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Um novo olhar sobre os conflitos familiares

  • Por: Caroline Simor
  • Fotos: Caroline Simor

Ampliando as ações já desenvolvidas pela Universidade, o Mediajur firma parceria com o Ministério Público, o Poder Judiciário e a Delegacia da Mulher para atuar em casos de violência doméstica

Resolver um conflito pode ir muito além da definição de uma pena, do afastamento ou de uma medida protetiva. Com o uso da mediação, de conversas e de trabalhos interdisciplinares, as resoluções de situações de conflitos, com violência doméstica, podem ser mais efetivas. Com esse objetivo, a Universidade de Passo Fundo (UPF), por meio do Núcleo de Mediação e Justiça Restaurativa (Mediajur), firmou uma importante parceria com o Ministério Público, a Delegacia de Proteção à Mulher e o Poder Judiciário. A atividade contou com a presença de representantes dos órgãos parceiros, da imprensa, além do vice-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, professor Dr. Rogerio da Silva; do diretor da Faculdade de Direito, professor Me. Edmar Vianei Marques Daudt; da coordenadora do Projur Mulher, professora Dra. Josiane Petry Faria; e do professor Dr. Gabriel Divan.

De acordo com o professor Vinicius Toazza, coordenador do Mediajur, o novo convênio visa trabalhar com os casos de violência doméstica, dando uma nova perspectiva para as pessoas que passam por esse tipo de conflito, atuando tanto com a vítima quanto com o agressor. “Temos visto que, via de regra, os casos dão atenção primária à vítima, o que não resolve necessariamente o problema, apenas afasta o companheiro. Posteriormente, ao voltar com o convívio, muitas vezes a situação se agrava”, explica.

Segundo ele, a intensão é proporcionar uma atuação mais ampla, voltada a compreender os motivos e a oferecer a solução. “A intensão do Mediajur nesse momento é proporcionar para ambos todo um trabalho circular voltado a entender o conflito pelas mais diversas linhas e áreas do conhecimento, apresentando uma face interdisciplinar do conflito, promovendo uma reflexão interna, de autoconhecimento, verificando o que pode ser melhorado”, pontua, ressaltando que, para isso, no mínimo dez encontros serão realizados separadamente até que seja possível visualizar a restauração daquela relação.

A paz familiar foi o fator motivacional para a elaboração do trabalho conjunto. De acordo com a promotora Clarissa Simões Machado, se percebeu a necessidade de uma atuação mais efetiva de mediação dos conflitos familiares dentro do contexto de violência doméstica, primando pela paz e pela atenção aos filhos dos casais em situação de agressão. “Não raras vezes, a mulher inserida no contexto de violência doméstica tem em seu lar filhos em comum com o ofensor. Além disso, existe uma série de questões que permeiam os conflitos domésticos, as quais nós acreditamos que precisam ser melhor trabalhadas, podendo ocorrer um encaminhamento que não seja exclusivamente o afastamento do ofensor do lar ou a decretação de medidas de proteção, restritivas e de proibição de visitas ao lar”, destaca.

Ela ressalta que o projeto é voltado para casos específicos em que se verifica a vontade das partes em ter uma boa relação, não apenas pensando na proteção da mulher, mas também na orientação e no trabalho junto ao ofensor, buscando preservar os vínculos afetivos que existem em casa. “Muitas vezes, nas audiências preliminares em que são analisadas as situações da vítima e do casal, se percebeu que a mediação de um conflito, ou de situações ainda mal resolvidas entre o casal, pode ser tentada pela rede de proteção da mulher através da justiça, de modo a preservar os interesses da família. Esse termo cria uma sistemática de atuação em rede, buscando, nos casos em que é possível, manter a paz e a construção de uma relação mínima de respeito entre o casal, visando, principalmente ao cuidado com os filhos, frutos dessas relações”, destaca.

As ações já estão sendo desenvolvidas, mas ganharão força a partir de fevereiro, logo após os recessos.

União entre a teoria e a prática
A parceria reafirma o compromisso da Universidade com a comunidade e reforça o caráter institucional de estar sempre em contato com a realidade social. Para o vice-reitor, professor Dr. Rogerio da Silva, mais uma vez a UPF se coloca como instrumento de transformação e, com isso, qualifica a formação de seus estudantes. “Essas ações refletem, mais uma vez, a característica marcante que a UPF tem, enquanto universidade comunitária, efetivamente conjugando todo o envolvimento da extensão e da graduação, com a faculdade de Direito e a comunidade”, disse.

Na opinião do diretor da Faculdade de Direito, professor Me. Edmar Vianei Marques Daudt, o convênio proporciona ao estudante estar inserido no cotidiano das relações jurídicas e sociais, unindo teoria e prática. “Esse convênio que está sendo firmado hoje vem ao encontro do que a UPF vem seguindo ao longo dos anos, que é conciliar o ensino, a pesquisa e extensão. Por meio de parcerias como essas, nossos estudantes têm a oportunidade de se envolver em atividades em todas as áreas, com reflexos na pesquisa, visto que aquilo que ele vivencia na prática das atividades de extensão, consegue aprofundar na pesquisa e isso se reflete diretamente na qualidade do ensino”, considera.