Notícias UPF

Pesquisa busca reconhecimento da cultura dos índios minuanos

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: João Vicente Ribas/Divulgação/Jornal do Comércio

Levantamento documental e, agora, in loco, comprova a contribuição do povo minuano na construção do pampa gaúcho

A investigação do passado é fundamental para que a sociedade seja capaz de compreender o futuro, respeitando e valorizando as construções e contribuições de quem já esteve por aqui. Esse é um trabalho para os pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF), em parceria com pesquisadores de outras instituições como FURG, Unipampa, PUC/RS e Universidad de La República, do Uruguai. Juntos, eles descobriram locais e provas materiais do comportamento dos índios minuanos na consolidação do pampa gaúcho.

A equipe de pesquisadores, que conta com a liderança do professor Dr. Luiz Carlos Tau Golin, docente do PPGH, encontrou vestígios arqueológicos na região de São Gabriel, no sudoeste do estado. Além dele, participaram da expedição o arqueólogo José M. López Mazz e o historiador Diego Bracco, da Universidad de La Republica (Uruguai). A equipe localizou, pela primeira vez naquela região, cerritos de índios minuanos. Em termos de arqueologia, são montes de terra que contêm vestígios de habitação de povos que se deslocavam após longos períodos de estadia, deixando para trás toldarias inteiras e até restos mortais de entes queridos. De acordo com os pesquisadores, eles são a principal característica que identifica a cultura minuana e seu estudo ajuda a compreender o legado desses grupos indígenas e a sua influência nos dias atuais.

Segundo Tau Golin, os minuanos foram um povo duramente conflitado com o coronelismo, tanto pela forma de apropriação da terra quanto pela formação dos latifúndios e das estâncias. “Foi um povo que passou por muita violência na formação da sua territorialidade, mas foi um povo que também influenciou muito a construção do povo daquela região. Pesquisamos isso há algum tempo, documentalmente, e agora estamos na fase de ir a campo. Já encontramos provas, materialidade, por meio dos cerritos, e estamos guardando e resgatando essa história”, destacou.

Ele ressalta que foram identificados quatro cerritos e elencadas partes importantes da construção do povoado. “Tínhamos a informação de que a chamada toldaria, do líder dos caciques minuanos, Miguel Caraí, durante o período das demarcações do tratado de Santo Idelfonso (1784 – 1789), tinha se instalado nessa área, com a criação de animais junto ao terceiro marco espanhol. Com a cartografia do século XVIII, conseguimos localizar a posição desse marco e, a partir disso, localizamos essa toldaria”, lembra o professor.

Hábitos, vocabulário, uso de equipamentos e ferramentas são alguns aspectos levantados pelas descobertas. Para o professor, existe a necessidade dos estudos para que sejam preservados os sítios e espaços que fazem parte da história. “Nosso objetivo é a patrimonialização dessas áreas. Esse trabalho dá uma consistência muito grande às ações que desenvolvemos”, destaca, pontuando que tirar os minuanos e os cerritos de uma imagem estática é reconstituir sua cultura, sobretudo o movimento deles.