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RS tem um infectado por coronavírus para cada 104 habitantes, estima pesquisa

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Daniela Xu/UFPel

A proporção de pessoas com anticorpos para o coronavírus dobrou no Rio Grande do Sul no último mês, de acordo com os dados mais recentes da pesquisa Epicovid19-RS. A nova etapa da pesquisa estima que 108.716 pessoas (de 78.774 a 146.196, pela margem de erro) têm ou já tiveram o vírus na população gaúcha. No levantamento anterior, realizado há quatro semanas, esse número era de 55.904 (de 32.891 a 81.059). Os resultados mostram que a prevalência de infecção pela Covid-19 aumentou de 0,47% para 0,96% entre as duas fases de coletas de dados da pesquisa. A proporção é de um caso real de coronavírus para cada 104 habitantes do RS.

A análise da evolução do contágio no RS indica que o número de pessoas que já foram infectadas é hoje, em média, vinte vezes maior em comparação com o encontrado no primeiro levantamento da pesquisa, realizado entre 11 e 13 de abril. Para cada caso notificado, existem ao redor de dois casos (1.3-2.4) não registrados pelos números oficiais.

A taxa de letalidade da infecção pela Covid-19 é de 1,4% (1,1-2,0), com base no total de casos estimado pela pesquisa, em uma relação de 1570 mortes para 108.716 casos. Se considerados apenas os casos notificados, a letalidade passa a ser de 2,6%, em uma relação de 1570 óbitos para 59.779 casos.

Para a coleta dos dados, os pesquisadores realizaram, no último fim de semana, 4,5 mil entrevistas e testes rápidos para o coronavírus em nove cidades. Desse total, 43 tiveram resultado positivo. Dezoito deles foram somente em Porto Alegre, município que já vem registrando uma aceleração do número de casos e internações nas estatísticas oficiais. Canoas teve nove testes positivos, e Passo Fundo, sete. Caxias do Sul, Santa Maria e Santa Cruz do Sul tiverem dois testes positivos, em cada cidade, e Ijuí, Uruguaiana e Pelotas tiveram um teste positivo cada. “A recomendação é reforçar as medidas de distanciamento social, especialmente em Porto Alegre, Região Metropolitana e Passo Fundo”, afirma o reitor da UFPel e coordenador-geral do estudo, Pedro Hallal.

Em relação às práticas de distanciamento social, o estudo mostra que um terço da população sai de casa diariamente, um pouco mais da metade (54,1%) sai para atividades essenciais, como compra de alimentos e medicamentos, e 12,6% se mantêm sempre em casa.
A sexta etapa levantou também os sintomas mais frequentes relatados pelas pessoas que já contraíram o vírus. Os principais sintomas associados à Covid-19 entre os participantes foram tosse (51,2%), alterações de olfato e paladar (44,2%) e diarreia (37,2%), seguidos de dor de garganta (34,9%), febre (30,2%) e dificuldade para respirar (9,3%).

Os coordenadores do estudo recomendam ampliar a testagem por PCR e realizar a busca ativa de contatos das pessoas que tiverem resultado do teste positivo.
A pesquisa segue em andamento no Rio Grande do Sul, com mais duas etapas a serem realizadas: a sétima deve acontecer de 15 a 17 de agosto, e a oitava, de 5 a 7 de setembro. O EPICOVID19 é coordenado pela Universidade Federal de Pelotas e pelo Governo do Estado Rio Grande do Sul, com apoio de doze universidades públicas e privadas. 

O estudo envolve uma rede de doze universidades públicas e privadas: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos); Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc); Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ); Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Universidade Federal do Pampa (Unipampa/Uruguaiana); Universidade de Caxias do Sul (UCS); IMED e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/Passo Fundo), Universidade de Passo Fundo (UPF) e Universidade La Salle (Unilasalle).

O objetivo do estudo é estimar o percentual de gaúchos infectados pela Covid-19; avaliar a velocidade de expansão da infecção; fornecer indicadores precisos para cálculos da letalidade e determinar o percentual de infecções assintomáticas ou subclínicas. O estudo conta com financiamento do Instituto Serrapilheira, Unimed Porto Alegre e Instituto