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Vestibular UPF: pensando uma comunicação acessível

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Camila Guedes

Projeto de extensão busca ampliar o acesso de pessoas cegas ou com baixa visão a textos de diferentes naturezas por meio de áudios gravados por acadêmicos do curso de Jornalismo

“Para quem a gente faz comunicação?”. O questionamento da acadêmica do curso de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo (UPF) Camila Pellin poderia ser respondido das mais diferentes formas. Mas a dúvida dela vai muito além do que as páginas dos livros são capazes de explicar e envolve um conceito que, apesar de não ser novo, ainda é pouco trabalhado: a acessibilidade. Desde que encontrou no projeto de extensão “Audioteca: acervo de material em áudio”, Camila chega mais perto de entender seu papel como futura jornalista. Bolsista do projeto, ela, assim como os demais participantes, atua na gravação e edição de materiais em áudios que serão utilizados por pessoas cegas ou com baixa visão. 

Coordenado pela professora Dra. Bibiana de Paula Friederichs, o projeto atende, principalmente, às demandas do Setor de Atenção ao Estudante (Saes) da UPF, que recebe e auxilia os estudantes com diferentes demandas, e da Associação Passo-Fundense de Cegos (Apace). “A gente grava desde textos acadêmicos, como o capítulo de um livro que um professor solicita para a aula, ou mesmo um livro inteiro. No ano passado, nós gravamos Dom Casmurro, por exemplo”, explica a acadêmica. Todo o material é gravado, editado e disponibilizado pelos próprios acadêmicos, que têm a oportunidade de se apropriar dos elementos da linguagem sonora e de repensar o papel desempenhado pelos profissionais e pelos meios de comunicação na manutenção da vida cotidiana junto aos diferentes grupos sociais.

A independência de Iaçanã

Os materiais produzidos pela Audioteca ajudaram – e muito, como ele mesmo diz – na formação do jornalista Iaçanã Baptista. Egresso do curso da UPF, Iaçanã tem baixa visão e, ao longo de boa parte de sua graduação, contou com o apoio da equipe do Saes, de colegas e familiares para estudar. Foi no seu último semestre, em 2016, quando o projeto da Audioteca foi retomado, que ele conquistou a independência que sempre quis, para poder realizar seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). “Como eu tinha que ler livros para poder fazer o trabalho, meu professor orientador passou para o grupo os livros e alguns artigos e eles gravaram para mim. Eu ouvia e fazia o TCC a partir dos livros gravados pela Audioteca”, conta.

Antes desse recurso, Iaçanã dependia sempre da companhia e da ajuda de alguém. Na maioria dos casos, os textos eram adaptados a um programa instalado em seu computador, que fazia essa leitura. Já no caso de materiais menores, o egresso contava com a ajuda dos pais, que liam para ele, ou mesmo de alguns colegas. Quando era possível, os professores substituíam os conteúdos para que ele pudesse acompanhar a turma. “Alguns livros, por exemplo, tive várias indicações ao longo da faculdade, bons livros que seriam muito importantes para minha formação que eu não pude ler porque eu não tinha esse recurso no início do curso”, lembra.

Na opinião do jornalista, que hoje atua em uma rede de farmácias em Passo Fundo, o apoio oferecido pelo projeto foi fundamental para que ele pudesse fazer seu trabalho praticamente sem o auxílio de ninguém. “Eu conquistei uma independência muito grande para poder trabalhar. Foi muito bacana porque eu pude fazer as leituras que eu precisava. Eram livros grandes que eu pude ter um acesso depois da Audioteca. Sinceramente, eu não sei como teria feito sem a Audioteca”, garante.

Projeto em nova fase

Segundo Camila, o projeto da Audioteca está, atualmente, passando por uma readequação. Para isso, o grupo está trabalhando em um diagnóstico para entender como a população cega e de baixa visão de Passo Fundo acessa a informação. “Nós estamos fazendo todo um trabalho sobre esse diagnóstico. Nós temos um acervo antigo, um acervo do Saes e um na Apace. Por isso, estamos fazendo um levantamento do que tem em cada um desses acervos e aplicando questionários com o nosso público para entender como eles acessam a informação”, explica Camila.

A partir do diagnóstico, a equipe do projeto pretende criar um blog que reúna todo esse acervo. A ideia dessa nova fase, ainda de acordo com a acadêmica, é pensar uma comunicação acessível. “Essa nova fase da Audioteca foi muito importante porque me fez refletir sobre para quem a gente faz comunicação. A gente não pensa no dia a dia em fazer uma comunicação acessível. Eu não preciso somente fazer comunicação em diferentes plataformas, eu preciso fazer com que essa comunicação, com que essas informações cheguem para todo mundo, senão, qual é o sentido?”, questiona.

“A extensão transforma”

Para Camila, a Audioteca e os demais projetos de extensão dos quais participou desde que entrou na graduação, em 2017, permitiram que ela tivesse uma percepção diferente sobre o próprio Jornalismo. Na opinião da acadêmica, participando dos projetos de extensão, ela pôde aprender muito, indo além do que é visto em sala de aula. “A extensão transforma, é uma vivência inexplicável e é muito legal isso de você migrar para várias áreas, por exemplo. Eu participei desde o primeiro semestre do Observatório de Meios, como voluntária, e do ComSaúde, então, desde o início, eu tive contato com outras áreas do conhecimento. Além do aprendizado, eu também fiz muitos contatos, que é uma questão importante dentro do Jornalismo”, finaliza.

Vestibular de Inverno

A possibilidade de integrar um projeto de extensão pode ser vivenciada pelos alunos da graduação. Nessa perspectiva, a UPF está com inscrições abertas para o seu Vestibular de Inverno 2019. Porta de entrada da Universidade, o processo seletivo inscreve para ingresso em diferentes cursos de graduação naquela que é reconhecida como a maior instituição de ensino superior do norte do estado. Nesta edição, são 23 cursos disponíveis, nas seguintes áreas do conhecimento: licenciatura, saúde, comunicação, ciências sociais e aplicadas, engenharia, arquitetura e exatas. As inscrições devem ser feitas via internet, pelo site vestibular.upf.br, no período de 2 de maio até 4 de junho. A prova será no dia 8 de junho.