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Nova espécie de planta é descoberta na Reserva da UPF

  • Por: Caroline Simor
  • Fotos: Divulgação

Espécimes foram coletados na RPPN durante pesquisa de acadêmica do curso de Ciências Biológicas, juntamente com o mestrado em Ciências Ambientais e reconhecidos por pesquisador da UFRGS

Uma nova espécie de planta, descrita recentemente para a ciência, foi descoberta na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da Universidade de Passo Fundo (UPF). A descoberta, feita durante os trabalhos da acadêmica do curso de Ciências Biológicas, Bianca Zimmermann Kuster Gregory, nas ações de iniciação científica do curso, foi reconhecida pelo pesquisador da UFRGS, Martin Grings. Chamada de Callianthe flava Grings, a revelação da nova planta reforça o compromisso da Reserva com a preservação e conservação da flora nativa.

O trabalho feito pela acadêmica é orientado pelo professor Dr. Cristiano Roberto Buzatto. Ele explica que a descrição de uma nova espécie depende de materiais testemunhos, que são plantas ou partes delas, prensadas e desidratadas, também conhecidas como exsicatas, tombadas em coleções científicas, que, no caso de plantas, em Herbários. De acordo com ele, esse material, em particular usado para a complementar a descrição da espécie, é uma categoria de typus nomenclatural, chamado de paratypus e ficará guardado na coleção de espécimes typus do Herbário da UPF (RSPF). “Um typus nomenclatural é a exsicata no qual o nome da espécie está atrelado; é o material testemunho que certifica as características morfológicas daquelas espécies descritas com base em um exemplar que foi coletado, analisado e registrado para quaisquer estudos futuros. Além disso, o herbário que faz a manutenção de toda sua coleção científica, se compromete em dar atenção especial a todos typus nomenclaturais sob sua tutela, uma vez que este material serve como referência para determinar outros espécimes pertencentes àquela espécie”, esclarece, ressaltando que, com isso, o Herbário aumenta sua coleção e reafirma seu compromisso com a conservação e manutenção dos dados científicos dessas exsicatas.

 

Os espécimes da RPPN foram coletados por Bianca Zimmermann Kuster Gregory durante uma expedição para um projeto sobre biologia da polinização, dentro do seu trabalho de conclusão no curso de Ciências Biológicas. A atividade, desenvolvida dentro das ações de iniciação científica do curso de ciências biológicas, contou com a colaboração da funcionária do Herbário, Rocheli Maria Ongaratto. 

Entenda a descoberta
Por ser especialista em espécies da família Malvaceae, Martin Grings foi contatado pelo professor Buzatto com o objetivo de confirmar a identificação da espécie. “Acreditávamos ter outro nome e ele nos certificou de que se tratava de uma nova espécie. Ele já vinha trabalhando com coletas realizadas em outros locais do Estado. Então estas exsicatas foram encaminhadas para ele descrever melhor e também ampliar a área de ocorrência da espécie”, destacou.

Grings é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Botânica da UFRGS desde 2018. Na mesma instituição, ele realizou o mestrado em Botânica entre 2009 e 2011, período no qual teve os primeiros contatos com essa espécie nova, visto que já estudava a família Malvaceae. Com o passar dos anos, ele foi descobrindo novas localidades onde a planta se desenvolve, além de fazer contato com outros pesquisadores que enviaram amostras, como o caso do professor Cristiano e de sua orientada Bianca. 

O pesquisador destaca que durante as investigações foi conhecendo melhor outras espécies que são consideradas aparentadas com a espécie descoberta, o que, segundo ele, forneceu subsídios para confirmar que a Callianthe flava Grings é realmente diferente, principalmente pela morfologia de suas flores que é bastante distinta. No artigo publicado no periódico Phytotaxa, apresentando a espécie, Grings também destacou outras duas novas espécies no gênero Callianthe, estas existentes apenas em Santa Catarina. “A importância dessa descoberta se dá pelo fato de, a partir de agora, conhecermos um pouco mais sobre a nossa rica biodiversidade. Agora que a planta tem um nome, e pode ser diferenciada de outras espécies próximas, mais estudos podem ser realizados, como, por exemplo, o estudo da Bianca aí da UPF, que pesquisou os visitantes florais bem como outras características das suas flores. Quem sabe com mais estudos possamos reproduzir a espécie para ser utilizada como ornamental ou melífera ou até outras utilidades possam ser descobertas”, frisa. 

Para Grings, outra questão a ser destacada é a importância da RPPN nesse processo. “É um local onde a sua conservação é assegurada e não corre risco de ser suprimida pela crescente urbanização, ou conversão de áreas para outros usos antrópicos, como lavouras. Além disso uma unidade de conservação como a RPPN da UPF permite a pesquisa científica, ou seja, é uma ótima área para realizar novos estudos com essa e outras espécies da fauna e da flora”, pontua o pesquisador, ressaltando que a unidade ainda tem um importante papel na educação ambiental, pois são abertas à visitação.