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Acadêmicos visitam estabelecimentos prisionais da região metropolitana

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Acadêmicos de diversos níveis do curso de Direito da UPF Carazinho realizaram uma visita técnica ao Presídio Central de Porto Alegre e à Penitenciária Estadual de Canoas (PECAN). A atividade, que foi acompanhada pelo professor Me. Vinícius Francisco Toazza, ocorreu na quinta-feira (16) e teve como objetivo mostrar na prática o que é apresentado em sala de aula. Além dos acadêmicos de Carazinho, outras turmas já realizaram a visita e novas visitas devem ocorrer ainda este semestre.

De acordo com Toazza, a viagem permitiu aos alunos uma formação não apenas teórica, mas prática, principalmente, por oportunizar a comparação dos distintos estabelecimentos prisionais de nosso estado. “Destaco a importância de termos estabelecimentos prisionais com presença total do Estado (equilíbrio entre controle e apoio), enquanto meio eficaz de ressocialização dos apenados, em um sistema desacreditado. Nosso agradecimento ao diretor da PECAN II, Sr. Cristiano Machado, e à sua equipe, bem como ao tenente Monteiro e à sargento Rosane, da Cadeia Pública de Porto Alegre, pela receptividade e atenção dispensadas à nossa Faculdade de Direito”, destacou o responsável pela atividade.

Além de ser uma oportunidade para conhecer a realidade prisional do estado, os acadêmicos também tiveram uma experiência que, para eles, auxilia na compreensão do sistema e da importância do próprio direito. Para Alana Menezes, acadêmica do 6º semestre, a visita também serviu como forma de reafirmar a escolha pelo curso. “A visão real do sistema penitenciário proporcionada com a visita técnica ressaltou a importância de irmos além da teoria, pois quando estamos inseridos dentro da realidade e ela se torna palpável, é possível um olhar mais abrangente e humano sobre o nosso papel como profissionais. O sentimento de estar no curso certo fazendo o que acredito esteve presente em todos os momentos da visita e isso é impagável e indescritível”, descreveu.

Para Marne de Oliveira Paranhos, acadêmico do 3º semestre, visualizar a realidade prisional é de suma importância para absorver melhor o conteúdo em sala de aula. Segundo ele, ainda que a Cadeia Pública tenha problemas reais com facções e a falta de capacidade do Estado em proporcionar melhores condições aos presos, foi possível verificar que existem projetos que tentam resgatar a dignidade da pessoa humana”. Vimos a escola na prisão, oficinas de artesanato e programa de desintoxicação. A PECAN possui condições um pouco melhores, pois não recebe presos ligados a facções e possui bloqueadores de sinal de celular. Como futuros operadores do Direito, os acadêmicos puderam ver na prática como o sistema presidiário no Brasil é precário, não oferece condições satisfatórias de ressocialização e serve, na maioria das vezes, como verdadeira escola do crime”, destacou.

Abrir os olhos para além do senso comum foi a reflexão da estudante Gisele de Abreu Vargas, também do 3º semestre. “Visitar a Penitenciária de Canoas e a Cadeia Pública de Porto Alegre nos proporcionou ver o sistema prisional mais de perto, desfazendo em partes o senso comum que muitas vezes nos é imposto pela mídia, família e sociedade. Nota-se que a prisão muitas vezes não exerce nenhum freio à criminalidade, servindo como instrumento de fortalecimento de grupos criminosos. Acredito que o tripé ressocialização, família e normatização (melhor efetivação da Lei de Execuções Penais) seja, na prática, a melhor proposta de reintegração do preso, com resultados benéficos a longo prazo”, pontuou.