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Os efeitos da Covid-19 na saúde mental é tema de pesquisa da UPF

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Freepik

Mais de 1.300 gaúchos responderam à pesquisa realizada por estudantes do curso de Psicologia

Um evento inesperado, que transformou a vida de milhões de pessoas. A pandemia causada pela Covid-19 provocou inúmeras mudanças na vida profissional, emocional e social das pessoas. Identificar e compreender os efeitos da pandemia na saúde mental dos gaúchos foi o objetivo da pesquisa desenvolvida por estudantes do curso de Psicologia da Universidade de Passo Fundo (UPF), na disciplina Pesquisa em Psicologia. O projeto de pesquisa " Efeitos da pandemia de Covid-19 na saúde mental dos gaúchos" foi orientado pela professora Dra. Maristela Piva.

Conforme a professora, a pandemia apresentou situações até então desconhecidas, como o isolamento social, a suspensão de atividades escolares e profissionais e o trabalho remoto, o que acabou afetando a sociedade como um todo. “A pesquisa buscou conhecer os efeitos da pandemia na saúde mental da população do Rio Grande do Sul. Realizamos um estudo quantitativo, com design de levantamento, objetivando uma pesquisa descritiva. O Projeto de Pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética da UPF”, contou a professora.

A coleta de dados foi realizada por meio de questionário no Formulário Google e ocorreu de 20 de agosto à 20 de outubro de 2020. A amostra reuniu 1359 pessoas, maiores de 18 anos, residentes no RS.

Perfil dos participantes

Pessoas de 117 municípios responderam à pesquisa, sendo 42,2% de Passo Fundo, 6,6% de Porto Alegre e 6,4% de Carazinho. A maioria dos participantes são jovens, na faixa etária dos 18 aos 29 anos (45,2%). Além disso, houve uma prevalência com relação ao gênero, aonde 78,4% eram do gênero feminino e 21,6% do gênero masculino. A pesquisa identificou que 23,6% são funcionários de empresas privadas; 21,3% são estudantes; e 16,5% são funcionários de empresas públicas.

Isolamento provocou preocupação e estresse

O inesperado e a possibilidade de ficar doente com a Covid-19 deixou a população mais preocupada. Fator que foi confirmado pela pesquisa, aonde 32,2% disseram que o período da pandemia trouxe muita preocupação, estresse e ansiedade; 26,6% a caracterizaram como relativamente estressante; e 31,1% relataram que foi um período diferente, de muitas descobertas. “Isto denota que o estresse causado pela pandemia não impediu que muitas pessoas continuassem evoluindo, fizessem descobertas, aprendessem coisas novas, e enfim, encontrassem um modo de vencer as adversidades, alcançando resiliência”, afirma a professora Maristela.

Pandemia foi fenômeno mais estressante da vida

Quando questionados se o período de pandemia foi o mais tenso vivido, 89,2% responderam que sim, e 68,9% da amostra concordaram que a pandemia passou a sensação de um filme de terror. Mesmo vivendo sob tensão, o total de participantes que contraiu o vírus foi de 4,6%, e 27,6% tiveram familiares que contraíram Covid-19.

Mais de 80% dos participantes afirmam que a pandemia foi o período mais tenso já vivido

Medo da perda

Um dado relevante da pesquisa é que 87,7% dos pesquisados afirmam que tiveram receio de perder algum ente querido por conta da Covid-19, sendo que 72% concordaram plenamente com esta afirmativa, enquanto que 15,7% concordou em partes. “Assim, o medo de perder alguém querido contribui para aumentar o estresse neste período, e, sentimentos como o de ansiedade e insegurança foram destacados, sendo que a grande maioria dos sujeitos (70,8%) também indicaram ter sentido mais medo que de costume durante a pandemia”, contou a professora.

Mais da metade dos participantes da pesquisa afirmam ter tido piora no sono

Piora do sono e mudança de hábitos

Outro dado interessante levantado no estudo é que mais da metade das pessoas (54,1%) afirmaram ter tido uma piora no sono, e 80,9% afirmou ter feito uso de remédio para dormir.

A pesquisa identificou ainda que, para enfrentar o isolamento social provocado pela pandemia, muitas pessoas passaram a consumir mais alimentos (66,4%). As compras pela internet também aumentaram 29,9%. “O que não significa que há um comprar compulsivo, mas que o isolamento social incentivou as compras on-line. Parece haver o incremento de um hábito, que talvez antes não fosse tão comum”, comentou a professora.

Momentos de lazer

Momentos de descontração e lazer são importantes para ajudar na saúde mental e 46,9% das pessoas indicaram ter conseguido alguns momentos de prazer e descanso durante a pandemia. Entre as atividades que auxiliaram neste lazer, encontrou-se que: 74% se reportou às séries, à TV e aos filmes; 35,8% respondeu que foram os momentos de interação com a família; 34% afirmou que ler um livro; realizar telefonemas e/ou fazer vídeo-chamadas para amigos e família correspondeu a 26,7% das opções de lazer, assim como cozinhar (também com 26,7%).

Pesquisa foi realizada por turma o curso de Psicologia da UPF

Benefícios para formação acadêmica

De acordo com a estudante do 8º nível do curso de Psicologia, Maria Eduarda de Oliveira, participar da organização da pesquisa foi um desafio. “Tivemos as aulas presenciais interrompidas no primeiro semestre devido a pandemia, e quando a professora propôs a pesquisa, aceitamos o desafio. Foi muito interessante pensar no objetivo da pesquisa, nas perguntas do questionário. Acredito que os resultados da pesquisa vão ajudar toda a sociedade a compreender melhor os reflexos desse período de pandemia”, disse.

Resultados

De acordo com a professora orientadora da pesquisa, estando a saúde mental interligada a fatores sociais, econômicos e ambientais, as modificações vividas no cotidiano e a necessidade de isolamento social interferem no humor e no estado mental dos indivíduos. “Os dados coletados indicam que a pandemia e o isolamento social potencializaram sentimentos de medo, desesperança, insegurança, preocupação, ansiedade, entre outros. Muitos perderam familiares, empregos, adoeceram, tiveram que mudar seus modos de trabalhar, e isto tem trazido sofrimento psíquico”, destacou Maristela.

De acordo com a professora, autores apontam que os dados levantados pela pesquisa indicam a necessidade de desenvolver medidas de apoio e cuidado à saúde mental da coletividade. “A pandemia ainda não acabou e é preciso ficar atento aos seus desdobramentos e não se pode deixar de observar, que em meio a tantos reveses, também a academia se reinventou, e estas novas invenções tem permitido que se continue qualificando o ensino, a pesquisa e a extensão.  Este estudo, desenvolvido por este grupo de 32 acadêmicos, é prova disso”, finalizou a professora”.