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Curso de Letras e Programa de Pós-Graduação em Letras promovem Rodas de Conversas

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

O curso de Letras e o Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da UPF deram início, no dia 26 de maio, ao evento “O saber fundado na experiência de ser aluno de Letras: roda de conversas entre graduação e pós-graduação”. Na oportunidade, ocorreu a apresentação dos cinco primeiros trabalhos que compõem sua programação. O evento teve continuidade no dia 4 de junho, quando outros trabalhos foram apresentados e discutidos, com transmissão pelo YouTube. Outras três rodas de conversas estão previstas para os dias 09, 16 e 23 de junho.

De acordo com a professora Dra. Marlete Sandra Diedrich, coordenadora da atividade, o evento foi idealizado, organizado e realizado por alunos do curso de Letras e do Programa, e busca atender uma demanda a respeito da socialização e da popularização da ciência e da tecnologia sobre os estudos na área da Linguagem. 

Seu objetivo principal é promover espaços de estudo que possam fortalecer o espírito investigativo dos estudantes de Letras da UPF. “Os alunos compartilham suas pesquisas desenvolvidas ou em desenvolvimento e interagem com os demais participantes, estabelecendo vínculos e gerando conhecimento. Nesta primeira atividade, foram apresentadas cinco pesquisas, sendo duas delas de estudantes do Programa de Pós-Graduação e outras três de estudantes do curso de Letras”, explica, ressaltando que a pesquisa tem sido uma ação forte do curso e do Programa.  Para conhecer mais sobre essas ações, os grupos têm feito publicações nas redes sociais.
 
Segundo Marlete, a mesma perspectiva teórica inspirou a pesquisa da doutoranda Luciane Schiffl Farina, com título de “A (re-)escrita do artigo de opinião: uma intervenção avaliativo-enunciativa”, que fechou o primeiro dia de apresentações. “A pesquisa se ocupa do fazer docente do Ensino Superior quanto à produção textual. Assim, o estudo apresenta um viés teórico-metodológico de intervenção avaliativa para a escrita/reescrita acadêmica do artigo de opinião, no qual pretende-se verificar a possibilidade de o aluno perceber a evolução do seu fazer enunciativo pela escrita”, explicou a Marlete.

Programação segue no mês de junho
Na última sexta-feira, 04 de junho, mais trabalhos foram apresentados. Na ocasião, a transmissão foi realizada pelo YouTube devido à demanda e, segundo os organizadores, a interação atendeu às expectativas.

A coordenadora do PPGL, professora. Dra. Claudia Toldo, deu as boas-vindas aos participantes, juntamente com a professora Dra. Marlete Sandra Driedrich, coordenadora do evento. Ambas destacaram a relevância dos trabalhos desenvolvidos pelos acadêmicos na Instituição. 

A mestranda Marina de Oliveira e a doutoranda Mayara Corrêa Tavares, que integram a Comissão Científica do evento, foram as responsáveis pela mediação. As acadêmicas da graduação Flávia Oliveira Milani e Pamela Caroline Banaletti apresentaram, por meio do trabalho “A relação criança-outro no processo de aquisição da linguagem: uma experiência social”, os estudos enunciativos de Émile Benveniste, destacando como ocorre o processo de aquisição da linguagem em uma criança na faixa etária de 3 anos de idade. A reflexão centrou-se principalmente na relação criança-cultural-outro que é constitutiva da entrada da criança na língua.

Em seguida, o doutorando Wilian Dal’Ponte apresentou o trabalho intitulado “Índices linguístico-enunciativos instaurados em cartas leopoldinenses”, que está em desenvolvimento e analisa cartas de Leopoldina entre a corte dos Habsburgo-Lorena pelo viés enunciativo benvenistiano observando as marcas de subjetividade do eu.

Gabriela Golembieski, aluna da graduação, apresentou o trabalho “Transferências analógicas de denominações nas narrativas da criança durante a pandemia: a evocação da experiência ausente”, que tem como objetivo descrever essas transferências em rodas de conversas da Educação Infantil durante a pandemia de Covid-19. A pesquisa, que será realizada em campo, produzirá um corpus de registros de crianças em situações naturalísticas, no ambiente familiar, para que os enunciados produzidos sejam analisados em etapa posterior.

Com o trabalho intitulado “Homem e linguagem: um estudo da subjetividade em Benveniste”, a acadêmica Vanessa Scolari apresentou sua observação sobre o conceito de subjetividade a partir do texto de Émile Benveniste, visando a construção de sentidos de textos sob a perspectiva da subjetividade.

Já o estudante Anderson Potrick levou para o evento o trabalho “A presença e a influência da polifonia na figura heroica de Starr na obra O ódio que você semeia”, compartilhando uma obra literária contemporânea analisada de acordo com os estudos de Mikhail Bakhtin acerca da polifonia e do herói romântico e clássico.

A mestranda Bruna de Oliveira Brum apresentou a pesquisa que vem desenvolvendo nos seus estudos no PPGL, intitulada “O dialogismo nas interações com inteligência artificial em chatbots de atendimento a clientes”. No trabalho, a aluna reflete sobre o conceito de interação do Círculo de Bakhtin aplicado às enunciações entre clientes e chatbots comerciais, como a Lu da Magazine Luiza. Além de entrar nos aspectos de como a linguagem de inteligência artificial é produzida e se adapta para a comunicação humana. 

Na sequência, o acadêmico João Augusto Reich da Silva apresentou o trabalho “Tempo e linguagem: caminhos de interpretação”, que compreende os conceitos de cronotopo e exotopia bakhtinianos aplicados à análise de cartas trocadas entre pessoas submetidas a regime de privação de liberdade e pessoas livres no programa Write A Prisoner dos EUA.

Guilherme Alexandre da Silva, acadêmico do curso de Letras, apresentou ao grupo uma reflexão atual com o trabalho “O fenômeno da não marcação de gênero à luz dos estudos bakhtinianos”. Em sua pesquisa, ele observa os fenômenos da linguagem na qual não é marcado o gênero da pessoa no sujeito e seus complementos, como é o caso de “todxs” ou “todes”. Ao invés de “gênero neutro” que é como vem sendo chamada tal ocorrência, Guilherme propõe a expressão “não marcação de gênero”, que seria, segundo ele, mais adequado do ponto de vista da linguagem e social. 

Nara Dalagñol Borcioni, aluna do PPGL, também contribuiu compartilhando o trabalho de tese em desenvolvimento, denominado “Língua em Bakhtin: o conceito e suas inter-relações”. A pesquisa revisita toda a obra de Bakhtin buscando estabelecer, através de um profundo trabalho teórico, uma unidade no conceito de língua, bem como a observação de que outros conceitos se relacionam diretamente a este. 

Finalizando esta etapa, a doutoranda Mayara Corrêa Tavares apresentou o trabalho “A multimodalidade e os (multi)letramentos em um clube de leitura escolar: (re)significações na formação do leitor”. O estudo pretende observar como se dá a formação multimodal do leitor da educação básica através de uma pesquisa com alunos da 1ª série do Ensino Médio de uma escola estadual de Passo Fundo.

Ao encerrar a programação, a professora Marlete reiterou a importância do desenvolvimento de pesquisas na Instituição e lembrou que as inscrições para seleção no Mestrado e Doutorado do PPGL estão abertas.