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Arte que fala diferentes idiomas

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Camila Guedes

Da Polônia ao nordeste brasileiro, estudantes fizeram uma viagem por diferentes culturas em mais uma tarde de oficinas na VI Semana do Conhecimento da UPF

Seja em polonês ou em português com sotaque nordestino, a arte fala os mais diferentes idiomas. Na tarde desta quarta-feira, dia 4 de setembro, estudantes de escolas públicas de Passo Fundo e acadêmicos da Universidade de Passo Fundo (UPF) puderam conhecer um pouco mais das diversas facetas das artes. Durante mais uma tarde de oficinas interculturais, atividade que integra a programação da VI Semana do Conhecimento, a Universidade se transformou em um grande e colorido ateliê. 

Peças que contam histórias
Desde criança, a cultura polonesa sempre esteve presente na vida da artesã Agata Grochot dos Santos. Natural do município de Santo Antônio do Palma, Agata ministrou uma oficina sobre marchetaria com palha de trigo. Chamada de Lepianka, a arte polonesa surgiu em sua vida por intermédio de sua avó. Na infância, aprendeu com ela a técnica utilizando papel de bala. Hoje, Agata mantém vivas as tradições. Mora em um casarão típico polonês, onde recebe estudantes e turistas e ministra oficinas espalhando sua arte. “Nós sempre procuramos falar um pouco de tudo relacionado à cultura polonesa: religiosidade, curiosidades, personalidades, artesanato, tudo para que as pessoas conheçam um pouco mais sobre ela”, explicou. 

Com o passar o tempo, a artesã aprimorou a técnica e criou peças com personalidade própria, de acordo com a demanda da região. “Em Curitiba, eles trabalham com a mesma técnica, é uma técnica dos povos eslavos, poloneses e ucranianos, de mais de um século. Eu procurei desenvolver elas nas mais diferentes coisas, que são ao mesmo tempo decorativas, úteis e contam uma história”, contou ela, que se disse emocionada com a possibilidade de compartilhar seu conhecimento na Universidade. “Quando era jovem, eu não podia nem sonhar com uma faculdade, meus pais eram produtores rurais e não tinham condições. Quando eu matriculei meus filhos aqui na UPF eu chorei de emoção. Hoje, eu tenho meu trabalho, estou feliz com ele e me sinto honrada de estar aqui, sinto que é uma forma de retribuir um pouco de todo o aprendizado que a UPF deu para os meus filhos”, lembrou. 

O popular dentro da Universidade
Os versos rimados da literatura de cordel transportaram os estudantes do ensino médio da escola estadual Ernesto Tocchetto para o nordeste brasileiro. Ainda pouco conhecida por aqui, essa arte se popularizou na região e hoje é uma das principais formas de literatura popular no Brasil. Na oficina “Cordel: literatura e arte da cultura brasileira”, ministrada pela professora Me. Mariane Loch Sbeghen e pela aluna do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) Renata Andreolla, os estudantes puderam aprender um pouco mais sobre a história da literatura de cordel, sobre a cultura e algumas das principais características dessa linguagem popular.

De acordo com Renata, a ideia é justamente que os estudantes tenham contato com outros tipos de literatura além do clássico. “A gente acredita que o cordel é uma literatura que tem muito a ver com a situação atual que estamos vivendo porque ela é uma literatura que não é trabalhada tanto nas escolas quanto os clássicos. A gente quer trazer o popular para dentro da sala de aula”, destacou. 

Além de aprender sobre essa forma de literatura, os estudantes também foram desafiados a criar seus próprios cordéis, com direito a texto e xilogravura. “Acredito que a principal transformação que estamos propondo aqui é trazer uma arte do nordeste para o sul. Até pouco tempo atrás, existia uma relutância em apresentar o cordel nas escolas porque não é da nossa região. Mas isso é fundamental, esse diálogo com outras culturas, esse diálogo entre áreas, como a arte e a literatura. É o despertar das linguagens que está descrito na Base Nacional Comum Curricular”, pontuou a professora Mariane. 

Cultura e artesanato quilombola
Além da arte polonesa e da literatura nordestina, as oficinas também deram espaço para a cultura e o artesanato quilombola. Durante as oficinas “Cultura não, eu sou agricultura: história, memórias e saberes afro-brasileiros na região Norte do Rio Grande do Sul” e “A geração de renda na inovação social: transformando realidades nas comunidades quilombolas de Sertão – RS”, servidoras e estudantes quilombolas do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Sertão refletiram sobre temas como o papel que ocupa a cultura afro-brasileira nas escolas do país e sobre o artesanato como mecanismo de autonomia e empoderamento socioeconômico para mulheres quilombolas. 

Para a servidora do IFRS e idealizadora do projeto de pesquisa “Narrativas orais nas comunidades quilombolas da região Norte do Rio Grande Sul”, Vanda Aparecida Fávero Pino, o principal objetivo das oficinas foi levar saberes afro-brasileiros para o ambiente escolar e acadêmico. “Discutimos com os estudantes principalmente o fato de que os quilombos não estão apenas no passado. As comunidades resistem no presente e almejam um futuro em que o direito à sua cultura e identidade sejam respeitados e fortalecidos. Outro ponto importante que refletimos é que esses saberes não estão longe de nós. As comunidades de Arvinha e Mormaça situam-se na região de Passo Fundo. E quem ministrou a oficina e contou as histórias das comunidades foram as próprias estudantes quilombolas do IFRS Campus Sertão”, pontuou.