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Uma escola de líderes para os acadêmicos com deficiência

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Arquivo pessoal

Após participar do programa Study of the United States Institute (Susi) for Student Leaders, nos Estados Unidos, estudante do curso de Psicologia desenvolve projeto que visa formar o papel cidadão de acadêmicos com necessidades especiais

A Universidade de Passo Fundo (UPF) investe cada vez mais em um processo de internacionalização, possibilitando aos acadêmicos vivenciar experiências profissionais e pessoais em outros países. Isso foi vivido pela estudante do curso de Psicologia Anna Luzia Charrinho Pereira, que recentemente participou do programa Study of the United States Institute (Susi) for Student Leaders, nos Estados Unidos.

Oferecido pelo Departamento de Estado Americano com o objetivo de proporcionar entendimento diplomático mútuo entre os países e desenvolver habilidades de liderança aos selecionados, o Susi teve suas atividades realizadas durante cinco semanas, de 11 de janeiro a 15 de fevereiro de 2020. O tema dessa última edição foi empreendedorismo social e contou com o envolvimento de 20 alunos argentinos, brasileiros, chilenos e uruguaios, que, no Institute for Training and Development (ITD), na cidade de Amherst, Massachusetts, tiveram a oportunidade de aprender sobre direitos civis, direitos humanos, liderança, comunidade e serviço comunitário, marketing, negócios, economia criativa, entre outros assuntos. Representante da UPF, Anna Luzia pôde conhecer outras pessoas e culturas. Agora, a partir do conhecimento obtido no Programa, deseja implementar na Instituição o projeto “Escola de Liderança Changemakers: agentes de mudança”, que é uma escola de liderança voltada para os estudantes com deficiência, com o intuito de formá-los em seu papel cidadão de protagonismo em suas realidades.

A acadêmica relata que após participar de inúmeras aulas e experiências sobre comunidade, liderança e serviço, conseguiu entender a importância e o significado da construção de líderes. “Quero passar isso adiante. O projeto que vou desenvolver foi planejado em conjunto com dois amigos do Chile e uma amiga do Uruguai. Ele foi submetido à uma apreciação do Departamento de Estado Americano e financiado, o que significa que o governo americano apostou na nossa ideia e acredita que ela pode dar certo. A princípio, cada um vai trabalhar em suas comunidades com um público-alvo específico, de acordo com nossas motivações, e eu vou me inserir na UPF como uma maneira de retribuir à Instituição a oportunidade de me inscrever nesse intercâmbio. A ideia de trabalhar com os alunos com deficiência vem de pensarmos em sua inserção futura no mercado de trabalho, de compreensão de seu papel na realidade laboral em que estiver inserido e possibilidade de ação para a garantia de seus direitos e oportunidades”, comenta.

Questões voltadas para a liderança serão desenvolvidas no Projeto. “Um bom líder precisa saber observar, analisar e compreender a realidade em que está inserido e a comunidade que lidera, bem como conhecer os fatores internos e externos que interferem em seus objetivos. Além disso, vamos pensar em inteligência emocional e seu papel na liderança. Isso será feito por meio de reflexões, dinâmicas de grupo e discussões. Nossa escola vai ser interativa. Não tenho a pretensão de trazer apenas aulas expositivas, mas de ser facilitadora de um processo de construção de habilidades que se dá em cada um de modo subjetivo, mas por meio da inserção no grupo”, conta Anna Luzia, salientando que, inicialmente, as ações serão realizadas com os estudantes com deficiência, mas que o Projeto pode ser expandido. “A liderança é uma habilidade que deveria ser desenvolvida e incentivada em todos nós”, complementa.

Seleção intensa que resultou em ricas experiências
Até ser selecionada para o Susi, Anna Luzia participou de um rigoroso processo de seleção. Primeiramente, a Assessoria Internacional da UPF divulgou à comunidade acadêmica a pré-seleção com os detalhes, condições e documentos necessários. Oito candidatos participaram dessa fase. Além de comprovar o domínio da língua inglesa, em entrevista oral, eles deveriam comprovar excelência acadêmica, engajamento com o curso, com projetos da UPF e outros projetos sociais e ainda apresentar claramente um plano a ser executado ao voltar à Instituição.

A partir disso, a estudante de Psicologia foi pré-selecionada e indicada como representante da UPF. Ela concorreu no Rio Grande do Sul e foi indicada pelo Consulado Americano de Porto Alegre, concorrendo com outros 12 candidatos brasileiros a cinco vagas finais, sendo, então, aprovada. Segundo Anna Luzia, o Programa possui um currículo bastante diverso e denso, combinando aulas teóricas com experiências práticas, como o serviço voluntário à comunidade e viagens de estudo. “Também conhecemos um pouco sobre a história do país em Boston e Nova York. Posteriormente, passamos alguns dias no estado do Arizona, especialmente na cidade de Tucson. Lá, tomamos contato com a realidade dura da migração. Conhecemos a fronteira dos Estados Unidos com o México e o deserto que os migrantes atravessam para chegarem em solo americano. Finalizamos nosso programa na capital, Washington D.C., onde, dentre outras experiências, conhecemos o trabalho do Diálogo Interamericano e o Capitólio estadunidense. Não é possível, contudo, sumarizar tudo que vi e vivi nessas 5 semanas. Há sempre lugares que vi e coisas que fiz que acabam ficando de fora, porque é uma experiência muitíssimo rica”, finaliza.