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Habitat natural preservado

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da UPF abriga e conserva diversas espécies da fauna ameaçada

A choca-de-chapéu-vermelho é uma das aves que foi identificada
em uma das aulas realizadas na RPPN

Encontrar um ambiente com alimento, abrigo, proteção e ideal para reprodução da espécie se torna cada vez mais difícil em meio a uma natureza que vem sendo destruída por desmatamento, queimadas, ocupação humana, mudanças climáticas e outros inúmeros fatores. Em Passo Fundo, há um lugar que está contribuindo para mudar este cenário e conservar o habitat natural. A Reserva Particular do Patrimônio Natural da Universidade de Passo Fundo (RPPN/UPF), um espaço com mais de 30 hectares de florestas ciliares ao longo do Arroio Miranda, conserva as riquezas da biodiversidade, entre elas espécies da fauna ameaçadas de extinção.

Um trabalho de preservação que iniciou há muito tempo e que virou realidade há quatro anos, com a criação de uma RPPN. “Há alguns anos foi cessada qualquer atividade de interferência no ambiente. Foi retirado o gado bovino e cessada a prática agrícola. A área, que abrange principalmente a floresta ciliar junto ao Arroio Miranda, vem sofrendo processo de regeneração natural, deixando a natureza trazer as sementes pelos animais dispersores”, revela o integrante do comitê gestor da RPPN, professor Dr. Jaime Martinez, que coordena o projeto de extensão “Projeto RPPN UPF: área protegida educadora”.

E os resultados desta ação de proteção são positivos. “Notamos que, pouco a pouco, a vegetação vem melhorando. A área de sub-bosque, que não existia mais, está se constituindo novamente. A área que era campo e lavoura está evoluindo, passando pelo estágio de capoeira e depois capoeirão, e já se percebe que muitas árvores estão se desenvolvendo ali”, observa Martinez.

Esta regeneração da natureza tem um papel fundamental para a fauna. O local passa a oferecer condições adequadas de habitat para os animais. “Esse processo favorece a recriação dos habitats dos animais silvestres, como pequenos esconderijos, abrigos e ambiente de alimentação. Assim, a cadeia ecológica alimentar vai se tornando mais complexa e vão aparecendo cada vez mais espécies”, salienta o professor.

Cotia, uma das espécies ameaçadas,
foi encontrada na Reserva

De tucano a jaguatirica: a riqueza da fauna
Além da rica vegetação, dos recursos hídricos e das árvores nativas, novas espécies de animais silvestres são descobertas na RPPN. Entre as registradas, algumas são consideradas ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável, como é o caso da paca, da cotia e do gato-do-mato-pequeno. O local também abriga outros mamíferos como o veado-catingueiro, o veado-mateiro, a capivara, o coati, o gato-mourisco, o gato-maracajá e a jaguatirica. Mais de 150 espécies de aves silvestres já foram registradas na área, entre elas o tucano-de-bico-verde, o papagaio-charão, espécies de sabiá e de beija-flor. Além disso, em épocas de cheia do Arroio Miranda, espécies de peixes também são registradas.                                                                                                                                                                                                                        

Veado-mateiro também foi registrado no local

Conservação da biodiversidade favorece o habitat 
O inventário da RPPN abrange mais de 55 espécies de árvores como a araucária, araçá-do- mato, ipê-da-várzea, açoita-cavalo, uvaia, guabiroba, camboatá-vermelho, camboatá-branco, bracatinga, entre outras.

Além disso, o ambiente da Reserva é circundado pelo Arroio Miranda, que abastece cerca de 50% da população passo-fundense. “Esse é um dos principais ganhos da sociedade em relação à RPPN. O Arroio Miranda teve suas margens preservadas e as nascentes acabam largando água limpa no arroio e, isso, vai melhorando a qualidade do rio, já que esse é o último local antes da bacia de captação. É uma responsabilidade grande preservarmos e melhorarmos a qualidade da água do arroio”, destaca Martinez.

Toda esta riqueza natural não é importante apenas para a vida do ser humano, mas favorece o habitat para os animais silvestres. “É um verdadeiro museu do ponto de vista natural, onde as espécies são mantidas no habitat natural e vivas”, enfatiza o professor. 

O coordenador da RPPN, professor Dr. Alexandre Augusto Nienow, também reforça a importância da Reserva para a fauna silvestre pelo fato de estar localizada em uma região de intensa atividade agrícola e pecuária. “A fauna encontra neste espaço condições para garantir seu refúgio, alimentação, abastecimento de água e reprodução. Por se tratar de uma extensa área junto aos cursos d’água, exerce a importante função de ‘Corredor ecológico’, ou seja, para o seguro deslocamento dos animais entre vegetações nativas diversas, contribuindo, também, para a dispersão de sementes de espécies nativas”, afirma Nienow.

RPPN também é uma área de pesquisas, de aulas e de visitação

Laboratório natural
A RPPN é uma área de pesquisas, de aulas e de visitação. Por meio do projeto de extensão “RPPN: área protegida educadora”, o local é apresentado para as comunidades acadêmica e regional, buscando a conexão/reconexão das pessoas com a natureza. 

Mais de 1,5 mil pessoas visitaram a RPPN nesses quatro anos de existência. “É um patrimônio da maior importância, tanto do ponto de vista didático, para conhecer fauna e flora silvestre da nossa região, como importante local para pesquisas. A RPPN conserva e deixa disponível para pesquisa e conhecimento do público boa parcela da nossa biodiversidade regional”, salienta Martinez, lembrando que, por conta da pandemia de Coronavírus, as visitações estão suspensas.

Inventário da Reserva abrange mais de 55 espécies de árvores

Compromisso socioambiental
A RPPN UPF compreende áreas de mata ciliar, de encosta, de banhado e em regeneração junto ao Arroio Miranda. A área da RPPN inclui as Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (RL) do Centro de Extensão e Pesquisa Agropecuária (Cepagro) da UPF, em conformidade com disposições do Código Florestal Brasileiro. Além de concentrar nascentes e preservar a qualidade da água, a área tem grande biodiversidade por se tratar de um local do bioma Mata Atlântica. “O objetivo da criação da RPPN, além de garantir a conservação da biodiversidade de fauna e flora, e dos recursos hídricos existentes, é dar visibilidade para este espaço de conservação, atraindo atividades de ensino, pesquisa e educação ambiental (extensão)”, salienta o coordenador da RPPN. A RPPN foi criada de maneira voluntária pela Instituição. “Ela ratifica o compromisso socioambiental da FUPF e da UPF, garantindo a conservação de uma área do bioma Mata Atlântica, e servindo de exemplo e incentivo para a implantação de novas RPPNs em outras propriedades rurais”, enfatiza Nienow. Mais informações sobre a RPPN AQUI.