Projetos linha 1

Ler e escrever textos na escola: atividades, necessariamente, enunciativas

O presente projeto inclui-se na linha de pesquisa relativa aos estudos da linguagem, numa perspectiva enunciativa, no intuito de estudar e aprofundar conceitos propostos na teoria enunciativa de Émile Benveniste. Esse projeto tem como pano de fundo uma significativa necessidade de se entender melhor como ver e descrever o uso e a organização da língua em dadas situações discursivas e como fazê-lo em circunstâncias de ensino de língua portuguesa. Desse modo, podemos dizer que interessa a essa pesquisa um estudo acerca das atividades de leitura e de escrita na escola, tomando como princípio teórico-metodológico os estudos da Teoria da Enunciação, especificamente os construídos por Émile Benveniste, em sua Linguística da Enunciação. Sabemos que os termos leitura e escrita não são objetos específicos de estudo de Benveniste, porém, com base em suas considerações sobre língua, linguagem, homem e sociedade, acreditamos em relações singulares possíveis para mostrar um diálogo necessário nas atividades escolares, principalmente as de sala de aula que tomam o texto como ponto de partida para o trabalho docente produtivo de ler e escrever.

Responsável pelo projeto: Drª. Claudia Stumpf Toldo Oudeste

Estudos enunciativos na atividade de trabalho: cenografia e ethos em discursos socioprofissionais

Essa pesquisa de natureza interdisciplinar aborda a atividade de linguagem em situações de trabalho. Tem como escopo os estudos enunciativos na atividade de trabalho a partir da interação verbal que desvela a imagem de si do enunciador - o ethos discursivo construído pela cenografia enunciativa. Essa temática justifica-se devido à crescente importância de estudos interdisciplinares que envolvem a Linguística Aplicada e a Ergologia. O objetivo geral desse estudo visa contribuir para o conhecimento, a análise e a compreensão de discursos socioprofissionais divulgados em variados gêneros de comunicação interna e externa, bem como para os estudos relativos à interface entre linguagem e trabalho. A linguagem é aqui compreendida como resultado de uma atividade humana, de um agir discursivo no mundo que nos situa, numa posição que confere destaque a contribuições interdisciplinares referentes ao mundo do trabalho, em especial as advindas da ergologia. (SCHWARTZ, 2000a, 2000b, 2003, 2010), adotando-se a análise do discurso de base enunciativa cenografia e ethos (MAINGUENEAU, 1997, 2001, 2008a, 2008b). Quanto aos procedimentos metodológicos, utilizamos abordagem qualitativa, em especial técnicas do modelo epistemológico método indiciário (GINZBURG, 1986). Os corpora de pesquisa constituem-se de gêneros discursivos de comunicação interna e externa que veiculam discursos socioprofissionais. Na pesquisa, procura-se evidenciar de que modo o ethos discursivo é construído através de escolhas enunciativas que caracterizam a cenografia, que confere um tom e uma corporalidade ao enunciador, o fiador que age discursivamente a partir do que diz e como diz. Essa maneira de dizer, de comunicar, confere uma autoridade particular aos discursos proferidos - poder outorgado pelo estatuto enunciativo.

Responsável pelo projeto:  Dr. Ernani Cesar de Freitas

Linguagem e discurso: cartografias do ódio e da intolerância em discursos sociopolítico-culturais nas redes sociais

Esta pesquisa investiga a encenação do ato de linguagem em interações verbais nas redes sociais em um contexto de intensa polarização política. O objetivo geral é analisar e classificar as razões para a não implementação do contrato de comunicação entre os sujeitos ubíquos, ocupantes de lados opostos da polarização política nas redes sociais. O marco teórico se situa sobre três bases: o ato ético em Mikhail Bakhtin (2012), a comunicação ubíqua em Lucia Santaella (2014) e a Teoria Semiolinguística em Patrick Charaudeau (2004, 2014). Pretende-se demonstrar que há uma incomunicabilidade entre as oposições da polarização política nacional, explicada em parte pela não implementação do contrato comunicacional entre o enunciador ubíquo (EUu), ocupante de múltiplos espaços sociais simultaneamente, com o seu parceiro da troca linguageira (TUu), localizado no lado contrário, e que discursos altamente polarizados são substanciados por metadiscursos, cada um servindo de arcabouço para a tese política defendida pelos extremos da polarização. O estudo se pautará pela pesquisa exploratório-descritiva, bibliográfica e com abordagem qualitativa em relação à Teoria Semiolinguística, à filosofia do ato responsável e à comunicação ubíqua. Os corpora configuram-se por e nas interações travadas em diferentes redes sociais (Twitter e Facebook) acerca da incomunicabilidade entre os lados opostos da polarização em discursos sociopolítico-culturais nas redes sociais, como, por exemplo, as repercussões em torno do falecimento da ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia, em fevereiro de 2017, do cancelamento da exposição "Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira" no espaço Santander Cultural, em Porto Alegre, em setembro de 2017, e da execução de Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro, em março de 2018.

Responsável pelo projeto:  Dr. Ernani Cesar de Freitas

Estudos enunciativos da linguagem: escolhas enunciativas e efeitos de sentido

À luz de teorias da enunciação, da perspectiva sociointeracional da linguagem e dos estudos da oralidade, esse projeto se volta ao estudo de marcas de oralidade em textos escritos. É intuito deste trabalho compreender o que são marcas de oralidade e como estas se projetam em textos escritos de diferentes gêneros, desde textos científicos até chats de conversas pela internet. Objetiva-se, com tal abordagem, desenvolver trabalhos que propiciem a compreensão da oralidade e da escrita não numa perspectiva dicotômica (de separação entre fala e escrita), mas como estratégias enunciativas relacionadas às escolhas do enunciador. Isso porque, em se tratando de produção textual, diferentes escolhas enunciativas produzem diferentes efeitos de sentido de oralidade, escrituralidade, objetividade, subjetividade voltados à adesão do enunciatário. Então, dependendo das condições de produção (público-alvo, objetivos da comunicação, características de gênero textual, suporte, etc.), um texto escrito pode, estrategicamente, projetar efeitos de sentido de oralidade, assim como um texto falado pode projetar efeitos de sentido de escrita (ou escrituralidade). Tais efeitos concorrem diretamente para a persuasão/adesão do enunciatário.

Responsável pelo projeto: Drª. Luciana Maria Crestani

Gêneros discursivos em práticas sociais voltadas ao letramento em língua estrangeira

A análise de práticas discursivas em diferentes contextos, que focalizam a linguagem (língua estrangeira, em especial) como prática social, vem crescendo e avançando teoricamente na área dos estudos linguísticos, como já afirmou Motta-Roth: “o conceito de gênero certamente assumiu um novo papel na Linguística Aplicada na década de 80, especialmente no contexto anglofônico. A partir do início da década, autores comprometidos com a educação linguística começaram a usar o termo com frequência na teorização das práticas.” ( 2008. p.3) Estudiosos e professores têm se apropriado do conceito de gênero como ferramenta de teorização e de explanação sobre o funcionamento da linguagem, compreendendo, dessa forma, a criação e a contextualização das interações sociais. Contudo, sabemos que há um distanciamento grande entre os estudos acadêmicos e o que efetivamente acontece nos ambientes educacionais. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo elucidar questões relacionas aos gêneros de texto em língua estrangeira, sua forma, estrutura e uso em práticas sociais recorrentes do dia a dia, a fim de provocar discussões e reflexões acerca de como o letramento em LE está sendo desenvolvido e pode ser promovido no contexto escolar brasileiro, vislumbrando perspectivas diferenciadas para qualificar a ação docente. 

Responsável pelo projeto: Drª. Luciane Sturm

O inglês como meio de instrução no ensino superior

"O inglês é a língua global do mundo - a língua franca do mundo" (GALLOWAY, 2018). Para a autora, o inglês fornece poder linguístico, sendo ouvido diariamente em todo o mundo. Tornou-se parte do cotidiano de muitas pessoas de diversas origens linguísticas e culturais [...].  Nesse contexto, estudos sobre o Inglês como Meio de Instrução (IMI) em diferentes contextos educacionais têm crescido no Brasil (BAUMVOL, SARMENTO, WELP, BOCORNY, 2016; BAUMVOL, 2016; FINARDI, 2014, 2016, entre outros) e no mundo (AGUILAR, & RODRÍGUEZ, 2012; BALL, & LINDSAY,2013; DEARDEN, 2014; GALLOWAY, & ROSE, 2017; GALLOWAY, 2017, 2018, entre outros). Contudo, muito pouco se sabe sobre esse processo no âmbito nacional, devido ao interesse recente.  Diante disso, este estudo, natureza quali-quantitativa, tem o foco no IMI, ou seja, quando o inglês é utilizado para ensinar uma disciplina que não seja de língua inglesa, em um contexto onde o inglês não é a língua oficial. O objetivo principal, é investigar como instituições de ensino superior (IES) vem utilizando o IMI. Estão previstas investigações sobre conceituações, mapeamento de ações e análise de necessidades para compreensão das propostas, bem como a identificação dos benefícios potenciais do IMI, no processo de internacionalização das IES.

Responsável pelo projeto: Drª. Luciane Sturm

A experiência da criança na linguagem: língua e práticas sociais   

Este projeto é um desdobramento do projeto A experiência da criança na linguagem, com um viés teórico que busca, nesta etapa, focalizar as regras de conversação em tal experiência. Nos estudos anteriores, ocupamo-nos de questões essencialmente enunciativas na aquisição da linguagem da criança. Nesta etapa atual, considerando que a conversação é a matriz para a aquisição da linguagem (Levinson, 1983, p. 284), este estudo se ocupa da aquisição das regras de conversação pela criança em sua vivência interacional com os demais sujeitos. Com base em pesquisas advindas, principalmente, da área da Análise da Conversação, concebe-se a aquisição das regras da conversação pela criança a partir de valores simbólicos que afetam o modo como ela se relaciona com a língua e com o outro. Dessa forma, trabalha-se com a concepção de língua como prática social, inserida em relações culturalmente marcadas e nas quais as condições de produção se relacionam intimamente com as questões linguísticas, formando com elas uma só realidade a ser estudada. Por essa razão, esta pesquisa se volta para as seguintes questões: Como a criança, desde muito cedo, estabelece uma dinâmica interacional com os demais sujeitos de seu convívio social? Qual o papel do outro nessa relação? Como se dá a apropriação da palavra nessa dinâmica interacional? Que aspectos linguísticos, paralinguísticos e extralinguísticos caracterizam a aquisição das regras conversacionais? Para tanto, trabalhamos com eventos comunicativos vivenciados por crianças de um ano e meio a três anos de idade, corpus já constituído em pesquisas anteriores. O projeto tem também estabelecido diálogos com pesquisas acerca da aquisição da linguagem escrita, dentro do continuum tipológico que define a relação fala e escrita.

https://juliaiaioneroque.wixsite.com/criancanaconversacao
Responsável pelo projeto: Drª. Marlete Sandra Diedrich

Processos de interação em discursos de caráter conversacional
O projeto investiga as estratégias e procedimentos de interação que caracterizam os discursos falados e escritos, à luz de teorias do texto e do discurso.

Responsável pelo projeto: Drª. Marlete Sandra Diedrich

Linguagem, tempo e sociedade

Este projeto visa produzir, a partir da Teoria da Enunciação de Émile Benveniste e dos estudos enunciativos de Bakhtin, uma reflexão sobre a experiência humana na linguagem, focalizando o papel do tempo. Para tanto, revisita a teoria de ambos os autores a fim de identificar especificidades e pontos de aproximação que contribuam para a análise, em textos falados e em textos escritos, da importância da categoria tempo na construção do(s) sentido(s) da experiência do homem na língua. Esta investigação pretende contribuir para a compreensão do modo como se constrói o sentido no discurso e para a ampliação dos estudos que inter-relacionem homem, linguagem e cultura.

Responsável pelo projeto: Drª. Patrícia da Silva Valério