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Documentário sobre a prisão de Caetano Veloso durante a Ditadura Militar é selecionado para Festival de Veneza

  • Por: Eugenio Siqueira
  • Fotos: Instagram/Caetano Veloso

O documentário “Narciso em Férias” (Narcissus off Duty) será o único representante brasileiro no Festival de Veneza, um dos principais eventos da sétima arte em todo o mundo. O festival será entre os dias 02 e 12 de setembro e será um dos primeiros que acontecerá presencialmente, desde o início da pandemia do Coronavírus.

Na produção, o músico e compositor Caetano Veloso relembra sua prisão, quando ele e Gilberto Gil foram retirados de suas casas em São Paulo por agentes à paisana no dia 27 de dezembro de 1968, 14 dias depois de decretado o AI-5. Sem receber nenhuma explicação, os músicos foram levados para o Rio de Janeiro, deixados na solitária por uma semana e depois transferidos para celas. No total, foram 54 dias encarcerados, que a censura prévia impediu a imprensa da época a divulgar as prisões.

Com a direção de Renato Terra e Ricardo Calil, o documentário traz no título uma frase extraída do livro de Caetano Veloso, “Verdade Tropical”. Mais especificamente, do capítulo em que o músico narra o episódio da prisão e conta dos quase dois meses em que ficou sem se olhar no espelho. A frase original foi emprestada do romance “Este Lado do Paraíso”, de F. Scott Fitzgerald.

Ao falar sobre o período em que ficou preso, Caetano diz: "eu me lembro muito de uma frase que o Rogério Duarte me disse logo que eu fui solto: 'Quando a gente é preso, é preso para sempre'. Acho que é assim mesmo".

“Narciso em Férias” participa da mostra fora de competição do festival. Desta forma, não concorrerá ao Leão de Ouro. A produção é da companheira de Caetano Veloso, Paula Lavigne e da VideoFilmes, de Walter Salles e João Moreira Salles.