Notícias UPF

50 anos deixando todos de boca aberta

  • Por: Eugenio Siqueira
  • Fotos: Divulgação e Getty Images

Há 50 anos, nascia mais que uma logomarca; Nascia um símbolo que uniu rock, cultura e moda. O símbolo da boca aberta com a língua para fora, criado em 1970 para os Rolling Stones também tem uma longa história de criatividade, ego, dinheiro e brigas contratuais.

Quando foi chamado para criar um pôster para a turnê europeia da banda em 1970, o artista gráfico John Pasche estava no último ano de seu Mestrado em Artes na Royal College of Art em Londres. Ele se encontrou com Mick Jagger para discutir ideias. Uma semana depois, o desenhista voltou com uma arte que não agradou muito o vocalista. “Ele recusou, mas disse que tinha certeza de que eu podia fazer melhor”, disse o artista em uma entrevista ao "The New York Times".

Ele acabou sendo contratado e encarregado da tarefa de criar uma identidade visual para a banda. O assessor da banda, Jo Bergman, pediu especificamente a para criar um logotipo ou símbolo que pudesse ser usado em papéis timbrados, capa de programas de shows e releases. Surgiu a ideia depois de um novo encontro com Mick, que sugeriu algo simples e que pudesse funcionar por conta própria. O cantor mostrou ao designer uma ilustração da divindade hindu Kali, que Jagger havia visto em uma loja perto de sua casa e o que mais chamou sua atenção na figura foram a boca aberta e a língua protuberante da deusa. Essa versão derruba uma teoria muito popularizada: de que o logotipo foi inspirado nos lábios grossos de Mick — pelo menos não intencionalmente. O desenhista destaca outro aspecto de sua criação: "Queria que fosse um símbolo de protesto. É o tipo de coisa que as crianças fazem quando mostram a língua para um adulto. Essa foi a principal razão pela qual pensei que funcionaria bem". O logotipo estreou em 1971, no álbum "Sticky Fingers" na contracapa, no selo e no encarte.

É impossível calcular o lucro que o logotipo trouxe aos Stones ao longo desses 50 anos. Alan Edwards, que trabalhou na publicidade da banda nos anos 80, disse que a banda “deve ter arrecadado bons bilhões de libras em shows, vendas de discos e DVD, merchandising e exposições”. Em contraponto, John Pasche disse ter recebido apenas US$ 63 em 1970 e, posteriormente, um bônus de US$ 252. Somente em 1976 o designer começou a receber royalties por seu trabalho por conta de um contrato oficial. Ele lembra que era uma participação de 10% da receita líquida nas vendas de merchandising com o logotipo e estima que ganhou bastante dinheiro até 1982, quando vendeu seus direitos autorais à banda por US$ 32 mil.

''Eu provavelmente moraria em um castelo agora'', brinca ele, que foi orientado por seu advogado a vender os direitos autorais porque a lei que regia essa área na época não era muito clara. Se a banda argumentasse que tinham algum tipo de licença implícita, John poderia perder no tribunal e ainda ser obrigado a pagar seus próprios honorários e os honorários dos Stones. O designer tem 74 anos e já fez trabalhos de Judas Priest, David Bowie, Jethro Tull, The Who e Sinead O Connor.