Projetos linha 3

Acervo Literário de Josué Guimarães: Memória Literária e Catalogação Digital
A catalogação de acervos literários guarda em si, na atualidade, elementos associados às inovações tecnológicas, seja na utilização de softwares de sistemas e Apps em mobiles para consulta e leitura de dados, seja na reorganização do armazenamento de documentos na web na ordem de metadados de maior complexidades. A pesquisa pretende, na linha de estudos expandidos de literatura, produzir um catalogador que permita o tratamento e a abordagem dos materiais (documentação) e da informação (atributos/ campos das bases de dados), mediante vários tipos de análises e técnicas associadas, em abordagens Quantitativa, Qualitativa, Histórica, Textual e Genética. Por essa ferramenta, na digitalização dos itens do ALJOG, também como forma de preservação dos materiais, serão conduzidas pesquisas que viabilizem consulta, procura complexa e exportação de informações procedentes dos atributos que compõem o catalogador, assim como fragmentos textuais.
Responsável pelo projeto: Dr. Miguel Rettenmaier


Fundamentos literários no pensamento contemporâneo
O presente projeto de pesquisa tem como objetivo principal mapear uma possível intersecto entre a literatura e a filosofia no pensamento contemporâneo e sua influência na construção da subjetividade hodierna. Do ponto de vista da análise filosófica, a literatura servirá de subsídio a uma análise da cultura contemporânea ao passo que, do ponto de vista da literatura, a filosofia servirá de modelo explicativo de seus cânones estéticos. Trabalharemos com textos filosóficos que abrangem temáticas literária de pensadores como Nietzsche, Freud, Benjamin, Adorno, Horkheimer e Foucault, mas sem nos limitarmos nem a estes pensadores nem às obras literárias por eles tematizadas. Paralelamente a esta pesquisa, será organizado um grupo de estudos periódico com alunos de graduação e pós-graduação principalmente dos cursos de filosofia e letras, mas não exclusivamente destas áreas.
Responsável pelo projeto: Dr. Luis Francisco Fianco Dias


Fotogramas do (ser) humano: diálogo interdisciplinar e produção de subjetividade através do cinema
O projeto busca investigar o cinema como veículo de construção de conhecimento sobre a constituição da subjetividade. Para tanto, aborda o cinema numa dupla perspectiva: a)como um espaço onde, através do som, da imagem, da narrativa, do diálogo, da fotografia e de outros artifícios, se apresentam tensões e problemas sobre o humano e o que o constitui; b)como instigador de diálogo interdisciplinar, neste particular envolvendo as áreas de estudos literários, psicanálise e filosofia. O projeto opera com a hipótese que este diálogo, além de produzir conhecimento sobre o humano, oferece às ciências envolvidas a oportunidade de esclarecer seus próprios alcances e limites.
Responsável pelo projeto: Dr. Gerson Luís Trombetta


O Romance brasileiro e a formação da sociedade
Este projeto de pesquisa tem como objeto de investigação o romance brasileiro, com foco na sua historiografia e na sua crítica. Nesse sentido, os estudos a serem desenvolvidos dirigem-se às variações de estrutura, à estetização dos processos sociais, às questões históricas, geográficas e culturais que participam da produção da narrativa, levando em consideração que, por ser de extensão problemática da literatura europeia, devido à importação de modelos estranhos à realidade da nação, essa forma literária em prosa atinge sua maturidade, no Brasil, somente nas últimas décadas do século XIX. Em vista disso, de um modo geral, os romances nacionais remetem o leitor a problemas relevantes no que se refere ao aspecto da sociedade, como 1) a indefinição da identidade do estado-nação brasileiro e 2) as condições de produção da cultura escrita do país. Assim, por meio de uma metodologia própria de pesquisa bibliográfica, pretende-se construir conhecimentos acerca do processo de formação e das mudanças do romance brasileiro, sendo estudadas, para isso, teorias sobre a narrativa, formuladas, dentre outros, por Adorno, Auerbach, Bakhtin, Benjamin, Candido, Lukács, Moretti, Watt. Elas formam, em conjunto, a base conceitual para o estudo analítico das obras que farão parte do corpus da pesquisa.
Responsável pelo projeto: Drª. Ivânia Campigotto Aquino


O PACTO DE FAUSTO: literatura e representações da modernidade (Como a literatura fez o mundo - I)
O trabalho investiga a hipótese que a modernidade, ao transformar o progresso em uma ideia-força, constituiu uma estética específica, incorporando as dinâmicas da ruptura e do domínio. Ou seja, a ideia do progresso só se tornou hegemônica porque extrapolou o apelo intelectual, passando a afetar a sensibilidade. Para investigar o modo como as representações da modernidade foram ganhando “carne” na experiência cultural do ocidente, propomos um breve diálogo com a literatura, de modo especial com as narrativas fáusticas de Christopher Marlowe (1589) e Goethe (1808) e a noção de "pacto com o diabo" presente em cada uma delas. O pacto, neste caso, representa a resolução, o objetivo final do processo iniciado com a ruptura das condições restritivas em que o ser humano se encontra. O personagem fáustico, ao negociar com o "diabo", põe-se em situação de igualdade com o inominável e o atemorizador. O "pacto" vence o medo, supera a ruptura, mantém controle sobre o "diabo" confirmando a capacidade humana de dominar. O pacto põe em destaque uma estética e uma experiência de tempo específica (tempo que anda para a frente, um "tempo flecha"), caracterizada pelo binômio ruptura (ou tensão)-resolução. Tal binômio é indicativo da autoconfiança da razão em fazer frente às ameaças e às tensões que o tempo e a experiência da finitude suscitam, representadas pela "ameaças de ruptura" (diabo). Diferentemente do que se via na cultura medieval, a estratégia fáustica consiste em admitir e, até mesmo "invocar" a ameaça e a tensão, mas somente na medida em que pode resolvê-las depois. A representação da modernidade na forma de progresso, assim, não é apenas uma experiência de tempo, resolvida no campo intelectual, mas é, também, veículo de uma estética especial, uma forma específica de afetar e reconfigurar a sensibilidade.
Responsável pelo projeto: Dr. Gerson Luís Trombetta