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O problema que faz render

Máquinas trabalham para colocar os resíduos na esteira

O homem começa – aos poucos – a entender que o lixo pode deixar de ser o problema e tornar-se a solução. Em Passo Fundo a inciativa para a reciclagem não é novidade, mas só recentemente começou a render resultados palpáveis.

*Colaboração: Clarissa Battistella

            O lugar não é agradável. Moscas, cachorros abandonados e – principalmente – um odor quase insuportável formam o cenário do Aterro Municipal, que fica na localidade de São João. Criado em 1992, ele foi a solução encontrada para dar conta das mais de 140 toneladas de lixo produzidas por dia em Passo Fundo. Como qualquer outro aterro, porém, sua vida útil terminou  e hoje já não funciona. Não como antes.

            Qualquer cidadão, esclarecido, coloca o lixo no lixo. Mas não são todos que têm a consciência de que nem tudo termina por ali. Depois de retirado de dentro das casas, ele não desaparece como num passe de mágica; ao contrário, junto a toneladas de resíduos de outras casas acaba formando uma grande bola de neve, e é preciso saber o que fazer com ela. É aí que começa o papel do poder público. O trabalho parece fácil: recolher o lixo, separá-lo, dar uma nova utilidade para ele. Parece, mas não é. Colocar em prática o trabalho de reciclagem, em um município com cerca de 180 mil habitantes, não é simples. Sidnei Souto Castanheira, coordenador de fiscalização e licenciamento da Secretaria do Meio Ambiente de Passo Fundo, sabe muito bem disso. Ele explica que havia consciência de que um dia o aterro iria se esgotar, mas trabalhar para que a solução viesse não foi fácil. “Uma célula sanitária tem um tempo de vida útil, mas tudo isso, quando se trata de poder público, é muito complicado”, diz. As quatro células interditadas que formam as enormes montanhas de lixo, visíveis, contêm cerca de 25 mil toneladas. A área está a céu aberto e precisa de uma solução. “Existe um processo de licenciamento para um projeto de recuperação dessa área, ela vai ser tapada de terra e feito um replantio em cima, mas por enquanto tem que aguardar”, explica Castanheira. “A ideia era que isso tudo aqui já tivesse sido implantado no ano passado.”

O lixo passa por uma esteira, onde é separado

  O “tudo isso” a que ele se refere é a maneira encontrada pela prefeitura para dar conta do lixo. Há cerca de trinta dias, a empresa Recibela foi contratada em caráter emergencial para dar um destino, se não de todo, pelo menos de uma parte dos resíduos. O lixo é recolhido normalmente e levado até o local do aterro, e lá ele passa por uma esteira, onde profissionais da cooperativa trabalham para separá-lo. São retirados materiais como plásticos e papéis. O que sobra, como o lixo orgânico, volta para o caminhão e é direcionado a aterros de outros municípios. “O que entra na esteira é classificado, o lixo que pode ser reciclado é separado, prensado e empacotado para reaproveitamento, e o que não é aproveitado é levado para aterros em Minas do Leão, Palmeira das Missões e Marau”, diz Castanheira.

            Assim, a produtividade aumentou. Antes da vinda da empresa, era reciclada cerca de 1 tonelada por dia. Agora são de 4 a 5. “Essa empresa entrou com o propósito de reestruturar o galpão de reciclagem pra que a gente pudesse aumentar cada vez mais o índice de reciclados e nós já aumentamos em 300% em apenas 30 dias.” Comenta Castanheira. Ele ainda diz que, antes, a esteira até funcionava, mas era por períodos curtos. “A esteira trabalhava um período do dia e em um período ficava parada, até que o caminhão levasse os resíduos.”

            A Recibela é uma cooperativa de catadores, administrativamente coordenada pela Cáritas Diocesana. Seu coordenador, Nelson Claro de Ramos, explica que o trabalho deles vai desde a separação do lixo até a limpeza do pátio e corte da grama, e ressalta que o pagamento é uniforme entre os funcionários. “O pagamento é por hora e os salários são iguais. Desde o coordenador, o tesoureiro e o presidente, todos ganham a mesma coisa se trabalharem o mesmo número de horas”, diz.

            Quando o lixo chega ao final da esteira, é Sirlei Camargo a responsável por não deixar passar nada que possa ser reaproveitado. Ela trabalha no setor do “misturadão”, onde ficam os mais diferentes tipos de materiais que são novamente passados na esteira para separação. “A minha função é não deixar passar muito material, tirar o máximo possível o que os outros não conseguiram pegar, pra ele voltar de novo lá em cima”, explica Sirlei, que tem 23 anos e há 2 trabalha no local.

            No entanto, nem tudo é reaproveitado. O que passa sem ser recolhido cai no chão, para depois ser colocado em um caminhão e transportado. Esse lixo que cai deixa sua marca no solo, o chorume, resíduo resultante do lixo em decomposição, que se pode ver escorrendo pela terra e assim poluindo o meio ambiente. Castanheira admite que esse lixo está fazendo mal à natureza, mas ressalta que medidas estão sendo tomadas. “De certa forma, está poluindo. É por isso que vai ter um piso impermeável aqui, serão feitas grades de contenção e a máquina vai juntar, para nada cair na terra.”

A montanha de lixo que se formou com a célula interditada tem cerca de 25 mil toneladas de resíduos.

            O chorume não é nada senão a o lixo em decomposição. E quanto mais úmido ele estiver, mais acelerado será esse processo. “A ideia é que não se deixe cair chuva em cima de lixo, pra não produzir chorume. Se você tiver condições e um ambiente onde o lixo que venha do caminhão compactador, seja colocado em um local onde não chove, seja processado, e o que sobra seja colocado em um local onde não chove, não tem chorume, nada no solo e consequentemente nada na água”, lembra Castanheira, explicando o que eles pretendem fazer.

            A luta pelo reaproveitamento do lixo é árdua e não depende apenas do poder público. Ainda que o caminhão que transporta o lixo seja o mesmo, a separação é importante. Facilita para pessoas como Sirlei fazerem seu trabalho se o cidadão colocar cada tipo de resíduo em um local separado. E a proposta é que Passo Fundo aumente a demanda de contêineres e de coleta seletiva de lixo e adote uma tecnologia cada vez mais desenvolvida no tratamento dos resíduos. “A ideia é que não precise enterrar mais nada, mas sim ter um reaproveitamento de tudo. Aquilo que não pode ser reciclado vai virar energia, ser remanufaturado”, diz Castanheira.

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é acadêmica do III nível do curso de jornalismo e estagiária do Núcleo Experimental de Jornalismo da Agência de Comunicação da UPF.

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