF), comercialmente conhecido como Ritalina, é um psicoestimulante amplamente prescrito para o Tratamento de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), uma vez que diminui a inquietação motora, além de promover aumento da concentração, atenção e memória. O crescente uso abusivo, além do descarte incorreto da Ritalina, leva à contaminação de ambientes aquáticos por resíduos do medicamento. E, embora muitos fármacos sejam projetados para modular a fisiologia e o comportamento de humanos, outros organismos podem sofrer alterações fisiológicas e comportamentais quando expostos a esses compostos, o que aumenta a preocupação em relação aos impactos causados por fármacos em espécies aquáticas. 

Recentemente, o grupo de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação da Universidade de Passo Fundo (PPGBioexp/UPF) evidenciou pela primeira vez a presença de resíduos de Ritalina no esgoto e os efeitos deletérios agudos dessa contaminação em peixes. De acordo com o grupo, os peixes expostos a esses resíduos apresentam um comportamento de ansiedade e stress, e na presença de stress adicional, há uma diminuição do comportamento do tipo ansioso. Essas alterações podem afetar consideravelmente a sobrevivência e o bem-estar dos peixes. Esses resultados se encontram publicados Revista Neuroscience Letters.

Os estudos sobre os efeitos da contaminação de água por Ritalina são orientados pela Dra. Luciana Grando, coordenadora do GFTox (Grupo de Pesquisa em Ciências Farmacêuticas e Toxicológicas) e têm a colaboração do Laboratório de Fisiologia de peixes, coordenado pelo Dr. Leonardo Gil Barcellos. 

Perspectivas de estudo
No momento, a mestranda do PPGBioexp Natália Freddo e a bolsista de iniciação científica Izadora Frizzo desenvolvem estudos para avaliar os efeitos crônicos da contaminação residual por Ritalina, uma vez que essa condição é mais representativa de uma contaminação ambiental real. 

Diferentemente dos poluentes químicos tradicionais, os medicamentos são compostos bioativos, projetados para serem eficazes em concentrações muito baixas. Eles são continuamente descarregados em ecossistemas naturais, potencialmente afetando espécies aquáticas durante todo o seu ciclo de vida. Os resíduos farmacêuticos no meio ambiente são considerados “compostos de preocupação emergente”, pois têm o potencial de causar impacto considerável na saúde humana e nos ecossistemas.