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Atuação do economista no Setor Público: possibilidades e desafios

  • Por: Assessoria de Imprensa

Economistas participam de roda de conversa e compartilham as suas experiências

O curso de Ciências Econômicas da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade de Passo Fundo (Feac/UPF) realizou, na noite do dia 20 de maio, no auditório da Feac, a Roda de Conversa “A atuação do economista no Setor Público: possibilidades e desafios”. Participaram da roda os economistas Me. Antonio Carlos Brites Jaques, Maria da Glória Ghissoni Deon, Me. Luís Antônio Sleimann Bertussi e a Dra. Cleide Fátima Moretto, como mediadora. Estiveram presentes aproximadamente 200 pessoas, entre docentes e discentes dos cursos de Ciências Econômicas, Administração, Ciências Contábeis e Comércio Exterior, além de interessados na temática.

O economista Me. Antonio Carlos Brites Jaques, conselheiro e representante do Conselho Regional de Economia do estado do Rio Grande do Sul (Corecon-RS), fez um breve relato sobre a sua trajetória profissional enquanto servidor público. Especialista em Finanças Públicas e Gestão de Programas Governamentais e auditor fiscal do estado do Rio Grande do Sul aposentado, exerceu cargos como o de secretário da Fazenda do estado do Rio Grande do Sul, diretor-presidente da CEE, vice-presidente do Banrisul e diretor da Receita Estadual. Após apresentar uma síntese das possibilidades de atuação do economista nas diferentes esferas governamentais – federal, estadual e municipal –, destacou a amplitude de atuação do economista na tomada de decisão no âmbito das políticas públicas. 

Nessa direção, Jaques apontou para as diferentes áreas estratégicas em que o economista, tanto como servidor público quanto como prestador de serviços contratado, pode fazer a diferença, colocando em prática saberes de abordagens tradicionais (como o próprio Banco Central, Ministério da Fazenda, Secretarias da Receita Federal e Estadual) e mais recentes, que contemplam áreas como a economia do crime, a economia da saúde, a economia do cuidado, a economia da cultura, a economia da educação. Explicou que a visão sistêmica que instrumentaliza o economista durante a sua formação o coloca em posição de vantagem em espaços que demandem a capacidade de diagnóstico de realidade e simulações de possibilidades de ação que impliquem decisões eficientes. Ele comentou que, embora haja um contexto de restrições em relação ao mercado de trabalho no âmbito público, o espaço de atuação continua sendo decisivo e desafiador para que o profissional faça a diferença em termos profissionais e pessoais.

A economista Maria da Glória Ghissoni Deon trabalhou como servidora pública inicialmente no Banrisul, durante oito anos, e depois no Tribunal de Contas do estado do Rio Grande do Sul, por mais 21 anos, como auditora. Maria da Glória contextualizou a sua atuação como auditora, descrevendo as ações e a importância do trabalho detalhado de auditar os gastos públicos sobretudo nas áreas da saúde e da educação. Reforçou sobre o papel fundamental que o economista exerce nessa função, na medida em que representa “o olhar” da sociedade para o que foi planejado e orçado, sempre dentro da legalidade da constituição e das legislações pertinentes. Comentou sobre o quanto a formação como economista contribuiu para que sua atividade de campo fizesse valer os princípios da eficiência e da eficácia das políticas públicas, para além das políticas de governo. 

A economista também chamou a atenção para o papel que o economista atuante no setor público possui não apenas como técnico, como tomador de decisão, mas sobretudo como cidadão. Referiu, ainda, o desafio colocado aos economistas no âmbito da informação, da gestão dos processos voltados à garantia do bem-estar da sociedade. Maria da Glória argumentou que o baixo nível de informação econômica dos gestores públicos, sobretudo dos inúmeros municípios brasileiros, compromete a qualidade das ações públicas desenvolvidas. Concluiu que ampliar o nível de informação econômica é crucial para a nossa sociedade. 

Por fim, o economista Luis Antônio Sleimann Bertussi, que é mestre e atualmente doutorando em Economia pela Unisinos, economista da Prefeitura de Passo Fundo há 16 anos, integrante do corpo docente do curso na UPF, falou de sua trajetória profissional, especialmente da experiência adquirida enquanto um dos idealizadores e depois presidente do Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de Passo Fundo. Comentou sobre a complexidade envolvida nos regimes próprios de previdência e da carência que existe de profissionais na área. Em termos de possibilidades de atuação no setor público em nível municipal, observou que são apenas as prefeituras de porte maior que contam com economistas atuando tecnicamente. Referiu sobre a potencialidade dos economistas, observada em nível internacional, enquanto analistas de bancos de dados, o que reforça a importância de a formação estar amparada em um sólido instrumental quantitativo. Na sua visão, o maior desafio do economista em nível de setor público é fazer valer as decisões técnicas em lugar das políticas. 

Maria da Glória e Luis Antonio Bertussi são egressos do curso de Ciências Econômicas da UPF, um curso que há 61 anos vem contribuindo para a formação de economistas na região. A roda de conversa colocou em pauta o papel estratégico do economista nos espaços públicos de atuação e deixou claro que incorpora não apenas a sua instrumentalização formal, mas sobretudo os valores éticos e de cidadania de suas decisões. Para saber mais sobre os cursos da Feac, acesse vestibular.upf.br. As inscrições estão abertas até o dia 4 de junho e a prova ocorre no dia 8 de junho, às 14h, no Campus I.