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Um ano de desafios e transformações

  • Por: Caroline Simor / Assessoria de Imprensa UPF
  • Fotos: Arquivo pessoal

Médicos formados pela UPF em abril de 2020 completam um ano de atuação em uma das maiores crises de saúde da história

Em abril de 2020 a pandemia do Coronavírus estava fechando fronteiras, contaminando milhares de pessoas e desafiando o mundo todo na busca por metodologias para o seu enfrentamento. Neste mesmo momento, a Universidade de Passo Fundo (UPF) formava mais uma turma do curso de Medicina, em uma realidade completamente diferente da esperada pelos novos profissionais. Os desafios vivenciados ajudaram no processo de formação e permitiram aos recém formandos uma experiência única.

O diretor da Faculdade de Medicina, professor Dr. Paulo Reichert, pontua que a formatura, realizada em 2020, foi atípica. Em função dos protocolos de segurança em vigor à época, a turma foi dividia em grupos pequenos que foram graduados apenas com a presença de familiares próximos. “Esses profissionais iniciaram sua carreira junto com a pandemia. Temos retorno que diversos deles atuaram e continuam atuando na linha frente em Passo Fundo e na região. Alguns deles, inclusive chefiaram setores”, destaca o diretor.

Passado o primeiro ano, o professor pontua que alguns profissionais deram início às suas especializações, fortalecidos por terem vivenciado um momento histórico na área da saúde em todo o mundo. “Sem dúvida nós, como formadores desses profissionais, temos uma sensação de ter contribuído para o combate a esse grave problema de saúde pública”, observa, destacando que uma nova turma será formada em agosto, com previsão de ocorrer ainda em pandemia.

Vivências únicas e inesquecíveis

Gustavo Hirt é um desses formandos. Ele destaca que tinha a expectativa de comemorar de forma festiva, juntamente com amigos e familiares, os seis anos de estudos, finalizando um ciclo. Infelizmente, em função da pandemia, as celebrações ficaram restritas e a comemoração perdeu um pouco o sentido.

O médico, que hoje é analista sênior de Gestão de Saúde Populacional da empresa Amil/UHG, no Rio de Janeiro, atuou no enfrentamento da covid-19 em Não-Me-Toque. Ele lembra que o ingresso no mercado de trabalho foi imediato, visto que a demanda por médicos estava muito alta. “Do ponto de vista assistencial, foi bastante desafiador, pois estávamos enfrentando uma doença nova, cheia de incertezas, de difícil manejo e com um risco de transmissão muito alto. Então, além da preocupação com o cuidado dos pacientes, estávamos constantemente preocupados em não nos infectarmos e não levarmos o vírus para dentro de nossas casas”, lembra Gustavo.

Para Gustavo, sem dúvidas, o primeiro ano de trabalho foi muito desafiador e ressaltou, diariamente, a importância e os benefícios de buscar uma formação sólida na faculdade. Na opinião do médico, toda a conjuntura que se estabeleceu em torno da doença reforçou o quanto os profissionais da saúde precisam se capacitar técnica e cientificamente. 

Ele pontua que, infelizmente, grande parte da confusão que se criou frente ao combate da pandemia foi em função da atuação de alguns colegas e de lideranças que abriram mão do rigor científico, de conhecimentos estatístico-epidemiológicos básicos e de alguns princípios fundamentais para o exercício da profissão, como o que ele chama de “ideal de primum non nocere” (primeiro, não prejudicar). 

Mais de um ano do início da pandemia, Gustavo observa com tristeza o fato de ainda ver o tempo sendo perdido e a energia sendo gasta com discussões sobre estratégias comprovadamente ineficazes, abandonadas em todo o mundo, como é o caso do tratamento com hidroxicloroquina, ivermectina, zinco, entre outros. “Já temos evidências de que o necessário é: testagem rápida, distanciamento social e, quando necessário, isolamento, além do foco principal: vacinação em massa. Somente com essas medidas será possível encerrar esse ciclo que, sem dar trégua, está tomando muitas vidas e trazendo prejuízo socioeconômico sem precedentes”, pondera.

Formação que faz a diferença

Para Gustavo, a formação básica recebida na UPF facilitou o início da caminhada no mercado de trabalho, justamente por já estarem preparados tecnicamente para lidar com a maioria das situações enfrentadas. Ele comenta que, nos casos mais desafiadores, as atividades na graduação permitiram a consolidação de conhecimento para estabelecer um manejo inicial efetivo de modo a garantir a estabilidade do paciente e encaminhá-lo ou buscar orientações de especialistas. 

Outro ponto fundamental ao longo da pandemia, segundo o médico, foi a importância de ter a experiência sobre relação médico-paciente, ensinada desde o primeiro semestre do curso. De acordo com o egresso, nem sempre o médico terá uma resposta rápida e exata para o paciente, nem sempre existirá um tratamento específico que vai resolver de imediato sua condição de saúde, mas sempre será possível orientar da melhor forma o que comprovadamente pode ser feito e quais são os sinais e sintomas de alarme que devem ser observados para que o paciente possa receber o cuidado adequado. “Na medicina nunca existiu receita de bolo que possa ser distribuída para todos os pacientes como se fossem iguais. Não existe para doenças que conhecemos há centenas de anos, quem dera fosse existir para uma doença pouquíssimo compreendida que conhecemos, na história da medicina, ontem. Tomara que nas próximas semanas possamos focar no que realmente importa, encerrar discussões comprovadamente ineficazes e caminhar para o fim desse período trágico da humanidade”, ressalta.

Guilherme Rosa iniciou sua jornada atuando em Estratégia de Saúde da Familia (ESF) em Montenegro. Segundo ele, o trabalho foi e é desafiador. Ele lembra que, no início, atendia queixas crônicas e, devido a pandemia, queixas respiratórias associada a covid. 

Com o passar do tempo e a necessidade de mais profissionais, ele assumiu plantões em Pronto Atendimento. “Todos dias é um desafio novo, um medo do que encontraremos nos plantões, de quais casos teremos de manejar”, relata.

O egresso, que segue atuando em Montenegro, destaca a importância da sua formação. “Hoje vemos o quanto a UPF formou bons profissionais que foram inseridos no mercado de trabalho e hoje atuam na linha de frente contra a covid. Todos bem capacitados. Meu maior desejo agora é que todo mundo se vacine e possamos logo poder comemorar a formatura”, observa.