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Desastres de Brumadinho e Mariana são destaques em aula inaugural dos cursos de Química

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Natália Fávero

Inspetor-chefe do CREA/RS de Passo Fundo, geólogo Luiz Paulo de Moura Fragomeni, afirma que mudanças significativas na responsabilização e em medidas de segurança ocorrem após os desastres

“Esses desastres foram tão impactantes que estão provocando uma mudança de comportamento”. Essas sãos palavras do inspetor-chefe do CREA/RS de Passo Fundo, geólogo Luiz Paulo de Moura Fragomeni, que utilizou os desastres de Brumadinho, em janeiro de 2019, e de Mariana, em novembro de 2015, ambos no estado de Minas Gerais, como exemplo para abordar o tema da sua palestra na aula inaugural dos cursos de Química da Universidade de Passo Fundo (UPF), na quarta-feira, 13 de março. Fragomeni palestrou sobre “Barragens e responsabilidade técnica”.

O rompimento da barragem B1 da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, provocou a morte de 200 pessoas e outras 108 ainda estão desaparecidas.  Já o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, deixou outros 19 mortos. “Uso esses desastres como pano de fundo para falar sobre as responsabilidades técnicas que nós profissionais temos e também para mostrar que somos responsabilizados pelas decisões que tomamos”, ressaltou o geólogo para acadêmicos da Universidade presentes no evento.

Os desastres também serviram para reforçar a responsabilidade dos técnicos e da segurança das barragens e de outros empreendimentos. “Esses desastres foram tão impactantes que estão provocando uma mudança de comportamento, com indícios até em Passo Fundo. Está se dando mais importância aos riscos, às responsabilidades das pessoas que têm cargo de gerência e que serão responsabilizadas caso aconteça alguma coisa”, comentou Fragomeni.

O geólogo usou exemplos dessa mudança em Passo Fundo. “Um exemplo prático é a desocupação do prédio da Delegacia de Pronto Atendimento da Polícia Civil de Passo Fundo. O laudo identificou que aquele prédio tem problemas estruturais, com risco de queda. A delegada de Polícia Civil recebeu esse laudo e, no mesmo dia, mandou evacuar. É uma decisão que mostra a responsabilidade gerencial. Essas decisões são novidades. Isso não acontecia. Não conseguimos imaginar isso acontecendo há cinco anos”, observou o geólogo.

A diferença de critérios para sanções de grandes empresas da área também foi comentada no evento. “As grandes empresas têm tamanha força que as coisas passavam. Um exemplo disso foi a própria sirene que servia de alerta na barragem de Brumadinho, que estava na linha da barragem, e foi a primeira coisa a ser levada pelos rejeitos. Chamo a atenção para a diferença de critérios. As grandes empresas tinham tratamento diferente. Acho que isso está mudando depois de todos esses desastres”, pontuou.

Outra mudança citada foi a proibição das barragens como a de Brumadinho, do tipo alteamento a montante. “Nessa barragem, e também na de Mariana, foi utilizado o próprio rejeito para fazer a represa. É mais barato e mais inseguro. Países como o Chile já não aceitam essas barragens, porque também já tiveram desastres. No Brasil, após os desastres em Minas Gerais, essas barragens também estão proibidas e deverão ser eliminadas”, informou o inspetor-chefe do CREA/RS de Passo Fundo.

As normas técnicas utilizadas para atestar a segurança das barragens também precisam de atenção. “Os técnicos da empresa terceirizada que atestou a estabilidade da barragem de Brumadinho utilizaram formulário e normas técnicas que são aprovadas e reconhecidas pelo próprio governo. Eles seguiram essas normas, fizeram os ensaios requeridos e obtiveram resultados positivos. É preciso verificar com mais profundidade essas normas. As barragens passaram a ser vistoriadas em todo o país, inclusive as de Passo Fundo. Essas vistorias seguem os mesmos critérios do plano de segurança de barragens. Será que esse plano e normas são suficientes?”, indagou Fragomeni.

Também participaram da atividade os professores dos cursos de Química Licenciatura e Bacharelado. As boas-vindas ao público foram dadas pelos coordenadores dos cursos, professores Me. Ana Paula Harter Vaniel e Dr. Lairton Tres.