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Biocombustíveis ganham espaço e reforçam papel do agronegócio na transição energética

13/03/2026

09:06

Por: Assessoria de Imprensa

Fotos: Bruna Petri

Ne Expodireto Cotrijal, professor da UPF explica como etanol, biodiesel e novas rotas de bioenergia podem reduzir emissões e ampliar oportunidades no campo.

O avanço dos biocombustíveis tem ganhado cada vez mais espaço no debate global sobre energia e sustentabilidade. Produzidos a partir de matérias-primas renováveis, principalmente de origem vegetal, esses combustíveis surgem como uma alternativa importante para reduzir a dependência de fontes fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. Na Casa UPF na 26ª Expodireto Cotrijal, o curso de Química mostrou aos visitantes a relação entre os biocombustíveis e o agronegócio. 

De acordo com o professor Idelso Candido Pereira Junior, uma das principais vantagens dos biocombustíveis está justamente no fato de serem derivados de fontes renováveis. “Os biocombustíveis são obtidos a partir de matéria-prima renovável, principalmente vegetal, ao contrário dos combustíveis fósseis, que são provenientes de fontes finitas. A manutenção de uma alta dependência global desses recursos esgotáveis torna evidente que, mais cedo ou mais tarde, podemos enfrentar uma crise energética se não buscarmos alternativas”, explica.

Além da questão da disponibilidade de recursos, os biocombustíveis também são considerados importantes aliados na redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo o professor, isso pode ser compreendido a partir do ciclo do carbono. “Quando utilizamos combustíveis fósseis, o CO₂ liberado na queima leva milhões de anos para retornar ao seu estado inicial. Já nos biocombustíveis de origem vegetal, mesmo que haja emissão de CO₂, as plantas utilizadas como matéria-prima capturam esse gás durante a fotossíntese. Assim, o balanço entre emissão e captura tende a ser próximo de zero”, destaca.

Agronegócio como base da bioenergia
Nesse cenário, o agronegócio exerce papel central na produção de biocombustíveis, já que é responsável pelo fornecimento da biomassa utilizada como matéria-prima. Culturas agrícolas como cana-de-açúcar, milho, soja e outras oleaginosas são amplamente utilizadas para a produção de etanol e biodiesel. “O agronegócio não apenas garante o fornecimento de biomassa em grande escala, como também impulsiona o desenvolvimento tecnológico e a diversificação de cadeias produtivas voltadas à bioenergia”, afirma Idelso.

Segundo o professor, a integração entre produção agrícola e energia renovável representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento econômico e ambiental. “A produção de biocombustíveis pode estimular a inovação tecnológica no campo, gerar empregos e agregar valor à produção agrícola, ao mesmo tempo em que contribui para uma matriz energética mais limpa e diversificada”, completa.

O crescimento da produção de biocombustíveis também abre novas perspectivas para os produtores rurais. Com o aumento da demanda por matérias-primas, culturas agrícolas utilizadas nesses processos tendem a ganhar valorização no mercado. Uma das possibilidades está na diversificação produtiva. Além das culturas destinadas à alimentação, os agricultores podem incluir espécies voltadas à produção de energia. “Isso reduz a dependência de uma única cultura e pode contribuir para maior estabilidade econômica diante das variações de mercado”, explica o professor.

A química por trás dos biocombustíveis
Segundo o professor, a química está presente em praticamente todas as etapas da cadeia produtiva dos biocombustíveis. “A química está envolvida do início ao fim do processo, desde a análise da matéria-prima até a obtenção do produto final. É ela que permite determinar a composição dos insumos e garantir que estejam adequados para produzir um combustível dentro das especificações necessárias”, explica. Além disso, o conhecimento químico permite otimizar processos industriais, aumentando o rendimento e reduzindo o consumo de energia e de recursos.

Outro aspecto importante é o aproveitamento de coprodutos e resíduos gerados durante a produção. “Substâncias como glicerina, glúten vital, DDGS, gás carbônico e óleo fúsel podem ser aproveitadas por diferentes setores industriais, como a indústria alimentícia, farmacêutica, de cosméticos e de nutrição animal”, destaca, acrescentando que esse reaproveitamento contribui para aumentar a rentabilidade da cadeia produtiva e reduzir impactos ambientais.
 

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