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Os desafios de produzir ciência em tempos de pandemia

  • Por: Caroline Simor - Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Assessoria de Imprensa UPF

Mesmo com todas as complicações e limitações impostas pela Covid-19, a UPF produziu mais de 700 artigos científicos de qualidade

A pandemia do Coronavírus trouxe uma realidade bastante diferente. Apresentou dificuldades novas, limitações físicas, orçamentárias e estruturais. Passados mais de sete meses do fechamento das salas de aula e laboratórios, a Universidade de Passo Fundo (UPF), com seus professores, acadêmicos e funcionários, precisou se reinventar. E esse novo olhar passou também pela produção científica. Mesmo diante das complicações, a Instituição manteve a pesquisa ativa, ligada à realidade e atenta aos acontecimentos, produzindo, até setembro deste ano, mais de 700 artigos científicos nas mais variadas áreas do conhecimento.

O fazer ciência é um processo complexo que envolve pesquisadores, acadêmicos, estrutura física, horas de dedicação, testes, erros e acertos. Muitas vezes é preciso também recomeçar, buscar novas metodologias, olhar o resultado por um outro viés, reaprender a ler o que se descobriu. Por tudo isso, a pesquisa não é algo que se faz da noite para o dia e produzi-la é ainda mais desafiador. 

Segundo o vice-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UPF, professor Dr. Antônio Thomé, os pesquisadores da Universidade mostraram, mais uma vez, todo o potencial mantendo a pesquisa em alto nível mesmo diante das dificuldades. “Foi mesmo desafiador continuar produzindo neste período. Este ano, foi uma grata surpresa, diante da realidade pandêmica e da redução de aporte financeiro da Instituição para as pesquisas, ver que os professores e pesquisadores mostraram toda sua capacidade produzindo mais de 700 artigos qualificados, publicados em revistas de renome e que farão sua parte na sociedade”, destaca.

Um novo olhar sobre as práticas

“Não podemos parar. Não podemos enxergar 2020 como um ano perdido, mas como uma oportunidade para olhar as coisas de outras formas”. Essa é a afirmação da professora Dra. Luciana Brandli, pesquisadora da UPF, docente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGEng). 

Para ela, o momento tem exigido dos pesquisadores uma postura diferente, mais resiliente, mas sem deixar de estar atentos aos acontecimentos. “Certamente é um momento desafiador e de readaptação, onde as pessoas precisam ser resilientes e nós, como pesquisadores, nos dedicamos ainda mais nesse período, reavaliando algumas questões de programação de pesquisa, procurando outras metodologias para manter os projetos e adaptando processos”, pontua.

Em sua opinião, a pandemia fez com que a sociedade enxergasse a importância da pesquisa, da ciência e das universidades e, com as tecnologias para aulas e encontros, oportunizou uma troca ainda maior de conhecimento. “Continuamos produzindo, aproveitando esse tempo diferente para organizar a questão de elaboração dos artigos e publicações. Vejo que com a pandemia, tivemos a oportunidade de entrar e sair de uma sala de aula com a participação de pessoas do mundo inteiro, permitindo ainda mais troca, experiências e vivências, coisas que não fazíamos e que agora, com as ferramentas disponíveis, temos condições”, frisa.

O artigo mais recente publicado pela professora pode ser acessado AQUI.

Oportunidade de contribuir para a solução dos problemas

Com quase 20 anos de casa, o professor Dr. Leonardo José Gil Barcellos atua como docente e pesquisador no curso de Medicina Veterinária (FAMV) e nos Programas de Pós-Graduação em Bioexperimentação (PPGBioexp) e em Ciências Ambientais (PPGCiamb). Para ele, a crise agravada pela pandemia da Covid-19 mudou a forma como as pessoas veem a ciência e também foi uma oportunidade para que a ciência pudesse ser ainda mais relevante na solução dos problemas sociais.

Neste período de isolamento, além das pesquisas realizadas na UPF, ele participou de uma rede de pesquisa envolvendo 50 pesquisadores de 32 instituições. No trabalho, inicialmente pensado para usar o zebrafish para produzir anticorpos a serem utilizados em teste para detecção do SARS-Cov-2, a equipe acabou descobrindo que o modelo animal exibia uma robusta reação ao vírus, com muitos aspectos muito similares ao que acontece em humanos. “O artigo por meio de variadas técnicas apresenta e propõe o zebrafish como modelo de pesquisa para a Covid-19. O trabalho também representa novas oportunidades de parcerias para todos nós, uma vez que a rede está estabelecida e a UPF faz parte dela. Esse trabalho se tornou possível pelas condições de pesquisa que a UPF me deu nesses quase 20 anos de casa”, destaca.

Para Barcellos, mesmo com as adversidades, a UPF segue exercendo seu papel social e produzindo conhecimento, o que se reverte em melhorias para a comunidade.

Depositado como preprint, o trabalho pode ser acessado AQUI.

Aprendizado e valorização da ciência e tecnologia

Nos Estados Unidos até julho de 2020 para a realização do pós-doc, o professor Dr. Álvaro Della Bona pode vivenciar duas realidades e dois períodos de isolamento. Ele lembra que no Colorado, onde ficou, a Covid-19 iniciou antes da chegada ao Brasil e que os desafios iniciaram ao enfrentar essa realidade longe da família.

Quando retornou para Passo Fundo, viu-se novamente em uma realidade semelhante a já vivida no exterior. O novo contexto permitiu que ele pudesse revisar artigos e metodologias. “Essas observações do cotidiano também influenciam a vida do pesquisador que, como qualquer ser humano, não consegue se isolar do contexto social. Mas a ciência e tecnologia, apesar de serem contestadas por alguns gestores, têm dado uma resposta muito importante a sociedade”, observa.

Para o pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Odontologia (PPGOdonto), a sociedade passou a depositar desejos e esperança na ciência e seus atores, os pesquisadores, têm sido incansáveis na busca da solução do problema maior e de suas consequências. “O professor-pesquisador, que é a realidade da grande maioria dos pesquisadores brasileiros, uma vez que os centros de pesquisa são as Universidades, tem experimentado e se adaptado ao novo-normal de forma até bem tranquila, pois a inovação é uma parte importante da vida do pesquisador. A produção científica não relacionada a pandemia, provavelmente, resulte em queda no futuro próximo. Mas a vida é feita de demandas e oportunidades, e o pesquisador sabe reconhecer essa situação e deve compensar com criatividade, que é parte do ser pesquisador”, avalia Della Bona.

As parcerias internacionais redenderam muitos frutos. Entre eles, o artigo que pode ser conferido AQUI.