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Novo e Eterno Baiano: Morre Moraes Moreira

  • Por: Eugenio Siqueira
  • Fotos: Divulgação e Camile Barreto/Saltur

O cantor e compositor Moraes Moreira morreu na madrugada de ontem (13), aos 72 anos. Conforme a assessoria do artista, ele morreu por volta das 6h, depois de sofrer um infarto agudo do miocárdio. Segundo Eduardo Moraes, irmão do cantor, o corpo de Moraes Moreira foi encontrado após a chegada da empregada doméstica no apartamento em que ele morava. O artista vivia sozinho.

Antonio Carlos Moreira Pires nasceu na cidade de Ituaçu, na Bahia, em 1947. Começou tocando sanfona de doze baixos em festas de São João e outros eventos na cidade. Aos 19, foi para Salvador, onde começou a estudar no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia. Lá, ele conheceu seus futuros companheiros dos Novos Baianos, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor, além de Tom Zé.

Em 1968, eles criaram o espetáculo Desembarque dos Bichos depois do Dilúvio Universal. Foi através graças a esta apresentação que surgiu o grupo Novos Baianos. O grupo já tinha também a participação de Baby do Brasil (Baby Consuelo, na época) na voz e do guitarrista Pepeu Gomes quando foi participar, no ano seguinte, do Festival da Música Popular Brasileira, com a música “De Vera”, de Moreira e Galvão.

Pepeu Gomes e Moraes Moreira no set de gravação da novela Tieta, em 1989

Em 1970, o grupo lançou seu disco de estreia, ‘Ferro na boneca’. Mas a grande obra deles viria após uma visita de João Gilberto à casa em que eles moravam juntos. Em 1972, já vivendo no Rio de Janeiro, lançaram o álbum ‘Acabou chorare’, que consagrou os Novos Baianos. O trabalho juntava samba, rock, bossa nova, frevo, choro e baião.

Com a regravação de “Brasil pandeiro”, de Assis Valente, além de “Preta pretinha”, “Mistério do planeta”, “A menina dança”, “Besta é tu” e a faixa título, todas de coautoria de Moraes Moreira, o álbum de 1972 é reconhecido como um dos melhores álbuns da música brasileira. O grupo ainda lançou três discos, que, ao invés de novos sucessos, gerou desentendimentos. Moraes Moreira até 1975, quando saiu em carreira solo.

Carreira Solo
Em 1976, já em carreira solo, ele se tornou o primeiro cantor de trio elétrico, ao subir no trio de Dodô e Osmar, e cantou a música “Pombo correio”, sucesso na época. Moraes Moreira foi um dos precursores da sonoridade que hoje é popularmente conhecida como axé music, com reminiscências da música afro, dentro do universo da música baiana. Em 1979, junto do guitarrista Pepeu Gomes, lançou o álbum ‘Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira’, cuja faixa título, composta pelos dois, fez um enorme sucesso.

O auto intitulado ‘Mais pernambucano de todos os baianos’ abraçou o folclore de Pernambuco: Moraes Moreira popularizou a cultura do estado nordestino com ‘Festa do Interior’ e ‘Bloco do Prazer’, essa última sob na  voz de Gal Costa.

Em 2007, Moraes Moreira publicou o livro A História dos Novos Baianos e Outros Versos, escrito em linguagem de cordel, que conta a história dos Novos Baianos. Já em 2017, lançou "Poeta Não Tem Idade", com cerca de 60 textos que homenageiam Luiz Gonzaga, Machado de Assis, Gilberto Gil e muitos outros.

Durante toda a carreira, lançou mais de 60 discos entre a carreira solo, Novos Baianos, Trio Elétrico Dodô e Osmar, além da parceria com o guitarrista Pepeu Gomes.