Dissertações defendidas

DISSERTAÇÕES PPGH/UPF

 

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1 - Título: Cultura Historiográfica Regional e Identidade: uma possibilidade de análise (1980-1995)

Autor: Ironita Adenir Policarpo Machado

Orientador: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl

Banca: Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (Unijuí), Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UPF)

Data Defesa: 21/01/2000

Resumo: Dentro do processo de discussão sobre a produção do conhecimento histórico e a configuração de identidade, contextualizados numa temporalidade de aceleradas transformações históricas, a presente dissertação consiste num estudo da cultura historiográfica, composta de livros de "história” publicados no período de 1980 a 199, de cunho regional e local. Trata-se de um estudo que visa discutir os limites e as possibilidades de escritos circunstanciais, no que se refere aos princípios teórico-metodológicos orientadores da prática da pesquisa histórica e da abrangência das relações socioculturais e políticas de grupos sociais pela busca de elementos constitutivos de identidade. Tematizam-se essas questões a partir da identificação de 23 autores e da análise de 32 obras, abarcando cinco vetores centrais da história-disciplina, os quais, por sua vez, configuram as partes deste trabalho, nas quais apresentamos: uma tentativa de identificação do contexto histórico e sociocultural no qual os autores e suas obras estão inseridos, das suas motivações para escrever e publicar; as concepções teóricas que orientaram os autores ao se reportarem para o passado; as formas de reconstrução da história subjacentes nos escritos historiográficos e indicando outras práticas operativas; as estruturas narrativas das obras, destacando o gênero e significado do discurso e enfocando a possibilidade de afrouxamento da tensão entre teoria e  narratividade; e, por fim, o significado e a função do conhecimento produzido no contexto vivido dos autores referenciando o livro como lugar de memória e símbolo identitário de elites e políticas frente às transformações promovidas pela modernização. Enfim, as proposições indicadas por este estudo dão conta de que: as obras apresentam uma produção de "conhecimento histórico" sem plausibilidade científica, mas significam uma forma de os autores assegurarem sua própria existência social; os autores e as instituições a que estão filiados buscam legitimação do poder na  hierarquia social através de um conjunto de articulações verbais e práticas, constituindo, assim, um imaginário social que privilegia agentes históricos e suas ações em detrimento de outros e desconsidera a pluralidade de culturas, portanto, de identificação e análise de dimensões históricas dos sujeitos negligenciados pela historiografia

 

2 - Título: O Movimento dos Monges Barbudos

Autor: Henrique Aniceto Kujawa

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Telmo Marcon (UPF), Profª. Dr. Loiva Otero Félix (UPF)

Data Defesa: 25/08/2000

Resumo: Este estudo ocupa-se do Movimento dos Monges Barbudos, que teve seu ápice em 1938 nos municípios de Soledade e Sobradinho e, com maior intensidade, na comunidade de Bela Vista. O trabalho foi desenvolvido a partir de depoimentos de indivíduos que participaram do movimento, seja como adeptos, seja como repressores; da historiografia e de documentos escritos, como os boletins da Brigada militar, notícias da imprensa e o relatório da Brigada Militar ao interventor do estado. Teve-se como objetivo reconstruir e analisar as diversas interpretações dadas ao movimento e demonstrar que ele faz parte de um contexto histórico, político e cultural. Historicamente, constituiu-se na região uma forma de ocupação da terra, um modelo econômico que excluiu o grupo social dos caboclos; politicamente, estava em vigência o Estado novo, com sua pretensão de construir um modelo de modernidade conservadora e uma identidade nacional, reprimindo manifestações e grupos sociais que não se enquadravam nesse modelo; em termos culturais havia o confronto da cultura cabocla, com sua visão econômica, social e religiosa, com a cosmovisão dos imigrantes alemães e italianos. Nessa perspectiva, o movimento não se produziu como fruto do fanatismo religioso, nem, tampouco, do atraso cultural dos sujeitos resistirem às mudanças econômicas e sociais em cursos e, ao mesmo tempo, de explicá-las por meio dos instrumentos que estavam a seu alcance; portanto, o religioso tornou-se um elemento de medição que possibilitou a construção de identidade (através da doutrina do Monge) e a reafirmação de sua cosmovisão. A repressão se fez necessária uma vez que o Estado não reconhecia a manifestação desse grupo e a expressão do movimento chocava-se com as concepções da Igreja romanizada e dos imigrantes, que introduziam na região formas de produção capitalistas. É por isso que, além de reprimir o movimento, foi necessário desqualificá-lo e jogá-lo no esquecimento para que não provocasse mais repercussões. Enfim, buscamos com este estudo realizar uma outra possível interpretação ao fato e alargar os horizontes analíticos da história regional.

 

3 - Título: O Cassino Guarani na História Regional - Iraí – RS

Autor: Sirlei Rossoni

Orientador: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl

Banca: Prof. Dr. Jaime José Zitkiski (URI), Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UPF)

Data Defesa: 28/08/2000

Resumo: Esta dissertação focaliza a história do cassino Guarani, casa de jogos existente no município de Iraí - RS, em meados do século, analisando suas origens, seu apogeu e seu declínio, tendo presente a história regional. A discussão tem como suporte teórico a história dos jogos de azar no Brasil, a sociologia da festa e as relações entre fé católica e secularização. Em um primeiro momento, dá-se o resgate da trajetória histórica do Cassino Guarani, situando-o na configuração regional de então e discutindo suas repercussões no universo sócioeconômico e cultural da época; em seguida, analisa-se a instituição a partir da trajetória de proibição e legalização dos cassinos no país e suas relações com a confissão católica e a moral vigente. O objetivo que perpassa o estudo é registrar a história de uma instituição de natureza social e recreativa no diz respeito a sua influência na visa cotidiana de uma população específica.

 

4 - Título: As Relações de poder em Ijuí (1938-1945)

Autor: Sandra Maria do Amaral

Orientador: Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi

Banca: Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (UNIJUI), Profª Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa 29/08/2000

Resumo: O tema central desta dissertação é estudo das relações de poder em Ijuí, no período de 1938-1945. A averiguação das relações de poder tem como objeto específico analisar a atuação dos indivíduos que integram a elite política. A partir de documentos oficiais e algumas entrevistas, estabelecer as mudanças ocorridas na elite política ijuiense, e o término das relações em âmbito local. Definir, também, através do método prosopográfico, as características comuns dos indivíduos que os tornou uma elite política homogênea.

 

5 - Título: O integralismo no Norte do Rio Grande do Sul (1932-1938)

Autor: Fausto Alencar Irschlinger

Orientador: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl

Banca: Prof. Dr. René Gertz (PUC/RS), Profª. Dr. Eliane Colussi (UPF)

Data Defesa: 30/08/2000

Resumo: O presente estudo, de caráter histórico-político-regional, analisa a estruturação e repercussão da Ação Integralista Brasileira no Norte do rio grande do Sul no período de 1932-1938, visando elucidar variáveis, como as estratégias de afirmação e expansão da AIB pela região, questões direcionadas à sintonia e relações internas do movimento, aspectos voltados à oposição política regional e suas estratégias contra o integralismo e o posicionamento da sociedade frente ao verde integralista no contexto histórico. Para tanto, a pesquisa foi operacionalizada através de uma "redução de escala" na interpretação e análise "coletiva" das fontes primárias, tendo como destaque a imprensa de circulação regional (jornais de Passo Fundo, Carazinho, Erechim e Getúlio Vargas). Salientam-se aspectos referentes à efetiva diversidade do movimento regional em relação ao integralismo em geral, levantado-se a hipótese da existência de especificidade nas ações práticas integralistas regionais frente ao movimento de cunho nacional e suas prerrogativas.

 

6- Título: Crime e Castigo: os conflitos políticos em torno do assassinato de Waldemar Ripoll

Autor: Carlos Roberto da Rosa Rangel

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Dr. Sandra Brancato (PUC/RS), Profª. Dr. Eliane Colussi (UPF)

Data Defesa: 31/08/2000

Resumo: O objetivo geral desta investigação é, tomando o eixo o personagem Waldemar Ripoll, aprofundar o conhecimento sobre o conflito ocorrido entre os diferentes setores da elite política sul-rio-grandense e destes com o governo federal no período compreendido entre 1928-1938. Como objetivo específico, busca-se compreender de que forma o caso Ripoll foi apropriado ideologicamente pelos setores em conflito para justificar a intervenção federal no Rio Grande do Sul e a posterior implantação do Estado Novo. Trata-se de um estudo de caso, com fontes predominantemente documentais, que inserem personagens e cenário específico - a região de fronteiras Brasil/Uruguai - num contexto envolvente. Constata-se que o caso Ripoll foi utilizado ideologicamente para justificar o combate ao caudilhismo, representado pelo governo de Flores da Cunha, ao tempo que se propunha a substituição da suposta barbárie existente no Rio Grande do Sul por uma nova ordem moralizadora, racional e nacionalista na qual todo crime teria o seu castigo.

 

7 - Título: Os trabalhadores da Educação 1979-98: Duas décadas de uma história política

Autor: José Carlos Eloy Martins

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Jaime Giolo (UPF), Prof. Dr. Fernando Camargo (UPF)

Data Defesa: 08/11/2000

Resumo: A história da educação é a própria história política do povo catarinense. A ocupação do solo pelas correntes migratórias sejam elas paulistas, européias ou gaúchas, demarcou consigo as perspectivas de desenvolvimento que, quase sempre, trouxeram como traço marcante a escola. Os dirigentes políticos que comandaram e decidiram os rumos da educação, ora fizeram uma âncora eleitoral, ora um entrave no processo de desenvolvimento autônomo da comunidade escolar, tendo em vista projetos de desenvolvimento de todo o Estado, centrados no capital. O magistério público, no caso específico, o regional, ator e coadjuvante deste processo, levou mais de meio século para concretizar sua autonomia política como a categoria organizada. Nos anos de 1980, que foram de transformação política, alcançou um quadro associativo e depois sindical. As greves se tornaram constantes, com a  determinação de construir uma categoria profissional de funcionários públicos ao mesmo tempo em que se lutava pela ampliação do espaço comunitário de  democratização do processo educativo. Nos anos de 1990, o magistério público estadual alcançou aproximadamente 15 mil filiados, dentre mais de 50 mil professores, ainda com direitos a serem constituídos e outros a serem recuperados, que perdera, como a Democratização da Educação.

 

8 - Título: A Lei do Silêncio: Repressão e Nacionalização no Estado Novo em Guaporé (1937-1945)

Autor: Cláudia Mara Sganzerla

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. René Gertz (PUC/RS), Prof. Dr. Marco Montoya (UPF)

Data Defesa: 09/11/2000

Resumo: Ao longo de sua história, o Brasil tem sido considerado o ponto de chegada de vários imigrantes das mais diversas nacionalidades e etnias, como africanos, portugueses, alemães, italianos, suíços, franceses, entre outros. No entanto, pouco se sabe da relação desses povos como o povo brasileiro e até que ponto ocorreu uma integração. De 1937 a 1945, os imigrantes italianos e seus descendentes, de acordo com a tradição oral, foram alvo da violência policial determinada por diversas formas de repressão, das quais a mais conhecida foi a proibição do uso público de dialetos italianos. As práticas autoritárias das políticas de nacionalização do Estado Novo manifestaram-se de várias formas nas comunidades coloniais italianas. Neste trabalho elucida-se até que ponto as medidas autoritárias das políticas de nacionalização do Estado Novo aturaram na comunidade ítalo-gaúcha da colônia de Guaporé entre 1937 e 1945, e a forma como esses imigrantes reagiram à discriminação e suas consequências.

 

9 - Título: A invenção do Rio Grande do Sul: território e identidade na visão do IHGRGS (1920-1937) - Livro

Autor: Zélia Guareschi Fioreze

Orientador: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl

Banca: Prof. Dr. Gervásio Neves, Profª. Dr. Eliane Colussi (UPF)

Data Defesa: 11/01/2001

Resumo: A dissertação consiste em um estudo sobre o pensamento e o conhecimento geográfico no Rio Grande do Sul e o papel desempenhado pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul – IHGRGS – na produção desse conhecimento num determinado contexto histórico e geográfico. O período em análise está compreendido entre o surgimento da instituição (1920) e a instalação do Estado Novo no Brasil (1937). O material de estudo selecionado é a revista do IHGRGS, publicada nesse período, o que perfaz um conjunto de 68 volumes. A investigação tem como objetivo avaliar o conhecimento geográfico produzido no interior do instituto e o seu vínculo no processo de formação da identidade e do território. Para alcançar o objetivo proposto, o trabalho está organizado em torno de três eixos de investigação: o surgimento do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB – e a criação do IHGRGS; o mapeamento numérico da produção considerado o âmbito e o interesse e a análise do material levando em consideração o pensamento e a produção geográfica. A partir da análise do contexto de criação das instituições, nacional e regional, conforma-se o seu papel de legitimadoras da identidade nacional, através da criação da história, da sociedade e da  geografia pátrias e regionais. O pensamento geográfico que perpassa a produção do IHGRGS encarrega-se de legitimar o território enquanto integrador e separador do extremo meridional do Brasil. Ao discutir a defesa e a construção dos seus limites, a descrição e a formação humana decorrente, a geografia produzida pelo IHGRGS, no período enfocado, enquanto produção do território, contribuiu a seu modo para “fazer” o Rio Grande.

 

10 - Título: Grassando saúde no campo das idéias As Instituições Hospitalares em Passo Fundo nas décadas de 1910 e 1920

Autor: Luísa Grigoletti Dalla Rosa

Orientador: Profª. Dr. Eliane Colussi

Banca: Prof. Dr. Luiz Eugênio Véscio (UFSM), Profª. Dr. Loiva Otero Félix (UPF)

Data Defesa: 23/04/2001

Resumo: O presente trabalho, realizado na área de História Regional, consiste na abordagem da constituição das instituições hospitalares na cidade de Passo Fundo na década de 1910. A primeira sociedade, com a denominação de Hospital de Caridade. O episódio do Corpus Christi, conhecido como a polêmica, em 1918, originou a separação da sociedade e o surgimento do Hospital São Vicente de Paulo. Os Objetivos inicialmente propostos para o estudo formam o entendimento do processo de separação do grupo mantenedor do hospital; dos projetos distintos e antagônicos – a laicização e a clericalização -, defendidos pelo grupo da maçonaria e da Igreja Católica; das questões relativas ao aparecimento das enfermidades; das práticas e concepções médicas; do processo histórico e de urbanização ocorrido na cidade. A metodologia para o levantamento das questões propostas utilizadas foi consulta a documentos existentes, como os relatórios da Intendência, as atas das assembléias das sociedades hospitalares, jornais locais e revisões bibliográficas sobre a temática e assuntos próximos a ela.

 

11 - Título: Instituições Museológicas, Instituições da Memória: história, papel e impactos dos museus passo-fundenses

Autor: Mariane Loch Sbeghen

Orientador: Prof. Dr. Fernando Camargo

Banca: Prof. Dr. Luiz Carlos Golin (UPF), Prof. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 04/05/2001

Resumo: O presente trabalho, na área de História Regional, tem como objetivo analisar a história, papel, memória e impacto na sociedade dos museus passo-fundenses. Partindo da análise de aspectos estruturais e funcionais dos museus em geral, busca identificar as especificidades locais dos museus da cidade de Passo Fundo – RS, como agentes de formação cultural. Como metodologia de trabalho, além da consulta a fontes bibliográficas, realizaram-se entrevistas com passo-fundenses visando verificar quais são os museus que eles identificam na cidade e a sua concepção sobre a importância dessas instituições. Em conclusão, propõem-se a criação de um Centro Cultural. 

 

12 - Título: A trajetória de Nicolau Araújo Vergueiro na História Política de Passo Fundo – RS (1930-1932)

Autor: Ana Maria da Rosa Prates

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Dr. Maria Medianeira Padoin (UFSM) e Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UPF)

Data de defesa: 25/01/2002

Resumo: A presente pesquisa, feita com base nos principais órgãos da imprensa da cidade de Passo Fundo-RS, o Jornal O Nacional e de Carazinho – RS, o Jornal da Serra tem como objetivo aprofundar a análise das relações de poder estabelecidas entre as lideranças políticas da região do Planalto Médio Gaúcho e o governo do Rio grande do Sul no período compreendido entre 1930-1932. Tendo como referência o  personagem-chave Nicolau de Araújo Vergueiro, reconstrói-se parte da história de sua vida e recompõe-se sua trajetória política. Procura-se desvendar o significado do seu trabalho, isto é, sua projeção política para o município de Passo Fundo e região. Os procedimentos metodológicos caracterizam-se como um estudo de caso, tendo por base fontes predominantes documentais. Os resultados permitem concluir que:  a partir de 1929, o jornal O 0Nacional, através do discurso, contestava a continuidade administrativa de Nicolau Vergueiro na política passo-fundense e, em 1931, a emancipação política-administrativa de Carazinho, com apoio de Flores da Cunha, constituiu-se, fundamentalmente, para eliminar a expressão política representada na pessoa de Nicolau Vergueiro, “o vergueirismo”, em Passo Fundo e Carazinho.

 

13 - Título: Padre Busato: um protagonista na história política de Erechim (1926-1950)

Autor: Sônia Mári Cima

Orientador: Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi

Banca: Prof. Dr. Luiz Eugênio Véscio (UFSM) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data de defesa: 08/03/2002

Resumo: O presente estudo, de caráter político e cultural, analisa a biografia de padre Benjamin Busato, necessariamente envolvendo a história do município de Erechim, na região do Alto Uruguai, do Rio Grande do Sul, no período de 1926 a 1950. Os aspectos biográficos de um personagem que teve grande influência na história político-social do município são apenas um pretexto para explicar o contexto e as relações sociais no período em que permaneceu como pároco da igreja São José de Erechim. A pesquisa foi realizada por base o estudo das crônicas do próprio padre Benjamin Busato publicadas no jornal A Voz da Serrae os relatos das pessoas que o conheceram ou conviveram com ele. Para tanto o estudo está organizado em três momentos: o primeiro, com uma visão geral da biografia e do contexto; depois, o envolvimento político do padre Busato e, por último, suas relações com a Igreja Católica. Esse estudo possibilitou preencher uma lacuna na história de Erechim por envolver diretamente o personagem e suas influências no município, onde organizou serviços e entidades sociais, como religioso e como cidadão, em meio de um contexto histórico em que todo momento se disputava espaço político ou religioso. Portanto, ele representou um papel social de articulador por seu envolvimento maior com momentos políticos do que com sua função como religioso.

 

14 - Título: A Presença Judaica em Passo Fundo Século XX

Autor: Nayme Marlene Nemmen da Silva

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. René Ernaini Gertz (PUC/RS) e Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data de defesa: 21/03/2002

Resumo: Este trabalho reconstrói a presença dos judeus em Passo Fundo, então pólo regional de desenvolvimento, onde viveram e exerceram suas atividades, e analisa os motivos pelos quais, posteriormente, muitas famílias deslocaram-se em busca sobretudo da capital do estado. Ainda, investiga como ocorreu o seu entrosamento em uma sociedade diferente da sua e analisa os processos identitários e as assimilações culturais ocorridas quando em contato com a sociedade local, não deixando de relacioná-los aos acontecimentos nacionais e mundiais que ocorriam paralelamente. Para isso, vale-se de entrevistas com judeus que viveram em quatro irmãos e que se mudaram para Passo Fundo, bem como de relatos de seus descendentes sobre as histórias ouvidas de seus pais e avós. Também se investigam os jornais locais referentes ao período delimitado. Pela análise dos dados, constata-se que os judeus buscaram centros maiores para oportunizar a continuidade do estudo de seus filhos, além de melhores condições de trabalho e uma comunidade judaica maior, assim como uma vida religiosa mais intensa. Destaca-se uma grande preocupação dos judeus adultos em relação aos jovens, no sentido de que eles consigam manter e dar continuidade ao legado cultural que lhes foi passado e que precisa ser preservado para a sobrevivência dos judeus como povo.

 

15 - Título: Ulisses Va In America: História, Historiografia e Mitos da imigração Italiana no Rio Grande do Sul (1875-1914)

Autor: Dilse Piccin Corteze

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Marcos Justo Tramontini (Unisinos) e Prof. Dr. José Gaston Hilgert (UPF)

Data de defesa: 22/03/2002

Resumo: A colonização da encosta da serra gaúcha com colonos originários do nordeste italiano teve consequências profundas para a história sulina. Nos relatos de imigrantes, assim como das autoridades brasileiras e diplomáticas italianas, são recorrentes as referências aos sofrimentos conhecidos durante a travessia atlântica; às dificuldades passadas quando do estabelecimento nas glebas coloniais; ao isolamento vivido no seio das densas matas serranas, etc. essas narravas apresentam o processo migratório como epopéia humana que teria tido conclusão feliz devido essencialmente à vocação do homem itálico ao trabalho. Essa leitura mítica, simplifica, caricaturiza e emprobece a rica, complexa e dinâmica história da colonização italiana no Rio grande do Sul. A dissertação elenca os principais “mitos fundadores” da narrativa imigratória, apresentando elementos gerais para sua crítica.

 

16 - Título: Tramas de Poder: Disputas Políticas nos Campos de Cima da Serra/RS (1850-1880)

Autor: Mariluci Melo Ferreira

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Flávio Madureira Heinz (Unisinos) e Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UPF)

Data de defesa: 22/03/2002

Resumo: A sociedade que se estruturou nos Campos de Cima da Serra, região Nordeste do Rio Grande do Sul, cuja tônica era a grande propriedade rural, foi marcada pela presença do abstrato fazendeiro que controlava uma complexa rede de influências. Este trabalho analisa a disputa do poder local em Vacaria e Lagoa Vermelha no período de 1850 a 1880, época em que estes municípios serranos adquiriram autonomia político-administrativa desmembrando-se de Santo Antônio da Patrulha. Nestas três décadas são destacados dois momentos cruciais em que a trama de poder se notabilizou na esfera local. Primeiro, em 1857, no contexto do desvilamento de Vacaria, quando ocorreram conflitos no interior da elite política vacariana,  culminando com o atentado contra o delegado de polícia, capitão João Pereira de Almeida. Depois em 1870, com o assassinato do juiz Antônio de Pádua Holanda Cavalcanti, de Lagoa Vermelha. Estes crimes ilustram dois fenômenos bem presentes no âmbito regional do século XIX: a dicotomia entre o público e o privado e as estratégias dos mandatários locais que tiveram seus interesses ameaçados pela ação das autoridades públicas.

 

17 - Título: Prazer Marginal e Política Alternativa: a zona de meretrício em Passo Fundo (1939-1945).

Autor: Márcia do Nascimento

Orientador: Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo

Banca: Prof. Dr. Sílvio Marcus Correa (UNISC) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data de defesa: 26/03/2002

Resumo: Esta dissertação estuda a zona do meretrício na cidade de Passo Fundo entre os anos de 1939 a 1945. O período focalizado é considerado o auge da prostituição em razão do grande número de prostíbulos, localizados principalmente na Rua 15 de novembro. Para o levantamento dos dados, consultaram-se aos documentos existentes, como os jornais locais, relatórios da Intendência Municipal, processos-crime, registros policiais, além de fontes orais e revisões bibliográficas sobre a temática relacionada a ela. Os dados levantados possibilitam entender como um lugar marginalizado pela sociedade legal expressou um poder simbólico, constituindo-se em espaço alternativo em um determinado período e como se organizavam as relações sociais entre os diferentes grupos sociais que compuseram o contexto onde estavam inseridos; compreender a expressiva sexualidade naquele momento; contextualizar a economia e o desenvolvimento urbano local e o quadro econômico/política das esferas nacionais e internacionais.

 

18 - Título: Quem Chega, Quem Sai. A política de distribuição de terras em Jaboticaba – RS

Autor: Nilse Cortese Dalla Nora

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (Unijuí) e Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data de defesa: 27/03/2002

Resumo: O presente estudo de caráter histórico-cultural analisa o processo de ocupação do espaço de Jaboticaba no período de 1940-1958. Busca elucidar os fatos referentes à colonização envolvendo a implantação da Comissão de Terras e Colonização que organizou os trabalhos de medição, distribuição da área territorial e povoamento da colônia Guarita, a qual abrangia o espaço ocupado por Jaboticaba. Evidência, na história política regional, a ação dos coronéis que, detentores de poder local, legitimavam em seu nome grandes extensões de terras. Para a realização da pesquisa foram realizadas a interpretação e a análise de fontes primárias, buscadas no Arquivo Histórico e na Inspetoria de Terras do Norte, hoje Escritório de Terras Públicas, ambos de Frederico Westphalen. A carência de documentação referente à história local fez com que se recorresse também as fontes orais, levando-se em conta que se constituem em  instrumento para elucidar os fatos. A Pesquisa revelou-se que as terras dos que dispunham de poder ou de recursos financeiros foram legitimadas antes da primeira metade do século XX e que os posseiros pobres (caboclos) continuaram sem poder legitimar suas posses até a regulamentação da lei 1542, na década de 1950.

 

19 - Título: Montanhas que furam as nuvens! Imigração Polonesa em Áurea: uma abordagem econômica, política e social (1910-1945)

Autor: Thaís Janaina Wenczenovicz

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. René Ernaini Gertz (PUCRS) e Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (Unijuí)

Data de defesa: 25/04/2002

Resumo: O estudo da imigração sulina no início do século XIX e XX e mais particularmente a imigração polonesa, envolve obrigatoriamente o estudo da história do município de Áurea, visto que essa região apresenta características singulares e inéditas no relativo àquele fluxo imigratório. O presente trabalho foi desenvolvido sobretudo baseado nos depoimentos orais de imigrantes e descendentes; na documentação escrita recolhida nos arquivos da Comissão  de Terras Públicas da região do Alto Uruguai; na Paróquia Nossa Senhora do Monte Claro; no  Registro Civil de Áurea, etc. Analisou-se igualmente a historiografia sobre a imigração, em  geral, e sobre a imigração polonesa, em especial. O principal objetivo do presente trabalho foi analisar os aspectos econômicos, políticos e sociais da imigração polonesa, no município de Áurea, desde sua origem, em 1910, até 1945. Deu-se especial atenção à identidade; à educação; à posse da terra, na cidade e no campo; à saúde física e mental; etc. Constatou-se que a vinda dos poloneses para a região deveu-se, sobretudo às péssimas condições de vida conhecida na Polônia na época e ao sonho do trabalhador rural pobre de se transformar em proprietário da terra para garantir sua sobrevivência e a de seus filhos. Na Polônia, tal objetivo era inviável, dada as dificuldades do acesso à propriedade da terra, considerando-se a estrutura fundiária ali vigente. Empreendeu-se esse trabalho a partir da compreensão do processo migratório polonês como parte da mais ampla história do Rio Grande do Sul e do Brasil.

 

20 - Título: A Organização Sindical Rural no Rio Grande do Sul e o Surgimento do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Frederico Westphalen (1960-1970)

Autor: Helenice Aparecida Derkoski Dalla Nora

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Márcio P. Noronha (UFG) e Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data de defesa: 22/07/2002

Resumo: A estrutura sindical oficial foi implantada por Getúlio Vagas e relacionava-se apenas ao sindicalismo urbano. O sindicalismo oficial no campo surge no início dos anos de 1960, no governo de João Goulart, com a instituição do Estatuto do Trabalhador Rural. No Rio Grande do Sul existiram movimentos sociais como o MASTER, organizado por lideranças do PTB, tinha como prerrogativa a luta pela terra e suas características era a formação de acampamentos nas áreas pretensas à desapropriação. A FAG, iniciativa dos setores conservadores da Igreja Católica, nasceu para combater o MASTER e firmou-se como tuteladora do sindicalismo rural gaúcho. A ação político-ideológica da FAG reproduziu- e articulou a ideologia da corrente hegemônica dos setores conservadores que proclamavam o controle das ações da Igreja Católica, durante a década de 1960 e parte de 1970 no Rio Grande do Sul. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Frederico Westphalen teve suas bases organizadoras pelo setor conservador da Igreja Católica, através da FAG. O presente trabalho discute como atuou a FAG, que instrumentos utilizou, quem foram seus líderes e  o discurso usado em favor do seu trabalho com a  organização dos agricultores de Frederico Westphalen, no período de 1960 a 1970. A orientação sindical transmitida pela FAG e assumida pelo movimento sindical do município evidenciou um conteúdo reformista conservador, assumindo uma função historicamente assistencialista. A prática sindical no município gravitou em torno do assistencialismo com  instituição do FUNRURAL, somando-se a atividades reivindicadoras que obtiveram assistência técnica, cursos de capacitação e aposentadoria ao trabalhador rural.

 

21 - Título: Nacionalização, resistência e adaptação: alemães em Passo Fundo e Carazinho durante o Estado Novo

Autor: Odair José Spenthof

Orientador: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl

Banca: Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF) e Prof. Dr. Aldomar Rückert (UFRGS)

Data de defesa: 17/09/2002

Resumo: O estudo apresentado nesta dissertação tem como cenário o movimento de nacionalização desencadeado no Estado Novo. É uma abordagem da nacionalização que considera os desdobramentos históricos dos conceitos de “nação” e de “nacionalidade”. Neste particular, apresenta-se o tratamento dispensado aos estrangeiros e a questão da educação patriótica. Nesse cenário, busca-se identificar as formas de resistência e adaptação à nacionalização, utilizadas pelos teuto-brasileiros que viviam na região de Passo Fundo e Carazinho. Fundamentalmente, as considerações centralizam-se na detecção da existência de centros irradiadores do nacionalismo na região, como os núcleos integralistas e a Liga de Defesa Nacional, na inserção dos teuto-brasileiros nesses centros e nas esferas de poder local, bem como nas estratégias de preservação da língua alemã, que havia sofrido restrições a seu uso.

 

22 - Título: O sexo, o vinho e o diabo. Demografia e sexualidade na colonização italiana no RS. Vannini. 1906-1970

Autor: Ismael Antonio Vannini

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Berenice Corsetti (UNISINOS) e Profª. Dr. Florance Carboni (UPF)

Data de defesa: 13/12/2002.

Resumo: Este trabalho é, antes de tudo, fruto de uma curiosidade de infância. Por que era proibido falar e ouvir os mais velhos falarem sobre sexo. Por que era algo tão pecador e tão secreto? Por que as mulheres que se encontraram aos domingos falam em voz baixa em certos momentos? Por que é que quando nos aproximávamos elas mudavam de assunto, de modo que você/eles eram expostos ao ridículo? Por que o diabo viveu na colônia italiana e ele dormiu na cama dos colonos e assumiu a característica do prazer? O presente trabalho procura uma aproximação da compreensão e devoção do comportamento sexual e suas implicações na área colonial italiana do RS. Observar como a comunidade adquire características comportamentais de características e você imaginaria ao redor da sexualidade. E os fatores que condicionaram a estruturação desta cultura. O misto de implicações econômica e mental que foi delineado ao longo da declaração do modelo colonial. Como também as conivências das diferentes forças, em que os poderes e você conhece eles se eles complementaram um universo orientado pelo vetor econômico e religioso, em detrimento do efetivo e sensual. A discrepância entre a linguagem moralista a prática. E da história ufanista tradicional do vivido colonial. A adaptação dos imigrantes para uma demografia que adaptou ele/ela. Mesmo dentro do espaço clerical. A difícil tarefa humana de regular as pulsações sexuais. A comunidade italiana reprimida e sexofóbica impossibilitada de racionalizar o sexo, exposto à peneira das normas da natureza humana. As pulsações naturais do sexo que mata a comunidade ítalo-gaúcho, mais para a ignorância do que para a malícia. Do medo do pecado das transgressões à sexofobia colonial. Os mecanismos instalados em “Eu jantei (comi) ele/este da comunidade” como forma de sufocar as transgressões sexuais. As direções diferentes da vazão sexual reprimida. Este trabalho deveria ser visto como um tema de estudos que abre muito outros estudos nesse mesmo sentido. O tema da sexualidade pode assistir as implicações mais variadas na formação da comunidade colonial.

 

23 - Título: Vestígios do Passado. A Escravidão no Planalto Médio gaúcho (1850-1880)

Autor: Cristiane de Quadros de Bortolli

Orientador: Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi

Banca: Prof. Dr. Paulo Roberto Staudt Moreira (UNISINOS) e Prof. Dr. Astor Antonio Diehl (UPF)

Data de defesa: 23/01/2003.

Resumo: O presente estudo, de caráter histórico-regional, analisa a escravidão no Planalto Médio Gaúcho no período de 1850-1888. Busca-se elucidar os fatos referentes aos escravos dessa região, analisando a forte presença desses e seu valor econômico no contexto sociopolítico e na formação dos municípios de Cruz Alta e Palmeira das Missões; demonstrando que os cativos não estiveram presentes somente na região charqueadora e em Porto Alegre, como até o momento foi apresentado pela historiografia. Também analisa a produção historiográfica identificando como essa apresenta e trata o escravo no Brasil e no Rio Grande do Sul. Através de pesquisa empírica, revela a existência de movimentos abolicionistas nessa região, comparando-os com os de outras, as leis elaboradas nesse período, as quais permitiam o encaminhamento de ações de liberdade que culminaram na abolição. Através da análise de processos de inventários e testamentos, identifica e demonstra como essas ações transcorreram e permitiram a concessão de liberdade aos cativos. A pesquisa em livros de registros de batismos e óbito pertencentes à Igreja Matriz de Cruz Alta permitiu revelar a existência de batismo, compadrio e apadrinhamento de escravos, bem como os óbitos ocorridos nessa cidade e em Palmeira das Missões na segunda metade do século XIX. Através desses documentos o estudo descreve como se realizavam os atos sacramentais, quantifica o número de batismos e identifica quem eram os cativos, seus donos, seus padrinhos e onde esses atos ocorriam.

 

24 - Título: Coronéis e imigrantes: das lutas pelo poder à conquista do espaço. Saldanha Marinho. 1899 a 1930

Autor: Isléia Rossler Streit

Orientador: Profª. Dr. Loiva Otero Félix

Banca: Profª. Dr. Margaret Bakos (PUC/RS) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data de defesa: 24/01/2003.

Resumo: A ocupação de terras do Planalto Médio do Rio Grande do Sul por imigrantes vindos das primeiras colônias de imigração a partir de 1890 sugere a conquista de um espaço que já possuía grupos com identidade e prestígio político-econômico consolidado no cenário republicano, formando núcleos cooptados pelo governo estadual. Visando compreender os processos sociais regionais e as discussões sobre os sujeitos e classes sociais pouco analisados nos estudos da história até há bem pouco tempo, introduzimos esta temática utilizando um caso específico: a colônia Saldanha Marinho. Este trabalho relaciona três elementos presentes neste espaço e tempo: a) o coronelismo (estrutura de sua influência na colônia Saldanha Marinho; b) a empresa colonizadora Castro, Silva e Cia., que loteou as terras da colônia, do qual era proprietário Evaristo Affonso de Castro, líder abolicionista e federalista; c) os colonos alemães começaram a chegar à colônia a partir de 1899. Constatou-se que a colônia foi um espaço diferenciado na região, pois havia um interesse político, além do econômico, por parte de Evaristo Affonso de Castro na fundação da mesma. Porém, a sua influência não se estendeu por muito tempo, abrindo espaço para o coronel Victor Dumoncel Filho atuar sobre os colonos imigrantes.

 

25 - Título: Os Grupos de Onze: política, poder e repressão na região do Médio Alto Uruguai - RS

Autor: Elenice Szatkoski

Orientador: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl

Banca: Profª. Dr. Loiva Otero Félix (UPF) e Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data de defesa: 28/01/2003.

Resumo: Esta dissertação tem por objetivo compreender o processo de repressão política como forma de disputa e permanência no poder de grupos dominantes locais. Procura mostrar que a repressão política parecer ter ocorrido através da tortura psicológica desencadeada, por meio de acusações de ordem pessoal e política, como o envolvimento na corrupção e atividades ligadas a ideologia comunista. Este instrumento de coação, que, caracterizava perseguição, foi utilizado por militantes do PSD, partido que detinha o poder política em Frederico Westphalen, a fim de manter o controle político, econômico e cultural no município, tirando de cena lideranças renomadas na comunidade, cuja atuação era reconhecida em nível estadual e federal. A intriga política que se desencadeou no período foi conseqüência de desentendimentos entre grupos dominantes, de partidos ideologicamente antagônicos, desde os anos 40 do século XX, momento que marcou o antevir da emancipação de Frederico Westphalen, conquistando o desmembramento do município-mãe-Palmeira das Missões. Os acusados de práticas subversivas e comunistas pertenciam ao PTB e integravam distritos que, posteriormente se tornaram municípios da região do Médio Alto Uruguai do estado do Rio Grande do Sul. Os acusadores eram membros do PSD, coligados com UDN (União Democrática Nacional), PDC, PL, os quais buscavam vantagens eleitorais e tinham o apoio da Igreja Católica, bem como das instâncias políticas estaduais e federais. Este estudo discute a postura dos acusados de pertencerem a partidos da esquerda no período, caracterizados como comunistas-marxistas, de integrarem Grupos dos Onze: no entanto, demonstraram-se, em sua maioria, simples camponeses e fervorosos partidários do PTB, cuja liderança no período era exercida por Leonel de Moura Brizola.

 

26 - Título: Caboclos, ervateiros e coronéis: luta e resistência em Palmeira das Missões

Autor: Lurdes Grolli Ardenghi

Orientador: Profª. Dr. Loiva Otero Félix

Banca: Prof. Dr. Benito Bisso Schmidt (UFRGS) e Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data de defesa: 28/01/2003.

Resumo: O passado de lutas, que envolve o município de Palmeira das Missões, se constitui no tema deste trabalho, buscando investigar as motivações que impulsionavam as facções em confronto e a permanência de relações conflitantes, manifestadas no jogo político. Através da pesquisa e análise de correspondências, relatórios, processos judiciais, jornais, entrevistas e obras produzidas, o presente estudo é uma tentativa de reconstrução histórica das lutas e resistências que marcaram a sociedade regional no período da República Velha. A frequência e a gravidade dos combates que ocorreram na região da Grande Palmeira, fizeram com que o município fosse identificado com representações que o qualificam como espaço de violência. A área geográfica nativa, constituída de áreas de campo e mata, deu origem à construção de um espaço diferenciado e a consequente formação de grupos sociais distintos, em permanente animosidade. De um lado, o poder do campo, constituído pelos coronéis-latifundiários e, de outro, o poder do mato, constituído pelos caboclos, pequenos proprietários, posseiros e ervateiros. A temática remete a questões relacionadas com a posse da terra e às relações de poder em que a estrutura do coronelismo se impõe como fator determinante para a análise, buscando explicar a cristalização dos conflitos, associados a questão socioeconômica e diferenciados confrontos estaduais. O grupo oposicionista – poder do mato – aliava-se nos confrontos estaduais, aos fazendeiros da Campanha gaúcha, que apresentavam composição e características distintas em relação ao grupo local. O estudo procura reconstituir a trajetória de Leonel Rocha, como representante dos pequenos e médios agricultores, ervateiros e posseiros, identificando como o caudilho a pé, buscando as razões que mantiveram acesos os conflitos.

 

27 - Título: Tradição X Modernização no Processo Produtivo Rural: os clubes 4-S em Passo Fundo (1950-1980)

Autor: Sirlei de Fátima de Souza

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Ivaldo Gehlen, Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Data Defesa: 12/03/2003

Resumo: Esta dissertação mostra que, no meio rural de Passo Fundo, nas áreas de mata, especialmente no distrito de São Roque, os pequenos agricultores seguiam os métodos agrícolas tradicionais em meio ao processo de modernização que estava revolucionando a produção agrícola nas áreas de campo com o cultivo do trigo e, posteriormente, da soja. Os pequenos agricultores foram introduzidos nesse processo somente no final de 1960, orientados pelo serviço de extensão rural através dos Clubes 4-S. Esses clubes eram grupos de jovens com idade em torno de 10 a 21 anos, organizados no meio rural com uma ação educativa que objetivava a difusão e adoção das novas técnicas agrícolas e com incentivos ao associativismo. A pesquisa mostra como ocorreu a introdução dos pequenos agricultores  do distrito de São Roque no processo de modernização agrícola e as influências que os clubes tiveram nesse processo. Para a realização dessa pesquisa foram utilizadas várias fontes, como  artigos dos  periódicos regionais e locais, a Revista dos Clubes 4/S, a Revista Extensão Rural, documentos da Emater-RS, documentos pessoais, fotos e entrevistas com moradores e ex-moradores do distrito de São Roque, ou que de alguma forma estiveram relacionados aos  Clubes 4-S, bem como bibliografia sobre os assuntos abordados. O estudo conclui que a juventude rural tornou-se o elo de ligação para levar os novos conhecimentos aos agricultores e que esse trabalho foi indutor de mudanças no modo de viver e trabalhar no meio rural. Dessa forma, o trabalho desenvolvido nos Clubes 4-S foi essencial para a introdução dos pequenos agricultores no processo de modernização agrícola, pois, a partir dele, eles passaram a adotar novas técnicas agrícolas, fertilizantes, calcário, adubos, sementes híbridas; compraram máquinas agrícolas, fizeram financiamentos, associaram-se a sindicatos e cooperativas, entre outras mudanças que ocorreram na área econômica e social.

 

28 - Título: Uma Relação de Amor e Ódio: o caso Wolfram Metlzer (Integralismo, PRP e Igreja Católica, 1932-1957)

Autor: Veridiana Maria Tonini

Orientador: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl,

Banca: Prof. Dr. Nelson Boeira (UERGS), Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data Defesa: 17/03/2003

Resumo: Esta dissertação tem como objetivo compreender algumas questões pertinentes às relações de poder que se desencadearam em algumas regiões de colonização alemã e italiana do Rio Grande do Sul entre integralismo, Igreja Católica, Partido de Representação Popular e Imigrantes. Para isso centra-se na figura de Wolfram Metlzler, político e atuante no estado, militante integralista/perrepista de grande atuação entre os imigrantes e membros do clero. Através dessa figura política é possível constatar que ocorreram intensas relações de membros do clero com a política, uma teia de conflitos que se entrelaçaram no período de 1932-1957 em meio à sociedade rio-grandense. Percebe-se ainda, que a Igreja utilizou muitos mecanismos junto aos imigrantes e, sobretudo, a juventude e a imprensa na luta por espaços políticos. Em diferentes períodos, essa instituição teve posicionamentos diferentes em relação à política, mas, mesmo que em teoria, não pudesse se envolver, verifica-se que muitos membros do clero posicionaram-se claramente por algum partido, e, na sua maioria por partidos de direita, até mesmo pelos totalitários. Metodologicamente serve-se de revistas, jornais, relatório policiais, projeto de reforma agrária e cartas para responder às questões levantadas. A fonte oral contribuiu significativamente e respondeu a muitas indagações diante da omissão de alguns documentos escritos ou na falta deles.

 

29 - Título: O Populismo Verde – 1945/1950: o caso do PRP em Ijuí

Autor: Luiz Carlos Boff

Orientador: Prof. Dr. Eliane Lucia Colussi

Banca: Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (Unijuí), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 19/03/2003

Resumo: Este trabalho enfoca o Partido de Representação Popular em Ijuí, município situado na região Noroeste do estado do Rio Grande do Sul, no período de 1945 a 1950. Investiga o surgimento e a organização do PRP nos primeiros anos de sua existência. Ainda, analisa os veículos do partido com a Ação Integralista Brasileira existente no município, relacionando-os com as condições políticas regionais, estaduais e nacionais. Investiga o grau de importância que teve o partido no município de Ijuí. Enfoca os comícios e o empenho do partido no sentido de desfazer a imagem de nazi-fascistas que lhe era atribuída e as tentativas de extinção do partido. Analisa também a participação do PRP nos três primeiros pleitos eleitorais para eleger o o presidente da República, o governador do estado e prefeito municipal, respectivamente. Para isso, vale-se do jornal Correio Serrano, de depoimentos de ex-integrantes da AIB/PRP e de fontes documentais do partido. Pela análise dos dados, conclui que foi significativa a importância do partido em nível local, ao contrário do que acontecia em nível nacional.

 

30 - Título: Bandidos, Forasteiros e Intrusos: a criminalidade na região do Alto Irani, 1917-1942

Autor: Délcio Marquetti

Orientador: Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo

Banca: Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (Unijuí), Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 10/04/2003

Resumo: O presente trabalho analisa aspectos relativos à questão da criminalidade na região do Alto Irani, situada a Oeste de Santa Catarina, na primeira metade do século XX, mais especificamente entre os anos de 1917 a 1942. A região tornou-se conhecida pela ocorrência de relações violentas, e por um alto índice de criminalidade, expresso principalmente na forma de homicídios, mas também de lesões corporais, roubos, violência sexual e outros tipos de crimes e contravenções. A violência foi um elemento fortemente presente no cotidiano de atores que tomaram parte em um palco de disputas e confrontos pelo controle político e econômico das terras. Desde o Tratado de Tordesilhas (1494) até a Guerra do Contestado (1912-1916), a região esteve sensivelmente envolvida em questão que converteram-se em alvo fácil para exploração de riquezas naturais como erva-mate e madeira, bem como para circulação de criminosos foragidos. Dentre os aspectos de ordem cultural que caracterizaram a vida do homem que habitou a região, destacou-se o hábito de uso de armas de fogo, e outras. Como se fizessem parte da própria indumentária, serviram inúmeras vezes, normais variados espaços (bailes, bodegas, emboscadas...), como forma de resolver querelas e rixas surgidas no momento, ou existentes há mais tempo. Defender-se, roubar, fazer justiça, ou até mesmo divertir-se com o uso das armas, trouxe, muitas vezes, como consequência, mortes e ferimentos, realidade com a qual a população local conviveu, por várias ocasiões sem poder contar com o auxílio da Justiça, e cujo tema constitui o objeto central do trabalho.

 

31 - Título: Onde estão os grupos de onze?:  os comandos nacionalistas na Região Alto Uruguai – RS

Autor: Marli Baldissera

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Dr. Sandra Maria Lubisco Brancato (PUC/RS), Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data Defesa: 11/04/2003

Resumo: A história dos Grupos de Onze na Região Alto Uruguai do Rio Grande do Sul constitui o objeto de pesquisa da presente dissertação. Foram idealizados pelo ex-governador do Rio Grande do Sul e então deputado federal pelo estado da Guanabara, Leonel Brizola. Passaram a ser formados a partir de outubro de 1963, de modo público, através de chamamentos radiofônicos, com o intuito de pressionar o governo João Goulart e o Congresso Nacional para a aprovação das Reformas de Base. O contexto político, econômico e social da época era bastante conturbado, marcado pela disputa do espaço político entre as esquerdas reformistas e a direita conservadora. A organização das esquerdas e a pressão pelas Reformas de Base, principalmente a agrária, foram vistas como o avanço do comunismo. Os Grupos de Onze – que, seguindo os apelos de Brizola, se formavam em quase todo o Brasil – serviram para fortalecer a campanha anticomunista desfechada pelos grupos conservadores, com o apoio dos principais jornais do país. A imprensa, por sua vez, contribuiu para a criação de um imaginário de que os Grupos de Onze eram grupos comunistas que deviam ser combatidos. Os Grupos formados na Região Alto Uruguai eram compostos, principalmente, por pequenos agricultores semi-analfabetos e brizolistas convictos, que acompanhavam regiamente os pronunciamentos do ex-governador. Após o golpe militar, foram alvos de prisões e maus tratos, fatos que marcaram profundamente a vida dos envolvidos. A metodologia utilizada para a realização da pesquisa constou de depoimentos orais, análise dos Inquéritos Policiais Militares que envolvem a Região Alto Uruguai, pesquisa bibliográfica e análise da imprensa da época estudada, em âmbito nacional e regional.

 

32 - Título: Repressão e oposição Política em Santa Catarina: 1964-1973

Autor: Ana Maria Pertile

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Helder Gordim da Silveira (PUC/RS), Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin (UPF)

Data Defesa: 15/04/2003

Resumo: A presente dissertação é resultado de uma análise que se processou em torno  da repressão  e oposição  política  em Santa Catarina  no  período  de  1964-1973. Para empreender tal tarefa, inicialmente resgatou-se a estrutura política catarinense existente antes e durante a configuração do Golpe Militar, focalizando a sua relação com a política nacional.  Dentro desta perspectiva, foram englobados  os partidos políticos existentes no Estado, tanto de oposição como de situação, bem como  sua  atuação  enquanto  tal.  Essa retrospectiva permitiu situar a política catarinense em  relação  a  política  nacional,  além  de  possibilitar  também  a compreensão dos posicionamentos assumidos, no Estado, no que diz respeito aos acontecimentos ocorridos em nível nacional por ocasião do Golpe Militar de 1964. Pois, a política catarinense  sempre  pautou-se  por  uma  forte  tradição  oligárquica onde os partidos foram constituídos de acordo com os interesses particulares e de grupos interessados unicamente  em  manter-se no poder.  A partir desta estrutura de  poder  constituída  no  Estado  no  período  em  questão,  procedeu-se  também  o levantamento  e  análise  dos  grupos  que  se  destacaram  enquanto  oposição  ao regime  militar.  Porém,  não  foram  somente  grupos  de  oposição  ao  regime  militar que existiram ou se organizaram no Estado, muitos foram também os grupos que apoiaram  e  agiram  no  sentido  de  colaborar  com  a  implantação  do  mesmo.  E, neste processo,  destaca-se  a  atuação da imprensa local a  partir dos  dois  jornais de maior circulação no Estado, neste período, quais sejam, A Gazeta e O Estado, jornais  estes,  como  pode-se  constatar,  ao  longo  do  trabalho,  que  tinham  o propósito  de  formar  uma  opinião  pública  favorável  ao  regime  militar.  Pois, as matérias por eles publicadas que se reportavam aos acontecimentos relacionados com o Golpe Militar de 1964, sutilmente induziam a população a concordar com o mesmo.  Diante disso, a  repressão  se  fez  presente  em  todos  os  níveis.  E, aqui, analisamos a sua presença e repercussão no Poder Legislativo catarinense, onde foram instaurados IPMS que  transformados  em  processos,  resultaram  na cassação do Deputado Estadual Paulo Stuar Wrght e no afastamento das funções da  Auxiliar  de  Taquigrafia  da  ALESC,  Elyanni  Marinho  de  Souza  Santos.  Estes processos representaram uma forma de intimidação do Legislativo, não só  em Santa  Catarina,  mas  em  todo  o  país,  pois  foram  uma  maneira  encontrada  pelo regime  militar  de  afastar  do  convívio  político,  indivíduos  que  pudessem  vir  a causar problemas e prejudicar a política em  andamento. Assim, como o caminho livre  de  opositores,  os  militares  podiam  estruturar  o  regime  militar  ora  em andamento no país

 

33 - Título: Negócios na Madrugada: formação e expansão do comércio ilícito em Uruguaiana

Autor: Ronaldo Bernardino Colvero

Orientador: Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo

Banca: Prof. Dr. Braz Augusto Aquino Brancato (PUC/RS), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 28/04/2003

Resumo: A necessidade de resgatar a história local remeteu, neste trabalho, à discussão acerca da formação de um espaço econômico e do desenvolvimento do comércio lícito e ilícito na fronteira oeste da província do Rio Grande do Sul, mais especificamente em Uruguaiana, no período compreendido entre 1850 e 1870. O espaço local foi estudado a partir da ocupação guarani, do contrabando no Prata sob influência inglesa, e dos tratados de fronteira. Para isso, o estudo explicita os conceitos de fronteira, limite e território, pois é necessária uma visão mais aprofundada do tema em questão. O estudo recai no plano econômico, visto que o social e o político são estudados em sua conexão com a dinâmica interna do sistema econômico, colaborando no sentido de levantar elementos empíricos e hipóteses teóricas para um entendimento amplo e profundo de uma região de fronteira. A distribuição das sesmarias através das doações ou aquisições de terras devolutas e, a partir de 1850 a lei de terras como forma de legalização a titulo de propriedade das terras, foram responsáveis pelo povoamento e defesa particular da região da campanha, que contava com suas guardas que tinham a função da defesa do território, em especial, a fronteira que nasceu como representação dos sesmeiros. A condição de fronteira-zona de Uruguaiana, no período de 1850 a 1870, foi desenvolvida sob alguns condicionamentos: 1º a fronteira com a Argentina e o Uruguai; 2º os pecuaristas; 3º os comerciantes locais e 4º os comerciantes estrangeiros. Este estudo traz o levantamento de várias fontes que mostraram as nuanças do desenvolvimento econômico, político e social daquela cidade de fronteira, permeado pelo contrabando que se fazia corriqueiramente, em razão, sobretudo, da falta de um esquema eficaz para banir tais procedimentos. Também realiza a análise dos registros e fatos que interferiram no desenvolvimento da vila de Uruguaiana no período determinado nesta pesquisa, com ênfase na formação da cidade com suas características, o processo de urbanização, os meios de comunicação e transportes, aspectos do comércio local, as importações e exportações, o problema da mão-de-obra, o contrabando e alguns traços característicos do homem da fronteira.

 

34- Título: Contestado: história, historiografia e literatura (1980-2001)

Autor: Teresa Machado da Silva Dill

Orientador: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl

Banca: Prof. Dr. Edgar De Decca (ANPUH), Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data Defesa: 23/05/2003

Resumo: Durante a realização da dissertação constatamos que o processo de produção do conhecimento nas mais diferentes áreas perpassa os interesses, desejos, necessidades e motivações de quem produz. Em outras palavras, vincula-se ao lugar social, cultural e ideológico como resultado da compreensão e visão de mundo, sena nas vivências cotidianas, seja em seus aspectos científicos e filosóficos, como produto das práticas que se fazem social e historicamente situadas. Nas produções historiográficas, tais percepções aparecem visivelmente nos processos narrativos, através dos paradigmas teóricos e dos procedimentos metodológicos, bem como no contexto histórico em que tal conhecimento é pensado. Nessa perspectiva, este trabalho analisa como se dão tais mudanças na historiografia do Contestado no período de 1980-2001. Trabalhando com a matriz disciplinar, o estudo analisa obras que se constituem como fontes de nosso estudo, cujos elementos constituidores são: a) interesse pelo conhecimento histórico; b) perspectivas teóricas sobre o passado; c) procedimentos técnicos-metodológicos; d) formas de representação e narrativas historiográficas; e) funções didáticas do conhecimento histórico. Tais elementos perfazem os cinco capítulos desta dissertação, que analisa 26 obras sobre o contestado do período citado. Conforme inicial proposta, de perceber as mudanças paradigmáticas nas produções historiográficas, o conjunto das obras analisadas caracterizou-se como um certo avanço no que tange ao debate em torno da história voltada às questões socioculturais. Das vinte e seis obras analisadas, apenas quatro abordam o evento como causa e consequências, como factual; portanto, quase todas são passíveis de uma nova cultura historiográfica.

 

35 - Título: A máscara da modernidade: a mulher na Revista O Cruzeiro (1928 – 1945)

Autor: Leoní Teresinha Serpa

Orientador: Prof. Dr. Astor Diehl

Banca: Prof. Dr. Luiz Sérgio Duarte e Profª. Dr. Márcia Barbosa (UPF)

Data de Defesa: 06/06/2003

Resumo: O presente estudo analisa as mudanças trazidas pela modernidade e pelo Estado Novo nas representações simbólicas sobre as mulheres. A análise concentra-se em reportagens, notícias, fotos, colunas, publicidades e propagandas veiculadas pela revista O Cruzeiro no período de 1928-1945. Procura entender como Assis Chateaubriand criou o semanário, um dos mais lidos do país, num período de intensa urbanização, que creditava ao Brasil ares de modernidade. Tendo como fonte básica as páginas do magazine, através de um conjunto de leituras que levam em conta a análise do discurso e que consideram a linha editorial de O Cruzeiro, além de bibliografia nas áreas do jornalismo e da história das simbologias e representações, investiga a história das mulheres a partir da idéia de Brasil que a revista criou para representá-las nos 17 anos recortados para o estudo. Considera-se que essa foi uma história cheia de signos, de um imaginário que polemizou e emocionou o leitor brasileiro, mas que, sobretudo, ditou modas, normas e até conceitos, numa intencional propagação da modernidade inspirada nos ditames hollywoodianos. Assim, a análise possibilita compreender que a revista apregoava uma modernidade mascarada, que substituía a submissão feminina social e doméstica pela doutrina da beleza e do consumo.

 

36 - Título: Terra nova, vida nova: a colonizadora Bertaso e a ocupação colonial do Oeste Catarinense. 1920-1950

Autor: Renilda Vicenzi

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Philomena Gebrain (UFRJ), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 22/08/2003

Resumo: O atual oeste de Santa Catarina foi mantido à margem da colonização espanhola e lusitana. Mais tarde a posse dessas regiões foi disputa, inicialmente, pelo Brasil e a Argentina e, a seguir, pelo Paraná e Santa Catarina. A imigração de descendentes de colonos italianos, desde o noroeste do Rio Grande do Sul, para o oeste de Santa Catarina, fez parte do processo de expansão e propagação das pequenas propriedades rurais. Os indígenas Kaingang e caboclos que povoavam esses territórios, foram gradativamente expropriados da posse da terra e expulsos da região. A colonização no município de Chapecó foi empreendida e realizada pela Colonizadora Bertaso S/A, sobre o comando do coronel Ernesto Francisco Bertaso, seu proprietário. Por concessão e compra, a Companhia Colonizadora adquiriu vastas extensões  de terras, do Estado e de particulares, a baixo preço e a longo prazo. A companhia retalhou  as terras em pequenos lotes rurais:  propagou sua comercialização nas Colônias Velhas do  Rio Grande do Sul; venceu as glebas sobretudo para colonos ítalo-gaúchos, em forma unitária ou em pequenos, médios e grandes lotes. Do ponto de vista estatal, a colonização  desses territórios iniciou-se  apenas com a chegada e o estabelecimento dos novos protagonistas sociais. Entre outros fatores, a saída da terra natal e a procura de novas colônias deveram-se a alta taxa da natalidade dos colonos ítalo-gaúchos. Com o crescimento dos filhos, a gleba paterna tornava-se insuficiente para sustentar a força de trabalho familiar, obrigada a migrar para obter a terra já dificilmente acessível no Rio Grande do Sul. Após adquirir a nova propriedade, o trabalho familiar era empregado no desmate, na formação da roça, na construção da moradia e das benfeitorias, na construção e manutenção dos caminhos, etc. A força de trabalho familiar foi a base essencial desse esforço produtivo. Esse processo de colonização camponesa instituiu novas relações econômicas e sociais na região. Os colonos produziam gêneros alimentícios para a subsistência e excedentes para serem vendidos no comércio local e regional. Sobretudo nos primeiros tempos, os caminhos e os transportes eram precários, dificultando o escoamento da produção. A nova sociedade formou-se e deformou-se no contexto dos contrastes políticos, econômicos, sociais e ideológicos existentes entre o colonizador ítalo-gaúcho e os excluídos por esse processo. A construção de uma identidade “italiana”, apresentada como fator de sucesso e progresso, ensejou a discriminação e a divisão entre dos caboclos e colonos. Instâncias de lazer comunitário e a colaboração no trabalho contribuíram para coesão comunal colonial que não elidia fortes tensões inter-comunitárias.

 

37 - Título: A trajetória do sindicalismo no Alto Uruguai Gaúcho – 1937 a 2003: semelhanças e diferenças entre o processo nacional e o regional.

Autor: Anacleto Zanella

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Conceição Paludo (UERGS); Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 28/08/2003

Resumo: Este estudo descreve a trajetória do sindicalismo dos trabalhadores urbanos e rurais na região do Alto Uruguai gaúcho desde seu surgimento em 1937-38 até o ano 2003, procurando identificar as suas principais características, levando semelhanças e diferenças entre o processo de desenvolvimento do sindicalismo regional e o do sindicalismo brasileiro. Para isso, utiliza-se de referências locais (jornais, fonte oral, documentos de instituições, obras publicadas) e da literatura nacional sobre a temática. Com base nisso, constata-se que, entre outras características, o processo de desenvolvimento do sindicalismo regional foi marcado por: forte influência do contexto nacional em todas as suas faces; a Igreja Católica e a legislação sindical oficial desempenham papel fundamental tanto na sua origem como no seu desenvolvimento; o movimento sindical dos trabalhadores somente conseguiu afirmar-se e ser reconhecido como ator no cenário regional a partir da década de 1980; nos últimos anos, ou seja, a partir da década de 1990, o sindicalismo regional vivenciou uma crise profunda, ainda não superada, reflexo das intensas transformações ocorridas na esfera do trabalho e das medidas liberais implementadas no país.

 

38 - Título: Lei de terras e colonização como pressupostos da normatização agrária do Médio Alto Uruguai.

Autor: Dablio Batista Taglietti

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF); Prof. Dr. Marcus Justo Tramontini (Unisinos)

Defesa: 29/08/2003

Resumo: O presente estudo, de caráter histórico regional, analisa o processo de ocupação da região do Médio Alto Uruguai no período de 1917 e 1960, centrando-se no processo de migração/colonização de terras devolutas destinadas a essa finalidade. Para o estudo foram pesquisados órgãos oficiais, como o escritório da ex-inspetoria de terras e Colonização ainda em funcionamento no município de Frederico Westphalen, a qual possibilitou a realizar uma vasta pesquisa na documentação oficial que tratou de regulamentação agrária da região. Além dessas fontes primárias, fonte oral foi importante instrumento para elucidar os fatos analisados nas pesquisas documentais. A pesquisa revelou que a possibilidade de ser proprietários de terras chegou com facilidade para alguns e dificuldades para outros, sendo que nessa última condição se encontravam os caboclos e ou nacionais, como o Estado os considerava.

 

39 - Título: Articulação Histórica da Agricultura com o Advento da Agroindústria em Passo Fundo. Considerações sobre a constituição e a consolidação de um complexo agroindustrial – 1960 a 1980.

Autor: Paulo Ivan Schutz Beux

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Carlos Schmidt (UFRGS); Prof. Dr. Astor Antônio Diehl (UPF)

Defesa: 02/10/2003

Resumo:  Este estudo destacou as transformações socioeconômicas ocorridas no período de 1960 a 1980, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, analisando os processos que promoveram mudanças tecnológicas no meio rural e, analisando também, os fatores que contribuíram para a estruturação de um complexo agroindustrial, ainda, este estudo descreveu o processo agroindustrial no município de Passo Fundo destacando a produção da soja como fator de desenvolvimento da produtividade. O método utilizado foi a análise de conteúdos referente à  estrutura fundiária anterior  ao período de 1960 a 1980 e as modificações ocorridas nesse período. Os instrumentos utilizados foram entrevistas sobre o Complexo Agroindustrial – CAI - na época referido, e documentos buscados em órgãos governamentais e não-governamentais de recenseamento, de pesquisa ou de fomento ao setor rural e agroindustrial. A junção das informações literárias ao conteúdo das entrevistas foi essencial para melhor compreender como a região absorveu, refletiu, reagiu e/ou incorporou o processo de orientação  socioeconômica da agricultura e a modernização do sistema de plantio. Concluiu-se que o CAI de Passo Fundo teve seu maior impulso quando a soja se constituiu no elemento que transformou a agricultura de um sistema baseado em pequenas unidades de produção intensiva de trabalho, para um sistema mecanizado, intensivo de capital, operando em larga escala.

 

40 – Título: As Usinas Hidrelétricas e os Atingidos da Bacia do Rio Uruguai: intenções entrecruzadas

Autor: Alvenir Antonio de Almeida

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF); Profª Dr. Maria José Reis (UFSC)

Data Defesa: 15/12/2003

Resumo: Esta dissertação descreve os primeiros passos da geração de energia elétrica no Brasil através das usinas hidrelétricas: a chegada da iniciativa privada internacional, com a Light e a Amforp, hegemonizando o setor, o início da intervenção do Estado no setor de geração de energia elétrica, com a intervenção de Getúlio Vargas, até a total estatização com o governo militar que assumiu o poder em 1964. Após, trata da geração da energia elétrica na região Sul, bem como descrever a bacia do Rio Uruguai, desde a chegada dos imigrantes, a sua topografia e riqueza hidráulica, os motivos que fizeram desta região prioridade para o setor elétrico no que tange à geração de energia elétrica; ainda, os confrontos que ocorreram na região, a formação de um movimento de atingidos, os conflitos externos e internos, a disputa permanente por legitimidade e representatividade junto aos atingidos e ás empresas, com as conquistas que marcaram e modificaram a política do setor elétrico na bacia do rio Uruguai, a sua influência e formação de novos  movimentos no Brasil. Trabalha também o processo de relocação dessas famílias. Com base nisso contata que os conflitos auxiliam de forma efetiva os avanços no tratamento das questões sociais dos atingidos por barragens por parte do setor elétrico e que as conquistas trazidas por esses desencontros, mudaram a realidade das regiões atingidas pelas usinas hidrelétricas.

 

41 – Título: A Arquitetura Rural Sulina no Caminho das Tropas do Planalto Médio. Século XIX

Autor: Nery Luiz Auler da Silva

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Ester Gutierrez (UFPel); Prof. Dr. Günter Weimer (UFRGS)

Data Defesa: 18/12/2003

Resumo: O presente estudo objetiva contribuir ao estudo da historiografia da arquitetura regional sul-rio-grandense, em geral, e do norte do Estado do Rio Grande do Sul, em particular. Tem como objeto específico o estudo das primeiras edificações habitacionais e produtivas pastoris luso-brasileiras do Planalto Médio, a fim de incorporar à discussão essa parte do território sulino arquitetonicamente semi-desconhecido. Nesse escopo, tomou-se como limite temporal inicial da análise o ano de 1820, ou seja, o início da primeira ocupação luso-brasileira da região, sobretudo através da formação de fazendas pastoris. Encerra-se o estudo em 1890, com a chegada dos imigrantes e a via férrea, que mudaram o foco econômico da economia pastoril para agrícola. Define-se como eixo espacial da pesquisa o “Caminho Novo da Vacaria”, aberto em 1816, entre Cruz Alta e Vacaria, fato histórico regional marcante, pois desde então as Missões ligaram-se com o “velho” caminho tropeiro de Viamão e, portanto, com a feira de Sorocaba. A dissertação centra-se no estudo de quatorze sedes de fazendas que nasceram nessa rota, construída e usada por criadores, no século XIX, no espaço geográfico entre São Borja, Cruz Alta e Vacaria. Estuda-se o espaço residencial e produtivo, nos seus mais diversos aspectos – localização, volumetria, programa de necessidades, técnicas construtivas, matérias primas, etc. – dessa arquitetura vernácula, rústica e pobre, surgida de ocupação militar, mas não organizada com objetivos de defesa, no setentrião do Rio Grande, em semi-extinção, devido à modificação do foco econômico de pastoril para agrícola, em desenvolvimento.

 

42 – Título: Relações de Poder no Estado Novo: uma permanência Sui Generis o caso Albino Hillebrand em Carazinho

Autor: Maria Eloisa Cavalheiro

Orientado: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Banca: Prof. Dr. René Ernani Gertz (PUC/RS); Prfª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data Defesa: 26/01/2004

Resumo: Este estudo buscou aprofundar a análise sobre o cenário político das interventorias no Rio Grande do Sul, destacando as trocas e manutenções de prefeitos no período de 1937 a 1945. A questão norteadora foi o caso da interventoria da cidade de Carazinho, as relações de poder no município no período estadonovista, tendo como objeto específico o prefeito Albino Hillebrand. Metodologicamente, adotou-se como fonte bibliográfica básica a imprensa local, dando destaque aos jornais Jornal da Serra e Noticioso, de Carazinho, e O Nacional, de Passo Fundo. Também se utilizaram obras pertinentes para dar fundamentação teórica. A importância da imprensa neste estudo tornou-se fundamental devido à precariedade de informações sobre o objeto deste estudo, o prefeito Albino Hillebrand. Após exploração, análise e interpretação das fontes utilizadas no decorrer do estudo, pode-se concluir que se trata de um estudo fenomenológico, pois preocupou-se com a descrição direta da experiência tal como ela se deu no período em estudo, construindo a realidade social e comunicando esta realidade, que não é única, pois existem inúmeras interpretações e comunicações. O sujeito ator foi reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento, pois manteve-se no poder durante doze anos.

 

43 – Título: Madeireiros na Região Norte do Rio Grande do Sul: perfil socioeconômico e articulações de classe (1902-1950)

Autor: Liliane Irma Matje Wentz

Orientado: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Banca: Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (Unijuí), Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 24/03/2004

Resumo: A indústria extrativa da madeira na região do Planalto Médio gaúcho, mais especificamente nos municípios de Passo Fundo e Carazinho, foi, junto com a chegada da ferrovia, a base para o desenvolvimento da economia local desde 1902 até 1950, quando escasseou o mato e muitos madeireiros se mudaram para Santa Catarina ou Paraná. Usufruindo sua política intervencionista, o governo federal criou o Instituto Nacional do Pinho para regular a produção e comercialização de madeiras nos três estados do sul do país, procurando fiscalizar com mais rigor as derrubadas das matas, ao mesmo tempo em que serviu de base de apoio para os madeireiros junto à política de comércio exterior. Os madeireiros se organizaram de várias formas, criando cooperativas e sindicatos, pois perceberam que somente unidos conseguiriam melhorias para seus empreendimentos e comercialização dos produtos, já que se envolviam constantemente em discussões com representantes da Viação Férrea sobre a falta de vagões para o transporte de suas madeiras.

 

44 – Título: Joaçaba e a perda da condição de "Capital do Oeste Catarinense": a apreensão pelo grupo dirigente

Autor: Rogerio Augusto Bilibio

Orientado: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Banca: Profª Dr. Eunice Nodari (UFSC), Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UPF)

Data Defesa: 26/03/2004

Resumo: Esta dissertação tem como objetivo perceber as impressões do Grupo Dirigente a respeito da trajetória do município de Joaçaba a partir do seu período maior de crescimento, os anos 50, até os dias atuais, na perspectiva de uma cidade considerada polo regional, para uma perda desta polaridade. Demonstrar, partindo de uma exposição da formação do município e de seu crescimento econômico, detalhando as principais atividades econômicas responsáveis por este crescimento, como este polo foi se construindo. Utilizar os recursos da oralidade, dos conceitos de representação, de um grupo de indivíduos integrados ao processo histórico com o propósito de estabelecer uma linha de raciocínio a respeito do fenômeno de diminuição da influência regional, que se verificou nos últimos vinte anos do século passado.

 

45 – Título: Alguém na terra de ninguém: a ocupação do território de Palmas - PR

Autor: Maria Dôres Makowski

Orientado: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Banca: Prof. Dr. Earle Macarthy Moreira (PUCRS), Prof. Dr.Mário Maestri (UPF)

Data Defesa: 02/04/2004

Resumo: Este trabalho tem como finalidade estudar o processo de ocupação da Comarca de Palmas-PR, a partir da expansão pastoril advinda dos Campos de Guarapuava. O projeto de ocupação era do governo Imperial que visava garantir pelo Uti possidetis de facto este território, tendo sua posse contestada pela Argentina. Esta disputa territorial determinou ações políticas específicas para com esta região, tanto do poder Imperial quanto Provincial. Além da importância geopolítica da região de Palmas, o elemento humano era fundamental na construção deste espaço, especificamente aqueles que ficavam à margem do processo histórico oficial e, nesse caso, destacam-se os Kaingang e o escravo negro. A construção teórica se constituiu de uma revisão bibliográfica, onde as fontes foram os documentos oficiais, especialmente do Executivo da Província do Paraná, do Legislativo Municipal Palmense e os Autos Civis de Inventários de Bens e Testamentos dos Fazendeiros de Palmas. Os dados comprovaram que a Comarca de Palmas era primeiramente considerado um “espaço vazio”, mesmo sendo habitado por Kaingang. Os recursos destinados para a ocupação oficial do território eram tão poucos que geraram a estagnação econômica e o abandono. A frente de ocupação pastoril e o governo Imperial foram “limpando” os Campos de Palmas da presença dos Kaingang livres, donos destas terras, combatendo os resistentes e aldeando os derrotados sobreviventes. Os fazendeiros trouxeram consigo um contigente de escravos negros, os quais são o suporte de todo e qualquer tipo de trabalho.

 

46 – Título: A atuação da Comissão de Terras e Colonização no projeto de ocupação da região da Grande Palmeira/RS. 1917-1930

Autor: Jussara Jacomeli

Orientado: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Banca: Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (Unijuí), Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 14/04/2004

Resumo: De 1889 a 1930, o Partido Republicano Rio-Grandense administrou o estado do Rio Grande do Sul tendo como prioridade a defesa e a concretização da estabilidade e autonomia político-econômica, estatuídas na assertiva da ordem como fator de progresso. Com esse propósito, em 1917, diante da crescente instabilidade política, recrudescida em âmbito local pela ocupação espontânea e pelos fluxos e refluxos políticos, econômicos e culturais pertinentes e afetos a áreas de fronteira, instalou a Comissão de Terras e Colonização, sob a chefia de Frederico Westphalen, a fim de desenvolver o projeto de colonização previsto pelo estado como veículo de controle, obtenção de receitas e erradicação de incertezas na Grande Palmeira. O intercruzamento do controle, acesso e permanência no solo com as divergências políticas, o contrabando e a fronteira, determinou o desencadeamento de relações de poderes pertinentes e decorrentes da atuação da Comissão na região. Através da centralização do poder e do intervencionismo, a Comissão ampliou a presença do estado no local, mediatizada pela política do clientelismo, do paternalismo e pela aplicação do princípio da intrusão. Do controle, do acesso e da permanência na terra derivou o processo de ocupação-desocupação, refletindo na organização da oposição e na intensificação de relações de poder de combate à ordem estabelecida pelo partido-estado.

 

47 – Título: Educadores Capuchinhos  em Soledade: criação do Ginásio São José e da Escola Técnica de Comércio Frei Clemente (1936-1978)

Autor: Elizette Scorsatto Ortiz

Orientado: Prof. Dr. Mário Maestri (UPF)

Banca: Prof. Dr. Romualdo Luiz Portela de Oliveira (USP), Prof. Dr. Jaime Giolo (UPF)

Data Defesa: 21/05/2004

Resumo: Esta dissertação tenta mostrar, através de fontes documentais locais e bibliográficas atualizadas, o processo de criação e organização de duas escolas confessionais, um ginásio e uma escola técnica de comércio, nas décadas de 40 e 50 do século 20, na região de Soledade – RS, com o objetivo de realizar uma leitura com interesses acadêmicos da história educacional regional, mediante um estudo de caso singular. Buscou-se saber quais as razões que determinaram a vinda dos padres capuchinhos para Soledade e por que eles dedicaram ao ensino, se essa não era sua atividade prioritária. Através do processo nº91079/55, desvendou-se os trâmites oficiais e burocráticos necessários à legalização de um educandário. A pesquisa evidencia a insuficiência de recursos humanos formados para atender a demanda educacional. Também ficam claras as disputas confessionais pelo monopólio do espaço educacional regional e caem por terra algumas assertivas generalizantes já fixadas na historiografia oficial de que, por exemplo, no Rio Grande do Sul, os colonos italianos não se preocuparam com a educação dos seus filhos. Comprova-se que a vinda dos capuchinhos tem finalidade pacificadora e estreita ligação com a presença de colonos italianos na região.

 

48 – Título: Lembranças submersas: o caso da cidade de Itá em Santa Catarina

Autor: Salete Munarini Sartoretto

Orientado: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl (UPF)

Banca: Profª Dr. Maria izilda Matos (PUC/SP), Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 28/05/2004

Resumo: Este estudo tem por proposição descrever o impacto sociocultural que envolveu o passado e o presente da história da cidade de Itá no estado de Santa Catarina. O objetivo foi localizar no espaço e tempo a história da cidade de Itá, por se entender que, através da memória material e dos relatos orais, é possível descrever a reverência dos moradores ao local de origem. Justifica-se o estudo pela importância de se compreender como as mudanças ocorridas interferiram em uma comunidade que deixou seu espaço socialmente construído para dar lugar a um projeto de desenvolvimento visando à produção de energia elétrica, a qual desempenha um papel vital na sociedade moderna. Metodologicamente, trabalhou-se na coleta de informações para a recuperação da história da destruição dessa cidade com os relatos orais, paralelamente à consulta de fontes escritas, livros e periódicos. O estudo destaca três pontos de referência: o primeiro localiza no espaço e no tempo a história da cidade de Itá; o segundo descreve o elo entre tradição e inovação, patrimônio e vanguarda da nova cidade, retratando o sentido de progresso na visão da população removida, e o terceiro ponto desvela o espaço sagrado, traçando um paralelo entre história e memória. Em síntese, verifica-se que a comunidade de Itá busca uma identidade voltando ao passado, para poder construir o futuro. A memória e a história são processos sociais, construção dos próprios homens, e têm como referências as experiências individuais e coletivas. O relembrar individual encontra-se relacionado com a história de cada um, pois cada indivíduo é singular em seus relatos e testemunho no processo da preservação da identidade histórica.

 

49 - Título: Memórias de um povo de fronteira: Santo Antônio do Sudoeste (PR) – 1957-1965

Autor: Lunalva Edméa Bernardi

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF), Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data Defesa: 26/08/2004.

Resumo: Este estudo buscou aprofundar alguns aspectos históricos referentes à questão da ocupação da região Sudoeste do Paraná e de seus desdobramentos através da luta pela posse das terras, bem como a resistência às opressões impostas àquele povo de fronteira. A questão norteadora do trabalho foi à memória em torno de dois momentos históricos vividos pelo povo de Santo Antônio do Sudoeste: a revolta dos colonos em 1957 e o Golpe Militar de 1964, com a passagem de remanescentes dos Grupos dos Onze pela região. Metodologicamente, baseia-se em inúmeras buscas de informações através de depoimentos orais, periódico local e regional, revistas, arquivos particulares. Também utiliza obras pertinentes para dar consistência teórica ao estudo. Os depoimentos orais, nesta pesquisa, foram fundamentais em virtude da precariedade de informações sobre o período destacado, principalmente tendo como objeto o município de Santo Antônio do Sudoeste. Após exploração, análise e interpretação das fontes utilizadas no decorrer do estudo, conclui que se trata de um estudo fenomenológico, pois se preocupa com a descrição direta de experiências tal como se deram no período em estudo. A memória registrou as formas de resistência à opressão sofrida e ao revisitar importantes episódios históricos vividos pela população santo-antoniense, demonstra a importância da história oral para a reconstrução de partes da história local e regional.

 

50 - Título: A Luta Pela Terra Prometida: políticas públicas de ocupação/desocupação e re-ocupação do espaço envolvendo colonos e índios na Reserva Indígena de Serrinha no norte do Rio Grande do Sul (1940-2004).

Autor: Joel João Carini

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Aldomar A. Rückert (UFRGS); Prof. Dr. Astor Antônio Diehl (UPF)

Data Defesa: 07/10/2004.

Resumo: O presente enfoque, de abrangência histórico regional, contempla uma análise do conflito envolvendo índios caingangues e colonos na reserva de Serrinha, no norte do Rio Grande do Sul, no período de 1940 a 2004, na perspectiva das políticas públicas de ocupação/desocupação e reocupação do espaço. Para tal intento, procura reconstituir as trajetórias históricas de lutas, tanto dos índios caingangues, pela preservação e recuperação das terras e riquezas naturais tradicionalmente por eles ocupadas, quanto dos colonos, pela garantia de acesso e permanência na terra camponesa. O estudo utiliza, sobretudo, fontes primárias: documentos e fontes orais. A investigação mostra que uma sucessão de medidas e/ou iniciativas político-jurídicas equivocadas por parte do governo do Rio Grande do Sul ao longo do período pesquisado permitiram a expropriação das terras tribais, num primeiro momento, em favor dos colonos e, num segundo momento, no desalojamento dos colonos em favor dos indígenas; no primeiro momento, a iniciativa do Estado foi traumática para os índios e, no segundo, está sendo traumática para os colonos. O estudo mostra que o evento de Serrinha expôs uma situação contrastante entre a comunidade indígena e camponesa na luta pela terra, com os índios caingangues demonstrando elevado grau de conscientização e coesão na luta pela retomada da terra da Serrinha e, ao contrário, os colonos mostrando-se desarticulados e divididos por facções político-partidárias desde o início, fato que tem enfraquecido os movimentos de pressão sobre o governo na luta pelos direitos às indenizações e reassentamentos.

 

51 - Título: Mato, palhoça e pilão. O quilombo, da escravidão às comunidades remanescentes [1532-2004]

Autor: Adelmir Fiabani

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Théo Lobarinhas Piñeiro (UFF); Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UPF)

Data DefEsa: 16/11/2004.

Resumo: O presente trabalho aborda, a partir dos principais trabalhos da historiografia especializada, o fenômeno quilombola, desde a implantação do trabalho escravizado no Brasil, nos anos 1530, até a Abolição, em 1888. Apresenta o quilombo, nos seus mais de trezentos anos de existência, como forma singular de resistência do trabalhador escravizado à apreensão violenta e exploração de sua força de trabalho. Define sinteticamente o quilombo, no que se refere a sua tipologia e determinações essenciais. Finalmente, aborda o movimento de ressemantização empreendido, sobretudo por antropólogos da categoria “quilombo”, nos anos seguintes à determinação da disposição transitória da Constituição de 1988 que determinou o reconhecimento das terras dos remanescentes de quilombo. Assinala a negação do fenômeno quilombo e do passado histórico escravista em curso, devido a esse processo.

 

52 - Título: Tamancos de Madeira: imigração neerlandesa em Não-Me-Toque/RS (1949-2003)

Autor: Rudinéia Rejane Scherer

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. José Rivair Macedo (UFRGS); Profª. Dr. Florence Carboni  (UPF)

Data Defesa: 15/12/2004.

Resumo: A presente pesquisa aborda a história da ocupação e da colonização neerlandesa no município de Não-Me-Toque. Inicialmente, aborda sinteticamente a história da ocupação e da colonização do estado do Rio Grande do Sul, anterior à colonização do município. A seguir, refere-se à ocupação da região do Planalto rio-grandense e de Não-Me-Toque por grupos nativos, por caboclos coletores de erva-mate e por estancieiros. Com a formação da Colônia Alto Jacuhy, com sede na vila de Não-Me-Toque, a região passou a ser ocupada e colonizada por migrantes alemães e italianos provenientes das Colônias Velhas. Finalmente, aborda-se a imigração neerlandesa ocorrida em Não-Me-Toque a partir de 1949. Do ponto de vista do contingente imigratório para o Brasil, o grupo neerlandês representou uma minoria, comparado com os outros grupos migrados. Essa corrente imigratória processou-se em dois períodos: um de iniciativa individual, entre 1889 e 1940, e outro de caráter grupal, após a Segunda Guerra Mundial, de 1945 até a década de 1970. A formação da colônia de Não-Me-Toque inseriu-se no segundo grupo. Há de se ressaltar o papel fundamental nesse processo exercido pela Igreja Católica, por meio dos padres franciscanos, em sua maioria, neerlandeses. Esse fato foi determinante para a vinda dos imigrantes neerlandeses. Buscam-se os fatores que contribuíram para transformar a comunidade não-me-toquense. Demonstra-se o desenvolvimento do núcleo neerlandês consciente na participação na vida sociocultural política e econômica brasileira e regional.

 

53 - Título: Ferrovias e colonização: a estação colônia Barro Norte do RS – 1910-1954

Autor: Gladis Helena Wolff

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Diorge Alceno Konrad (UFSM); Prof. Dr. Adelar Heinsfeld   (UPF)

Data Defesa: 11/01/2005.

Resumo: O trabalho aborda processos socioistóricos que propiciaram a introdução da ferrovia no norte do estado do Rio Grande do Sul e a ocupação do espaço do atual município de Gaurama, como elementos da inserção capitalista no período de 1910 a 1954. A ferrovia São Paulo­−Rio Grande, em seu trajeto de Passo Fundo a Marcelino Ramos, foi concluída em 1910 em razão de contingências geopolíticas. A ação colonizatória  no Rio Grande do Sul  voltava-se para as Colônias Novas no início do século XX e a grande questão que se apresentava era o processo colonizatório, que se concretizou a partir da chegada da ferrovia. A ação pública através da Comissão de Terras e a instalação de duas companhias privadas de colonização, que se estabeleceram junto à rede ferroviária  a Jewish Colonization Association (Quatro Irmãos) e a Gesellchaft Luce Rosa e Cia. Ltda. (Colônia Barro)  indicaram a consolidação do sentido de exploração do espaço. O estudo, buscou elencar fatores, motivações e influências que criaram as condições de inter-relação entre a ferrovia e a colonização, tendo como enfoque a formação e construção da estação colônia Barro, no atual município de Gaurama. Além de estudos bibliográficos, analisa fontes e documentação primária, que, juntamente com a história oral, deram o suporte primordial para a realização do presente estudo. A pesquisa conclui que a ação da colonização privada e pública e a ferrovia, como fator propiciador de práticas, ritos e modelos da modernidade, constituíram elementos fundamentais na arquitetura social e política, marcada ainda pela multietnicidade.

 

54 - Título: A Questão Ambiental: uma abordagem histórico-jurídica (Norte do Rio Grande do Sul)

Autor: Cláudia de Paiva Fragomeni

Orientador: Prof. Dr. Astor Antônio Diehl

Banca: Prof. Dr. Germano Schwartz (UPF), Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi (UPF)

Data Defesa: 07/03/2005

Resumo: O tema desta dissertação traz uma abordagem sobre o meio ambiente, especialmente na região Norte do estado do Rio Grande do Sul, em termos históricos, considerando a importância da relação sócio-histórica com outras áreas das humanidades como a pedagogia, antropologia, geologia, biologia, química, física, paleontologia, direito, economia. Essas ciências, que caminham juntas na consciência ambiental e residem na história dos homens, procuram oferecer respostas à sociedade e à comunidade científica por meio de institutos jurídicos que surgiram para acompanhar e tutelar as situações e circunstâncias atinentes ao desenvolvimento social. A pesquisa foi instrumentalizada pelo conceito qualitativo; o método de estudo caracterizou-se como dialético e as informações foram expostas na ordem cronológica decrescente. A estrutura capitular está organizada em três etapas correspondentes aos capítulos: I, no qual aborda alguns aspectos relacionais da questão ambiental na história e no direito; II, onde a temática adentra pela busca de conhecimentos sobre a consciência preservacionista e sua evolução pela cultura da necessidade; III, momento que apresenta os resultados da coleta de dados qualitativos junto a instituições que objetivam o resguardo da natureza. O estudo conclui que ONGs e INGs da região Norte do estado trabalham no sentido de conscientizar a humanidade sobre o significado da ação predatória do homem sobre a natureza pela equivocada relação do progresso com ações destrutivas das matas, disseminação dos agentes poluidores, alteração do curso dos rios, alterações climáticas, e mau uso dos recursos naturais.

 

55 - Título: ‘Vulcão da Serra’: violência política em Soledade (RS)

Autor: Caroline Webber Guerreiro

Orientador: Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi

Banca: Profª. Dr. Loiva Otero Félix (UFRGS), Profª. Dr. Janaína Rigo Santin (UPF)

Data Defesa: 22/03/2005

Resumo: A temática desta dissertação são acontecimentos que ficaram conhecidos como “o caso de Soledade”, ocorridos entre 1934 e 1936, por motivos políticos, e que marcaram pela violência empregada. Através da interpretação desses fatos, busca inseri-los na história política regional, principalmente os aspectos que manifestam a violência das fraudes e disputas políticas no estado no período de “decadência” do coronelismo. Sendo Soledade um município do norte do estado do Rio Grande do Sul, o estudo contribui para o resgate da memória histórica regional, em especial, no âmbito de estudos sobre poder local na região do Planalto Médio gaúcho. Trata dos mandos e desmandos de políticos locais na cidade de Soledade, em especial na década de 1930, com a finalidade principal de intimidar os representantes do Partido Libertador local. O mesmo período foi também marcado por conflitos entre o Judiciário e o Executivo. Destacam-se como casos de violência política o assassinato de Kurt Spalding e a atuação dos bombachudos.

Palavras-chave: história política - história regional - violência política- história judiciária.

 

56 - Título: Povoamento, Trabalho e Luta: a questão da terra no Sudoeste do Paraná. 1943-1962

Autor: Nilza Maria Hoinatz Schmitz

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (Unijuí), Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 01/04/2005

Resumo: O território do Paraná, mantido à margem da colonização portuguesa e espanhola foi, mais tarde, disputado por Brasil e Argentina e, em seguida, por Paraná e Santa Catarina, CEFSPRS (Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul) e o Governo do Paraná, este e o Governo Federal, as companhias de terra que se instalam na região e os posseiros. A migração de colonos para o Sudoeste do Paraná, vindos, sobretudo do norte e noroeste do Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina, faz parte do processo de expansão do capitalismo no campo, propagando-se as pequenas propriedades rurais, ao mesmo tempo que o interesse do Governo Federal era povoar a terra para aumentar a produção agrícola e garantir seus domínio. Para isso, criando através do Programa Marcha para Oeste, várias colônias agrícolas, como a CANG (Colônia Agrícola Nacional de Goiás) em 1941, a CAND (Colônia Agrícola Nacional de Dourados) e a CANGO (Colônia Agrícola Nacional General Osório) ambas em 1943, com o intuito de povoar as regiões consideradas “vazias”, priorizando-se o povoamento branco em detrimento do indígena e caboclo. Este trabalho teve como preocupação compreender a definição do território paranaense, as leis criadas para regulamentar a posse da terra, a criação da CANGO dentro do contexto do Estado Novo, a concessão de terras devolutas como pagamento pela construção de estradas e ramais ferroviários, a chegada das companhias de terra, que passaram a cobrar dos posseiros a terra que estes ocupavam. Diante da recusa, iniciou-se um violento período de represálias, que resultará no levante de posseiros de 1957, o qual tem marcas profundas na formação da identidade regional. Do ponto de vista estatal, a colonização oficial do Sudoeste paranaense iniciou-se em 1943, com a criação da CANGO e a chegada dos novos protagonistas sociais. A nosso ver, há alguns momentos importante que procuramos abordar na pesquisa: a criação da CANGO e sua atuação; a ação da CITLA, Apucarana e Comercial que, agindo como grileiras na região, no período de 1950/57, tumultuaram o processo de colonização, conduzindo ao Levante dos Posseiros em 1957; e a criação e funcionamento do GETSOP (Grupo Executivo para as Terras do Sudoeste do Paraná), que no período de 1962/73, transformou mais de 50.000 posseiros em proprietários.

Palavras-chave: Povoamento, Legislação Fundiária, Sudoeste do Paraná, Companhias colonizadoras, Levante dos Posseiros.

 

57 – Título: O impacto da construção da usina Governador Ney Braga na região do médio Iguaçu.

Autor: Renê Wagner Ramos

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Wolf Dietrich Gustav Johannes Sahr (UFPR), Prof. Dr. Fernando Camargo (UPF)

Data Defesa: 07/04/2005

Resumo: A dissertação descreve o processo de ocupação da região do em torno da UHE Governador Ney Braga, localizada no médio vale do Rio Iguaçu, entre os campos de Guarapuava e de Palmas, no município de Reserva do Iguaçu – PR. Desse movimento de ocupação, analisa os motivos do aproveitamento hidráulicos do rio Iguaçu com a construção de cinco grandes Usinas hidrelétricas e em especial, daquela do antigo Salto Segredo. Para tanto, realiza uma síntese da produção de energia hidrelétrica no Brasil e no estado do Paraná a partir de 1930. Investiga os motivos da criação da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a participação do estado no chamado “esforço de industrialização”, que se concretizou com a construção de várias Usinas hidrelétricas e a interligação dos sistemas. Reconstitui processo da chegada da Usina hidrelétrica Governador Ney Braga (antiga Segredo) à região e as negociações da empresa com os atingidos, a força do discurso do progresso, o isolamento político dos atingidos e a falta de representação política dos agricultores ribeirinhos. Por fim, faz uma análise do processo de implantação dos reassentamentos coletivos, da saída compulsória, dos desafios do novo espaço à luz da memória dos atingidos, dos resultados dos reassentamentos e da tentativa de implantação de agroindústrias, e uma comparação com o processo de negociação e reassentamento dos atingidos da Usina hidrelétrica de Caxias, no mesmo rio Iguaçu, com a mesma empresa envolvida.

Palavras-chave: UHE Gov. Ney Braga, ribeirinhos, reassentamento, ocupação, impacto.

 

58 – Título: Neu-Württemberg: um modelo de colonização alemã no século XX (RS)

Autor: Eliane Terezinha Bóllico dos Santos Limberger

Orientador: Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi

Banca: Profª. Dr. Márcia Helena Saldanha Barbosa (UPF), Prof. Dr. Astor Antônio Diehl (UPF)

Data Defesa: 12/04/2005

Resumo: O tema desta dissertação está centrado em aspectos da história da colônia Neu-Württemberg, atual município de Panambi, situado na região norte do Rio Grande do Sul. Os aspectos a serem analisados estão relacionados às especificidades que tornaram esta localidade uma experiência histórica similar em relação à história de regiões de colonização alemã. Neste sentido, é marcante na cidade o processo de construção de uma determinada identidade cultural, onde se pode observar nitidamente que as idéias de progresso e trabalho integram não só o cotidiano da maior parte da população, mas também está consolidada no imaginário e na memória local. A temática nos remete a análise da dimensão religiosa e cultural como elemento de integração da sociedade daquela região com um determinado mundo cultural. Dessa forma, a análise da vida social da localidade pelo viés de religiosidade, tem o objetivo de destacar as relações étnicas, político-econômicas, religiosa e escolar que, estiveram ligadas ao projeto colonizador iniciado nas primeiras décadas do século XX. Entre as diversas instituições religiosas ali instaladas, a evangélica tem sido predominante desde o período inicial da colonização alemã.

Palavras-chave: História regional, Panambi; colonização; religiosidade.

 

59 – Título: Perigo Iminente: a Segunda Guerra Mundial na Leitura da Imprensa Passo-fundense

Autor: Benhur de Mattos Jungbeck

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Dr. Sandra Maria Lubisco Brancato (PUCRS), Prof. Dr. Fernando Camargo (UPF)

Data Defesa: 15/04/2005

Resumo: Tendo como pano de fundo o momento nacional na década de 1940, este trabalho tem o intuito de observar a movimentação da sociedade regional em relação à Segunda Guerra Mundial tendo a imprensa escrita como mediadora. Com base em notícias, notas, reportagens e artigos assinados e levando em conta que a imprensa pode ser motivadora de opiniões e comportamentos, analisa as informações veiculadas pelos jornais de Passo Fundo O Nacional e Diário da Manhã e observa as ações e reações da sociedade. Analisando, entre os anos 1941 e 1945, as notícias veiculadas pelos periódicos, o estudo busca descrever as ações daqueles que viveram os anos da Segunda Guerra Mundial em seu entusiasmo, sua euforia ou sua indignação em face da situação internacional a partir da ótica regional. A pesquisa trata do esforço de guerra e da exaltação nacionalista que visavam convocar a população para a participação visto que a segurança e a unidade nacional eram as maiores motivações; ainda dos conflitos causados pelos choques entre nacionalistas e os considerados quinta-colunistas, simpatizantes dos objetivos do Eixo totalitário, próprios de uma sociedade que tinha seus ânimos acirrados em torno da questão da guerra. Consiste, enfim, numa observação atenta da movimentação regional causada pela Segunda Guerra Mundial e projetada nas páginas dos jornais passo-fundenses.

Palavras-chave: Segunda Guerra Mundial, imprensa.

 

60/64 – Título: Eny Calçados: uma empresa familiar em Santa Maria (RS)

 

Autor: Diego Isaia Pignataro

Orientador: Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi

Banca: Profª. Dr. Márcia Helena Sandanha Barbosa (UPF), Prof. Dr. Astor Antônio Diehl (UPF)

Data Defesa: 20/04/2005

Resumo: Este trabalho tem por objetivo principal analisar a evolução histórica de uma empresa de tipo familiar, a Eny Calçados, situada na cidade de Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul. Sua origem remonta ao ano de 1924, tendo se mantido em funcionamento até nossos dias. A empresa familiar passou por todas as fases que, de forma geral, acompanham este tipo de empreendimento até se tornar referência regional no comércio de calçados. O trabalho focalizou três aspectos relacionados à trajetória da empresa. Em primeiro lugar, retratou-se a trajetória da família Isaia, desde a sua transferência da Itália para o Brasil, em fins do século XIX, passando pela estada em Porto Alegre até sua fixação definitiva em Santa Maria. Nesta parte do trabalho, procurou-se estabelecer a trajetória de vida da família, especialmente a de Salvador Isaia, peça chave na constituição da empresa familiar em questão. A seguir, procurou-se estabelecer uma relação entre o dinamismo urbano-comercial de Santa Maria e a fundação da loja de calçados que mais tarde deu origem a Eny Calçados. Por fim, abordou-se o processo de consolidação e expansão da empresa, a sua modernização, suas opções de gerenciamento e o papel de Salvador Isaia nas várias fases da história da empresa.

Palavras Chave: Família Isaia, Salvador Isaia, Trajetória Empresarial, História de Santa Maria.

 

61 – Título: Sofrimento Psíquico dos expurgados da Brigada Militar no período da repressão: 1964-1984

Autor: Sócrates Mezzomo Ragnini

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckzieghel (UPF), Prof. Dr. Fernando Camargo (UPF)

Data Defesa: 02/05/2005

Resumo: O presente estudo abordou a hipótese de que os sujeitos expurgados da Brigada Militar, no período da repressão, foram acometidos de intenso sofrimento psíquico, com repercussões acentuadas que perpetuam até o presente momento. A metodologia utilizada na revisão da literatura foi pesquisa bibliográfica e documental, onde, numa retrospectiva histórica, buscou-se entender o processo de formação das organizações militares e do sujeito policial militar, os fatos históricos que antecederam e sucederam o golpe de 64: a instauração do regime militar. Com a utilização da história oral foi possível complementar as carências documentais, produzindo uma nova fonte de documentação e formular pressupostos e hipóteses sobre o tema em questão. As entrevistas realizadas com os sujeitos expurgados foram categorizadas em perdas, manifestações de sofrimento e anistia. Os resultados da pesquisa evidenciaram que por quase quatro décadas as memórias dos expurgados da BM foram reprimidas, silenciadas e sentenciadas a permanecerem nos subterrâneos da história. Enquanto alguns ousaram relatar os acontecimentos (fatos) outros preferiram auto-silenciar-se, como forma de sobrevivência e amenizar o sofrimento que o lembrar acarreta.

Palavras-chave: Regime militar, Brigada Militar, anistia, expurgados, sofrimento psíquico.

 

62 – Título: Rosas na Coroa, Pranto na Vida: a história silenciosa da Camponesa Oestina ítalo-catarinense

Autor: Jussara Maria Della Flora

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Virgínia Fontes (UFF), Profª. Dr. Florence Carboni (UPF)

Data Defesa: 06/05/2005

Resumo: O presente trabalho apresenta abordagem geral da trajetória de vida de mulheres colonizadoras da região Oeste de Santa Catarina entre os anos de 1940 a 1985. Registra as experiências sociais vividas por mulheres pioneiras em regiões pouco habitadas ou em ocupação. Propõe enfocar as mulheres coloniais através de suas práticas sociais e produtivas, tendo como base, narrativas de suas vidas. Objetiva entender como funcionavam os mecanismos de dominação simbólica, estrutural, econômica e sexual nessa sociedade e região, entendendo que as mulheres eram preparadas, desde o nascimento, para serem trabalhadeiras, parideiras e companheiras. Propõe perceber a múltipla vivência das mulheres em seu cotidiano e registrar como a condição feminina se produz e se revela em cada momento no mundo colonial Oestino. Registra o processo de submissão e exploração sofrido pelas mulheres coloniais, em todas as fases de sua vida, em todas as partes do corpo: os braços para o trabalho, a cabeça para administrar todos os serviços da casa, dos filhos, da propriedade, ventres para parir, etc. Concentrou-se a atenção na figura feminina, seja a partir de perspectiva isolada, pensando e refletindo sobre suas experiências, seja no seu círculo familiar e contexto social.  As protagonistas desse processo permaneceram silenciadas por muito tempo. O presente trabalho teve que superar os limites impostos pelo silêncio de documentos quase inexistentes, já que essa história jamais foi registrada. Na presente pesquisa, a condição feminina se expôs em todas as partes da pesquisa.

Palavras chave: Migração; colonização; mulheres; sexualidade; Oeste-Catarinense.

 

63 – Título: O Rosto da Lei. Quotidiano e relações interpessoais segundo a documentação judiciária. Caxias do Sul. 1930-1945.

Autor: Cristiane Cauduro Langaro

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Pedro Paulo Funari (Unicamp), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 09/06/2005

Resumo: Após a circular de 28 de abril de 1876, a Itália liberou a emigração, sendo que desde 1875, o Rio Grande do Sul já recebia levas de imigrantes italianos que partiam da península devido às péssimas condições de vida que conheciam e à grande vontade de se tornarem proprietários de terra. Chegados no Rio Grande do Sul e, em especial, em Caxias do Sul, os imigrantes derrubavam a mata virgem, iniciavam as roças, construíam as moradias, dedicavam-se à agricultura policultora. Muitos imigrantes estabelecerem-se na sede da colônia, trabalhando como carpinteiros, comerciantes, ferreiros, professores, sapateiros, etc. Muito logo, a região tornou-se importante pólo comercial, manufatureiro e industrial. Envolvido nas relações e tensões sociais e domésticas quotidianas, o imigrante italiano e seu descendente, agricultor, operário, comerciante, casado ou solteiro, vivendo na zona rural, urbana ou suburbana, era autor e vítima de delitos, que comumente desembocavam na justiça, com a condenação ou absolvição dos acusados. Os processos judiciais ensejados pelos delitos constituem excelente fonte documental, sobre os fatos em questão e sobre a vida da região. Dos dez processos estudados, referentes aos anos de 1930-1945, verificamos que dois crimes tratam-se de violência doméstica, três de violência sexual, um de calúnia e injúria, e os demais são crimes que os autores utilizam da sedução, engano ou fraude para a consecução do defloramento na vítima.  A análise individual e conjunta dos sucessos apresentados nos processos permite algumas grandes reflexões. A primeira sobre o sistema de Justiça e de poder na região, bem como a documentação sugere igualmente que, nos anos em questão, no município de Caxias do Sul, a violência inter-pessoal era componente indissociável desta sociedade, de conformação complexa e já dividida por diferenças sociais, como não poderia deixar de ser. Sobretudo, por de trás da transgressão ou pretensa transgressão da lei, podemos sobretudo vislumbrar eventuais transgressões mais ou menos sistemática da moral formal dominante do período, sobretudo no plano sexual. Naquele então, segundo a moral dominante, para os jovens namorados, dar-se as mãos ou beijar-se era já pecado, o que dizer de uma moça solteira ou noiva ceder favores sexuais.  Porém, no presente estudo, quatro moças se entregam antes do casamento aos seus namorados, noivos e sedutores e oito entre os dez processos têm como foco da trama o sexo. São um avô e tios que abusam da neta, o pedófilo atrai duas meninas, a moça que se entrega a rapazes, a empregada seduzida pelo seu patrão, a costureira abusada pelo astrólogo, a sedutora senhora casada acusada de conceder suas graças. Os processos analisados, algumas vezes pela gravidade dos fatos arrolados, outras, pelas quase banalidades das denúncias, sugerem contradição sistemática entre a moral oficial, cheia de interdições, na qual, ao menos em teoria, a mulher e a criança são respeitadas e as jovens terminam sempre no altar, de véu e grinalda, e uma moral e práticas, mais ou menos habituais, encenadas sistematicamente atrás do palco do palco oficial, onde se expressavam, sobretudo assimétricas relações de poder e domínio.

Palavras-chave: História do Rio Grande do Sul, Caxias do Sul, Imigração Italiana, Processo judicial, Relações interpessoais.

 

65 – Título: O Estado português e a população indígena em Minas Gerais na metade do século XVIII – 1709-1736

Autor: Maria Bernadet Moreira

Orientador: Prof. Dr. Fernando Camargo

Banca: Profª. Dr. Maria Cristina dos Santos (PUCRS), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 05/09/2005

Resumo: O estudo trata da questão atinente ao  indígena na capitania de Minas Gerais na primeira metade do século XVIII (1709-1736) e objetiva estudar a ação, ou seja, as estratégias do Estado português para manter o controle político-social na nascente capitania e compreender a relação entre Metrópole, órgãos administrativos coloniais, colonizadores e indígenas na formação e singularidade da história colonial mineira, bem como rever o lugar  que ocuparam as sociedades indígenas no processo de formação das Minas coloniais, num momento caracterizado pela cobiça, pela violência e ocupação das terras mineiras em vista da exploração aurífera. O rápido processo de ocupação territorial, a implantação dos núcleos urbanos e a institucionalização do aparelho administrativo estatal contrastaram de forma violenta com a estrutura e organização dos sistemas sociais dos indígenas, caracterizados pela multiplicidade de povos e diversidade cultural. Esse processo que engendrou crise de identidade em decorrência da situação de contato, associada à violação das fronteiras étnicas, culminou com a de população das sociedades indígenas em decorrência do etnocídio que se sucedeu ao contato. A historiografia oficial consagrou uma literatura “mítica e heróica” acerca da elaboração e construção do processo histórico das Minas coloniais, no qual o indígena era isento de participação e/ou situado à margem da sociedade. A reinterpretação do processo, tendo em vista o indígena e as relações interétnicas estabelecidas, em face do conflito que ocorreram com o contato, releva a alteridade e desencontro de culturas e tempos históricos que marcaram a relação histórica, que redimensionou a vida das sociedades indígenas sobreviventes ao pós-contato. A releitura do contexto permite rever e situar o papel do indígena, incluindo-o como agente e protagonista no cenário histórico das Minas coloniais.

Palavras- chave: população indígena, colonização, relações interétnicas, Minas Gerais.

 

66 – Título: Revisitando o PCB – uma visão a partir do norte do Rio Grande do Sul (1922/1948)

Autor: Emerson Lopes Brotto

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Antônio Ozaí da Silva (UEM), Prof. Dr. Mário Maestri (UPF)

Data Defesa: 08/09/2005

Resumo: Este trabalho visa resgatar um pouco da história do Partido Comunista do Brasil (PCB), tendo como foco o norte do Rio Grande do Sul. Mas a ele não se restringe na medida em que também intenta fazer uma relação, de ida e volta, com os aspectos mais gerais que influenciaram a organização dos comunistas nos idos de 1922-1948. Assim sendo, procuramos traçar a análise das concepções doutrinárias e da formação ideológica dos comunistas, tendo como parâmetro o quadro conjuntural que se desenrolava em nível internacional, com a Revolução Russa e sua evolução, bem como os reflexos dele em nível nacional, sob a influência das concepções stalinistas e da bolchevização dos partidos comunistas, e em nível local, especialmente no que tange ao período da redemocratização. A pesquisa direciona-se no sentido de analisar a formação do PCB no norte gaúcho, em meio aos desdobramentos políticos ocorridos em todos os níveis, buscando localizar esse movimento através das informações veiculadas pelos jornais de Passo Fundo O Nacional e Diário da Manhã, traçando um perfil dos comunistas de Passo Fundo e arreadores.

Palavras-chave: Comunistas, stalinismo, imprensa.

 

67 – Título: Representações sobre a mulher nas composições musicais da primeira década do festival Coxilha Nativista

Autor: Maria Elisabeth Vescia de Azambuja

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Profª. Dr. Maritza Maffei da Silva (Unicruz), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 15/09/2005

Resumo: O tema centralizador desta dissertação concentrou-se nas representações femininas presentes nas composições da primeira década Coxilha Nativista em Cruz Alta, RS. Este festival surgiu, não somente para difundir a música gauchesca, mas para divulgar os valores do homem do campo, através de temáticas rurais em repúdio a usos e costumes alienígenas da época. Embora batizado pelo Nativismo, o festival tornou-se um veículo de mensagens ideológicas do Tradicionalismo que deu suporte a sua criação através da prioridade à linha de composição campeira nas músicas que retratam temáticas de culto ao passado e à identidade cultural do homem ligado ao pastoreio e ao latifúndio. A pesquisa teve como objetivo principal identificar, através da análise das composições, as representações feitas sobre a identidade feminina nas músicas que integram o repertório da primeira década da Coxilha Nativista, entre os anos de 1981 e 1990. Na introdução, abordou-se o surgimento e os propósitos do festival para, posteriormente, contextualizá-lo dentro dos acontecimentos histórico-político-social-econômicos globais. O desenvolvimento temático realizou-se em etapas através de referenciais bibliográficos, principalmente com contribuições de Golin, Oliven, Araújo e Lopes e Silva, documentação relativa ao festival e sobre o conjunto de composições selecionadas e análise das mesmas. Na fase exploratória, entre as trezentas e vinte e duas composições, oitenta e quatro foram elencadas por apresentarem referências à mulher. A seguir, realizou-se a análise interpretativa inter-relacionada ao referencial bibliográfico desenvolvido. A figura da mulher apresentada nas músicas, geralmente, de autoria de compositores masculinos, é caricaturizada como um ser inferiorizado e ambientado no contexto da sociedade rural sul-rio-grandense, onde ela se apresenta submissa como reflexo da mentalidade machista dominante. Apenas duas das composições analisadas apresentam autoria exclusivamente feminina e outras quatro tem autoria compartilhada entre homens e mulheres. Porém, nestas composições, as mulheres não exteriorizam a intensidade de seus mundos, por estarem condicionadas às expectativas masculinas quanto a sua atuação social e cultural. Lançou-se este estudo, com a expectativa de contribuir para novas pesquisas sobre a multiplicidade cultural e social da música nativa sul-rio-grandense e, também, incentivar a presença da mulher contemporânea no universo do festival Coxilha Nativista de Cruz Alta, que constitui um evento com repercussão que extrapola as fronteiras regionais e do país.

PALAVRAS-CHAVE: representação e identidade feminina; regionalismo, tradicionalismo.

 

68 – Título: Povo desenvolvido é povo limpo: sujismundo e a comunicação no governo Médici (1969-1974)

Autor: Valmíria Antonia Balbinot

Orientador: Profª. Dr. Eliane Lucia Colussi

Banca: Prof. Dr. Luiz Eugênio Véscio (UFSM), Prof. Dr. Astor Antônio Diehl (UPF)

Data Defesa: 13/10/2005

Resumo: O tema desta dissertação está centrado numa das campanhas de comunicação realizadas pela Assessoria Especial de Relações Públicas (Aerp) durante o Governo Médici (1969-1974). A campanha “Povo desenvolvido é povo limpo” foi protagonizada pelo personagem de desenho animado Sujismundo, que conquistou a simpatia de amplos segmentos da sociedade brasileira. Nessa perspectiva, uma das ações governamentais prioritárias nos anos setenta foi a saúde pública e a ampliação das campanhas de educação sanitária. A questão do desenvolvimento do Brasil estaria diretamente relacionada com a solução de problemas nesse campo. A Aerp pleiteou, por meio da “comunicação integrada”, convencer e conquistar a opinião pública para o projeto de desenvolvimento sob a égide dos militares. Dessa forma, foi analisada a comunicação social no Brasil e o papel da Aerp, especialmente sob a direção de Otávio Costa. Outro aspecto abordado foi a trajetória da educação sanitária nas décadas de 1950 a 1970, com ênfase na campanha e na polêmica surgida pela projeção de Sujismundo. A campanha “Povo desenvolvido é povo limpo”, tema central do trabalho, foi objeto de estudo a partir das imagens, discursos e mensagens, onde, através de elementos da semiótica, buscou-se uma aproximação interdisciplinar entre os campos da comunicação e da história.

Palavras-chave: Comunicação institucional, comunicação do regime militar, Aerp, políticas de comunicação, educação sanitária, Sujismundo.

 

69 – Título: Água, bem da humanidade: o caso da Fonte Ijuí (1926-1946)

Autor: Rosângela da Fonseca

Orientador: Prof. Dr. Fernando Camargo

Banca: Profª. Dr. Margaret Marchiori Bakos (PUCRS), Profª Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 19/09/2005

Resumo: A forma inadequada de utilização dos recursos hídricos traz à tona um assunto amplamente discutido por diversos setores da sociedade mundial, sejam eles órgãos governamentais ou não, a escassez da água. A água tornou-se elemento fundamental de sustentação da sociedade, que por conseqüência passou a assumir compromissos e responsabilidades no que se refere à gestão da água. A água mineral passa a ter neste cenário uma importância econômica ainda maior pelo fato de que a poluição ambiental acaba por comprometer a qualidade da água. Muitas vezes, a descoberta de fontes de água mineral se associa à questão da saúde, em que as águas passam a ter função medicinal. A Fonte de Água Mineral Ijuí despertou interesse não somente pelo valor econômico, como também pelo valor medicinal, no momento em que se apresenta como a cura para diversos males.  A ocorrência de excelentes recursos hídricos justifica a exploração da água mineral no município de Ijuí ,no plano econômico e social, em âmbito regional e local e porque não dizer nacional.

Palavras-chave: Ijuí, Fonte de Água Mineral Ijuí, Água mineral.

 

70 – Título: Denuncismo e censura nos meios de comunicação de Passo Fundo – 1964/1978.

Autor: José Ernani de Almeida

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Prof. Dr. Helder Gordim da Silveira (PUCRS), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 19/09/2005

Resumo: A presente dissertação, utilizando como fontes os principais órgãos da imprensa da cidade de Passo Fundo, RS, os jornais O Nacional e Diário da Manhã, estuda a vigilância, a repressão e a censura nos meios de comunicação social da cidade, rádios e jornais, bem como às pessoas que exerciam funções nos mesmos, isto é, radialistas e jornalistas. A pesquisa contextualiza a política passo-fundense no período de 1964 até 1978 – do golpe militar até o início da “distenção lenta e gradual” proposta pelo presidente Ernesto Geisel. Mostra, igualmente, como os jornalistas agiam naquela conjuntura e enfretavam o patrulhamento dos agentes do denuncismo, adotando os recursos da metáfora e da ironia em seus artigos e crônicas. Embora os jornais tivessem se alinhado ao regime militar, muitos jornalistas mantiveram uma corajosa linha independente e crítica ao governo. Em razão dessa postura foram ameaçados, perderam seus empregos e, em alguns casos, acabaram presos. Alguns ousaram denunciar a falta de liberdade, ao passo que outros preferiram alinhar-se ao regime. As desavenças políticas, as inimizades entre grupos que disputavam o poder político municipal e o controle de instituições como a Universidade de Passo Fundo levaram a que, de ambos os lados se adotasse a denúncia como prática política para prejudicar o adversário. Com a utilização da história oral foi possível complementar as carências documentais e demonstrar a existência da “cultura do denuncismo” na sociedade passo-fundense.

Palavras-chave: Regime militar, censura, denúncia, repressão, autoritarismo, relações de poder.

 

 71 – Título: O PC do B e o Araguaia: a dissidência interna de 1979-1984

Autor: Fabiana Pires de Oliveira

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Helder Gordim da Silveira (PUCRS), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 13/01/2006

Resumo: Este trabalho visa ao estudo dos fatos e debates internos que levaram à formação de um grupo dissidente nos quadros do Partido Comunista do Brasil (PC do B), a partir do ano de 1979, levando à criação do Partido Revolucionário Comunista (PRC) em meados de 1984. O ponto nevrálgico desta dissidência encontra-se nas diferentes avaliações elaboradas pelos próprios militantes acerca do planejamento e execução da Guerrilha do Araguaia, tentativa de desencadeamento do processo revolucionário a partir do campo, ocorrido na região do baixo Araguaia (Tocantins) entre 1972 e 1975. Pautados na necessidade da realização de um Congresso de âmbito nacional, que há muito não se efetivava, os militantes fracionários iniciaram um processo de luta interna que mobilizou diversos Comitês Regionais, bem como outros quadros partidários, contra a direção entrincheirada no Comitê Central do PC do B. Mais importante do que a divergência sobre os erros ou acertos da experiência de luta armada no Araguaia, seriam as indicações que as mesmas traziam consigo acerca da orientação política que o partido deveria seguir no futuro. Os combates, no campo teórico, evoluem, gradativamente, da simples denúncia da ausência de debates abertos e democráticos ao mais evidente racha, consubstanciado nas expulsões, demissões e inflamadas convocações para a reorganização partidária. A partir da análise da documentação interna do PC do B no período exposto, o que se concretiza é uma visão dos embates políticos ocasionados pelo fim do período ditatorial e pela expectativa quanto às vias abertas frente à democratização possível iniciada na década de 1980.

Palavras-chave: Araguaia, militantes, dissidência, luta interna, reorganização partidária.

 

72 – Título: O processo de ocupação da região Oeste do Paraná: uma análise histórica da participação da indústria de madeiras Ibema (1960-1989)

Autor: Rosimar Baú

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Paulo Humberto Porto Borges (FAG), Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 24/03/2006

Resumo: Este trabalho baseia-se na perspectiva de que a totalidade histórica não pode mais ser apreendida ou ainda de que não existe uma única totalidade. Assim, o aspecto regional e da memória de homens e mulheres (anteriormente negados) adquirem grande importância. Seguindo esta perspectiva, buscou-se ir ao encontro de saberes que recuperassem a memória como norte teórico do trabalho. Somam-se a esta análise os meios pelos quais a memória, em seu exercício, desconstrói o vivido, construindo um novo olhar a respeito do passado. Dentre os elementos constituidores da memória, buscaram-se aqueles que foram construídos pelo processo histórico da sociedade no oeste paranaense. Entendemos que o historiador é um elemento portador de saberes, que reinterpretam a realidade, reconstruindo uma nova memória de saber sobre os sujeitos e os espaços ocupados em um determinado tempo. A partir deste pressuposto buscou-se compreender a colonização do oeste paranaense na inserção das práticas política após 1930, denominada de “Marcha para o Oeste”, objetivando problematizar o processo de colonização do oeste paranaense, seus agentes, suas intencionalidades e as possíveis interferências. A análise desse período direcionou-se principalmente para a ação exploratória da madeira e para o processo de modernização da agricultura, fatores que afetaram toda a região e, por conseqüência, o município de Ibema. No que se refere ao município em questão, observamos a presença de uma empresa privada, de caráter familiar, que se consolidou como indústria de transformação e, ao mesmo tempo em que deu origem ao processo de ocupação territorial deste município, rompeu com as práticas de ocupação até então estabelecidas pelas colonizadoras. Espera-se com este trabalho contribuir para o estudo da história regional, ampliando os objetos de estudo e as formas de enfoque, buscando ainda estabelecer diálogo com todos aqueles que, tendo por ofício ser historiador, contribuam no desvelar da ação humana.

Palavras-chave: colonização, povoamento, memória, madeira, poder.

 

73 – Título: A Travessia: a construção da ponte do Rio das Antas 1942-1952

Autor: Gilmar Detogni

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Profª. Dr. Loraine Slomp Giron (UCS), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 31/03/2006

Resumo: O presente trabalho contemplou a análise da construção da ponte sobre o rio das Antas, entre os municípios de Veranópolis e Bento Gonçalves e teve por objetivo desvelar um comparativo entre história e memória na investigação do impacto provocado pela construção da obra no imaginário da população de Veranópolis. Pretendeu também verificar os reflexos causados no processo de transição do sistema de balsas para a ponte, procurando perceber a visão da comunidade sobre a experiência da modernização com a construção da obra. Igualmente, buscou-se verificar a forma como as mudanças ocorridas interferiram na vida da comunidade que viu, a partir da ponte, uma nova perspectiva de progresso social, econômico, político e cultural. Buscou-se através de relatos orais, fontes jornalísticas, fontes oficiais, obras e periódicos, além de conversas informais, realizar um esforço de síntese a fim de fundamentar o presente instrumento de estudo.

Palavras-Chave: história reional; memória; ponte do rio das Antas.

 

74 – Título: Marcas da Escravidão nas fazendas Pastoris de Soledade (1867-1883)

Autor: Maria Beatriz Chinni Eifert

Orientador: Prof. Dr. Mário José Maestri

Banca: Prof. Dr. Solimar de Oliveria Lima (UFPI), Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UPF)

Data Defesa: 07/04/2006

Resumo: A presente dissertação, baseada em fontes judiciais, tem por objetivo recompor a trajetória da população cativa que viveu em terras de Soledade no período compreendido entre 1867 a 1883. População essa que viveu anonimamente no interior das fazendas pastoris da região e nem mesmo ocupou espaço nas páginas da história. Procuramos analisar a documentação criteriosamente dando a ela a importância devida e dela extraindo dados significativos a fim de estabelecer as devidas ligações e possibilitar a leitura dos fragmentos que ficaram escondidos nos arquivos locais. A construção do texto deixou evidente que a região do Alto da Serra do Botucaraí foi cenário das mais diversas experiências vividas por homens e mulheres pertencentes a mundos antagônicos apesar de estarem lado a lado no seu cotidiano – o mundo da servidão. A pesquisa nos remete a importantes conclusões que seguramente alicerçarão futuros estudos e enriquecerão a história desta região.

Palavras-chave: fontes judiciais, mundos antagônicos e servidão.

 

 75 – Título: O contestado entre Santa Catarina e o Paraná: uma questão de limite territorial nos limites da Nação

Autor: Odair Eduardo Geller

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Prof. Dr. Carlos Humberto P. Corrêa (UFSC), Prof. Dr. Haroldo L. Carvalho (UPF)

Data Defesa: 11/04/2006

Resumo: Entre 1766 e 1916 o território localizado entre os rios Iguaçu e Uruguai, de Lages a fronteira Argentina foi objeto de disputa por parte de Santa Catarina e São Paulo, depois de 1853 o Paraná. Em parte como conseqüência da imprecisão dos limites administrativos estabelecidos ainda no período colonial, durante 150 anos a ação administrativa de um e outro contendor foi paulatinamente questionada, fazendo com que o território aos poucos assumisse uma condição de “terra de ninguém”. Nesse ínterim, uma gama variada de indivíduos, na sua maioria oriundos da periferia dos núcleos de colonização ibérica, penetra na região dando origem a uma sociedade que sob a influência da armadura regional, desenvolve estrutura e ritmo próprios, para embasar uma mentalidade característica do seu habitante. Essa realidade, contrária a tarefa que o Estado brasileiro recebe no momento de sua fundação, a de forjar em meio à diversidade de origens e culturas, um núcleo básico comum capaz de criar identidade, torna o “contestado” uma fronteira cultural da nação. A resolução da Questão de Limites em 20 de Outubro de 1916 representou um ato político de extrema consciência da realidade da nação brasileira. Ao interfirir na Questão, o executivo federal viabilizou o início do processo de nacionalização da região através da definição precisa da jurisdição de cada um dos Estados. A presença dos aparelhos ideológicos de Estado sobre toda a extensão do território constitui no caso brasileiro, a condição “sine qua non” para a produção de identidade nacional.

Palavras-chave: Estado-nação, República Velha, Questão de Limites, Santa Catarina, Paraná.

 

76 – Título: Maria Elizabeth de Oliveira: a construção do imaginário, da devoção e da santidade

Autor: Márcia Fabiani

Orientador: Jaime Giollo

Banca: Profª. Dr. Loiva Otero Félix (UFRGS), Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 17/04/2006

Resumo: Essa dissertação tem por objetivo analisar a construção de um imaginário popular-religioso em torno do emblema Maria Elizabeth de Oliveira, a partir da sua morte até 2005. Para tanto, utilizar-se-á da obra de Fidélis Dalcin Barbosa  -  Maria Elizabeth de Oliveira: uma estrela no céu – como o marco fundador da memória. Além disso, os jornais passo-fundenses, Diário da Manhã e O Nacional, como veículos para a publicização da memória. Depois, o conjunto de símbolos e imagens que fazem parte do imaginário. Ainda, uma análise do corpo de devotos, bem como, seus pedidos e agradecimentos. Ou seja, tentar-se-á perceber quais são os elementos envolvidos no processo, como foram construídos, com que intuito, como se mantém e se dissipam. Enfim, busca-se entender o que está em jogo em relação à devoção em torno de Maria Elizabeth de Oliveira – a santinha passo-fundense.

Palavras-chave: imaginário, religiosidade popular, memória, devoção.

 

77 – Título: Revista O Delta: idéias e voz da Maçonaria gaúcha (1916-1927)

Autor: Guilherme Cesar Temp Schmidt

Orientador: Prof. Dr. Jaime Giolo

Banca: Prof. Dr. Luiz Eugênio Véscio (UFSM), Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 17/04/2006

Resumo: Em 1893 foi criado o Grande Oriente do Rio Grande do Sul, obediência maçônica autônoma e soberana que se consolida em solo gaúcho. Em meados da década de 1910, surge a revista mensal O Delta, usada como voz da instituição e veículo difusor das idéias promovidas pela instituição. O informativo trazia em suas páginas informações relacionadas ao racionalismo, misticismo, filosofia, ciência, história e o combate ao clero católico, devido ao conflito entre as duas instituições. O anticlericalismo, a educação laica sem vínculos com a religião, o racionalismo e o cientificismo são os tópicos principais da revista, que circulou durante onze anos. O presente estudo busca mostrar o ideário maçônico reproduzido e transmitido pela revista aos maçons do Rio Grande do Sul.

Palavras-chave: Maçonaria, Rio Grande do Sul, Imprensa, Igreja Católica.

 

78 – Título: Os processos incorporativos do Indígena Kaingang de Atalaia à socidade luso-brasileira: o papel do Catolicismo

Autor: Cristiano Augusto Durat

Orientador: Prof. Dr. Jaime Giolo

Banca: Prof. Dr. Lúcio Tadeu Mota (UEM), Prof. Dr. Telmo Marcon (UPF)

Data Defesa: 17/04/2006

Resumo: Este estudo tem como premissa reconstruir as relações estabelecidas entre os Indígenas Kaingang e os povoadores luso-brasileiros, nos primeiros anos da Ocupação dos Campos de Guarapuava, território pertencente a oeste da Capitania de São Paulo, no período de 1812-1828. Aborda os aspectos históricos escritos pela sociedade envolvente do período colonial e dos cronistas ali residentes. Demonstra, ainda, os meios utilizados pelo missionário responsável para sacramentar os indígenas Kaingang, agregando aspectos pedagógicos e simbólicos no desempenho de suas funções ministeriais. O estudo permite a compreensão das estratégias e situações vividas pelos grupos. Os elementos primários que permitiram a reconstituição desses aspectos históricos e culturais foram os registros sacramentais administrados aos indígenas, no momento em que recebiam os sacramentos de Batismo e de Matrimônio, e as anotações do Livro de Óbitos. A reconstrução desses relacionamentos proporcionou visualizar, sob outro ângulo, o processo do expansionismo português no território indígena Kaingang.

Palavras – chave: Expansionismo; Aculturação; Catolicismo; Indígenas Kaingang.

 

79 – Título: A Casa de Cinema de Porto Alegre: o cinema geracional

Autor: Francine Zanchet Grazziotin

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Prof. Dr. Luís Augusto Fischer (UFRGS), Prof. Dr. Haroldo Carvalho (UPF)

Data Defesa: 05/05/2006

Resumo: Este trabalho pretende mostrar a criação e consolidação da Casa de Cinema de Porto Alegre como centro produtor de cinema fora do eixo Rio-São Paulo. Baseado em entrevistas com integrantes das várias fases e pesquisa bibliográfica, reconstitui-se a história da Casa e discute-se os filmes de curta-metragem lançados por eles e os filmes de longa-metragem: Tolerância, Houve uma vez dois verões, O homem que copiava e Meu tio matou um cara. O início da Casa de Cinema se deu na forma de cooperativa, em um dos períodos mais conturbados da cinematografia brasileira, no final da década de 1980, com o sucateamento da Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes) e sua extinção de fato e de direito, com o então presidente da República Fernando Collor de Mello, em 12 de abril de 1990. Por volta de 1992, a Casa deixa de ser uma cooperativa para assumir a forma jurídica de uma empresa produtora de cinema, com seis sócios, como se apresenta até hoje. No que tange à produção em longa metragem, será realizada uma ligação da ficção com a realidade, evidenciando o enredo, a estética, o perfil dos personagens principais e a época histórica, em que se pretende estabelecer uma comparação entre a ficção e a realidade.

Palavras-chave: Casa de Cinema de Porto Alegre, cinema, ficção

 

80 – Título: À Sombra da Cruz: trabalho e resistência servil no noroeste do Rio Grande do Sul. Segundo os processos criminais. [1840-1888]

Autor: Leandro Jorge Daronco

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Beatriz Ana Loner (UFPel), Profª. Dr. Janaína Rigo Santin (UPF)

Data Defesa: 25/05/2006

Resumo: O presente texto coteja o sistema escravista da região Noroeste do RS, um dos principais centros escravistas regionais durante o século 19, refletindo sobre o descaso da historiografia regional sobre o tema e as diversas interpretações difundidas pelos viajantes que visitaram a região. Contempla as formas de trabalho e a resistência dos trabalhadores escravizados – agressão física, envenenamento, fuga, homicídio, infanticídio, justiçamento, resistência à prisão, furto e suicídio – através de inventários post-morten, posturas municipais, correspondências administrativas e sobretudo os processos-criminais de Cruz Alta e Palmeira das Missões, entre outras fontes, em [1840-88]. Enfatiza as possíveis interferências dos escravizadores nas decisões judiciais, sempre que tais decisõesviessem ao encontro de seus interesses. Contribui para uma história econômica, social, política e judiciária da escravidão no noroeste do Rio Grande do Sul.

Palavras-Chave: escravidão, trabalho, resistência, justiça, região Noroeste do RS.

 

 81 – Título: O Tropeirismo de Porcos: processos mercantis e dinâmicas sócio-  culturais na região Nordeste do Rio Grande do Sul nas primeiras décadas do século XX

Autor: Sueli Maria da Silva

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Ivaldo Gehlen (UFRGS), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 01/09/2006

Resumo: O presente estudo, de caráter histórico regional, analisa e descreve o tropeirismo de porcos que acontecia na região Nordeste do estado do Rio Grande do Sul, em especial ao norte do município de Lagoa Vermelha, no período de 1920 a 1940 e analisa ainda as suas correlações com o surgimento das agroindústrias do Oeste catarinense a Perdigão, a Sadia e também a Majestade no município de Sananduva /RS. Esse singular tropeirismo se tornou uma prática sazonal na região das matas, onde predominavam as florestas de araucárias e que recebeu significativo fluxo de migrantes italianos e seus descendentes vindos das Colônias Velhas do Estado. Sujeitos de diferentes culturas mesclaram-se nesse espaço e nas atividades laborais buscaram romper com o isolamento e alcançar os mercados para intercambiar sua produção. Na concretização da pesquisa foram utilizadas referências locais, (jornais, obras publicadas, fonte oral). A fonte oral foi de grande relevância, respondendo às indagações diante da omissão ou da ausência de documentos escritos. Com esse estudo foi possível reconstituir aspectos peculiares do tropeirismo de porcos, ressignificar o trabalho desempenhado pelos tropeiros, contextualizar os processos socioeconômicos e culturais da região na primeira metade do século XX, compreender as origens e a presença de complexos agroindustriais próximos à região e agregar também novos registros à história regional.

Palavras-Chave: história regional, migrantes, tropeirismo, agroindústrias.

 

82 – Título: “Todos contra o PTB”: disputas políticas no norte do Rio Grande do Sul (1961/1964).

Autor: Claudio Damião Braun

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Luciano Aronne de Abreu (PUCRS), Prof. Dr. Fernando Camargo (UPF)

Data Defesa: 04/09/2006

Resumo: Este estudo apresenta uma abordagem acerca das disputas políticas na cidade de Carazinho entre 1961-1964. A delimitação factual inicia-se com a renúncia de Jânio Quadros ao cargo de presidente da República e o veto dos ministros militares à posse do vice-presidente João Goulart, fato que desencadeou o Movimento da Legalidade liderado por Leonel Brizola, no ano de 1961. Carazinho torna-se um dos principais centros da resistência no interior do Rio Grande do Sul. Frente a este contexto, objetiva-se mostrar a luta pelo poder político local, uma vez que o Partido Trabalhista Brasileiro consistia na maior força eleitoral do município, permanecendo no poder quase duas décadas, sendo derrotado apenas nas eleições de 1963 para uma coligação que uniu todos os partidos do município contra o PTB. O Golpe Militar de 1964 desencadearia, assim, um forte processo de perseguição aos membros do Partido Trabalhista e aos Grupos de Onze.

Palavras-chaves: disputas de poder, petebismo, Movimento da Legalidade, Grupos de Onze, repressão

 

83 – Título: Décadas de Poder: O PTB e a ação política de César Santos na metrópole da Serra 1945-1967

Autor: Sandra Mara Benvegú

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Jorge Ferreira (UFF), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 28/09/2006

Resumo: Essa investigação centra-se na análise do processo de formação, consolidação e enfraquecimento do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em Passo Fundo, no período compreendido entre os anos de 1945-1967. Nesse contexto destacaram-se os conflitos ocorridos no interior do próprio PTB que opuseram a principal liderança trabalhista local, César Santos, com a chamada “ala rebelde”, representada por Daniel Dipp. A trajetória do PTB passo-fundense se toca em muitas ocasiões com o perfil do partido em escala nacional, no entanto apresenta particularidades que por si só estiveram a merecer um estudo detalhado das relações de poder que se configuraram na então denominada “Metrópole da Serra”. A tentativa de implantação do ensino superior local, através da criação da Sociedade Pró-Universidade de Passo Fundo (SPU), que no imaginário político transformaria a cidade na “Coimbra brasileira”, foi altamente conflituosa. As lideranças anti-petebistas e os desafetos pessoais de César Santos, encontraram no golpe de 1964, o anteparo necessário para a queda arrasadora do PTB local e também o afastamento de César Santos da direção da SPU. De fundamental importância para o acirramento dos conflitos entre as alas em que se dividiu o PTB foi a imprensa local, através dos jornais O Nacional e Diário da Manhã que ao explorar rivalidades pessoais e políticas existentes entre ambos, agiram como duas forças paralelas, aquelas que se enfrentavam também no espaço político-partidário.

Palavras chave: Partido Trabalhista Brasileiro, relações de poder, César Santos.

 

84 – Título: O Banquete dos Ausentes: a lei de terras e a formação do latifúndio no norte do Rio Grande do Sul (Soledade – 1850-1889)

Autor: Helen Scorsatto Ortiz

Orientador: Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (Unijuí), Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 29/09/2006

Resumo: O presente trabalho tem como principal objetivo discutir como se deu a aplicação da Lei de Terras de 1850 no primitivo município de Soledade, no norte do Rio Grande do Sul, e quais as conseqüências econômicas, sociais e políticas daí advindas para a região em estudo. Paradoxalmente, a Lei de 1850, que se propunha, formalmente, a pôr fim à apropriação gratuita das terras públicas, permitiu a formação e a legitimação através do Brasil de inúmeros latifúndios, mantendo e reforçando a estrutura agrária anteriormente instaurada no Brasil com o regime de sesmarias. Analisamos como efetivamente isso foi possível na realidade local, destacando o tipo de sociedade e agentes sociais que então se formaram e que, de forma hegemônica ou subordinada, atuaram naquele espaço. Em forma mais ou menos acabada, no contexto de suas singularidades, os sucessos ocorridos em Soledade repetiram o que ocorreu em geral no Rio Grande do Sul e no Brasil.

Palavras-chave: terra; propriedade; sesmaria; posse; Lei de Terras.

 

85 – Título: Os Trabalhadores do Rio. Balsas e balseiros do Alto Uruguai. 1930-1960

Autor: Noeli Woloszym Brum

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Florence Carboni (UFRGS), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 06/10/2006

Resumo: O Oeste catarinense foi colonizado por migrantes descendentes de italianos e alemães, que vieram das colônias gaúchas a partir de 1917. Esse fato contribuiu para o crescimento dos primeiros povoados, que apresentavam    algumas dificuldades. Entre elas, estava a de inserir a região no contexto econômico do estado e do país, ocupando áreas desabitadas, produzindo riquezas e atendendo, assim, a lógica capitalista. Com isso, surgiu umas das primeiras possibilidades econômicas da região: a exploração da madeira, que era abundante nas florestas subtropicais e com alto valor comercial. A madeira era levada até São Borja/RS e de lá para o Uruguai e a Argentina, onde eram comercializadas. Para transportar as toras utilizou-se do sistema de balsas, que consistia em amarrar cerca de cento e cinqüenta a duzentas toras de madeiras umas às outras. Em torno desta atividade, estavam muitos trabalhadores, os balseiros, que realizavam várias tarefas: derrubar a mata e arrastar as toras, com juntas de boi até o rio Uruguai e os transportar as madeiras. Esse trabalho pretende apresentar a influência da atividade balseira no desenvolvimento econômico dos municípios envolvidos, bem como a importância desta no processo de povoamento da região Oeste catarinense e norte riograndense. Buscamos informações através das fontes orais que fizeram parte desse processo, bibliografias e material de acervo disponíveis.

Palavras-chaves: madeiras , balsas , trabalho , história regional , colonização.

 

86 – Título: O Frigorífico São Luiz e suas Múltiplas Correlações Histórico-Regionais

Autor: Derli Pacífico de Oliveira

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF), Prof. Dr. José Carlos Radin (Unoesc)

Data Defesa: 24/11/2006

Resumo: A pesquisa aborda o surgimento e o desenvolvimento da indústria no Brasil, no Rio Grande do Sul e em São Luiz Gonzaga, evidenciando o processo de industrialização frigorífica, através de um resgate de fatores históricos e sociais que contribuíram para sua formação e, conseqüentemente, para o desenvolvimento econômico. O enfoque é referente ao intervalo temporal entre os anos de 1950 e 1987 (século XX), salientando que algumas vezes essa temporalidade é extrapolada para uma melhor compreensão dos fatos. Sendo assim, o estudo encontra-se organizado de forma a manter entre si um fio condutor: destacar a questão econômica, política e social dos contextos em estudo. Primeiramente, é apresentada uma análise da industrialização no Brasil, colocando em relevância a questão da indústria frigorífica. A seguir, são exploradas as condições em que se deu o surgimento da indústria no Rio Grande do Sul, sublinhando aspectos relevantes que contribuíram para a formação de frigoríficos no Estado. Mais adiante, a pesquisa enfoca o desenvolvimento da indústria em São Luiz Gonzaga, mostrando como ocorreu a instalação do Frigorífico São Luiz, no final da década de 1950, que trouxe um inusitado progresso para o município, movimentando economicamente toda a região. O recorte histórico, neste ponto, extrapola a temporalidade fixada anteriormente, pois se entende como imprescindível descrever os principais fatos que fizeram parte de uma história de pioneirismo.

Palavras-chave: desenvolvimento industrial, indústrias frigoríficas, economia.

 

87– Título: O Organização Sindical: o caso Sadia Concórdia

Autor: Ivandro José Pissolo

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Janaína Rigo Santin (UPF), Prof. Dr. José Carlos Radin (Unoesc)

Data Defesa: 24/11/2006

Resumo: A presente pesquisa ocupa-se do estudo do tema Sindicalismo, utilizando para tal o Caso da organização dos trabalhadores na indústria Sadia S. A. unidade de concórdia, Santa Catarina. Trata-se de um estudo de caso, portanto, algumas idéias deste campo temático foram abordadas a partir do recorte local, fato que se justifica pelo caráter regional dado ao tema. É objetivo do texto esclarecer algumas questões em torno do imaginário popular da região, como por exemplo: de onde vinha o medo das pessoas quando se falava em sindicalismo? Porque se atribui tanta importância a empresa Sadia S.A. na região? Também apresentamos críticas, análises e discussões em torno da organização sindical da referida agroindústria, tentando trazer a luz da pesquisa temas ainda não abordados na região, no que se refere as ingerências da empresa, de outros sindicatos e dos próprios operários na organização e na história do Sindicato da Indústria Alimentícia de Concórdia – Sintrial. O texto apresenta, embora de forma panorâmica, autores “clássicos” nacionais do tema Sindicalismo, não com o objetivo de reestudá-los, mas de tomá-los como norteadores do debate. Dedicamos-nos a uma análise em torno da empresa Sadia, seu surgimento e estabelecimento no mercado local, nacional e internacional a fim de discutir as alterações que a empresa promove no mercado de trabalho local ou, por sua vez, as mutações que são impostas a organização em questão pelo cenário produtivo e que se refletem ao local em que se insere.

Palavras-chave: Sindicalismo, Sadia, Organização, Trabalho.

 

88 –Título: Em nome da Pátria: as manifestações contra o Eixo em Santa Maria, no dia 18 de agosto de 1942.

Autor: Cátia Regina Dalmolin

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF), Prof. Dr. Plínio Guimarães Fachel (UFPel)

Data Defesa: 24/11/2006

Resumo: Agosto de 1942, navios mercantes brasileiros foram afundados no litoral do Brasil, pelo Eixo (Alemanha, Itália e Japão) provocando cerca de 600 mortes. Uma onda de revolta e indignação tomou conta do país. Em Santa Maria, o Ateneu Graça Aranha, a Ala Democrática da Mocidade, os políticos e a classe ferroviária, promoveram no largo da viação férrea, um “comício-monstro da brasilidade” que acabou tomando as principais ruas da cidade. O jornal A Razão, de 18 de agosto de 1942 noticiou que a população santamariense viveu momentos de exaltação patriótica, exteriorizando e protestando publicamente contra as agressões dos países do Eixo. Essas calorosas manifestações acabaram em saques e quebra-quebras a estabelecimentos de teuto-brasileiros e ítalobrasileiros. Em seguida os “estrangeiros” eram obrigados a publicar no jornal local, os pedidos “ao povo de Santa Maria”, onde utilizavam uma retórica patriótica para explicar que eram brasileiros e assim tentar evitar novas represálias.

Palavras-chave: Santa Maria, italianos, integralismo, comunismo, depredações.

 

89 –Título: O Jornal Folha d’ Oeste e a ordem do progresso (1966-1972)

Autor: Cleber José Bosetti

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Helder Gordim da Silveira (PUCRS), Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin (UPF)

Data Defesa: 15/01/2007

Resumo: Lançando um olhar sobre o contexto histórico da Ditadura Militar entre 1966-1972, este trabalho procura analisar como o jornal Folha d’ Oeste da cidade de Chapecó elaborou seus discursos políticos com a intencionalidade de instituir um determinado imaginário político no Oeste de Santa Catarina neste período. Pensando a empresa jornalística e os grupos políticos e econômicos que lhe davam sustentação, evidencia-se que o jornal Folha d’ Oeste representava o pensamento político da elite chapecoense, cujos discursos procuravam legitimar o governo da Ditadura Militar a partir de uma racionalização elaborada em torno das idéias de ordem e progresso. Em nome da ordem do progresso, o jornal construía no campo do imaginário estabelecimento de uma sociedade idealizada no futuro. Além disso, o jornal desenvolveu um conteúdo regionalista para pressionar as autoridades políticas estaduais e federais a acelerar o processo de desenvolvimento da região Oeste. Nesta perspectiva, o trabalho busca compreender a relação entre política, imprensa e história durante a Ditadura Militar no Oeste de Santa Catarina tendo neste jornal um elemento de legitimação e construção de um modelo de sociedade pensada a nível nacional pelos militares e a nível local pela elite chapecoense.

Palavras-chave: Política, imprensa, sociedade, ideologia.

 

90 –Título: Fronteira e Segurança Nacional no Extremo Oeste Paranaense: um estudo do município de Marechal Cândido Randon

Autor: Luciana Grespan Zago

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Prof. Dr. Paulo José Koling (Unoesc), Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Data Defesa: 30/03/2007

 

Resumo: Fronteira e Segurança Nacional no Extremo Oeste Paranaense faz um estudo do município de Marechal Cândido Rondon que foi declarado Área de Interesse da Segurança Nacional, durante o período de 1968 a 1985, em plena vigência da   Ditadura Militar. Leis, decretos e atos institucionais entraram em vigor nesse período com o objetivo de regular e, controlar todas as questões de ordem política, econômica e social. Assim, a fronteira também esteve inserida no contexto da Segurança Nacional, pois se fechava o país ao comunismo internacional. Os municípios localizados na fronteira e estâncias hidrominerais foram considerados locais estratégicos para manutenção do poder. O que pode ter motivado a inserção do município a Área de Interesse da Segurança Nacional foram os seguintes fatores: estar localizado na fronteira com o Paraguai, a intenção de construir uma usina hidroelétrica no Rio Paraná, diminuir o poder de atuação do PTB e pelo fato do município ser considerado um reduto de nazistas. Dessa forma, os governos militares e a ARENA usaram os municípios da Área de Interesse da Segurança Nacional para impor suas políticas e se perpetuar no poder, através da nomeação de prefeitos, do envio de verbas e visitas do Conselho de Segurança Nacional. O auge desse processo foi à visita do Presidente da República Ernesto Geisel a Marechal Cândido Rondon em 1976. A partir da abertura política iniciaram movimentações para acabar com a nomeação de prefeitos e voltar às eleições diretas nos município. Assim, houveram associações que lutaram para acabar com as Áreas de Interesse da Segurança.

Palavras-chaves: Fronteira, Segurança Nacional, Ditadura Militar.

 

91 –Título: O Movimento Operário e Sindical em Passo Fundo (1900-1964): história e política

Autor: Alessandro Batistella

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Diorge Alceno Konrad (UFSM), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 30/03/2007

Resumo: Este trabalho tem o objetivo de analisar o movimento operário e sindical em Passo Fundo durante os anos de 1900 a 1964, salientando que o objeto de estudo são os trabalhadores urbanos e suas organizações. Para tais propósitos, enfatizar-se-ão as principais diferenças e similitudes entre o processo nacional e o regional, sobretudo no âmbito político; ponderar-se-á sobre as principais correntes político-ideológicas presentes nos sindicatos locais, sobre as principais greves e movimentos populares ocorridos no período em foco e, finalmente, acerca das implicações dos principais acontecimentos sócio-políticos nacionais no movimento operário e sindical passofundense.

Palavras-chave: movimento operário, sindicalismo, Passo Fundo, política.

 

92 –Título: As Histórias Marginais: os memorialistas e a produção de conhecimento histórico no interior do Rio Grande do Sul

Autor: Tiago Martins Goulart

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Dr. Ieda Gutfreind (ICJMC), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 11/04/2007

Resumo: Esta dissertação consiste numa análise do que se entendia e muitas vezes ainda se entende por história no interior do Rio Grande do Sul, mais precisamente fora dos meios acadêmicos, bem como das relações entre o conhecimento histórico produzido e uma memória social coletiva específica. Para tanto procedemos ao estudo de cinco obras de autores diferentes, através do qual procuramos explicitar as formas de perceber a história e de fazer um trabalho de cunho histórico. Concentramos nosso foco no período entre as décadas de 1930 e 1980 e o espaço regional contemplado abrange os municípios de Santa Maria, Cruz Alta e Palmeira das Missões. Nosso trabalho teve como objetivo detectar e apresentar os elementos componentes de um modo peculiar de pensar a história e de escrever uma obra desta natureza, bem como localizar a origem destes elementos e os fatores que permitem perceber as obras analisadas como componentes de um quadro de produção específico. Para alcançar nossos objetivos fizemos uso sistemático do método comparativo, organizando o trabalho em dois grandes eixos, um centrado nos elementos de caráter historiográfico e outro voltado para a questão da memória social coletiva e sua relação com o conhecimento histórico analisado. No primeiro, procuramos fazer uma breve apresentação da trajetória do pensar e do “fazer história” no Rio Grande do Sul e no Brasil desde o século XIX, com destaque para as instituições que controlaram a produção histórica durante um bom tempo – o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Em seguida apresentamos os elementos que possibilitam perceber a existência de um outro quadro de produção histórica, verificado no espaço e período já aludidos. As obras e autores são alvo de considerações no restante do trabalho, permitindo que demonstremos, de maneira concreta, a existência do quadro de produção que apontamos, suas características e fatores determinantes, seu contexto e suas implicações sociais. Ao realizar este trabalho esperamos, em última análise, incentivar e contribuir para uma reflexão mais profunda e sistemática sobre nossas próprias posturas, ou seja, sobre nossas formas de perceber e “fazer história”.

Palavras-chave: Rio Grande do Sul contemporâneo, história, historiografia, memorialistas, locais, memória.

 

93 – Título: Prazer e Sorte: o jogo do bicho em Porto Alegre(1893-1903)

Autor: Marizete Gasparin

Orientador: Profª. Dr. Janaína Rigo Santin

Banca: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF) e Prof. Dr. José Luis Bolzan de Morais (Unisinos)

Data Defesa: 19/04/2007

Resumo: O jogo do bicho, criado a pouco mais de um século, no Rio de Janeiro, espalhou-se pelo país, ganhando popularidade. Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, presenciou sua chegada, ainda em fins do século XIX, acompanhada pela imprensa e pela lei. O tema dessa dissertação traz uma abordagem inédita sobre a inserção do jogo do bicho em Porto Alegre, entre os anos de 1893 e 1903, possibilitando conhecer a contravenção na região sul. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, elaborada através da análise de diversos documentos: os jornais Gazetinha, O Independente e A Federação, que nesse período noticiaram, juntamente com assuntos referentes a esportes, economia, e crimes, a prática do jogo do bicho; e os Processos-crimes e a Documentação de Polícia, que relataram a realização de apreensões de materiais e indivíduos envolvidos nessa prática. Conhecer as representações construídas em torno do jogo do bicho e como essa atividade refletiu-se na sociedade, na política e na economia porto-alegrense na transição do século XIX para o XX, contribui para a compreensão da existência atual de práticas contraventoras na sociedade. No momento das reformas urbanísticas pautadas no processo de modernização da política republicana, Porto Alegre foi alvo da presença de indústrias e investimentos financeiros, atraindo indivíduos e com eles diversas práticas contraventoras, como por exemplo, o jogo do bicho. A capital Rio-grandense compartilhou de práticas contraventoras existentes em âmbito nacional, mas com peculiaridades próprias, principalmente nas apostas, com novas modalidades e tabelas de bichos. Pobres, ricos, representantes policiais e servidores públicos administrativos, envolveram-se com o jogo do bicho, tornando-o mais que uma paixão, um vício, um sonho, uma oportunidade de ascensão econômica, uma contravenção.

Palavras- chave: Jogo do bicho, Porto Alegre, Contravenção.

 

94 – Título: Nas Malhas da Lei: mulheres rés em Cascavel na década de 1970

Autor: Vladimir José de Medeiros

Orientador: Prof. Dr. Fernando Camargo

Banca: Profª. Dr. Florence Carboni (UFRGS) e Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 25/04/2007

Resumo: O presente trabalho apresenta uma pesquisa acerca da criminalidade feminina na cidade de Cascavel – Paraná, durante o período da década de 1970. Cinco processos-crime da 1ª vara criminal da comarca de Cascavel, previamente selecionados, são as fontes que embasa todo o texto. Esta obra está subdividida em quatro capítulos, nos quais, o primeiro relata os crimes escolhidos; o segundo, analisa as relações de gênero instituídas na cidade; o terceiro, observa o panorama da violência e seus reflexos no município; e o quarto apresenta o cenário constituído: a cidade de Cascavel.

Palavras-chave: mulheres; criminalidade; Cascavel.

 

95 – Título: “Camilianos no sul do Brasil: da Romatização ao Vaticano II – Iomerê (SC), 1920-1965”

Autor: Iolanda Abati

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Artur Isaia (UFSC) e Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 05/06/2007

Resumo: Com esse estudo procurou-se observar como se deu participação dos sacerdotes camilianos na introdução das novas orientações organizacionais e devocionais do catolicismo romanizado, evidenciar as principais estratégias utilizadas, a importância do padre nesse processo e sua influência na comunidade. Através da analise dos discursos do clero, principalmente nas reuniões das associações religiosas, verificou-se como os agentes da Igreja Católica conduziam o pensar, o agir e o crer da coletividade local, procurando inferir valores religiosos, morais, sociais, políticos e ideológicos influenciando imageticamente o cotidiano das famílias e da coletividade, objetivando adequar os padrões de conduta religiosa, social, cultural e moral na comunidade de Iomerê.

Palavras Chaves: Igreja Católica; catolicismo romanizado, religiosidade; camilianos; valores religiosos e sociais; crença.

 

96 – Título: Política Externa Brasileira e a Argentina na Gestão Lauro Müller(1912-1917)

Autor: Marisa Smirdele

Orientador: Prof. Dr Adelar Heisnfeld

Banca: Prof. Dr. Nilson Thomé (UNC) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 19/06/2007

Resumo: Lauro Müller é considerado um dos mais importantes políticos catarinenses. Foi eleito como governador de Santa Catarina por quatro vezes, foi deputado federal, senador, Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas e das Relações Exteriores. Seu nome está gravado em ruas, pontes, praças, grupos escolas e até em um Município de Santa Catarina. Até mesmo na cidade do Rio de Janeiro, seu nome está gravado em lugares públicos. Lauro Müller foi o que podemos chamar de um “Homem de Estado”. Foi nesta condição que esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, de 1912 a 1917. Além de substituir o ícone da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco, Lauro Müller teve um outro enorme desafio: conduzir a política externa do país diante do primeiro grande conflito do século XX: a Primeira Guerra Mundial. Acusado de germanófilo, foi obrigado a exonerar-se do cargo. Em relação ao continente americano, procurou traçar uma política de maior aproximação com os Estados Unidos, bem como a Argentina. Esta aproximação com a região platina teve seu auge com a assinatura, em 1915, de um Tratado de Cordial Inteligência, visando a solução pacífica de controvérsias internacionais e que envolvia os três mais importantes países da região, Argentina, Brasil e Chile, e ficou conhecido como Tratado do ABC.

Palavras-chave: Lauro Muller. Política externa. Argentina. Brasil. Tratado ABC.

 

97– Título: Participação Política & Fé: O Papel da Igreja na formação das Organizações Sociais Populares – Região do Alto Uruguai do RS (1974-1990)

Autor: Jonas Seminotti

Orientador: Prof. Dr João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF) e Profª. Dr. Silvana Maria Gritti (URI)

Data Defesa: 31/07/2007

Resumo: Esta dissertação consiste numa análise sobre o papel dos setores progressistas da Igreja Católica na formação de lideranças e organizações sociais populares na região Alto Uruguai, em meio à redemocratização do Brasil, entre 1974 e 1990. O objetivo é compreender os fatores que contribuíram para que surgissem destacadas lideranças e organizações de ação social e política na Diocese de Erechim, a partir do trabalho dos setores progressistas da Igreja Católica e de suas mediações correlatas neste período marcado pela censura das liberdades democráticas no país. Concentramos nosso foco entre a segunda metade da década de 1970, por ser o início do processo pela redemocratização do país e toda a década de 1980, por enquadrar o fim do regime militar e a abertura política e ser o período da formação das organizações sociais populares na região Alto Uruguai. O espaço pesquisado é a região Alto Uruguai do RS, também compreendida aqui, como Diocese de Erechim, que é composta por 31 municípios, sendo que apenas Erechim tinha sua população centrada no meio urbano. Os demais municípios eram essencialmente agrícolas, com pequenos agricultores, que viviam em comunidades do interior e pelo seu espírito religioso e participação comunitária, aderiram às mudanças propostas pelos setores progressistas da Igreja, a partir do Concílio Vaticano II e das Conferências de Medellín e Puebla. Para melhor compreender o processo que se desenvolve em âmbito nacional e regional, organizamos o trabalho em três capítulos. O primeiro aborda o contexto brasileiro, do golpe militar à redemocratização, demonstrando como os governos militares trabalharam, no plano político, o período de repressão e, simultaneamente, a fase lenta e gradual de abertura política; também abordamos a atuação das organizações da sociedade civil contrárias ao regime, a luta pela redemocratização e pela conquista de direitos. No segundo capítulo analisamos a atuação dos setores progressistas da Igreja Católica na região Alto Uruguai, os grupos Esquema Dois e Paulo VI, o processo de formação da Escola Diocesana de Servidores, da Pastoral da Juventude e da Pastoral Operária, das quais surgem inúmeras lideranças de ação social e política, especialmente entre os jovens do meio rural; e os conflitos internos entre os setores progressistas e conservadores da Igreja Católica na Diocese. No terceiro capítulo apresentamos, a partir do contexto nacional e da atuação dos setores progressistas da Igreja, como se formam as organizações sociais populares na região Alto Uruguai, entre as quais estão os sindicatos urbanos e rurais do campo da CUT, a Comissão Regional de Atingidos por Barragens (CRAB), o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), o Centro de Educação Popular (CEPO) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Ao realizarmos este estudo, esperamos, contribuir para a maior compreensão dos fatores conjunturais que contribuíram para a redemocratização do país, mas especialmente fazer uma análise mais profunda sobre a formação dos atores de ação social e política na região Alto Uruguai, reflexo do aprofundamento democrático e do novo contexto político e social do país.

Palavras-chave: Religiosidade, política, conflitos, organizações, democrático.

 

98 – Título: Cativos nas terras dos pantanais. Escravidão e resistência no sul do Mato grosso – séculos 18 e 19

Autor: Zilda Moura Alves

Orientador: Prof. Dr Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Fernando Camargo (UPF) e Profª. Dr. Maria do Carmo Brazil (UFGD)

Data Defesa: 10/08/2007

Resumo: “Cativos nas terras dos pantanais” é um estudo sobre a utilização da mão-de-obra escravizada de africanos ou seus descendentes, em localidades do sul de Mato Grosso nos séculos 18 e 19. Desde o início da formação de pequenos vilarejos, os negros foram o alicerce para o desenvolvimento da região. Esses trabalhadores eram os principais responsáveis pelo desbravamento daquelas áreas: derrubadas de matas, construção de moradias, plantios de roças, lida com animais, etc. Distantes das minas auríferas da região cuiabana, os pequenos povoados do Pantanal sul praticavam uma economia local, voltada sobretudo para os meios de subsistência. Assim, literaturas e crônicas do período estudado, ao registrar a presença dos primeiros moradores locais, contam que estes ali chegaram com seus “escravos”. Os negros, escravizados ou não, também foram utilizados como “Voluntários da Pátria” na Guerra contra o Paraguai. O presente trabalho traz, ainda, um capítulo sobre a feitorização das comunidades nativas do Mato Grosso nos séculos 18 e 19.

Palavras-chave: escravos, nativos, índios, negros na Guerra contra o Paraguai.

 

99 – Título: “Os Colonos do Papel: trabalhadores pluriativos no Oeste de Santa Catarina – o caso de Faxinal dos Guedes-SC – 1990-2006”

Autor: Claudemir Basquera

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. José Pedro Cabral Cabrera (UNOESC) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 10/08/2007

Resumo: O trabalho analisa a questão da pluriatividade no meio rural catarinense, tendo como estudo de caso o fenômeno dos colonos-operários do Oeste de Santa Catarina, usando-se como ponto de partida um exame da conjuntura da agricultura familiar no município de Faxinal dos Guedes e suas transformações recentes, mudando o sentido de compreensão do camponês e suas relações no meio rural. Especificamente, visa-se investigar o histórico da pequena e média propriedade no estado de Santa Catarina, discorrer sobre os problemas existentes nestas, bem como das mudanças ocorridas nos últimos anos, descobrir o que leva o pequeno e médio proprietário a aliar o trabalho em terras ao trabalho erm suas terras ao trabalho assalariado e na mesma linha de pensamento, perceber as mudanças na vida econômica e social dessas famílias e da comunidade envolvida.

Palavras-chave: Pluriatividade. Agricultura familiar.Colonos-operários.

 

100 – Título: A infância e a Adolecência na colônia alemã de General Osório (1909-1979)

Autor: Dilce Maria Sturmer

Orientador: Prof. Dr Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF) e Profª. Dr. Florence Carboni (UFRGS)

Data Defesa: 24/08/2007

Resumo: A história do município de Ibirubá, ex-colônia General Osório, é conseqüência, sobretudo, da imigração alemã no sul do Brasil. A partir de 1824, imigrantes falando dialetos alemães chegaram às “colônias velhas”, instalaram-se em pequenas propriedades e exploraram-nas ao máximo com o trabalho familiar. Tiveram muitos filhos, os quais, no contexto da falta de terra, deram origem às “colônias novas”, em outras regiões do norte do Rio Grande do Sul e, a seguir, fora do Estado. Em 1898, a empresa Dias e Fagundes foi fundada com o objetivo de colonizar uma área de terra adquirida de posseiros e do governo provincial, localizada a leste do Rio Jacuí Mirim. A região passou a ser valorizada após a construção da estrada de ferro Santa Maria-Passo Fundo, que ensejava o fácil escoamento da produção local. No ano seguinte, começaram a chegar os primeiros colonos, vindos das “colônias velhas” e, alguns, diretamente da Alemanha. Até a emancipação do atual município de Ibirubá, em 1955, predominava na colônia a economia de subsistência, destacando a suinocultura e a agricultura familiar. A religiosidade, o trabalho, a escola para os filhos, eram primordiais para os colonos camponeses alemães. Neste contexto, a história particular das crianças e dos adolescentes, objeto da presente dissertação, apresentou-se como um rosário de privações, muito trabalho, castigos severos e, de poucos brinquedos, confeccionados geralmente pelas crianças com as próprias mãos.

Palavras-chave: Imigração, colonização, alemães, infância.

 

101 – Título: “Modernização do Espaço Urbano e Patrimônio Histórico: Passo Fundo/RS”

Autor: Eduardo Roberto Jordão Knack

Orientador: Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho

Banca: Profª. Dr. Zita Rosane Possamai (UFRGS), Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta (UPF)

Data Defesa: 29/08/2007

Resumo: A situação do patrimônio histórico – arquitetônico de Passo Fundo nos primeiros anos do século XXI é preocupante. A memória edificada perde espaço para um processo de modernização, urbanização e verticalização iniciado em   1950, acentuado em 1970 e 1980 devido a diferentes fatores. Não obstante, o patrimônio protegido por lei sofre com abandono do poder público. Por estar mergulhado em uma conjuntura caótica, torna-se necessário questionar qual é a identidade desses bens patrimoniais e quais são as justificativas históricas para o seu tombamento, bem como a origem desse processo de crescimento, que ameaça parte da história do município. Procurando esclarecer essas, entre outras questões, é possível perceber a construção de um imaginário progressista por parte de políticos e intelectuais da segunda metade do século XX, expresso no título “capital do planalto”. A busca pela modernização, visando o crescimento econômico e urbano da cidade para transformá-la em um centro regional, orientou as políticas de desenvolvimento urbano, impulsionando a construção de edifícios modernos e verticais, que acabaram tornando-se símbolo do progresso urbano. A pesquisa das justificativas históricas contidas nos projetos de lei que determinam o tombamento dos bens patrimoniais de Passo Fundo demonstra que essa memória edificada está ligada a experiências de uma elite política e econômica em busca do crescimento da cidade, para concretizar o imaginário “capital do planalto”. Paradoxalmente, é justamente esse imaginário que constitui a principal ameaça à memória edificada da cidade, inclusive dos bens protegidos por lei. O presente trabalho procura esclarecer até que ponto, de fato, o patrimônio histórico de Passo Fundo representa a identidade e a memória da maioria de seus munícipes ou apenas está ligado a um restrito grupo que esteve a frente da busca pelo objetivo de tornar a cidade a “capital do planalto”.

Palavras – chave: patrimônio histórico, memória, identidade, modernização, capital do planalto.

 

102 – Título: “Jango e Brizola: tão perto e tão longe (1961-1964)”

Autor: Diego Orgel Dal Bosco Almeida

Orientador: Profª Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Helder V. Gordim da Silveira (PUC/RS), Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Data Defesa: 30/08/2007

Resumo: Esta dissertação aborda a ação/atuação política de João Goulart e Leonel Brizola nos conturbados anos entre 1961 e 1964. Ambos os políticos, ainda que inseridos nas hostes do trabalhismo e no mesmo partido que era o PTB, guardam em si nuances e peculiaridades significativas, principalmente no que diz respeito à forma de capitanear o discurso do trabalhismo. Isto é, mesmo que   muitas vezes orientados para um mesmo objetivo específico, nem sempre as estratégias utilizadas para alcançá-lo convergiam para o mesmo ponto. Assim, esta dissertação busca compreender essas peculiaridades através da recuperação da identidade e da ação desses homens públicos na arena política, cotejando, inicialmente, suas origens sociais e políticas, através da interpretação de alguns elementos de ambas as biografias – de ordem pessoal e política – e, posteriormente, suas ações entre 1961 e 1964, onde a definição de ambas as identidades e perfis de atuação política podem ser verificados de forma mais explícita.

Palavras-chave: articulação – contestação – Trabalhismo – PTB

 

103 – Título: “A Escola Superior de Guerra e a Doutrina de Segurança Nacional (1949-1966)”

Autor: Ana Paula Lima Tibola

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Luciano Aronne de Abreu (PUC/RS), Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 31/08/2007

Resumo: Este trabalho trata da visão de um grupo de militares que se destacou no interior das Forças Armadas. Esse grupo foi responsável pela criação da Escola Superior de Guerra (ESG), um núcleo de estudos estratégicos que se destinou a pensar estratégicos que se destinou a pensar estratégias de segurança e desenvolvimento para o Brasil. Os militares que se aglutinam na ESG formularam a Doutrina de Segurança Nacional (DSU). A finalidade da DSU era estabelecer critérios de atuação para que o Brasil alcançasse e mantivesse os Objetivos Nacionais que deveriam ser a razão última do Estado Nacional. Os principais Objetivos Nacionais, que a escola chamou de Objetivos Nacionais Permanentes (ONP) eram Segurança e Desenvolvimento. A doutrina da escola encontrava fundamento no conceito de guerra total, uma guerra que envolveria a todos os setores da sociedade e por isso dependia de todo o potencial da Nação. A guerra total caracterizava o embate entre as duas potências que haviam iniciado um conflito ideólogico no pós-Segunda Guerra Mundial: a União Soviética e os Estados Unidos. A partir do pensamento da ESG que se analisa a ação dos militares na conjuntura em que se deu o Golpe Militar de 31 de março de 1964. Em 1964, a atuação dos militares da ESG se orientou pela DSN. Com base na doutrina é que se percebe as relações Brasil/URSS e Brasil/EUA, tanto na conspiração golpista quanto nos rumos do primeiro governo militar. Os reflexos desssas relações erampercebidos pelo comportamento do esguianos frente às políticas de governo no Brasil. O trabalho mostra a orejiza da ESG pelos regimes que considerava personalistas, populistas e demagógicos, além da constante preocupação com a infiltração comunista. A intervenção se deu quando a ESG considerou que o governo João Goulart se distanciou no limite máximo da política de governo proposta pela DSN. Com a derrubada de João Goulart, o governo que se estabelece, representado pelo militar e esguiano humberto de Alencar Castelo Branco conduz uma política que procurou se ajustar aos moldes da DSN. Dessa forma o governo Castelo Branco, pautou suas medidas internas, bem como as relações exteriores do país, na doutrina da ESG.

Palavras-chave: ESG, Doutrina de Segurança Nacional, Golpe de 1964.

 

104 – Título: “A campanha de Nacionalização em Videira: Um tempo para se esquecer”

Autor: Denise Zago

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Pofª. Dr. Eunice Nodari (UFSC), Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Data Defesa: 28/09/2007

Resumo: Este estudo sobre a Campanha de Nacionalização do governo de Getúlio Vargas tem como cenário o atual município de Videira, no Meio Oeste catarinense. Partindo da sua formação territorial e concominante ocupação, analisa-se o surgimento das comunidades germânicas na região de Videira no início do século XX. Os imigrantes de origem alemã – e da mesma formaos de origem italiana – aoa se estabelecerem ergueram escolas e igrejas, criaram sociedades e definiram normas de convivência que, aliadas ao isolamento em que viviam, levaram à manutenção da identidade cultural da pátria mãe. Durante o Estado Novo, quando o governose dá conta que a germanidade mantida nestes núcleos existentes no sul do país, conflitava com a idéia de nacionalidade brasileira, dá início à Campanha de Nacionalização. Neste contexto, a população de Videira sente os reflexos da aplicação das leis nacionalizadoras que proibiam o uso do idioma, livros e símbolos estrangeiros. Escolas, igrejas e associações foram fechadas temporiamente e em alguns casos definitivamente. Nos espaços políticos e sociais de articulação entre o local e o nacional destacavam-se como agentes da nacionalização, o Coronel Gasparino Zorzi, Don Daniel Hostin, bispo de Lages e o interventor federal nos estado de Santa Catarina, nereu Ramos. Durante o processo de nacionalização e também nos anos posteriores, as ações dos representantes do governo a nível estadual, Nereu Ramos e a nível federal Getúlio Vargas, repercutiram de forma contraditória no imaginário da população local, enquanto Getúlio Vargas era e ainda é visto como carismático, determinado e um governante com pulso firme, Nereu ramos é descrito como sério, sisudo e antipático, como que atribuindo a responsabilidade da repressão aos estrangeiros somente ao interventor.

Palavras-chave: Estado Novo, nacionalização, germanidade, repressão.

 

105 – Título: O Olhar dos Cronistas no Jornal da Serra, de Carazinho-RS

Autor: Raquel Inês Zuglianello Sawoff

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Profª. Dr. Sandra Maria do Amaral (Unijuí), Profª Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 05/12/2007

Resumo: No presente estudo pretendemos, através das crônicas Respingos, de Canuto de Souza e Cousas da Cidade, de Afonso Pedro, do Jornal da Serra: Carazinho/RS, analisar a realidade local nas décadas de 30 e 40, buscando também compreender a mediação construída pelas crônicas, ambas criadas por Astério Canuto de Souza, ator político que usou de seu jornal como tribuna, ou seja, instrumento de legitimação de disputas e de poder. O período de recorte desse trabalho operou-se num contexto bastante conturbado, pois no âmbito local ocorreram agitações pré e pós emancipatórias e no nacional toda sorte de pressões e denuncismos que caracterizaram o primeiro governo Vargas, enquanto no plano internacional acontecia a 2ª guerra mundial. Assim, tentemos compreender a interferência dessa estrutura político-social no cotidiano dos carazinhenses, levando em conta as tramas que se criaram, já que na localidade em estudo a presença da etnia alemã foi, desde o início de sua fundação, um traço bastante característico. Então, buscamos analisar como esse traço teuto foi compreendido por parte dos cronistas, considerando que, durante a década de 30, esse jornal foi o único a circular no município e que adotou uma resistência declarada à política localista, personalizada na pessoa de Albino Hillebrand, principalmente depois do racha entre Getúlio Vargas e Flores da Cunha a partir de 1937.

Palavras-chave: Primeiro governo Vargas, imprensa, leitura, história regional.

 

106 – Título: A Secretaria dos Negócios do Oeste – SNO: as ações do Estado no desenvolvimento regional Catarinense (1963-1992)

Autor: Evaldo Cassol

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Prof. Dr. Elison Paim (Unochapecó), Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 05/12/2007

Resumo: Este estudo objetiva identificar as razões que concorreram para a criação, implantação e funcionamento da Secretaria de Estado dos Negócios do Oeste – SNO, bem como analisar o papel do Estado, as ações desenvolvidas pela SNO, suas principais características e os fatores que concorreram para sua extinção. A Secretaria de Estado dos Negócios do Oeste foi criada pelo Governo Celso Ramos, através da Lei nº 3.283 de 17 de agosto de 1963 e implantada em 1º de dezembro do mesmo ano, abrangendo a área do antigo Chapecó, região que fora objeto de disputas: primeiro com a República Argentina e depois entre os Estado de Santa Catarina e Paraná. Esta região ainda pertenceu ao Território Federal do Iguaçu 1943 a 1946. A criação da Secretaria do Oeste se justifica pela falta de ações ou pelo “abandono” da região pelo Estado de Santa Catarina e em função também do movimento emancipacionista pró-Estado do Iguaçu em 1962. A extinção da SNO ocorreu por ato do então Governador do Estado Vilson Pedro Kleinübig em 1992. Justificou-se tal ato, pelo fato de que a SNO já havia cumprido seu papel na região Oeste.

Palavras-chaves: Secretaria de Estado dos Negócios do Oeste, ações do Estado, região, política, integração, emancipação.

 

107 – Título: A política republicana em Santo Ângelo: a experiência política do Coronel Bráulio Oliveira

Autor: Viviane Leticia Glienke Mariano

Orientador: Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho

Banca: Profª. Dr. Sandra Maria do Amaral (Unijuí), Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman – (UPF)

Data Defesa: 19/12/2007

Resumo: O presente trabalho de dissertação de mestrado intitulado A política republicana em Santo Ângelo: a experiência política do Coronel Bráulio Oliveira traz à tona a discussão da história política regional. Compreende o período de 1900-1924, no qual Bráulio Oliveira consolidou-se como líder unipessoal da política local e do Partido Republicano Rio-grandense. Tendo como pano de fundo a história política do Rio Grande do Sul, o tema abrange mudanças significativas na sociedade santo-angelense, bem como, a manutenção de uma elite política e o surgimento dos grupos dissidentes dentro do PRR, liderados por Damaso Gomes de Castro. Esses dois líderes dão origem a duas correntes dentro do Partido: braulistas e damistas. Neste contexto, em 1916, assume o poder intendencial Álvaro Silveira. Com a renúncia do então intendente assume Major Quinzote, que finaliza esse quatriênio do poder. Em 1920, Bráulio é novamente eleito intendente, mas seu governo não é mais como antes, a sociedade tinha se modificado, e surgiram novos líderes, membros dessa dissidência que leva à Revolução de 1923.

Palavras-chave: política, local, castilhismo, coronelismo, elite.

 

108 – Título: Razões da Escravidão: história, historiografia e mitos

Autor: Hemerson Josias da Silva Ferreira

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Adriana Facina Gurgel do Amaral (UFF), Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta (UPF)

Data Defesa: 21/12/2007

Resumo: Este trabalho trata dos mitos utilizados pelos escravizadores e intelectuais a eles ligados para justificar e defender a escravidão, apresentados desde os primeiros textos, artigos e livros surgidos na Antigüidade até as obras historiográficas mais recentes produzidas no Brasil ao final do século 20, analisando como alguns escritores viram e descreveram o trabalho escravizado e quais argumentos, teorias, discursos e sobretudo os principais mitos utilizados por eles persistiram até o início de 1990.

Palavras-chave: escravidão, história, mitos, ideologia.

 

109 – Título: A Felicidade Propagada: publicidade, história e imaginário de consumo em Passo Fundo – RS

Autor: Cleber Nelson Dalbosco

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Dr. Ada Cristina Machado Silveira (UFSM), Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin (UPF)

Data Defesa: 09/01/2008

Resumo: Ao fazer o uso de anúncios publicitários veiculados no jornal local O Nacional, durante o fim dos anos 1960 e principiar da década de 1970, o presente trabalho pretende indicar algumas características relacionadas ao contexto da sociedade de Passo Fundo que servem para compreender as relações efetivadas pela sedução publicitária; identificando manifestações do período em que foram elaborados e veiculados, ao mesmo tempo, que capacitam a compreensão de noções ambicionadas pelos indivíduos como: “conforto”, “modernidade”, preservação de recursos econômico-financeiros.

Palavras-chave: imaginários sociais, imaginário de consumo, publicidade, cotidiano e poder.

 

110 – Título: A representação cultural gauchesca do município de Passo Fundo

Autor: João Vicente Ribas

Orientador: Prof. Dr. Tau Golin.

Banca: Profª. Dr. Ada Cristina Machado Silveira (UFSM), Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Data Defesa: 10/01/2008

Resumo: A representação do município de Passo Fundo através de uma identidade gauchesca é o tema desta dissertação. Estão incluídos na pesquisa os agentes e espaços engajados na invenção e reprodução dessa identidade na cidade, nos âmbitos culturais, políticos e midiáticos, como forma de representação da municipalidade. São analisados livros de história, eventos, cobertura de imprensa e projetos políticos que tratam da questão, desde a fundação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas, em 1952, passando pela gravação do filme “Gaúcho de Passo Fundo” de Teixeirinha, até as comemorações do aniversário de 150 anos de emancipação política do município, em 2007.

Palavras-chave: História do Rio Grande do Sul. Passo Fundo. Gauchismo. Política Cultural. Identidade.

 

111 – Título: As miniaturas na imaginária missioneira: O acervo do Museu Monsenhor Estanislau Wolski

Autor: Jacqueline Ahlert

Orientador: Prof. Dr. Tau Golin.

Banca: Profª. Dr. Graciela Rene Ormezzano (UPF), Prof. Dr. Claudio Boeira Garcia (Unijuí)

Data Defesa: 10/01/2008

Resumo: Neste trabalho são analisadas as miniaturas remanescentes da cultura material das Missões jesuítico-guaranis em exposição no Museu Monsenhor Estanislau Wolski, localizado na cidade de Santo Antônio das Missões, Rio Grande do Sul, Brasil. Essas imagens de santos, da Virgem e de Cristo, produzidas por índios guaranis e missionários jesuítas entre os séculos XVII e XVIII na Província Jesuítica do Paraguai, não são compreendidas somente como objetos produzidos em tempos passados, mas nas diferentes representações entre o material e o imaginário construído pelos níveis de relacionamento socioculturais que se fizeram presentes: autoridade colonial espanhola, Igreja Católica, índios guaranis e missionários, e que confluíram para a concretização de um estilo missioneiro de arte, com características oriundas de uma raiz mestiça, onde a intervenção do guarani introduziu os ícones cristãos na historicidade que define a formação de um estilo construído a partir de ressignificações e interpretações fortemente marcadas pela cultura ancestral anímica guarani. Essas representações são estudadas à luz do contexto de um processo de negociações decorrente do contato intercultural entre europeus e ameríndios e, neste sentido, sobre as balizas de fronteiras culturais e geográficas. A força persuasiva da didática barroca, que permeava a ambiência reducional, e a lógica contra-reformista de ampliação dos domínios católicos também são consideradas na perspectiva da incorporação dos preceitos cristãos. As miniaturas evidenciam a transposição do ambiente sagrado da Igreja para o espaço individual do culto doméstico. No espaço da subjetividade a estética autóctone logrou emergir, ressimbolizando a iconografia católica.

Palavras-chave: imaginária guarani-missioneira, miniaturas, mestiçagem, religiosidade, representação.

 

112 – Título: Sim ou Não: A luta política pela emancipação do município de Marau e as disputas pelo poder

Autor: Eliane Aguirre

Orientador: Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho

Banca: Profª. Dr. Thaís Janaína Wenczenovicz (UPF), Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Data Defesa: 15/01/2008

Resumo: Este estudo apresenta uma abordagem das disputas políticas ocorridas no município de Marau verificadas durante o movimento emancipacionista, entre 1945 e 1955, e posterior a ele. A delimitação temporal, entretanto, que se inicia com o fim do Estado Novo estende-se até a década de 1980, no período da redemocratização, após o fim da ditadura militar, no início da abertura política. O trabalho também aborda o papel da Igreja Católica na luta política local, assim como a característica étnica do lugar, determinada pela presença de descendentes de italianos. Outro tópico na presente dissertação diz respeito aos embates políticos locais verificados no período da ditadura militar, especialmente no que concerne às legislaturas ocorridas após a emancipação político-administrativa. Frente a este contexto, objetiva-se mostrar a luta pelo poder político local, uma vez que o PSD consistia na maior força eleitoral no então distrito de Marau, enquanto o PTB está no comando da prefeitura do município, em Passo Fundo. Assim, na conquista pela autonomia municipal de Marau, diferentes atores políticos articularam-se das mais variadas formas, revelando que o jogo político extrapola as dimensões tradicionais, abarcando a sociedade em toda complexidade que a compõe.

Palavras-chave: Marau, história, emancipação política, partidos políticos.

 

113 – Título: A (Re)Construção da Italianidade no Norte do Estado do  Rio Grande do Sul – Viadutos (1910 – 1970)

Autor: Marilei Veroneze

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Maria Catarina Chitolina Zanini (UFSM), Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta (UPF)

Data Defesa: 29/02/2008

Resumo: A presente dissertação tem como objetivo compreender o processo de (re) construção da categoria da italianidade no Norte do estado do Rio Grande do Sul, especificamente na localidade de Viadutos, no período de 1910 a 1970, onde as relações interétnicas são vividas no cotidiano, pois a região é constituída de vários grupos étnicos. Para isso, estuda os elementos que (re)constroem a italianidade na relação de alteridade estabelecida com os “outros”. Através do estudo dos elementos pelos quais a categoria da italianidade se construiu e se constrói, evidencia sua manifestação e exaltação na relação interétnica, bem como a afirmação e construção da idéia positiva que a envolve, ou seja, de representar supremacia étnica na localidade de Viadutos e para o contexto-sistema. É pelo estudo da (re)construção da italianidade, por meio da relação interétnica, que se podem compreender as motivações que conduzem a italianidade a ser reconhecida pelos identificáveis como supremacia étnica.

Palavras-chave: italianidade, relação interétnica, supremacia étnica.

 

114 – Título: O Frigorífico Vacariense e os Campos de Cima da Serra: políticas públicas e história econômica regional (1964-1997)

Autor: Isabel Carneiro Almeida

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Roberto Radünz (Unisc), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 27/03/2008

Resumo: Este trabalho de pesquisa consiste numa análise histórica do objeto de estudos Frigorífico Vacariense S/A, o qual era uma empresa de grande porte, cujo ramo era o abate de gado bovino em grande escala, corte e refrigeração para a comercialização, instalado nos Campos de Cima da Serra, em Vacaria, no Rio Grande do Sul, em 1966, sob a égide da “economia desenvolvimentista”, caracterizada pelo regime de ditadura militar no Brasil dos anos 1964 a 1985. O trabalho é realizado através da utilização da história oral, história empresarial e história e imagem, com o objetivo de averiguar a origem do objeto de estudo e desvelar as relações existentes entre os sujeitos da história e este vetor de relações entre os atores e suas instituições num cenário ermo, desprovido de emprego, de indivíduos com especialização. A pesquisa revela aspectos do que acontece na prática quando um modelo econômico intervencionista é aplicado através de leis que garantem o financiamento de abertura de novos empregos e distribuição de alimentos com intervenção do Estado. Procura-se elucidar os pontos positivos e negativos à sociedade pela aplicação deste modelo pautado na proteção do mercado e intervenção na economia, levantando as conseqüências da sua utilização. Aborda aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais, que envolveram a criação do Friva e o mantiveram por três décadas como organismo social, empreendedor e fornecedor de empregos à sociedade regional. Preservou-se visualmente sua memória material documentando fotograficamente o acervo. Evidenciando sua importância como símbolo de uma época em que a pecuária era a atividade econômica principal na região, na qual se tornou um ícone de ascensão.

Palavras-chave: frigorífico, desenvolvimentismo, intervencionismo, história regional.

 

115 – Título: A Revista A Família Cristã e o Discurso Anti-comunista (1960-64) 

Autor: Silvia Regina Etges Rabusky

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Dr. Silvia Maria Fávero Arend (Udesc), Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 18/04/2008

Resumo: Este trabalho tem como objetivo analisar as manifestações do anticomunismo católico, veiculadas especificamente na revista A Família Cristã, no período 1960-1964. Essa Revista passou a ser publicada no Brasil a partir de 1934, sob inspiração da Revista italiana Famiglia Cristiana, de onde vieram alguns artigos, traduzidos e adaptados para a realidade brasileira. A Revista A Família Cristã tinha como missão precípua a “evangelização através da imprensa”. Nesse sentido, era dirigida à família, notadamente à mulher, constituindo-se seu principal público leitor. A veiculação de conteúdos relacionados aos valores sociais e morais era freqüente na Revista A Família Cristã e consistia em modelos de comportamentos esperados e pautados em diretrizes e valores fornecidos doutrinariamente pela religião. Em um contexto histórico em que prevaleciam as diretrizes ideológicas da Guerra Fria, o periódico fazia um ataque contundente ao comunismo, visto que este, na visão da Revista, representava uma ameaça aos fundamentos básicos da religião. No contexto em análise, a ameaça comunista era algo presente no imaginário social e, por isso, as propostas de reformar o capitalismo, muitas vezes, soaram de modo radical. Contudo, a postura de combate à pobreza e de indignação ao sistema vigente, adotada pela Igreja católica, tinha como objetivo preservar a população da influência comunista. Para isso, exigiam-se importantes reformas sócio-econômicas. Assim, as reformas de base, propostas pelo governo Jango, foram amplamente apoiadas pela hierarquia católica, à frente da CNBB. Salienta-se, porém, que, no período abordado, a Igreja Católica não adotava uma postura coesa quanto à necessidade de reformas. Nesse período, destacaram-se três correntes no interior da Igreja: os tradicionalistas, os modernizadores conservadores e os reformistas. Acredita-se, pela análise das reportagens veiculadas pela Revista A Família Cristã, no período em questão, que seja possível enquadrá-la no grupo dos modernizadores-conservadores, que era a facção dominante na Igreja desde a década de 1950.

 

116 – Título: Anos de Chumbo: rock e repressão durante o AI-5

Autor: Alexandre Saggiorato

Orientador: Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho

Banca: Prof. Dr. Sílvio Marcus de Souza Correa (Unisc), Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta (UPF)

Data Defesa: 22/04/2008

Resumo: Esta dissertação apresenta um estudo sobre o rock produzido no Brasil durante a ditadura militar, mais precisamente no período de maior repressão e censura causada pelo Ato Institucional Nº5 (AI-5), dentro de uma perspectiva da transgressão comportamental da censura moral do regime militar e da tentativa de engajamento artístico exercido por parte da esquerda. Contudo, será explorada a obra e a conduta de alguns grupos de rock existentes no período, dentre os quais serão destacados: Novos Baianos, Casa das Máquinas e O Terço, sendo através da construção social desses, que investigaremos os efeitos da repressão no rock brasileiro dos anos 1970, constatando de que maneira os artistas atuaram na época.

 

117 – Título: O “Monstro de Erechim”: um estudo de caso sobre o imaginário do medo (1980)

Autor: Humberto José da Rocha

Orientador: Profª. Dr. Janaína Rigo Santin

Banca: Prof. Dr. Mozart Linhares da Silva (Unisc), Prof. Dr. Mário José Maestri (UPF)

Data Defesa: 25/04/2008

Resumo: Esta dissertação aborda uma série de crimes ocorridos na cidade de Erechim-RS na década de 1980 cometidos por um homem chamado Luiz Baú, que pelo perfil desses crimes, ficaria conhecido em todo o estado como o “monstro de Erechim”. Além da narrativa histórica em torno dos crimes, onde considera-se o contexto histórico da época, este trabalho busca também analisar a repercussão destes crimes nos aspectos sociológico, psicológico e jurídico. Inicialmente, recorrendo principalmente à psicologia, apresenta-se um quadro geral que teria condicionado o protagonista a se tornar um criminoso, além de apresentar o primeiro crime de uma série. Preso por este crime, analisa-se o período de cárcere no Presídio Estadual de Erechim, para tal, recorre-se principalmente ao Direito. Com a fuga do protagonista do presídio, remonta-se o período em que esteve solto pelo município de Erechim, momento em que cometeria quatro assassinatos, tendo uma influência significativa no imaginário popular da cidade. Novamente preso, procura-se analisar a eminência do linchamento por parte da população de Erechim, e a conseqüente remoção do acusado para o Instituto Psiquiátrico Forense, em Porto Alegre. A partir do internamento no Instituto, procura-se discutir como o caso foi tratado pela justiça e pela memória da população de Erechim. Finalmente, aponta-se para o desfecho do caso.

Palavras-chave: Imaginário, medo, memória, crime

 

118 – Título: Relações de Poder: Getúlio Vargas e Borges de Medeiros

Autor: Jonas Balbinot

Orientador: Profª. Dr. Janaína Rigo Santin

Banca: Prof. Dr. Luciano Aronne de Abreu (PUC/RS), Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Data Defesa: 05/05/2008

Resumo: O presente trabalho se propõe a estudar o período de 1922 até 1928 analisando a trajetória política de Borges de Medeiros e Getúlio Vargas, traçando-se um paralelo entre a atuação desses dois políticos. Faz-se uma breve retrospectiva biográfica dos dois personagens, buscando entender sua formação no campo político: Borges de Medeiros nos chamados Republicanos Históricos e Getúlio Vargas na Geração de 1907.Em 1922 Getúlio Vargas assume o cargo de deputado federal enquanto Borges de Medeiros assume o governo do Estado do Rio Grande do Sul pela quinta vez. Contrariando essa manutenção constante do poder as oposições entram em conflito com a situação. A revolta de 1923, e mais diretamente seu pacto de pacificação, iniciam um processo de quebra de poder de Borges de Medeiros, o qual é agravado com as mudanças na constituição federal, em que os poderes dos Estados são reduzidos. Enquanto Borges de Medeiros vai gradativamente perdendo sua força na política gaúcha Getúlio Vargas vai se destacando, inicialmente na deputação federal e em seguida ocupando o cargo no ministério da fazenda, desenvolvendo sempre trabalho em defesa dos interesses do Estado, mas não deixando de ao mesmo tempo solidificar sua imagem com ações que o credenciavam a ser um político mais conciliador. A atitude por ele adotada diante das oposições causou boa impressão na política estadual. Em 1927, quando aconteceram as eleições para presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros estava impossibilitado de concorrer pelo pacto de Pedras Altas. Por sua vez, Getúlio Vargas, devido à sua ação política, credenciava-se ao cargo. Logo, foi indicado ao cargo, mas não sem sofrer oposições.Com a eleição de Getúlio Vargas marcou-se mais um importante passo no processo que mudaria os rumos da política gaúcha e nacional, o qual foi iniciado em 1923 e finalizado com a revolução de 1930.

 

119 – Título: “Interfaces da Colonização do Oeste Catarinense: a antiga Fazenda Rodeio Bonito (1920-1954)”

Autor: Valdirene Chitolina

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Artur Cesar Isaia (UFSC), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 09/05/2008

Resumo: Esta pesquisa investiga as interfaces da colonização do oeste catarinense, ancorando-se no processo colonizador da antiga fazenda Rodeio Bonito, conduzido pela subcolonizadora Irmãos Lunardi, entre 1920 e 1954. Justifica-se por certo avanço na historiografia regional no que tange a formação territorial de Coronel Martins, Entre Rios, Galvão, Ipuaçu, Jupiá, Lajeado Grande, Marema, São Domingos e Xaxim. A questão norteadora desta investigação, ancorando-se na história regional, ocupa-se das particularidades que envolveram a antiga fazenda Rodeio Bonito para mostrar as marcas identitárias que transcenderam o meramente geográfico e que envolveram o cultural, o econômico, o político e a historicidade de diferentes grupos sociais que se fixaram nessa região em decorrência do processo colonizador. Para tanto, faz-se uso da análise documental, bibliográfica e vale-se de memórias orais de caboclos e migrantes que protagonizaram esse processo. Objetiva diagnosticar as disputas territoriais; a organização sociocultural dos caboclos; a trajetória dos migrantes rio-grandenses para o oeste de Santa Catarina; a ação das colonizadoras; a reconstrução de espaços sociais, viários, econômicos, sanitários e domésticos dos migrantes nas novas terras; a operacionalização da Igreja Católica e do Estado no processo colonizador. Os resultados evidenciam que as disputas territoriais desencadearam a colonização oestina; que a postura do Estado e das companhias colonizadoras foi determinante para a apropriação das terras por parte dos migrantes, ao passo que, os caboclos foram lícita ou ilicitamente afastados das áreas que ocupavam; que a fazenda Rodeio Bonito, antiga propriedade da baronesa de Limeira, foi concedida pelo Estado à colonizadora Bertaso, Maia & Cia. como pagamento pela construção da estrada entre Passo dos Índios e Goio-En; em 1920, essa área foi vendida à subcolonizadora Irmãos Lunardi, a qual partiu para a colonização controlada, demarcando lotes destinados principalmente à policultura familiar e à exploração da madeira. Os compradores das terras eram essencialmente de Guaporé, Veranópolis, Antônio Prado, Getúlio Vargas e Fagundes Varela, no Rio Grande do Sul. Além disso, o estudo constata a operacionalização da Igreja Católica, dos educandários religiosos e do Estado na expansão da brasilidade e do catolicismo romanizado numa área que metaforicamente se transformou numa trincheira católica. De maneira singular, evidencia também a complexa teia de interesses das forças locais e regionais na evolução jurídico-administrativa de antiga fazenda Rodeio Bonito para município de Xaxim.

Palavras-chave: Caboclos. Colonização. Ítalos. Migração. Oeste. Rodeio Bonito

 

120 – Título: “Educação indígena: fronteiras culturais e inclusão social - análise da Terra Indígena Xapecó”

Autor: Claudio Luiz Orço

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Thaís Janaina Wenczenovicz (UNOESC/SC), Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 23/05/2008

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo analisar as políticas de educação indígena e sua compreensão/articulação com a Escola Indígena de Educação Básica Cacique Vanhkre e a comunidade representada no movimento social indígena Aika. Nesse sentido, a partir de uma aproximação entre a história e a antropologia, buscamos problematizar, neste trabalho, a escola indígena como um espaço de fronteiras culturais. Especificamente, foi analisado o caso da Escola Indígena de Educação Básica Cacique Vanhkre, localizada na Terra Indígena Xapecó, Oeste de Santa Catarina. No primeiro capítulo de nosso trabalho, buscamos trazer à tona as imagens construídas do índio pela ótica do “outro”, em diferentes momentos e períodos do processo de constituição/formação da sociedade brasileira. No segundo capítulo, optamos por discutir as concepções de escola e as políticas desenvolvidas pelo Estado para os índios, em diferentes contextos históricos sociais. No terceiro capítulo, foram analisadas as formas de articulação da comunidade Kaingang da Terra Indígena Xapecó no conjunto do movimento social indígena, seus desdobramentos em ações reivindicatórias dos direitos indígenas, sobretudo no que se refere ao direito à educação. Podemos concluir apontando para a desarticulação existente entre as políticas públicas de educação indígena, as práticas efetivas de educação indígena na Escola Indígena de Educação Básica Cacique Vanhkre e as demandas do movimento social indígena Aika.

Palavras-chave: Educação indígena, Kaingang, políticas públicas, movimentos sociais indígenas.

 

121 – Título: “Partido Social Democrático: Formação e Fragmentação em Passo Fundo (1945-1950)”

Autor: Isaura de Moura Gatti

Orientador: Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman

Banca: Profª. Dr. Mercedes Cánepa (UFRGS), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 16/06/2008

Resumo: Este trabalho apresenta a trajetória do Partido Social Democrático na cidade de Passo Fundo, tendo em vista as relações assimétricas de poder na composição das instituições político-partidárias riograndenses e as relações a nível nacional. O recorte temporal compreende a formação dos partidos políticos em 1945 até as eleições de 1950. Passando por momentos que caracterizam a trajetória do partido como: a demissão das fileiras partidárias pessedistas de políticos trabalhistas agravando a distância entre as linhas dutristas e getulistas; a formação da Ala Trabalhista nas hostes internas do partido, o que originou movimento queremista, e por fim, o processo de “desgetulização” do PSD, com a separação dos autonomistas. Seu objetivo principal está em ilustrar as disputas internas entre pessedistas com status político de destaque regional como: Telmo Azambuja, Nicolau Vergueiro, Arthur Ferreira Filho, Túlio da Fontoura e Antonio Bittencourt Azambuja. Desse modo, através da trajetória do Partido Social Democrático local, é possível mapear sua posição referente aos graus de instância dos diretórios, alinhando-se ora nacionalmente, ora estadualmente, o que influi no comportamento do sistema partidário como um todo.

Palavras-chave: Partido Social Democrático, Passo Fundo, partidos políticos, estadual, nacional e local.

 

122 – Título: “A fazenda pastoril na República Velha rio-grandense: da crise econômica à criação da FARSUL”

Autor: Rosângela de Cássia Comassetto Pedroso

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Paulo Marcos Esselin (UFMS), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 14/08/2008

Resumo: O presente trabalho tem como principal objetivo analisar o papel na sociedade rio-grandense da fazenda pastoril e da classe pecuarista, durante o período da República Velha, e as razões da crise que esse setor viveu no período, assim como a fundação da FARSUL. Inicialmente, o estudo aborda a entrada dos primeiros animais no Estado e a estrutura social da fazenda pastoril. Analisa, a seguir, a formação dos partidos políticos dos criadores pastoris e os principais sucessos conhecidos pela fazenda pastoril sulina durante a República Velha. Enfatiza a situação de crise enfrentada pelos estancieiros, como as tentativas de superarem a crise que envolvia a pecuária no pós - 1ª guerra. Aborda, finalmente, o Congresso de Criadores, evento que deu início à criação da FARSUL, como principal representante da classe dos estancieiros no Rio Grande do Sul.

Palavras-chave: fazenda pastoril, elite pastoril, crise, FARSUL

 

123 – Título: O Grande e Velho Erechim: ocupação e colonização do povoado de Formigas (1908-1960)

Autor: Jane Gorete Seminotti Giaretta

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Isabel Rosa Gritti (URI), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 23/05/2008

Resumo: Em 1908, com base na política econômica positivista, instituiu-se a ordem como fator de progresso, e o Estado, através das comissões de terras e colonização, baseadas nos princípios da Lei de Terras, passou a administrar as terras públicas, denominadas “devolutas”, demarcando-as e disponibilizando os lotes apenas para a venda. Então, a terra que se encontrava ocupada por índios e caboclos pelo princípio de intrusão sofreu redefinições, sobretudo com a introdução do imigrante europeu. Esta dissertação consiste numa análise sobre a ocupação/desocupação da terra na região Alto Uruguai, que compreende a colônia Erechim e o povoado de secção Formigas, no período de 1908 a 1960. Para tanto vale-se da análise de documentos governamentais (requerimentos de posseiros, descendentes europeus, ofícios de governo, relatórios da comissão de Terras Públicas, confrontados com depoimentos orais e demais bibliografias que embasam o tema. O fio condutor do estudo são as redefinições dadas à terra no decorrer do período, as formas de exclusão que afetaram, primeiro o índio e o caboclo e, posteriormente, o pequeno agricultor e as indústrias coloniais. Assim, conclui que a região do Alto Uruguai iniciou o processo de privatização da terra em 1908 com base no plano do governo positivista, mas em 1950 e 1960 uma nova política econômica afetou o Brasil e negou o acesso à terra de parcela da população do campo. A pesquisa permitiu conhecer e compreender, além dos fatores que dinamizaram a colônia Erechim e secção Formigas, a história silenciada das primeiras etnias que ocuparam a região Alto Uruguai.

Palavras-chave: Colonização. Colônia Erechim. Secção Formigas. Intrusão. Terra. Ocupação. Região Alto Uruguai.

 

124 – Título: “Os colono só trabalha [...] A colônia Rio Uruguay: Aspectos da atuação das companhias colonizadoras entre 1920-50”

Autor: Carlos Fernando Comassetto

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Paulo Pinheiro Machado (UFSC), Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 27/08/2008

Resumo: O avanço do capitalismo na Europa motivou a migração interna no continente e a travessia transoceânica de trabalhadores, sobretudo rurais, para a América. No Brasil, a Lei de Terras, de 1850-54, marcou o fim da concessão gratuita de terras e abriu caminho para a especulação imobiliária privada. A partir das primeiras décadas do século 20, a ocupação territorial da região oeste de Santa Catarina ocorreu principalmente com a atuação das companhias particulares de colonização. A comercialização de terras trouxe a lógica da acumulação capitalista. O objetivo principal da presente dissertação é estudar a atuação das companhias colonizadoras e do movimento migratório que promoveram a ocupação da região do Alto Uruguai catarinense, entre 1920 e 1950, por colonos-camponeses, tendo como eixo de análise a Colônia Rio Uruguay.

Palavras-chave: terra, propriedade, colonização, companhia colonizadora, Alto Uruguai

 

125 – Título: “A CONSTRUÇAO DO IMAGINÁRIO ANTICOMUNISTA EM PASSO FUNDO: o olhar da imprensa sobre o final da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria”

Autor: José Altemir da Luz Ferron

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Profª. Dr. Thaís Janaina Wenczenovicz (Unoesc), Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UPF)

Data Defesa: 11/09/2008

Resumo: Tendo como pano de fundo o momento internacional, nacional e regional na década de 1940, este trabalho tem o intuito de observar a apreensão da sociedade regional em relação ao final da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria, utilizando a imprensa escrita como mediadora. As informações que chegavam até a sociedade passo-fundense tinham como base, notas, reportagens, artigos e opiniões que, eram veiculadas pelos jornais O Nacional e Diário da Manhã. O recorte temporal deste trabalho compreende o período que vai de 1945 a 1949, e procura observar como temáticas vinculadas à situação internacional tinham influência no meio regional. A pesquisa objetiva mostrar como a imprensa de Passo Fundo, representada pelos dois jornais, vai abordar os principais acontecimentos relacionamentos ao final da Segunda Guerra Mundial e ao início da Guerra Fria e como isso vai resultar numa campanha para a formação de um imaginário político-ideológico regional que tinha o anticomunismo como objeto principal.

Palavras-chave: Imprensa - Segunda Guerra Mundial - Guerra Fria – imaginário anticomunista.

 

126 – Título: “De Borges a Getúlio: a transição política nas páginas de O Nacional (1923-1930)”

Autor: Aline Brandt

Orientador: Profª. Dr Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Sandra Maria do Amaral (Unijuí), Mário Maestri (UPF)

Data Defesa: 19/09/2008

Resumo: O presente estudo coloca em foco os acontecimentos que acarretaram as revoluções de 1923 e 1930. Reúne uma expressiva gama de informações sobre as estratégias políticas da época. Prioriza-se, no entanto, a região norte do Rio Grande do Sul, porque praticamente todo o estudo é baseado na ótica do jornal “O Nacional”, sediado em Passo Fundo. Faz-se uma retrospectiva histórica com o intuito de mostrar a divisão política ocorrida no estado depois da proclamação da República. Os republicanos, a maioria do norte do estado, ascendiam ao poder estadual mesmo sendo minoria. Para fazer frente a esse poderio, os grandes fazendeiros da campanha investiram, durante longos anos, em uma sistemática oposição. Borges de Medeiros comandou o governo do Rio Grande do Sul por 25 anos. A região norte foi a grande responsável pela sua longa permanência no poder.Com a Revolução de 1923 e a insatisfação latente das alas oposicionistas o poder de Borges de Medeiros começou a declinar. O acordo que cessou os movimentos revolucionários também impediu Borges de Medeiros de continuar disputando o cargo de presidente do estado. O chamado “Pacto de Pedras Altas”, cabe frisar, pôs fim à “Era Borges”. Getúlio Vargas despontou como favorito à sucessão de Borges de Medeiros. Seu nome foi lançado nas eleições de 1927. Nessa oportunidade a oposição não lançou candidato e, como os republicanos, apoiou Getúlio Vargas. Getúlio Vargas governou o Rio Grande do Sul por dois anos. Já em 1930 concorreu à presidência do Brasil, com apoio de Minas Gerais e Paraíba. Foi derrotado nas urnas. Mesmo assim ascendeu ao cargo maior da nação através de um movimento armado.

Palavras-Chave: Borges de Medeiros, Getúlio Vargas, política, borgismo, oposição

 

127 – Título: “Entre Desterro e Florianópolis... da Ribalta à Bancada: Aspectos da sociedade desterrense e florianopolitana no século XIX, vistos a partir de seus espetáculos”

Autor: João Baptista Giachini Fabrin

Orientador: Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho

Banca: Profª. Dr. Vera Regina Martins Collaço (UDESC), Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta (UPF)

Data Defesa: 24/09/2008

Resumo: Na dissertação que segue, é apresentado um estudo da sociedade oitocentista da Ilha de Santa Catarina, vista por meio de alguns de seus espetáculos e divertimentos. Mostra-se de que maneira alguns dos espetáculos e outras práticas sociais e econômicas efetuadas pelas elites irão culminar nas medidas de saneamento, urbanização, modernização e ordenamento da cidade, enfatizando, devido a essas práticas, como os populares, suas vidas, seus hábitos e espetáculos de diversão foram passíveis de uma tentativa de controle, de regramento por parte das elites. Divide-se o trabalho em dois eixos principais, aos quais foram acrescentadas análises pertinentes dando corpo à obra: os espetáculos destinados às elites e aqueles designados às classes populares. Do primeiro eixo se sobressai, entre bailes e festas de salões particulares e jantares sociais, o teatro, todo ele de caráter elitista, particular e amadorístico, exceto pelas parcas visitas de companhias teatrais profissionais que atracavam nos portos da Ilha. Percebem-se, então, nos espetáculos de palco, as Sociedades Dramáticas Particulares, as companhias profissionais, as principais casas de espetáculo e os espaços adaptados para a empreitada teatral. Cabe à segunda parte temática relacionar e analisar os espetáculos que são dedicados às classes populares, às quais não é permitido o acesso aos espetáculos de teatro. Surge, assim, dos bairros mais pobres da antiga Nossa Senhora do Desterro (Florianópolis), divertimentos variados entre os quais figuram circos, cosmoramas, prestidigitações (espetáculos de magia), polioramas, brigas de galo, touradas, ratos amestrados e outros mais. Por fim, o trabalho percebe no teatro elitista, um caráter, um desejo, um projeto almejado por parte das classes mais privilegiadas, entre elas a burguesia comercial e administrativa emergentes, um intento moralizador, modernizador de caráter civilizatório que perpetra por seus salões e que irá culminar, em fins do século XIX e início do XX, em práticas e discursos que abrangiam valores de civilização e progresso desejados para a cidade e sua população. Valores estes pautados num projeto nacional (inspirado num modelo burguês europeu de comportamento) que tinha como exemplo substancial as transformações urbanas acontecidas  na virada do século XIX para o XX, baseadas na ideologia de uma higienização social, a qual acometeu, inicialmente, a cidade do Rio de Janeiro, capital do país, , a partir da qual se  buscou para a nação, um conceito de civilização que abrangia o ideal de embranquecimento, entre outros, intentado através da entrada de imigrantes no país e do “esquecimento” daqueles que se enquadravam má condição social menos favorável, a começar pelos ex-escravos, recém libertos pela Lei Áurea. O estudo final se dá pela análise de parte da obra do dramaturgo catarinense Horácio Nunes Pires, na qual são percebidos diversos costumes e práticas de sua sociedade.

Palavras-chave: Teatro, espetáculos elitistas e populares, Nossa Senhora do Desterro, Florianópolis, Horácio Nunes Pires.

 

128 – Título: “O coronel e os prelos: relações entre imprensa e poder em Passo Fundo”

Autor: Cristiane Indiara Vernes Miglioranza

Orientador: Prof. Dr Haroldo Loguercio Carvalho

Banca: Prof. Dr. Gunter Axt (pesquisador associado da USP), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 30/09/2008

Resumo: Gervásio Annes foi um ator com vários papéis desempenhados concomitantemente: político, jornalista, advogado, comerciante. Acompanhar sua vida pública oferece um panorama ainda inexplorado das relações de poder em Passo Fundo e no estado e do uso de novos mecanismos – como a imprensa – para a consolidação de uma ideologia e de uma elite em uma posição preponderante. Imprensa esta que despontava em diversas cidades do Rio Grande do Sul, impulsionada pelo planejamento político do Partido Republicano Rio-Grandense. O republicanismo brasileiro – do qual se sobressaíram duas vertentes: a liberal e a de inspiração positivista – serve como pano de fundo para a análise regional e local da consolidação simbólica do castilhismo, tendo por amparo e como fomento as penas, prelos e páginas do jornal.

Palavras-chave: imprensa política, castilhismo, relações de poder

 

129 – Título: “Tierra esclavizada – El Norte Uruguaio em la primera mitad del siglo 19”

Autor: Eduardo Ramon Palermo Lopez

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Sandra Fernandez (Universidade de Rosário/ARG), Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Data Defesa: 27/11/2008

Resumo: El presente trabajo trata sobre la introducción y utilización de trabajadores esclavizados en las estancias del Río de la Plata desde los inicios del período colonizador europeo en el siglo 16. Particularmente se centra en el uso intensivo de mano de obra esclavizada en la campaña de la Banda Oriental, en la frontera norte uruguaya, fronteriza con Brasil, durante el siglo 18 y 19. Se analiza el proceso de población de la actual frontera uruguayo-brasileña concibiéndola como un espacio regional cuya construcción histórica demando intercambios intensos de factores de producción y la lucha por la propiedad de tierras, ganados y esclavizados. El recorte temporal seleccionado culmina con la Ley de abolición de la esclavitud de 1846.

Palabras de referencia: esclavitud, espacio regional fronterizo, estancias, contrabando.

 

130 – Título: “Ucranianos na Europa e no Brasil: uma história camponesa”

Autor: Pedro Alves de Oliveira

Orientador: Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho

Banca: Profª. Dr. Thaís Janaina Wenczenovicz (Unoesc), Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 01/12/2008

Resumo: Determinados períodos da história de uma nação são especialmente significativos, não porque representam um rompimento radical com as estruturas sociais, políticas ou econômicas anteriores, mas porque neles os agentes históricos procuram dar novas dimensões e significados à realidade passada, a fim de construírem no presente um mundo adequado a seus próprios projetos. A história camponesa da etnia ucraniana, partindo do leste europeu em direção ao Ocidente, atingiu o Brasil no final do século XIX e todo o início do século XX. Pressionados em seu espaço ancestral pela disputa das terras férteis numa situação de servidão, estes camponeses submeteram-se às Companhias Marítimas para o transporte, e as Companhias Colonizadoras para atingirem o local de destino, neste caso o sul do Paraná e o norte de Santa Catarina. A evolução histórica e política do povo ucraniano, chegam ao século XX numa trilha de complexidade na busca de liberdade, ocupação do espaço, terra para a agricultura, expressão e manutenção cultural. As razões pelas quais eles emigraram estaria motivado pela busca de terra e trabalho, fugir da servidão que reinava no leste da Europa, além do sonho de uma vida melhor. Na chegada como imigrantes ao Brasil, foram direcionados para as terras férteis do vale do rio Iguaçu adentrando para a região Contestada. Tal região foi marcada pelo conflito do Contestado, após a construção da ferrovia São Paulo Rio Grande do Sul, e a disputa pela posse da terra. A etnia ucraniana superou adversidades e conseguiu produzir do sonho europeu à realidade camponesa em solo brasileiro.

Palavras-chave: Ucranianos, Imigração, Cultura, Política, Memória

 

131 – Título: “Fazendas pastoris no Rio Grande do Sul [1780/1889]”

Autor: Setembrino Dal Bosco

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Prof. Dr. Théo Lombarinhas Piñeiro (UFF), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 05/12/2008

Resumo: A presente dissertação tem com objetivo principal definir um perfil geral das fazendas pastoris do Rio Grande do Sul em finais do Setecentos e no Oitocentos. Escolhemos para análise de nossa pesquisa as regiões de Bagé, Rio Pardo e Vacaria poravaliar que, dada as suas localizações territoriais [região Nordeste, Central e Sudoeste]sintetizam uma realidade média, no que se refere às fazendas pastoris. Procuramos, assim, afastarmos do singular para melhor aferrar o geral. Nesse processo, utilizamos,para apoiar nosso trabalho, autores que presenciaram in loco aquela realidade, com destaque para Francisco João Roscio, Auguste Saint-Hilaire, Nicolau Dreys, Àrsene Isabelle, Alexandre Baguet, Joseph Hörmeyer, conde D’Eu, Manoel Antônio Magalhães, etc. e, sobretudo, inventários post mortem coletados no Arquivo Público do Rio Grande do Sul [APERS]. Investigamos, portanto, a evolução das técnicas produtivas [marcação, castração, rodeios etc.]; a evolução arquitetônica; o mundo do trabalho; relações sócio-produtivas e, sobretudo, a mão-de-obra utilizada – capatazes peões [gaúcho e nativos] e cativos – nas lides pastoris da estância sulina em fins dos séculos 18 e 19. Embora restritas as regiões propostas, em forma mais ou menos acabada, no contexto de suas especificidades, o desenvolvimento das fazendas pastoris de Bagé, Rio Pardo e Vacaria sintetizam o geral ocorrido no Rio Grande do Sul.

Palavras-chave: fazendas pastoris; Rio grande do Sul; economia pastoril; Terra; trabalhadores [capatazes, peões e cativos].

 

132 – Título: “A construção de sentidos na moda brasileira: a customização do vestuário como espaço de contestação e remodelação do indivíduo nas décadas de 1960 e 1970”

Autor: Cícera Ângela Raymundi Lago

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Prof. Dr. Ricardo Rossato (UNIFRA), Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 18/12/2008

Resumo: A moda é produto do binômio espaço-tempo. Assim, a cada momento, e a cada lugar, ela toma formas e cores diversas, imprimindo significados diferentes: sua linguagem, seus signos e sua expressão. Desta forma, instala-se o problema científico central: no período de 20 anos, compreendido entre 1960 e 1979, sobre influências estrangeiras e nacionais, houve, no Brasil, alguma manifestação, ou alguma forma de expressão, através do corpo e do vestuário, que se utilizou da personalização (ou customização) de roupas como signo e da moda como linguagem? Para solucionar este problema, esta pesquisa tem vista ao entendimento da customização do vestuário como espaço de contestação e remodelação do indivíduo nas décadas de 1960 e 1970, na construção de sentido da moda brasileira daquele período. Na busca de alcançar tal objetivo, parte da visão da moda como construção de sentido – considerando que através dela é possível espelhar, traduzir e alterar a percepção do mundo e do corpo, e que, por meio da arte se faz moda e vice-versa: o corpo se torna a tela ideal para a auto-expressão do ser humano, podendo ser remodelado, manipulado e gerenciado. Depois, com os rumos da moda no Brasil, e as influências externas determinantes – os grandes estilistas, o contexto cultural, a influência e o poder da mídia, a cultura de massa, o trabalho fundamental do estilista Dener nas décadas especificadas. Segue com a visão da moda como espaço de contestação – por meio da antimoda, da contracultura, do movimento hippie, da época de libertação feminina e da contraposição à ditadura, expressa pela costureira Zuzu Angel. Por fim, tratando da customização e da remodelação do indivíduo como forma de reinvenção da sua subjetividade, principalmente nos idos de 1960 a 1979. A partir de todos estes aspectos, conclui que a moda, impulsionada pela compreensão humana que a produz, consiste em forma de linguagem cuja gama de signos, após escolhidos e combinados pelas pessoas, transmite informação pré-compreendida, pois todos já conhecem os significados originais das peças usadas. Contudo, conclui também que, quando há modificação nos signos, como personalização através da customização e da remodelação do indivíduo, a mensagem transmitida exige uma recolocação conceitual das pessoas: foi o que aconteceu com a moda brasileira das décadas de 1960 e 1970, que rompeu os padrões expressivos da época pela personalização, construindo sentidos novos de moda e, com isso, trazendo modificações a toda a sociedade brasileira.

Palavras-chave: contestação, construção de sentidos, customização, moda, remodelação do indivíduo.

 

133 – Título: “Trajetória Político-Militar de Fructuoso Rivera e as Missões (1811-1828)”

Autor: Zigomar Baroni Júnior

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Golin

Banca: Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UFPEL) e Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 02/04/2009

Resumo: Rivera viveu em um período histórico de grandes transformações políticas e sociais na região limítrofe entre as colônias americanas das decadentes coroas ibéricas. Durante as primeiras três décadas do século XIX, a região platina, zona limítrofe entre as colônias portuguesas e hispânicas na América Meridional, sofreu uma onda de movimentos de cunho político: a desestruturação do pacto colonial, o processo de independência de Buenos Aires, sua vinculação fronteiriça com a Banda Oriental e as Missões, sendo as Missões território disputado pelas coroas ibéricas e mais tarde pelas suas ex-colônias meridionais. Neste panorama, a política platina gerou uma série de tendências políticas, que surgiram no intuito de suplantar o vácuo de poder deixado pelas coroas ibéricas na região. Neste trabalho serão apresentadas as principais fases políticas de Frutuoso Rivera, do início de sua atuação junto ao artiguismo até a campanha das Missões em 1828. A articulação política do caudilho com a política platina o levou a primeira presidência do Uruguai, e o espaço entre 1811 a 1828 foi o momento de estruturação e alavancagem de sua carreira política. Suas atitudes polêmicas o fizeram um político singular, sempre envolvido em todas as principais pendengas e transformações políticas platinas da época. Assim, neste trabalho buscar-se-á integrar os principais processos políticos com a figura de Rivera, juntamente com o  poder das Missões Orientais no jogo político da vida do caudilho.

Palavras-chave: América Meridional. Política Platina. Guerra Cisplatina. Uruguai.Frutuoso Rivera.

 

134 – Título: “A Usina da Discórdia: Disputa pelo Poder Local – O Caso das Prisões em Constantina (1966)”

Autor: Caciana Luzia Ferronatto

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UFPEL) e Profª. Dr. Janaína Rigo Santin (UPF)

Data Defesa: 03/04/2009

Resumo: Este estudo pretende relatar as disputas políticas regionais ocorridas no interior do Rio Grande do Sul, a partir da criação e do desenvolvimento de núcleos municipais e de empresas de energia hidroelétrica, durante o período de 1959 a 1970. Sendo assim, o objeto de análise desta investigação é a disputa entre dois grupos políticos distintos no município de Constantina, Rio Grande do Sul, sendo que de um lado vigora os ideais de empresários ligados ao PSD e, de outro, profissionais liberais, filiados ao PTB. Os fatos, os relatos, o contexto nortearam-se por depoimentos, documentos oficiais e, também, por pesquisa de fundamentação teórica. No decorrer do trabalho buscou-se entender duas problemáticas: a primeira, com a emancipação de Constantina em 1959, a comunidade antes unida, divide-se em dois grupos distintos e rivais, procurando esclarecer as causas de tal rompimento. A segunda relatando sobre as prisões de 1966 em que não constam em documentos oficiais causas para que as mesmas tenham ocorrido. E entre os acontecimentos figura a Usina Força e Luz Constantina Ltda. No período compreendido entre 1959 e 1970 foram uniões desfeitas, disputas acirradas, prisões, humilhações – em alguns momentos –, para se chegar ao desenvolvimento desejado de uma pequena região interiorana do Rio Grande do Sul, que ainda hoje busca um desenvolvimento sustentável e adequado aos seus habitantes.

Palavras-chave: Política, Relações de poder, Energia hidroelétrica, Prisões.

 

135 – Título: “SENTINELAS DO SUDOESTE: o Exército brasileiro na fronteira paranaense”

Autor: Ronaldo Zatta

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Gilberto Grassi Calil (UNIOESTE) e Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 17/04/2009

Resumo: Este trabalho tem o objetivo de analisar a influência do Exército na formação da sociedade regional no sudoeste paranaense. A história da colonização regional se confunde com a das Organizações Militares que foram destacadas para a região, por este motivo foram direcionados esforços para entender como se deu o bom convívio social entre militares e “pioneiros” que resultou numa identidade política comum a todos. O início da análise se dá na área da “geopolítica” estudando os pensamentos da ESG sobre a região (fronteira com a Argentina e próxima ao Paraguai) ainda nos anos vinte, seguindo no campo da “cultura política” e “imaginário social” para explicar os laços fraternais criados, o bom convívio local e a identificação como um grupo social com raízes em comum. A proximidade com a fronteira e a presença de instituições militares através de suas atuações nos tempos de colonização (Revolta de 1957) com seus símbolos, costumes e rituais simbólicos de civismo deixaram marcados com traços do “nacionalismo” a base social na região. Por fim os estudos se direcionam para o campo da “memória”, onde se disserta sobre o tenente Camargo, militar transformado em herói regional após ter sido morto em combate a guerrilha em 1965.

Palavras-chave: Exército, sociedade, revolta e memória.

 

136 – Título: “Mapear, demarcar, vender... A ação da Empresa Colonizadora Luce, Rosa & Cia Ltda no Alto Uruguai gaúcho – 1915/1930”

Autor: Márcia dos Santos Caron

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Isabel Rosa Gritti (UERGS) e Prof. Dr. Luiz Carlos Golin (UPF)

Data Defesa: 24/04/2009

Resumo: Valendo-se da Lei de Terras de 1850, que passou a tratar a terra como um bem comerciável, surgiram as companhias colonizadoras, empresas que objetivavam obter lucro com a venda das terras que adquiriam. Essas empresas mapeavam, demarcavam e vendiam as terras aos imigrantes vindos da Europa ou então a migrantes que deslocavam-se das “colônias velhas” em busca de novas terras e novas oportunidades de trabalho. Paralelamente à colonização oficial realizada pelo Estado, realizou-se na região do Alto Uruguai gaúcho a colonização promovida pelas companhias colonizadoras particulares. Duas companhias colonizadoras tiveram destacada atuação na região do Alto Uruguai gaúcho: a Jewish Colonization Association, que se propunha a colonizar a Fazenda QuatroIrmãos com judeus vindos da Europa e a Empresa Colonizadora Luce, Rosa & Cia Ltda, que se propunha a assentar imigrantes alemães e italianos. Esse trabalho procura demonstrar e analisar a ação da Empresa Colonizadora Luce, Rosa & Cia Ltda na região do Alto Uruguai gaúcho entre 1915 e 1930, período no qual a Empresa Colonizadora adquiriu, mapeou, demarcou e vendeu terras na região; seguindo os moldes propostos pelo Estado positivista. Analisa e demonstra a forma como a Empresa Colonizadora organizou uma complexa rede de propaganda e venda de suas terras entre imigrantes italianos e alemães, a fim de promover a separação dessas etnias em áreas pré determinadas pela Empresa Colonizadora.

Palavras-chave: Terra, colonização, imigração, Empresa Colonizadora Luce, Rosa & Cia Ltda

 

137 – Título: “Legitimidade e Hegemonia: o mercado do ensino superior na região de Passo Fundo – 1990-2005”

Autor: Leandro Tuzzin

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Ricardo Rossato (FAMES) e Profª Dr. Janaína Rigo Santin (UPF)

Data Defesa: 06/05/2009

Resumo: Trata-se de uma pesquisa sobre as transformações ocorridas no campo da educação superior, no período de 1990 a 2005. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(LDB), de 1996, construída a partir dos princípios neoliberais de defesa das leis do mercado e do Estado Mínimo, regulamentou a participação da iniciativa privada na oferta de educação superior. Essa regulamentação visava ampliar o acesso ao ensino de terceiro grau. A inspiração e justificação de tal medida vinham da teoria do capital humano, que ganhou força no cenário mundial ao sustentar a relação entre investimento em educação e sucesso econômico. Com a crise econômica dos anos 1980-1990, a educação foi rapidamente convertida em alternativa para os problemas sociais do desemprego e da miséria. Isso levou a grande procura por cursos de especialização superior. A iniciativa privada, observando a demanda existente, passou a investir na área, promovendo um expressivo crescimento no número de instituições, cursos e vagas para o quadro do ensino superior. Foi uma resposta positiva às pretensões da LDB. Contudo, o mercado educacional logo mostrou sinais de desaquecimento, com sucessivo aumento no número de vagas ociosas, principalmente nas instituições privadas. O fato fez com que as instituições adotassem várias estratégias para se manterem no mercado, mas que também mostraram limitações. O mercado entrou assim num momento de concorrência acentuada. Na região de Passo Fundo, esse processo de transformação do modelo educacional assumiu características peculiares. Houve movimentos de resistência a abertura do mercado, partindo da Universidade de Passo Fundo, que buscava garantir a continuidade do modelo da universidade comunitária praticado por ela até então. Apesar disso, constatamos que a proposta de ampliação do mercado da educação superior almejada pela LDB foi concretizada na região, onde se instalaram e surgiram outras Instituições de Ensino Superior.

Palavras Chave: Educação Superior, Capital Humano, Mercado Educacional

 

138 – Título: “Política e Direito no Brasil Pós-independência(1826-1834): o avanço liberal nas primeiras Legislaturas e os limites legais da Primeira Reforma Constitucional Brasileira”

Autor: Renato Costamilan Liska

Orientador: Profª Dr. Janaína Rigo Santin

Banca: Prof. Dr. Antonio Carlos Wolkmer (UFSC) e Prof. Dr. Adelar Heisnfeld (UPF)

Data Defesa: 14/05/2009

Resumo: Este trabalho abarca um estudo do início da atividade legislativa brasileira em 1826, enfatizando o conturbado período geopolítico e social dentro e fora da nação. Para tanto, analisa as forças políticas que atuaram naquela conjuntura, bem como a legislação que vigeu nos idos do pós-independência. Tendo como fonte a historiografia, a Constituição imperial de 1824 e os atos do Poder Legislativo de 1826 a 1834, demonstram-se quais foram as principais preocupações dos legisladores daqueles anos, apontando os assuntos mais recorrentes numa classificação que leva em conta algumas variantes de cunho jurídico. Assim, o avanço liberal perpetrado por parte da elite política do país, encontrou sua via de execução na primeira reforma constitucional brasileira, a qual acabou representando o ápice das correntes liberais nos desígnios da nação, vindo a alterar de maneira substancial artigos constitucionais nevrálgicos para o sistema de governo. A regionalização que essa reforma acabou por realizar consubstancia o foco primordial dos apontamentos feitos ao longo do trabalho. O estudo também procura relativizar alguns paradigmas historiográficos, argüindo novos elementos interpretativos. A contribuição pretendida nestas linhas é acrescentar aos estudos voltados para os elementos políticos e jurídicos da época, uma análise textual das leis oriundas do Poder Legislativo, demonstrando como e com quais embasamentos jurídicos esse órgão, sobretudo através da atuação da Câmara dos Deputados, conseguiu colocar em xeque o poder político da monarquia, principalmente depois da abdicação do imperador em 1831.

Palavras-chave: História político-jurídica. Descentralização administrativa. Poder legislativo. Avanço liberal. Reforma constitucional

 

139 – Título: “Histórias que se revelam: representações simbólicas da formação de Chapecó no monumento 'O Desbravador' e no mural 'O Ciclo da Madeira'”

Autor: Sonia Monego

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Prof. Dr. Elison Antonio Paim (Unochapecó), Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Data Defesa: 19/05/2009

Resumo: Com este trabalho de pesquisa denominado “Histórias que se revelam: representações simbólicas da formação de Chapecó no monumento ‘O Desbravador’ e o mural ‘O Ciclo da Madeira’”, pretende-se analisar a história de Chapecó a partir de dois monumentos colocados em espaço público, no centro da cidade, sendo eles a escultura “O Desbravador”, do artista plástico Paulo de Siqueira, situada na avenida Getúlio Vargas, e o mural “O Ciclo da Madeira”, elaborado pelos artistas Xiko Bracht e José Kurá, sendo executado com a ajuda de um grupo de artistas e aprendizes. Este mural se encontra na praça Coronel Bertaso e possui 200m². A escolha destes dois monumentos se deve ao fato de os dois se situarem no centro da cidade e apresentarem uma história em comum, ou seja, representam a história de Chapecó através de narrativas. A curiosidade que temos é de investigar: como a história está sendo contada nestas obras? que significados estas “obras” produzem no ambiente urbano? Quais as semelhanças ou divergências entre elas? e aprofundar conceitos (considerados importantes na compreensão dos monumentos), como: Progresso, Capital Simbólico e Fronteira. A presente proposta procura formar novos subsídios para a compreensão da história regional, uma vez que estes monumentos intervêm no processo de leitura da cidade. Para compreender os sentidos intrínsecos nas obras estudadas, a metodologia de investigação incluiu pesquisa bibliográfica, qualitativa e exploratória, e um estudo comparativo entre os monumentos selecionados. Os instrumentos de coleta e análise dos dados referentes às obras ocorreram por meio de pesquisa documental e pesquisa com pessoas envolvidas diretamente na construção das obras.

Palavras Chaves: Representações Simbólicas, Monumentos Públicos, História de Chapecó, O Desbravador, Mural “O Ciclo da Madeira”.

 

140 – Título: “A disputa pelo poder no Rio Grande do Sul: a participação estrangeira no conflito de 1923”

Autor: Lúcio Antonio Rodrigues Leão

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Prof. Dr. Paulo José Sá Bittencourt (URI/Erechim) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 10/06/2009

Resumo: O presente trabalho referente aos enfrentamentos no Rio Grande do Sul durante a República Velha visa verificar as diferentes formas de utilização do poder, por parte do governo do estado, enfatizando a participação e contratação de “mercenários” na Revolução de 1923, bem como uma análise das lutas travadas. Republicanos e Federalistas articulavam-se no enfrentamento pelo poder em detrimento da Revolução de 1923, cujo motivo seriam as eleições de 1922, momento em que Assis Brasil (federalista) fora derrotado nas urnas por Borges de Medeiros (republicano). As diferenças políticas travadas no Rio Grande do Sul entre federalistas e republicanos, muitas vezes ultrapassavam fronteiras, demonstrando o poder de alcance destas elites regionais em disputa pelo poder do Estado.

 

141 – Título: “Um posto de combate e uma tribuna de doutrina”: o Partido Libertador e o jornal Estado do Rio Grande(1929-1932)”

Autor: Ericson Flores

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr.Luciano Aronne de Abreu (PUCRS) e Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Data Defesa: 01/10/2009

Resumo: Este trabalho procura mostrar a posição do Partido Libertador (PL) em relação ao movimento revolucionário que em outubro de 1930, entregou o governo do Brasil a Getúlio Vargas. A fonte de pesquisa utilizada foi, basicamente, o jornal Estado do Rio Grande, órgão oficial do partido. O periódico foi publicado, em sua primeira fase, entre outubro de 1929 e julho de 1932. Foram analisados especialmente os editoriais, por manifestarem a opinião do jornal e, consequentemente, do próprio PL. Tal agremiação política havia sido organizada em março de 1928, congregando três vertentes: os antigos federalistas, os simpatizantes de Assis Brasil e os dissidentes do Partido Republicano Rio-grandense (PRR). Representavam uma fração da oligarquia do Rio Grande do Sul, com forte concentração na região sul do estado, onde predominava a economia pastoril, com grandes fazendas dedicadas principalmente à bovinocultura. Quando surgiu o nome de Getúlio Vargas como candidato à presidência da República, provocado por uma dissensão entre São Paulo e Minas Gerais, os libertadores decidiram apoiá-lo. Formou-se então a união das duas forças políticas gaúchas em torno da candidatura Vargas. A Aliança Liberal foi defendida pelo Estado do Rio Grande, enaltecendo seus postulados democráticos. No entanto, com a derrota eleitoral dos candidatos de oposição ao governo federal, decorreram meses de conspiração revolucionária. Nesse período os políticos oposicionistas se aliaram aos tenentes. Nesse momento, o jornal libertador faz duras críticas ao presidente da República, Washington Luís, expressando o seu apoio ao movimento revolucionário. Em novembro de 1930, após poucas semanas de luta, quase sem reação, Getúlio Vargas era empossado como chefe do governo provisório. Inicia-se então um embate entre os novos detentores do poder: os políticos tradicionais, de tendência liberal e os tenentes, de tendência autoritária. Os libertadores começam uma campanha em favor da reconstitucionalização imediata do país, contra o prolongamento da ditadura, defendida pelos tenentes. O jornal do PL torna-se porta-voz do movimento constitucionalista no Rio Grande do Sul, até romper definitivamente com Vargas, no 1º semestre de 1932. Em julho deste ano, apóia os paulistas na Revolução Constitucionalista e seus principais líderes são obrigados a deixar o país.

Palavras-chave: Partido Libertador, Estado do Rio Grande, imprensa, anti-getulismo.

 

 142 - Título: “A Caracterização do Vínculo Empregatício na Justiça do Trabalho da Região de Passo Fundo: aspectos jurídicos e históricos no período de 1998 a 2008”

Autor: Elizete Gonçalves Marangon

Orientador: Profª. Dr. Janaína Rigo Santin

Banca: Prof. Dr. Orides Mezzaroba (UFSC) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 16/10/2009

Resumo: O estudo discute o direito social ao trabalho. A problemática consiste em verificar, através do método indutivo, se as sentenças do período de 1998 a 2008 na Justiça do Trabalho de Passo Fundo reconhecem ou não a relação de emprego, com base nos princípios específicos do Direito do Trabalho e pautando-se pelo princípio da dignidade da pessoa humana, assegurado na Constituição Federal, e que constitui o marco teórico da investigação. Contextualiza-se a percepção dos direitos sociais, dentre eles os direitos trabalhistas criados na Era Vargas, a partir da integração entre a História e o Direito, demonstrando a necessidade e utilidade da ligação multidisciplinar para uma análise crítica do contraste de se utilizar a força de trabalho dissociada dos direitos laborais.

Palavras-Chave: vínculo empregatício, direitos sociais, contrato de emprego, Direito do Trabalho.

 

143 - Título: “O setor de pedras preciosas e suas dinâmicas socioeconômicas – Soledade (1997-2006)”

Autor: Gilmar Afonso Matos Palmeira

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Everson Paulo Fogolari (URI) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 19/10/2009

Resumo: Este trabalho de pesquisa incide numa análise histórica da importância econômica e social do setor de pedras preciosas para o município de Soledade, bem como suas dinâmicas e gargalos socioeconômicos e ambientais, num recorte temporal de 1997 a 2006. A pesquisa foi realizada através da utilização de bibliografias correlacionadas com o objeto do estudo, atentando também ao desenvolvimento empresarial e a história oral. Através dessa fundamentação foi possível analisar os motivos por que o setor de pedras preciosas predominou como a principal atividade econômica no município, superando as possibilidades históricas da pecuária, da agricultura e das indústrias madeireira e calçadista. A pesquisa analisa por que os empresários preferem exportar pedras in natura, ao invés de fabricarem joias e artefatos, atividade que geraria mais empregos diretos e indiretos no setor. Preza-se também pela análise dos aspectos da saúde dos trabalhadores do setor de pedras preciosas, além de abordar a importância das associações, universidades, entidades privadas e sindicatos envolvidos no seu desenvolvimento. Faz-se um breve relato sobre as três maiores empresas do setor em Soledade, esclarecendo também a contribuição do setor para composição das receitas municipais e para o sistema de mercado interno e externo da econômica local.

Palavras-chave: pedras preciosas, importância econômica, abordagem social, exportação.

 

144 - Título: “A visão do Barão de Mauá sobre a política externa brasileira no Rio da Prata: 1850 - 1865”

Autor: Rui Mateus Ramos

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Profª. Dr. Sandra Maria Lubisco Brancato (PUCRS) e Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin (UPF)

Data Defesa: 12/11/2009

Resumo: Este trabalho busca compreender a visão do Barão de Mauá sobre a política externa brasileira no Rio da Prata durante o período de 1850 a 1865. A partir da sua correspondência emitida aos diplomatas uruguaios Andrés Lamas e Juan José Herrera, o trabalho também analisa a participação de Mauá nas relações diplomáticas entre o Brasil e os países platinos. As fontes utilizadas foram escritas num conturbado contexto histórico, marcado por duas guerras civis no Uruguai, conflitos diplomáticos e intensa atuação da diplomacia brasileira. Irineu Evangelista de Sousa, Barão e Visconde Mauá, teve importante participação nos acontecimentos políticos no Rio da Prata entre 1850 e 1865 e seus escritos ajudam a compreender as complexas relações diplomáticas entre Brasil, Uruguai e Argentina. Ao longo daquele período histórico, os interesses de Mauá no Prata vão tornando-se incompatíveis com a política externa desenvolvida pelo governo brasileiro na região. Num primeiro momento, o presente trabalho analisa os motivos que provocaram a aproximação inicial entre Mauá e a diplomacia brasileira na década de 1850. Posteriormente, é feita a análise da documentação escrita por Mauá na década de 1860, onde estão contidas suas críticas à política do governo brasileiro para o Prata.

Palavras-chave: Barão de Mauá, região do Prata, relações diplomáticas, política externa brasileira.

 

145 - Título: “Memória e Patrimônio: os símbolos esquecidos no cemitério municipal de Soledade (1871-1935)”

Autor: Magda da Silva Pereira

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Prof. Dr. Paulo José Sá Bittencourt (URI/Erechim) e Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 16/12/2009

Resumo: A presente dissertação objetiva realizar uma investigação sobre a importância histórica que os cemitérios possuem para a memória de uma comunidade, tendo como tema: Memória e Patrimônio: os símbolos esquecidos no Cemitério Municipal de Soledade, no marco cronológico de 1871 – 1935. Os subsídios desta pesquisa foram coletados através de entrevistas informais, revisões bibliográficas, pesquisa documental e levantamento fotográfico, no intuito de verificar como os cemitérios podem servir de fonte histórica nos aspectos culturais, sociais e econômicos de uma comunidade. A dissertação está dividida em quatro capítulos, onde é realizada uma abordagem sobre a morte na história, as igrejas, campos santos, e em específico, o Cemitério Municipal de Soledade e a simbologia existente em seus túmulos. Os cemitérios surgem como forma de reprodução da memória através de sua arte, seus epitáfios, sua arquitetura, entre outros aspectos. É parte inerente na preservação da história local, preservando a identidade cultural de uma comunidade, pois evidencia aspectos religiosos, ideológicos, a presença artística, as etnias, bem como o contexto econômico local e os períodos de ascensão e declínio de cada época, tudo através da representação simbólica contida nos túmulos dos cemitérios.

Palavras-chave: Cemitério, Memória, Comunidade.

 

146 - Título: “As discussões econômicas da Constituinte de 1823 e a formação econômica do Primeiro Império”

Autor: Jorge Adriano Schaefer Pereira

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Prof. Dr. Álvaro de Souza Gomes Neto (Anglo-Americano/Passo Fundo) e Profª. Drª.  Janaína Rigo Santin (UPF)

Data Defesa: 17/12/2009

Resumo: A formação do constitucionalismo brasileiro iniciou-se com as idéias preconizadas pelos inconfidentes mineiros. Essa iniciativa foi reprimida pelo governo monárquico. Somente mais tarde, em 1821, com a independência do Brasil e as revoltas mundiais, é que começou a se cogitar a elaboração de uma Constituição do Império Brasileiro, para regrar o império e as relações entre os poderes constitucionais e os cidadãos brasileiros. Em 1823 formou-se a primeira Assembléia Constituinte e Legislativa do Império do Brasil, com atribuições de discutir e votar leis e a Carta Maior do império nascente. A par das discussões legislativas, surgiam os assuntos de relevância econômica, política e jurídica. Inseridos no contexto econômico e político pelo qual a nação passava, os parlamentares abordaram diversos interesses, desde os próprios, relativos aos seus vencimentos, até aqueles ligados às elites econômicas e políticas do Brasil. O país precisava reorganizar-se. O período do primeiro império, compreendido entre 1821 e 1831, caracterizou-se precipuamente pela instabilidade política e econômica, na qual interesses os mais diversos, colidiam constantemente. O período foi turbulento. As elites portuguesas e brasileiras entravam em conflito. A economia brasileira tinha suas bases coloniais, o que significava uma economia exportadora, escravista, monocultora e primária. Questionam-se quais seriam as discussões de cunho econômico aventadas nas seções parlamentares da Assembléia Constituinte de 1823, objetivando-se investigar a história do constitucionalismo brasileiro e as discussões econômicas sob o prisma microeconômico e macroeconômico, ocorrentes no parlamento de 1823 e, por fim, situar o período do Primeiro Império política e economicamente.

Palavras-chave: Constitucionalismo – Constituinte – Primeiro Império – economia – política .

 

147 - Título: “A reforma agrária no oeste de SC e os conflitos pela terra”

Autor: Terezinha Pagoto

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Arlene Anélia Renk (Unochapecó) e Prof. Dr. Paulo Afonso Zarth (UPF)

Data Defesa: 18/12/2009

Resumo: A partir do final dos anos 70, início dos 80, a região Oeste de Santa Catarina passou a sentir de forma mais intensa os efeitos da modernização da agricultura, que desestruturou a produção agrícola familiar tradicional. A crise afetou profundamente as condições de vida dos trabalhadores rurais, que viviam da pequena propriedade e que produziam, num processo mais artesanal, porém, comercializavam os excedentes e ainda complementavam a renda com a criação de suínos, que se constituía em produção alternativa, ao mesmo tempo, que se comercializava a produção de carnes e seus derivados complementavam a alimentação dessa população camponesa. No início dos anos 80, essa situação agravou-se de tal maneira, que fez com que o Oeste catarinense conhecesse uma nova realidade. Em meio, a crise da modernização, que assolava a agricultura, surge repentinamente, a Peste Suína Africana, um episódio um tanto obscuro, que provocou muita polêmica e que ao que se sabe, nunca foi realmente esclarecida. O que sabemos é que, não só, mas somada a outros fatores, já citados, a Peste Suína Africana provocara o auge do empobrecimento dos produtores rurais tendo como consequência o grande êxodo rural e uma mudança radical na cultura da população da região. Diante da conjuntura nacional, de migração do capital internacional e das transformações por que passava a agricultura brasileira, com a capitalização do campo passou a elucidar cada vez com maior intensidade a expropriação dos trabalhadores rurais. A região Oeste catarinense, favorecida pela existência da Igreja Católica, instituição estruturada, a qual as famílias camponesas encontravam-se ligadas tornou-se cenário imprescindível, para o surgimento de um processo de mobilização social dos trabalhadores do campo. Este processo de mobilização facilitou o desencadeamento da organização de vários movimentos sociais, com memorável destaque para o MST. Movimento que historicamente esteve presente nas discussões e enfrentamento para implantação da Reforma Agrária no País e que viabilizou o redimensionamento de diversos espaços comunicativos e interativos que restabeleceram o processo de comunicação, passando a veicular um discurso crítico, a respeito das condições histórico-sociais vividas pela população. A compreensão do surgimento desse Movimento implica, pois, em se considerar tanto as causas estruturais e as características sócio-culturais da população, tanto as ações comunicativas desenvolvidas no momento histórico em que se desencadeou o processo de mobilização, organização, até o assentamento.O presente estudo, procura analisar a importância dos fatores que contribuíram para o processo que desencadeou as ocupações, e os assentamentos, no município de Abelardo Luz, especificamente, os assentamentos José Maria e Santa Rosa III.

Palavras-chave: MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), questão agrária, ocupação, assentamento, trabalhadores do campo.

 

148 - Título: “O indígena na República Velha: as instituições de “proteção” no Rio Grande do Sul”

Autor: Darni Pillar Bagolin

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Golin

Banca: Prof. Dr. Everson Paulo Fogolari (URI/Erechim) e Profª. Dr. Janaína Rigo Santin (UPF)

Data Defesa: 23/12/2009

Resumo: O trabalho apresenta-se com a temática sobre a questão das instituições de proteção aos indígenas que estavam presentes no Estado do Rio Grande do Sul, durante o período da República Velha (1889-1930), a partir de pesquisa sistematizada, salientando-se através de diferentes mídias com técnicas bibliográficas e de análise documental em fontes impressas e virtuais. Para tais propósitos, inicialmente, recordar-se-á o que há de relevante a considerar do período Colonial e Imperial (compreende-se entre as Missões Jesuíticas e as farmer’s frontier). Posteriormente, enfocam-se a situação do índio no Estado, durante a os primórdios republicanos (compreende-se entre a relação com o movimento maçônico republicano até o envolvimento da mídia jornalística) e, finalmente, as políticas governamentais sobre os indígenas durante o período de 1907 a 1930 no Rio Grande do Sul (compreendem-se a Liga Patriótica de Catequese aos Silvícolas, Proteção Fraterna aos Indígenas e o Serviço de Proteção ao Índio). Através do método dedutivo aristotélico e da corrente filosófica humanista, encontra-se o caminho á resposta da ineficácia e não plenitude das referidas instituições.

Palavras-chave: Indígena, República Velha, Rio Grande do Sul, Instituições de Proteção.

 

 149 - Título: “De que verdade falou-se? A oposição na administração de Arthur Ferreira Filho em Passo Fundo (1938-1947)”

Autor: Adriana Ferreira da Silva

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Dr. Maria Eloisa Cavalheiro (UFGD) e Prof. Dr. Adelar Heinsfeld  (UPF)

Data Defesa: 06/01/2010

Resumo: Esta pesquisa concentra-se na trajetória política de Arthur Ferreira Filho sob o viés da oposição. Sua primeira nomeação foi em março de 1938, permanecendo até dezembro de 1941; a segunda, de outubro de 1944 a novembro de 1945; a última, em fevereiro de 1946. No decorrer desse período, os opositores de Ferreira Filho, cerceados pela censura, mantiveram-se ativos em suas observações e críticas ao representante da ditadura estado-novista por meio da literatura. O método dedutivo utilizado na pesquisa analisou os poemas registrados no livro Defendendo a verdade, publicado em 1947, de autoria do poeta e libertador Gomercindo dos Reis, este denunciava as ações administrativas de Ferreira Filho com poesia e sátira. Após dez anos dessa publicação, Gomercindo lança uma segunda obra intitulada Jardim de urtigas, em 1957, na qual é registrada uma segunda coletânea de versos críticos referentes aos atos administrativos. Através deste trabalho propomos um outro olhar da política estado-novista local sob a perspectiva dos opositores que se mantiveram atuantes através da literatura.

Palavras-chave: Estado Novo. Passo Fundo. Oposição. Arthur Ferreira Filho.

 

150 - Título: “Encontrando um Novo Mefisto: a americanização do Exército nas páginas D`A Defesa Nacional, 1942-1952”

Autor: Derli Stumpf Júnior

Orientador: Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman

Banca: Prof. Dr. Vagner Camilo Alves (UFF) e Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 30/03/2010

Resumo :O presente trabalho apresenta resultados de uma pesquisa que investiga a influência militar norte-americana no Exército brasileiro ao longo do período de envolvimento direto dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, bem como no contexto inicial da Guerra Fria. Trata-se, aqui, de verificar, a partir da imprensa militar, mais especificamente por meio da análise dos artigos publicados na revista A Defesa Nacional, entre os anos de 1942 e 1950, como, gradativamente, ocorreu a transição de uma matriz militar francesa para outra norte-americana no Exército brasileiro. No que se refere aos aspectos teórico-metodológicos, a pesquisa utiliza-se do aparato conceitual da História Cultural, mais especificamente do conceito de representações, elaborado pelo historiador Roger Chartier. Dessa forma, o trabalho conclui, com base no publicado nas páginas da revista, que a incorporação do modelo militar estadunidense pelo Exército brasileiro aconteceu de forma seletiva e pragmática, mesmo em períodos nos quais a política externa nacional alinhava-se de forma automática com a diplomacia norte-americana. Por fim, não houve uma assimilação automática do modelo norteamericano pelo Exército brasileiro, que colocava os interesses da instituição acima de qualquer eventual simpatia e apoio irrestrito às demandas dos militares estadunidenses.

Palavras-chave: Americanização, Exército, A Defesa Nacional.

 

 151 - Título: “Direita Volver: o IBAD no golpe de 64 lido pela imprensa gaúcha”

Autor: Carolina Detoffol

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Enrique Padrós (UFRGS) e Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 08/04/2010

Resumo: O contexto desse trabalho se insere no chamado período da Guerra Fria e contempla a imprensa riograndense como fonte e objeto de análise da comissão parlamentar de inquérito que foi constituída em 1963, para apurar irregularidades na ação do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e suas subsidiárias. Através da justificativa da necessidade de segurança interna, materializada na doutrina de segurança nacional (DSN), o anticomunismo foi utilizado para legitimar ações da classe modernizante-conservadora do bloco multinacional associado que deflagrou o golpe civil-militar de características autoritárias para combatê-lo. Criando organizações que objetivavam enfraquecer e neutralizar os dispositivos populares de João Goulart, e do bloco histórico populista, situaram suas ações e se uniram sob a liderança única do denominado complexo IPES/IBAD.

Palavras-chave: João Goulart. IBAD. IPES.

 

 152 - Título: “Entre cruzes e bandeiras: a Igreja Católica e os conflitos agrários no norte do Rio Grande do Sul (1960-2009)”

Autor: Valdemar da Silva Goes

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Gerson Wasen Fraga(UFFS) e Profª. Dr. Gizele Zanotto (UPF)

Data Defesa: 12/04/2010

Resumo: O nosso estudo reflete a inserção e o papel da Igreja Católica em especial através da CPT (Comissão Pastoral da Terra) junto aos movimentos sociais de luta pela terra no norte do Rio Grande do Sul. A temporalidade definida é entre os anos de 1960 e 2009. O cenário geográfico dos conflitos possui um arco de proximidade entre si, ou seja, são oriundos da antiga Fazenda Sarandi desmembrada nas primeiras décadas do século XX. A nossa preocupação central na análise dos grandes conflitos agrários de luta pela terra na referida região (Master, Natalino, Annoni e Coqueiros) foi no sentido de perceber as alterações e redefinições da mediação da Igreja junto aos mesmos. Vimos que no primeiro movimento o papel da Igreja se deu mais no campo político e organizativo (criação de sindicatos e combate ao comunismo); no segundo (Natalino), o seu papel foi central, determinante e agregador; no terceiro (Annoni), começa haver profundas alterações no papel da Igreja, pois o MST se constitui e a dimensão político-partidário se sobrepõe à esfera religiosa; no quarto e último (Coqueiros), há uma total ausência da mediação da Igreja nos processos integrativos e organizativos no movimento. Não obstante à forte tendência de autonomização dos movimentos sociais em geral pós-década de 1990, concluímos que as dinâmicas ritualísticas de integração, pertencimento e reforço à luta (mística, marchas, encontros, celebrações, etc.) obedecem a uma lógica e simbologias produzidas pela Igreja Católica. Enfim, nosso estudo buscou mapear um processo de luta social, quase meio século, num cenário de contradições da forma pela qual a propriedade privada e centrada da terra produziu, bem como as várias fases e faces da instituição no interior dos movimentos sociais de luta pela terra.

Palavras-chave: Igreja Católica, MST, conflitos agrários, Latifúndio, Reforma Agrária.

 

153 - Título: A Primeira Queda de Jango: “Apontamentos para uma interpretação”

Autor: Dilossane Vargas da Silva

Orientador: Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman

Banca: Prof. Dr. Helder Volmar Gordim da Silveira (UFFS) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 12/04/2010

Resumo: Este trabalho aborda a atuação de João Goulart no Ministério do trabalho durante o segundo governo Vargas (1951-1954) com o objetivo de interpretar a sua abrupta saída após oito meses de gestão. Para tanto, analisa o governo Getúlio Vargas, ligação deste com João Goulart, descreve a ação da oposição, a imprensa getulista e antigetulista durante a atuação de João Goulart como ministro do Trabalho e a relação do “Manifesto dos Coronéis” com a crise do aumento do salário mínimo em 100%. Nesse processo, foram diversas as forças que atuaram para a desestabilização de Goulart no Ministério do Trabalho, com destaque para a imprensa, os militares da direita e a UDN. Dessa forma, o estudo conclui que a ação da oposição política a Getúlio Vargas e a João Goulart é apresentada pela história como um golpe contra a política trabalhista-populista desenvolvida pelo governo Vargas e pelo ministro do Trabalho João Goulart.

Palavras-chave: Política. Popular. Oposição. Golpe. Trabalhismo.

 

154 - Título: “PALÁCIO DE PAPEL: Cem anos de história”

Autor: Carmem Moreira Merlo

Orientador: Prof. Dr. Mário José Maestri Filho

Banca: Prof. Dr. Carlos Henrique Aguiar Serra (UFF) e Profª. Dr. Adriana Gelpi (UPF)

Data Defesa: 16/04/2010

Resumo :A ocasião é comemorativa. Aproveitando a celebração de 100 anos de existência do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, em 2006, mais do que vê-lo crescer é momento de valorizarmos o seu passado, fortalecendo sua relação com os usuários, bem como a sociedade porto-alegrense e, principalmente, fortalecendo a sua imagem como uma tradicional instituição cultural da capital. O presente trabalho aborda a história do Arquivo Público do RS, de sua fundação a 2006. Para compreender a história do Arquivo Público do Rio Grande do Sul foi preciso acompanhar sua atuação como instituição pública, proposta de desenvolvimento e progresso da República Rio-grandense, inspirados nos ideais positivistas do início do século 20. No intuito de dotar a administração pública de uma repartição exclusiva para a guarda e preservação dos documentos da província referentes à administração pública, à história e à geografia do Rio Grande do Sul, o Presidente da Província, Borges de Medeiros, organizou um Arquivo Público Provincial, demonstrando a filosofia preservacionista do século 19. Correspondendo a uma necessidade, a instituição do Arquivo Público foi bem recebida pela “opinião pública”, sobretudo republicana. O funcionamento do Arquivo Público foi assinalado por uma série de transformações e pela adoção de medidas que traduziam os objetivos do poder político estadual. Portanto, este estudo aborda sinteticamente a origem histórica dos arquivos há cerca de seis mil anos até os arquivos da atualidade, que são analisados em seguida. Esse traçado sintético da evolução dos arquivos no mundo nos leva ao o surgimento dos arquivos de Estado, no Brasil e, especificamente, do Rio Grande do Sul. Os arquivos públicos expressam a trajetória de suas administrações públicas, bem como suas condições políticas e sociais. Ao se buscar o sentido da criação do Arquivo Público do RS e sua funcionalidade, percebeu-se a importância que a iniciativa tinha para o Estado em construção do republicanismo rio-grandense. A estratégia de construir um local para abrigar a documentação do Estado em prédio próprio representou três aspectos: segurança, conservação (climatização) e centralização, além do seu estilo arquitetônico único na América Latina, senão o único no mundo.

Palavras-chave: Arquivo, Documento, Arquitetura.

 

155 - Título: “Modernização, agroindustrialização e agricultura familiar: o complexo soja na dinâmica econômica brasileira - anos 1970-2000”

Autor: Graziela Krabbe

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Prof. Dr. Nédio Piran (URI/Erechim) e Profª. Dr. Cleide Fátima Moretto (UPF)

Data Defesa: 12/05/2010

Resumo: Este estudo destacou as transformações ocorridas a partir dos anos 70 na agricultura brasileira, passando por um intenso processo de modernização e industrialização no meio rural, apresentado neste trabalho uma reflexão de como se instituiu no Brasil em Passo Fundo a mudança de um complexo rural para um agroindustrial como carro-chefe a soja. Essa expansão da agricultura “moderna” ocorre concomitante a constituição do complexo agroindustrial, modernizando a base técnica dos meios de produção, alterando as formas de produção agrícola. A modernização trouxe também um considerável aumento na produção agrícola, acentuando a exportação e contribuindo para um crescimento da economia nacional. Porém, se apresentou de maneira excludente levando um grande número de agricultores à decadência, agravado ainda pela crise econômica dos anos 80 no Brasil, que derrubou investimentos e créditos. Após esse período de crise a economia recuperou-se no início dos anos 90 com a inserção da agrodiversidade e a agricultura familiar que passam a ser fonte de renda e emprego para os pequenos produtores rurais, já que os grandes produtores continuaram inseridos no complexo soja. Diante destas transformações pós-crise, há novo modelo do CAI, inserindo as agroindústrias na pauta da diversificação – a agrodiversidade, a agroecologia, o fortalecimento da agricultura familiar e da pequena propriedade que conseguiu sobreviver à crise. No último momento é demonstrado como Passo Fundo foi sensível a todo este processo, demonstrando as correlações com o macro, que juntamente com a reconstituição do complexo soja e a agrodiversidade constituíram-se num novo eixo da agricultura brasileira. Diante desse quadro constatamos que a modernização se realizou amplamente, porém provocando profundas e irreversíveis transformações sociais. O processo adquiriu maturação em meia a uma intensa dinâmica de agroindustrilização do meio rural em que a agricultura familiar em grande parte foi inserida, vimos que a região de Passo Fundo se inseriu e dinamizou intensamente esse novo modelo redefinindo sua característica econômica e aprofundada pela agroindustrialização atual.

Palavras-chave: Modernização, agroindustrialização, agricultura familiar, complexo soja.

 

156 - Título: “A pia e a cruz – a demografia dos trabalhadores escravizados em Herval e Pelotas (1840-59)”

Autor: Mateus de Oliveira Couto

Orientador: Prof. Dr. Mário José Maestri Filho

Banca: Profª. Dr. Ester Judite Bendjouya Gutierrez (UFPEL) e Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 14/05/2010

Resumo: A demografia dos trabalhadores escravizados dos municípios de Herval e Pelotas foi pesquisada com base nos registros de batismo e óbitos das décadas de 1840-50 das Igrejas São João Batista e São Francisco de Paula arquivadas na Cúria Metropolitana de Pelotas. Os espaços geográficos contemplados constituíram importantes regiões para o desenvolvimento econômico da Província e para sua inserção no cenário Imperial. Herval se caracterizou pela pecuária, abastecendo as charqueadas e utilizando o trabalhador feitorizado nas lidas das suas fazendas pastoris. Pelotas foi ao longo do século 19 foi um importante centro charqueador e desenvolveu sua economia, sociedade, cultura e arte alicerçadas na mão-de-obra escravizada. Os cativos se dedicavam à salgação da carne nos meses de verão (de outubro/novembro a abril/maio) e no período de entressafra do charque, eram empregados na construção civil, tanto que as charqueadas pelotenses possuíam olarias e eram proprietários de imóveis na cidade. O recorte cronológico escolhido para a análise dos registros está relacionada com as alterações que o sistema servil sofreu nos anos 1840 e 50 no Brasil Imperial e seus reflexos na Província do Rio Grande de São Pedro do Sul. A lei Eusébio de Queirós de 4 de setembro de 1850 findou com o comércio transatlântico de cativos e o Rio Grande do Sul adquiriu a partir de 1851 a característica de exportador de mão-de-obra servil. A pia e a cruz procurou discutir se houve modificações na população escravizada sul-rio-grandense, dando ênfase aos municípios de Herval, pastoril, e Pelotas, charqueador.

Palavras-chave: Rio Grande do Sul, Escravidão, Pelotas, População escravizada, Herval;

 

157 - Título: “BAGÉ - A imprensa partidária e a Guerra Civil de 1923”

Autor: Cláudio de Leão Lemieszek

Orientador: Prof. Dr Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UFPEL) e Profª. Dr. Gizele Zanotto (UPF)

Data Defesa: 17/05/2010

Resumo: Esta dissertação busca analisar o discurso jornalístico, no contexto da Guerra Civil de 1923, a partir da cobertura dada pela imprensa escrita bajeense, particularmente realizada pelos jornais O Dever e Correio do Sul. O estudo propõe investigar e discutir o papel e as relações da imprensa jornalística partidária de Bagé no processo dessa guerra, tendo como objetivo principal mostrar que os dois jornais tiveram participação no conflito, seja promovendo as palavras de ordem revolucionárias, seja contribuindo para as iniciativas de pacificação. Destacam-se, de forma introdutória, os pressupostos teóricos que compõem o jogo de interrelações entre o jornalismo e a vida política, realizando-se, ainda, uma incursão pelo debate político-partidário de ambos os jornais.

Palavras-chave: Bagé, Imprensa partidária, Guerra Civil de 1923.

 

158 - Título: “Colégio Notre Dame e as adaptações à política educacional (1937-42)”

Autor: Belady Bonato

Orientador: Profª. Dr Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Haroldo Loguercio Carvalho (UFRN) e Profª. Dr. Gizele Zanotto (UPF)

Data Defesa: 08/06/2010

Resumo: Durante o Estado Novo (1937-1945) a regulamentação do ensino foi levada a efeito a partir de 1942, com a Reforma Capanema, sob o nome de Leis Orgânicas do Ensino. Capanema tinha como objetivo a formação da personalidade do adolescente e a seleção pelo cultivo de humanidades antigas e modernas e assim elevar no jovem a consciência patriótica e a consciência humanística. Deve-se atentar para o detalhe da tentativa de formação da consciência do jovem através da educação voltada para o patriotismo. Diante desse contexto, abordaremos nesse trabalho o colégio Notre Dame de Passo Fundo-RS, analisando sua postura diante das reformas e procurando identificar através dos documentos fornecidos pelo colégio quais mecanismos utilizados para adequar-se às determinações legais da reforma do ensino secundário.

Palavras chave: Estado Novo, Educação, Notre Dame, Ensino Secundário, Leis Orgânicas

 

159 - Título: “O Assentamento Ernesto Che Guevara – Trajetórias de vidas e luta pela terra no Paraná”

Autor: Anderson Prado

Orientador: Prof. Dr Luiz Carlos Golin

Banca: Prof. Dr. Jair Antunes (Unicentro/PR) e Prof. Dr. João Carlos Tedesco (UPF)

Data Defesa: 26/08/2010

Resumo: Este trabalho tem por objetivo fazer um estudo do Projeto de Assentamento (P.A.) Ernesto Che Guevara, vinculado ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra no município de Teixeira Soares-PR. Mas especificamente, objetiva relatar a trajetória de vida de alguns de seus assentados, descrevendo como as histórias de vidas de tais trabalhadores deram forma à história do P.A. O MST aparece para a grande parte da opinião pública como um movimento subversivo e muitas vezes de ideologia dúbia. Porém, tentou-se mostrar, através de relatos sobre a trajetória desses assentados, que, ao menos para eles, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra representou não só um meio para uma melhorar condições de vida, mas também uma esperança em meio às enormes privações sociais das quais passavam antes de se tornarem assentados. Os trabalhadores rurais vivem e trabalham enfrentando diversas dificuldades, desde a falta de apoio oficial até problemas como a divisão dos assentados em grupos opostos, porém, mesmo assim, alguns ainda conseguem organizar-se de forma coesa através de experiências vividas diariamente. Enfim, este trabalho objetiva ser um relato sobre a trajetória de vida dessas pessoas e que buscou entender o motivo que os levou a aderir ao Movimento, seus objetivos, suas dificuldades, enfim, suas histórias.

Palavras chave: MST; Sociabilidade; Identidade; Experiência; Classe

 

160 - Título: “A Grande Guerra: história e historiografia do conflito no Prata (1864-1870)”

Autor: Alexandre Borella Monteiro

Orientador: Prof. Dr Mário José Maestri Filho

Banca: Prof. Dr. Paulo Marcos Esselin (UFMS) e Prof. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 23/09/2010

Resumo: O presente texto trata a respeito da formação dos países na Bacia do rio da Prata, do maior conflito militar envolvendo esses países e da historiografia a respeito dessa guerra. O Uruguai foi alvo primeiramente da coroa portuguesa e, posteriormente, entrou para a área de influência do Império do Brasil. Sofreu constantes intervenções e foi o estopim para a Guerra do Paraguai quando foi invadido pelos imperiais, apesar de claras ameaças do presidente Solano López, do Paraguai para o caso de uma intervenção no Estado Oriental. A Argentina por sua vez, enfrentou um conflituoso processo de unificação, presenciando uma guerra intermitente depois da queda de Rosas, vendo dois expoentes: Urquiza e Mitre cujas bases de apoio eram a Confederação Argentina e a rica província de Buenos Aires. O Império do Brasil se configurava na única nação governada por um monarca na América. Era uma excreção em um continente de Repúblicas. Diferenciava-se também pelo fato de possuir instituições jurídicas e políticas consolidadas, ao contrário de seus vizinhos. Sem contar que sua riqueza era sustentada pelo trabalhador escravizado. Além do mais, entrava em uma fase de estabilidade, depois das revoltas internas e no Segundo Reinado, assistiu a um surto industrial e pôde se lançar a uma política imperialista. Foi nesse período inclusive, que o tráfico de escravos foi extinto, contribuindo para essa estabilidade. O Paraguai por sua vez, apresentou um singular desenvolvimento endógeno, baseado em uma forte classe camponesa. Singular também foi o isolamento paraguaio, não voluntário, mas imposto, por circunstâncias geográficas, bem como para manter a independência. O Paraguai foi um peculiar Estado moldado por Francia, e modernizado pela família López. Singular também foi sua forma de governo, uma ditadura ou tirania de poder unipessoal, imposta nos tempos de Francia e consolidada por seus sucessores. Por outro lado, tirania onde o povo era consultado, e onde não faltavam os meios básicos de subsistência, e principalmente: onde todos sabiam ler e escrever. E foi o país mais destruído depois da guerra. Mas e a discussão em torno da Guerra do Paraguai? O que dizem as correntes historiográficas divergentes? O que foi a guerra? Quando ela iniciou? Quem tomou a iniciativa? A quem interessava? São perguntas que, não pretendemos responder, de forma conclusiva, mas simplesmente instigar a novas interrogações, ou quem sabe abrir caminho para estudos ainda mais aprofundados. Sabemos que não é possível esgotar o assunto, mas faremos o possível para debater a Guerra do Paraguai, bem como para jogar mais luz a respeito desse assunto. Elucidar esse importante tema para história e historiografia brasileiras e sul-americanas.

Palavras-chave: Unificação, Governo, Império, Guerra, Historiografia.

 

161 - Título: “Jornalismo de Bombacha: a introdução e a consolidação do tradicionalismo em Passo Fundo pelas páginas do Jornal O Nacional da década de 1950”

Autor: Mateus Cavalheiro Del Ré

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Profª. Dr. Elenice Szatkoski (Angloamericano) e Profª. Dr. Gizele Zanotto (UPF)

Data Defesa: 23/09/2010

Resumo: A introdução e a consolidação do tradicionalismo gaúcho em Passo Fundo, na década de 1950, a partir das publicações do jornal O Nacional, é o tema desta dissertação. O trabalho inclui apontamentos sobre as características socioculturais do município na época, bem como levantamento documental em torno da fundação do Centro de Tradições Gaúchas Lalau Miranda, em 1952. Amparando-se, essencialmente, nos estudos de Golin, Oliven e Burke e tendo como base as publicações jornalísticas, são analisadas as notícias veiculadas no periódico em questão no que tange ao tema eleito como problema de pesquisa. O objetivo desta investigação é demonstrar o conjunto de elementos atuantes no processo de introdução e consolidação do tradicionalismo a partir de um imaginário propagado pela imprensa. Ao longo da análise, essa relação define um cenário com características peculiares e atuação importante de agentes regionais e locais, tais como imprensa, comerciantes, advogados, professores, políticos e, em geral, pessoas com significativo poder econômico.

Palavras-chave: Passo Fundo, tradicionalismo, imprensa, imaginário.

 

162 - Título: “Poder e convencimento: a urbanização vista pelas Elites Letradas (1937-1941)”

Autor: Eduardo Dalla Lana Baggio

Orientador: Profª. Dr Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Profª. Dr. Sandra Maria Lubisco Brancato (PUC/POA) e Prof. Dr. Luíz Carlos Golin (UPF)

Data Defesa: 07/10/2010

Resumo: Nesta dissertação, o período está delimitado de 1937 a 1941, quando da administração da Intendência de Santa Maria-RS por Antonio Xavier da Rocha, tomando como referência a atuação das elites letradas e jornalísticas do período. A pesquisa se insere na perspectiva da História Urbana do município de Santa Maria e nela se entendem as modificações do espaço urbano da cidade através dos seus significados político-sociais. Também há a demonstração de que, nessa administração, houve uma articulação do regional com o nacional, ao serem efetivadas intervenções urbanas na cidade, cumprindo um projeto elaborado nacionalmente, o da modernidade. Assim, a imprensa santa-mariense foi fundamental para demonstrar apoio à urbanização levada a cabo pelo intendente. As publicações dos jornais Diário do Interior e A Razão passaram uma imagem positiva da atuação da Intendência, ao mesmo tempo em que mostraram diferentes opiniões em relação ao viés autoritário do governo federal. Por sua vez, as fotografias veiculadas por membros ligados à Intendência, atuaram para estimular a população de Santa Maria a aprovar as ações de Antonio Xavier da Rocha e do próprio sistema político então vigente no país, o Estado Novo.

Palavras-chave: História Urbana, História de Santa Maria, Elites letradas

 

163 - Título: “Partidos políticos e eleições em Joaçaba: origem e composição social (1947-1960)”

Autor: Dirceu André Gerardi

Orientador: Prof. Dr. Eduardo Munhoz Svartman

Banca: Profª. Dr. Monica Hass (UFFS) e Prof. Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Data Defesa: 03/11/2010

Resumo: Este trabalho investiga a origem e a composição social dos partidos políticos na cidade de Joaçaba. O recorte histórico que selecionamos, iniciará com a introdução da Quarta República em 1945 até 1960. O objeto de estudo são os partidos políticos PSD, UDN e PTB e as eleições, observadas em três subsistemas, o nacional, estadual e local. Entre as finalidades está à investigação das origens históricas dos partidos, as composições sociais e o desempenho eleitoral das agremiações na cidade de Joaçaba e região. No trabalho, estabelecemos a formação dos partidos nacionais, estadual catarinense e sua gênese detalhada em Joaçaba. A formação dos partidos em SC pós-1945 demonstrará a presença de oligarquias (Ramos e Konder-Bornhausen) que derivam de velhas estruturas políticas anteriores ao Estado Novo e que influenciaram diretamente a formação do PSD em Joaçaba. Para compreender as ligações entre os partidos de Joaçaba, as oligarquias estaduais e quem eram os elementos que integram os quadros políticos dos partidos. Propomos um estudo da composição social do (PSD, UDN e PTB) de Joaçaba. A gênese dos partidos na cidade, teve a influencia das oligarquias estaduais, em grande medida no caso do PSD e alguma na UDN. O PTB não sofre influência aparente. Na composição dos quadros políticos locais, as agremiações arregimentaram na elite econômica-indústrial. PSD e UDN acomodaram no seu interior grande parcela desta elite econômica e industrial (local e regional). Entretanto PSD era um partido composto essencialmente por comerciantes e a UDN acomodou industriais e comerciantes. O PTB em 1947 traz para sua órbita, os operários (que trabalhavam nos comércios e indústrias dos chefes do PSD e UDN), sofrendo posteriormente modificações radicais na sua composição. Na determinação da origem dos partidos em Joaçaba, estudamos as composições sociopolíticas das agremiações, através dos membros dos Diretórios Municipais, candidatos (a Prefeito e Vereadores) e eleitos. Verifica-se que as ligações políticas eram ao mesmo tempo econômicas e sociais. O perfil socioeconômico foi fator decisivo nas: indicações de candidatos pelos partidos, e determinante das suas vitórias ou derrotas. PSD e UDN eram partidos altamente elitizados. O PTB era mesclado, contudo os operários não chegaram a ocupar cargos de destaque na agremiação.

Palavras-chave: Partidos políticos, oligarquias, origem e composição sociopolítica, Joaçaba

 

164 - Título: “Revisando a Revisão: GENOCÍDIO AMERICANO: A GUERRA DO PARAGUAI DE J. J. Chiavenato”

Autor: Silvânia de Queiróz

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Carla Luciana Silva (Unioeste) e Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Data Defesa: 23/09/2010

Resumo: A obra Genocídio americano: a guerra do Paraguai, do jornalista e escritor Júlio José Chiavenato, de 1979, foi publicada em um período conturbado da história nacional, em pleno processo de abertura política. O livro foi muito bem aceito pelo meio intelectual e acadêmico e tornou-se sucesso de vendas e referência no estudo da guerra do Paraguai. A obra despertou o  escontentamento de grupos ligados ao regime militar por criticar duramente os objetivos e a ação do Império na guerra. O livro e o autor sofreram fortes ataques por parte de  intelectuais e autoridades ligadas ao regime. J.J. Chiavenato apresentou uma releitura sobre os acontecimentos e trouxe novos e importantes elementos para a historiografia nacional, como a discussão da formação social, cultural e econômica do Paraguai; mostrou os interesses da Argentina liberal-mitrista e d Império na guerra; criticou a ação dos pretensos heróis militares nacionais e mostrou o extermínio ocorrido no Paraguai. O presente estudo analisa as razões profundas do conflito, nascidas já no processo de independência na bacia do Prata, quando as classes dominantes da província de Buenos Aires iniciaram luta pelo controle das exprovíncia do vice-reinado do Prata, entre elas, o Uruguai e o Paraguai. Analisa a historiografia revisionistas argentina, paraguaia e a nacional-patriótica brasileira sobre o conflito. Discute as condições gerais da gênese, orientação limitações e tropeços historiográficos da obra Genocídio americano, no contexto de sua importância germinal, registrada na influência das gerações de historiadores em formação na época e na reorientação profunda, por longas décadas, do ensino escolar sobre aqueles sucessos. O trabalho aborda o sentido restauracionista do processo de deslegitimação conhecido por esse trabalho nos últimos anos.

Palavras-chave: Guerra do Paraguai, Júlio José Chiavenato, historiografia.

 

165 - Título: “Flores, Vargas e o PRL (1932-1937): registros da imprensa passo-fundense”

Autor: Renato Farias

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Prof. Dr. Fernando da Silva Camargo (UFPEL), Prof.Dr. Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Defesa: 19/01/2011

Resumo: Este trabalho procura analisar o processo de formação do Partido Republicano Liberal (PRL), no Rio Grande do Sul, sob a ótica da imprensa de Passo Fundo. Os jornais analisados foram: O Nacional e Diário da Manhã. O primeiro foi criado em 1925 por Herculano Annes, Gabriel Bastos e seus familiares. O segundo: Diário da Manhã, de propriedade do jornalista Túlio Fontoura, foi criado no ano de 1935. O PRL surgiu do rompimento de Flores da Cunha com o seu partido original, Partido Republicano Rio-grandense (PRR). Em decorrência desse fato, Flores da Cunha precisou criar um partido para lhe dar sustentação política, vistas as incompatibilidades que se criaram com o PRR. Em novembro de 1932, foi fundado o Partido Republicano Liberal, numa convenção dos prefeitos municipais do Rio Grande do Sul. A esse partido também aderiram dissidentes dos outros partidos existentes no Estado. À frente do governo do Rio Grande do Sul e do PRL, Flores da Cunha governou o estado durante sete anos, até renunciar, premido por reiterados conflitos com Getúlio Vargas.

Palavras-chave: História Política - Partido Republicano Liberal - Imprensa.

 

166 - Título: “Ruptura e Regionalismos: o modernismo musical no Rio Grande do Sul (1926-1945)”

Autor: Gustavo Frosi Benetti

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Profª. Dr. Isabel Porto Nogueira (UFPEL), Prof.Dr. Gérson Luís Werlang (UPF)

Defesa: 25/03/2011

Resumo: O início do século XX, na música erudita, foi marcado por propostas inovadoras. O questionamento da figura da resolução nas composições seria responsável pelo surgimento de inúmeras tendências de vanguarda, contrapostas aos modelos tradicionais. O modernismo musical seria caracterizado por uma reavaliação e ampliação do sistema tonal, pela desconstrução das hierarquias sonoras e pela incorporação do ruído à composição. No Rio Grande do Sul as mudanças nas expressões artísticas e, de modo especial, na expressão musical, ocorreram anos depois em relação aos principais centros culturais do país e do mundo. Esta dissertação pretende examinar como ocorreu o processo de mudança na composição musical do estado no período compreendido entre os anos de 1926 e 1945. Para tal finalidade, serão analisadas obras dos compositores Armando Albuquerque, Natho Henn, Radamés Gnattali e Luiz Cosme. Isso permite verificar como o que se produziu passou a incorporar e compatibilizar, por um lado, as novas possibilidades e os elementos de ruptura com respeito às estruturas tonais e, por outro, elementos sonoros tipicamente regionais.

Palavras-chave: modernismo, música sul-rio-grandense, regionalismo, vanguarda

 

167 - Título: “MULHERES INTERROMPIDAS Relatos de violências contra mulheres na Região Colonial Italiana – 1890-1920”

Autor: Rosimeri Fuchina

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Profª. Dr. Florence Carboni (UFRGS), Profª.Dr. Janaína Rigo Santin (UPF)

Defesa: 01/04/2011

Resumo: As comunidades formadas por imigrantes italianos no Brasil possuíam um desenvolvimento que seguia ao longo dos anos. A adaptação de uma série de elementos da cultura da pátria mãe ao Brasil formou comunidades diferenciadas, onde o trabalho era um importante elemento na composição do núcleo familiar. A sociedade seguia os padrões patriarcalistas submetendo as mulheres à obediência aos homens, fosse, no trabalho, na vida cotidiana ou nas relações que se estabeleciam entre eles. As mulheres dessas comunidades eram responsabilizadas pela criação dos filhos, pela coesão familiar, pelas atividades domésticas, por afazeres da roça e com animais de pequeno porte, entre outros. O contexto cultural e moral era fortemente marcado pelo patriarcalismo, pelo universo religioso e por um mundo autoritário, onde as mulheres calavam-se frente as diversas formas de violência, fossem de cunho psicológico ou físico, cometidas contra elas. Inquéritos policiais eram instaurados a partir de crimes de defloramentos, assédios, calúnias, procedimentos cirúrgicos mal sucedidos, agressões físicas, envenenamentos, entre outros, com o propósito de esclarecer e punir os culpados. A partir deste cenário, o presente trabalho aborda a violência contra as mulheres italianas e ítalo-descentes no Rio Grande do Sul, nos anos 1890-1920, através do estudo de processos crimes oriundos da Comarca de Caxias do Sul e bibliografia sobre o tema. Objetiva-se, com isso, retratar o cenário vivido pelas mulheres, suas limitações e anseios, elemento fundamental para a compreensão das relações vividas por estas comunidades.

Palavras-chave: Imigração italiana; Mulheres; Violência.

 

168 - Título: “Religião e Política: uma história construída em Coronel Vivida – Paraná em meados do Século XX”

Autor: Cleverton Luiz da Silva

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Profª. Dr. Ismael Vannini (UNIPAR), Profª.Dr. Janaína Rigo Santin (UPF)

Defesa: 08/04/2011

Resumo: Esta pesquisa tem por objetivo examinar a ocupação do Sudoeste do Paraná a partir de 1900, o processo de organização sócio-espacial da cidade de Coronel Vivida, desde a chegada dos primeiros moradores até 1961, enfatizando neste o papel, uma das instituições religiosas mais importantes do Ocidente, a Igreja Católica Apostólica Romana. Nesta análise, privilegiou-se o olhar para a participação da Igreja Católica na organização da cidade de Coronel Vivida e sua contribuição na formação da identidade local. Este estudo focaliza, assim, a ação dos padres católicos na constituição desta cidade, conflitos políticos e organização do município. A partir da análise de fontes e combinando um referencial teórico, que discute o papel do capital e do trabalho no processo de desbravar e colonizar o interior brasileiro, argumentar-se que a Igreja Católica participou do processo de Colonização e organização sócio-espacial da cidade em estudo.

Palavras-chave: Sudoeste do Paraná, Coronel Vivida; Igreja Católica; Padres Palotinos; Desavenças Políticas.

 

169 - Título: “As relações de sociabilidade entre senhores e cativos em Rio Pardo (1780-1820)”

Autor: Ubiratã Ferreira Freitas

Orientador: Profª. Dr. Gizele Zanotto

Banca: Profª. Dr. Ironita Policarpo Machado (UPF), Prof.Dr. Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 28/04/2011

Resumo: Esse estudo está pautado na análise das relações de proximidade e sociabilidade e entre os agentes que contribuíram para o escravismo na fronteira oeste do território de São Pedro, especificamente em Rio Pardo, durante o período de 1780 a 1820. Para tal apreciação, foram utilizadas documentações de fontes primárias como inventários post-mortem, cartas de alforrias, processos crime, livros de batismo e livros de casamentos de escravos, onde foi possível averiguar a formação de laços familiares e uma superexploração pelos senhores dentro sistema escravista. Partindo de uma abordagem que avalia a importância da preservação familiar, foi possível verificar que as relações políticas, econômicas, sociais e afetivas entre senhores e escravos na colônia sulina tiveram um propósito direto de exploração e alienação do cativo. A utilização de estudos específicos sobre a solidariedade e formação da família escrava nos deram suportes para compreender que a estrutura formada pela família escrava legava ao homem negro alguma possibilidade de manutenção de sua identidade, através da preservação de sua cultura, viabilizando alguma resistência aos mandos do senhorio. As relações de sociabilidade vão viabilizar um contato mais próximo e social entre esses sujeitos, também uma superexploração por parte dos senhores, pois para ceder às necessidades dos escravos, verificando o contexto de fronteira que estão inseridos estes atores protagonistas, as relações de sociabilidade vieram contribuir para manutenção do sistema sem maiores prejuízos para os senhores e trazer algumas vantagens para os cativos e suas famílias.

Palavras-chave: Escravidão, Sociabilidade, Família Escrava

 

170 - Título: “Brasileiros – Poloneses Uma identidade construída nas comunidades de Casca e Santo Antonio do Palma (1990-2010)”

Autor: Lúcia Barrili

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Profª. Dr. Ana Luíza Setti Reckziegel (UPF), Prof.Dr. José Carlos Radin (UFFS)

Defesa: 29/04/2011

Resumo: Este trabalho se propôs a analisar os elementos utilizados pelos descendentes de poloneses, dos municípios de Casca e Santo Antônio do Palma, RS, para construir sua identidade étnica e manter sua cultura. A partir da pesquisa de campo, foi possível identificar como elemento principal na construção da identidade, a Braspol - Representação Central da comunidade Brasileiro-Polonesa no Brasil. Essa entidade possui núcleos nos municípios estudados, que promovem e divulgam atividades ligadas a cultura polonesa. As atividades de destaque – o Jantar Polonês, as oficinas de artesanato típico, o grupo de danças folclóricas e celebrações religiosas, visam o fortalecimento da cultura étnica nas comunidades de descendentes, que estava em processo de desvalorização e esquecimento. O êxito dessa iniciativa esta na mobilização dos descendentes, principalmente de terceira e quarta geração, nas atividades promovidas pela entidade. Essas atividades possuem elevado caráter identitário, algumas inventadas, como a dança folclórica, recentemente incorporada ao repertorio étnico, que objetivam a conquista do espaço frente ao ambiente multicultural em que se inserem. Mas essa identidade promovida pela Braspol possui características, notadamente da realidade local dos descendentes, de pequenos agricultores. Essa dinâmica rural e uma herança dos antepassados, que ainda e perpetuada através das gerações, e se manifesta na cultura como uma marca. E na área rural, nas capelas, nos lares de agricultores descendentes que a cultura polonesa ainda se mantém e luta para isso, com a ferramenta da memória, principalmente oral. Foram as memórias biográficas que possibilitaram acrescentar informações sobre o passado local, tanto histórico quando cultural, e compreender a memória evocada e também construída, em torno da polonidade dos descendentes. Essas diferentes memórias, uma familiar, cotidiana, e outra coletiva, identitaria, mesmo que pouco valorizadas pelo grupo, demonstraram a separação e ao mesmo tempo interligação entre a cultura trazida pelos antepassados, espontânea, e a identidade promovida pela Braspol. Assim se constitui a construção da polonidade nas comunidades de Casca e Santo Antonio do Palma, motivada pela continuidade da cultura étnica.

Palavras-chave: etnia, invenção, memória, polonidade, regionalismo.

 

171 - Título: “A romaria a Nossa Senhora Consoladora de Ibiaçá: organização, rituais e práticas devocionais (1952-1977)"

Autor: Fabiana Salete Tolardo

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: José Carlos Radin (UFFS), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 28/04/2011

Resumo: O presente tema de estudo trata sobre a religiosidade popular. Dessa forma, analisa-se as manifestações de religiosidade coletiva no município de Ibiaçá – nordeste do Rio Grande do Sul, reveladas nas primeiras décadas do século XX, tendo os capitéis como espaços das mesmas até a constituição do Santuário Diocesano de Nossa Senhora Consoladora em Ibiaçá. Os esforços estão centrados em compreender as transformações históricas manifestadas nas devoções, rituais e peregrinações, sob o ponto de vista religioso e histórico-cultural: a influência da Igreja Católica no cenário regional; a presença marcante e significativa de um líder religioso denominado de Padre. Todos esses fatores foram fundamentais para a passagem de uma realidade a outra de manifestações de fé. Em meados de 1970, consolidou-se o Santuário de Nossa Senhora Consoladora, o qual aglutinou de maneira institucionalizada a romaria em honra a Nossa Senhora Consoladora, evento religioso, que acontece anualmente no último domingo de fevereiro no município de Ibiaçá. Essa peregrinação teve início em 1952, sendo criada e idealizada pelo Padre Narciso Zanatta, que iniciou o movimento religioso em devoção a Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos, conhecida popularmente como Nossa Senhora Consoladora. Em 1970 iniciou-se a construção do Santuário e, no dia 22 de fevereiro de 1977, o Bispo Diocesano, Dom Henrique Gelain, elevou a Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora Consoladora à categoria de Santuário Diocesano. A partir de então, pode-se constatar que as manifestações de religiosidade popular cresceram muito. Sendo assim, este estudo analisa as ritualizações, as mediações, alguns pedidos de romeiros, enfim, os processos organizativos que constituem essa grande manifestação de religiosidade de âmbito regional. Diante dessas transformações, a devoção a Nossa Senhora Consoladora se manteve e foi aumentando com o lançamento das romarias e com o elevado número de graças alcançadas, resultando num movimento religioso voltado para a cura de doenças. Tal movimento foi essencialmente direcionado aos romeiros, devotos de Nossa Senhora Consoladora. O grande indício das atribuições a Nossa Senhora Consoladora foi a construção do Santuário, sendo que perto dali existe o capitel de São Cristóvão como espaço sagrado, de devoção, com ritualizações e orações. No acontecimento das romarias houve fortes manifestações de religiosidade durante as missas, procissões, ofertas, ex-votos, promessas, agradecimentos as graças alcançadas e homenagens prestadas a Nossa Senhora Consoladora. Por isso, percebe-se que a região de Ibiaçá se caracterizou numa dinâmica própria: a cura de 7 doenças e os milagres realizados diante da fé e da popularidade de Nossa Senhora Consoladora, bem como a ocorrência de romarias até a atualidade.

Palavras-chave: Romaria, Religiosidade popular, Santuário, Nossa Senhora Consoladora.

 

172 - Título: “O barão de Caxias na guerra contra os farrapos”

Autor: Jeferson dos Santos Mendes

Orientador: Prof. Dr. Luis Carlos Tau Golin

Banca: Paulo Afonso Zarth (UFFS), Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 26/05/2011

Resumo: A guerra civil de 1835-1845 foi encabeçada, principalmente, por estancieiros descontentes, que ocuparam, relativamente, regiões da parte sul da província. Porém, a partir do golpe da Maioridade e, em especial, de 9 de novembro de 1842, com a posse do barão de Caxias como presidente e comandante das armas da província do Rio Grande do Sul, os imperiais tomaram a ofensiva. Após tomar posse, Caxias organizou o exército imperial na província em diferentes posições, ocupando pontos estratégicos e fortificando-os. Aplicando uma guerra de posição, concomitantemente a uma guerra de movimento, Caxias dominou os rebeldes. Terminada a ação militar, restavam as negociações com o Império, acertadas com o termo de anistia concedido pelo imperador.

Palavras-chave: Caxias. Guerra de posição. Guerra de movimento. Conversação.

 

173 - Título: “Do um que não é sete: o caso da antiga redução de San Francisco de Borja e a dinâmica da diferença” 

Autor: Rodrigo Ferreira Maurer

Orientador: Prof. Dr. Luis Carlos Tau Golin

Banca: Paulo Afonso Zarth (UFFS), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 26/05/2011

Resumo: Esta dissertação analisa o sentido refratário que historicamente ficou classificada a antiga redução de San Francisco de Borja. Nesse sentido, abordaremos questões relacionadas à parte cultural, social e étnica que acabaram envolvendo a mesma, levando-se em consideração o espaço-região que lhe foi destinado quando da sua fundação. Conceitos como o de diversidade reducional e de centro conversor das missões serão utilizados para provar que a identidade e o fortalecimento daquela redução se deram por uma conseqüência cultural e de identificação com os chamados povos ocidentais do rio Uruguai, no caso, Yapeyu, La Cruz e Santo Tomé. Esta projeção foi assumida pela redução de San Francisco de Borja e formalizou um fluxo contínuo entre as duas margens do rio Uruguai. Tal encargo acabou lhe rendendo duas “certidões”: a histórica e a de descritiva. A certidão histórica será aplicada para caracterizar o processo da sua fundação, levando-se em consideração os motivos que envolveram a mesma no ano de 1690. Já a certidão descritiva é aquela que ficou registrada nas fontes primárias, sobretudo de origem religiosa, que objetivaram repassar à redução a responsabilidade por várias desordens que o projeto reducional comportava. A partir dessa problemática apresentaremos questões aleatórias que acabaram envolvendo diretamente ou indiretamente a redução ou alguns dos seus personagens para provar que os mesmos refletiam uma conjuntura colonial que agia de maneira silenciosa e sorrateira para alcançar os interesses que envolveram o contexto. Para isso lançaremos a hipótese da existência de um acordo paralelo no qual antecipou possíveis desordens a partir da aplicação do Tratado de Madri na América Meridional. Parte desse conteúdo servirá de base para discorrermos sobre a Guerra Guaranítica e, sobretudo a não participação da redução de San Francisco de Borja na mesma. A explicação para tal discordância se dará por fatos relacionados ao ano de 1758, quando questões passaram a ser levantadas a partir de mini-inquéritos nos refúgios potenciais da época: nas estâncias ganaderas. Em conjunto, aconselha-se a edificação de um cenário paralelo que foi envolvido por uma série de fatos que teve San Borja e seus personagens como objetos centrais, contudo os mesmos foram analisados a partir de duas constantes do período colonial: o “cotidiano indígena” e o possível “mundo em conversão”.

Palavras-chave: Projeto Reducional, Tradições indígenas, Mediação Cultural, Relações Cotidianas.

 

174 - Título: “Harmonia tonal e positivismo: uma análise dos repertórios da Orquestra de Concertos de Erechim na década de 1950” 

Autor: Gleison Juliano Wojciekowski

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Paulo José de Sá Bittencourt (UFFS), Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 17/06/2011

Resumo: A cultura de qualquer sociedade consiste na soma de ideias e comportamentos, constituindo-se em uma variante da herança social. A música faz parte da cultura e esteve presente na história do desenvolvimento de Erechim, como se constata nas entrevistas realizadas e nos documentos utilizados neste trabalho. Além de a música fazer parte da vida dos colonizadores, sempre houve uma valorização desta arte em Erechim, como observamos ao pesquisarmos sobre a fundação da Orquestra de Concertos, fundada em1950, com a participação de imigrantes e descendentes de imigrantes europeus. A Orquestra de Concertos de Erechim foi fundada no dia 10 de junho de 1950 pelo maestro Frederic Schubert e um grupo de amigos também admiradores da música, que muito contribuíram para a música erudita no município. Também se observou a influência do positivismo e tonalismo na Orquestra de Concertos de Erechim, que teve sua origem em uma cidade organizada e planejada dentro dos moldes positivistas da “ordem e progresso”. A referida Orquestra seguiu a construção social e estética de alguns grupos representativos, cujo ideal era a música como arte. Não como algo livre e solto no mundo, mas que possui um significado e uma relevância específica no interior da cultura de uma sociedade em desenvolvimento. Buscou-se relacionar o pensamento positivista e o sistema tonal através das categorias ideia de progresso, racionalização, protagonismo do sujeito e ideia de beleza. A ideia de progresso está relacionada à questão da progressão na harmônica tonal em um sentido amplo de progresso, sendo fundamental esse elemento no ideal positivista.

Palavras-chave: harmonia tonal, Orquestra de Concertos de Erechim, positivismo.

 

175 - Título: “A ação popular (AP) no Rio Grande do Sul: 1962 - 1972” 

Autor: Cristiane Medianeira Ávila Dias

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Enrique Serra Padrós (UFRGS), Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 20/06/2011

Resumo: Esta dissertação trata da trajetória da Ação Popular (AP) no Rio Grande do Sul entre 1962 e 1972. Buscou-se analisar as ideias, formas de atuação, táticas e estratégias que a AP adotou em âmbito estadual, salientando-se os vínculos e as diferenças em relação à AP nacional. Observou-se que a Ação Popular após a sua fundação (1962) apoiou, mesmo que de forma crítica, o plano reformista de João Goulart, tendo participado do Movimento de Educação de Base (MEB) e formado junto com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e os chamados “Independentes”, a Frente Única, que manteve a hegemonia dentro do movimento estudantil estadual até o golpe civil-militar de 1964. Após o golpe, a AP passou por um período de cisões e rupturas internas, mas continuou desenvolvendo ações junto ao o movimento estudantil e operário, optando por não aderir à luta armada. Em 1967, a AP adotou a política de integração na produção que determinava o envio de seus militantes para trabalharem junto a camponeses e operários em várias regiões do país. O envio de militantes tornou-se mais intenso após a decretação do AI-5, em dezembro de 1968. Neste sentido, militantes foram enviados para o Rio Grande do Sul em meados de 1969 para organizar o setor estudantil e operário da AP, que havia sofrido os efeitos da repressão com o afastamento da maior parte de seus integrantes. Além disso, a AP estruturou um esquema de passagem de militantes para o Uruguai e a Argentina através do estado que ficou conhecido como “Esquema de Fronteira”. As ações da AP praticamente acabaram no ano de 1972, quando a maior parte dos seus integrantes foi presa pelo DOPS em Porto Alegre. A pesquisa utilizou fontes tais como documentação produzida nos órgãos de repressão (DOPS, SOPS), na Comissão Especial de Investigação Sumária (CEIS) da UFRGS; jornal Correio do Povo e depoimentos de militantes da organização. O referencial teórico baseou-se nos conceitos desenvolvidos por Antonio Gramsci de intelectual orgânico, hegemonia, senso comum, bom senso e bloco histórico. O trabalho também se amparou nos conceitos de “memória condicionada”, desenvolvido por Jacques Le Goff, e pela definição de “fronteiras ideológicas”, desenvolvido por Luiz Alberto Moniz Bandeira.

Palavras-chave: Ação Popular, Rio Grande do Sul, Esquema de Fronteira

 

176 - Título: “Justiça do Trabalho: demandas trabalhistas no norte do Rio Grande do Sul (1941-1960)”

Autor: Alex Faverzani da Luz

Orientador: Profª. Dr. Janaína Rigo Santin

Banca: Altair Fávero (UPF), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 22/07/2011

Resumo: Almeja-se abordar através da presente pesquisa o surgimento e a evolução histórica da Justiça do Trabalho como um marco para a conquista dos direitos trabalhistas e sociais da classe trabalhadora no Brasil. O advento da Justiça do Trabalho resultou de etapas evolutivas nas lutas sociais, com a finalidade de garantir dignidade e justiça aos trabalhadores, amparada pelos direitos trabalhistas, fundados ao longo das promulgações Constitucionais e na Consolidação das Leis do Trabalho de 1943. Dessa maneira, pretende-se elencar as principais etapas dessa trajetória que, pouco a pouco, moldou e aperfeiçoou a Justiça do Trabalho no Brasil, bem como aprofundar a pesquisa histórica junto ao município de Passo Fundo (Rio Grande do Sul), especialmente no período em que se concerne à instalação da Justiça do Trabalho no município no ano de 1959. Destarte, a pesquisa terá como marco temporal o período de 1941 a 1960, e como marco regional o Município de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brasil. Serão analisados no decorrer da pesquisa acórdãos trabalhistas do Tribunal Regional do Trabalho de processos provenientes da Justiça do Trabalho de Passo Fundo, do período de 1959 a 1960, com o intuito de desenvolver a diligência histórica junto às fontes documentais que ilustram a evolução da Justiça do Trabalho como instituição integrante do Poder Judiciário. Através desta pesquisa documental, será possível mapear dados relevantes como o perfil do profissional que litigava na Justiça do Trabalho de Passo Fundo, os pedidos postulados com maior frequência, e as decisões que eram proferidas pelos magistrados em grau de acórdão.

Palavras-chave: Justiça do Trabalho, História, Direito do Trabalho, Direitos Sociais.

 

177 - Título: “Tropeirismo e criatórios de mulas em Lagoa Vermelha, nordeste do RS (1914 – 1955)”

Autor: Itací de Souza e Silva

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Joel João Carini (IFF), Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Defesa: 25/07/2011

Resumo: O tropeirismo de mulas no Brasil teve seu início nas primeiras décadas do século XVIII quando foram descobertos minerais preciosos no centro do país, mais precisamente na região de Minas Gerais. O transporte do ouro, prata e diamantes era feito por muares (burros e mulas) buscados no Sul do Brasil. O Rio Grande do Sul tornou-se o principal fornecedor de produtos de origem animal e de muares à região central, através da feira de Sorocaba. Por volta da década de 1860 o comércio de muares entrou em declínio, sendo que no Rio Grande do Sul o tropeirismo com mulas continuou tendo sua importância econômica, servindo como alternativa para o transporte de cargas. Lagoa Vermelha, cuja fundação ocorreu em razão da atividade tropeira, comercializava muares criados na região e produtos cultivados no município com as áreas de colonização alemã e italiana. Em contrapartida comprava das colônias produtos básicos que eram necessários à subsistência das fazendas. A ruptura desse sistema se fez sentir desde 1950 quando surgiram investimentos alternativos na região como na pecuária bovina, no cultivo agrícola, e na substituição do transporte animal pelo automóvel. Esta abordagem mostra-se, portanto relevante, pois reconstitui aspectos peculiares do tropeirismo de mulas no município, ocorrido entre os anos de 1914 a 1955, possibilitando, assim, compreender também as raízes históricas de sua formação. Esta investigação baseou-se em fontes orais, documentais e bibliográficas sobre o tema, tendo sido feita uma pesquisa na região de Lagoa Vermelha junto a criatórios de mulas, antigos criadores, tropeiros, carreteiros, em arquivos históricos, etc. A pesquisa aponta, enfim, que Lagoa Vermelha teve um grande dinamismo nesse processo, tendo havido uma intensa ligação com a região colonial italiana e alemã do estado gaúcho assim como o incentivo na criação de muares no município.

Palavras-chave: Tropeirismo de mulas. Criatórios. Lagoa Vermelha.

 

178 - Título: “Em busca do convencimento: disputas político-eleitorais entre pessedistas e petebistas no Rio Grande do Sul (1945-1954)”

Autor: Marcos Jovino Asturian

Orientador: Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Luciano Arrone de Abreu (PUC/RS), Eduardo Munhoz Svartman (UPF)

Defesa: 05/08/2011

Resumo: O presente trabalho busca compreender a disputa eleitoral entre o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) nas eleições de 1947, 1950 e 1954 para governador do Rio Grande do Sul através das páginas do jornal Diário de Notícias, configurando um estudo de história política tendo como fontes documentais a imprensa. Para tanto, se utilizará a tradição analítica relativa ao conceito de ideologia, atualizado em John Thompson, como forma geral de interpretação de um possível papel histórico das formas simbólicas no universo do político. O papel central dos meios de comunicação de massa, particularmente da imprensa escrita, constitui ponto comum de reflexão conceitual, na história e na sociologia da comunicação social. Tanto os pessedistas quanto os petebistas utilizaram o jornal como um mecanismo de produção e propagação das representações possuidoras de conteúdo político. Portanto, interessam-nos como as formas simbólicas foram criadas, em circunstâncias particulares, servindo para estabelecer, bem como sustentar relações de dominação.

Palavras-chave: Partido Social Democrático, Partido Trabalhista Brasileiro, política, ideologia, imprensa.

 

179 - Título: “Sob os desígnios do progresso: a experiência dos camponeses atingidos pela Barragem de Itá reassentados em Campos Novos - SC na transição do milênio”

Autor: Bruno Antonio Picoli

Orientador: Profª. Dr. Gizele Zanotto

Banca: Paulo Pinheiro Machado (UFSC), Paulo Afonso Zarth (UFFS)

Defesa: 26/08/2011

Resumo: Esta pesquisa trata da experiência das famílias atingidas pela barragem de Itá reassentadas em Campos Novos-SC no contexto da transição do Milênio. Aborda a primeira onda de progresso que se desenhou no Alto Uruguai, a territorialização e a constituição do “ethos” de colono-camponês calcado na propriedade, no trabalho na terra, na família e na comunidade circundante. Discute a ação dos estados de SC e do RS, assim como de companhias privadas de colonização no processo de inserção destas famílias tidas como veículos do progresso. Após analisa a chegada de uma segunda onda de progresso, marcada pela divulgação do projeto de construção da UHE Itá entre os municípios de Aratiba-RS e Itá-SC, os discursos que se desenvolveram no sentido de promover a obra e os benefícios do empreendimento hidrelétrico para a região, as manobras frente à legislação ambiental vigente e a privatização da construtora da UHE Itá. Aborda também as forças que se levantaram contra esse progresso novo que forçou o deslocamento e desterritorializou milhares de famílias ribeirinhas, algumas das quais para projetos de reassentamento rural coletivos. Analisa a ação de instituições que agiram como mediadoras organizando os atingidos em torno da CRAB e a atuação desta no processo de mobilização dos camponeses ribeirinhos. Depois trata dos projetos de reassentamento rural coletivos de modo geral inferindo os diferenciais do reassentamento de Campos Novos-SC, o último de um total de sete. Analisa como as famílias atualmente reassentadas em Campos Novos-SC se inserem nesse progresso, de que modo se processou, 12 anos após a instalação no mesmo, sua reterritorialização, que perspectivas tinham para o deslocamento e em que dimensões compreendem que a experiência lhes proporcionou ganhos e, ao contrário, em que dimensões consideram-se prejudicados pelo progresso. Constata, com base nisso, que o discurso “dos benefícios do progresso” não pode ser aplicado em completude, sobretudo no que versa sobre esferas subjetivas da vida de sociedades camponesas.

Palavras-chave: progresso, territorialidade, desterritorialização, reterritorialização, atingidos por barragens.

 

180 - Título: “Sob a condição que continue em nossa companhia”: as décadas finais da escravidão e a transição para o trabalho livre em um município rio-grandense (Cachoeira, 1871/1889)”

Autor: Aline Sônego

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Paulo Roberto Staudt Moreira (UNISINOS), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 13/09/2011

Resumo: Esta dissertação de mestrado propõe-se a analisar as décadas finais do regime escravista e a transição para a mão-de-obra livre no município rio-grandense de Cachoeira, no período de1871 a 1889. À luz da perspectiva da História Regional, este trabalho buscou perceber quais as singularidades que a desestruturação do regime escravista apresentou em um município de economia agropecuária. Para essa pesquisa, foram utilizados três tipos de fontes documentais consideradas fundamentais para perceber este processo: os inventários post-mortem, as cartas de alforria e o Livro de registro de contratos de criados, que foram trabalhadas quantitativa e qualitativamente. A partir dos inventários foi possível identificar a configuração social e econômica da região estudada e analisar a estrutura patrimonial em que a posse escrava estava assentada. As cartas de alforria, por sua vez, auxiliaram na percepção da dinâmica das relações entre senhores e escravos no que tange à concessão e à conquista da liberdade. Por fim, a partir do Livro de Registro dos contratos dos criados, buscou-se vislumbrar as estratégias senhoriais para garantir o domínio da incipiente mão-de-obra liberta.

Palavras-chave: escravidão, estrutura patrimonial, alforrias, contratos

 

181 - Título: “O Alto Jacuí na Pré-História: subsídios para uma Arqueologia das fronteiras” 

Autor: Fabrício José Nazzari Vicroski

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Jairo Henrique Rogge (UNISINOS), Gerson Luís Trombetta (UPF)

Defesa: 22/09/2011

Resumo: Apesar do considerável aumento quantitativo do fluxo de pesquisas arqueológicas observado no Rio Grande do Sul nos últimos anos, atualmente a bacia hidrográfica do Alto Jacuí figura entre as regiões sobre as quais dispomos de escassas informações acerca dos processos de povoamento humano ocorridos ao longo da pré-história. O objetivo desta pesquisa é sistematizar os dados arqueológicos, históricos e etnohistóricos, compondo um panorama geral da colonização pré-histórica da região. Os dados disponíveis nos permitem atribuir o início do povoamento aos grupos de caçadores-coletores que se instalaram nestas paisagens aproximadamente no início do período holocênico. Novas levas populacionais compostas por grupos ceramistas-horticultores teriam atingido a região há cerca de dois mil anos atrás, alterando consideravelmente a dinâmica de povoamento nos vales do Jacuí e nas matas de araucária do planalto. Sua inserção geográfica na porção centro-norte do Estado caracteriza a região como uma zona de convergência e transição de diversas características do meio físico e biótico. O tratamento analítico e interpretativo das informações nos permite atribuir um caráter de fronteira ao Alto Jacuí. As interações culturais entre as sociedades humanas pré-históricas se refletiam, entre outras instâncias, em sua cultura material. A perspectiva da arqueologia contextual nos permite integrar a semiologia e abordar a cultura material considerando também seu conteúdo simbólico no contexto cultural, onde a evidência de contato é também interpretada em razão de sua função social, como elemento identitário construído e articulado numa zona de fronteira.

Palavras-chave: Pré-História, Alto Jacuí, Arqueologia, Fronteira, Contato

 

182 - Título: “Historiografia crítica: breve estudo do pensamento marxista sobre o Brasil de 1500 a 1964”

Autor: Tiago Pansera

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Adelmir Fiabani (UNIPAMPA), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 28/09/2011

Resumo: As produções historiográficas marxistas elaboradas durante o século 20 sobre a história do Brasil se tornaram fontes de pesquisa histórica, caracterizadas por análises, interpretações, e métodos singulares. Investigá-las significa conhecer e reconhecer a existência, efetividade e abrangência dessa corrente de pensamento, que produziu uma história econômica e das lutas de classe no Brasil, mas, está relegada a um passado pretensamente desconexo com o presente pelos modismos historiográficos da atualidade. Em ?Historiografia crítica: breve estudo do pensamento marxista sobre o Brasil (1500-1964)? abordou-se um amplo espaço cronológico, de 1500 até 1964, pois, conhecer a história econômica, política e social é condição primária para entender a formação social e as singularidades do modo de produção hegemônico no Brasil contemporâneo. Do mesmo modo, a compreensão do pensamento historiográfico marxista e suas nuances permitiu analisar as obras clássicas sem sacralizá-las, avançando no debate teórico e epistemológico. Foram identificadas semelhanças entre os escritos produzidos antes e durante a ditadura militar de 1964. Em muitos casos, os autores eram militantes de organizações políticas de esquerda, com destaque para o Partido Comunista do Brasil [PCB]. Esses intelectuais não produziam a história apenas para preencher páginas de livros ou para receber titulações acadêmicas. Escreviam, sobretudo, com o objetivo de contribuir para a resolução das contradições teóricas da historiografia e do desenvolvimento socioeconômico nacional. Nas obras de alguns autores, como Alberto Passos Guimarães e Nelson Werneck Sodré, era evidente a estreita vinculação com a linha de pensamento partidário e a quase sacralização do pensamento marxiano. Sobretudo, em relação aos estágios de desenvolvimento histórico das sociedades e seus respectivos modos de produção, identificados por Karl Marx no caso específico da Europa. Noutros casos, com destaque para os escritos de Jacob Gorender, muitas contradições epistemológicas do marxismo foram superadas por meio de amplos e sistemáticos estudos sobre a história do Brasil.

Palavras-chave: História. Historiografia. Marxismo.

 

183 - Título: “Verso e Reverso: práticas sociais, econômicas e políticas no  Kongo e no Ndongo e o domínio colonial português – séc. 15 a 17”

Autor: Lucas Caregnato

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Diego Buffa (UNC), José Rivair (UFRGS), Paulo Marcos Esselin (UFMS)

Defesa: 29/09/2011

Resumo: Esse trabalho tem como objetivo analisar as relações sociais e econômicas das comunidades aldeãs bantu, que compunham o Kongo e o Ndongo nos séculos 15 a 17. Para compreender as relações políticas e econômicas desses estados no período anterior, a dominação colonial europeia, é necessária uma análise historiográfica que contemple o modo de produção doméstico, presente nessas comunidades. Há séculos, essas populações desenvolviam práticas econômicas, alicerçadas no cultivo agrícola, na caça e na coleta, que serviram de base para a organização desses grupos, baseados em laços parentais matrilineares ou patrilineares. Com o início da exploração colonial portuguesa, mediante a chegada do explorador português Diogo Cão, em 1482-3, ocorreram mudanças profundas nas relações econômicas, políticas e sociais da região, representando o início de um longo período de dominação e espoliação das riquezas das terras “recém descobertas”. Ancorado no mercantilismo, Portugal explorará as riquezas e desenvolverá um sistema escravocrata balizado na retirada da mão de obra escrava das terras africanas destinadas as suas colônias na América. Posteriormente, objetivou-se perceber como essas formações sociais se modificaram, com o processo de dominação colonial, levando a um processo de constantes crises econômicas e políticas que resultarão na falência dessas organizações.

Palavras-chave: Ndongo; Kongo; bantu; escravidão; comunidades aldeãs bantus.

 

184 - Título: “Italianos e descendentes via Rio da Prata: em São Borja, Itaqui e Uruguaiana, RS (1834/1968)”

Autor: Antônio Marçal Bonorino Figueiredo

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Ronaldo Colvero (UNIPAMPA), Eduardo Munhoz Svartman (UFRGS)

Defesa: 14/10/2011

Resumo: O tema  central  desta  dissertação  de  mestrado  é  a  imigração  espontânea  de italianos e descendentes, via rio Prata, em São Borja, Itaqui e Uruguaina, RS, no período 1834 -  1968.  A  literatura  especializada  a  respeito  da  imigração  italiana  oficial  a  partir  de  1875  é exuberante,  mas  carente  quanto  ao  tema  proposto,  limitando-se  àlgumas  referências superficiais à presença de peninsulares no povoamento e desenvolvimento dos locais citados. Este  trabalho  tem  por  objetivo  principal  a  constatação  da  presença  italiana  na  área  antes  de meados  dos  anos  oitocentos  e  a  identificação  nominal  dos  imigrantes  italianos  ou descendentes da primeira  geração que lá se instalaram.   O local de procedência do território italiano, o  porto  de  desembarque  –  Montevidéu  ou  Buenos  Aires,  as  formas  de  organização que  adotaram  para  inserção  na  sociedade  receptora  nos  municípios  brasileiros  mencionados, contribuições  e  inovações  que  trouxeram    e  as  mudanças  sociais  que  provocaram,  também configuram objetivos desta tarefa. O objetivo derradeiro refere-se à questão da identidade dos descendentes em decorrência do processo  de  mútua  aculturação.  A pesquisa valeu-se de documentos de fontes primárias como registro de casamentos e de óbitos, inventários antigos, informações em arquivos eclesiásticos, em jornais da época. O Apêndice A e o quadro-síntese no capítulo 3, demarcam a ponte da vertente  baseada  na  história  oral,  com  a  descoberta  de meia centena de imigrantes através de  entrevistas com descendentes. Os imigrantes italianos após desembarcarem  no  centro  do  Prata,  diretamente  ou  por  etapas,  alcançaram  a  linha  de fronteira  e  a  sub-região  em  estudo.  Observou-se  que  a  presença  dos  mesmos  reflete  alguns aspectos da imigração italiana no Uruguai e na  Argentina. Muitos deles  têm parentes nesses dois  países.  Do  longo  processo  de  miscigenação  e  recriação  de  identidades,  restam  alguns traços  identitários  de  natureza  gastronômica  e  remanesce,  ainda  e  sobretudo,  um  forte sentimento de pertencimento étnico ligado ao nome de família e à origem peninsular itálica.

Palavras-chave: italianos, rio da Prata, tríplice fronteira

 

 185 - Título: “Perto dos olhos, longe do coração: a inserção da História da América Latina contemporânea no ensino de História (1980-2000)”

Autor: Isabel Regina Ramisch

Orientador: Prof. Dr Adelar Heinsfeld

Banca: Paulo José Sá Bittencourt (UFFS), Gerson Luís Trombetta (UPF)

Defesa: 02/12/2011

Resumo: O presente trabalho dissertativo objetiva apresentar uma análise a respeito do ensino de História, mais especificamente a inserção da História da América Latina, enquanto conteúdo programático na prática pedagógica. Para tanto, buscou-se respaldo em fontes de pesquisa como legislações de ensino e livros didáticos de História, cuja concretude alicerça trabalhos dessa natureza. Empregando a metodologia de comparação e confrontamento de fontes, delineou-se o trabalho e, ao longo do texto, permitiu construir uma análise sobre o ensino de História na contemporaneidade. O objetivo central consistiu em identificar a inclusão de conteúdos acerca da América Latina nas bases legais e nos materiais didáticos tidos, ambos, como referências à ação pedagógica. A motivação para a presente pesquisa centrou-se na busca por uma efetiva idéia de pertencimento brasileiro à América Latina, considerando os esforços no âmbito político, econômico e cultural para a implantação de projetos integracionistas em que destacamos o Mercosul. O olhar sobre as fontes de pesquisa ateve-se em observar se a América Latina ou o próprio Mercosul estavam contemplados em suas redações. Focalizou-se, neste particular, as legislações de ensino dos países que compõem o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), objetivando fazer emergir a inserção e a condição prevista para temas como a América Latina e o Mercosul. Destarte, houve-se por bem buscar respaldo nos livros didáticos de História das séries finais do ensino fundamental dos anos de 2002 a 2008, buscando identificar as formas de inclusão de conteúdos referentes à América Latina e ao Mercosul. Espera-se, assim, emprestar uma contribuição para com o repensar da ação de ensino e permitir um novo olhar acerca de nós, latino-americanos.

Palavras-chave: Ensino de História, Integração, América Latina, Mercosul.

 

186 - Título: “A casa do planalto: arquitetura rural e urbana na região dos Campos de Lages, séculos 18 e 19”

Autor: Fabiano Teixeira dos Santos

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Ester Judite Bendjouya Gutierrez (UFPEL), Rosa Maria Locatelli Kalil (UPF)

Defesa: 09/12/2011

Resumo: O trabalho que se passa a apresentar traz uma abordagem das habitações rurais e urbanas erguidas durante o período histórico de ocupação inicial da região dos Campos de Lages, no Planalto Serrano do Estado de Santa Catarina, entre os séculos 18 e 19.Estruturado a partir do levantamento e análise das edificações remanescentes, bem como daquelas já desaparecidas, mas que puderam ser identificadas por meio de documentos, sobretudo, iconográficos, busca compreender como se construía e habitava no Planalto Catarinense nesses dois primeiros séculos. Historicamente, esse período foi caracterizado pela expansão e definição das fronteiras territoriais luso-brasileiras na região platina, no contexto de uma sociedade patriarcal e escravagista cuja economia estava baseada quase que única e exclusivamente na atividade pastoril, relacionada às tropeadas de muares e à criação de gado vacum destinado aos mercados consumidores localizados principalmente no sudeste brasileiro e no litoral catarinense. Dentro de uma paisagem regionalmente muito bem caracterizada, marcada pela predominância de campos de altitude pontuados por florestas de araucária, tais construções evidenciam como o colonizador pioneiro, branco ou mestiço, português ou paulista, valendo-se quase sempre da mão de obra dos trabalhadores cativos, soube introduzir e adaptar seus conhecimentos tecnológicos (materiais e técnicas construtivas) e suas referências culturais (usos e costumes definidores da organização dos espaços de habitação e do agenciamento de plantas e tipos de casa) para a edificação de sua moradia. Disso resultou tanto a permanência de soluções e modelos arquitetônicos encontrados em outras regiões do Brasil e Portugal à época, como exemplares completamente originais, resultado da adaptação ao clima e em aproveitamento dos materiais que o novo meio oferecia ao povoador, a exemplo das residências confeccionadas inteiramente em madeira de araucária. No campo, destacando-se no conjunto edificado das sedes de fazenda, ou nas vilas, surgidas de pousos de tropeiros junto aos antigos caminhos, materializam a necessidade de fixação no território recém desbravado do final do século 18 – então singelas e mesmo precárias, levantadas em pau-a-pique – ou o franco desenvolvimento da pecuária na segunda metade do século 19, já imponentes e solidamente construídas, em alvenaria de pedra e cal.

Palavras-chave: arquitetura, moradias rurais e urbanas, fazenda pastoril

 

187 - Título: “A Guerra do Paraguai na Imprensa do Rio Grande do Sul: apoio e crítica nos discursos sobre a guerra”

Autor: Gabriel Schäfer

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Ceres Moraes (UFGD), Eduardo Munhoz Svartman (UFRGS)

Defesa: 12/04/2012

Resumo: No  decorrer  do  século  XIX,  a  sociedade  sul-rio-grandense  conviveu  intensamente  com  as ambições do governo imperial na região platina e foi profundamente marcada pela freqüência com que  esteve  envolvida  em  conflitos  militares.  Durante a década  de  1860  de  maneira  especial,  as disputas entre o  Império do Brasil e as Repúblicas do Prata se acentuaram de forma irreversível. Interesses conflitantes e a impossibilidade de entendimento acabaram tendo como resultado final a conhecida e discutida Guerra do Paraguai, na qual, mais uma vez, o desempenho da província do Rio Grande do Sul, tanto  por  sua  posição  geográfica  como  pelo  seu  efetivo  militar,  teve  grande significado. A guerra, de proporções até então desconhecidas no continente sul-americano, exigiu uma mobilização que não passava somente pelas esferas política e militar. Nesse esforço, sabe-se que a  imprensa  foi  amplamente  utilizada  como  verdadeira  ferramenta  de  combate  no  sentido  de legitimar o discurso articulado pelo governo, baseado na defesa da honra e no dever do Brasil de retirar  Solano  Lopez  do  poder.  Já estabelecida  como  meio  de  interação  social  e  assumindo  a missão de conservar a história, a imprensa foi rica em detalhar os acontecimentos da guerra sendo hoje uma interessante alternativa para observarmos, de outro modo, o desempenho do Rio Grande do Sul e de sua sociedade no conflito contra os paraguaios. A forma como a elite sul-rio-grandense se  inseria  na  região  da  fronteira  e  a  instabilidade  na  relação  entre  a  província  e  o  Império, marcante durante o século XIX, poderiam a qualquer momento tornar incerto o comportamento do Rio Grande do Sul. Nos registros levantados em 18 periódicos que circularam pela província entre 1865 e 1870 e que reunidos somam 67 exemplares, notamos uma clara divisão no comportamento da imprensa diante do confronto. Apesar de o apoio dado a luta do Império ter sido nítido e quase permanente, se manifestando na desqualificação do inimigo e na exaltação das forças brasileiras, também  houve  espaço  para  contestações  e  críticas  nas  folhas  sul-rio-grandenses.    Assim,  nos momentos  em  que  a  província  se  sentia  a  maior  prejudicada  ou  não  tinha  seu  empenho devidamente  reconhecido,  claros  desentendimentos,  novos  ou  antigos,  pautavam  a  discussão.  Lutando contra a implacável ação do tempo, a presente dissertação consiste num estudo a respeito da imprensa sul-rio-grandense e seu envolvimento na Guerra do Paraguai. Além de contribuir com o resgate de parte do valioso patrimônio histórico e social contido nos jornais da época, o trabalho busca compreender e analisar as distintas impressões dos mesmos diante do longo conflito levando em conta as diversas forças políticas e sociais que podiam atuar sobre elas. 

 Palavras-chave: Guerra do Paraguai; imprensa; Rio Grande do Sul; sociedade.

 

188 - Título: “Cooperativismo e crédito na região colonial do RS: convergências e contradições”

Autor: Josei Fernandes Pereira

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Paulo Afonso Zarth (UFFS), Álvaro Antônio Klafke (UPF/PPGH)

Defesa: 13/04/2012

Resumo: O  cooperativismo  tem  suas  raízes  históricas  fincadas  na  Revolução  Industrial.  Nasce, portanto,  indissociavelmente  ligado  a  ascensão  do  sistema  capitalista  na  sociedade européia  do  século  XIX.  Propunha-se  inicialmente  como  um  caminho  alternativo  ao liberalismo  econômico,  defendendo  a  auto-ajuda  (-mútua)  como  instrumento  para atingir o que chamamos de uma “economia moral”. A grande questão que se criava era como ser cooperativo sem ser competitivo. Paralelamente, a imigração européia para a América  oferece  um  modelo  de  transposição  de  um  conjunto  de  estruturas  sócio-econômicas,  dentro  das  quais  o  próprio  cooperativismo  fez  parte,  sendo  utilizado  na auto-organização  das  colônias  de  imigrantes,  especialmente  no  sul  do  Brasil.  Neste trabalho,  ambos  os  processos  serão  analisados  como  modelos  de  reação  não-governamental  dos  camponeses.  O  esforço  da  pesquisa  dá-se  no  sentido  de  analisar ambas as experiências a partir do contexto regional da região noroeste do RS. Habitada primordialmente  por  indígenas,  lusos  e  caboclos,  esta  região  foi  colonizada  a  partir  de 1890 por imigrantes europeus em busca de terras para exploração agrícola. Utilizou-se inicialmente  o  modo  de  divisão  familiar  do  trabalho,  orientado  para  a  obtenção  da propriedade  da  terra,  mesclado  com  atividades  de  subsistência.  Contudo,  a inevitabilidade  da  mercantilização  da  produção,  para  a  quitação  da  dívida  e  melhorias nos lotes, necessitava a inserção na economia regional. A ausência de bancos no RS pré-1930, oferecia condições para que comerciantes locais submetessem estes imigrantes à usura,  um  procedimento  imoral  para  os  costumes  camponeses.  A  análise  das  fontes documentais  assinala  que  o  cooperativismo  surgiu  como  um  mecanismo  adaptativo  à economia liberal de mercado. A Colônia Serra Cadeado (objeto referência desta análise) auto-ordenou-se  a  partir  de  formas  de  organização  socioeconômicas  como  o cooperativismo  de  crédito  que,  capitalizando  coletivamente  as  economias  coloniais, interferiu  na  vida  pública  comunitária,  financiando  e  mercantilização  a  produção, defendendo  os  interesses  dos  colonos  associados  e  até  executando  obras  de  infra-estrutura locais.

Palavras-chaves: cooperativismo, crédito, imigração

 

189-Título: “Metamorfoses na cultura cabocla: a inserção do lavrador nacional no ciclo da madeira em Chapecó (1930-1965)”

Autor: Leonardo Dlugokenski

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Arlene Anelia Renk (UNOCHAPECÓ), Telmo Marcon (UPF/PPGEDU)

Defesa: 16/04/2012

Resumo: O presente trabalho discute as transformações ocorridas na cultura do caboclo residente na região de Chapecó a partir do ciclo da madeira (1930 – 1965), onde estes interagiram mais intensamente  com  os  colonos  durante  as  atividades  ligadas  a  extração  da  madeira  e  a prestação de serviços. O trabalho tem inicio a partir da discussão sobre a formação política da  região  de  Chapecó  passando  pelas  primeiras  ocupações  da  mesma  (indígenas  e caboclos)  até  a  chegada  das  colonizações.  A  partir  da  colonização  temos  o  advento  da indústria da madeira que coloca em interação intensa caboclos e colonos, gerando conflitos de  ordem  simbólica  que  vão  influenciar  na  modificação  da  cultura  do  lavrador  nacional, mudando  o  seu  jeito  de  ser,  sua  cosmovisão.  As  alterações  citadas  são  sutis,  porém importantes,  dado  que  a  forma  de  trabalho,  a  religiosidade,  as  relações  familiares  e  a  sua identidade  são  alteradas  com  o  objetivo  de  adaptar-se  ao  novo  ciclo  econômico  que  se instalava em Chapecó.

Palavras-chaves: caboclos, colonos, cultura, mudança.

 

190-Título: “Aspectos Históricos e Jurídicos do Segurado Especial “Trabalhador Rural”: na microrregião de Getúlio Vargas/RS”

Autor: Lilian Hanel Lang

Orientador: Profª. Drª. Janaína Rigo Santin

Banca: Orides Mezzaroba (UFSC), João Carlos Tedesco (UPF/PPGH)

Defesa: 27/04/2012

Resumo: A  previdência  social  nasceu  da  preocupação  do  Estado  em  garantir  o  sustento  do trabalhador  e seus dependentes nos casos de incapacidade ou morte. Entretanto, foi somente com  o  advento  da  Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil  de  1988  que  os  direitos previdenciários  foram  estendidos  aos  trabalhadores  do  meio  rural.  Cabe  verificar  se  este público-alvo  tem  usufruído  desta  legislação  e  de  que  maneira  a  percepção  de  um  benefício previdenciário pode vir a garantir sua dignidade.

Palavras-chaves: Benefícios, dignidade, Previdência Social, trabalhador rural.

 

191-Título: “A Primeira Guerra do Paraguai: a expedição naval do Império do Brasil a Assunção [1854-5]”

Autor: Fabiano Barcellos Teixeira

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Alejandro Miguel Schneider (UBA-ARG), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF/PPGH)

Defesa: 10/05/2012

Resumo: Analisamos  a  missão  diplomática  enviada  pelo  império  do  Brasil  a  Assunção entre  1854-55  e  suas  possíveis  relações  com  o  maior  conflito  sul-americano,  a “guerra  do  Paraguai”,  ocorrido  entre  1864-70.  Em  10  de  dezembro  de  1854,  o império do Brasil despachou à capital do Paraguai mais de 30 navios de guerra, entre dois a três mil soldados, para executar essa operação. A expedição tinha por objetivo a  livre  navegação  do  rio  Paraguai,  importante  meio  de  comunicação  do  Rio  de Janeiro com a província do Mato Grosso, e a definição dos limites territoriais entre as duas nações. Por seu turno, o Paraguai mobilizou cerca de seis mil homens para a sua defesa e construiu fortalezas nas margens do rio Paraguai – Humaitá – para repelir a então  iminente  agressão  imperial.  Pedro  Ferreira  de  Oliveira,  chefe-de-esquadra imperial, foi designado a comandar a expedição. A esquadra não entrou em combate. Em  27  de  abril  de  1855,  Pedro  Ferreira  de  Oliveira  assinou  tratado  de  amizade, comércio e navegação com o governo do Paraguai. No entanto, o referido acordo foi rechaçado pelo parlamento imperial, pois a livre navegação pelo rio Paraguai não foi obtida.  A  missão  não  alcançou  seus  principais  objetivos,  mas  pode  ter  garantido  o relativo  êxito  das  tropas  aliadas  nas  batalhas  ocorridas  na  década  posterior  à  citada operação.  Apesar  de  vitorioso,  ao  menos  taticamente,  o  governo  do  Paraguai  não conseguiu ajustar acordo diplomático duradouro com o Império, e na década seguinte a  grande  guerra  sul-americana  explodiu.  A  expedição  pode  ter  tido  importante significado  ao  contexto  que  culminou  com  a  “guerra  do  Paraguai”,  ou  da  Tríplice Aliança  de  1864-70.  Apesar  da  sua  relevância,  a  referida  expedição  não  teve  o destaque merecido pela historiografia e ainda está por ser mais bem compreendida. 

Palavras-chaves: Diplomacia, Expedição, Guerra, Império, Paraguai

 

192 - Título: “Violência conjugal contra a mulher: estudo realizado em Cruz Alta-RS no período de 1987-1988” 

Autor: Ieda Maria Rieger Pires

Orientador: Prof. Dr. Janaína Rigo Santin

Banca: Marli Marlene Moraes da Costa (UNISC), Adelar Heinsfeld (UPF/PPGH);

Defesa: 06/06/2012

Resumo: Este  estudo  se  detém  na  temática  ‘violência  conjugal  contra a mulher’.  Para adentrar aspectos teóricos elaborou-se o referencial bibliográfico sobre a década de 1980-1989.  Delimitou-se  o  tema  à  questões  da  realidade  da  violência  conjugal  no contexto em Cruz Alta - RS nos anos de 1987/1988. A problematização insere-se no constante noticiário sobre a violência contra a mulher, nesta direção apresenta-se o problema:  -  Como  era  a  assistência  pelo  poder  público  às  mulheres  vítimas  de violência em Cruz Alta no período pesquisado? Após a fundamentação teórica foram realizadas técnicas de pesquisa documental e entrevistas com agressores e vítimas de  violência  na  relação  amorosa  sobre  amostragens  com  casos  de  violência conjugal contra a mulher na cidade de Cruz Alta, nos anos de 1987 a 1988. Para a pesquisa  documental, buscaram-se informações nos registros do POEDEM  - Posto de Orientação e Defesa dos Direitos da Mulher de Cruz Alta e reportagens de jornais do período pesquisado. A interpretação dos dados obtidos realizou-se com enfoque qualitativo como forma de valorizar as concepções pessoais dos entrevistados. Para se  manter  a  cientificidade  foi  realizada  a  análise  por  categorização,  isto  é, concepções  e  tipologias  elaboradas  pelos  autores  referenciados  sobre  aspectos gerais em relação às informações específicas obtidas no contexto pesquisado. Ao se relacionar os dados obtidos em Cruz Alta com as informações anteriores elaboradas pelos autores pesquisados, indica-se que as mulheres sofrem as mesma agressões, em  intensidade  e  em  circunstâncias  semelhantes,  embora  os  contextos sociotemporais  sejam diferentes.  Os  indicativos  do  perfil do agressor  encontram-se nas referências citadas por diversos autores, ao afirmarem que os espancadores de esposas podem ser homens aparentemente amáveis, que se  tornam violentos por diversos fatores, como questões culturais, frustrações e perturbações psíquicas.  Os agressores  da  amostra  pesquisada  ficaram  impunes  pela  aceitação  da  violência entre  o  casal  como  noção  cultural  dominante  daquela  época  e  pela  ausência  de legislação penal mais rigorosa. Esta lacuna seria preenchida com a Constituição de 1988 e pela Lei 11.340/ 2006, conhecida como Maria da Penha. Porém, a violência permanece  como  um  estigma  a  marcar  mulheres-vítimas,  enquanto  o  homem-agressor  surge  em  todas  as  camadas  sócio-econômicas  em  todos  os  contextos históricos.

Palavras-chave: violência conjugal – caracterização da vítima e do agressor -  Cruz Alta – RS

 

193 - Título: “Transformações para uns, desocupação para outros: as reclamações da população nos jornais Correio do Povo e Diário de Notícias em Porto Alegre, 1928-1935” 

Autor: Alexandre Pena Matos

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Haroldo Loguercio Carvalho (UFRN), Álvaro Antônio Klafke (UPF/PPGH)

Defesa:22/06/2012 

Resumo: O presente trabalho traz a Porto Alegre do período de 1928 a 1935, com suas especificidades que  acarretaram  transformações  para  uns  e  desocupações  para  outros.  O  objetivo  é  expor  o cotidiano  da  população,  através  das  reivindicações,  das  necessidades  e  das  sugestões  que estamparam  a  seção  Queixas  e  Reclamações,  durante  o  processo  de  urbanização, parcelamento  do  solo  e  embelezamento  do  espaço  da  urbs.  Os  jornais  pesquisados apresentaram por vezes uma linearidade na publicação de tal coluna, existindo sim, diferenças em suas linhas jornalísticas e  editoriais. Ou seja, em  geral, os temas não  se alteram entre si, apenas  encontram-se,  por  vezes,  evidências  na  composição  e  exposição  destas  queixas.  O universo  das  reclamações  totalizaram  2.494,  sendo  analisados  599,  correspondente  ao  jornal Correio do Povo, através das colunas Caixa Urbana, Microscopio e As Queixas do Público e, 1.895  do  Diário  de  Notícias,  com  as  seções  A  Cidade,  O  Publico  Reclama,  Ecos  &  Notas, Pontos  de  Vista,  Queixas  e  Reclamações,  Crônica  do  Dia  e  Carta  á  Direção.  Os  queixosos são moradores ou transeuntes expostos às ações do dia a dia, vítimas das más condições dos serviços  públicos,  de  empresas  ou  companhias,  assim  como,  de  outros  indivíduos,  que  não dispunham de outro canal de comunicação para manifestarem suas insatisfações nos casos de omissão ou arbítrio destes agentes. A mídia impressa teve um peso substancial, visto que em suas folhas as narrativas da cidade tomam forma. Alimentando-se do substrato da ocorrência, seja  ela  pública  ou  privada,  ela  narra,  em  suas  linhas,  uma  espécie  de  realidade  a  partir  de textos  e  imagens,  provocando  práticas  e  representações  que  se  desenrolam  em  novas realidades.  A  História  e  a  Comunicação  guardam  cada  uma  suas  especificidades,  seus métodos  e  suas  técnicas,  que  são  utilizadas  nas  análises  das  mais  diversas  formas  de discursos,  em  contra  partida,  o  foco  de  ambas  permanece  o  mesmo,  as  ações  humanas  e  os acontecimentos por elas implicados. 

Palavras–chave: Porto Alegre. Queixas e reclamações. Transformações urbanas. Jornais.

 

194 - Título: “Flores da Cunha: relação política administrativa com Passo Fundo e Região Norte do RS, nas páginas de O Nacional (1930-1937)”

Autor: Alexandre Aguirre

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Haroldo Loguercio Carvalho (UFRN), Ana Luíza Setti Reckziegel (UPF/PPGH)

Defesa:22/06/2012

Resumo: Esta pesquisa tem como foco principal analisar o governo de Flores da Cunha e as relações político-administrativas com o município de Passo Fundo e região norte do Rio Grande do Sul, no período em que o mesmo governou o Estado do Rio Grande do Sul, no período de 1930-1937, primeiro como interventor federal nomeado pelo chefe do Governo Provisório Getúlio Vargas e, posteriormente, eleito governador pela Assembléia Constituinte em 1934. O  ponto  de  partida  de  nossa  investigação  é  o  rompimento  da  política  do  café-com-leite, predominante  durante  todo  o  período  da  República  Velha  (1889-1930).  A  partir  desse contexto político, procuramos compreender a nova conjuntura política que se instalava no país e, ao mesmo tempo, a ascensão dos políticos riograndenses no Governo Federal, bem como os reflexos que a nova ordem política causaria no contexto nacional e regional, pois o personagem  central  de  nossa  pesquisa,  Flores  da  Cunha,  tornar-se-ia  o  fiel  escudeiro  de Getúlio Vargas, tendo em vista sua participação destacada no movimento armado de 1930 e na  Revolução  Constitucionalista  de  1932.  Para  realização  desta  dissertação,  utilizamos como fonte de pesquisa básica a imprensa local, dando destaque para as leituras realizadas nas  páginas  já  envelhecidas  do  jornal  O  Nacional  de  Passo  Fundo,  além  de  autores  que tratam do tema em questão.  

Palavras-chave: Governo. Política. Revolução. Oligarquia. História Regional. Imprensa.

 

195 - Título: “Sedução e casamentos nos processos-crime na comarca de Soledade (1942-1969)”

Autor: Emannuel Henrich Reichert

Orientador: Prof. Dr. Gizele Zanotto

Banca: Cristina Scheibe Wolff (UFSC), Ironita A. P. Machado (UPF/PPGH)

Defesa:05/07/2012 

Resumo: Esta dissertação busca analisar, contextualizar e compreender os crimes de sedução, outrora entre  os   mais  frequentemente   julgados  pelo   Judiciário   brasileiro,  com  base  na  análise  de  casos ocorridos   na   comarca   rio-grandense   de   Soledade   em   meados   do   século   20.  A  sedução   ocorria, segundo  a lei,  quando  um homem  seduzia  uma  moça  menor  de idade,  inexperiente,  e  com ela mantinha relações sexuais. Em geral, os “sedutores” eram namorados que se negavam a casar com as meninas, levando os parentes desta a recorrer às autoridades em busca de providências. Apesar de haver uma pena de prisão prevista para os sedutores, era raro um deles passar muito tempo no cárcere, pois a lei também previa que o casamento entre as partes extinguia a pena, mesmo que ocorresse   após   a   condenação.   Graças   a   essa   medida,   os   processos   quase   não   terminavam   em absolvição ou condenação, mas em absolvição ou casamento, indicando que o propósito por trás da criminalização da sedução não era punir os réus, mas estimulá-los a aceitarem o matrimônio. Ao perseguir suas metas casamenteiras, contudo, o Judiciário esbarrava-se com um obstáculo grave. O modelo de união que ele buscava promover, e o único legalmente aceito, era o casamento civil, indissolúvel, chefiado pelo homem provedor, enquanto a mulher se restringia ao espaço doméstico. Esse  modelo  era   comum  entre  as  classes  média   e  alta,   mas  em  meio   à  população  pobre,  mais  comumente   envolvida   nos   casos   de   sedução,   as   uniões   eram   diferentes,   com   maior   número   de mulheres trabalhando e chefiando famílias, o casamento civil sendo uma opção entre outras, e os cônjuges tendo a possibilidade de romper relacionamentos insatisfatórios, mesmo que a lei dissesse o contrário. Diante desses contrastes, os esforços para disseminar entre os pobres um modelo pouco apropriado à sua realidade não podiam ter mais do que um sucesso limitado. A pesquisa baseou-se no estudo de quarenta processos ocorridos entre 1942, ano em que entrou em vigor o atual Código Penal, e 1969, ano imediatamente anterior à década de 70, em que se intensificaram transformações culturais, legais e sociais, como a legalização do divórcio e o avanço do trabalho feminino, que levaram a um declínio da importância do crime de sedução, até sua revogação em 2005, quando já era uma relíquia do passado.

Palavras-chave: sedução, crimes sexuais, casamento, família, história do direito 

 

196 - Título: “Uma Educação moral cristã: atuação da Congregação das Irmãs de Notre Dame em Maravilha-SC”

Autor: Vitor Marcelo Vieira

Orientador: Prof. Dr. Gizele Zanotto

Banca: Claricia Otto (UFSC), Adelar Heinsfeld (UPF/PPGH)

Defesa:13/08/2012

Resumo: Este trabalho analisa a atuação da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora - Notre Dame (SND - Sisters of Notre Dame), em Maravilha – SC, cidade localizada no extremo Oeste Catarinense. A SND esteve à frente da educação formal implementada na localidade, inicialmente na Escola Reunidas Vera Gomes de Miranda e depois Grupo Escolar Nossa Senhora da Salete entre 1954 e 1976. Analisando a chegada da SND ao local com suas atividades, percebe-se que este evento se caracteriza como um dos elementos preponderantes, empreendidos pelo processo de colonização. Não obstante, tal evento não se caracteriza como fato isolado, mas como integrante de um mesmo processo com direção bem definida, ou seja, o desejo governamental de estabelecer o “progresso” e o “desenvolvimento” na região. Esse desejo de ocupar o espaço tem suas raízes ainda na política empreendida pelo Estado, delegando às colonizadoras, a empresa de comercializar as terras. Além de analisar a atuação da SND em Maravilha, este trabalho considerou os momentos iniciais da constituição do espaço e a importância da presença da instituição religiosa no local. As fontes empregadas nesta pesquisa derivam da própria SND e constituem-se de documentos e publicações produzidas pela instituição como, por exemplo, relatórios anuais, ata de reuniões pedagógicas e livros de correspondências. Para analisar tal aparato documental nos pautamos na categoria de poder disciplinar de Foucault (1997). Junto a isso, entender como foram se configurando as relações no espaço da colonização, com as ações do Estado, com seu interesse no povoamento da região e conseqüente incentivo às colonizadoras, foi um dos objetivos. Não obstante, identificar a disciplina empreendida pela SND na sala de aula e nas reuniões pedagógicas foi, sobretudo o fundamento deste texto. Assim, através da análise de fontes primárias interpretaram-se as ações moralizantes e a difusão de princípios cristãos empreendidos pela SND no espaço escolar e comunitário. 

Palavras-chave: educação, moral cristã, disciplina, colonização.

 

197 - Título: “A mobilização política do discurso do “herói” pioneiro da luta social de 1957 no Sudoeste do Paraná”

Autor: Leomar Rippel

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Carlos Antônio Bonamigo (UNIPAR), Gizele Zanotto (UPF/PPGH)

Defesa:15/08/2012

Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo analisar as políticas de memória voltadas à exaltação e  à  institucionalização  do  pioneiro  como  herói  regional  no  Sudoeste  do  Paraná.  O  poder público  instituído  esforçou-se  ao  máximo  em  constituir  um  imaginário  social  do  migrante proveniente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul como símbolo do labor, do progresso e da prosperidade.  Para  tanto,  as  representações  de  um  passado  laborioso  e  heróico  estão influenciando  na  naturalização  dos  discursos,  em  que  a  noção  de  sociedade  não  é  sempre considerada  como  produção  humana,  fazendo  com  que  haja  um  processo  de  afastamento dessa  percepção  pelos  sujeitos  que  a  vêem  como  realidade  exterior  ao  indivíduo,  onde  o sujeito  e  sociedade  são  vistos  de  forma  dicotômica.  Através  das  fontes  analisadas  nessa pesquisa  como  jornais,  revistas,  peça  teatral,  obras  literárias,  monumentos  e  discursos políticos,  possibilitaram  compreender  as  diversas  formas  utilizadas  para  criar  e  galvanizar uma  representação  coletiva  do  migrante  sulista  como  sendo  o  único  capaz  de  conduzir  o Sudoeste  do  Paraná  rumo  ao  progresso.    Percebeu-se  dessa  forma,  que  para  constituir  tais representações, houve a necessidade de silenciar a memória dos grupos indígenas e caboclos, primeiros habitantes da Região Sudoeste. Sendo assim, os discursos enaltecendo as conquistas do Sudoeste paranaense, principalmente, a partir de 1970, contribuíram, sobremaneira, para a constituição  desta  representação  coletiva,  forjando  referências  identitárias  na  tentativa  de produzir  um  conjunto  de  valores  e  comportamentos  homogêneos,  e  no  controle  tempo coletivo.  A  partir  das  categorias  de  análise  como  memória  coletiva,  imaginário  social, representações  sociais,  capital  simbólico  e  análise  do  discurso,  o  presente  trabalho  procura compreender  essa  discursividade,  que  serviu  como  forma  de  utilizar  e  representar  o  passado em função de um presente e de um futuro, todavia, percebeu-se que quem melhor mobilizou os recursos simbólicos pioneirista foram os que mais se projetaram e perpetuaram-se na cena política regional, estadual e federal.

Palavras-chaves: Sudoeste do Paraná, pioneiro, memória e imaginário social.

 

198 - Título: “Visitantes Indesejados: os pedidos de extração de Franz Stangl e Gustav Wagner em uma análise histórico jurídica”

Autor: Felipe Cittolin Abal

Orientador: Prof. Dr.Janaína Rigo Santin

Banca: Arno Dal Ri Junior (UFSC), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF/PPGH)

Defesa:17/08/2012

Resumo: O presente trabalho  se  foca  no  estudo  acerca  de  dois  criminosos  nazistas  encontrados  no Brasil: Franz Stangl e Gustav Wagner, com o anseio de pesquisar quem eram estes nazistas, quais  crimes  cometeram  e  como  chegaram  ao  Brasil,  além  de  analisar  os  processos  de extradição  realizados  contra  eles  e  de  que  forma  a  descoberta  destes  nazistas  no  país  e  os resultados  dos  processos  de  extradição  impactaram  na  imprensa  do  sudeste.  Stangl  foi Comandante  dos  campos  de  extermínio  de  Sobibor  e  Treblinka,  além  de  ter  trabalhado anteriormente  no  Instituto  de  eutanásia  de  Hartheim,  sendo  que,  desta  forma,  participou ativamente do assassinato de milhares de pessoas, em especial judeus. Wagner, que também havia laborado em Hartheim, foi sub-comandante do campo de extermínio de Sobibor, sendo conhecido por sua crueldade e tendo assassinado pessoalmente dezenas de pessoas de origem hebraica. Ambos, após o fim da guerra, fugiram da Europa com auxílio de membros da igreja católica e, após um período na Ásia Ocidental, acabaram por se refugiar no Brasil. Stangl foi encontrado  no  país  em  1967  e  sofreu  pedidos  de  extradição  da  República  Federal  da Alemanha,  Áustria  e  Polônia,  sendo  que,  após  o  julgamento  destes  pedidos  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  o  nazista  foi  entregue  à  Alemanha.  Wagner  foi  encontrado  no  Brasil  onze anos depois e também teve sua extradição solicitada pelos governos da República Federal da Alemanha,  Áustria,  Polônia  e  Israel.  O  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal  no  caso Wagner,  porém,  foi  diferente,  sendo  que  a  extradição  do  nazista  foi  negada.  A  pesquisa  se concentrou, em um primeiro momento, na análise de ambos os sujeitos e seus crimes, assim como  os  locais  onde  cometeram  os  delitos  de  que  foram  acusados  para,  posteriormente, abordar como os nazistas foram encontrados no Brasil e o impacto destes fatos nos jornais do sudeste. No último momento do trabalho, passou-se a estudar o tratamento dado ao instituto da  extradição  no  ordenamento  pátrio  vigente  à  época  dos  julgamentos,  os  processos  em  si  e seus  resultados,  finalizando  com  uma  análise  acerca  da  repercussão  do  resultado  dos julgamentos  nos  jornais  de  São  Paulo  e  Rio  de  Janeiro.  Para  a  realização  da  pesquisa  foi utilizada  bibliografia  específica,  entrevistas  realizadas  com  sobreviventes  dos  campos  de extermínio de Treblinka e Sobibor, os processos de extradição na íntegra e jornais da época. Estas etapas foram realizadas para buscar subsídios para se responder o problema principal da pesquisa: Quais foram os motivos jurídicos que embasaram os resultados diferentes nos dois julgamentos  naquele  momento  histórico,  diante  da  aparente  equidade  dos  casos?  Chegou-se,  então,  à  conclusão  de  que  isto  ocorreu  em  virtude  da  análise  estritamente  legalista  realizada pelo Supremo Tribunal Federal do caso Wagner, em detrimento das normas internacionais de repressão aos criminosos que participaram de genocídio e da própria justiça.

Palavras-chaves: Extradição, Imprensa, Nazistas no Brasil

 

199 - Título: “Crimes Sexuais no Sudoeste do Paraná: as contravenções morais dos migrantes na comarca de Clevelândia (1953-1979)”

Autor: Denilson Sumocoski

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Ismael Vannini (UNIPAR), Gizele Zanotto (UPF/PPGH)

Defesa:29/08/2012

Resumo: A  região  Sudoeste  do  Paraná  deve  ser  entendida  como  uma  preocupação  do  Estado brasileiro  desde  o  período  imperial,  quando  ocorreram  as  instalações  das  colônias  militares Chapecó  e  Chopim.  Esse  fenômeno  repetiu-se  quando  foram  criadas,  em  meados  do  século XX,  colônias  agrícolas  sendo  a  principal  expoente  a  CANGO  (Colônia  Agrícola  Nacional General  Osório),  tendo  como  função  específica,  o  povoamento  e  a  proteção  da  área  de fronteira com a Argentina. Nesse período que correspondia a inicio da década de 30, o Brasil era chefiado pela Era Vargas, sendo que o mesmo estende a ocupação da região Sudoeste com a política denominada “Marcha para Oeste”.  Relevante ressaltar que a região Sudoeste teve o seu  espaço  geográfico  ocupado  com  maior  intensidade  após  as  primeiras  décadas  do  século passado, isso devido o deslocamento de imigrantes europeus que haviam ocupado a região da Serra Gaúcha e foram assim deslocados em um processo de migração interna para o Sudoeste paranaense.  Porem  não  é  correto  afirmar  que  a  região,  antes  disso,  era  um  imenso  vaziodemográfico como a historiografia tradicional existente entre as décadas de 70-80 relatam. Os migrantes  e  seus  descendentes,  que  ocuparam  a  região,  são  os  protagonistas  diretos  dessa pesquisa,  pois  as  análises  dos  crimes  sexuais  ocorrem  em  torno  desse  grupo.  Crimes  de estupro e defloramento foram analisados, tendo,  como referência jurídica, o código penal de 1940.  A  pesquisa  tem  como  objetivo  analisar  as  contradições  existentes  entre  o  discurso oficiais  moralizador  apregoada  pela  Igreja  Católica  e  pelo  Estado,  tendo,  como  contraponto, os  processos  de  crimes  sexuais  cometidos  na  região  entre  os  anos  de  1953-1979.  A  analise maior de pano de fundo é a de compreender a contradição existente entre o perfil idealizado pelas forças governamentais e religiosas e as praticas não condizentes comprovadas através da existência  de  processos  crimes  que  denunciavam  as  ações  reprovadas  judicialmente  e moralmente pela sociedade local.

Palavras-chaves: Crimes sexuais; migrantes, Comarca de Clevelândia, protagonistas; discurso  moralizador

 

 200 - Título: “Dueto em três vozes: discursos historiográficos e estéticos do gaúcho em “O Laçador” E “El Gaucho Oriental”

Autor: Henrique Pereira Lima

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: César Augusto Barcellos Guazzelli (UFRGS), Luiz Carlos Tau Golin (UPF/PPGH)

Defesa:18/09/2012

Resumo: A estética do gaúcho, produzida pelo imaginário rio-grandense e uruguaio ao longo dos séculos  XIX  e  XX,  insere  o  agente  histórico  e  social,  dentro  outra  estrutura  –  a simbólica.  O  tempo  histórico,  nesse  sentido,  entrecruza-se  com  o  tempo  simbólico,  na construção  de  uma  terceira  dimensão,  o  tempo  do  sentido,  dentro  do  qual,  o  gaúcho insere-se  e,  a  partir  do  qual,  relaciona-se  com  as  demandas  mais  amplas  destas sociedades. A fluidez das fronteiras políticas instaladas no Prata, cobrou do processo de consolidação  das  nacionalidades  argentina,  brasileira  e  uruguaia  ao  longo  dos  séculos XIX  e  XX  mecanismos  que  viabilizassem  a  delimitação  de  suas  soberanias.  Nesse sentido, a construção de imaginários, nacionalismos e de historiografias, ao ocuparem-se  desta  tarefa,  convergiram  para  a  construção  de  uma  estética  particularizadora  deste agente  e  deste  espaço  que  desde  a  época  colonial,  apresentava  sinais  de  convergência. Ainda que os aspectos históricos não tenham sido abandonados, sua apropriação guiou-se  por  interesses  sociais  contemporâneos,  dando  contornos  míticos  e  idealizados  aos “gaúchos nacionais”, tidos então, como promotores da ocupação do espaço e fundadores de  uma  historia  pátria.  Identidades  culturais  e  identidades  políticas  eram  por  esses critérios  estruturados.  À  história,  este  contexto  já  amplamente  pesquisado  e  debatido, revela novos aspectos, sobretudo quando as lentes pelo qual a formação das nações da região  platina  são  cotejadas,  são  plurais.  As  diferentes  manifestações  artísticas  destas sociedades  apresentam-se  como  terreno  exemplar  de  ação  e  a  interação  dos  diferentes elementos  e  diferentes  sujeitos  sociais,  deu  forma  a  um  variado  sistema  de representações  do  gaúcho.  Essa  capacidade  de  a  arte  expressar  um  conteúdo  objetivo atribui  aos  monumentos “El  Gaucho  Oriental” e “O Laçador”,  instalados  em  Porto Alegre – RS a função de apresentar o discurso – de forma cognoscível – das diferentes identidades  culturais  que  as  modelaram  –  uruguaia  e  rio-grandense,  respectivamente. Estes  monumentos,  vinculados  a  diferentes  discursos  acerca  do  gaúcho  expressam imaginários comprometidos com distintas demandas que, mesmo vinculadas a estética, não perdem sua eficácia discursiva na sociedade que as gestas ou as acolhem.

Palavras-chaves: Arte  Pública,  “El Gaucho Oriental”,  Gaúcho,  Historiografia,  “O  Laçador”, Representação

 

201 - Título: “Tendeiros de “Beira de Estrada”: caboclos – pluriativos de Fontoura Xavier”

Autor: Joseandra Sanderson da Cruz

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Joel João Carini (IFF), Humberto José da Rocha (UPF)

Defesa:19/09/2012

Resumo: Esta  pesquisa  tem  por  objetivo  mostrar  a  ocupação  e  a  colonização  da  região  de Soledade,  aprofundando  o  estudo  no  município  de  Fontoura  Xavier,  com  concentração  nas tendas  à  beira  da  rodovia.  Os  agentes  centrais  são  os  comerciantes  tendeiros  que  têm  às margens  da  BR  386  no  Km  273,  suas  tendas,  local  onde  comercializam  produtos  e  artigos produzidos  e  elaborados  por  eles  mesmos.  Trata-se  de  uma  vida  dedicada  à  agricultura  e  ao comércio,  atividades  desenvolvidas  pelos  moradores  da  comunidade  de  Vila  Assis,  tendo como fornecedores os pequenos agricultores. Estes cultivam suas lavouras e o produto era (é) comercializado nas tendas. Os produtos são característicos do cultivo de suas lavouras, como feijão,  abóbora,  amendoim,  pinhão,  entre  outros,  expandindo-se  hoje  para  mercadorias trazidas de outros locais, como os tapetes de couro. As tendas surgiram como forma de ter um emprego  e  renda  para  o  sustento  das  famílias.  São  trinta  tendas  cadastradas  e  estabelecidas naquele local. O caboclo é o elemento que ocupa destaque nelas, por ter  sido marginalizado durante  o  processo  da  colonização.  Exerceu  atividades  extrativas  para  os  grandes proprietários,  especialmente  a  erva-mate,  alguns  tinham  pequena  área  cedida  ou  ocupada  de onde  retirava  seu  sustento  na  condição  de  explorado  e  subjugado.  Encontrou  a  saída  nas tendas  como  alternativa  para  sua  subsistência.  Sem  organização  no  início,  hoje,  porém,  em condições melhores.  As primeiras tendas construídas foram em 1935, à beira da estrada, e de madeira. O caboclo comerciante hoje está numa situação melhor, mais organizada, em virtude dos  incentivos  liberados  pelo  governo  Federal  e  Estadual  e  Municipal.  A  fundação  da Associação dos Tendeiros foi de fundamental importância para essas melhorias. Nessa prática os tendeiros atuam desde longa data, passaram de geração a geração a prática, os saberes, os conhecimentos  da  lida  com  o  comércio.    É  importante  destacar  o  trabalho  (agricultura)  do caboclo comerciante, bem como do artesanato feito por eles mesmos. Ênfase maior é dada ao evento que acontece a cada ano: a Festa do Pinhão. Pelo fato de esse produto encontrar-se em abundância na região, denunciando uma vasta conservação de floresta araucária nativa.

Palavras-chaves: Caboclos. Comerciantes. Às Margens da Br 386

 

202 - Título: “RELAÇÕES DO IMPÉRIO DO BRASIL E DOS FARROPILHAS COM O PRATA (1835-1852)”

Autor: Janaíta Golin da Rocha

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: André Fertig (UFSM), Álvaro Antônio Klafke(UPF/PPGH)

Defesa:30/10/2012

Resumo: As relações do Império do Brasil e dos farroupilhas com o Prata efetivaram-se  com  os  objetivos  contrários  de  contenção  e  prolongamento  da  guerra  civil farroupilha, ocorrida entre os anos de 1835 a 1845 na província do Rio Grande do Sul. Os contatos estabelecidos pelo Império do Brasil com os líderes platinos justificavam-se pelo propósito de obstar os auxílios provenientes daquela região, os quais davam fôlego aos rebeldes. As comunicações dos farroupilhas com o Prata se davam pelo interesse de adquirir  cavalhada  e  artigos  de  guerra,  principalmente.  O  desfecho  da  insurreição farroupilha,  em  1845,  não  assegurou  a  pretendida  hegemonia  brasileira  na  região  do Prata,  ambicionada  pelo  Gabinete  Imperial.  Ela  seria  obtida  com  a  ajuda  dos  ex-inimigos do Império de 1835, que no contexto de 1852, reconciliados e reincorporados ao exército do Brasil, marcharam contra Juan Manuel de Rosas, líder da Confederação Argentina,  derrotado  na  batalha  de  Monte  Caseros,  em  3  de  fevereiro  daquele  ano.  As fontes  utilizadas  para  a  confecção  deste  trabalho  foram  a  Coleção  Varela,  Arquivo Pessoal  do  Barão  de  Caxias,  Revistas  do  Instituto  Histórico  e  Geográfico  Brasileiro, Cadernos  do  Centro  de  História  e  Documentação  Diplomática  e  os  Relatórios  da Repartição dos Negócios Estrangeiros do Império do Brasil.

Palavras-chaves: Império do Brasil, farroupilhas, Prata

203 - Título: “Política, repressão e nacionalismo: o cotidiano da comunidade alemã do Vale do Iguaçu durante a Era Vargas”

 

Autor: Wanilton Dudek

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Dennison de Oliveira (UFPR), Rosane Márcia Neumann(UPF/PPGH)

Defesa:31/10/2012

Resumo: O  estudo  das  estruturas  políticas  e  sociais  do  cotidiano  está  relacionado  à compreensão  dos  fenômenos  que  vinculam  as  instituições  públicas  do  Estado  ao campo da vida privada, estabelecendo novas relações de poder. O objetivo geral da pesquisa  é  analisar  como  a  política  nacionalista  de  Getúlio  Vargas  alterou  o cotidiano da região do Vale do Iguaçu, enfatizando as ações públicas direcionadas à comunidade alemã, e como a população civil atuou neste processo. Para dar conta dos objetivos, utilizamos as seguintes fontes: recortes do periódico O Comércio, que circulava na região de União da Vitória e Porto União, disponíveis na atual redação do  jornal,  e  documentos  da  extinta  Delegacia  de  Ordem  Política  e  Social  dos Estados  do  Paraná  e  Santa  Catarina,  separados por  pastas  e  eixos  temáticos  no Arquivo  Público  do  Paraná.  Através  destas  fontes,  foi  possível  observamos  a atuação policial que, por meio de ações legitimadas pela legislação do Estado Novo, e  da  participação  da  sociedade  civil,  sistematizou  uma  política  de  vigilância  aos imigrantes alemães e seus descendentes.

Palavras-chaves: Vale do Iguaçu, alemães, autoritarismo e Era Vargas

 

204 - Título: "Imaginários e místicas nas reduções jesuíticas”

Autor: Celso Gabatz

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Walter Frantz (Unijuí), Gizele Zanotto (UPF/PPGH)

Defesa:23/01/2013

Resumo: A presente Dissertação de Mestrado está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em História – Mestrado em História, da Universidade de Passo Fundo-RS (UPF), e à Linha  de  Pesquisa  Espaço,  Economia  e  Sociedade,  tendo  como  tema  central Imaginários e Místicas nas Reduções Jesuíticas na área geográfica de abrangência da  antiga  Província  Jesuítica  do  Paraguai  com  as  suas  respectivas  frentes missionárias  do  Paraná,  Uruguai,  Paraguai  e  Tape.    Mais do  que  uma  leitura compreensiva  e  crítica  dos  fatos  e  de  seus  desdobramentos  históricos  acerca  da colonização do Novo Mundo, a pesquisa procura esclarecer os processos envolvidos no encontro  entre  a cultura ocidental cristã católica e a cosmovisão mítica guarani, buscando compreender como ocorreu a modelação moral dos guaranis à fé cristã no âmbito  das  Reduções  Jesuíticas.  Utilizando-se  a  metodologia  dedutiva  e  o  método de  procedimento  ócio-histórico-analítico,  com  consultas  em  bibliografias  de  fontes primárias  e  secundárias,  cartas  ânuas  e  relatos  arrolados  em  abordagens etnográficas,  foi  possível  constatar  que,  as  Reduções  Jesuíticas  serviram  ao propósito de serem espaços destinados ao processo de cristianizar para civilizar os povos indígenas guaranis, a fim de salvar sua alma e, ao mesmo tempo, fazer com que  as  populações  autóctones  indígenas  se  tornassem "civilizadas‟,  de  modo  a contribuir  com  as  prerrogativas  da  colonização.  Neste  processo,  acabaram  sendo destacados  conceitos  morais  ocidentais  e  a  mentalidade  religiosa  cristã  europeia que  almejava  concretizar  a  expansão  e  assimilação das  prerrogativas  eclesiásticas católicas para uma realidade ainda desconhecida em toda a sua amplitude religiosa, moral,  social  e  humana.  A dissertação busca  aprofundar, as  possíveis  adequações resultantes  das  impressões  dos  jesuítas,  que  engendravam  juízos  de  valores  tidos como  condenáveis  nas  práticas  guaranis  e  que  motivaram  uma  ação  missionária que privilegiava as representações de Deus, através de sua imagem condenatória e, ao mesmo tempo, benevolente e amorosa, segundo uma constelação de elementos intrínsecos às místicas cristãs, com suas simbologias, tradições e valores, que foram elementos decisivos na modelação moral dos povos indígenas guaranis.

Palavras-chaves: Reduções Jesuíticas. Imaginários. Místicas. Religião. Indígenas.

 

 205 - Título: "Força Aérea Brasileira: os reflexos do alinhamento com os Estados Unidos(1941-1948)”

Autor: Anderson Matos Teixeira

Orientador: Prof. Dr.Adelar Heinsfeld

Banca: Eduardo Munhoz Svartman (UFRGS), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF/PPGH)

Defesa:07/03/2013

Resumo: A Segunda Guerra Mundial induziu a Força Aérea Brasileira a criar vínculos com diversos atores internacionais, que resultou em reflexos na sua estrutura e pensamento. Em 1941,  no  Brasil,  foi  criado  o  Ministério  da  Aeronáutica,  absorvendo  a  aviação  naval (marinha) e aviação militar (exército), com aparelhos de diversos modelos e obsoletos em sua totalidade. Com a Comissão Mista de Defesa Brasil-Estados Unidos, criada em 23 de abril  de  1942,  foi  decidida  como  seria  a  participação  do  Brasil  nos  esforços  da  guerra,  e como  seriam  utilizadas  as  bases  nacionais  pelas  forças  norte-americanas  (construídas  por empresas  aéreas  dos  Estados  Unidos),  além  de  quais  equipamentos  receberia  como  parte do apoio aos Aliados. Com a Força Aérea devidamente equipada com aeronaves modernas e seus pilotos treinados em solo norte-americano, o que se seguiu foi o envio de pessoal da Aeronáutica para a proteção dos comboios no Atlântico e um esquadrão para o Teatro de Operações europeu, onde observa-se o emprego  desta força, sob a égide norte-americana. A  forma  com  que  os  Estados  Unidos  influenciaram  foi  das  mais  diversas,  mas principalmente  a  partir  da  formação  do  pessoal,  fornecimento  de  materiais  e  do pensamento  sobre  poder  aéreo,  que  ainda  podem  ser  sentidos  dentro  da  Força  Aérea Brasileira.  Observa-se  que  durante  o  período,  com  raríssimas  exceções,  a  FAB  operou aeronaves que não eram de origem norte-americana, e em missões de outras características  que  não  as  de  primeira  ordem.  Esta  dissertação  pretende  mostrar  de  que  forma  a  Força Aérea  Brasileira  foi  influenciada  pelos  Estados  Unidos,  no  período  da  Segunda  Guerra Mundial,  tanto  na  sua  estruturação  quanto  na  forma  de  emprego.  Com  o  fim  do  conflito mundial, observa-se um declínio na relação com os Estados Unidos, mas restando a forma que se estruturou o pensamento sobre emprego de Poder Aéreo no país. Este trabalho faz parte da pesquisa de mestrado sobre a influência norte-americana na FAB de 1941 a 1950, analisando documentos oficiais do período. 

Palavras-chaves: Relação Brasil-Estados Unidos; Força Aérea Brasileira; Poder.

 

206 - Título: "As Cruzadas do Rosário em Família do padre Patrick Peyton e o anticomunismo no Brasil (1962-1964)”

Autor: Anderson José Guisolphi

Orientador: Profa. Dra. Gizele Zanotto

Banca: Carla Simone Rodeghero (UFRGS), Adelar Heinsfeld (UPF/PPGH)

Defesa:18/03/2013

Resumo: A presente dissertação analisa as Cruzadas do Rosário em Família como ações anticomunistas nos meios católicos brasileiros entre 1962 e 1964. Em particular, a presente pesquisa buscou indícios de anticomunismo  nas  ações  do  Padre  Patrick  Peyton,  fundador  e  organizador  das  Cruzadas  do Rosário em Família no Brasil nos anos que antecederam e sucederam o golpe civil-militar em 1964.  Entre as fontes utilizadas destacamos as publicações A man of faith (Um homem de fé) e All for her (Todo  por  Ela),  respectivamente  biografia  e  autobiografia  do  Padre  Patrick  Peyton. Ao  abordar  a trajetória das Cruzadas no Brasil, nos aportamos no Jornal O Estado de S. Paulo, por ser o periódico que  deu  maior  cobertura  aos  eventos.  Utilizamos  também  parte  da  correspondência  trocada  entre Papas Paulo VI, Pio XII e o Padre Patrick Peyton e, outros documentos oficiais da Igreja Católica, bem  como  fotografias  do  acervo  das  Cruzadas  do  Rosário.  Embora  o  caráter  das  fontes  aponte hermetismo  e  unilateralidade  por  serem  produzidas  pelo  próprio  ovimento,  buscamos  nelas indícios  de  anticomunismo  que  nos  ajudaram  a  responder  à  problemática  proposta.  Nosso  recorte parte das Cruzadas realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo a partir do estudo das repercussões midiáticas dos eventos, assim como das obras que se debruçam sobre a vida e obra do religioso. O Padre  Patrick  Peyton  fundou  nos  EUA  um  movimento  religioso  católico  denominado  Holy  Cross Family  Ministries,  (HCFM)  -  chamado  no  Brasil  de  Cruzadas  do  Rosário  em  Família  -, caracterizado pela divulgação da oração do rosário associada a grandes astros e estrelas do cinema e a  divulgação  da  oração  como  uma  arma  no  combate  ao  comunismo  nos  anos  da  chamada  Guerra Fria.  O auge do movimento do rosário se deu entre 1948 e 1985, também auge das disputas entre EUA  e  URSS.  No  Brasil,  as  Cruzadas  do  Rosário  foram  realizadas  entre  1962  a  1964  em  várias cidades,  consolidando  o  imaginário  anticomunista  e  estimulando  a  oração  em  família  – evidenciando,  deste  modo,  como  as  atividades  das  Cruzadas  do  Rosário  e  a  atuação  do  Padre Patrick Peyton podem ser consideradas como vetores que ajudaram a criar um clima propício para a aceitação do golpe civil-militar em 1964.   

Palavras-chave:  catolicismo,  anticomunismo,  Cruzadas  do  Rosário  em  Família,  Padre  Patrick Peyton.

 

207 - Título: "O povo Kaingang: arte e cultura”

Autor: Simone Serpa Catafesta

Orientador: Profa. Dra. Rosane Márcia Neumann

Banca: Jairo Henrique Rogge (Unisinos), Gerson Luís Trombetta (UPF/PPGH)

Defesa:27/03/2013

Resumo: O contato dos índios kaingang com a sociedade branca, no Rio Grande do Sul, teve início no final do século XVIII, tendo como desdobramentos a médio e longo prazo as trocas culturais, provocando a transformação da cultura indígena com a incorporação de novos elementos e a perda de outros. A presente pesquisa tem como objetivo estudar o processo de transculturação ocorrido entre os índios kaingang, observando as  marcas dessas modificações em sua arte e seu artesanato, verificando quais os traços mantidos e como outros foram adaptados, atendendo às demandas das comunidades indígenas e do mercado consumidor. Pretende também investigar a transmissão e a reatualização de valores, saberes e fazeres de geração em geração e, mais recentemente, no espaço escolar, mantendo viva a língua materna, seus rituais e festas e a convivência com as novas tecnologias. Como recorte espacial e temporal, optamos pela reserva indígena de Nonoai, situada entre os municípios de Gramado dos Loureiros e Nonoai, no norte do Estado, no período de um século (1913-2012). Justifica-se a relevância dessa abordagem temática pelo seu ineditismo  e as próprias peculiaridades dessa reserva indígena criada em 1913, foco de muitos  conflitos e profundas mudanças culturais. Metodologicamente, foi realizada a  revisão da bibliografia pertinente ao tema e a coleta de dados empíricos, com a visita à reserva e o  registro de informações orais. A pesquisa constatou que o saber indígena, aqui incluídos a arte, o artesanato, a língua, os costumes e as tradições, é passado de geração em geração  na convivência familiar, nos espaços de sociabilidade e no âmbito escolar, mantendo  viva a tradição oral, assim como as transformações ou modernização que aconteceram na prática e na confecção da arte e do artesanato, com a substituição da matéria-prima extraída da natureza. A situação das comunidades que fazem parte do território indígena em questão apresenta as mais variadas condições; contudo, sua estrutura social e seus princípios cosmológicos continuam vigorando. A confecção do artesanato e a língua são possibilidades de divulgação da cultura indígena. Nessa perspectiva, entendemos que as mudanças e as transformações desse artesanato, inclusive sua modernização, são o resultado em parte da transculturação e da própria demanda. Portanto, a história da cultura indígena kaingang nos permite refletir sobre as várias possibilidades de registros efetivados pela história oral. Essa reflexão oportuniza conhecer o dia a dia, as práticas e as ações desenvolvidas por essa população. 

Palavras-chave: Kaingang. Cultura. Reserva Nonoai.

 

208 - Título: "A Revolução Verde na mesorregião noroeste do RS(1930-1970)”

Autor: Clóvis Tadeu Alves

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Edson Talamini (UFRGS), Adelar Heinsfeld (UPF/PPGH)

Defesa: 19/04/2013

Resumo: Este  trabalho  se  propõe  a  fazer  uma  análise  histórica  e  econômica  da  Revolução  Verde  no Brasil,  dando  ênfase  as  transformações  ocorridas  na  agricultura  da  mesorregião  Noroeste  do Rio Grande do Sul. O estudo se justifica pela relevância histórica do tema para a mesorregião em questão, onde  a agricultura foi a primeira e  principal forma de atividade  econômica e as transformações ocorridas na mesma modificaram todo o sistema econômico, social e agrário. Posteriormente o movimento modernizante iniciado com a Revolução Verde na mesorregião Noroeste gaúcha se estendeu para outros territórios agrícolas do país, impactando diretamente em toda a agricultura brasileira. Sendo assim, o trabalho pretende demonstrar como ocorreu a formação  e  a  consolidação  do  programa  de  modernização  agrícola,  representada  pela Revolução Verde, na mesorregião Noroeste, e o princípio da dissipação do modelo para outras regiões  do  país,  analisando  o  período  que  engloba  as  décadas  de  1930  a  1970.  Embora  o estudo  faça  alusão  no  primeiro  capítulo  sobre  os  acontecimentos  geopolíticos  internacionais que  marcaram  e  influenciaram  a  formação  do  programa  da  Revolução  Verde  no  cenário global. E no segundo capítulo faça um levantamento das relações e ações políticas, no trame nacional e internacional, que influenciaram na adoção da Revolução Verde como modelo para a  agricultura  brasileira.  O  trabalho  dedicara  especial  atenção  para  a  formação  (anterior  a Revolução  Verde)  da  agricultura  na  mesorregião  Noroeste  e  ao  processo  de  consolidação  e modernização  (Revolução  Verde)  da  agricultura  mesorregional.  Dentro  de  uma  perspectiva analítica,  a  Revolução  Verde  foi  um  produto  das  políticas  de  disseminação  tecnológica patrocinada  por  instituições  privadas  norte-americanas  com  o  intuito  de  criar  e  desenvolver novos  mercados  para  produtos  tecnológicos  agrícolas.  Ou  atuou  como  uma  forma  de afirmação capitalista e no caso brasileiro e mesorregional como uma forma de interiorização capitalista, transformando o complexo rural em um complexo agroindustrial.

Palavras-chave: Revolução Verde. Modernização Agrícola. Transformações Agrícolas.

 

209 - Título: "Á sombra do Colosso da Lagoa: uma história do futebol em Erechim”

Autor: Luciano Anderson Breitkreitz

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Gerson Wasen Fraga (UFFS), Álvaro Antônio Klafke (UPF/PPGH)

Defesa: 06/05/2013

Resumo: No  final  da  década  de  1960  a  cidade  de  Erechim,  no  Estado  do  Rio Grande  do  Sul,  viu  surgir  uma  grande  obra  de  ferro  e  concreto  armado dedicada  ao  futebol.  O  estádio  Colosso  da  Lagoa,  que  ainda  hoje  chama  a atenção  pela  sua  estrutura,  traz  à  pauta  de  discussões  uma  questão:  “O  que motivou  a  construção  deste  estádio?”.  É  isto  que  este  trabalho  discute.  Ele analisa o fascínio que o futebol exerce na sociedade e considera que a maior força motivadora no universo do futebol é a rivalidade.  A  pesquisa  tem  início  com  algumas  considerações  gerais  sobre  o futebol,  seu  surgimento,  sua  expansão  e  sua  chegada  ao  Brasil.  Discute  o significado de um estádio para o clube e a sua torcida, pois o estádio é muito mais do que uma obra física. Também analisa como o conflito esportivo pode refletir o comportamento de determinada comunidade.  Em um segundo momento é feita uma análise do futebol em Erechim. É avaliado  como  os  imigrantes  europeus  se  organizaram  para  a  prática desportiva.  Também  são  analisados  documentos  sobre  os  primeiros  registros do  futebol  na  cidade  e  o  nascimento  do  Ypiranga  F.C.,  bem  como  o  contexto social em Erechim durante a criação do clube Há  ainda  uma  pesquisa  acerca  da  construção  do  estádio  Colosso  da Lagoa, e os acontecimentos que resultaram na grande mobilização local para a realização do projeto. O estudo relaciona a influência da conquista da Copa do Mundo de 1970 pela seleção brasileira com a ação de marketing desenvolvida pelos  dirigentes  do  Ypiranga  para  angariar  sócios  e  aumentar  a  renda patrimonial do clube. O  desenvolvimento  deste  trabalho  se  deu  através  de  fontes bibliográficas,  pesquisa  documental  em  arquivos  históricos  e  arquivos particulares,  consultas  aos  arquivos  de  jornais  e  revistas.  Também  foram realizadas  entrevistas  com  dirigentes  do  clube  à  época  e  cronistas  esportivos de veículos de comunicação afetos ao tema.

Palavras-chave: Erechim, Ypiranga, Futebol, Rivalidade

 

210 - Título: "O coronelismo na fronteira oeste do Rio Grande do Sul: na vanguarda da Coluna do Oeste de 1923”

Autor: Luiz Francisco Matias Soares

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Ronaldo Bernardino Colvero (UNIPAMPA), Adriano Comissoli (UPF/PPGH)

Defesa: 10/05/2013

Resumo: Apresenta-se  aqui  a  análise  histórica  do  Poder  Local  e  sua  estruturação  através  da investigação  do  coronelismo  na  fronteira  oeste  do  Rio  Grande  do  Sul,  no  recorte  espacial delimitado ao município de Uruguaiana, região que compreende a atual tríplice fronteira entre Brasil,  Argentina  e  Uruguai.  A  presente  pesquisa  utilizou  como  elo  narrativo  a  atuação  do  Coronel  Flodoardo Martins da Silva, representante da elite pastoril dessa região, tendo como pano  de  fundo  o  período  do  conflito  de  1923  no  Rio  Grande  do  Sul,  no  qual  o  coronel  teve destacada  participação.  Nesta  pesquisa  é  apresentado  o  contrabando  na  região  da  fronteira local, onde a economia baseada na atividade pastoril, desenvolveu uma identidade específica, influenciada  pelos  países  com  os  quais  fazia  fronteira:  Argentina  e  Uruguai.  Na  região  da fronteira  oeste  do  Rio  Grande  do  Sul,  a  estrutura  que  serviria  como  gênese  do  coronelismo funcionava de forma análoga em relação aos potentados da região norte e serra do estado. No qual  se  desenvolveu  no  período  da  República  Velha  o  coronelismo  borgista,  baseado  na cooptação  e  coerção,  quando  o  que  se  tinha  era  o  vínculo  governo/partido  e  o  deste  com  os coronéis, mas respeitando-se as esferas próprias de ação, que davam sentido ao jogo político e justificavam a necessidade da cooptação política das bases locais.

Palavras-chave: Coronelismo. Poder local. Fronteira Oeste.

 

211 - Título: "As encenações da Batalha do Pulador: memórias e representações”

Autor: Ernani da Silva

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Fernando Camargo (UFPEL), Ironita A. Policarpo Machado (UPF/PPGH)

Defesa: 31/05/2013

Resumo: As  encenações  da  Batalha  do  Pulador  vêm  ocorrendo,  na  região  de  Passo  Fundo/RS,  desde 1988, quando houve um interstício temporal até 2005, retomadas, a partir de então, por grupos radicionalistas  empenhados  ano  a  ano  em  reproduzi-la,  estando  na  VI  edição.  A  Batalha situa-se  no  contexto  da  histórica  Revolução  Federalista  de  1893,  quando  houve  transição  da forma de governo brasileiro da Monarquia para República. Trata-se do fato histórico ocorrido em  27  de  junho  de  1894,  no  distrito  de  Pulador,  município  de  Passo  Fundo  que  marcou  a região  do  Planalto  Médio  rio-grandense  pelo  seu  caráter  violento  e  fratricida.  Passados  118 anos, as encenações assumem um caráter com várias destinações. A aura espetaculosa, teatral e midiática de que tais representações são revestidas tem chamado a atenção, redundando num grande  espetáculo  encenado  a  céu  aberto,  corporificado  pelo  desfile  estilizado  das  tropas republicanas e maragatas na Avenida Brasil em Passo Fundo e nas encenações nos campos do Pulador.  Dessa  forma,  esta  investigação,  após  amplo  suporte  nos  fatos  históricos,  visa compreender  as  nuanças  das  representações,  de  modo  a  lançar  luzes  sobre  os  aspectos subjacentes  envolvidos,  cujo  encaminhamento  resultou  no  uso  da  memória  histórica  como identidade  social,  mito  ufanista,  imaginário,  teatralização  e  espetáculo  demonstrado  pelas sucessivas  representações  ocorridas,  iniciadas  em  1988  até  2012,  quando  realizou-se  a  VI edição. Trata-se da história da Batalha do Pulador cumprindo o seu papel nos seus vários fins, empreendidos  pelos  diversos  movimentos  sociais  regional,  esculpidos,  agora,  numa investigação criteriosa.

 

212 - Título: "A atuação Educacional das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora em Chapecó (1947-1985)”

Autor: Clarissa Vinhas Furlanetto Parisoto

Orientador: Profa. Dra. Gizele Zanotto

Banca: Marta Rosa Borin (UFSM), Ironita A. Policarpo Machado (UPF/PPGH)

Defesa: 05/06/2013

Resumo: A presente dissertação tem como objetivo analisar a atuação educacional das Irmãs  Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora em Chapecó-Santa Catarina. Para cumprir tal propósito  será  analisada  a  época  em  que  a  Congregação  esteve  à  frente  do  Bom  Pastor, empreendimento  educacional  instituído  no  município,  no  período  de  1947,  quando  da formação da escola, até 1985, data em que as Irmãs deixaram a direção escolar e o Governo Estadual assumiu  a  entidade  completamente  e  definitivamente.  Inicialmente,  elaboramos  um histórico  que  aborda  as  características  do  município  em  estudo,  sua  formação,  formas  de colonização  e  desenvolvimento,  dando  destaque  à  questão  educacional,  todos  sendo relacionados aos projetos do Governo do Estado e Nacional. Como maneira de conhecermos e entendermos as práticas adotadas por esta Congregação, realizamos a história da formação da mesma, partindo do estudo de sua fundadora, a chegada à América, posteriormente ao Brasil e ao  município  em  questão.  Após  esta  contextualização  citadina  e  institucional  confessional, que  proporciona  embasamento  ao  estudo,  será  abordada  a  instituição  escolar  em  si  e  o trabalho  das  irmãs  em  sua  gestão  cotidiana  e  pedagógica.  A  atuação  da  Congregação  será analisada  durante  essas  quase  quatro  décadas  de  trabalho  missionário  educacional.  A implantação  do  estabelecimento  escolar  ocorreu  a  pedido  da  comunidade  chapecoense  e também  fazia  parte  de  um  projeto  missionário  desenvolvido  pela  própria  Igreja  Católica, efetivamente  após  a  Restauração  Católica,  que  contribuiu  com  a  vinda  de  inúmeras Congregações ao Brasil. As Irmãs estiveram presentes na localidade desde 1941, atuando em escolas da região e em 1947 foi efetivada a construção do Bom Pastor, que com o passar dos anos foi sendo ampliado institucionalmente e fisicamente, sendo que a Congregação esteve à frente  da  direção  escolar  até  o  ano  de  1985,  quando  a  entidade  foi  totalmente  estadualizada. Através  deste  contexto  analisamos  desde  a  implantação,  a  maneira  como  foi  sendo desenvolvido  o  trabalho,  o  processo  disciplinar  empreendido,  a  atuação  do  corpo  docente  e discente, as mudanças e os reflexos perante a sociedade e a educação Chapecoense, enfim, a maneira como as Irmãs organizavam e conduziam o trabalho escolar. No decorrer dos anos de atuação  confessional,  não  esteve  em  voga  o  mesmo  panorama,  havendo  inúmeras modificações e similaridades, o projeto civilizador implementado passou por diferentes fases, que  culminaram  com  os  projetos  em  nível  de  Governo  Nacional  e  Estatal  e  também  com  o catolicismo,  fatores  de  fundamental  importância  que  transcorrerão  na  análise  escolar.  Para  a realização  do  trabalho,  contamos  com  materiais  derivados  da  Congregação,  assim  como documentação  relativa  ao  Colégio  Bom  Pastor,  documentos  esses  que  evidenciam  as propostas empreendidas, sua aplicação e o cotidiano escolar no período em estudo.  

Palavras-chave: Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora, Educação, Civilização, Disciplinarização, Igreja Católica, Chapecó/SC

 

213 - Título: "Sobre o tempo: perspectivas históricas no pensamento de Friedrich Nietzsche”

Autor: Vanderlei Cristiano Juraski

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Hélio Sochodolak (Unicentro/PR), Altair Alberto Fávero (UPF/PPGH)

Defesa: 07/06/2013

Resumo: O presente trabalho objetiva problematizar a relação do homem com o tempo. Dito de outra forma, em que medida a naturalização do tempo pode subjugar o indivíduo ou permitir que as forças  criativas  desenvolvam-se  sobre  a  sua  existência?  A  partir  das  obras  de  Friedrich Nietzsche  (1844-1900),  em  especial  a  II  Intempestiva:  sobre  a  utilidade e  os  inconvenientes da  História  para  a  vida  (1874)  e,  Assim  Falou  Zaratustra:  um  livro  para  todos  e  para ninguém (1885), vislumbrou-se a possibilidade de tratar a História, produzida no século XVIII e XIX, como representação das necessidades sociais e, não somente, como a “naturalização” do tempo. A metodologia utilizada foi, inicialmente, a de analisar duas ideias distintas: tempo cíclico  e  linear,  bem  como  as  implicações  (sócio)  comportamentais  que  resultam  da incorporação  de  qualquer  das  concepções  supramencionadas.  Ambas  as  situações  permitem uma  reflexão  sobre  o  modo  como  o  indivíduo  deve  portar-se  diante  do  nascimento, envelhecimento  e  morte.  No  primeiro  caso,  por  exemplo,  tratando-se  de  uma  realidade  a-histórica, o posicionamento do homem para com a vida mostra-se distinto daquele observado num  segundo  momento  onde,  a  existência  somente  pode  ser  aceita,  se  considerar  as experiências  temporais  como  mensuráveis  historicamente.  A História, nesse sentido, passa a ser alvo  de  disputas  políticas,  uma  vez  que  expressa  a  necessidade  de  racionalização  do universo  e,  a  identificação  do  indivíduo,  com  o  passado  coletivo.  Para o historiador, por conseguinte,  tudo  é  passível  de  mensuração  e,  portanto,  de  genealogia.  O interesse em devassar  o  passado  em  busca  de  continuidades  e,  de  outro  modo,  evitar  rupturas,  tecer  a narrativa  de  forma  racional  e  científica,  parece  ser  o  primeiro  passo  a  fim  de  formalizar  e desapropriar  o  homem  de  suas  próprias  experiências  temporais  e,  conceder  ao  historiador,  o monopólio  da  narração.  O  eterno  retorno,  por  sua  vez,  foi  a  estratégia  nietzschiana  para reaproximar  a  produção  historiográfica  da  vida.  A  percepção  de  que  o  vivido  pode  voltar  a acontecer  no  presente,  além  de  uma  perspectiva  sobre  o  fato  consumado,  mostra-se  como  a valorização  do  presente;  de  ações  dignas  de  repetirem-se  infinitas  vezes  no  futuro, devolvendo, de certo modo, sentido ao fazer historiográfico. 

 

214 - Título: "Os Onze da Brigada: as relações políticas da Brigada Militar e seus conflitos internos na consolidação do Golpe Civil-Militar de 1964”

Autor: Lucas Cabral Ribeiro

Orientador: Prof. Dr. Gizele Zanotto

Banca: Paulo Ribeiro Rodrigues da Cunha (UNESP), Álvaro Antônio Klafke (UPF/PPGH)

Defesa: 08/07/2013

Resumo: Esta dissertação tem como objetivo demonstrar as relações políticas nas Polícias Militares. Para tanto, será analisado o caso da Brigada Militar do estado do Rio Grande do  Sul,  remontando  seu  processo  de  formação  histórica  e  buscando  compreender  seu posicionamento político durante sua formação e analisando também os momentos mais relevantes  no  seu  processo  formativo. Para  isso  parte-se  do  entendimento  de  que  as ações das Polícias estão ligadas a ações políticas, pois constituem-se em instituições de sustentação do poder do Estado, fatos estes que torna-se mais aparente quando percebe-se  momentos  de  crise  política no  Estado.  O  contexto  histórico  está  referenciado  nos períodos  entre  os  anos  de  1961  a  1964,  o  qual  foi  marcado  por  intensa  crise  política, iniciada  com  a  Campanha  da  Legalidade  e  culminando  no  Golpe  Militar  de  1964.  Marcos  temporais  que, ao  mesmo  tempo  em  que  representam  uma  crise  no  cenário político, são importantes episódios para as ações da Brigada Militar, pois deixam mais claras  as  relações  políticas  existentes  internamente  na  instituição,  expondo  assim  as diferentes correntes de pensamento político que atuam internamente na instituição. Dessa forma, são analisadas  as  ações  do  Grupo  dos  Onze  da  Brigada  Militar,  grupo  de policiais que, ao defender o governo de João Goulart e as reformas de base,  posicionou-se contra  as  ações  promovidas  em  busca  da  consolidação  do  Golpe  Militar. Para  o desenvolvimento desta pesquisa,  contou-se  com  análise  documental, composta  por Boletins Gerais da Brigada Militar dos anos de 1961 a 1964, encontrados nos arquivos do Museu da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul e por Inquérito Policial Militar, divididos em três volumes, que versam sobre as acusações e punições contra o Grupo dos Onze da Brigada Militar, que encontram-se no arquivo do Superior Tribunal Militar, em Brasília. Além das fontes documentais, foram analisadas bibliografias sobre os temas tratados durante a dissertação. 

 

215 - Título: "Brizola: um percurso na imprensa do norte do Rio Grande do Sul (1961-1964)”

Autor: Clarissa Antunes

Orientador: Prof. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Fernando Camargo (UFPEL), Álvaro Antônio Klafke (UPF/PPGH)

Defesa: 30/08/2013

Resumo: O objetivo deste estudo  é verificar de que forma foi retratada a trajetória de  Leonel  Brizola, no  período  de  1961  a  1964,  por  meio  dos  jornais  O  Nacional  e  Diário  da  Manhã,  que circulavam na cidade de Passo Fundo, RS, nesta  época. A fim de analisar os fatos conforme foram  reproduzidos  na  imprensa  do  período,  realizaremos  uma  breve  discussão  sobre  as relações presentes na associação  entre  a História  e a mídia, levando-se em consideração que tais  discursos,  produzidos  pelos  meios  de  comunicação,  revelam  posições  políticas  e  nos permitem  inferir  o  contexto  da  época,  essencial  para  compreensão  dos  fatos  e  discursos proferidos no período, bem como suas repercussões, tanto durante a Campanha da Legalidade, quanto mais tarde, na trama que levou à derrubada do governo João Goulart, em 31 de março de 1964. Para isso, descreveremos, de maneira breve, a carreira política, e as principais ações de  Leonel  Brizola,  quando  governador  do  Rio  Grande  do  Sul,  a  partir  das  notícias  nos periódicos    O  Nacional  e  Diário  da  Manhã.  A  pesquisa  abordará  a  forma  adotada  pela imprensa  passo-fundense  para  noticiar  desde  a  Legalidade,  ocorrida  entre  25  de  agosto  de 1961  a  07  de  setembro  de  1961,  e  a  figura  de  Leonel  Brizola,  então  governador  e  líder  do movimento no Rio Grande do Sul, até o golpe civil-militar de 1964.

 

216 - Título: "História da Brigada Militar, pelas páginas da Revista Pindorama”

Autor: Amanda Siqueira da Silva

Orientador: Prof. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Maria Medianeira Padoin (UFSM), Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 03/09/2013

Resumo: A revista Pindorama surgiu nos últimos anos do Borgismo no Rio Grande do Sul, num período de crise do Partido Republicano Rio-grandense e de transformações políticas no país.    A revista  surgiu  dentro  da  Brigada  Militar,  com  apoio  de  seu  comandante, entretanto  esta  era  uma publicação  particular  de  dois  tenentes,  na  qual  tinham a intencionalidade  de  relembrar  os  grandes  feitos  militares  da  Instituição, demonstrando uma preocupação para que a história da BM não fosse esquecida, assim como também reforçava o compromisso da BM com a ideologia do PRR. A Brigada Militar foi criada em 1892 e desde então foi mantenedora da hegemonia política do PRR no Rio Grande do Sul,  atuou  em  defesa destes  na  Revolução  Federalista  (1893),  na  Revolta  Assisista (1923) e contra os levantes Tenentistas (1924 até 1926). Durante sua formação, recebeu uma  missão  de  instrução  militar pelo  Exército  Nacional,  o  que  depois  levou  a uma proximidade  grande  entre  as  Forças, a  Brigada Militar  recebeu forte  aparelhamento bélico, o    que  possibilitou  que  esta  se  tornasse um  Exército  regional  com  diversas atuações  em  prol  do ideário  republicano  castilhista.  Analisar  a revista Pindorama possibilitou  retomar  a  história  da  Brigada  Militar  através  de  diversos artigos; compreender a visão de uma parcela dos integrantes da Brigada,  sobre como se viam na sociedade,  suas  aspirações  profissionais,  suas preocupações  sobre  as  possíveis mudanças que se desenhavam devido o fim do borgismo; o desejo de a Brigada Militar ser imbatível militarmente, através da formação continuada dos seus integrantes e até a tentativa de criação de um serviço de  aviação próprio; a identificação com a ideologia republicana Castilhista e o papel que determinado grupo assumiu dentro da Instituição: verdadeiros  e  legítimos  defensores  da  ordem republicana  no  Rio  Grande  do  Sul. Pindorama  através  de  suas  variadas  páginas  ressaltava  o  poder  bélico  da  Brigada Militar,  assim  como  a participação  política  desta  durante o  período  da  Primeira República no Brasil.

 

217 - Título: "Ontem, confrontos e conflitos; hoje, monumentos: o Levante dos Posseiros de 1957 e seus monumentos na fronteira sudoeste do Paraná”

Autor: Moacir Motta da Silva

Orientador: Prof. Dr. Isabel Aparecida Bilhão

Banca: Miguel Rettenmaier da Silva (UPF), Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 19/12/2013

Resumo: A presente pesquisa, que trata sobre os conflitos e confrontos na fronteira Sudoeste do Paraná, numa analise observando as diferentes versões construídas acerca da Revolta dos Posseiros de 1957 na região de fronteira tendo o embate cultural de migrantes e caboclos durante a Marcha para o Oeste instituída pelo Presidente e Vargas, neste enfoque  apresentar os monumentos na fronteira. Pois com o desfecho do conflito criou-se uma memoria oficial que transformou o conflito  em um símbolo histórico da região Sudoeste do Paraná, pretende-se ainda apresentar os crimes acontecimentos relacionados à Revolta dos Posseiros de 1957 especialmente sobre os conflitos ocorridos na faixa de fronteira, procurando compreender os embates entre colonos e jagunços ocorridos nesta faixa territorial.  Desta forma pretende-se demonstrar que os conflitos ocorreram na grande maioria nesta região, apresenta-se também a instalação do Cartório de Registro de Imóveis não fora criado na obscuridade para o registro da escritura em favor da CITLA, e sim fora instalado em função da Comarca que havia sido instalada.  Analisando as diferentes versões, ou seja, as narrativas da época, a memoria oficial e as memorias oficiais individuais construídas sobre o conflito, buscou-se identificar aspectos mal explicados e informações ignoradas sobre os acontecimentos, que marcaram a região principalmente no âmbito politico que, na apresentação dos “heróis” da Revolta dos Posseiros de 1957 dada a Walter Pecoits e Ivo Thomazoni reverteram suas participações no levante em dividendos políticos em nível local e regional. Concluí-se analisando os monumentos erigidos para comemorar o cinquentenário da Revolta dos Posseiros: o Monumento das Sete Cruzes de Pranchita e o monumento feito em homenagem aos Pioneiros em Capanema. Observa-se que o monumento não é algo exigido pelos colonos, e sim que se configura numa forma pela qual o poder público se vale de sua construção para colher benefícios próprios, utilizados em seu meio político.

 

218 - Título: "Cultura e práticas de violência na sociedade rural Norte-Rio-Grandense (1900-1930)”

Autor: Felipe Berté Freitas

Orientador: Prof. Dr. Ironita A. Policarpo Machado

Banca: Clóvis Mendes Gruner (UFPR), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 19/03/2014

Resumo: Do ponto de vista historiográfico os trabalhos que tratam a violência enquanto objeto de pesquisa ainda são muito recentes, especialmente se considerarmos as pesquisas sobre as sociedades rurais que tomam como base empírica os processos criminais. Este tipo de documentação passou a receber tratamento heurístico e investigativo a partir das décadas de 1970 e 80, quando as transformações teórico-metodológicas das correntes historiográficas trouxeram à tona a valorização de novas temporalidades, temas e sujeitos. No que concerne à produção historiográfica brasileira as obras de Fausto, Chalhoub e Pesavento, representaram os primeiros esforços no sentido de compreender, através das fontes judiciais, a problemática da violência no espaço urbano, trazendo consideráveis contribuições teóricas e metodológicas para esse campo de estudos. No entanto, tais obras não tomam a violência como objeto central de análise, tratando o problema como reflexo da criminalidade e do contexto socioeconômico dos primeiros trinta anos do século XX. Nesse sentido, a conjuntura de transição política, econômica e social característica do Brasil e Rio Grande do Sul nesse período, fez emergir conflitos em diferentes âmbitos, como por exemplo, nas relações político-partidárias, tornando a sociedade da época um espaço privilegiado para o estudo da violência. Os processos criminais presentes no Arquivo Histórico Regional da Universidade de Passo Fundo possibilitaram uma análise mais aprofundada desses conflitos, trazendo à tona, consequentemente, outra realidade histórica. Em uma sociedade rural, caracterizada por valores, formas de comportamento e relações socioculturais que tornavam as agressões e os assassinatos um elemento presente na vida social, a violência enquanto habitus e costume constitui-se como uma prática cultural. Assim, esta dissertação demonstra, através da análise dos processos criminais de homicídio e lesão corporal arquivados na 1ª Vara do Civil e do Crime da Comarca de Passo Fundo/Soledade durante o período entre 1900-1930, os significados socioculturais das práticas de violência representadas nas fontes, suas relações com as práticas culturais e a conjuntura histórica do período.

 

219 - Título: "Um projeto de desenvolvimento regional no extremo Oeste Catarinense: o caso do Frigorífico Safrita de Itapiranga”

Autor: Douglas Orestes Franzen

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Alcides Goularti Filho (Unesc), Rosane Márcia Neumann (UPF)

Defesa: 04/04/2014

Resumo: A  colonização  Porto  Novo,  localizada  no  extremo  oeste  catarinense,  foi  idealizada  pela Volksverein  e fundada no ano de 1926, no intuito de receber famílias que fossem de origem alemã  e  católica.  Nesta  colonização  compraram  lotes  de  terras  de  aproximadamente  25 hectares,  colonos  que  nas  três  primeiras  décadas  de  colonização  praticaram  a  agricultura tradicional caracterizando um modelo de sociedade com características fortemente horizontais e homogêneas. Nesse cenário consideramos os colonos, os comerciantes e os padres jesuítas como as três principais esferas sociais e a forma como se relacionaram como determinante no nosso foco de estudo. No entanto, a partir da década de 1950 o cenário da economia nacional começou  a  sofrer  intensas  modificações  estimuladas  pelo  ideal  desenvolvimentista  e progressista  planejado  para  estimular  o  crescimento  da  economia  brasileira.  Nesse  sentido, disseminou-se pelo país a noção de atraso do setor produtivo brasileiro. Assim, estimulou-se a partir de então projetos de integração nacional que afetaram os diversos setores produtivos do país,  com  destaque  para  a  agricultura.  Em  Itapiranga,  com  a  emancipação  do  município  em 1954 e com a inauguração da Comissão Municipal de Desenvolvimento Econômico no início da  década  de  1960,  passou-se  a  traçar  algumas  metas  e  projetos  visando  o  desenvolvimento regional.  Nesse  sentido,  foi  elaborado  um  estudo  denominado  de  Relatório  de Desenvolvimento  Econômico,  que  elencou  deficiências  e  potencialidades  da  economia regional. Este estudo foi financiado com recursos da Administração Municipal de Itapiranga, da  cooperativa  de  crédito  local  e  da  instituição  católica  da  Alemanha  Ocidental  Misereor.  É nesse contexto que se insere o nosso estudo, que tem como objetivo compreender o processo de implantação e desenvolvimento da Sociedade Anônima Frigorífico de Itapiranga – Safrita. Diante  do  grande  potencial  da  suinocultura  na  região,  inaugurou-se  em  1962  um  frigorífico para  industrializar  e  agregar  valor  à  produção  agrícola  da  região.  Em  pouco  tempo  o frigorífico  expandiu  sua  área  de  abrangência,  englobando  a  produção  de  aves,  perus  e  de rações  balanceadas.  O  estudo  visa  contextualizar  o  processo  de  mudança  ocorrida  na agricultura regional nas décadas de 1960 e 1970 sob os estímulos do frigorífico Safrita, o que instaurou  um  novo  padrão  de  sociedade  regional  sob  o  viés  econômico.  As  relações  sociais, que até a década de 1950 eram basicamente de caráter horizontal e homogêneo, passaram a se tornar  verticalizadas  e  desiguais,  intensificando  a  diferenciação  entre  a  própria  esfera  dos colonos  e  do  capital  sobre  as  propriedades  agrícolas.  A  presente  análise  se  insere  nas discussões acerca do desenvolvimento regional ao analisar um empreendimento agroindustrial que surgiu basicamente do capital social local.

 

220 - Título: "Desenvolvimento econômico do município de Guaporé: a agroindústria da banha e do couro (1892-1980)”

Autor: Giovani Balbinot

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Vânia Heredia (UCS), Rosane Márcia Neumann (UPF)

Defesa: 11/04/2014

Resumo: A presente pesquisa tem por objetivo analisar o desenvolvimento econômico do município de Guaporé, buscando delinear o complexo contexto que comportou o desenvolvimento do que convenhamos denominar de primeiro ciclo agroindustrial da banha e do couro, delineando os diversos fatores ligados aos gêneros de produção, estrutura viária de transporte, portos de escoamento, perfil do imigrante agroindustrial guaporense, assim como os fatores ligados ao acumulo de capital na esfera comercial pelas casas de comercio locais. O recorte geográfico abrange o território da antiga colônia e posterior município de Guaporé. O recorte temporal abrange entre os anos de 1892, com a fundação da colônia de Guaporé, e a década de 1980, quando ocorre a decadência destes empreendimentos frigoríficos, salientando sempre que essa temporalidade é, muitas vezes, extrapolada para uma melhor compreensão dos fatos. O estudo encontra-se organizado de forma a manter um fio condutor baseado no desenvolvimento econômico, apresentando, primeiramente, o processo de imigração e colonização executado no Rio Grande do Sul, para então, no segundo momento, adentrar na fundação e desenvolvimento da colônia e do município de Guaporé colocando em relevância os fatores que contribuíram para o desenvolvimento agroindustrial em análise. No terceiro momento, o estudo foca no estabelecimento dos empreendimentos ligados à indústria da banha, dos embutidos e do curtimento do couro, assim como sua relação com o desenvolvimento econômico e social do município de Guaporé. Por fim, procuramos analisar e compreender os diversos fatores que concorreram para o processo de decadência desses empreendimentos, tanto no âmbito externo, como dificuldades no acesso a matérias primas e alterações no mercado consumidor, quanto no âmbito interno, com dificuldades no desenvolvimento de novos gêneros de maior aceitação no mercado, sendo que nesse ponto, o recorte histórico extrapola a temporalidade fixada anteriormente, pois se entende como imprescindível analisar todos os fatores que concorreram para esse processo de decadência econômica.

 

221 - Título: "A Doutrina de Segurança Nacional em uma Estância Hidromineral: o município de Piratuba/SC (1964-1985)”

Autor: Aline Aparecida Faé Inocenti

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Waldir José Rampinelli (UFSC), Ana Paula Almeida Lima (UPF)

Defesa: 07/05/2014

Resumo: Piratuba, pequeno município localizado no oeste do estado de Santa Catarina, é conhecida nacionalmente pelo seu parque termal. A cidade teve sua história modificada em 1964, quando foi descoberto um lençol de águas sulfurosas que levou à transformação em Estância hidromineral, num período histórico brasileiro (1964 a 1985 - ditadura civil-militar) em que isso significava ser considerado Área de Interesse da Segurança Nacional. A partir desta ideia passa a ser analisada a relação da Doutrina de Segurança Nacional (DSN) com a política do município em questão, buscando relacionar a ação desta num espaço regionalmente circunscrito em conexão com âmbitos mais amplos. Dessa forma, busca-se conceitualizar a DSN e entender sua implantação em diversos níveis na sociedade brasileira e sua relação com a criação das Áreas de Interesse da Segurança Nacional, paralelamente com as estâncias hidrominerais. Para tanto, analisa-se a trajetória histórica do município, até chegar ao processo de mudança, que significou uma alteração na sociedade local em todos os aspectos: social, político e econômico. Nesse sentido, essa dissertação tem por objetivo discutir a conceitualização da Segurança Nacional, seguindo os aportes da Nova História Política e da História Regional, analisando a consagração do poder, tendo como base o sistema de implantação do regime cívico-militar no Brasil através da articulação política propiciada pela DSN e sua aplicação num município transformado em estância hidromineral. Essa doutrina foi sistematizada pela Escola Superior de Guerra (ESG), instituição responsável por disseminar no país as ideias da Segurança Nacional, defendendo o território de qualquer ameaça. O trabalho foi construído através de pesquisas bibliográficas e entrevistas com algumas pessoas envolvidas no processo, tendo como fontes, além de obras da época, todos os tipos de legislação nacional e estadual, bem como documentos municipais como atas da Câmara de vereadores e reportagens em periódicos estaduais e municipais. Dessa forma pode-se entender que a sociedade piratubense necessitou se adequar na política de segurança, ficando privada da escolha do Prefeito municipal por um período histórico, a fim de atender a vontade de um pequeno grupo que via na Estância hidromineral a única forma de desenvolvimento econômico para o município.

 

222 - Título: "Não é fácil viver no coletivo”. Experiência e consciência de classe no assentamento Conquista na Fronteira em Dionísio Cerqueira/SC (1988-2013)”

Autor: Kassiane Schwingel

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Célia Regina Vendramini (UFSC), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 08/05/2014

Resumo: O Assentamento Conquista na Fronteira é o objeto de pesquisa e análise deste trabalho. Tal Assentamento foi constituído no ano de 1988, na cidade de Dionísio Cerqueira-SC, por meio de dois coletivos de agricultores: um, oriundo do Movimento dos Sem Terra e outro, formado por famílias do próprio município. Essa experiência justifica-se pela necessidade de conhecermos propostas diferenciadas de relações de trabalho e humanas, bem como o resultado dessa organização específica que pode ser espelho para outros grupos. Este trabalho busca analisar a realidade agrária do oeste catarinense a partir da década de 1950, bem como compreender como eram as vivências nos acampamentos que surgiram na região na década de 1980. A partir disso, é possível realizar uma análise sobre o que o Assentamento Conquista na Fronteira representa hoje e quais as suas características que são fruto da história dos assentados, enquanto integrantes de um Movimento de luta pela terra. Esta discussão torna-se válida e importante, pois possibilita reconhecer como se organiza uma experiência concreta de reforma agrária, além de expor a importância de elementos simbólicos. Para a concretização do estudo, foram realizadas pesquisas de campo no Assentamento, buscas no Centro de Memória do Oeste Catarinense, além de entrevistas com os integrantes do Assentamento. Com isso, foi possível relatar a história segundo o seu ponto de vista, além de fazer observações sobre o dia-a-dia no local. Baseando-se em conceitos de Thompson e Gramsci, foi possível perceber a importância das experiências comuns como elemento aglutinador, além do valor dado à formação de uma consciência de classe. Nesse sentido, destacam-se as lideranças locais, desempenhando uma função de intelectual orgânico, além das entidades ligadas à Igreja Católica que davam sentido à luta através do constante trabalho espiritual. Tendo compreendido o que é e como se organiza esta experiência, o trabalho busca relacioná-la aos conceitos de revolução passiva e revolução popular, no intuito de aprofundar ainda mais a análise. 

 

223 - Título: "O mal estar de uma identidade regional: representações do trabalhador negro escravizado e seus descendentes na Historiografia Rio-grandense - Assis Brasil, Alcides Lima, Salis Goulart e Dante de Laytano”

Autor: Maurício Lopes Lima

Orientador: Prof. Dr. Mário Maestri

Banca: Adelmir Fiabani (Unipampa), Gerson Luís Trombeta (UPF)

Defesa: 08/05/2014

Resumo: Esta  dissertação  versa  sobre  o  processo  de  construção  de  uma  identidade  étnico-histórica para o Rio Grande do Sul através da sua historiografia. Avaliamos as maneiras como foram  elaboradas  representações  sobre  o  papel  do  trabalhador  negro  escravizado  e  seus descendentes  no  processo  de  formação  desta  sociedade.  Os  recortes  da  historiografia pertinente  foram  feitos  por  autor/obra,  de  forma  que  representem  diferentes  posturas,  em diferentes  períodos,  mas  que,  no  conjunto,  sintetizem  o  posicionamento  majoritário  da historiografia sul-rio-grandense sobre o tema. Partimos da década de 1880, com os trabalhos História  Popular  do  Rio  Grande  do  Sul,  de  Alcides  de  Mendonça  Lima,  e  História  da República  Rio-grandense,  de  Joaquim  Francisco  de  Assis  Brasil,  passamos  pela  década  de 1920,  quando  analisamos  o  livro  Formação  do  Rio  Grande  do  Sul,  de  Jorge  Salis  Goulart, chagando  aos  textos  sobre  o  “tema  do  negro”,  de  Dante  de  Laytano,  nas  décadas  de  1940-1950.  Recorremos  ao  conceito  de  habitus,  de  Pierre  Bourdieu,  para  compreender  as representações  construídas  pelos  agentes  historiadores  como  manifestações  que  estão  de acordo  com  o  processo  histórico,  mas  que,  ao  mesmo  tempo,  foram  constantemente reelaboradas a partir das representações, muitas vezes arbitrárias e distorcidas, construídas por essa  historiografia.  É  no  habitus  que  encontramos  um  processo  de  naturalização  dessas representações.  Procuramos,  além  disso,  conduzir  a  análise  das  representações  enquanto visões  sociais  de  mundo  amparadas  numa  perspectiva  de  classe,  já  que  os  discursos  desses historiadores têm endereço social, estão alinhados com posturas conservadoras de manutenção e  aprimoramento  das  relações  de  poder  em  que,  historicamente,  trabalhadores  negros escravizados e seus descendentes foram oprimidos. Ao mesmo tempo, procuramos valorizar o âmbito político do trabalho intelectual. Optamos por enfrentar o debate a partir dos trabalhos historiográficos,  considerando  legítimo  enfatizar  a  parte  dominadora  e  impositiva  desses discursos que, muitas vezes, são apresentados como se fossem a visão correta, única e natural da essência da identidade étnica sul-rio-grandense.

 

224 - Título: "O conselho de Estado imperial e a política externa brasileira: as relações com os países platinos (1851-1870”

Autor: Jaqueline Schmitt da Silva

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Clodoaldo Bueno (Unesp), Adriano Comissoli (UPF)

Defesa: 08/05/2014

Resumo: Este trabalho busca compreender o Conselho de Estado do Brasil Império e sua atuação na política externa brasileira para a região platina no período que vai de 1851, marcado pelo início das intervenções do Brasil na região, até 1870, data que marca o final da Guerra do Paraguai. Durante o reinado de D. Pedro II, esteve presente na senda política o terceiro Conselho de Estado, aprovado por lei em 1842 e permanecendo em vigor até o fim do Império, deveria aconselhar o Imperador nos mais variados temas, principalmente sobre a declaração guerra, ajustes de paz, negociações com as nações estrangeiras, assim como em todas as ocasiões em que o Imperador resolvesse utilizar as atribuições próprias do  Poder  Moderador.  Formado  pelos  políticos  mais  importantes  da  época,  eram escolhidos e nomeados pelo Imperador. Antes de chegar ao Conselho de Estado passavam por vários cargos na administração pública, como presidentes do Conselho de Ministros, Senadores,  Ministros  de  Estado,  Presidentes  de  Província,  Deputados,  compondo  um quadro  de  homens  convocados  também  em  razão  de  sua  trajetória  e  experiência  na política. Consultavam sobre assuntos variados, mas a submissão de questões ao debate dos conselheiros não era obrigatória. Para a realização deste estudo são utilizadas as Atas da  Seção  dos  Negócios  Estrangeiros  do  Conselho  de  Estado,  bem  como  as  Atas  do Conselho de Estado Pleno, observando aquelas que tratam especificamente das relações entre  o  Brasil  e  os  vizinhos  do  Prata:  Argentina,  Uruguai  e  Paraguai.  Nesse  período, marcado por conflitos constantes e atividade intensa da diplomacia brasileira na região, o Conselho de Estado teve importante participação nas discussões sobre a política externa a ser desenvolvida com relação a esses países. Analisando as atas das sessões, observa-se que  embora  se  tratassem  de  complexas  relações  diplomáticas  e  as  opiniões  dentro  do  Conselho  de  Estado  fossem  em  muitas  ocasiões  divergentes,  as  conclusões  a  que chegavam  priorizavam  a  ampla  defesa  dos  interesses  do  Império  na  região,  visando  o fortalecimento e soberania do Brasil diante dos demais países e a sua consolidação como nação hegemônica entre os países da América do Sul.

 

225 - Título: "A alta costura no Brasil: a modelagem na confecção sob medida (1980-2000)”

Autor: Maria Aparecida de Oliveira Israel

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Eloisa Helena C. da Luz Ramos (Unisinos), Marlise Regina Meyrer (UPF)

Defesa: 26/05/2014

Resumo: Por meio deste trabalho, pretende-se contribuir com a historiografia brasileira referente aos estudos de história da modelagem pelo viés da alta costura, analisando suas técnicas, da criação ao produto final, incorporadas na confecção de roupas sob medida no Brasil contemporâneo. O objetivo é evidenciar como a modelagem, aprimorada da alta costura, foi apropriada por criadores nacionais tais como Walter Rodrigues, Lino Villaventura e Adhemir Preschadt, nas décadas de 1980, 1990 e 2000. O recorte temporal escolhido deve-se ao período de atuação dos criadores em evidência. A metodologia utilizada tem por base a revisão bibliográfica, a pesquisa descritiva e o estudo dos processos criativos e modeladores, além de pesquisas realizadas em reportagens fotográficas de revistas e jornais de circulação nacional e regional. Inicialmente, são expostos elementos conceituais sobre a moda, ponderando questões relacionadas a seus métodos de propagação e de aceitação, bem como sua diferenciação como elemento cultural. Logo após, descreve-se as técnicas de modelagem e das áreas  intrínsecas à sua compreensão. Nesse contexto, explanam-se os métodos usados por criadores de moda que se relacionam com a alta costura, estabelecendo uma conexão entre suas práticas tradicionais e contemporâneas. Para compreender o comportamento dos consumidores da alta costura, usuários distintos e únicos de uma cultura secular, os quais se consideram em um patamar superior aos demais indivíduos, empregam-se as teorias de distinção sugeridas por Pierre Bourdieu, de distinção e imitação por Georg Simmel, além da contribuição das teorias de Frédéric Monneyron, Michèle Pagès-Delon, Edward Sapir e Marhsall Sahlins. Este trabalho proporciona uma análise entre os criadores nacionais e suas técnicas, verificando nas suas criações traços da modelagem e acabamentos provenientes da alta costura, por meio de seus próprios processos construtivos e, também, pela apropriação das técnicas francesas. A alta costura instaurada por Charles Worth (na segunda metade do séc. XIX) foi usada como referência neste estudo, sendo incorporadas a esse processo, em nível brasileiro, novas tecnologias e materiais, mas sua essência, detentora do bem-vestir e da distinção, permanece inalterada. Conclui-se esta pesquisa, observando que, no Brasil, apesar das técnicas de alta costura terem sido aprimoradas ao longo dos anos, essas ainda se mantêm semelhantes ao início de seu processo. Sobre isso é importante destacar que cada criador buscou a apropriação das técnicas sem alterá-las, preservando a matriz norteadora da modelagem sob medida.

 

226 - Título: "Não admitindo escusa alguma”: confiscos e recrutamentos na guerra civil rio-grandense (1835-1845)”

Autor: Ânderson Marcelo Schmitt

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: José Iran Ribeiro (UFSM), Adriano Comissoli (UPF) 

Defesa: 27/05/2014

Resumo: Esta  dissertação  analisa as  características  do  Exército  farroupilha  na  guerra  civil  de 1835-1845,  ocorrida  na então  província  de  São  Pedro  do Rio  Grande  do  Sul.  Durante quase dez anos estiveram de lados opostos os próprios habitantes da província e também as  tropas  enviadas  de  outras  regiões  do  Império  para combater  os  rebeldes.  Suas principais  causas  foram  as  reivindicações  econômicas  e  políticas  de  parte  da  camada latifundiária rio-grandense, que se considerava prejudicada pela organização econômica e  política do  Império.  Identificamos  as  maneiras  pelas  quais  as  forças  rebeladas conseguiram  manter  a  guerra  contra  o  Império  brasileiro, uma  vez  que  possuíam um espaço geográfico limitado de ação. Dele deveriam retirar os seus recursos e realizar as suas  táticas  de  luta  e  de  recrutamento  de  soldados  para  suas  fileiras.  Os  farroupilhas, entendendo  a  necessidade  de  organizar  a  retirada  dos  recursos  das  fazendas  da campanha e da serra, passaram a sistematizar e coordenar seu emprego, usando-as como imprescindível local de abastecimento das tropas. Criadas as condições de existência da luta  pelos  farroupilhas,  estas  foram  complementares  ao  engajamento  dos  soldados  nas fileiras.  O  Exército  rebelde  foi  composto  a  partir  das  arregimentações  que  ocorreram por parte das autoridades distritais e municipais, e também por recrutamentos realizados pelos  oficias  do  próprio  Exército  farroupilha. Identificamos  determinadas  práticas  do Exército rebelado, sem as quais, este não teria conseguido se manter em armas contra o Império  brasileiro,  que  recebia  auxílios  econômicos  e  de  soldados  das  demais províncias  brasileiras. Como  fonte  de  pesquisa  nos  utilizamos  de  documentação contemporânea ao conflito, como os periódicos farroupilhas que tiveram circulação nos os  espaços  dominados  temporariamente  pelas  tropas  rebeldes,  e  a  chamada  Coleção Varela,  que  possui  uma  gama  de  documentos  de  diversos  tipos  de  autoridades farroupilhas, que nos informam sobre as relações que poderiam perpassar a organização que os chefes políticos farroupilhas buscaram dar à sua organização. 

 

227 - Título: Longe da Pátria. A invasão paraguaia do Rio Grande do Sul e a rendição em Uruguaiana (1865)

Autor: Wagner Cardoso Jardim

Orientador: Prof. Dr. Mário José Maestri Filho

Banca: Jorge Luiz Prata de Sousa (Universo), Ana Luiza Setti Reckziegel  (UPF) 

Defesa: 05/06/2014

Resumo: Neste trabalho, apresentamos uma análise histórica da invasão do território sul rio-grandense pelas tropas paraguaias na segunda metade do século 19. O recorte espacial é a fronteira oeste do atual estado do Rio Grande do Sul, compreendendo as atuais cidades de São Borja, Itaqui e Uruguaiana. O trabalho é apresentado na perspectiva da história regional e procura compreender as relações existentes entre o ambiente local com o regional e internacional, caracterizando este enfoque. O eixo condutor da pesquisa foi a evolução do exército paraguaio ao longo do território invadido em 1865. Para compreender a dinâmica da guerra sob a ótica do exército paraguaio, foi necessário entender a organização sócio-política paraguaia desde sua emancipação como país independente, nas primeiras décadas do século 19, até os anos da guerra. Entendemos a guerra do Paraguai dentro de um contexto de mudanças e rupturas na América que desencadeou na formação dos Estados Nacionais. Os interesses das classes dominadoras suplantando os interesses de grupos enfraquecidos e a formação de alianças com o intuito de garantir a hegemonia do capitalismo comercial na região. Abordam-se as contradições no interior do exército paraguaio em uma perspectiva de compreender os insucessos da operação. Essa pesquisa aborda as sérias dificuldades enfrentadas pelo exército invasor ao longo da campanha, iniciada com a invasão da vila de São Borja e culminada com a rendição do mesmo na vila de Uruguaiana. O exército paraguaio tendo ficado cerca de 5 meses na região, e dado apenas dois combates de expressiva relevância e neles atestara a incapacidade para enfrentarem uma força oposta, minimamente organizada. O fracasso da expedição militar comandada pelo tenente coronel Antônio Estigarribia pode representar as contradições do Estado lopizta. Num exército onde a grande maioria dos praças pertencia a classe camponesa, pouco ou nada interessada no conflito com os países vizinhos, a baixa combatividade e as deserções foram constantes durante aquele evento. Fracasso maximizado pelas precárias condições de um exército mal armado, mal treinado e com oficiais incapazes de conduzir a tropa.

 

228 - Título: "Un periódico que no hable de política al presente, es lo mismo que un fusil sin cañon.”: imprensa periódica e a construção da identidade oriental (Província Cisplatina – 1821-1828)"

Autor: Murillo Dias Winter

Orientador: Prof. Dr. Adriano Comissoli

Banca: João Paulo Garrido Pimenta (USP), Ana Luiza Setti Reckziegel  (UPF) 

Defesa: 13/06/2014

Resumo:  O período histórico iniciado com a dissolução dos laços coloniais e as consequentes revoluções de independências no continente americano foi de transformação das estruturas de poder e do surgimento de novas formas de administração estatal e identificação local, processo tomado, geralmente, a partir do conceito de nação. Naqueles anos de fluidez das relações políticas e identitárias, diversos grupos disputaram a liderança do processo, divididos entre cidades, províncias e domínios antes determinados pela ocupação colonial da Espanha e de Portugal. Na Banda Oriental, ponto de interseção entre os antigos domínios portugueses e espanhóis na América, a situação transformou-se a partir da efetivação da dominação luso-americana na região com a criação da Província Cisplatina (1821-1828). Período que abarca o Congresso Cisplatino (1821) até a Convenção Preliminar de Paz (1828). Um dos elementos fundamentais das disputas era a imprensa periódica, em ebulição e vertiginoso crescimento - possibilitado pela nova conjuntura lusitana - nesse período de indefinições políticas, tanto no Brasil, nas Províncias Unidas do Rio da Prata, como na Cisplatina. Neste contexto de grandes questionamentos e instabilidade, marcado pela variedade e fluidez de relações, de projetos políticos, e também de transformação de alguns conceitos-chave, a imprensa periódica se constituía como o principal instrumento de discussão e circulação de ideias, tornando-se uma ferramenta fundamental para fazer e debater a política local e internacional. Outra característica dos periódicos da época era, no processo de construção de uma identidade local, Oriental, diferenciar estes dos invasores brasileiros e dos vizinhos portenhos. Os distintos jornais apropriavam-se e discutiam conceitos fundamentais como pátria, nação e opinião pública, forma de defesa de seus projetos políticos. Focalizando-se nos usos de alguns destes conceitos-chave, recorrentes nos debates, o trabalho analisa as peculiaridades de um discurso que criou uma imagem forte o suficiente para fornecer elementos distintivos para a criação em 1828 da República Oriental do Uruguai.

 

229 - Título: "No encalço do desejo: a homossexualidade em discursos – Chapecó/SC (1980-2010)"

Autor: André Luiz Lorenzoni

Orientador: Profa. Dra. Gizele Zanotto

Banca: Luciana Rosar Fornazari Klanovicz (Unicentro), Gerson Luís Trombetta (UPF) 

Defesa: 18/06/2014

Resumo: Essa pesquisa problematiza o processo de construção identitária de um grupo de sujeitos homossexuais de sexo masculino em Chapecó, Oeste de Santa Catarina, no período da sua História mais recente (1980 – 2010), em sentido de compreender parte da multiplicidade histórica que se produz na dinâmica social regional. A partir de uma perspectiva subjetiva e transdisciplinar da História, acredita-se que a problematização da construção da identidade homossexual masculina em Chapecó no período supracitado, pode contribuir significativamente para a compreensão de um grupo social pertencente a essa sociedade em transformação. Lançando mão da perspectiva teórica cartográfica e da metodologia da História oral, são analisados depoimentos realizados com sujeitos de identidade homossexual que vivenciaram e vivenciam experiências homossexuais em Chapecó entre as décadas de 1980 e 2010. A pesquisa parte de algumas questões centrais: Como a identidade homossexual era construída? Quais as referências macro e micro identitárias da homossexualidade? Quais e como alguns dispositivos atuaram na construção identitária? Como foi o processo de enfrentamento e tomada de posição frente à construção da identidade homossexual? Como foram e são expressas as experiências homoeróticas por seus praticantes? Como a sociedade chapecoense tratou e trata essas respectivas práticas? Existiram e/ou existem práticas coercitivas geradoras de processos segregacionistas em relação à homossexualidade? A partir principalmente de conceitos de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari, essa pesquisa percorreu a produção, análise e problematização das fontes orais, em sentido transdisciplinar, com o objetivo de compreender perspectivas em torno das dinâmicas da atuação dos dispositivos de poder influentes na subjetividade de Chapecó no período de 1980 a 2010. A relações sócio afetivas problematizadas na produção dos testemunhos são compreendidas enquanto elementos constitutivos da identidade subjetiva homossexual masculina e, consequentemente, de um grupo integrante da historicidade local. Historiam-se as relações afetivas, desejantes e sexuais entre sujeitos do mesmo sexo em Chapecó, enquanto experiências singulares e autênticas, dentro de um contexto de relações de poder e subjetividades que também compõe o quadro social local.

 

230 - Título: "A Ação Popular (AP) no Movimento Estudantil Universitário de Passo Fundo entre a implantação da ditadura militar e o AI-5"

Autor: Nilton de Oliveira

Orientador: Prof. Dr. Mário José Maestri Filho 

Banca: Gilberto Grassi Calil (Unioeste), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF) 

Defesa: 24/06/2014

Resumo: Este trabalho dissertativo busca entender o processo de atuação do grupo chamado Ação Popular (AP) no movimento estudantil universitário na cidade de Passo Fundo durante o período da ditadura civil-militar. O recorte histórico escolhido foi o período entre os anos de 1964, ano do Golpe Civil-Militar no Brasil, e o ano de 1968, ano do Ato Institucional número 5 que inaugurou o período de maior repressão às liberdades democráticas dentro da referida ditadura. Este período é marcado pela existência efetiva de uma ditadura com as limitações de liberdades de organização e mesmo combate às entidades que se opunham ao regime implantado. Porém o formato da repressão no período anterior ao Ato Institucional número 5 possibilitava a existência de ações e organizações do seio do movimento estudantil. Após este, existe um corte, as mobilizações de massa contrárias ao regime não existem mais. O movimento estudantil universitário é um dos mais perseguidos nesse processo. O objetivo central deste trabalho é perceber as transformações deste agrupamento que sofre profundas transformações na perspectiva organizativa e ideológica. Na perspectiva organizativa passa de um grupo eclético e pequeno burguês e transforma-se em um agrupamento revolucionário inspirado no Maoísmo. No aspecto ideológico parte de uma perspectiva de ação fundamentalmente cristã, passa por transformações até adotar a teoria marxista de entendimento de mundo. Estas transformações ocorrem em um período de profundas transformações políticas no Brasil. Este passa por regimes democráticos, um acirramento ideológico alimentado pela Guerra Fria até um golpe civil-militar e um posterior golpe dentro do golpe acirrando as práticas ditatoriais após o AI-5. Percebemos os efeitos destas transformações internas e externas entre estes jovens, inseridos no nascente ensino superior de Passo Fundo, este mergulhado em disputas e tensões pelo controle desta instituição. Foram analisadas as formas de disputas do movimento estudantil, suas bandeiras, suas formas de atuação, suas atividades neste período. Por fim buscaram-se as causas do fim da Ação Popular em nossa cidade. Quais foram os efeitos do acirramento da repressão ao movimento estudantil no seio da Ação Popular de Passo Fundo. Por fim colheram-se as análises que algumas destas lideranças da época fizeram deste período e de suas ações e seus julgamentos destas ações.

 

231 - Título: "Políticas Públicas do Banco Nacional de Habitação em Santa Maria - RS"

Autor: Tales Henrique Albarello

Orientador: Profa. Dra. Ironita A. P. Machado 

Banca: Dieter Rugard Siedenberg (Unijuí), Adelar Heinsfeld (UPF) 

Defesa: 30/06/2014

Resumo: O objetivo desta dissertação é analisar as políticas públicas implantadas por intermédio do Banco Nacional de Habitação, o BNH, em Santa Maria – Rio Grande do Sul, no período entre 1967 e 1986, e os resultados dessas políticas no atendimento das demandas da comunidade local. A delimitação temporal deste trabalho levou em consideração as obras realizadas pelo BNH na cidade de Santa Maria, sendo a primeira delas o Núcleo Habitacional da Vila Kennedy, comercializado no ano de 1967, e a última, o Núcleo Habitacional Passo da Ferreira, em 1986, finalizado no mesmo ano de extinção do BNH. Para atingir esses objetivos, foi realizada uma revisão bibliográfica acerca da Ditadura Civil-Militar, das políticas sociais executadas durante o período, das políticas públicas promovidas pelo Banco Nacional de Habitação e da urbanização da cidade de Santa Maria. Por meio de relatórios da Companhia de Habitação do Estado do Rio Grande do Sul e da Prefeitura Municipal de Santa Maria, foram pesquisadas as obras realizadas em Santa Maria que resultaram na criação de núcleos habitacionais e de reformas urbanas. Para a análise das demandas e dos resultados das políticas públicas implantadas pelo BNH, foi pesquisado o acervo do Jornal A Razão entre os anos de 1967 e 1986, em cujas páginas foram informadas demandas da comunidade santa-mariense nas áreas de habitação e reformas urbanas. Os núcleos habitacionais construídos em Santa Maria não foram suficientes para atender as necessidades da população de baixa renda, visto o mercado imobiliário estar em expansão em razão do crescimento vegetativo da população e da chegada de novos habitantes à cidade. As ocupações, locais em que a população passava a residir em razão da falta de alternativas, continuaram a surgir  e a existir. As reformas urbanas, que obedeciam as diretrizes do BNH, foram realizadas em áreas que já contavam com uma infraestrutura mínima, sendo que as obras serviram para qualificar esses espaços. As justificativas sociais do BNH não foram cumpridas, já que as áreas beneficiadas não eram as mais necessitadas. Bairros periféricos da cidade continuaram com infraestruturas precárias. Problemas como falta de água, de saneamento básico e de inundações foram frequentes. As políticas públicas de reformas urbanas promovidas pelo BNH, apesar de oficialmente carregadas de caráter social, foram destinadas às parcelas da população de renda média na cidade de Santa Maria. A demora do anúncio até a execução das obras ajuda a entender o problema da cidade. Apesar de ter sido criado para resolver o problema habitacional brasileiro, o BNH foi muito mais um instrumento utilizado para melhorar os índices econômicos do que propriamente atender as demandas da população de baixa renda do Brasil. Suas obras, mesmo que oficialmente não tivessem esse objetivo, ajudaram a elevar a especulação imobiliária, ao conduzir a valorização das áreas atendidas por seus investimentos. O BNH também foi usado politicamente pelos governos militares, como uma forma de fazer propaganda das obras realizadas durante a Ditadura Civil-Militar. Suas realizações destacam-se entre as formas encontradas para justificar a permanência dos militares no poder do Estado brasileiro.

 

232 - Título: "Visão de um jornalista norte – americano na imprensa brasileira: Drew Pearson na revista O Cruzeiro (1959-1961)"

Autor: Vagner Paulo Cazarotto Guarezi

Orientador: Profa. Dra. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Helder Volmar Gordim da Silveira (PUCRS), Marlise Regina Meyrer (UPF) 

Defesa: 05/08/2014

Resumo: Este trabalho tem como objetivo analisar a coluna Carrossel do Mundo, escrita pelo jornalista norte-americano Drew Pearson, na revista O Cruzeiro no período 1959-1961. Nesta análise, destacaremos os principais temas abordados por Pearson. O século XX foi marcado por constantes e grandes evoluções. Muitas delas criaram e alimentaram os maiores conflitos da história. Ideologias, conceitos e novas opções sociológicas surgiram, deram opções e viraram referências. As tecnologias desenvolvidas facilitaram a vida, derrubaram fronteiras e criaram disputas. O Brasil desse século foi desenhado por traços norte-americanos. A influência dos Estados Unidos criou conceitos e disseminou a cultura, a economia e a ideologia no país. Jornalisticamente falando, foi o jornalismo norte-americano que serviu como base para diagramar e estruturar os acontecimentos no país. Partindo desse pressuposto, a revista O Cruzeiro, criada em 1928, anexou ao seu esquadrão de ouro o jornalista norte-americano Drew Pearson, referência nas pautas de política internacional. Utilizando a revista como fonte para a pesquisa, buscamos em Drew Pearson o objeto a ser estudado no período de 1959-1961. Drew Pearson foi referência no jornalismo mundial. No Brasil, O Cruzeiro apresentava e trazia novidades aos leitores. Sua circulação alcançava os mais diversos cantos do país, fazendo com que sua abrangência e seu acesso se tornassem um marco dentro do período estudado. Pearson completava a americanização na revista. Dividia as páginas do semanário com anúncios, propagandas e notícias sobre o imaginário norte-americano. Tendo como objeto de estudo a coluna Carrossel do Mundo, nosso alvo é mostrar e analisar os temas debatidos na coluna, inserindo-nos no contexto internacional. A revista foi um veículo formador de opinião, seu conteúdo era de grande variedade e focava-se em um público de maior poder aquisitivo. O periódico trazia notícias a partir da visão de um jornalista norte-americano, vinculado em um meio de comunicação com origens capitalistas e com ideologias norte-americanas.

 

233 - Título: "Da produção colonial ao sistema agroindustrial: a modificação do perfil produtivo da região de Chapecó (1920-1980)"

Autor: Ivone Maria Serpa

Orientador: Profa. Dra. Rosane Marcia Neumann

Banca: Marcos Antônio Witt (Unisinos), João Carlos Tedesco (UPF) 

Defesa: 21/08/2014

Resumo: Esta dissertação  tem  como  objetivo  o  estudo  da  passagem  da  produção  da  pequena propriedade  colonial  para  a  produção agroindustrial,  com  a  formação  das agroindústrias na região da grande Chapecó, no oeste catarinense, entre 1920 e 1980. Esse  recorte  temporal justifica-se  pelo  fato  de  a  década  de  1920  ser  o  início  do processo  de  atuação  das  empresas  colonizadoras e  a  estruturação  de  um modelo  de produção colonial, e a década de 1980 marca o processo de solidificação do complexo agroindustrial  da  região.  Em  termos metodológicos,  optou-se  pela  coleta  e  análise  de um  conjunto  de  dados  quantitativos  e  revisões  bibliográficas,  que possibilitaram acompanhar  a  formação  e  desenvolvimento  da  produção  agroindustrial.  A  região Oeste  foi  alvo  de  disputas  pela  posse  do território,  dada  à  diversidade  de  atividades possíveis de serem praticadas na região. As colonizadoras foram as responsáveis pelo processo de atração de novos moradores, principalmente colonos rio-grandenses. Entre as  décadas  de  1920  e  1940,  além  de ser a fase  de  colonização,  tem-se  o ciclo econômico da  erva-mate,  que  depois  de  esgotado  passa  à  atividade  da  madeira,  que vem  ao  encontro  do  necessário desmatamento  para  a  formação  dos  povoados  e  o consequente  lucro  advindo  com  o  seu  comércio,  esse  ciclo  finda  com  a  exaustão  das matas,  dando  lugar  ao  ciclo  agroindustrial.  O  processo  de  mudança  do  perfil econômico e produtivo iniciou com a modernização agrícola e derivou na constituição e  expansão  agroindustrial,  entre  as  décadas  de  1970  e  1980,  a  partir  dos  sistemas  de produção  integrada  avícola  e suinícola,  que  tornou  a  pequena  unidade  familiar dependente e subordinada ao sistema de produção capitalista. Esse processo garantiu e auxiliou o  desenvolvimento  da região  Oeste,  tornando-a  um  referencial  nacional  no que tange ao setor agroindustrial. A região passou de uma economia colonial, entre as décadas  de  1920  e  1940,  para  uma  economia  agroindustrial  baseada  no  sistema  de integração  inicialmente  de  suínos  e, posteriormente,  de  aves,  entre  1970  e  1980. Voltada  dessa  forma  para  o  grande  mercado  nacional  e  internacional,  passando  a  ser um dos maiores centros agroindustriais do país.

 

234 - Título: "Paul Poiret e Coco Chanel: análise das mudanças na moda europeia no inicio do século XX (1900-1930)"

Autor: Maira Ilda Locatelli

Orientador: Profa. Dra.Marlise Regina Meyrer

Banca: Eloisa Helena Capovilla da Luz Ramos (Unisinos), Gerson Luís Trombetta (UPF) 

Defesa: 05/09/2014

Resumo: O estudo trata das transformações ocorridas na moda no início do século XX, mais especificamente  de  1900  a  1930,  período imediatamente  anterior  e  posterior  à Primeira  Guerra  Mundial,  contexto  que  exerceu  significativas  influências  no comportamento  e  nos valores relativos  ao  universo  feminino  europeu  e, consequentemente,  alterou  as  formas  de  vestir-se  e  mostrar-se  em  público.  O trabalho  é  um estudo  comparado  entre  as  criações  de  dois  dos  mais  influentes estilistas do período, Paul Poiret e Gabrielle Coco Chanel. O estilista Paul Poiret foi considerado o primeiro estilista francês, no sentido moderno do termo, considerado por alguns autores o "libertador dos corpos femininos", pois promoveu o fim do uso do  espartilho,  inovou  na  utilização  das  cores,  na  diferenciação  das  formas  de modelagem, divulgando suas produções também de forma inovadora, em catálogos ilustrados por grandes artistas, em especial, os álbuns “Les Robes de Paul Poiret” (1908) e o “Les Choses de Paul Poiret” (1911), fontes desta pesquisa. Os problemas e  as  dificuldades  geradas  pela  Guerra  com  relação  ao  vestuário  feminino,  levou  a um processo  de  simplificação  e  adequação  aos  novos  papéis  e  atitudes  das mulheres, durante e no pós-guerra. Simbolizando este novo contexto, Coco Chanel, emerge  no  cenário  da  moda  mundial,  trazendo  o  guarda-roupa  masculino  para  as vestimentas  femininas,  utilizando  tecidos com fibras  têxteis  químicas  e  com  teor mais simples, considerados pobres para época. Chanel torna-se precursora de uma moda confortável  e funcional. A  nova  moda  faz  uso  de  um  também  novo  meio publicitário,  as  revistas  especializadas  de  moda,  sendo  a  Vogue,  a  principal referência  e, também,  fonte  desta  pesquisa.    Para  fins  de  comparação  entre  as produções  dos  dois  estilistas  foram  eleitas  três  categorias  de  análise:  os meios publicitários  utilizados  pelos  estilistas  Poiret  e  Chanel,  em  específico  nos  álbuns ilustrados  e  as  revistas  Vogue  francesas;  os  tecidos utilizados  por  ambos  os estilistas e a estética feminina privilegiada pelos criadores em questão.

 

235 - Título: "Empreendimentos de economia solidária: alternativas de organização no mundo do trabalho (Chapecó, 1990-2010)"

Autor: Sedenir Fiore

Orientador: Prof. Dr. Adriano Comissoli

Banca: Paulo Afonso Zarth (Unijuí), João Carlos Tedesco (UPF) 

Defesa: 11/09/2014

Resumo: A presente dissertação investiga as relações sociais de trabalho que se desenvolvem dentro dos empreendimentos de economia solidária, localizados na cidade de Chapecó, SC entre os anos de 1990 e 2010. Ela visa observar se os empreendimentos de economia solidária são significativos, dentro do contexto socioeconômico de Chapecó, para a construção de novas formas de organização do trabalho no período proposto. O Problema que orientou o percurso desta investigação pode ser assim proposto: os princípios propostos para empreendimentos de economia solidária se efetivam nos empreendimentos estudados? A hipótese que trabalhamos é a de que as formas de organização do trabalho presentes nos empreendimentos solidária se distanciam daquelas identificadas nas empresas capitalistas tradicionais, não como uma nova lógica econômica, mas com elementos que aas caracterizam como alternativas. O trabalho foi organizado em três momentos. Num primeiro momento foi contextualizada historicamente a formação socioeconômica da cidade de Chapecó, tratando dos principais aspectos de seu desenvolvimento econômico e a formação do parque agroindustrial da cidade, em seguida foi apresentada, com base na leitura da bibliografia especializada, as principais características da organização do trabalho nas indústrias Sadia S.A e Aurora, atualmente BRF Alimentos, usando estas como modelos comparativos com aquelas analisadas nos empreendimentos de economia solidária.    Num segundo momento, analisou-se as formas de organização do trabalho dentro dos empreendimentos de economia solidária por meio da caracterização das relações de trabalho inerentes às empresas solidárias da cidade de Chapecó, tendo como marco temporal inicial os primeiros anos da década de 1990. O terceiro momento voltou-se para a apresentação dos resultados da pesquisa empírica realizada em dois empreendimentos de economia solidária da cidade de Chapecó com o intuito de analisar as principais características de organização social do trabalho observáveis no interior desses empreendimentos e a coerência ou discrepância com a teoria proposta pelos pensadores da economia solidária. Em termos metodológicos optou-se por uma reflexão que combine elementos teóricos, provenientes da pesquisa bibliográfica, e análise empírica, recolhida do estudo dos empreendimentos propostos. Os resultados obtidos confirmam a hipótese de trabalho, sendo que as formas de organização do trabalho no interior dos empreendimentos de economia solidária se distanciam das formas de organização nas agroindústrias do município de Chapecó, pois as empresas solidárias privilegiam a solidariedade em detrimento da competição, a gestão do coletivo ao invés do individualismo e da heterogestão, do valor da vida à reprodução simples do capital. 

 

 236 - Título: "A Serrilhada: fronteira e identidades no Brasil Meridional"

Autor: Natali Braga Spohr Schmitt

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Ronaldo Colvero Bernardino (Unipampa), Marlise Regina Meyrer (UPF) 

Defesa: 11/09/2014

Resumo: Mais da metade do território do Rio Grande do Sul tem contato internacional, condição sine qua non para o protagonismo da fronteira na sua história. Ao mesmo tempo em que delimitam, as zonas de fronteira estabelecem ligações, e delas decorrem heterogêneas possibilidades nas identidades. “A Serrilhada: fronteira e identidades no Brasil Meridional” é o título do texto dissertativo apresentado ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo, na Linha de Pesquisa Cultura e Patrimônio, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin. O tema principal da pesquisa é a construção das identidades num lugar situado exatamente sobre a linha que demarca a fronteira entre o Brasil e o Uruguai, a Serrilhada/Cerrillada, vilarejo de pouco mais de 400 habitantes, pertencente igualmente à brasileira Dom Pedrito e à uruguaia Rivera. No contexto da pesquisa, é traçado um panorama historiográfico do Rio Grande do Sul, onde são relembrados os Tratados de Limites, bem como as estratégias de manutenção das fronteiras e as políticas contemporâneas para elas. Objetiva-se contar sobre um lugar e refletir sobre os conceitos de identidade através da sua vida material, como a casa, a escola e o cemitério. Neste ínterim, aborda-se o universo do trabalho, dentro do qual são tratadas questões do passado de escravidão e contrabando, as lides no campo e a contemporaneidade com as novidades do cinema e das redes sociais. Também se versa das manifestações culturais apreendidas a partir da maneira de se vestir, das crenças e da língua.  Com os aportes teóricos que se ocupam dos conceitos importantes para o estudo, demonstra-se o hibridismo da vivência nesta fronteira do Brasil Meridional, que revela um constante exercício de construção identitária por meio das interfaces entre as estratégias de sujeitos como Edu Macedo, seu principal “guardião de memórias” e cuja experiência viabilizou este registro.

 

237 - Título: "Independente, não neutro.” Poder e imprensa no norte do RS (1916-1930)"

Autor: Gabriela Tosta Goulart

Orientador: Profa. Dra. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Fernando da Silva Camargo (UFPEL), João Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 16/09/2014

Resumo: Esta dissertação tem o objetivo de estudar a relação entre a liderança política  e a imprensa regional, no norte do Rio Grande do Sul, no período que se estende de 1916 até 1930. Entende-se que a imprensa foi um dos sustentáculos do poder da elite política regional desde a proclamação da República em 1889, avançando por todo o período da chamada República Velha, até 1930. Nesse período, foram identificados cerca de 16 jornais, alguns de duração efêmera e outros cuja longevidade alcança os dias atuais.  Essa imprensa registrou os embates políticos e muitas vezes foi criada com o objetivo de ser porta-voz dos políticos regionais. Assim sendo, constatou-se uma verdadeira identidade estabelecida entre a política e a imprensa. Os casos mais emblemáticos foram os dos jornais A Voz da Serra e O Nacional. A Voz da Serra, fundado em 1916, vinculou-se à causa do Partido Republicano Riograndense (PRR) por vínculo ideológico entre o proprietário do jornal e o líder regional Nicolau de Araujo Vergueiro. Por sua vez, O Nacional foi fundado em 1925 pelos filhos de coronel Gervasio Lucas Annes, figura política que ditou a hegemonia do PRR em âmbito regional e orientou grande parte da imprensa citada. Gervasio Lucas Annes construiu uma identidade de liderança política e deixou como sucessor Nicolau Araujo Vergueiro, portanto, a  análise proposta nessa pesquisa leva em consideração a importância da imprensa na manutenção da dominação do PRR na região a partir de um contexto estadual que foi permeado por duas guerras civis. A Revolução Federalista, de 1893, que opôs maragatos e pica-paus e a Revolução de 1923, que abalou, hegemonia do PRR e demonstrou que as oposições político-partidárias só conseguiam se manifestar através da via revolucionária. Nesse sentido, a manutenção do poder do PRR em âmbito regional sofreu contestação e a imprensa foi um dos suportes para a viabilização do domínio dos seguidores do castilhismo-borgismo no período em questão.

 

238 - Título: "O processo de patrimonialização e a turistificação da Romaria de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças de Santa Maria/RS (2003-2012)"

Autor: Franciele Moreira Cassol

Orientador: Profa. Dra. Gizele Zanotto

Banca: Marta Rosa Borin (UFSM), Ironita Policarpo Machado (UPF)

Defesa: 24/09/2014

Resumo: A devoção a Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças teve início na Bélgica, na década de 1920, com o cardeal Desidério José Mercier, um dos pioneiros da teoria da mediação, na qual Maria é venerada como mediadora das graças divinas. No Brasil, a crença na Mãe Medianeira expandiu-se a partir de sua devoção no interior do Estado do Rio Grande do Sul, mais precisamente a partir da cidade de Santa Maria. Hoje, a Romaria em homenagem a Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças, que é a padroeira do Estado, acontece no segundo domingo de novembro e mobiliza mais de 250 mil pessoas por ano. O presente texto tem entre suas finalidades dissertar sistematicamente sobre a história da Romaria, refletir sobre sua patrimonialização, bem como analisar, em especial, as relações de poder que transformam um evento religioso em uma “mercadoria” para o turismo local. Esta investigação se insere no campo da História Cultural e da Memória Social, sendo esta uma pesquisa na área de História e participante da Linha de Pesquisa Cultura e Patrimônio. Nesse contexto, objetiva, ainda, discorrer e refletir sobre os processos de construção da identidade social de um grupo de pessoas a partir da devoção das romarias a Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças, ora defendida como Patrimônio Imaterial. Nesse contexto, a metodologia empregada constituiu-se de pesquisa bibliográfica e, principalmente, de investigação em fontes primárias locais, destacando-se os jornais A Razão (1934) e Diário de Santa Maria (2002), em um recorte temporal que se inicia antes do surgimento da devoção, ou seja, fins do século XIX até os dias de hoje, dando um enfoque especial à última década deste século. O referencial teórico abrangeu pesquisadores locais não acadêmicos como Isaias, Belmonte, Paixão, Weinzemenn e acadêmicos como Biasoli, Boreli, Borin, Bourdieu, Chartier, Geertz, Pohl e Segalen.

 

239 - Título: "A mulher trabalhadora em busca de direitos na Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul: desafios da emancipação feminina nos anos 1941-1946"

Autor: Giselda Siqueira da Silva Schneider

Orientador: Profa. Dra. Janaína Rigo Santin

Banca: Florisbal de Souza Del´Olmo (URI), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 11/09/2014

Resumo: A presente pesquisa trata da implementação dos direitos da mulher trabalhadora na Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul, no recorte temporal de 1941 a 1946. Para tanto, utiliza como referencial o campo de estudo da História das Mulheres, ao resgatar sobre a trajetória desses estudos e as contribuições para entender-se a relação entre o movimento das mulheres e a questão dos direitos tutelados pelo Estado. As fontes primárias utilizadas foram os processos findos preservados e que se encontram no Memorial da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul. Logo, na análise constam Reclamatórias das Varas Trabalhistas existentes no período, na ocasião denominadas Juntas de Conciliação e Julgamento, das cidades de Porto Alegre, Rio Grande, São Jerônimo e Pelotas. A Justiça do Trabalho que surge por iniciativa do Presidente Getúlio Vargas institui-se pela Constituição de 1934, inaugura-se em 1941 e integra-se ao Poder Judiciário somente em 1946. No contexto de uma política de ordenação do mercado de trabalho, onde a legislação trabalhista, previdenciária e sindical tem destaque, a Justiça do Trabalho desenvolve-se dentro da ideologia de um Estado corporativo que tenta proscrever a luta de classes e oferecer aos litigantes uma forma pacífica de solução das controvérsias trabalhistas. Ao considerar a positivação da legislação protetiva em relação ao trabalho da mulher no Brasil entre 1930 a 1945, entre outros direitos, como o direito ao voto em 1932, quer-se verificar sobre o acesso das mulheres a essa instância judicial. Tal intento justifica-se porque embora a conquista de direitos no plano da lei, ainda existia no âmbito social uma forte resistência à ideia da mulher em trabalho fora do ambiente doméstico. A pesquisa em tais fontes pretende também, demonstrar o valor histórico dos documentos, no presente caso, dos processos judiciais sob a guarda do Memorial da Justiça do Trabalho no Rio Grande do Sul, aliado à pesquisa e à revisão bibliográfica. Visa-se compreender um pouco mais, do universo das trabalhadoras rio-grandenses no período e a possível relação da Justiça do Trabalho no tocante à promoção e efetividade dos direitos sociais. 

 

240 - Título: "Em memória da cativa, uma memória que cativa? Análise da construção dos monumentos, da memória e da patrimonialização do Chafariz da Mãe Preta e da Praça de Mãe de Passo Fundo"

Autor: Diego José Baccin

Orientador: Profa. Dra. Ironita Policarpo Machado

Banca: Sandra de Cássia Araújo Pelegrini (UEM), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 21/11/2014

Resumo: Este trabalho analisou o processo de patrimonização de dois bens culturais coletivos enquanto patrimônios históricos culturais da cidade de Passo Fundo. O Chafariz da Mãe Preta, de 1863, portando, antes da abolição da escravatura no Brasil, que faz referência a uma pessoa escravizada - a Mãe Preta. E o surgimento do Monumento à Mãe um centenário após o primeiro, em 1964. A problemática discorre no sentido de identificar as possíveis tramas de relações entre os sujeitos que decorreram na inauguração de ambos os monumentos, de forma que seja possível considerar como no decurso da história municipal ocorreu o processo de composição dos referidos espaços de memória, constituindo-se como bens patrimoniais que carregam elementos de materialidade história - os monumentos propriamente ditos. Como também, de imaterialidade simbólica, no sentido de que os bens analisados apresentam características que se reportam a noções indenitárias, e a estes são atribuídas significações e representações diversas e contraditórias. Assim, objetiva-se compreender as relações que se estabeleceram no âmbito político municipal as quais propiciaram a criação dos monumentos; busca-se o entendimento do conjunto das relações culturais, simbólicas e sociais, ponderando as diversas significações e representações que sofreram no decurso de sua historicidade, e os usos que lhes foram aferidos na perspectiva da construção e reconstrução de sentido frente à relação entre história e memória, ou memória e história, para considerar a existência, ou não, de um vínculo causal entre o Chafariz e o Monumento. A fundamentação teórica sustenta-se em duas perspectivas: uma de Jacques Le Goff, frente às considerações de que a memória é a propriedade de conservar certas informações. Outra de Roger Chartier, na acepção de que a realidade histórica só chega ao historiador por meio de representações, pois em diferentes épocas a realidade social é construída, dotando o presente de significado. Viabilizando o acesso as informações disponíveis acerca dos bens patrimoniais, a pesquisa constituiu-se em análise de registros iconográficos, buscando perceber como os monumentos foram representados enquanto objetos e como a partir dos objetos os indivíduos representaram os monumentos. Registros escritos foram consultados com a intenção de reconstruir as informações neles constantes, a fim de perceber os pontos convergentes e os divergentes acerca dos dados históricos que envolvem o Chafariz e o Monumento. Por meio da história oral, realizou-se processo de entrevistas. E por fim, aplicou-se ficha de coleta de informações; quando de posse destes dados, fornecidos pelos depoentes, verificou-se como os monumentos na atualidade são significados, representados e o que permanece na memória da população envolvendo a história dos monumentos, através do instrumento de análise amostragem. Assim, o que permanece hoje de memória acerca dos monumentos diz respeito à história dos mesmos, parece que não. De fato, o fazer histórico reconduz a novas leituras e interpretações, e, em muitos casos, o que fica talvez evidente é um processo de apagamento da memória, assim não há representação ou significação para história coletiva, realidade que favorece o esquecimento pelo ente social ou político.

 

241 – Título: “Entre o erudito e o popular: a flauta transversal de Plauto Cruz na história do Choro (1940-2002)”

Autor: Alexandre Pompermaier

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luís Trombetta

Banca: Isabel Porto Nogueira (UFPel/UFRGS), Adriano Comissoli  (UPF)

Defesa: 11/12/2014

Resumo: A presente pesquisa tem como objetivo perfazer uma análise histórica social e sonora do gênero musical Choro, apontando para o norte que o caracteriza como uma manifestação musical de síntese erudita e popular. Trata-se de uma abordagem que parte das suas origens em fins do século XIX, culminando na fixação do gênero nas primeiras décadas do século XX. Trajetória de transformações, adaptações e incorporações que seguiu paralela com as transformações da sociedade brasileira. Caminhando pelo mesmo viés histórico procura-se debater os conceitos do erudito e do popular na cultura brasileira buscando evidenciar os reflexos que esta relação e disputa tiveram no Choro, partindo do princípio de que a música é um reflexo da sociedade e na inversa proporção a sociedade de seus gêneros musicais. Além disso, busca-se compreender o processo de assimilação e incorporação destes elementos sociais e sonoros no Choro como respostas para lacunas ainda presentes na historiografia do gênero que o aborda como manifestação cultural musical popular unicamente, sem considerar os elementos da vertente erudita. Nesta mesma perspectiva tem-se a inserção da flauta transversal no discurso analítico por se tratar de um instrumento característico do gênero, que marcou sua sonoridade nas rodas de Choro já no final do século XIX tornando-se indispensável por seu caráter solista. Uma representação sonora autêntica do elo entre as culturas do erudito e do popular no Choro que teve início por Callado e Reichert nos primeiros momentos da história do gênero. Estes, que por sua vez, fixaram as bases desta linguagem de flauta refletida nas obras de inúmeros compositores e flautistas de várias gerações posteriores como Patápio Silva, Pixinguinha, Benedito Lacerda, Altamiro Carrilho e o próprio Plauto Cruz. O "Mago da Flauta", como é conhecido o flautista e compositor rio-grandense Plauto Cruz apresenta em suas obras a herança histórica desta síntese do popular e do erudito, tanto no que diz respeito à linguagem da flauta no Choro, quanto aplicadas à sua formação e vivências em sua realidade regional do Rio Grande do Sul. Um legado que transcende as linhas geográficas do estado sulino e o coloca como um dos representantes do Choro a nível nacional, tamanha sua representatividade neste cenário composicional e interpretativo. Finalizando, a tensão reside em apresentar ao leitor como ocorre este processo de cristalização destes elementos do erudito e do popular no Choro pela da flauta transversal, analisando diretamente parte da obra do compositor e flautista Plauto Cruz. Obra esta que é constituída por partituras e áudios, reflexo de uma produção recente datando de fins da década de 1970 até o ano de 2002.

 

242 – Título: “O SERTÃO E O CATIVO: Escravidão e Pastoreio. Os Campos de Palmas - Paraná 1859-1888”

Autor: José Lúcio da Silva Machado 

Orientador: Prof. Dr. Mario José Maestri Filho 

Banca: Flávio dos Gantos Gomes (UFRJ), Ironita Policarpo Machado (UPF)

Defesa: 18/12/2014

Resumo: A presente dissertação tem por objetivo observar as relações escravistas em áreas voltadas para a economia pastoril, destacando a influência e as contribuições dos trabalhadores escravizados no desenvolvimento das mesmas. Para tanto, procuramos identificar os modelos teóricos utilizados pelos principais pesquisadores que escreveram sobre este tema e justificar nossa opção pelo modelo de analise proposto por Jacob Gorender, ao abordar a escravidão no Brasil como um modo de produção historicamente novo. O trabalho discute as diferentes formas de abordagem deste tema, e dos modos de tratamento quando nos referimos a estes trabalhadores. Através de extensa revisão bibliográfica, o texto procura demonstrar o processo inicial de colonização do Brasil, realizando um resgate histórico sobre a introdução dos primeiros gados e trabalhadores escravizados no território brasileiro. O texto destaca a introdução dos trabalhadores escravizados de origem africana e sua disseminação pelos diferentes setores da economia do Brasil, procurando apontar os fatores que favoreceram esse tráfico, observando também as transformações relativas à população nativa. Analisamos o desenvolvimento e expansão da atividade pastoril, observando as regiões onde estas atividades predominaram e as funções desempenhadas pelos trabalhadores escravizados nessas áreas. Por fim, abordamos os Campos de Palmas observando as características dos trabalhadores escravizados e as profissões desempenhadas por estes cativos, estabelecendo uma relação entre sua presença nessas áreas de criação, e seu grau de envolvimento nas atividades de campo como o pastoreio, mas também nos trabalhos agrícolas de subsistência e domésticos. Destacamos ainda para esta região dos Campos de Palmas as proporções entre cativos do sexo feminino e masculino, observando as profissões desempenhadas por estes trabalhadores e o grau de dependência dessa sociedade em relação à mão de obra escravizada. Analisamos também a movimentação de compra e venda desses trabalhadores, sua circulação local, as concessões de liberdade e as condições em que estas relações se desenvolveram. 

 

243 – Título: “A intrusagem e desintrusagem nas terras da Companhia Territorial Sul Brasil”

Autor: Luiz Fernando Ferrari

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Paulo Afonso Zarth (UNIJUI), Rosane Márcia Neumann (UPF)

Defesa: 18/12/2014

Resumo: Este estudo tem como proposta discorrer acerca da intrusagem e desintrusagem nas terras da Companhia Territorial Sul Brasil nas décadas de 1960-1970 na região Oeste catarinense. Pretende-se discutir sobre a construção da propriedade privada, como o caboclo entendia seus territórios, como concebia o uso comum da terra, e como definia a sua organização comunitária. Discutiu-se o entendimento que o caboclo tinha sobre seu território onde ocorreu à destruição de seu espaço, e porque esse espaço passa a ter uma funcionalidade racional do capitalismo, a partir das relações de poder que se estabelece entre o Estado e as individualidades. Neste trabalho discutiu-se também a nova emigração do colono e das companhias colonizadoras na região, compreendendo assim, a atuação dessas companhias colonizadoras no Oeste catarinense, bem como entender de que maneira a região se tornou palco de disputas no processo de construção. No cenário de colonização ocorre a normatização dos territórios agrários, através das políticas de ação do Estado, que regulamenta as políticas da colonização. Portanto, o estudo visa analisar a constituição da Companhia Territorial Sul Brasil, suas ações, os métodos e estratégias, a política de atuação e as estratégias de mercantilização das terras na região Oeste catarinense. Ao longo da atuação da companhia, ocorre um maior número de caboclos e de colonos na condição de intrusos, pois não possuía um documento de legalidade da posse da terra, o que gerou uma série de conflitos nas concessões de terras da companhia. Este trabalho tem como proposta analisar as estratégias, os meios pelo qual esses intrusos utilizavam para permanecer na posse da terra e como ocorreu os embates entre os considerados intrusos e a companhia. A intensa presença de grupo em desacordo com a proposta racional do capitalismo, resultou numa das principais dificuldades da companhia na região, a intrusagem e desintrusagem de caboclos e colonos.

 

244 – Título: “Nem perigoso, nem doente, nem fraco. apenas gente! As políticas públicas de atenção à drogadição de adolescentes no município de Santa Rosa (1990 a 2012)”

Autor: Marli Rozek

Orientador: Profa. Dra. Janaína Rigo Santin

Banca: Josiane Rose Petry Veronese (UFSC), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 01/04/2015

Resumo: Considerando a relevância do Poder Local no Estado Democrático de Direito, dada a sua proximidade com o cidadão, vamos analisar, nessa dissertação, elaborada pelo viés da História Regional, as políticas públicas voltadas à assistência do fenômeno da drogadição na adolescência, no município de Santa Rosa. Objetivamos entender em que medida o processo de descentralização possibilita na maior participação dos cidadãos e determina a estruturação de serviços mais próximos do convívio social de seus usuários; redes assistenciais mais atentas às desigualdades existentes, ajustando de forma equânime e democrática as suas ações às necessidades da população, especialmente de adolescentes que fazem uso de drogas, atendendo ao que preceitua a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e Adolescente. A perspectiva de trabalho adotada embasa-se nas técnicas de entrevistas não estruturadas e análise de documentos do corte temporal de 2008 a 2012, observando a vigência da Constituição Brasileira, do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Conselho Tutelar, na cidade de Santa Rosa. Já o recorte geográfico leva em conta que o município em tela localiza-se próximo à fronteira com Argentina e Uruguai, centro e referência para o conjunto de municípios vizinhos. O trabalho apresenta a evolução das relações entre drogas e seres humanos tendo presente a ideia da construção da adolescência como fase da existência humana, com implicâncias sociais e econômicas. Na tecedura que almejamos construir, partimos das representações e da imaginação social existente sobre o uso de drogas na contemporaneidade. Neste exercício vamos elencar quais as forças que contribuíram para transformar esse acontecimento em problema social e, como tal, mereceu e continua sendo alvo da atenção dos gestores públicos e legisladores que adotam, defendem e disseminam o modelo político proibicionista que vai sendo consolidado durante o século XX. Na legislação sobre drogas, que passa a ser elaborada e promulgada no País, abordamos o contexto histórico e político brasileiro, com os reflexos da política internacional e das costuras políticas de então, que segue orientação orquestrada pelos Estados Unidos e, dessa forma, temos o surgimento do ataque irrestrito às drogas entendido como mal a ser combatido. Os usuários passam a ser apontados como doentes ou marginais e, para os mesmos, são dispensados tratamento segundo o modelo médico penal: aos de maiores posses há o encaminhamento para tratamento médico. Já, pobres, negros e população de rua lotam os presídios em todo o país. Ao exame do Poder Local trazemos as instituições públicas com atribuições de desenvolver as políticas assim como a crítica à inexistência da defendida rede de atendimento às pessoas adolescentes que fazem uso problemático de drogas. Avaliamos como a legislação específica sobre drogas e o Estatuto da Criança e Adolescentes tratam o assunto da drogadição e como são aplicados em Santa Rosa observada a sintonia e a articulação entre as políticas desenvolvidas no Brasil e no Estado do Rio Grande do Sul. No estudo, consideramos, ainda, as consequências sociais do modelo médico-penal de tratamento desenvolvidas.

 

245 – Título: “A Caxias moderna representada pelos fotógrafos Mancuso (1907-1961)”

Autor: André Betinardi

Orientador: Profa. Dra. Rosane Márcia Neumann

Banca: Solange Ferraz de Lima (UNESP), Marlise Regina Meyrer (UPF)

Defesa: 01/04/2015

Resumo: O presente trabalho discute as representações de modernização construídas pelos fotógrafos de ascendência italiana Domingos e Reno Mancuso, tendo como suporte a fotografia. O cenário é a colônia/cidade de Caxias do Sul, na primeira metade do século XX. Trata-se de um conjunto de 190 fotografias que têm como temática central as mudanças e permanências verificadas no centro urbano de Caxias, registrando a sua passagem de sede colonial para urbe moderna. Justifica-se a escolha do tema dado o seu ineditismo e a disponibilidade desse acervo fotográfico. O recorte temporal contempla o período de funcionamento dos ateliês fotográficos mantidos pelos profissionais, quais sejam o Atelier Mancuso e A Casa do Amador, pois Domingos atuou entre 1907 e 1937, e seu filho Reno, de 1937 a 1961. Em relação aos fotógrafos, são considerados aspectos sobre a história de vida de ambos, assim como as características que envolvem os seus processos de trabalho na produção fotográfica. Em termos teórico-metodológicos, trabalha-se a temática a partir das fotografias, seu uso enquanto documento, as questões de modernidade e modernização implicadas, a tensão entre esse espaço colonial, marcado pela italianidade e o seu caráter tradicional, e as inovações, que remodelam o espaço urbano e dão o tom modernizante. Além disso, investiga-se como essa tensão é representada ou ocultada nas fotografias. Procura-se relacionar os pressupostos teóricos referentes à modernização com aqueles ligados à interpretação e à análise de imagens, considerando a relação entre fotografia, memória e História. Do conjunto das fotografias, que encontram-se sob a guarda do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, foram selecionadas e analisadas 75, distribuídas em duas séries, classificadas conforme seu produtor, e analisadas em três eixos temáticos, sendo estes: italianidade – elementos culturais e práticas cotidianas; mudanças no espaço urbano; política e economia. Portanto, a pesquisa permite concluir que os fotógrafos Mancuso constroem narrativas, em imagens fotográficas, sobre a modernização de Caxias do Sul ao longo de mais de cinquenta anos e deixam para a posteridade as suas representações desse processo.

 

246 – Título: “Chics, elegantes e distintas: a moda na Seção Jornal das Famílias da Revista da Semana (1915-1918)”

Autor: Sediana Rizzo

Orientador: Profa. Dra. Marlise Regina Meyrer

Banca: Daniel Luciano Gevehr (FACCAT), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 20/04/2015

Resumo: O trabalho pretende, a partir da análise da seção Jornal das Famílias, veiculada pela Revista da Semana no período de 1915 a 1918, investigar de que modo a distinção social ligada ao gênero feminino é construída e difundida no periódico. O recorte temporal delimitado para esta investigação parte de uma modificação na própria Revista da Semana, que, até o ano de 1914, se autodefinia como sendo de variedades e, em 1915, passou a se identificar como uma revista feminina. O recorte final define-se pelo término da Primeira Guerra Mundial, evento que marcou e influenciou as transformações na moda. No Brasil, o período é marcado pelo advento da Primeira República e pelas reformas urbanas, no contexto da emergência da modernidade, sob inspiração europeia. A análise proposta parte do entendimento de que a moda possui uma função comunicadora, atuando como sistema de signos que informam acerca dos papéis e/ou das identidades assumidas pelos sujeitos no seu estar no mundo. Utilizou-se como principal fonte e objeto de estudo a seção Jornal das Famílias da Revista da Semana. A revista era, na época, uma das mais importantes publicações do gênero, sendo a pioneira na utilização da fotografia para ilustrar suas reportagens e, ainda, o primeiro grande projeto de uma revista em moldes empresariais no Brasil. Para entender de que forma as imagens e os textos, relacionadas à moda no periódico, constroem e reproduzem marcadores de classe e de gênero, orientou-se por Bourdieu (1989), que entende a moda como elemento simbólico de distinção social. Partiu-se do pressuposto de que a moda não inclui apenas o vestuário, mas, igualmente, todos os objetos que se relacionam à composição da aparência, bem como as condutas, os gestos, os valores e os comportamentos, componentes que serão analisados enquanto signos de distinção social e de gênero.

 

247 – Título: “Usina Hidrelétrica Itá: As mudanças socioeconômicas e a ação da esfera pública e privada na região atingida em Santa Catarina – 1990 a 2012”

Autor: Maico Rodrigo Cesco

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Jairo Marchesan (UnC), Marcos Gerhardt (UPF)

Defesa: 24/04/2015

Resumo: A pesquisa demonstra o panorama da idealização, projeção, construção e pós-construção da Usina Hidrelétrica Itá para com a população ribeirinha e remanescente atingida na região sudoeste do município de Concórdia (SC), entre os anos de 2000-2012. O empreendimento considerado paradigmático quanto às lutas sociais na história de hidrelétricas no rio Uruguai, no período pós-construção, provocou diversas modificações nas áreas atingidas, e neste estudo de caso, problematizou-se as noções de perdas simbólicas e as desestruturações das comunidades rurais lindeiras ao lago formado. Identificou-se os personagens históricos que compuseram a região atingida, em sua maioria, por migrantes rio-grandenses que miscigenaram-se com as populações nativas locais, a partir da década de 80, passaram a ser reconhecidos como atingidos por barragem. Este grupo mobilizou-se e organizou-se em reação as forças centrais de poder, os primeiros defenderam os interesses comuns dos moradores atingidos pela UHE-Itá. Além da caracterização étnica regional do atingido por barragem, buscou-se evidenciar os produtos que historicamente construíram as bases econômicas das comunidades estudadas. Realizaram-se breves demonstrativos das dimensões de centro e periferias e a estrutura econômica atual dos municípios que foram atingidos pela área alagada da UHE-Itá. Com diálogos bibliográficos, fontes documentais e pesquisa oral, defrontamos as perspectivas contrárias entre o centro de poder e as periferias, assim, foram evidenciadas relações conflituosas entre os projetos antagônicos: de um lado, as dimensões do movimento dos atingidos por barragens e a formação da própria identidade do atingido por usinas hidrelétricas; de outro, investigamos o discurso ufanista defendido pelo centro de poder sobre a inevitabilidade e progresso trazido pela usina hidrelétrica Itá. Por último, analisou-se como os moradores ribeirinhos atualmente são reconhecidos, tanto por indenizados quanto por remanescentes, como “os verdadeiros atingidos” pela UHE-Itá. Aprofundaram-se os conceitos que contribuem para a formação da identidade o atingido permanente por uma usina hidrelétrica em áreas rurais, e como, o período pós-construção pode não materializar o progresso prometido pelas forças centrais no período de planejar e construir a UHE-Itá nas comunidades ribeirinhas.

 

248 – Título: “As representações do Irã através da Revista Veja (1979-1989)”

Autor: David Anderson Zanoni

Orientador: Prof. Dr. Adriano Comissoli

Banca: Carla Luciana Souza da Silva (UNIOESTE), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 28/04/2015

Resumo: Este trabalho tem o objetivo de analisar a construção da imagem acerca do Irã e suas representações através da imprensa brasileira. Para tanto, escolhemos como objeto de pesquisa a revista Veja do Grupo Abril. Veja noticiou o processo de mudança política iraniana ao final da década de 1970, conhecida como a Revolução Iraniana. Os embates entre diversos segmentos da população iraniana e o governo autocrático de Mohamed Reza Pahlevi (1941-1979) foram acompanhados pelo semanário de forma contínua e extensa. Após um período de intensos choques entre civis e forças armadas iranianas, a revolução decretaria a queda da monarquia autocrática e, posteriormente, a instauração de uma República Teocrática Islâmica, capitaneada, inicialmente, pelo líder religioso e um dos principais mentores da revolução, Aiatolá Ruhollah Khomeini que governou o país na primeira década após o processo de mudança regimental no Irã (1979-1989). Sendo assim, este trabalho procura analisar de que forma se deu a cobertura de tais fatos tendo em vista um conjunto de valores e interesses comerciais da revista. Levando em consideração que o Oriente Médio e a religiosidade islâmica têm sido alvos de estereótipos que associam violência e desordem social, além de ser, por vezes, identificados como ameaças ao Ocidente, observam-se as representações produzidas pela revista ao reportar os eventos ocorridos no Irã no contexto de mudança governamental ao final da década de 1970. Assim, o recorte proposto para este estudo vai do período dito pré-revolucionário iraniano, passando pela primeira década da República Islâmica do Irã (1979-1989), findada com a morte do líder religioso o aiatolá Khomeini. Como categoria de análise será utilizada a Análise de Discurso (AD) na qual observaremos os discursos tanto escritos quanto imagéticos acerca do Irã e seu contexto histórico contemporâneo através das edições da revista Veja. Desta forma, procuramos analisar a história através da imprensa e sua transposição à luz da análise do conteúdo discursivo e imagético periódico semanal, revista Veja.

 

249 – Título: “’Orgulho ferroviário’: a construção da dignificação da profissão ferroviária no Norte do Rio Grande do Sul (1957-1997)”

Autor: Adriana Romero Lopes

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld 

Banca: Edgar Ávila Gandra (UFPel), João Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 30/04/2015

Resumo: A presente pesquisa procura analisar como ocorreu a construção no meio ferroviário do chamado “orgulho” pela profissão ferroviária, dos trabalhadores da Viação Férrea do Rio Grande do Sul e da Rede Ferroviária Federal S/A tomando como foco principal os trechos de Erechim- Gaurama- Viadutos e Marcelino Ramos, trechos pertencentes a linha São Paulo- Rio Grande. Os períodos abarcados procuram identificar tanto o momento em que os trabalhadores ferroviários possuíam certo destaque profissional no cenário nacional (1957-1967), como o declínio e o fim da Rede Ferroviária no Estado (1997). Por meio de análise de entrevistas e documentos, verificaremos como surgiu esse “orgulho” e se realmente ele existia entre os trabalhadores do setor férreo ou se era apenas uma maneira de maquiar o trabalho penoso aos quais muitos indivíduos dedicaram suas vidas. Procuraremos verificar que a formação desse grupo demandou de uma série de acontecimentos para se solidificar. Foram, não apenas atos do início da construção das ferrovias no Estado que formaram e deram propulsão a essa coletividade, mas também fatores políticos-ideológicos, por parte dos governos que passaram pelo poder no período e por parte das empresas (privadas e estatais) que estiveram à frente do comando da ferrovia no Rio Grande do Sul. Outro aspecto que muito veio a influenciar e causar inúmeras mudanças no setor ferroviário foi a estatização (1920), e após a federalização (1959) da malha ferroviária no Estado, que trouxe, num primeiro momento, melhorias para os trabalhadores ferroviários, e após um pleno descaso e sucateamento, que, por fim, levou a privatização da linha férrea, em 1997. Por fim, analisando as memórias dos ferroviários já aposentados, verificaremos o que significou e quais as consequências que o fim da ferrovia trouxe não apenas para os sujeitos envolvidos, mas também, o que o abandono das linhas e estações férreas causou nas cidades onde este deixou de circular.

 

250 – Título: “Um espaço "entre” o urbano e o rural representações visuais de São Leopoldo, Taquara e Novo Hamburgo (1889-1930)”

Autor: Alex Juarez Muller

Orientador: Profa. Dra. Marlise Regina Meyrer

Banca: Rogerio Pereira de Arruda (UFVJM), Rosane Márcia Neumann (UPF)

Defesa: 04/05/2015

Resumo: O trabalho estuda o processo de urbanização das cidades de São Leopoldo, Taquara e Novo Hamburgo, situadas no Vale dos Sinos durante a Primeira República (1889-1930). A delimitação temporal, embora apresente um recorte político, foi escolhida por representar o período em que projetos urbanos pautados pela modernidade europeia se difundem pelo país. O novo status político conquistado pelos imigrantes da região de colonização favoreceu a efetivação de tais projetos a nível local. É também, nesta época, que a produção de fotografias de paisagens urbanas intensificam, tanto ao nível local, quanto nacional. O estudo tem o objetivo de compreender, através das fotografias de paisagens urbanas, as representações construídas por meio da imagem no contexto do enquadramento da vida urbana local aos padrões de modernidade da época. A utilização da fotografia como fonte e objeto de pesquisa possibilita novas abordagens sobre o desenvolvimento urbano, constituindo-se numa narrativa histórico-visual das fotografias públicas do urbano, cujo cruzamento com outras formas narrativas ampliam o entendimento do processo histórico em estudo. Os conceitos de cidade e modernidade são fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa, bem como os aspectos metodológicos e teóricos que envolvem o uso da fotografia como documento histórico. As escolha das fotografias orientou-se em um primeiro momento pela identificação das imagens de paisagens urbanas nos acervos públicos locais e específicos da imigração alemã; em uma segunda etapa, foram selecionados os lugares mais registrados pelos fotógrafos; e, por último, observouse as fotografias repetidas em mais de um acervo indicando reprodução e circulação. O estudo é uma análise comparativa das fotografias de paisagens urbanas das três cidades identificando semelhanças e diferenças entre elas. Buscase também compreender a relação entre o processo de modernização das capitais brasileiras e do mundo com o localizado nas cidades estudadas. Assim, as fotografias urbanas revelam aspectos relacionados à modernidade, enquanto fenômeno mundial e, ao mesmo tempo, às particularidades locais.

 

251 – Título: “Fazendo travestis - Identidades transviadas no jornal Lampião da Esquina (1978-1981)”

Autor: Ronaldo Pires Canabarro

Orientador: Profa. Dra. Marlise Regina Meyrer

Banca: Ana Maria Colling (UFGD), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 18/05/2015

Resumo: Na presente pesquisa, busco identificar nas páginas do jornal Lampião da Esquina (1978-1981) os meandros e os (des)caminhos das construções das identidades travestis. Uso-as no plural, por entender que essas não constituem uma única forma de ser, mas muitas possibilidades de vivências. A análise dos textos-vestígios da imprensa alternativa são vistas dentro de um processo de construção política do gênero, passando pelos discursos e definições sociais do que é ser homem e do que é ser mulher e das outras possibilidades não heteronormativas. Reflito sobre essa proposta do gênero, mas também o corpo que apresenta (constrói) esse gênero, enquanto dispositivo histórico e de poder – além disso, a análise observa o uso da performance e da tecnologia. O jornal Lampião da Esquina surgiu com o intuito de afirmação (e construção) da identidade homossexual e uma proposta de fazer “sair do gueto”. No entanto, meu olhar de pesquisa fixou-se somente sobre as construções discursivas da imagem de travestis, muito embora, nesse periódico, travestis encontravam-se no grande grupo identitário de “homossexuais”. O estudo compreende os anos de 1978 a 1981 e traz aspectos que colaboram para ampliar o entendimento de como as identidades de lésbicas, gueis/gays, bissexuais, travestis e transexuais foram se afirmando e se constituindo enquanto força política no Brasil. Meu estudo propõe uma reflexão acerca do gênero sócio-gramatical a que se referem os autores do jornal sobre travestis, percebendo como o uso comum dos condicionantes gramaticais antecedentes masculinos ou femininos contribuíram para afirmação/criação das identidades travestis. Incluo ainda uma análise de como essa identidade transviada circula entre o fazer e o ser travesti, e o seu possível translugar de existência. Assim, é possível perceber alguns dos elementos com os quais, em contato com os mais variados discursos de poder, essas pessoas transviadas negociam sua (in)existência e se (des)afirmam enquanto sujeitos de fato e de direito.

 

252 – Título: “A internacionalização da agricultura brasileira na transição entre o século XX e XXI”

Autor: Tiago Dalla Corte

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Edson Talamini (UFRGS), Jucemar Zilli (UPF)

Defesa: 29/05/2015

Resumo: O presente estudo busca aplicar os aportes teórico-conceituais da história regional para discutir o processo de internacionalização da agricultura brasileira. Aborda-se, inicialmente, a discussão sobre a natureza de região, a sua relação com a totalidade e a definição das fontes históricas necessárias para a pesquisa. Partindo dos vieses dos significados possíveis para a construção de uma definição para a região estudada, a pesquisa conduzida centra-se na problemática da História Regional, destacando a necessidade de inserção da discussão sobre a dimensão conceitual da questão da globalização. Assim, abordou-se, do ponto de vista histórico, os pressupostos relativos à questão da internacionalização da agricultura brasileira no transcurso do século XX para o XXI em uma dimensão macro. A partir de então, investigou-se os fatores determinantes para o processo de internacionalização da agricultura brasileira face ao período de transição de conjunturas ocorrida na década de 1990. É através da relevância do movimento de internacionalização da agricultura, a partir do qual o setor passou a se caracterizar como um dos mais dinâmicos da economia brasileira, que se justifica o estudo. Em sua análise, levantam-se alguns questionamentos sobre o ambiente econômico brasileiro e o impacto das suas reformas sobre o setor, bem como sobre a influência da aceleração do processo de globalização sobre o processo de internacionalização. Nessa busca, realiza-se o estudo através do diálogo com uma série de dados estatísticos, embasados por referencial adequado, visando delinear o cenário econômico vigente durante o período do processo de internacionalização e precisar a temporalidade dos rompimentos conjunturais. Ainda, a importância do presente estudo consiste na análise e na confrontação de fontes históricas conforme as convenções da História Regional. Procura-se, assim, identificar o fator determinante, ou seja, o elemento fundamental para a consolidação do referido processo, apresentando-se a elevação dos preços internacionais e, consequentemente, dos preços finais ao produtor como o fator determinante para a internacionalização da agricultura brasileira. Porém, deve-se observar que o resultado afirmativo para o cenário onde o crescimento e a sustentação da produção agrícola no Brasil foi, simplesmente, uma resposta aos preços reagentes devido às consideráveis mudanças da demanda mundial por produtos derivados da soja, não representa uma simplificação da cadeia de eventos no setor. Dessa forma, a pesquisa apresenta reflexões sobre as categorias fundamentais para a compreensão dos processos históricos no âmbito regional, permitindo isolar com clareza as oscilações e variações do processo, revestindo com maior segurança as conclusões alcançadas.

 

253 – Título: “O Barão do Rio Branco na revista ilustrada O Malho (1902-1912)”

Autor: Sophia Franciele Martins Binelo Santana

Orientador: Profa. Dra. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Gerson Luis Trombetta (UPF), Helder Volmar Gordim Da Silveira (PUCRS)

Defesa: 08/06/2015

Resumo: No dia 03 de dezembro de 1902, assumia o Ministério das Relações Exteriores do Brasil José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco. Reconhecido por diplomatas e historiadores como um dos mais importantes personagens políticos brasileiros, Rio Branco ocupou-se durante a sua gestão principalmente com temas relacionados com a delimitação das fronteiras nacionais, a consolidação do processo de americanização e a busca do Brasil pela hegemonia regional na América do Sul. Pouco tempo antes da posse de Rio Branco, em 20 de setembro de 1902, surgia na cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal do Brasil, a Revista Ilustrada O Malho. Considerada como uma das mais importantes revistas brasileiras, O Malho sobreviveu por mais de meio século, ocupando-se, principalmente, em representar através da caricatura a vida política do país. Declaradamente patriota, O Malho encontrou em Rio Branco o personagem propício para representar as ideias de pátria no momento em que se buscava construir uma imagem de nação brasileira no imaginário coletivo. Sendo o território, naquele momento, base primordial para a construção de um sentido de unidade nacional, o trabalho de Rio Branco ao consolidar as fronteiras nacionais, ao tempo que agia através do americanismo no sentido de garantir a soberania e projetar o Brasil no cenário internacional, serviu de suporte aos propósitos civilizadores e modernizadores da revista. De todos os personagens que ocuparam os caricaturistas de O Malho, certamente Rio Branco foi um dos que mais recebeu destaque. Viabilizada pelo mesmo momento histórico, O Malho acompanhou Rio Branco durante toda a sua trajetória política no Ministério das Relações Exteriores, até sua morte em 10 de fevereiro de 1912. Diante desse contexto, o objetivo deste trabalho consiste em analisar de que forma o Barão do Rio Branco foi representado na caricatura enquanto Ministro das Relações Exteriores do Brasil pela revista ilustrada O Malho.

 

254 – Título: “Planejamento Urbano e Patrimônio Histórico: memória sociocultural de Passo Fundo (1950-2014)”

Autor: Mariana Mattei Santos

Orientador: Profa. Dra. Janaina Rigo Santin

Banca: Ironita Adenir Policarpo Machado (UPF), Luiz Gonzaga Silva Adolfo (Unisc)

Defesa: 12/06/2015

Resumo: Nas últimas décadas, as discussões em torno da preservação do patrimônio histórico no país vêm despertando interesse em um número maior de pessoas, abrangendo diferentes grupos sociais. Assistiu-se, por muito tempo, a destruição e a degradação paulatina de edificações e monumentos importantes para a construção da História da sociedade e, apesar de ter havido uma tímida diminuição dessas ações após os anos 1990, a demolição ainda é a escolha tomada frente à preservação. Essas discussões acabam levantando vários questionamentos, tendo em vista que, especialmente em cidades de interior, como o município de Passo Fundo, boa parte do seu patrimônio cultural é de propriedade privada. Nesse sentido, fica difícil proferir o discurso do tombamento sem que haja uma legislação clara e específica, capaz de dar garantias tanto para a preservação de bens públicos e privados quanto para os proprietários, em relação ao seu direito à propriedade. A sociedade como um todo quer sair beneficiada. Em vista disso, este trabalho visa elucidar os dispositivos legais que estão sendo formulados e utilizados para a preservação do patrimônio histórico e cultural, bem como a relação e a importância que o plano diretor do município tem para garantir a proteção desses bens. Em um primeiro momento, faz-se uma reflexão partindo da antiguidade para os dias atuais conceituando as temáticas propostas: plano diretor, urbanismo, direito urbanístico e patrimônio. Em seguida, traça-se um panorama dessas questões que incidem no município de Passo Fundo, evidenciando a forma como ocorreu a evolução da temática da urbanização e o interesse pela preservação da história por meio do patrimônio neste município. Para finalizar, foi exposta a situação do patrimônio na cidade, abordando tombamento e inventário, a relação da sociedade com essas questões e os instrumentos que possibilitam o estreitamento deste relacionamento como a educação patrimonial e o poder local. O período delimitado para este trabalho inicia-se em 1950, por ocasião das discussões acerca do primeiro Plano Diretor da cidade de Passo Fundo, aprovado em 1957, e vai até o ano de 2014, no qual se observam ações atualizadas relacionadas ao tema.

 

255 – Título: “O Gaúcho Ladrão: Abigeato no Rio Grande do Sul no Século XIX”

Autor: Tiago Ricardo Conci

Orientador: Prof. Dr. Mario Jose Maestri Filho

Banca: Adelmir Fiabani (UFFS), Marcos Gerhardt (UPF)

Defesa: 12/06/2015

Resumo: Este trabalho tem como objetivo principal abordar de forma crítica o abigeato, ou seja, o roubo de gado no campo, na província do Rio Grande do Sul, durante o século XIX. Para isso, revisitamos os escritos dos viajantes que estiveram na região sul do continente nesse período, os quais puderam relatar em trabalhos publicados o que presenciaram nos campos, estâncias e vilarejos onde estiveram, analisando sob diferentes pontos de vista a rotina e os modos de vida das pessoas que encontravam pelo caminho, sempre imprimindo uma visão particular sobre as coisas exóticas que presenciavam nestas terras. Tratamos aqui, de reconstruir os passos da formação historiográfica do Rio Grande do Sul, de maneira a vasculhar os elementos que permeiam o imaginário a cerca do gaúcho e dos demais grupos que iniciaram o povoamento dessa região do Brasil. Somaram-se às análises, além da bibliografia dos últimos dois séculos, os processos-crime, encontrados no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul que tratam exclusivamente do crime de roubo de gado, às vezes com agravantes, na região de Porto Alegre. Sendo que a região pesquisada teve sua importância econômica baseada na exploração de gado bovino, primeiramente pela utilidade e comércio dos couros, depois, aprofundado pelo beneficiamento das carnes com a indústria do charque, analisaremos como ocorriam os processos pelo crime de abigeato, averiguando quem eram os réus, e quem eram os denunciantes, ou as vítimas. Veremos o que diziam as testemunhas e quais argumentos utilizados para culpar ou inocentar os ladrões de gado no Rio Grande do Sul. Essa pesquisa teve foco no período imediatamente anterior à Guerra Farroupilha (1828-1845) e, principalmente, no período da já deflagrada revolta (1835-1845), com a apreciação de casos omissos à historiografia tradicional. O presente trabalho não pretende esgotar a questão do abigeato no RS, mas tem a intenção de demonstrar como ocorriam as relações no mundo pastoril, desvendando alguns mitos que recobrem a figura do gaúcho contemporâneo.

 

257 – Título: “Representações do Irã através das narrativas sequenciais Persépolis e o Paraíso de Zahra (1979-2009)”

Autor: Camila Guidolin

Orientador: Profa. Dra. Gizele Zanotto

Banca: Silvana Seabra Hooper (Mackenzie), Marlise Regina Meyrer (UPF)

Defesa: 16/06/2015

Resumo: As obras Persépolis (2007), de Marjane Satrapi e O Paraíso de Zahra (2009), de Amir e Kalil valeram-se do gênero literário narrativa sequencial como suporte na construção de um discurso sobre a história do Irã contemporâneo desde fins da década de 1970 até o ano de 2009. Através da análise dessas obras, percorremos os eventos desse ínterim, a fim de evidenciar seus aspectos narrativos, discursivos e imagéticos, os quais foram promotores de uma representação sobre as transformações no cotidiano do Irã nesse período. Ambas as obras apresentam interpretações sobre esses momentos e permitem identificar a construção e desconstrução de expressões e memórias, individuais e coletivas, em meio aos processos de transformação política, social e cultural ocorridas no país. Para tanto, analisa-se os primórdios de conformação da sociedade iraniana, destacando a relevância de algumas lideranças que congregaram em torno de si elementos para uma representação política, religiosa e militar em uma sociedade cuja valorização dos sistemas de governo pautados na corporificação divina, ainda é evidente. Nesse percurso, salienta-se a figura do Aiatolá Ruhollah Khomeini como líder da revolução iraniana e mentor de um novo projeto de nação pautado em uma interpretação particular do Corão. Acompanhando o conteúdo presente nas páginas das narrativas em estudo, esmiúça-se a construção da República Islâmica do Irã sob a égide do modelo teocrático consolidado diante desta matriz referencial Khomeinista, inaugurada a partir do seu retorno do exílio e legitimada no contexto pós-revolução. Atenta-se também para os temas em destaque nas narrativas, cuja abordagem destacou as diversas formas de tortura da consciência através do corpo. Partindo dos conceitos de imagem, memória e narrativa, evidencia-se a construção de um “discurso fundador” e a sua conformação como diretriz predominante na atual postura adotada pelo governo iraniano, cujo projeto de nação construído no decorrer do processo revolucionário, consolidou-se por meio de práticas repressivas e sob forte contestação popular.

 

258 – Título: “Arte e história na série O Cassino da Maroca de Ruth Schneider”

Autor: Aline Do Carmo

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luis Trombetta

Banca: Lurdi Blauth (Feevale), Jacqueline Ahlert (UPF)

Defesa: 19/06/2015

Resumo: O presente estudo realiza uma pesquisa híbrida, com elementos de aspecto histórico, biográfico, artístico e social, sobre o tema representado em quatro obras da série O Cassino da Maroca, produção artística da pintora Ruth Schneider. Para isso foi estudado os personagens e os cenários representados nas telas, a partir dos arquivos particulares da artista, procurando fazer uma interlocução com as histórias desse local e seus personagens como, igualmente com seus aspectos sociais e culturais deste notório cabaré na Passo Fundo das décadas de 40 e 50. Entretanto, ao transcrever os manuscritos de Ruth Schneider para este trabalho, foi verificado, que na produção da artista, havia muito mais do que apenas a representação de suas memórias infantis, verificou-se, também, um emaranhado de informações pessoais (casamento e maternidade), históricas (cabaré e sociedade) e sociais (prostituição na sociedade da época). Aspectos que geram sentido nas histórias que irrompem desses quadros. Ruth Schneider, pintora, gravadora, desenhista, autodidata, foi uma artista que sempre optou por traçar caminhos plurais e experimentar diversas linguagens e suportes. Pela sua postura libertária, a pesquisa encontra na série de pinturas O Cassino da Maroca, o fio condutor que atravessa a multiplicidade de personagens e suas histórias. Reconhecendo a pintora como filiada à concepção romântica, de que o artista não dissocia sua arte de sua própria vida, o trabalho recorre a correntes teóricas voltadas às relações existentes entre a biografia e o fazer artístico, percebendo a influência de elementos aparentemente extrínsecos – sobretudo a história e a sociedade – como constituintes e geradores de sentido do produto artístico. Na análise das obras de Ruth Schneider, encontram-se características de uma poética de ruptura que a vinculam organicamente a suas vivências da infância em Passo Fundo. Da mesma forma a força com que expressa essas histórias deixam explícito o aspecto crítico social da sua arte.

 

259 – Título: “Arquitetura, etnicidade e patrimônio: as construções da imigração italiana na Rota Caminhos de Pedra no Rio Grande do Sul”

Autor: Claudine Machado Badalotti

Orientador: Prof. Dr. Joao Carlos Tedesco

Banca: Adriana Marques Rossetto (UFSC), Marlise Regina Meyrer (UPF)

Defesa: 22/06/2015

Resumo: Uma cidade, sem sua história, sem as memórias dos pioneiros na sua formação, sem lendas ou mitos não é, de fato, uma cidade, falta-lhe uma identidade, uma ligação com os antepassados. A evolução histórica de qualquer aglomerado urbano se reflete principalmente em suas construções, novas ou antigas, que permeiam o tecido urbano ao longo do tempo, guardam recordações e encantam por suas formas monumentais ou pela beleza de suas linhas, simples, mas plenas de significados. É assim que esta pesquisa procura retratar a história da cidade, do seu povo e de suas construções: não apenas através da arquitetura erudita, mas das mais puras e singelas construções, como a casa de porta e janela do cidadão comum, da arquitetura vernacular, anônima e sem prestígio. Tem-se como objetivo, aqui, analisar a experiência de preservação arquitetônica das construções da rota turística Caminhos de Pedra, em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, não apenas quanto a seu valor como obra, mas buscando também perceber os processos construtivos tradicionais utilizados, a característica dos ambientes construídos em correlação com dinâmicas modernas de vida social e econômica, assim como seu caráter mercantil, passando também pelo cenário urbano de Antônio Prado e suas residências tombadas, pois se acredita aqui que somente com a compreensão de experiências construtivas antigas é possível fazer o novo. Destacamos, sobretudo, o processo de construção da memória dentro da rota turística, evidenciado pela criação desses lugares de memória e pela valorização da edificação como herança do passado. Nesse sentido, o espaço urbano constitui testemunho material dentro de um valor simbólico capaz de despertar sentimentos de afetividade nos habitantes da comunidade, somando-se ao imaginário popular que se encontra presente na história oficial, que pode ser comprovada através de fontes documentais, mas também na história não oficial, aquela referente à memória coletiva de um povo, passada de geração para geração nas rodas de conversa, nos encontros entre amigos, na igreja e dentro do convívio familiar. O espaço da casa passa a ser visto não apenas como um espaço físico, mas também como um conjunto de experiências de uma determinada sociedade, é parte da vida, das memórias e dos afetos, com todas as suas expectativas e frustações. A morada é a história construída, o espaço de intimidade, de convívio familiar, onde é possível conhecer a cultura e o modo de habitar de cada época.

 

260 – Título: “Moda e Sociedade: representações da estética e das indumentárias na Revista Kodak (1912-1915)”

Autor: Daniele Deise Antunes Silveira

Orientador: Profa. Dra. Marlise Regina Meyrer

Banca: Ivana Guilherme Simili (UEM), Jacqueline Ahlert (UPF)

Defesa: 02/09/2015

Resumo: Partindo do entendimento de que a moda é uma mídia que expressa e atribui significados a períodos, regiões e culturas, este trabalho tem por objetivo estudar a moda veiculada na revista Kodak, no período de 1912 a 1915, mediante a análise de imagens e textos, a fim de identificar de que forma as transformações sociais do final do século XIX e início do século XX articulam-se à construção de aparências específicas, reforçadas e difundidas na revista. O período é marcado, no Brasil, pelo ingresso dos valores da chamada modernidade europeia em todos os setores da sociedade, sendo que na moda é visível as influências tanto da Belle Époque parisiense quanto das transformações advindas, especialmente, das tensões anteriores à Primeira Guerra Mundial. A configuração de novos hábitos urbanos, desenvolvidos a partir das reestruturações das capitais, inspiradas, especialmente em Paris, contribuiu para que a imprensa se desenvolvesse, adotando outros formatos, e atingindo novos leitores, em conformidade com as ideias do mundo moderno. Nesse sentido, em Porto Alegre - RS, a revista ilustrada de variedades Kodak, destacou-se como uma publicação que contribuiu para o remodelamento dos padrões sociais existentes, informando acerca das novidades e, muitas vezes, construindo um discurso civilizador. O estudo tem como principal objeto de análise as fotografias impressas na revista, entretanto utiliza-se também dos artigos e publicidade que, de alguma forma, remetem a temática da moda. Para a realização da análise, as fotografias foram divididas em duas categorias principais: fotografias de estúdio e fotografias de rua, subdivididas em moda masculina e moda feminina. Essa divisão nos permite a identificação de uma realidade explicitamente construída através dos cenários e composições produzidas no estúdios e, uma outra, que embora também construída, permite uma maior aproximação com a experiência vivida, a partir de alguns atributos implícitos observados nas imagens, em geral, definidas como "flagrantes". A análise revelou, no aspecto geral, uma indumentária permeada por elementos oriundos da colonização portuguesa, outros relacionados ao desenvolvimento decorrente da revolução tecno-científica do período, assim como a adoção de valores ligados à modernidade europeia. No que se refere as diferenças entre a vestimenta feminina e masculina, observou-se a adoção de modelos franceses para as mulheres e de ingleses para os homens, ambos refletidos, especialmente, nas fotografias de estúdio, enquanto que aquelas que tiveram como cenário a rua, apresentaram maiores mudanças com relação aos referenciais europeus.

 

261 – Título: “Ouro branco”: o porco e a banha em Ijuí (1890-1950)”

Autor: Paulo Rogerio Friedrichs Adam

Orientador: Profa. Dra. Rosane Marcia Neumann

Banca: Marcos Antonio Witt (Unisinos), Joao Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 15/12/2015

Resumo: O estudo analisa a importância da criação de porcos e produção de banha no contexto da formação e desenvolvimento da Colônia e depois município de Ijuí, localizado na região noroeste colonial do Rio Grande do Sul, no período de 1890 a 1950. Analisa a formação da Colônia Ijuhy por meio da sua composição étnica, o crescimento demográfico e o desenvolvimento social e econômico. Procura identificar os aspectos sociais e políticos relacionados a evolução do negócio da banha, explicando o papel dos colonos, dos comerciantes, das refinarias de banha, dos frigoríficos e do Sindicato da Banha, buscando explicar as principais transformações no cenário da produção colonial no período de 1890 a 1950. Discute os principais elementos envolvidos na formatação do preço da banha, os conflitos sociais e políticos envoltos na questão e o papel da exportação da banha para outros mercados, inclusive internacionais. Faz ainda a análise do processo da crise da banha nos anos 30, suas consequências sobre a formação social da região colonial, aliado ao entendimento das suas implicações políticas em Ijuí, no episódio conhecido como a ‘eleição da banha’. Por fim, procura explicar a organização dos colonos frente aos problemas do mercado da banha, principalmente por meio da organização da União Colonial, e a formação de cooperativas de colonos como forma do segmento escapar do processo de espoliação advindo da política de preços implementada pelo Sindicato da Banha. Descrevendo a trajetória histórica da Cooperativa Agrária do Cadeado (Ijuí) e da Cooperativa Sul Riograndense da Banha de Cruz Alta, busca compreender os desafios e problemas havidos na implementação dessas organizações. A metodologia compreendeu principalmente a pesquisa em fontes documentais escritas, iconográficas e orais depositadas no Museu Antropológico Diretor Pestana – MADP, de Ijuí/RS, e no Museu e Arquivo Histórico Prof. Hermann Wegermann – MAHP, de Panambi/RS, dentre outras fontes. O estudo aponta para a clara assimetria social e econômica evidenciada na trajetória dos sujeitos sociais, no qual os colonos foram os produtores de porcos e banha e vivenciaram as agruras da crise econômica e social ocasionada pelos baixos preços do produto, enquanto que o segmentos dos comerciantes e refinadores de banha do Rio Grande do Sul articulavam-se na organização do empreendimento econômico de produção e comercialização da banha, realizando uma importante acumulação de capital no processo. Enfim, tudo isso permite categorizar o estudo como uma história social da banha.

 

262 – Título: “A judicialização do conflito territorial na Reserva Indígena de Serrinha/RS (1997-2007)”

Autor: Karina Roberta Arenhart

Orientador: Profa. Dra. Janaina Rigo Santin

Banca: Gisela Maria Bester (UFPR), Joao Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 02/03/2016

Resumo: O presente estudo analisa o processo histórico d a luta dos indígenas caingangues para retomar as terras de Serrinha, tendo como problemática averiguar a efetividade do processo judicial nº 97.1201417-7 que tramitou na 1ª Vara Federal de Passo Fundo-RS, nos anos de 1997 a 2007, cujo objetivo era a demarcação de terras indígenas de Serrinha. Desse modo, a pesquisa questiona se é possível solucionar pela via do Poder Judiciário um conflito histórico, que envolve direitos, cultura, identidades de indígenas e colonos. O marco temporal do estudo abrange desde o ano de 1941 em que começa de forma mais intensa a intrusão de colonos e o processo expropriatório das terras indígenas de Serrinha até o ano de 1998 após o ingresso da Ação Civil Pública pelo Ministério Público Federal como forma de efetuar a devolução das terras de Serrinha aos índios caingangues. Quanto à metodologia utilizada, a base do estudo foi construída a partir de uma pesquisa qualitativa, que consiste no aprofundamento e análise de determinado fato social, que no caso em tela é o conflito da disputa de terras na reserva de Serrinha. As fontes de pesquisa, entendidas como os diferentes materiais, instrumentos para auxiliarem no desenvolvimento do problema de estudo, foram as entrevistas, o processo judicial, o processo administrativo de demarcação da Serrinha. Além disso, utilizou-se as fontes de imprensa como as notícias de jornais e artigos de revista sobre o assunto em estudo. Em um primeiro momento, o estudo aborda os fatos históricos que explicam o processo de expropriação da terra indígena de Serrinha pelos governos do Rio Grande do Sul, a partir da década de 1940 até a completa extinção de Serrinha em meados de 1960. Posteriormente, analisa-se os principais fatores históricos, sociais e jurídicos que dão ensejo para a luta de retomada da terra indígena de Serrinha. Por último, analisa-se a legislação indigenista ao longo dos anos e o processo judicial ajuizado pelo Ministério Público Federal de Passo Fundo-RS, enquanto instrumento utilizado para assegurar a aplicação das disposições constitucionais no tocante à tutela dos direitos dos indígenas e garantir aos caingangues a efetividade do processo de retomada da área de Serrinha. Em suma, verificou-se que o processo judicial colaborou para que se iniciasse o processo de indenização das benfeitorias pela Fundação Nacional do índio na área da terra indígena de Serrinha, bem como o Estado do Rio Grande do Sul passou a reassentar os agricultores em outros locais e/ou indenizá-los. Entretanto, constatou-se que o processo de pagamento das indenizações é moroso e depende de recursos disponíveis nos cofres públicos. Assim, ainda existem agricultores que aguardam pelo pagamento de indenizações, fato este que gera conflitos e torna o ambiente tenso em face de existir interesses antagônicos na reserva de Serrinha.

 

263 – Título: “O triste fim de Anton Kliemann”: a campanha de nacionalização e seus desdobramentos no oeste de Santa Catarina”

Autor: Leandro Mayer

Orientador: Profa. Dra. Rosane Marcia Neumann

Banca: Rene Ernaini Gertz (PUCRS), Joao Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 21/03/2016

Resumo: O propósito deste estudo é investigar a repressão decorrente da Campanha de Nacionalização em Itapiranga - lugar banal, situado no extremo oeste de Santa Catarina - durante o Estado Novo (1937-1945), usando como fio condutor, o personagem Antônio Kliemann, um excepcional normal preso em 1942, acusado de crime contra a segurança nacional. Com a implantação do Estado Novo, Itapiranga passou a figurar como “quisto étnico” aos olhos do regime ditatorial varguista em virtude de sua formação étnica homogênea, visto que a colônia recebeu exclusivamente (i) migrantes teuto-católicos a partir de 1926. Para o governo, a zona deveria ser nacionalizada. Em paralelo, o Estado montou “um aparelho de repressão” através da Brigada do Rio Grande do Sul, com perseguições étnicas e políticas justificadas pelo discurso da “construção da brasilidade” e da “nacionalização do estrangeiro”. Neste cenário, Antônio Kliemann, um ex-chefe integralista, foi acusado de contrabando de armas e preso, sendo que sua prisão foi documentada pelo Processo Crime 3.666 do Tribunal de Segurança Nacional, que fornece elementos detalhados em torno dos atos repressivos cometidos por agentes do Estado em cumprimento à lei. Preso, Kliemann foi torturado pelos agentes policiais e em consequência dos danos sofridos, passou a apresentar problemas mentais. Foi absolvido em 1943 pelo Tribunal Pleno do Tribunal de Segurança Nacional. Diagnosticado com esquizofrenia, não conseguiu mais retomar a vida normal em sociedade e em família, e em 1952, suicidou-se. Um triste fim! Durante décadas, a memória oral mantém viva sua história, como uma lenda, e, em 1999, uma ação de reparação moral e material foi impetrada no poder judiciário pela família de Kliemann. Julgada procedente em 2010 pelo Supremo Tribunal Federal, a ação é um precedente jurisprudencial em se tratando do Estado Novo. Em 2004, Antônio Kliemann foi reconhecido como anistiado político post-mortem pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Tudo isso ocorreu em Itapiranga, lugar onde aparentemente nada aconteceu! Em termos teórico-metodológicos, trabalha-se na perspectiva da micro-história e da análise exaustiva dos dois processos-crimes, fontes centrais do estudo.

 

264 – Título: “Mato Grosso: As Razões de um Desastre - Defesa imperial e ocupação paraguaia na fronteira oeste do Brasil durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870”

Autor: Orlando De Miranda Filho

Orientador: Prof. Dr. Mario Jose Maestri Filho

Banca: Paulo Marcos Esselin (UFMS), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 31/03/2016

Resumo: Durante o século 19, uma longa série de disputas internacionais fomentaram tensões na bacia do Prata, deflagrando múltiplos conflitos entre os Estados Nacionais em formação. Dentre as divergências mais recorrentes, estavam tratados de navegação fluvial; reivindicações territoriais; modelos distintos de governo; pretensões hegemônicas e luta por soberania político-econômica dos governos platinos. Nossa pesquisa concentrou-se no estudo sobre as origens da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), mais especificamente sobre a ocupação paraguaiano oeste imperial. Localizada em uma zona de fronteira, a província do Mato Grosso abrigava áreas litigiosas desde a era colonial. Morada de diversos grupos nativos, o Pantanal recebeu forte afluxo colonizador quando a bandeira de Pascoal Moreira Cabral encontrou pepitas de ouro às margens do rio Coxipó-Mirim, em 1719. Essa descoberta motivou a coroa portuguesa criar a capitania do Mato Grosso, em 1748, dando origem a reiterados questionamentos acerca dos limites da fronteira local. Os luso-brasileiros, sob protestos dos espanhóis (no período colonial) e dos paraguaios (após a independência de 1811), buscaram controlar aquela vasta área banhada por rios, que, integrados a bacia fluvial platina, garantiriam importantes vias comerciais e de comunicação com o Cone Sul e o restante do Brasil. Em 1864, às vésperas da Guerra da Tríplice Aliança, os paraguaios julgavam-se os legítimos proprietários de uma faixa de terra entre os rios Apa e Branco, ao sul da província mato-grossense, assenhorada durante a expansão mineradora do século 18, o que gerava questionamentos aos imperiais sobre a falta de tratados que resolvessem esse litígio. Mas o cenário era muito mais amplo. Em dezembro de 1864, quando Francisco Solano López, presidente paraguaio, ordenou a invasão do sul-mato-grossense, existia uma complexa arquitetura política internacional. A disputa territorial foi parte das origens da guerra, mas não pode ser pensada como uma simples pretensa expansão do Paraguai, ou reproduziremos explicações insuficientes da historiografia nacional-patriótica brasileira. Analisamos o papel da política agressiva do Império no Uruguai; as decisões do governo argentino de Bartolomé Mitre; os conflitos internos no Uruguai e as preocupações paraguaias referentes à sua condição periférica nas relações regionais, estabelecendo conexões que elucidam as razões do devastador conflito. A província de Mato Grosso, apesar de esperar a guerra, não estava preparada para enfrenta-la. Com uma população rarefeita e um alto oficialato pouco disposto a lutar, a fuga foi a tônica no enfrentamento aos paraguaios. Os resultados das rápidas vitórias das tropas lopistas durante a ocupação, bem como das sistemáticas defecções imperiais não destoaram das insuficientes ações empreendidas pelas lideranças políticas e militares em Mato Grosso.

 

265 – Título: “Palmares no Cepo da História História e Historiografia da Confederação dos Quilombos dos Palmares (1644-1984)”

Autor: Adriano Viaro Da Silva

Orientador: Prof. Dr. Mario Jose Maestri Filho

Banca: Flavio Dos Santos Gomes (UFRJ), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 01/04/2016

Resumo: O objetivo deste estudo é analisar a produção historiográfica e revisar a bibliografia sobre os quilombos dos Palmares nos diversos períodos de nossa história, visando um maior entendimento sobre as formas em que os quilombos da Serra do Barriga foram representados em nossa historiografia. O trabalho utiliza como procedimento o levantamento bibliográfico e biográfico de cada autor, bem como seus envolvimentos no contexto histórico em que suas obras foram produzidas, confrontando as principais produções historiográficas, de cada período, para a obtenção de uma síntese analítica, ainda que exploratória. A divisão cronológica em capítulos utilizou-se de marcos históricos já consagrados pela historiografia oficial, como os períodos do Brasil Colonial, Imperial e Republicano, além de capítulo especial para a obra de Décio Freitas. No primeiro capítulo foram analisadas as fontes primárias de origem holandesa e os primeiros relatos de viagens e expedições aos Palmares, holandesas, lusitanas e luso-brasileiras. No segundo capítulo, analisou-se as sete obras mais influentes do período, bem como os artigos dos Institutos Históricos e Geográficos, além dos manuais didáticos do Colégio Pedro II, importante colégio formador da chamada elite brasileira da época. O terceiro capítulo, composto pelo maior número e maior densidade de estudos historiográficos, recebeu análises mais longas e detalhadas, com destaque para a produção marxista do período. O quarto capítulo constitui-se de ampla análise da obra Palmares: a guerra dos escravos, de Décio Freitas, que entendemos como a mais paradigmática até os dias atuais, nas suas contradições. Devido a esse nosso entendimento, analisou-se a obra de Décio com cruzamentos entre as suas cinco edições brasileiras, bem como a descrição das características e alterações de cada uma das edições. Como resultado deste estudo, procurou-se um maior entendimento dos diferentes objetivos e das mais distintas abordagens de cada período, destacando as alterações de representação e destaque, sofridas pela historiografia dos Palmares ao longo da história do Brasil, até o ano de 1984, onde finalizamos a análise.

 

266 – Título: “Família e Patrimônio no sul do Brasil do século XIX: as transmissões de propriedades através das alianças familiares nos testamentos e inventários post-mortem”

Autor: Andrea Pagno Pegoraro

Orientador: Prof. Dr. Adriano Comissoli

Banca: Luis Augusto Ebling Farinatti (UFSM), Ironita Adenir Policarpo Machado (UPF)

Defesa: 04/04/2016

Resumo: O presente trabalho tem como finalidade compreender as transmissões de grandes propriedades no sul do Brasil durante o século XIX e os conflitos decorrentes das disputas de posses nas famílias latifundiárias. Temos como objeto de estudo três famílias pertencentes aos Campos de Cima da Serra e Planalto Catarinense. Nosso objetivo principal é analisar os modos como se desenrolavam as partilhas de heranças e se as transmissões patrimoniais estariam sujeitas a conflitos envolvendo títulos de propriedades e posses de terras. Evidenciamos as estruturas e organizações familiares e buscamos entender quais as estratégias desenvolvidas no interior dos grupos parentais para preservar seus patrimônios, onde estavam concentradas as riquezas desses estancieiros e qual a importância das atividades pecuaristas para as suas fazendas. Demonstramos que a maior parte da fortuna dos fazendeiros não se referia às terras que possuíam, mas à estrutura produtiva nelas existente. Destacamos a importância do gado para as fazendas do período, aliado ao trabalho escravo e à correta administração das propriedades. Nossos estudos indicaram que a manutenção de boas relações familiares entre os membros dos grupos parentais auxiliava no processo de cuidados com os patrimônios quando eram inventariados. Assim, quando as famílias se mantinham unidas diante de relações amistosas de cooperação pelo bem comum havia maiores possibilidades de que a herança não sofresse perdas desastrosas no momento da partilha. No entanto, as rivalidades entre herdeiros, assim como seus desentendimentos e disputas por propriedades, poderiam resultar em defasagens significativas do patrimônio inventariado. Desse modo, os legatários que optavam por partilhas amigáveis enfrentavam menos riscos de terem suas heranças prejudicadas. Constatamos que, na época, as leis vigentes que determinavam a partilha de heranças eram as Ordenações Filipinas, as quais garantiam a todos os herdeiros igualdade diante da divisão de bens, não fazendo distinção alguma de idade dos filhos, nem de gênero. A partilha realizava-se considerando-se cabeça de casal o cônjuge sobrevivente, em nosso caso as viúvas. Quando elas não pudessem assumir a administração dos bens, era designado um curador. De todo modo, cabia à viúva metade de toda fortuna deixada pelo falecimento de seu marido pela meação que lhe correspondia, sendo que o restante seria dividido de maneira igual entre os filhos do casal e, no caso de algum deles já haver falecido, o quinhão do herdeiro competiria aos netos. Nosso recorte regional abrange os atuais municípios de Vacaria-RS, Lages-SC e São José dos Ausentes-RS, onde evidenciamos as formas de transmissões de patrimônio referentes às famílias de José Joaquim Ferreira, Antônio Manoel Velho e Laureano José Ramos. Nossas fontes documentais baseiam-se principalmente em testamentos e inventários post-mortem, mas também analisamos processos-crimes e autos de medições de propriedades. Este trabalho foi desenvolvido dentro da perspectiva de um estudo regional que nos possibilita entender um pouco mais sobre a elite latifundiária do sul do Brasil no século XIX e o modo como ela se organizava em suas estruturas familiares e econômicas.

 

267 – Título: “A função social da propriedade da terra no processo de desapropriação da Fazenda Annoni (1972-1993)”

Autor: Simone Lopes Dickel

Orientador: Profa. Dra. Ironita Adenir Policarpo Machado

Banca: Luis Augusto Ebling Farinatti (UFSM), Marcos Gerhardt (UPF)

Defesa: 04/04/2016

Resumo: A Fazenda Annoni, localizada na região Norte do Rio Grande do Sul, pertencente aos municípios de Pontão e Sarandi, ganhou espaço nos noticiários no ano de 1985. Ficou conhecida quando foi alvo da maior ocupação de terras no Brasil até então, coordenada pelo recém-criado Movimento dos Sem Terra (MST) no início do período democrático. No ano de 2015, a ocupação, que contribuiu para tornar a fazenda um dos símbolos da reforma agrária, feita por mais de 1500 famílias de sem-terra, completou 30 anos. No entanto, antes disso, um conflito importante – e pouco conhecido em torno da desapropriação da Annoni – acontecia desde o início da década de 1970, envolvendo os desapropriados (família Annoni) e a União. O objetivo desta dissertação é compreender a história da Fazenda Annoni a partir do seu processo de desapropriação, mostrando como ele evoluía na história da Fazenda, o que não pode ser feito sem que se leve em consideração o contexto histórico regional e nacional, tendo em vista que o processo transcorreu durante décadas em que ocorreram transformações significativas, quais sejam os anos de 1970, 1980 e 1990, que serão objeto deste estudo. Parte remanescente do grande latifúndio regional denominado Fazenda Sarandi, que foi palco constante de conflitos em torno da terra por diferentes sujeitos, a Annoni teve seu decreto de desapropriação baixado em 1972, no entanto, pouco se sabe sobre o processo judicial de desapropriação. O conflito na justiça, que rendeu a este processo judicial o título de um dos maiores processos cíveis vistos no Brasil até então, perpassa as décadas 1970, 1980 e 1990 e se estende até praticamente os dias atuais. Passa por contextos diferentes, mudanças na legislação e mesmo na concepção da luta pela reforma agrária, tendo a ocupação de 1985 apressado a liberação das terras para os acampados, mas não chegando, porém, a pôr fim à disputa judicial em torno da propriedade da Annoni, que continua, embora sob outros aspectos.

 

268 – Título: “Colonos e colonizadoras no oeste de Santa Catarina: a atuação da Companhia Territorial Sul Brasil na Seção Anta Gorda (1930 – 1960)”

Autor: Marcio Luiz Rodrigues

Orientador: Profa. Dra. Rosane Marcia Neumann

Banca: Isabel Rosa Gritti (UFFS), Joao Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 06/04/2016

Resumo: A presente dissertação tem como objetivo analisar a participação da Companhia Territorial Sul Brasil no processo de colonização na região oeste catarinense, nas décadas de 1930 a 1960. Trata-se de compreender a constituição da Companhia Territorial Sul Brasil, o seu projeto de colonização e os métodos de comercialização dos lotes coloniais e das madeiras. A companhia, formada por um grupo de investidores, tinha sua sede no Rio Grande do Sul e aproveitando as vantagens oferecidas pelo governo catarinense, formou um extenso complexo colonial com mais de 48 seções: sistema de divisão de terras adotado para facilitar a venda de lotes coloniais, viabilizado pela construção de estradas gerais e vicinais, resultando no surgimento de “centros comunitários” ou “linhas”. Como recorte espacial, estuda-se a formação da Seção Anta Gorda, situada a leste da área adquirida pela companhia, a qual possuía uma extensão aproximada de 16.236.00 Km², sendo subdividida, posteriormente, em I seção e II seção. Essa área deu origem aos municípios de Modelo, Pinhalzinho e Saudades. Metodologicamente, trabalha-se na perspectiva da micro-história, e teoricamente, busca-se articular a história ambiental e o processo de colonização. O corpo documental da pesquisa é composto pela documentação produzidas pela própria companhia colonizadora, fotografias, depoimentos e notícias de periódicos. A partir da pesquisa, conclui-se que o projeto de colonização da Companhia Territorial Sul Brasil foi proprietária de um dos maiores complexos coloniais do oeste catarinense no início do século XX, atuando entre os anos 1930 e 1960. No seu projeto, estudado na Seção Anta Gorda, é evidente a articulação entre o ramo imobiliário (venda de lotes coloniais) e a exploração/comercialização da madeira encontrada na sua área de abrangência. As fontes utilizadas na dissertação são basicamente documentos produzidos pela própria companhia colonizadora, localizados no acervo documental do Museu Municipal Padre Fernando Nagel na cidade de Maravilha-SC; fotografias e depoimentos, localizados no Museu Histórico de Pinhalzinho, no município de Pinhalzinho-SC e no Museu Municipal Elmiro Wagner, localizado em Palmitos-SC; mais periódicos do Jornal da Voz Chapecó, localizado no acervo documental no Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina CEOM/UNOCHPECÓ, em Chapecó-SC.

 

269 – Título: “Políticas Públicas e a questão indígena no norte do Rio Grande do Sul: intrusão, reforma agrária e extinção de reservas – 1940- 1968”

Autor: Gean Zimermann Da Silva

Orientador: Prof. Dr. Joao Carlos Tedesco

Banca: Jose Carlos Radin (UFFS), Ironita Adenir Policarpo Machado (UPF)

Defesa: 20/04/2016

Resumo: A região centro-norte do estado do Rio Grande do Sul, durante o século XX, foi um espaço de grande expressão de movimentos sociais, geralmente de luta pela terra. A questão indígena, entre as décadas de 1940 e 1960, expressou bem essa realidade. O governador Leonel Brizola, assim como seus antecessores, Cordeiro de Farias, Walter Jobim e Ildo Meneghetti, praticaram a redução de territórios indígenas, fato esse causador de vários conflitos. Destacamos o período do governo Brizola (1959-1963), pois, foi este que, de certa forma, intensificou essa prática. Para entendermos esse processo de expropriação de terras indígenas, é necessário, analisarmos um período anterior, nesse caso, início do século XX, no qual, descentes de imigrantes migram da região colonial dos atuais municípios de São Leopoldo-RS e de Caxias do Sul-RS para as colônias no centro-norte rio-grandense. Também foi um período em que o governo positivista, demarcou 11 áreas indígenas (1910-1918) no Norte do estado, dentre elas, a de Ventarra, espaço empírico de nosso estudo. A partir da década de 1940, de fato, as terras no estado estavam todas ocupadas. Entretanto, havia colonos sem-terra, e, a partir disso, começaram a ocorrer movimentos sociais pela região. A intrusão nas áreas indígenas culminou num movimento social, ou seja, de um lado colonos sem-terra e, do outro, indígenas. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi constituída para investigar o assentamento de colonos nas áreas indígenas e, especialmente a de Nonoai, em 1967. A nossa análise busca contemplar esse período efervescente que envolveu a questão da terra no Rio Grande do Sul; centra a análise nos processos de redução e extinção da área indígena de Ventarra como condensação de uma política de estado no período. Demonstramos que houve, entre os anos de 1940-60, uma política deliberada de transformar territórios indígenas em espaços para aliviar as tensões e os conflitos pela terra. A análise específica da Reserva de Ventarra demonstra o equívoco dessa política pública, pois, além de desterritorializar os indígenas e reterritorializar agricultores, produziu novos conflitos sociais, os quais, estendem-se na atualidade e revelam uma difícil resolução.

 

270 – Título: “Drew Pearson: as percepções de um jornalista norte-americano no contexto da Guerra Fria (1950-1957)”

Autor: Leonice Portela

Orientador: Profa. Dra. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Tania Regina De Luca (UNESP), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 25/04/2016

Resumo: Esta pesquisa está centrada na análise dos artigos do jornalista Drew Pearson, publicados na revista O Cruzeiro, numa coluna denominada Carrossel do Mundo, durante a década de 1950. O jornalista norte-americano Drew Pearson (1897-1969) era considerado um correspondente internacional e um importante jornalista investigativo. Assinou a coluna Carrossel do Mundo entre os anos de 1947 a 1963, nas páginas da revista O Cruzeiro. A revista O Cruzeiro cobriu de forma marcante um expressivo e importante período histórico (1928-1975). Considerada um dos marcos na história do jornalismo ilustrado do Brasil, a revista foi o periódico de maior circulação do país. Trata-se de uma fonte de pesquisa relevante para pesquisadores e historiadores de diversas áreas, pois o conteúdo de suas páginas já suscitou inúmeras pesquisas. O recorte da pesquisa está calcado nos anos de 1950 a 1957, na conjuntura da Guerra Fria, e objetiva evidenciar o cruzamento da história com a imprensa e o seu discurso sobre esse contexto. Consistindo a Guerra Fria num confronto de estratégias que se resumiam a um confronto bipolar entre Estados Unidos e União Soviética na sua intensa corrida nuclear, nos movimentos militares e na conquista de aliados. A análise proposta visa perceber o discurso de Drew Pearson em relação aos países da América Latina, sobre a construção do inimigo comunista, sobre a União Soviética e sobre a corrida armamentista nas disputas de poder da Guerra Fria. A pesquisa se orientou com base nas referências metodológicas da análise de conteúdo e análise de discurso, utilizando, como referencial teórico, as reflexões sobre o discurso das mídias e a sua influência nas relações de poder. A análise enfatiza, primordialmente, o discurso de Drew Pearson, objetivando perceber as concepções ideológicas e políticas que norteavam seus artigos, considerando suas percepções sobre as relações internacionais dos Estados Unidos como eixo central e suas relações com os países estratégicos e subdesenvolvidos.

 

271 – Título: “Imprensa e Poder: representações sobre o governo de Yeda Crusius na página 10 de Zero Hora (2007/2010)”

Autor: Elaine Fontana

Orientador: Profa. Dra. Marlise Regina Meyrer 

Banca: Luis Carlos Dos Passos Martins (PUCRS), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 05/05/2016

Resumo: Este trabalho analisa as representações sociais do Governo Yeda Crusius (2007 a 2010), no estado do Rio Grande do Sul, com base na coluna política “Página 10” do Jornal Zero Hora (ZH), escrita pela jornalista Rosane de Oliveira. A metodologia empregada foi a análise de conteúdo temática; as unidades de análise foram 397 Colunas Políticas de ZH. Partiu-se da concepção de que a relação entre o mundo político e o da comunicação passa pela mediação da imprensa que decide o que deve ou não ser discutido, buscando convencer a opinião pública de que o debate social restringe-se àquilo que ela apresenta. Esta pesquisa estabelece uma dada compreensão do processo de construção das informações e as formas com que são construídos os símbolos do poder político. Evidencia como se constituem as redes de significados, corroborando a importância e o papel do jornalista e dos meios de comunicação de massa, ao passo que esse dialoga com atores sujeitos, construindo significados, identidades e símbolos do poder político. Aponta, ainda, a partir das representações do governo Yeda, como as crises políticas e econômicas estiveram presentes na construção da agenda, bem como a identificação das vozes e contra vozes acionadas pela jornalista na sua argumentação. Registra com base na autobiografia da ex-governadora, seu plano de governo para o estado no intuito de enfrentar a crise econômica do Rio Grande do Sul. A pesquisa demonstrou que a representação das crises aconteceu principalmente nas relações políticas internas e externas do governo, que pautaram a discussão da sociedade gaúcha, interessando-lhe o debate, o que fez com que este agendamento na imprensa fosse potencializado durante os quatro anos do governo Yeda. Argumenta-se, também, que a construção de relatos não é um ato neutro, mas sim, versões da realidade e de lutas simbólicas. Quando se deseja interpretar o que se pensa, deve-se compreender que é um jogo constante entre o implícito e o explícito. A linguagem está no centro de tudo isso, é própria do ser humano e nos permite representar o mundo.

 

273 – Título: “História, memórias e identidades: religiosidade e educação como patrimônio imaterial de Ernestina/RS”

Autor: Angela Maria Da Silva De Oliveira

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Diego Orgel Dal Bosco Almeida (Unisc), Ironita Adenir Policarpo Machado (UPF)

Defesa: 20/05/2016

Resumo: A memória social é um fenômeno coletivo e cultural, construído coletivamente e submetido a transformações constantes. Ela transmite a cultura local herdada e é constituída por acontecimentos vividos socialmente. São elementos que servem de apoio à memória: os acontecimentos vividos, as pessoas e os lugares. A pesquisa ―O Patrimônio Cultural e suas Representações: História, Memórias e Identidades – a religiosidade e germanidade como patrimônio imaterial de Ernestina‖ tem como objetivo explorar e conhecer a história e a memória do Município e seu patrimônio cultural através do viés da religiosidade e germanidade como patrimônio imaterial. A pesquisa aborda o patrimônio histórico e cultural através de uma pesquisa bibliográfica, seguida de um capítulo dedicado à História do município de Ernestina e uma abordagem relativa à importância da religiosidade na fixação e identificação das comunidades, tendo como suporte relatos orais transcritos para o Museu Municipal de Ernestina. Tendo em sua origem a colonização alemã, Ernestina conta com a presença da Igreja Evangélica Luterana, embora a Igreja Católica também esteja presente. A germanidade na história das populações teuto brasileiras, em particular no Rio Grande do Sul, demonstra a importância histórico cultural da miscigenação dos povos para o crescimento de uma nação. Em Ernestina, particularmente, escola e igreja se constituíram em instituições fundamentais para a preservação e revitalização da cultura germânica no contexto da imigração alemã no Brasil, cujas marcas estão representadas na língua materna, usos e costumes. A escolha do município de Ernestina se deu tendo em vista sua localização geográfica e sua rica historicidade, ainda ignorada por muitos de seus habitantes. De antemão, sabe-se que a preservação do patrimônio cultural deve-se ao fato de a vida de uma comunidade, de um povo, estar relacionada ao seu passado, à sua vivência, às transformações ocorridas na sua história. A preservação tem por objetivo guardar a memória dos acontecimentos, suas origens, sua razão de ser. Torna-se também imprescindível relacionar os indivíduos e a comunidade com o edifício a ser preservado, visto que uma cidade, no seu viver cotidiano, tem sua identidade refletida nos lugares cuja memória os indivíduos constroem no dia-a-dia. Preservar o patrimônio histórico é relacioná-lo com as interações humanas a ele ligadas. O que torna um bem dotado de valor patrimonial é a atribuição de sentidos ou significados que tal bem possui para determinado grupo social, justificando assim sua preservação.

 

274 – Título: “Militarismo e Sociedade: a banda de música do 3º RPMON de Passo Fundo (1964-1986)”

Autor: Rodrigo Avila Silveira

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luis Trombetta

Banca: Luciano Aronne (PUCRS), Ana Paula Lima Tibola (UPF)

Defesa: 21/06/2016

Resumo: Esta investigação aborda a atuação da banda do 3º Regimento de Polícia Montada -3º RPMon, sendo utilizada taticamente como uma arma de intervenção e de comunicação, no qual a referida banda se apresentou em dois grandes conflitos que aconteceram na cidade de Passo Fundo, referenciando a Revolta dos Motoqueiros 1979, ainda período da ditadura militar, e na Fazenda Annoni, exatamente no ano de 1986, onde não haviam mais negociações entre MST e Brigada Militar, dois episódios de repercussão nacional, onde a banda teve a missão de intervir através de apresentações públicas. A investigação desta pesquisa está relacionada ao enfoque da banda, onde as apresentações transcendem as concepções estéticas culturais, assumindo a tarefa de cunho tático, configurando-se em uma arma estratégica dos militares. Sob o ponto de vista do efeito que banda pode causar, a presente pesquisa busca analisar os símbolos contidos na banda, investigando a simbologia transmitida através da ordem unida em elementos como, uniforme, marcha, hierarquia e repertório. No sentido de contextualização histórica, o presente trabalho fundamenta-se na pesquisa historiográfica e documental, permitindo compreender o perfil militar e sua participação em combates, considerando a formação de bandas militares, como uma ferramenta fundamental para transmitir ordem. Para isso, a pesquisa recorre à primeira formação da banda da Brigada Militar no estado o que permite transpor sua memória, e a sua atuação nos principais eventos históricos, logo após observando a utilização da música, o fardamento e organização, como símbolos que influenciam a comunidade, consequentemente intervindo pacificamente em conflitos sociais. A construção deste trabalho é inspirada pela arte da música, fator que está presente na vida profissional, conferindo o manuseio de instrumentos musicais e também a formação de repertórios, possibilitando o diálogo com a história. Para sua sistemática, consideram-se as relações com a comunidade existente no período que se apresenta nesta investigação, compreendendo o cuidado metódico e imponente, característico de uma imagem simbólica que se forma no momento em que a banda intermedia suas relações. Nessa unicidade, propaga-se uma imagem, de uma instituição disciplinar que na polifonia de sua abrangência opera com uma diversidade de sons a considerar o uniforme, o ritmo, a polifonia militar e o repertório, conferindo uma técnica manipulada e que segue uma hierarquia caracterizando a existência de uma instituição que propaga um exemplo de gestão para a formação de uma regularidade. A escolha pela pesquisa bibliográfica e documental é utilizada como metodologia científica com a finalidade de caracterizar a sustentação teórica o que permite de fato, verificar se a música foi capaz de intervir nos conflitos entre grupos militares e sociedade em um período ainda de ditadura. Assim neste trabalho observa-se a atuação de bandas não apenas como um fato isolado, mas sim como uma dinamização de ações executadas estrategicamente através do tempo.

 

275 – Título: “Integração Regional na América do Sul: uma análise da política externa brasileira durante o governo Lula a partir do conceito de diplomacia presidencial”

Autor: Clarissa Ferri

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Andre Luiz Reis Da Silva (UFRGS), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 02/08/2016

Resumo: A meta central desta dissertação é analisar a formulação da política externa brasileira para a integração da América do Sul durante o período de governo de Luiz Inácio Lula da Silva sob o prisma da diplomacia presidencial, tendo por fontes primárias de pesquisa os discursos presidenciais. Através da análise de conteúdo dos pronunciamentos, bem como da utilização da literatura científica que se refere ao período, busca-se demonstrar que a atuação presidencial influenciou a política externa não somente no sentido protocolar, mas principalmente na definição das diretrizes que foram adotadas para as relações com os países do entorno geográfico. Ainda que questionados os resultados práticos dessa atuação personalista, o entendimento aqui conformado é o de que a participação ativa do presidente na formulação das diretrizes da política externa põe o líder em destaque neste cenário, contrapondo-se à tradicional delegação ao Ministério das Relações Exteriores que antes era prática usual. Parte-se da premissa de que a prioridade na formulação dos objetivos ao exterior pela diplomacia presidencial brasileira fora o fortalecimento da integração na América do Sul com vistas a estabelecer uma liderança que seria replicada a outros grupos de países em desenvolvimento, buscando melhores condições de negociação frente aos países desenvolvidos por ser representante de um grupo, para que o Brasil ganhasse destaque não somente na região, mas internacionalmente. Essa prioridade pode ser constatada pela enunciação que se fez nos pronunciamentos oficiais, tanto do presidente quanto de seu grupo decisório. Contudo, quando confrontados esses dois objetivos da política externa do período, a integração da América do Sul e a liderança nas relações Sul-Sul, percebe-se que nem sempre tais objetivos são paralelos. A existência de projetos de integração e/ou cooperação sobrepostos torna difuso o entendimento de um plano definido para a América do Sul, havendo indícios de que a atuação na região perdera paulatinamente espaço para a atuação no plano internacional.

 

276 – Título: “Tensão continua no oeste”: história e representações da disputa de terra em Sede Trentin/Toldo Chimbangue nas páginas de O Estado (1982-1985)”

Autor: Douglas Satirio Da Rocha

Orientador: Profa. Dra. Marlise Regina Meyrer

Banca: Tania Regina De Luca (Unesp), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 22/09/2016

Resumo: Na década de 1980, os problemas relativos à terra na região Oeste catarinense ganharam destaque nos jornais de Santa Catarina. Notas, notícias e reportagens contemplaram o surgimento e atuação de vários movimentos sociais ligados à questão da terra, marcando um período onde a região passou a ser representada como um espaço de constantes “conflitos”. Nesse cenário, destaca-se o processo de retomada das terras do Toldo Chimbangue pelos índios Kaingang, no início da década de 1980, no município de Chapecó - SC. A mobilização dos índios enfrentou forte resistência por parte das famílias de colonos que moravam nas terras requeridas, desencadeando um contexto de disputas amplamente acompanhado e noticiado na imprensa escrita. Entre os jornais que noticiaram os acontecimentos envolvendo esse processo, destaca-se, nesse período, a cobertura jornalística realizada pelo jornal O Estado – jornal de abrangência estadual, com sede em Florianópolis - SC. Mais do que fatos e informações, circularam pelas páginas do jornal, discursos e representações sobre uma região historicamente conhecida pelos problemas relacionados à terra. Esta pesquisa analisa as notícias publicadas pelo jornal O Estado entre os anos de 1982 e 1985 e tem como objetivo discutir como o jornal abordou o processo de disputa pela terra entre índios e colonos em Sede Trentin/Toldo Chimbangue. De maneira específica, busca identificar quais os lugares destinados à questão nas edições do jornal, examinar como o jornal veiculou os discursos dos grupos/instituições em “defesa” e/ou “acusação” dos envolvidos, analisar como o periódico articulou, através de suas narrativas, as diferentes vozes – índios e colonos – dentro do mesmo espaço em disputa, problematizar as representações acerca da questão e os indivíduos envolvidos e, por conseguinte, sobre a região Oeste. Permeando estes objetivos estará em evidência a compreensão de como o jornal, no seu processo de leitura, interpretação e representação da realidade, construiu determinados sentidos e imagens sobre os fatos acontecidos na localidade de Sede Trentin/Toldo Chimbangue.

 

277 – Título: “Defendendo a civilização e a pátria contra o injusto agressor”: as representações dos bugres e colonos nos escritos de Fidélis Dalcin Barbosa (1961-1977)”

Autor: Nathan Ferrari Pastre

Orientador: Prof. Dr. Joao Carlos Tedesco

Banca: Jose Carlos Radin (UFFS), Ironita Adenir Policarpo Machado (UPF)

Defesa: 23/09/2016

Resumo: Esta pesquisa tem por objetivo compreender as representações da figura do “bugre” nos escritos literários de Fidélis Dalcin Babosa. Dados os conflitos históricos entre indígenas e imigrantes europeus, que seguem com seus descendentes até a atualidade, representações de ambos os grupos foram feitas no decorrer do processo. A imagem depreciativa do indígena foi construída nesses conflitos e se revela em diferentes lugares e ocasiões. Para este trabalho, optou-se por analisar obras literárias, publicadas no período compreendido entre 1961 e 1977, buscando-se compreender tais representações. Foi feita, uma análise do processo de ocupação dos vales florestados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, bem como dos contatos entre imigrantes e indígenas e das representações que surgiram destes contatos. As obras literárias foram analisadas e interpretadas, de modo que, compreendendo as sentenças, os jogos de palavras, os ditos e os não ditos e os subentendidos, se possa compreender as representações que são feitas dos indígenas. O autor nasceu e viveu em áreas de colonização italiana, as quais são temas de seus escritos. Os índios quase sempre são antagonistas e várias obras que o autor escreve, enquanto os protagonistas são geralmente italianos ou seus descendentes. Enquanto religioso capuchinho, as obras também são imbuídas de uma moralidade cristã e de um ideal cristão de sociedade. O indígena, culturalmente divergente do imigrante, não raro teve contato violento com este, vinha ocupar suas terras. Em resposta, os imigrantes reagiam com a mesma violência. Estes contatos são tema recorrente na obra de Barbosa. Por fim, constatou-se que, devido ao período estudado ser uma época de redução das reservas indígenas e expansão territorial dos descendentes de imigrantes, tendo em vista que o autor vivia numa região onde este contexto era muito presente, as representações constantes nas obras acabam denotando identidades, tanto de colonos como de indígenas, que avalizam a posição dos colonos no processo de ocupação. O imigrante ou descendente é visto como portador do progresso e da civilização, enquanto o indígena é visto como um ser violento e primitivo. Essas representações são reflexo da época em que as obras foram escritas.

 

278 – Título: “CEFET/IFSUL: a implantação e estruturação de uma Instituição de Ensino Público Federal (2006-2009)”

Autor: Cibeli Barea

Orientador: Profa. Dra. Rosane Marcia Neumann

Banca: José Edimar de Souza (UCS), Marlise Regina Meyrer (UPF)

Defesa: 14/10/2016

Resumo: A presente dissertação discute a implantação e consolidação do Instituto Federal Sulrio- grandense em Passo Fundo, no período compreendido entre 2006 e 2009. O Instituto Federal Sul-rio-grandense está vinculado ao Instituto Federal de Pelotas, e oferece cursos em nível médio, superior e de pós-graduação. Problematiza-se o papel dessa instituição de ensino para a região e comunidade local e parte-se do pressuposto que a instalação de uma instituição de ensino federal era uma demanda política regional, contemplada pelo poder público dentro do projeto de expansão da rede federal de ensino tecnológico; o que atendia, nesse aspecto, à demanda local por mão de obra qualificada. Nessa perspectiva, analisa-se as notícias publicadas na imprensa local, tendo como foco central a instalação e consolidação do CEFET/IFSUL, bem como recorre-se às memórias dos sujeitos envolvidos nesse processo. No decorrer da pesquisa, ficou evidente que a demanda por essa instituição de ensino representou um ato político e a demanda de um determinado grupo social mais do que da comunidade em geral. Tomando como base esses indicativos e visto que ainda não havia nenhum estudo específico sobre esse tema, destaca-se também que o estudo alavancou alguns esclarecimentos sobre o papel dessa instituição de ensino para a região, tratando de pesquisar e expor as necessidades de um IFET em Passo Fundo a partir de elementos como o sistema educacional e dos aspectos historiográficos da cidade. Nesse sentido, também foram analisados a história da educação profissional em relação a sua importância para a industrialização do Brasil, assim como para a formação de profissionais. Contudo, destaca-se que analisar a história da implantação do IF em Passo Fundo através das reflexões e memórias dos sujeitos que participaram desse processo e das notícias publicadas na imprensa local, possibilitou compreender o processo sob um ponto de vista mais amplo, de lembranças, representações e reflexões sobre o sentido que essa instituição possui para os sujeitos e para a região.

 

279 – Título: “Espaço Vital”: projeto geopolítico nazista para o território europeu da União Soviética”

Autor: Samuel Celuppi Schneider

Orientador: Profa. Dra. Adelar Heinsfeld

Banca: Claudia Musa Fay (PUCRS), Marcos Gerhardt (UPF)

Defesa: 19/12/2016

Resumo: Esta dissertação tem como principal objetivo analisar a invasão da União Soviética pela Alemanha nazista em junho de 1941, sob um enfoque geopolítico. Centrada na figura de Hitler, aborda seu projeto de transformar o território da Rússia europeia em “espaço vital” alemão, ou seja, uma imensa colônia de povoamento e exploração econômica. Considerando a participação de várias lideranças nazistas, que foram decisivas no complexo regime totalitário alemão, e considerando uma realidade intelectual e política anterior ao Partido Nazista, este trabalho insere a conquista da União Soviética no conjunto da ideologia expansionista nazista. Em seguida, aborda especificamente os planos concebidos para o território soviético durante a Segunda Guerra Mundial, sobretudo no período 1941-1943: planos de exploração econômica, de povoamento, de dominação militar, de modernização paisagística e de hegemonia continental. Por fim, aborda as inspirações históricas do expansionismo nazista, ou seja, processos históricos anteriores que foram definidos como modelo para a conquista da Europa Oriental, por exemplo: a Idade Média alemã, o imperialismo britânico na Índia e a formação dos Estados Unidos. Com essa trajetória, mostra-se que a tomada da União Soviética representava, desde os anos 1920, o objetivo central da política externa nazista formulada por Hitler, com o fator geopolítico se sobressaindo sobre fatores ideológicos e militares. Para identificar os planos de Hitler, analisa-se aqui documentos como discursos e registros de reuniões, geralmente inacessíveis ao público da época, onde o ditador costumava expor à seu círculo privado o que pretendia fazer caso a Alemanha vencesse a Segunda Guerra Mundial. O planejamento imperial nazista ainda abrangeu outras regiões da Europa conquistada habitadas por povos eslavos, sobretudo a Polônia, além da antiga Tchecoslováquia, mas foi no espaço soviético, dominado pelo comunismo bolchevique, que o racismo nazista apareceu com toda intensidade. Era a Europa Oriental, sobretudo as regiões habitadas por ucranianos e russos, que Hitler encarava como a chave para a hegemonia continental alemã e, eventualmente, para políticas de poder mundial.

 

280 – Título: “As representações da virgindade feminina na comarca de Clevelândia–PR (1950 a 1980)”

Autor: Lucas Aguirre De Bortoli

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Ismael Antonio Vannini (Unopar), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 19/12/2016

Resumo: Este trabalho de pesquisa busca abordar o difícil assunto da virgindade e do machismo, bem como as questões que decorrem destes dois assuntos, considerando a sociedade do sudoeste do Paraná entre 1950 a 1980, por meio da pesquisa de processos envolvendo virgindade e crimes sexuais. Muitos foram os teóricos que contribuíram para que os focos dos estudos se voltassem ao cotidiano das pessoas, sendo que os novos rumos que a história tomou, invadiram a intimidade das pessoas, e hoje buscam compreender o comportamento sexual de uma determinada época. Não o comportamento sexual, pelo simples fato do comportamento, mas abordando este tema e buscando as profundas relações de poder que o determinam ou, as influências, discursos e representação sobre a sexualidade, que determinam as atitudes de grande parcela da sociedade. A história dos crimes sexuais se constituiu num objeto histórico e jurídico, que tanto os historiadores como os juristas tematizam. A sexualidade deve ser examinada, portanto como um dispositivo: deve englobar elementos heterogêneos, discursivos e não discursivos. A história das ideias, dos costumes e das práticas sexuais nos permite compreender a normatização das atividades sexuais. Para exemplificar e aprofundar a análise sobre o assunto, este trabalho pesquisou vinte processos judiciais enquadrados no Artigo 217 do Código Penal de 1940 encontrados no Fórum da cidade de Clevelândia/PR, que abrangem as décadas de 1950, 60, 70 e 80. O art. 217 é descrito da seguinte forma no Código Penal de 1940: “Seduzir a mulher virgem, menor de dezoito anos e maior de quatorze, e ter com ela conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança: Pena – reclusão, de dois a quatro anos.” Somente nestas condições poder-se-ia enquadrar o crime no Art. 217, caso contrário, o crime teria outra configuração como estupro, assédio sexual, abuso de menores, ou outro qualquer. Sendo assim, buscamos o resgate histórico da problemática, com vistas à superação da mesma.

 

281 – Título: “As Companhias/Escolas de Aprendizes Marinheiros nas páginas dos periódicos militares: 1861-1908”

Autor: Tatiany Moretto

Orientador: Profa. Dra. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Jose Miguel Arias Neto (UEL), Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 16/03/2017

Resumo: A Marinha do Brasil é uma das instituições mais antigas do Brasil. Parte dela veio para os trópicos com a Família Real, em 1808. Todavia, esta Marinha não pode ser considerada nacional até a Independência em 1822, mas sim luso-brasileira por ser inteiramente composta por estrangeiros. Carregada de heranças portuguesas, a certidão de nascimento da Marinha nacional é datada da separação entre o Reino e a Metrópole, quando teve início a sua estruturação e recrutamento entre os brasileiros natos. Dentre as ações tomadas para a organização da instituição, as Companhias/Escolas de Aprendizes Marinheiros foram criadas com o fim de adestrar menores para o serviço nos navios da Armada. De sua nacionalização até os anos iniciais da República, a Marinha percorreu um caminho sinuoso para a sua organização e consolidação enquanto instituição brasileira. As dificuldades que enfrentou para a sua estruturação resultaram, em grande medida, do singular contexto econômico e político do Brasil em comparação às demais colônias da América. Atuante em diversos conflitos do Império, com a Guerra da Tríplice Aliança despertou a necessidade de renovação imediata das Forças Armadas do país, principalmente a Marinha e suas instituições de formação de marinheiros. O objetivo desta pesquisa consiste em identificar as reformas realizadas pela Marinha do Brasil nas Companhias/Escolas de Aprendizes Marinheiros entre 1861 e 1908 nas páginas de quatro periódicos que circularam no país. Este recorte temporal abrange o momento mais profícuo da imprensa militar brasileira e a sua investigação é essencial para compreender a trajetória das instituições ligadas a Marinha brasileira. Estes periódicos foram classificados enquanto militares e analisados como parte da imprensa periódica militar na perspectiva da nova história militar brasileira. Os periódicos selecionados para esta análise foram os Anais Marítimos (1861), o jornal O Soldado e o Marinheiro (1869), a Revista Marítima Brasileira (1881) e o jornal O Marujo (1907).

 

282 – Título: “Do leite em pó à agricultura familiar: a trajetória histórica do Programa Nacional de Alimentação Escolar no Brasil”

Autor: Andrea Cassia Schneider

Orientador: Profa. Dra. Ironita Adenir Policarpo Machado

Banca: Cesar De Miranda E Lemos (UFFS), Marcos Gerhardt (UPF)

Defesa: 23/03/2017

Resumo: Esta dissertação busca compreender como os estudos sobre a fome e a alimentação escolar realizados nas décadas de 1930 e 1940 e a intervenção internacional atuaram na conformação do Programa Nacional de Alimentação Escolar consolidado em 2009, por meio da Lei nº 11.947. A proposta de criação de uma política nacional de alimentação elaborada por profissionais da saúde, em especial os médicos, parte da necessidade constatada de combater os problemas alimentares decorrentes da fome e da desnutrição. A partir desse contexto histórico-social, estudiosos das décadas de 1930 e 1940 dão embasamento científico a um amplo plano de governo, no qual estava incluso a Programa de Merenda Escolar. A política de alimentação escolar concentrou em torno do seu desenvolvimento um sistema complexo, motivo pelo qual optamos por realizar uma análise conjuntural dos fatos ocorridos no Brasil, com maior ênfase nas décadas de 1930, 1950 e 2000. A abordagem de um tema que, à primeira vista, não apresenta relação direta com a História, se mostra relevante na medida em que a fome, a produção agrícola e o próprio PNAE inter-relacionam várias temáticas importantes da historiografia brasileira. Os problemas da terra, da alimentação e das políticas de governo se transpassam ao longo de décadas e o título de política pública mais antiga do Brasil não pode ser visto com louvor. Ao longo de mais de 70 anos, o Programa tem seu desenvolvimento marcado pela estreita ligação com a história política do Brasil e o problema social decorrente da dificuldade de atender às necessidades nutricionais da população ainda está presente em muitas regiões nos dias atuais. A indagação de diferentes disciplinas frente à presença da fome no Brasil e no mundo interliga as ciências da saúde às questões agrárias, sociais, históricas, políticas e econômicas e, no caso deste estudo, empreende-se uma investigação referente à questão na perspectiva da História Social. Os estudos sobre políticas públicas no Brasil configuram-se pelas contribuições teóricas e empíricas e constituem, atualmente, um campo de análise com múltiplas dimensões e variados temas. Nesse âmbito, o presente estudo tem como objeto de análise a política de alimentação escolar brasileira. O objetivo geral do presente trabalho é analisar o processo de constituição histórico do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), através da contextualização das conjunturas político-sociais dos governos em três décadas de seu desenvolvimento (1930 – 1950 – 2000), frente às demandas sociais.

 

283 – Título: “Uma História Ambiental da Floresta Nacional de Passo Fundo: 1946-2011”

Autor: Debora Nunes De Sa

Orientador: Prof. Dr. Marcos Gerhardt

Banca: Eunice Sueli Nodari (UFSC), Ironita Adenir Policarpo Machado (UPF)

Defesa: 29/03/2017

Resumo: Localizada no município de Mato Castelhano, Rio Grande do Sul, a Floresta Nacional de Passo Fundo, Unidade de Conservação de Uso Sustentável, possui 1.275 hectares de superfície e, apesar de situar-se na área de ocorrência endêmica da Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária), apenas 354,80 hectares de sua área total conservam vegetação remanescente dessa tipologia florestal. Possui importante representatividade no manejo sustentável de espécies madeiráveis e na conservação da biodiversidade regional. Sua história tem início na década de 1940, quando o Instituto Nacional do Pinho, órgão paraestatal, implementou, como parte de sua política de “reflorestamento” (monocultivo de árvores), a formação de Parques Florestais no Sul do Brasil, com o objetivo de estudar técnicas de plantio, manejo e colheita da espécie nativa Araucaria angustifolia. Criada em 1946, então localizada no município de Passo Fundo, como Parque Florestal José Segadas Viana, foi mais tarde renomeada como Floresta Nacional de Passo Fundo. Esta pesquisa estuda a sua trajetória histórica, desde a criação do Parque Florestal até a implantação do Plano de Manejo em 2011, que definiu as atuais práticas de manejo florestal e administração. Utiliza a abordagem da História Regional e da História Ambiental, e faz um recorte fitogeográfico combinado com o espaço da unidade, isto é, considera a região de ocorrência endêmica da Floresta Ombrófila Mista e as relações sociais e econômicas – participantes da construção do espaço –, que se estabeleceram a partir das práticas da unidade. Tem como objetivo, ainda, estudar as transformações ocorridas na paisagem, as iniciativas para a divulgação do conhecimento técnico adquirido durante os experimentos de plantio no período analisado, e as funções assumidas pela unidade ao longo do tempo. Conclui-se, com a pesquisa, que ocorreram diversas transformações na paisagem da Floresta Nacional de Passo Fundo, decorrentes das mudanças na legislação e da concepção da função das unidades de conservação, o que tornou sua paisagem, em grande parte, construída e manejada pela ação humana.

 

284 – Título: “A práxis política da Igreja Católica na Diocese de Chapecó/SC (1970 e 1980)”

Autor: Tiago Arcego Da Silva

Orientador: Prof. Dr. Joao Carlos Tedesco

Banca: Arlene Anelia Renk (Unochapecó), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 29/03/2017

Resumo: A partir do final da Segunda Guerra Mundial foi imposto para o continente Latino-Americano um novo modelo de desenvolvimento. Neste contexto, surgiram diferentes movimentos de resistência e de luta por direitos. Ao mesmo tempo, no campo eclesial, a abertura proposta pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) e pelas Conferências Episcopais de Medellín (1968) e de Puebla (1979) favorecem o surgimento e a elaboração da Teologia da Libertação, formulada, então, como uma proposta de superação das desigualdades no continente que deveria ser protagonizada pelos empobrecidos. Sua práxis conduz a diferentes enfrentamentos, conflitos e oposições. Contudo, os impactos sentidos na nova proposta de organização da Igreja Católica em todo o continente encontram peculiaridades e semelhanças em cada localidade. Nesse sentido, este trabalho visa analisar a práxis política da Igreja Católica em Chapecó, a partir da tradução dos debates em torno da Teologia da Libertação para a realidade local, observando sua organização e os principais conflitos acontecidos nas décadas de 1970 e 1980. Todo esse avanço, prático e teórico da Teologia da Libertação, foi organizado ao mesmo tempo em que se deu a chegada, na Diocese de Chapecó, do bispo Dom José Gomes, que também teve papel decisivo nesta nova proposta teológica e pastoral. As posturas da Igreja Católica seriam influentes para a história da região, especialmente, quando se refere aos conflitos sociais de grande repercussão, como nos casos das demarcações de Terra Indígenas do Toldo Xapecó (1978) e do Toldo Chimbangue (1974-1985), o caso da Peste Suína Africana (1978), o caso da construção da Usina Hidrelétrica de Itá (1979-1985) e o caso da ocupação da Fazenda Burro Branco, em Campo Erê (1980). A análise das fontes nos permitirá dizer que esse período pode ser considerado como decisivo para a história do Oeste Catarinense Desta maneira, percebemos uma práxis política consolidada em um movimento que teve muita força no interior da Igreja Católica em toda a América Latina, nas décadas de 1970 e 1980, e que foi traduzida para uma realidade específica de tal modo que se apresentou determinante para o desenvolvimento regional.

 

285 – Título: “O enquadramento fotográfico enquanto possibilidade de região histórica”

Autor: Fabiana Beltrami Da Silva

Orientador: Profa. Dra. Jacqueline Ahlert

Banca: Eduardo Roberto Jordao Knack (UFPEL), Luiz Carlos Golin (UPF)

Defesa: 06/04/2017

Resumo: Este estudo aborda a fotografia urbana na história. Propõe-se a pesquisar a construção de uma região identitária de identidade e de memória para a cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a partir do enquadramento fotográfico realizado através de estúdios fotográficos e por fotógrafos amadores ou por profissionais, bem como suas interlocuções com o contexto cultural. O enquadramento fotográfico foi problematizado na perspectiva de seus potenciais intrínsecos de balizar uma região na História, a partir das representações fotográficas e das possibilidades de selecionar objetos simbólicos componentes de um determinado espaço. Na pesquisa, realizou-se uma paralelo acerca da prática de perpetrar registros fotográficos da urbe, de modo amplo e circunscrito, analisando dos álbuns de cidade, do uso de cartões postais, além das imagens publicadas nos jornais locais. São abordados os conceitos de região, memória, enquadramento fotográfico, fotografia urbana e aqueles relativos à constituição morfológica da urbe, nas suas interfaces com a cidade em questão. A partir do espaço de interesse, isto é, da Praça Marechal Floriano e seu entorno – Rua Independência, Rua Bento Gonçalves, Rua General Netto e Rua Moron –, seus prédios, passeios e demais usos e sentidos espaciais, como o religioso, o cultural, o político e o ferroviário. A história da cidade e da região é narrada em conjunto com 74 imagens, desde a década de 1910 até a contemporaneidade. Os principais objetos morfológicos da cidade são delimitados e observados a partir da leitura de 27 imagens fotográficas, bem como são também as técnicas da fotografia utilizadas e os espaços que contemplavam. A história da fotografia de cidade abrange os usos das imagens em Passo Fundo e os aspectos do que estas representavam, – e ainda representam a partir da continuidade da reprodução atual do espaço, permanecendo na memória coletiva da região enquadrada. Assim, ao final, afirma-se a relação entre enquadramento fotográfico e região no decorrer da longa duração histórica e iconográfica da área em questão.

 

286 – Título: “Do Estatuto do Servidor Público à terceirização em Erechim: o trabalhador em busca de seus direitos (2010-2011)”

Autor: Domingos Roque Pavan

Orientador: Prof. Dr. Marcos Gerhardt

Banca: Luis Fernando Santos Correa Da Silva (UFFS), Ironita Adenir Policarpo Machado (UPF)

Defesa: 27/04/2017

Resumo: A terceirização é a técnica administrativa de transferir para outros alguns serviços que até então eram feitos internamente por empresas e instituições. Seguindo essa tendência, a terceirização foi introduzida também na administração pública. É sobre este tema que a pesquisa em tela trata: a terceirização de serviços na Administração Pública e os reflexos decorrentes dessa relação concernentes aos servidores públicos, passando pela fragilização do estatuto que rege a carreira pública. Para tanto, faz-se uma contextualização com a perspectiva histórica da Administração Pública brasileira, tendo como ponto de partida a chegada da família imperial portuguesa ao Brasil, por entendermos que é a partir desse momento que o país passa a ter uma autonomia administrativa, mesmo que essa autonomia tenha sido à época, gerida por portugueses. Seguindo o ordenamento histórico, passamos por outros governos, destacando, em cada um, eventos administrativos relevantes, que, de alguma maneira, prepararam o caminho para que hoje a terceirização seja uma realidade. Nessa perspectiva, os eventos administrativos ocorridos a partir da década de 1980 têm maior relevância, pois é partir daí que é intensificado o projeto de reforma do estado que abre as portas da Administração Pública para a terceirização. Essa abertura colide frontalmente com os interesses dos servidores públicos, que vêem sua autonomia atingida, e gera uma precarização nas condições de trabalho. O estudo aborda os vários lados da terceirização, mostrando o que argumentam aqueles que defendem tal prática e também aqueles que criticam essa nova forma de contratação. Esta pesquisa se vincula à história social do trabalho. Nessa perspectiva, são usados, como fonte de pesquisa, processos judiciais encontrados na Justiça do Trabalho de Erechim que deram entrada nos anos de 2010 e 2011 e que tenham como parte as empresas de serviços terceirizados, contratadas pela Prefeitura Municipal de Erechim e seus funcionários. Por meio da análise dos processos, procurou-se traçar um perfil de quem são os trabalhadores terceirizados e saber quais os direitos cujo reconhecimento esses trabalhadores precisam buscar na Justiça.

 

287 – Título: “Patrimônio e (é) poder: usos do patrimônio nas revistas do IPHAN de 1937 a 1984”

Autor: Fernando Arnold Lorenzon

Orientador: Profa. Dra Ironita Adenir Policarpo Machado

Banca: Luiza Horn Iotti (UCS),  Gizele Zanotto (UPF)

Defesa:16/05/2017

Resumo: Quando se ouve falar em patrimônio, normalmente imagina-se algo referente à preservação de monumentos de fácil visualização e ligados a uma cultura dominante, tais como prédios, igrejas, obras de arte, etc. Tais elementos normalmente remetem à imigração europeia que iniciou a colonização em locais específicos e relacionados a religiosidade predominante. Outra visão equivocada acerca do patrimônio é a de que tudo o que é produzido em determinado contexto faz parte da identidade nacional, sendo que com o passar dos anos e a vinda de novas gerações, criou-se, por vezes, novas bases identitárias e culturais híbridas articuladas entre diferentes contextos e períodos. As próprias movimentações políticas estatais são produtos de demandas históricas específicas, tanto a criação de políticas ou ações quanto a criação de instituições das mais diversas áreas. A exemplo, expõe-se o caso do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que não seguia uma tendência diferente quando, além de o governo Getúlio Vargas incluir em sua constituição uma lei específica para o patrimônio histórico e cultural nacional, também criou um órgão cuja função era legitimar uma identidade nacional pautada pela memória construída através do patrimônio histórico nacional definido e divulgado através da Revista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Esta dissertação tem o intuito de analisar as Revistas do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, publicadas pelo SPHAN/IPHAN entre os anos de 1937 e 1984 buscando evidenciar os sentidos dados ao patrimônio, as ideias de identidade nacional estruturadas de acordo com o rol de artigos publicados na revista e, também, averiguar de que maneira a revista e o órgão através dela relacionavam-se às políticas e ideias de nação desenvolvidas no contexto histórico em que estavam inseridas. Para isso, buscamos evidenciar, através do conteúdo das publicações e da análise do discurso produzido sobre o patrimônio e os sujeitos a ele ligados, qual identidade nacional foi construída pelos ideais de patrimônio que influenciaram o desenvolvimento do periódico e foram divulgados pelo mesmo.

 

288 – Título: “O cenário internacional sob o olhar da imprensa regional: o jornal A Federação e a Primeira Guerra Mundial”

Autor: Maria Dioneia Paula Da Rosa

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Delmir José Valentini (UFFS),  Alessandro Batistella (UPF)

Defesa:01/06/2017

Resumo: Este trabalho objetiva contemplar o posicionamento do Brasil durante a Primeira Guerra Mundial, por meio de uma análise das reportagens relacionadas ao evento e publicadas no jornal A Federação, o qual era produzido em Porto Alegre de 1884 a 1937 e circulava por todo o estado. O objetivo específico foi compreender como a abordagem jornalística nas matérias publicadas pela A Federação, seja elas de autoria de seus jornalistas ou reproduções de jornais do Rio de Janeiro e São Paulo, foi sendo alterado no decorrer do conflito, procurando sempre manter uma consonância acerca das ideias que norteavam a política adotada pelo Brasil para a Grande Guerra, perpassando por momentos de aproximação e de distanciamento seja com os países da Tríplice Entente ou da Tríplice Aliança. Para dar conta do objetivo foi realizada uma pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa bibliográfica contou principalmente com a coleta de dados secundários dos mais diversos estudiosos do assunto. A pesquisa documental foi realizada no arquivo digitalizado da Hemeroteca Nacional. Como parte do esforço de contextualização da Grande Guerra, foram utilizadas imagens de momentos que mudaram os rumos da participação do Brasil no Conflito, além da integra dos decretos que regulamentaram a neutralidade e o estado de guerra. Em um primeiro momento realizamos uma contextualização acerca da estrutura econômica, social e política do Brasil no início do século XX, perpassando pelas relações diplomáticas, e pelos conflitos internos. Em um segundo momento a pesquisa destacou a importância da imprensa e a evolução da mesma durante os anos da Grande Guerra, além da gradativa mudança de rumo que das políticas brasileiras para com a guerra, fomos da neutralidade ao rompimento de relações com a Alemanha. O terceiro capítulo denota o posicionamento adotado pelo Brasil nos últimos anos da Primeira Guerra Mundial e a contribuição do país para o conflito ao lado da Tríplice Entente, e a participação da delegação brasileira nos acordos de paz. Conclui-se que o fato de o jornal A Federação pertencer ao Partido Republicano Rio-Grandense contribuiu para o posicionamento do mesmo estar sempre em consonância com o do Governo Central.

 

289 – Título: “Casar bem”: estratégias matrimoniais e econômicas na Região de Colonização Italiana do Rio Grande do Sul (1906-1970)”

Autor: Marinilse Candida Marina Busato

Orientador: Profa. Dra. Rosane Marcia Neumann

Banca: Maira Ines Vendrame (Unisinos), Marlise Regina Meyrer (UPF)

Defesa: 13/06/2017

Resumo: O presente trabalho analisa a trajetória das famílias de imigrantes italianos Pandolfo, Bernardi, Lunardi e suas ramificações, tendo como fio condutor e elo de interligação a família Busato. Esses imigrantes italianos, originários de áreas urbanas do Vêneto, fixaram-se na sede da colônia de Guaporé, no início do século XX, onde estabeleceram uma complexa rede de comércio, que abrangeu o distrito de Vila Maria até a sede Guaporé, ativa até a década de 1970, recorte temporal da pesquisa. Justifica-se a pesquisa pelo importante papel desempenhado pelos comerciantes, interligando as áreas urbanas e rurais, e escoando mercadorias através do porto de Muçum, distante 44 Km da sede Guaporé. Ainda, as pesquisas referentes à colônia de Guaporé, criada em 1892 em função da ampla ocupação territorial da “colônia mãe” Caxias do Sul, são escassas, além de existirem poucos trabalhos sobre a imigração italiana nos centros urbanos, com ênfase nas condições da emigração da Itália para o Brasil, incluindo a divisão familiar em ambos os lados do oceano. A análise teórica e metodológica segue a linha da micro-história italiana e o uso de fontes orais. A redução de escala de análise, o método indiciário e a exploração exaustiva das fontes permitiram traçar as trajetórias familiares desse grupo de comerciantes, revelando indícios das alianças e estratégias empregadas em prol da ascensão social, econômica e política. Partindo da família Busato, reconstruiu-se sua rede comercial ramificada pelo interior de Guaporé, articulada e consolidada por meio dos casamentos entre as famílias de imigrantes e comerciantes, mantidos até a terceira geração no Brasil. O estudo contribui para a historiografia da imigração italiana, ao tratar de trajetórias de imigrantes no espaço urbano, inseridos na atividade comercial, em uma região de colonização mais tardia – colônia de Guaporé –, e ao dar visibilidade à construção de uma rede familiar costurada via casamentos, e à ascensão de uma elite econômica, social e política, que dominou toda a região por quase um século. Logo, filhos de comerciantes casavam com filhos de comerciantes por uma estratégia econômica, visando à manutenção e ampliação dos negócios da família, evoluindo de comerciantes para industrialistas e expandindo-se para outras regiões não propriamente fundadas pela colonização italiana, de modo a interagir economicamente com os demais grupos de imigrantes e exportar produtos para outros continentes. Portanto, nosso trabalho tem como objetivo demonstrar que até mesmo as exceções matrimoniais do grande grupo eram vistas e pensadas como estratégias, um trampolim para a ascensão econômica e social, demonstrando que ao contrário do grande número de obras referentes à imigração italiana no Rio Grande do Sul, nem todos os italianos aportaram miseráveis e sem perspectiva financeira nas colônias sulistas, e o prestígio social era tão importante quanto a constituição dessa nova elite social.

 

290 – Título: “A ferrovia no norte do Rio Grande do Sul: uma história do trecho Passo Fundo-Marcelino Ramos/RS (1957-1997)”

Autor: Aline Asturian Kerber

Orientador: Prof. Dr. Marcos Gerhardt

Banca: Delmir Jose Valentini (UFFS), Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 12/09/2017

Resumo: Esta dissertação analisa a história da ferrovia no norte do estado do Rio Grande do Sul por meio do estudo do trecho entre Passo Fundo e Marcelino Ramos. Para isso, retoma a história da implantação da ferrovia no norte do estado no início do século XX e seu papel naquele momento histórico. Sua ênfase, no entanto, é o papel econômico e social da ferrovia no período em que a Rede Ferroviária Federal S.A. foi responsável pela administração das ferrovias no país, ou seja, de 1957 a 1997. Além disso, busca compreender os contextos históricos locais e nacionais que culminaram na desativação do trecho ferroviário de Passo Fundo a Marcelino Ramos no ano de 1997. Analisa porque o transporte ferroviário não se efetivou como elemento de desenvolvimento regional ao longo das décadas no norte do Rio Grande do Sul e também como elemento de integração nacional, função desempenhada há muito pelas rodovias. As fontes utilizadas na pesquisa englobam a imprensa, entrevistas orais e documentos oficiais emitidos pelo governo do Rio Grande do Sul e governo federal e seus órgãos. Essa pesquisa se dá na perspectiva da história regional com ênfase nos espaços que tiveram suas economias e suas histórias vinculadas à ferrovia. Por meio do estudo da história de um trecho ferroviário específico, busca-se reflexões de maior abrangência e a compreensão de processos históricos mais amplos. Assim, entende-se que o estudo da história do trecho proposto é significativo não apenas para a compreensão da história local, mas possibilita o entendimento de conjunturas que envolvem a história do transporte ferroviário em âmbito nacional, pois traz inúmeros elementos que são representativos de processos históricos e contextos mais abrangentes. Dentre esses contextos, podemos citar a introdução da lógica capitalista em regiões distantes dos centros econômicos do país, sendo a construção de ferrovias com capitais estrangeiros um dos elementos utilizados nesse propósito; o crescimento da importância do transporte rodoviário em relação às ferrovias ao longo do século XX; as privatizações e concessões de serviços públicos na década de 1990, dentre eles o transporte ferroviário; e as desativações de inúmeros trechos férreos em todo o país após suas concessões à iniciativa privada.

 

291 – Título: “De igreja matriz à catedral: sentidos de uma demolição que marcou Erechim”

Autor: Cleiane Maria Moretto

Orientador: Profa. Dra. Jacqueline Ahlert

Banca: Ligia Maria Avila Chiarelli (UFPEL), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 18/09/2017

Resumo: A igreja neobarroca matriz São José de Erechim, construída entre 1927 e 1934 e demolida em 1969 para ser substituída pela Catedral São José, em estilo modernista, é o objeto de estudo deste trabalho. Buscando primeiramente compreender as motivações da sua demolição, a qual se deu de forma polêmica e paradoxal, o objetivo principal desta pesquisa é investigar sob uma perspectiva histórica o processo da demolição da matriz até a sua substituição pela catedral. Através da análise detalhada do principal periódico existente na época em Erechim, cruzando fontes diversas encontradas, e visando estabelecer uma relação com aspectos culturais, levando em conta a temática patrimonial, área expressiva no âmbito social e considerando a sua representação para a comunidade erechinense, pondera-se que tal substituição teve reflexos na dinâmica de ocupação e leitura de sentido conferida ao espaço pelos moradores da cidade. Este trabalho versa sobre aspectos da história da conformação do espaço arquitetônico compreendido pela Praça da Bandeira, tendo como foco principal a substituição da igreja e sua representatividade em termos sociais e na projeção de um ideário modernista. No que se refere a interação e às reações da comunidade alusivas ao acontecimento, identifica-se a relação de conceitos do uso do espaço e representação. Relacionado ao campo do patrimônio e memória, busca-se também a reflexão entre a modernização e a preservação. O estudo sobre a demolição da igreja matriz São José, que culminou em 1969 em Erechim, não se restringe apenas à edificação neobarroca, sua demolição e substituição, mas também ao imaginário criado por uma parte dos habitantes, hipoteticamente relacionado ao “lugar” que a igreja estava inserida. Considerando que as práticas agregam significados que produzem interfaces com as memórias, a edificação de caráter estético modernista que substituiu a matriz São José, elevada a catedral, pode ter alterado a relação de sentido de parte da comunidade erechinense - sobretudo os frequentadores - para com o “lugar” e com a edificação.

 

292 – Título: “História, estética e ressignificação patrimonial da imaginária missioneira remanescente em Santa Bárbara do Sul/RS”

Autor: Linara Cristina Dos Santos

Orientador: Profa. Dra. Jacqueline Ahlert

Banca: Artur Henrique Franco Barcelos (FURG), Luiz Carlos Golin (UPF)

Defesa: 03/10/2017

Resumo: O presente trabalho realiza uma análise da imaginária missioneira, remanescente no município de Santa Bárbara do Sul-RS, Brasil, nos âmbitos da história, da estética e do patrimônio. Tais representações escultóricas e suas trajetórias são alusivas a processos históricos que compõem a dinâmica da dispersão dos remanescentes da cultura material proveniente das Missões Orientais do Uruguai -conhecidas como Sete Povos - do povoamento da região que abrange o município de Santa Bárbara do Sul e da apropriação destes pelos novos povoadores lusobrasileiros, num processo de longa duração histórica. A Nova História Cultural, herdeira da História das Mentalidades, tem como uma de suas características a análise dos fenômenos culturais na perspectiva da longa duração. Como o objetivo da pesquisa é analisar a apropriação e a ressignificação da imaginária missioneira, utilizou-se da longa duração para investigar como as imagens de Santa Bárbara e São João Batista são testemunhas do processo de povoamento. A região de Santa Bárbara do Sul foi, durante o período jesuítico-guarani, um posto da grande estância do Povo de São Lourenço. Nestes postos era comum existir pequenos povoados com capelas dedicadas aos santos protetores dos lugares. Objetiva-se explorar a hipótese de que as imagens de Santa Bárbara e São João Batista, remanescentes no município, são representativas da cultura material da antiga estância missioneira e que podem ter sido confeccionadas no local por artesões indígenas, fora dos ateliers missioneiros. Esteticamente, essas imagens são representativas da intervenção indígena na imaginária, introduzida pelos jesuítas, e da amálgama cultural que foi a experiência missioneira, a qual resultou em obras originais de feitio autóctone, características de um novo estilo artístico: o missioneiro. Constatou-se, através da análise dos elementos estéticos e atributos que acompanham as imagens, a sua procedência missioneira. Por fim, verificou-se uma mudança significativa nos sentidos atribuídos às imagens. Nos dias atuais, elas passam por um processo de patrimonialização em detrimento do seu valor religioso.

 

293 – Título: “Deu no Globo: Leonel Brizola e a criação do Partido Democrático Trabalhista (1979-1982)”

Autor: Marcelo Marcon

Orientador: Profa. Dra. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Americo Oscar Guichard Freire (FGV), Alessandro Batistella (UPF)

Defesa: 05/10/2017

Resumo: Essa pesquisa objetiva compreender o discurso do jornal O Globo sobre o processo que culminou na criação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), por meio da ação de Leonel Brizola. O ex-governador do Rio Grande do Sul retornou do exílio em 1979 e buscou recriar o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), porém o Tribunal Eleitoral decidiu por entregar a sigla para Ivete Vargas. Brizola, então, criou o PDT, sob influência da social-democracia europeia, com quem teve contato no exílio, especialmente no Encontro de Lisboa, em 1979. Portanto, a pesquisa aborda a trajetória de Brizola desde o exílio em Portugal, seu retorno em 1979, a disputa judicial pela sigla PTB, a criação do PDT, e a campanha e eleição de Brizola para governador do Rio de Janeiro, em 1982. Todo esse processo teve como fonte o jornal O Globo, que se torna também objeto de estudo dessa dissertação. Essa pesquisa buscou responder a seguinte pergunta: Como o jornal O Globo elaborou seu discurso sobre a ação de Leonel Brizola no processo de criação do Partido Democrático Trabalhista, nos anos de 1979 a 1982? Para respondermos, buscamos compreender a forma como o jornal criou seu discurso, analisado de acordo com a metodologia proposta por Patrick Charaudeau, que entende o discurso político como um jogo de máscaras, que possui meios discursivos de que dispõe o sujeito político para tentar persuadir e seduzir seus interlocutores. Justifica-se a relevância da pesquisa pela importância da interdisciplinaridade entre história e imprensa, principalmente no contexto de renovação da história política, que elege os jornais como fonte relevante para a pesquisa histórica, e pelo papel exercido por Leonel Brizola e o jornal O Globo no processo de abertura política do regime militar brasileiro e de reorganização partidária, em que o trabalhismo, que estava fora do cenário político brasileiro desde 1964, ressurge e encontra resistência de O Globo.

 

294 – Título: “Fronteiras fluidas: escravidão e liberdade na comarca de Palmas/PR (1860/1900)”

Autor: Maria Claudia De Oliveira Martins

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Golin

Banca: Paulo Roberto Staudt Moreira (Unisinos), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 14/12/2017

Resumo: O presente trabalho tem por objetivo compreender os caracteres de que se revestiu a escravidão e a liberdade em Palmas/PR, entre os anos de 1860-1900, período que abrange as décadas finais da escravidão e possibilita acompanhar as rupturas e permanências advindas da abolição, até o final do século. Ademais, propõe-se a reforçar a pertinência em deixar para trás limites rigidamente fixados entre a escravidão e a liberdade, evidenciando a assertividade de tal proposição por meio das experiências de escravos, ingênuos e libertos ao longo do período assinalado. Entre os conceitos fundamentais à referida análise, estão a autonomia relativa possível aos escravizados e a liberdade precária fruída por aqueles que deixaram essa condição ou que, nascidos declaradamente livres, foram alvo de diferentes tentativas de vinculação e exploração, as quais cerceavam a autonomia declarada/conquistada. Intenta-se desenvolver os referidos conceitos na perspectiva de uma região assinalada por uma delicada situação de disputas territoriais; enquanto lugar de marcação de fronteiras, em seus diferentes âmbitos; e a partir da atividade econômica que ali, prioritariamente, se desenvolvia, a pecuária, sendo utilizados como fontes de pesquisa documentos cartoriais e judiciais, registros eclesiásticos, atas da Câmara, fontes jornalísticas e censitárias. Metodologicamente, fez-se a opção de privilegiar o trato qualitativo das referidas fontes. Os estudos realizados permitem reconhecer caracteres comuns à escravidão e a liberdade em outras regiões brasileiras, como o sudeste, que concentra a maior parte dos estudos sobre escravidão. Contudo, assinala particularidades no cotidiano, nas ações e relações dos atores sociais que são próprias da região pesquisada. A pesquisa distinguiu na escravidão e até no pós-emancipação, uma tentativa de controle amplo por parte da camada senhorial, que também se constituía na elite política e econômica palmense, sobre os escravizados/novos livres “de cor” e seus descendentes imediatos, mas que esbarrou na necessidade de firmar acordos e atender demandas negras a fim de alcançar uma condição de relativa coesão social, imprescindível àquela sociedade fronteiriça. Por outro lado verificou-se que essas populações “de cor” souberam também orientar suas ações e relações, de modo a perseguir seus projetos (de vida, de liberdade, etc). E que, mesmo quando se encontraram diante das restrições colocadas a essa consecução, não se apassivaram ou desistiram de contorná-las, utilizando os espaços possíveis para sua reação.

 

295 – Título: “A cultura do canto coral no oeste catarinense (1920-1970)”

Autor: Marcia Luzia Freitag Wolfarth

Orientador: Prof. Dr. Gerson Luis Trombetta

Banca: Roswithia Weber (Feevale), Rosane Marcia Neumann (UPF)

Defesa: 14/12/2017

Resumo: Na presente pesquisa buscou-se analisar a cultura alemã no oeste catarinense, e compreender de que maneira a música serviu como forma de legitimação na nova pátria, sem esquecer as raízes culturais germânicas. Analisar formação das Sociedades de Canto criadas com a finalidade de vangloriar sua cultura. O foco dessa pesquisa voltou se para o Canto Coral no oeste de Santa Catarina e sua utilização como forma de saudosismo e identidade étnica germânica. Para tanto, elaborou-se considerações reflexivas a respeito do Canto Coral que se constitui em uma ferramenta para estabelecer uma densa rede de configurações socioculturais, com os elos da valorização da própria individualidade, da individualidade do outro e do respeito das relações interpessoais, num comprometimento de solidariedade e cooperação. O canto Coral configura-se como uma prática musical exercida e difundida nas mais diferentes etnias e culturas. Considera-se o projeto Conto Coral à luz do conceito de criação de uma simbologia que permite a invenção da identidade regional, como algo que se renova e se transforma constantemente. Este estilo de canto foi utilizado em outros países com conotações cívicas e patrióticas, e impulsionado no Brasil graças à atuação de Villa-Lobos durante a vigência do governo Vargas. O Estado Novo com seu caráter ditatorial e suas medidas rigorosas, propiciaram a implantação obrigatória do Canto Coral nas escolas brasileiras, consideradas o local mais adequado para as ações nacionalistas, registrando se intensa prática pedagógica destinada a direcionar sentimentos de brasilidade. A participação dos discentes cantando e marchando em desfiles e cerimônias cívicas, também, foi exigida sob a força da lei. Em Santa Catarina, um número elevado de imigrantes que se concentravam em colônias espalhadas por várias regiões, justificou o programa governamental no sentido de fomentar os sentimentos de brasilidade, através da imposição de cantos cívico-patrióticos. Na região sul do Brasil, após a colonização, surgiram grupos com intuito de fortalecer os laços sociais, principalmente com pessoas da mesma etnia e religião. Com a finalidade de fortalecer os laços de amizade e solidariedade, esses grupos criaram associações que foram extintas pela política do Estado Novo, no governo Vargas. Posteriormente ressurgiram como sociedades de canto e compreender a formação da Liga Artística e Cultural do Oeste Catarinense e seu papel como cultural na região.

 

296 – Título: “Uma Leitura do Contexto Global Contemporâneo através dos Romances de Neil Gaiman”

Autor: Carolina Correa de Souza Siliprandi

Orientador: Profa. Dra. Gizele Zanotto

Banca: Marlise Regina Meyrer (PUCRS), Gerson Luís Trombetta (UPF)

Defesa: 12/04/2018

Resumo: A presente dissertação tem como objetivo analisar o contexto global contemporâneo e as implicações dos processos da globalização através dos romances Deuses Americanos, Lugar Nenhum, Coraline, Oceano no Fim do Caminho e Os Filhos de Anansi de Neil Gaiman, perpassando as questões de fronteiras, identidades culturais, simbologias e memória, por meio de um olhar crítico das obras e do autor em questão. O conceito de fronteira torna-se fundamental no presente trabalho, visto que o mundo globalizado é entendido como um sistema interativo. Desta maneira entende-se que a fronteira, além de marcos físicos, são marcos simbólicos, como afirmado pela autora Sandra Jatahy Pesavento. As fronteiras podem ser territoriais, mas também sociais, o que nos leva a questão das identidades. A partir das orientações teóricas de Stuart Hall, esta dissertação se pauta no entendimento de que no mundo moderno o sujeito está em permanente construção e desconstrução, e que a constituição de sua identidade se dá em diferentes momentos, possibilitando a esse sujeito diferentes identidades em diferentes circunstancias. Essa constituição identitária faz parte de uma cadeia de conceitos, que abrange a memória, sendo entendida no presente trabalho, através da conceituação de Jacques Le Goff, como um abrangente de cargos psíquicos capazes de conservar informações passadas com a habilidade de serem atualizadas. Já a simbologia é entendida no trabalho através da ótica dos autores Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, que a definem como o estudo da relação e interpretação relacionadas a um símbolo, símbolos estes que estão o centro da vida imaginativa. As analises feitas ao longo da dissertação apresentam um paralelo entre trechos das obras de Neil Gaiman com definições teóricas e apresentações de hipóteses, bem como relações entre contextos de produção das obras e possíveis questões vividas pelo autor que são apresentadas ao leitor através da narrativa em possíveis momentos de catarse. Observa-se que antes de tudo, o autor é também sujeito social que pode colocar em suas narrativas sonhos, esperanças, angústias e medos através de personagens e histórias como meio de exploração e auto análise. O presente trabalho tem em vista apresentar ao leitor questões atuais que servem para discussões de temas sociais por meios de uma análise bibliográfica de romances e estudos teóricos.

 

297 – Título: “Igreja católica, ASSESOAR e regime militar no Brasil: resistência e luta pela terra no sudoeste do Paraná (1962-1978)”

Autor: Alexandro Abatti

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Isabel Rosa Gritti (UFFS), Marcos Gerhardt (UPF)

Defesa: 12/04/2018

Resumo: A construção histórica da região Sudoeste do Estado do Paraná é permeada pela resistência, luta pela terra, mobilizações e pelas diversas organizações populares surgidas ao longo de sua história. Trata-se de uma região que tem o meio rural como sua base econômica, sobretudo, com expressivo número de pequenas propriedades familiares rurais. A proposta deste estudo busca compreender uma organização fundada nos anos 1960 e que tem enorme influência na organização e desenvolvimento de movimentos sociais surgidos nesta região, a ASSESOAR de Francisco Beltrão. Esta organização, fundada pelos Missionários do Sagrado Coração – MSC, jovens Agricultores e profissionais liberais, promoveu debates e consolidou o processo de renovação pastoral proposto pelo Concílio Vaticano II (1962-1965). Além destes, é uma organização que se consolida pela forte atuação na sua área de abrangência e que desperta nas décadas de 1970 e 1980 os olhares do Estado que estava sob o comando do regime militar. Isto é, nossa proposta se manifesta sob a perspectiva de interpretar como foi possível uma organização popular, nos rincões da nação, resistir às intensas manifestações de repressão por parte dos órgãos de repressão do Estado de exceção. Mesmo sob este clima de tensão, é possível analisar como a organização teve a habilidade de se reinventar a todo momento para conseguir realizar seu trabalho até o momento em que a instituição e a Igreja Católica resolvem dar uma nova roupagem a ASSESOAR. Foi necessário para isso, buscar mecanismos que evidenciassem a participação dos Missionários Belgas, a Igreja Católica e a Assesoar. Mecanismos estes que, hora detalhados no trabalho, possibilitam uma abordagem de ações coletivas, entendendo as condições regionais, o imaginário, a identidade do agricultor familiar e, sobretudo, da instituição. A pesquisa é voltada para uma história regional pouco conhecida, mas que incorpora a tentativa de evidenciar o quanto a história do Sudoeste do Paraná é importante pelas suas peculiaridades no processo de reocupação e colonização.

 

298 – Título: “Cartas à Borges: Bagé, Jaguarão e Santana do Livramento (1898-1908)”

Autor: Jéssica Adriana Pacheco Groders

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Ronaldo Bernardino Colvero (Unipampa), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 26/04/2018

Resumo: Os quase quarenta anos de governo do Partido Republicano Riograndense (PRR) no Rio Grande do Sul são marcados pela forte presença dos líderes Júlio Prates de Castilhos e Antonio Augusto Borges de Medeiros. Para compreender o republicanismo imposto por esse partido, que no Rio Grande do Sul foi baseado na releitura da doutrina positivista de August Comte, feita por Castilhos, é necessário ter clareza das bases que foram utilizadas para que o PRR se consolidasse na chefatura da presidência do estado. Também não há como falar em consolidação republicana do PRR sem abordar o fato que representou a maior contestação para esse domínio: a Revolução Federalista (1893-1895). Mesmo com a derrota do Partido Federalista tal revolução representou clara oposição ao governo de Castilhos, principalmente na região da Campanha (entendida como reduto federalista). Após o fim dessa guerra e a prematura morte de Júlio de Castilhos, o mesmo passou a ser visto como o articulador do republicanismo no estado e Borges de Medeiros seu consolidador. E é sobre a consolidação partidária com Borges de Medeiros que versa esta dissertação de Mestrado, desenvolvida na Linha de Pesquisa de História Política, do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo. Pois a forma encontrada por ele para fortalecer o republicanismo perpassa a aliança estabelecida com coronéis locais, e é exatamente nesse contexto que esta dissertação busca entender como se dava a relação política do então presidente do Estado, Antonio Augusto Borges de Medeiros, com os coronéis sediados na fronteira (reduto federalista), os coronéis da Campanha. Para tentar descobrir a resposta para tal questão, são investigadas, como fontes principais, as cartas enviadas dos municípios fronteiriços de Bagé, Jaguarão e Santana do Livramento ao presidente do estado durante seus dois primeiros mandatos (1898-1908). Correspondência que além de questões políticas expressa as relações de reciprocidade e dependência estabelecidas pelos moradores da Campanha com o governo estadual no período de fim do século XIX e início do século XX.

 

299 – Título: “Cañones y acorazados: la Campaña de Humaitá, en la Guerra de la Triple Alianza (1866-1868)”

Autor: Eduardo Hirohito Nakayama Rojas

Orientador: Prof. Dr. Mário José Maestri Filho

Banca: Paulo Marcos Esselin (UFMS), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 27/04/2018

Resumo: A maioria das obras escritas sobre a Guerra da Tríplice Aliança buscam abarcá-la em sua totalidade, incluindo suas causas, desenvolvimento e fim, incluindo o pós-guerra e, dessa forma, se perdem detalhes importantes para entender o conflito e sua longa duração. Na cronologia deste enfrentamento armado (1864-1870), a Campanha de Humaitá (1866-1868), constitui o miolo central e cru da guerra, razão pela qual é preciso vê-lo sob outras perspectivas, como as operações fluviais em torno da fortaleza, a resistência paraguaia, os diversos planos aliados para forçar sua passagem e continuar avançando até Assunção, o papel da frota imperial, a artilharia e os avanços científicos em matéria de armamento, o potencial bélico, o alto comando dos contendores, etc. Por sua vez, a Campanha de Humaitá pode dividir-se em três partes: uma primeira corresponde à invasão Aliada, com as grandes batalhas terrestres que compreende principalmente o ano de 1866 até a vitória paraguaia em Curupayty; uma segunda etapa caracterizada por um relativo estancamento das operações, troca de mando e reorganização das forças Aliadas (até meados de 1867); e finalmente o reinício do cerco à Fortaleza de Humaitá, forçando a passagem da esquadra imperial (fevereiro de 1868) até o abandono da praça por parte das forças paraguaias (julho de 1868). Quando o Quadrilátero é deixado de lado como núcleo de base de operações das forças paraguaias, a guerra toma um formato determinante e irreversível, selando a sorte do conflito que, a partir dali também significará a abertura de um segundo enfrentamento para o mariscal Lopez, que, além de combater contra o exército da Aliança, o faz também no interior de seu governo e até em sua própria família, o que implicará que, paralelamente as muitas baixas ocorridas com os combates em Pikysyry e as Cordilheiras, outra grande quantidade de mortes corresponde a culpados ou inocentes, condenados e executados desde São Fernando até Cerro Corá.

 

300 – Título: “Militares legalistas na revolução de 1930: política e poder”

Autor: Ariella da Silva de Albuquerque

Orientador: Profa. Dra. Janaína Rigo Santin

Banca: Luiz Gonzaga Adolfo (UNISC), Ana Luiza Setti Reckziegel (UPF)

Defesa: 03/05/2018

Resumo: O objetivo deste trabalho é tratar da relação entre formação militar e atuação política nos discursos de dois oficiais militares que escreveram sobre a Revolução de 1930: o General Gil de Almeida, comandante da 3ª Região Militar, em Porto Alegre; e o coronel Leitão de Carvalho do 8º Regimento de Infantaria, localizado em Passo Fundo. Compreende-se que os discursos têm como finalidade justificar o posicionamento militar frente às guarnições em que eles se colocam no Rio Grande do Sul. Partindo desse pressuposto, é possível inferir por meio dos discursos que a formação do pensamento militar foi influenciada pela formação recebida nas Escolas Militares. Desde meados do século XIX o exército brasileiro buscava a profissionalização dos corpos militares. A preocupação com a consolidação e potencializarão das forças armadas esteve no centro dos discursos militares e ao lado dela há uma intensa preocupação com o papel da formação dos oficiais do exército. Com a Primeira Grande Guerra o cenário internacional intensificou a preocupação dos estados com questões sobre a de defesa nacional, e neste intento as questões militares foram avidamente retomadas. A busca até então empreendida por um exército mais preparado tem um claro retorno com as intervenções armadas que ocorriam pelo mundo.  Para os militares, Gil e Leitão, o envolvimento político partidário deveria ser afastado da esfera militar, ou seja, eles mantêm um caráter legalista. Esses militares definem características próprias, muitas vezes marcadas por suas trajetórias, princípios e ideias de sua época e pelo contexto ao qual pertencem. Assim, podemos compreender que existe uma linguagem política comum, que foi utilizada para dar definição e justificar a própria função do Exército no momento de conflito. Para construir esse quadro explicativo, são utilizados os discursos, as fontes da imprensa e análise dos currículos das Escolas Militares. A intensa influência científica no currículo militar mostra que o pensamento militar é em grande parte definido pelos espaços de formação que os militares cursavam.

 

301 – Título: “Os escolhidos: o recrutamento no Rio Grande do Sul para a segunda guerra (1939-1945)”

Autor: Julia de Oliveira Bender 

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld 

Banca: Diego Orgel de Almeida (UNISC), Alessandro Batistella (UPF)  

Defesa: 08/06/2018

O trabalho não possui divulgação autorizada

 

302 – Título: “Treze De Maio: entre regras e padrões a busca por visibilidade, reconhecimento e parcerias (1949-1982)”

Autor: Fernanda Pomorski dos Santos

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Golin

Banca: Ronaldo Bernardino Colvero (Unipampa), João Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 05/07/2018

Resumo: A sociedade erechinense, desde muito cedo, organizou-se em associações de acordo com suas etnias formando, desta maneira, clubes italianos, alemães, poloneses entre outros. Assim como os demais grupos, a população negra e “não imigrante” constituiu um espaço para confraternizar com "os seus", um espaço para lazer e cultura, esportes e festas. Esta dissertação tem como objetivo a análise de parte da população negra da cidade de Erechim através das ações desenvolvidas pelos sócios do Esporte Clube Treze de Maio, fundado em 16 de dezembro de 1949. O recorte temporal, estabelecido entre 1949 e 1982, se inicia no ano da constituição da associação, atravessa o período considerado de "glória" e chega aos últimos dias do clube. O foco desta reflexão centrou-se na forma de organização desta associação, nas estratégias utilizadas na busca por visibilidade e no desenvolvimento de novas redes de relacionamento. Para tanto, vale-se da análise dos poucos documentos remanescentes da associação, entre eles: algumas páginas de atas, fotografias, estatuto completo do Clube, parcos registros das atas da ala feminina e matérias publicadas no jornal local A Voz da Serra. Através das fontes analisadas, apresentamos a rede associativa formada na cidade a partir de cada etnia e os motivos que levaram à constituição de um Clube dos negros. Ao traçar os primeiros passos do Esporte Clube Treze de Maio e entendermos sua formação dentro da sociedade, investigamos o processo de invisibilidade social sofrido por esta parcela da população e os mecanismos utilizados para contornar esta situação. Procuramos compreender o papel desempenhado pelas mulheres negras, assim como, a importância do futebol, do carnaval e dos bailes de gala. Desta forma, verificamos como a associação se constituiu em um importante espaço de sociabilidade para os negros e “pessoas de cor” colaborando na quebra de estereótipos e na criação de uma imagem positivada do Clube e seus associados.

 

303 – Título: “Talvez nunca mais eu veja minha terra natal”: a trajetória de imigrantes alemães na colonização de Porto Novo/SC (1932-1942)”

Autor: Maikel Gustavo Schneider

Orientador: Prof. Dra. Rosane Marcia Neumann

Banca: Dr. Frederik Schulze (Westfälische Wilhelms Universität Münster/ Alemanha), João Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 31/08/2018

Resumo: O propósito deste estudo é investigar, na perspectiva da micro-história, a trajetória de um grupo de imigrantes alemães que emigraram da Alemanha para o Brasil, entre 1932 e 1940, instalando-se na colônia Porto Novo – atualmente municípios de Itapiranga, São João do Oeste e Tunápolis – situada no Extremo Oeste de Santa Catarina. O projeto de colonização Porto Novo foi planejado, organizado e promovido pela Volksverein für die Deutschen Katholiken in Rio Grande do Sul - Sociedade União Popular para Alemães Católicos no Rio Grande do Sul, entidade fundada pelos padres Jesuítas, e implantado em 1926 às margens do Rio Uruguai. Tratava-se de uma colônia direcionada para alemães católicos que recebeu, nos primeiros anos, significativo número de migrantes originários das colônias do Rio Grande do Sul. A partir de 1932, motivado pela propaganda realizada na Alemanha, especialmente uma brochura escrita sobre Porto Novo que circulava em diferentes regiões, e diante do contexto pós-I Guerra Mundial, um grupo de alemães, com perfil predominantemente urbano, emigrou e estabeleceu-se na colônia, sendo alocados na Linha Presidente Becker. Assim, é nosso objetivo investigar e compreender essas trajetórias migratórias, os desafios enfrentados pelos e/imigrantes, bem como os motivos de seu deslocamento, além de eventuais processos de retorno à terra natal, analisando o contexto de partida e chegada. Logo, o estudo busca traçar a trajetória dessas famílias, no jogo de escalas, no contexto da mobilidade humana transoceânica e sua inserção no local de chegada, com a adaptação de seu modo de vida à colônia – a partida, a chegada e a permanência. A pertinência do estudo encontra-se no fato da historiografia sobre o estado de Santa Catarina abordar de forma marginal a imigração alemã do início do século XX, fazendo pouca distinção entre colonos frutos da migração interna e de imigrantes. Portanto, o estudo permite afirmar que esses imigrantes, a maioria trabalhadores urbanos, possuíam boas condições financeiras, sendo a emigração espontânea uma opção, o capital trazido lhes garantiu a aquisição de um lote colonial e a instalação inicial naquele novo espaço. Sinaliza, assim para um fluxo migratório espontâneo, heterogêneo e por motivações as mais diversas, possíveis de verificar a partir do estudo de trajetórias.

 

304 – Título: “Uma história ambiental do Rio Passo Fundo: 1934 - 2007”

Autor: Caroline Lisboa dos Santos De Lima

Orientador: Prof. Dr. Marcos Gerhardt

Banca: Gilmar Arruda (UEL) Ironita A. Policarpo Machado (UPF)  

Defesa: 29/10/2018

Resumo: As políticas públicas ambientais são relativamente recentes no Brasil. Foi a partir dos anos de 1970 que o meio ambiente passou a ganhar maior importância na agenda política nacional. Contudo, isso não significa que o poder público não tenha tido iniciativas que impactaram o meio ambiente, mesmo em períodos em que a sua conservação não estava em pauta. As ações de saneamento, a destinação de diversos tipos de resíduos, a limpeza e a distribuição da ocupação urbana foram, por exemplo, funções que as gestões municipais tiveram de cumprir, e que acabaram impactando não somente o meio ambiente local mas também a relação da sociedade com ele. O rio Passo Fundo foi usado como referência desde que as primeiras populações fixaram-se nesse local, o rio deu nome ao lugar e mais do que isso, acabou marcando o dia a dia da população que viveu e vive em suas proximidades. Por isso, a relação humana com o rio Passo Fundo entre os anos de 1934 e 2007 é tema dessa dissertação. O trabalho inclui apontamentos sobre os usos humanos, as iniciativas e as políticas públicas em relação ao rio Passo Fundo, procurando analisar, entre outras questões, qual o papel dos movimentos ecológicos e da imprensa na consolidação de uma política ambiental no município. As compreensões presentes neste trabalho amparam-se teoricamente na História Ambiental, que procura compreender os mais diversos aspectos, interesses e resultados da interação humana com o ambiente natural. Dentre os autores utilizados como referência estão Donald Worster, José Augusto Pádua e Gilmar Arruda. Como aparato documental foram utilizadas legislações federais, estaduais e municipais, publicações jornalísticas e inquéritos civis sobre o tema. Por fim, a problemática dessa investigação está em demonstrar como as iniciativas, políticas públicas e ações sociais interferiram na existência histórica do rio Passo Fundo, identificando quem foram os sujeitos e quais os interesses implicados nesse processo.

 

305 – Título: “Caboclos, indígenas e colonos: a mediação da Comissão de Terras e Colonização de Passo Fundo e Palmeira no processo de formação da pequena propriedade no norte rio-grandense (1889-1928)”

Autor: Kalinka de Oliveira Schmitz

Orientador: Profa. Dra. Rosane Márcia Neumann

Banca: Cristiano Luís Christillino (UEPB/ PPGH-UFPE), João Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 27/03/2019

Resumo: Esta dissertação tem por objetivo analisar o processo de (re)organização da propriedade da terra no norte do Rio Grande do Sul durante a Primeira República e os sujeitos envolvidos. Partindo do fato de que essa região já era habitada secularmente por índios e a partir do século XIX por caboclos, a chegada da população colonial, a partir de 1890, desencadeou um rearranjo do cenário da propriedade; junto a isso, as ações governamentais para o avanço da regularização da propriedade da terra impactou de diferentes maneiras os grupos envolvidos. Assim, buscouse sistematicamente a instalação dos grupos indígenas em toldos, restringindo a sua área de ocupação, alterando também seus costumes ao forçar uma sedentarização; os caboclos, que inicialmente foram muito marginalizados, passaram, com Torres Gonçalves – diretor da DTC de 1908 a 1928 –, a serem incluídos em projetos de colonização, para acabar com a expulsão dos mesmos de áreas ocupadas desde muito tempo; e os colonos, que migraram para a região norte rio-grandense em busca de novas terras férteis, acabaram entrando em contato nem sempre amistoso para com os dois primeiros grupos. Portanto, são essas alterações que serão aqui analisadas, buscando compreender as primeiras ações no movimento de privatização da propriedade da terra, e como isso afetou cada grupo. Nesse contexto, nosso estudo visa analisar o processo de acesso e de posse da propriedade da terra no Norte do Rio Grande do Sul na Primeira República (1889-1930), com o objetivo de verificar a pauta de discussão e a ação do governo estadual e os órgãos públicos responsáveis pelas terras e pela colonização. O recorte analítico comparativo delimita-se à atuação da Comissão de Terras e Colonização de Passo Fundo e da Comissão de Terras e Colonização de Palmeira, bem como suas áreas de abrangência, no que se refere a regularização da posse da terra, e da implantação de políticas visando o estabelecimento de indígenas, caboclos e colonos.

 

306 – Título: “Desapropriar para assentar: Um direito e reforma agrária no Rio Grande do Sul (1960-2009)”

Autor: Caroline da Silva

Orientador: Profa. Dra. Ironita A. Policarpo Machado

Banca: Darlan de Oliveira Reis Júnior (URCA), João Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 28/03/2019

O trabalho não possui divulgação autorizada

 

307 – Título: “Da alcova ao palácio seu sussurro era lei”: representações femininas das pombagiras na Fraternidade Estrela da Manhã”

Autor: Chaline de Souza

Orientador: Profa. Dra. Jacqueline Ahlert

Banca: Vanda Fortuna Serafim (UEM), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 04/04/2019

O trabalho não possui divulgação autorizada

 

308 – Título: “Arte pública, paisagem urbana e memória: monumentos passo-fundenses de Paulo Batista de Siqueira”

Autor: Adriana Carmen Brambilla

Orientador: Profa. Dra. Jacqueline Ahlert

Banca: Lurdi Blauth (Feevale), João Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 05/04/2019

Resumo: Este estudo versa sobre os monumentos passo-fundenses de Paulo Batista de Siqueira, artista plástico, que utilizava para compor suas esculturas materiais de refugo, sobretudo ferro e aço, unidos pela solda e transformados em personalidades, deuses mitológicos, (i) migrantes, desbravadores, colonos. Apresentam-se elementos que delineiam de forma panorâmica a história do referido artista, bem como as relações de sentido presentes entre suas produções. A capacidade de Siqueira de criar, através de suas esculturas, representações identitárias, cuja memória é registrada nos monumentos, fez com que tanto grupos sociais quanto o poder público contratassem seus serviços. Os monumentos passo-fundenses em análise são arte pública que tem por característica a acessibilidade do público, possibilitando fruição estética e diálogo com os transeuntes e/ou visitantes. Dentre as obras de arte estão o monumento Teixeirinha, Trigo, Ferroviários, Metalúrgicos e Cavalariano que se inserem na paisagem urbana passo-fundense, alguns se tornaram símbolos da urbanidade de Passo Fundo. A problemática concentra-se em identificar as possíveis motivações que levaram determinados grupos políticos, sociais e culturais a propor e financiar tais monumentos. Concomitantemente, busca-se verificar como ocorreram os processos de composição das referidas esculturas, os sentidos simbólicos projetados no metal e a potencial valoração como bens patrimoniais, que intrinsecamente carrega elementos históricos e estéticos. A fundamentação teórica tem por base autores como Prats (1997), Canclini (1999) e Pesavento (2004) frente a compreensão de patrimônio como construção social. Considerando que os patrimônios se resignificam na interação com os seus leitores, evidenciam relações de poder, econômicas, políticas, culturais e as representações sociais arraigadas nos diversos grupos que compõem as sociedades. Neste sentido, o conceito de representações culturais torna-se central para o estudo, sendo a arte concebida como uma mediadora que possibilita ao interpretante evocar presenças ausentes. Somam-se a isso as noções de monumento e memória, com base em Le Goff (2003). Além das próprias esculturas, configuram-se como fontes de pesquisa periódicos que trataram do tema (proposição e inauguração dos monumentos), projetos de lei e decretos municipais, norteando as análises tanto em termos estéticos quanto históricos. Assim, embora os monumentos analisados sejam obras de arte, percebe-se que a valoração que ocorre não é pelo seu valor estético enquanto arte, mas sim por representarem algumas memórias específicas de elites, o que possibilita certo esquecimento e/ou apagamento em termos de coletividade.

 

309 – Título: ““Julgar a cada um o que é seu”: justiça e criminosos nos domínios portugueses da Fronteira Platina (1777 Ca. – 1810 Ca.)”

Autor: Andréia Aparecida Piccoli

Orientador: Prof. Dr. Alessandro Batistella

Banca: Fábio Kuhn (UFRGS), Felipe Cittolin Abal (UPF)

Defesa: 05/04/2019

Resumo: Esta pesquisa versa sobre a administração da Justiça e os criminosos dos domínios portugueses da Fronteira Platina (1777ca. – 1810ca.), principalmente as repartições militares de Rio Grande e Rio Pardo. Durante o século XVIII, a Capitania do Rio Grande de São Pedro do Sul constituiu uma espécie de estremadura entre os domínios das monarquias portuguesa e espanhola na América meridional. Em processo de anexação ao Império português, a capitania foi composta por uma administração judicial singular, devido à incipiência de malhas administrativas magistradas da Coroa neste território, sendo então constituída pela Justiça local, pelo capitão-general e governador, pelos comandantes militares das supramencionadas repartições e comandantes de distritos, em um sentido de hierarquia militar. Parcela pouco estudada dessa sociedade, os criminosos foram sobretudo indivíduos de extratos sociais subalternos – em uma sociedade na qual o próprio sentido de Justiça validava a desigualdade social perante a lei –; e mormente sujeitos que se utilizaram de práticas ilegais para o melhoramento de suas vidas, em uma conjuntura histórica na qual o crime não era considerado uma ocupação regular. Como punições às suas transgressões, os criminosos tiveram seus corpos supliciados e seus trabalhos forçadamente empregados à serviço de Sua Majestade Fidelíssima. Para a realização dessas práticas, foram utilizadas bases materiais de poder, como os calabouços de fortes e as prisões de guardas, os ferros para flagelar e aferrar os indivíduos, as rotas de transporte e de informações. Ademais, tal conjuntura só foi possível devido à validação desta Justiça pela sociedade, em especial através da notoriedade política e social dos comandantes militares, resultante de seus papéis como mantenedores da ordem púbica e defensores territoriais do Império português, esse último motivo servindo de reconhecimento frente à Coroa. Em detrimento dos criminosos, o corolário desta Justiça foi a subalternização de indivíduos, assim como a validação e a manutenção da ordenação social vigente.

 

310 – Título: “Eternizando a primeira idade: a representação das crianças através das lentes dos fotógrafos Czamanski (1937-1980)”

Autor: Isabella Czamanski Rota

Orientador: Profa. Dra. Jacqueline Ahlert

Banca: Ivo dos Santos Canabarro (UNIJUÍ), Gerson Luís Trombetta (UPF)

Defesa: 05/04/2019

Resumo: Durante o século XX houve uma contínua popularização da fotografia no Brasil, a partir das cidades portuárias até o interior, uma vez que a tecnologia era trazida para o país pelos imigrantes europeus e viajantes. Conforme a presença de fotógrafos se expandia em território nacional, o estado do Rio Grande do Sul não foi exceção. Em Santo Ângelo, o primeiro membro da família Czamanski a iniciar trabalhos no ramo fotográfico foi Armando Czamanski, em meados de 1920. A partir de seu exemplo, seus dois irmãos, Daniel e Deoclides, tornaram-se também fotógrafos, atuando em diversas cidades, principalmente no norte do estado, legando um expressivo acervo. O objetivo do presente estudo é analisar as fotografias feitas pelos irmãos Czamanski entre os anos de 1937 e 1980 que contêm crianças, visando identificar a forma como a criança e a infância foram representadas pelos fotógrafos nas imagens. Dentre as cerca de 600 fotografias encontradas em diferentes acervos, foram selecionadas 221 que se encaixam nos pré-requisitos supracitados. A partir da coleção formada, foi possível aplicar a metodologia de análise composta e adaptada a partir dos estudos de Mauad (1990) e Canabarro (2011). As imagens foram organizadas e divididas de acordo com três características comuns: as feitas em estúdio, as de cunho familiar e as que contêm crianças em eventos sociais. Algumas delas se encaixaram em mais de uma categoria, sendo decidido que pertenceriam àquela que possuía maior relevância para a análise. Dentro das divisões, as fotografias de cada grupo foram analisadas em conjuntos levando em consideração sua temática (como, por exemplo, imagens com a presença de itens relacionados ao mundo dos adultos, ou então em sala de aula), visando notar semelhanças e diferenças, presenças e ausências, que contribuam para a identificação do modo como a criança era, seja de forma deliberada ou não, representada nas fotografias feitas dentro do período em que os três irmãos Czamanski atuaram no ramo no estado do Rio Grande do Sul.

 

311 – Título: “Que cada um ouça o apêlo que lhe dirige Cristo através da nossa voz”: Os Protestantismos nas páginas da Revista Eclesiástica Brasileira (1953-1971)”

Autor: Augusto Diehl Guedes

Orientador: Profa. Dra. Gizele Zanotto

Banca: Renata Siuda-Ambroziak (U. de Varsóvia), Solange Ramos de Andrade (UEM)

Defesa: 05/04/2019

Resumo: Nas últimas décadas, os protestantismos têm ganhado visibilidade no Brasil. Sejam por suas crenças, comportamentos, inserção em múltiplos espaços da sociedade, formas de expansão e de manifestação religiosa, as igrejas protestantes têm se constituído como uma matriz em evidência no campo religioso brasileiro. Apesar de uma inserção efetiva ter se dado ainda no início do XIX, o crescimento dessas igrejas ocorreu de forma mais acentuada a partir de meados do século XX no Brasil. Detentora do maior número de fiéis no país, a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) sempre esteve atenta à presença desses grupos. Dentre as posturas que a hierarquia católica pensou e propôs no Brasil é que buscamos compreender quais foram os discursos produzidos e veiculados acerca dos múltiplos protestantismos por um periódico católico de abrangência e relevância nacional, a Revista Eclesiástica Brasileira (REB), sob a condução dos franciscanos de Petrópolis/RJ e impressa pela Editora Vozes. O recorte situado entre os anos de 1953 e 1971, período no qual o Frei Boaventura Kloppenburg fora seu redator, justifica-se tanto pela recorrência do tema nesse período redatorial em contraposição aos demais, pelos contextos vivenciados pela ICAR e pelas igrejas protestantes no Brasil e fora dele, quanto pela figura de Kloppenburg no trabalho apologético a serviço do catolicismo no país. Para isso, partindo das concepções de Pierre Bourdieu acerca das dinâmicas do campo religioso, utilizamos de proposições da Análise do Discurso de matriz francesa a partir das obras de Eni Orlandi, adaptadas ao olhar do historiador na compreensão de suas fontes. Uma das marcas desses textos publicados é a sua recorrência, pluralidade de olhares e diversidades de objetivos. Passados os 500 anos dos protestantismos, a REB, enquanto uma revista que se queria para sacerdotes católicos constituiu-se em espaço significativo para a (in)formação, discussão e apresentação dessas temáticas, fomentadas pela dinâmica do sub-campo religioso cristão brasileiro, a clérigos católicos em um período de constantes e profundas transformações na ICAR, nos protestantismos e no mundo.

 

312 – Título: “A política sob o Báculo: Dom Agostinho no comando da Diocese de Palmas - Francisco Beltrão (1970-2005)”

Autor: Pâmela Pongan

Orientador: Prof. Dr. Adelar Heinsfeld

Banca: Marta Rosa Borin (UFSM), Alessandro Batistella (UPF)

Defesa: 16/04/2019

Resumo: Esta dissertação tem por objetivo analisar o itinerário vivido por Dom Agostinho José Sartori, na região Sudoeste do Paraná, no âmbito de ações concretas com ênfase na dimensão política no contexto de seu governo da Igreja Diocesana, considerando o fato de que o seu episcopado foi um dos mais longos da história da Igreja Católica no Brasil, firmado em ações de cunho político, voltados a atender as necessidades não só espirituais, mas também sociais, culturais e econômicas de seus fiéis. Iniciando com uma análise do processo de ocupação e colonização da região Sudoeste do Paraná, ressaltando os conflitos agrários, divergências quanto às fronteiras e limites, política migratória e a religiosidade popular que marcaram a concepção desta região, discorrendo sobre as transformações ao longo da história e a construção social que resultaram no atual Sudoeste. Em seguida, abordou-se a chegada e a institucionalização da Igreja Católica na região, destacando suas ações de combate à religiosidade popular já existente, além de enfatizar as ações políticas assumidas pela Igreja ao longo da concepção da Diocese de Palmas e suas modificações até a chegada do segundo bispo Dom Agostinho José Sartori, personagem principal desta pesquisa. Apresentando a história de vida deste e, a partir de uma compreensão de quem era, partiu-se para a análise das suas ações estando a frente da Diocese. Esta abordagem se dará a partir da análise de documentos como cartas pastorais, livros tombo, artigos de jornais e manuscritos pessoais do referido bispo. Durante seus 35 anos de episcopado, foi muito além do espiritual, estabelecendo relações com líderes regionais e estaduais, buscando melhorias na região em diversas áreas. Assim, se buscará identificar e compreender a influência destas ações na sociedade sudoestina, tanto nos aspectos políticos quanto nos sociais, destacando as abordagens educacionais, comunicações sociais, questão da terra e questões sociais, que atingiram de forma direta o povo desta região, tendo seus resultados sentidos ainda hoje.

 

313 – Título: “O Rio Grande do Sul rural no século XIX: uma leitura de dissertações de mestrado”

Autor: Maria Cláudia Machado Barros

Orientador: Prof. Dr. Marcos Gerhardt

Banca: Paulo Afonso Zarth (pesq. independente),  Ironita A. Policarpo Machado (UPF)

Defesa: 17/04/2019

O trabalho não possui divulgação autorizada

 

314 – Título: “O ensino de história e cultura afro-brasileira nos livros didáticos utilizados na região da AMESC (1980-2018)”

Autor: Edilene dos Santos Copetti

Orientador: Prof. Dr. Alessandro Batistella

Banca: Humberto José da Rocha (UFFS), Marcos Gerhardt (UPF)

Defesa: 24/04/2019

O trabalho não possui divulgação autorizada

 

315 – Título: “Brigada Militar e o Policiamento ostensivo: uma trajetória de ressignificação institucional (1967-1988)”

Autor: Moacir Almeida Simões

Orientador: Profa. Dra. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Ronaldo Bernardino Colvero (Unipampa), João Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 26/04/2019

Resumo: A Brigada Militar na condição de força da preservação da ordem e da segurança pública foi instituída no ano de 1837. Devido essa longevidade, passou por todas as fases políticasinstitucionais nacional e da rio-grandense. Entre o ano de 1967 e o ano de 1988, objeto deste estudo, sinaliza mais uma dessas etapas marcantes. Nesta temporalidade demarca-se um período de transformações impulsionadas pela Constituição de 1967, e a legislação específica de polícia militar subsequente, com seus reflexos na órbita estadual. Das mudanças provocadas por esse sistema legal, estas são destacadas por meio de três eixos condutores: política de pessoal, sistemas de ensino e operacional. Na parte de pessoal destaca-se as funções PM relacionadas com a atividade de policiamento, que passa a se desenvolver com maior intensidade em um ambiente comunitário, exigindo uma nova postura profissional identificada nesse contexto. Associadamente a essa mudança, ocorre o processo de desaquartelamento, como efeito da transposição dos efetivos para esse local de atuação. O ensino, seguindo-se uma tradição institucional, investe-se na profissionalização PM, baseada na ideologia estabelecida para a atividade de policiamento a partir de 1967, fundamentada por regras e princípios norteadores identificados com a base legal desse período. Para isso, são transformados os currículos dos cursos de formação institucional em conformidade com as novas orientações estabelecidas. No terceiro aspecto, verifica-se o campo operacional que se trata da transformação da corporação com vista a execução da atividade de policiamento. Nessa projeção, altera-se a organização básica PM; desenvolve-se a política da ocupação territorial, com a articulação da tropa no terreno e a responsabilidade territorial, em correspondência com o escalão de comando PM. Como decorrência das medidas administrativas preparatórias e do planejamento operacional, verifica-se a execução propriamente dita da atividade de policiamento ostensivo, que se tornava mais efetiva ao longo da década de 1970. Para esse intento, inicialmente, utiliza-se com maior frequência o tipo de policiamento ostensivo “geral urbano e rural”. Em seguida, passa-se a operar com outros tipos de policiamento especializados, como o radiopatrulhamento motorizado. Nesse processo de transformações, visivelmente a Brigada Militar mudava aspectos identitários importantes representados pela profissionalização PM e da execução com exclusividade da atividade de policiamento ostensivo por intermédio de suas variáveis operacionais em todo o Estado.

 

316 – Título: “Em tempos de Gay Power: representações da homossexualidade masculina na revista Veja (1968-1983)”

Autor: Leonardo Da Silva Martinelli

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Tedesco

Banca: Joana Maria Pedro (UFSC), James Green (Brown), Gizele Zanotto (UPF)

Defesa: 30/04/2019

Resumo: O presente trabalho busca analisar as representações da homossexualidade masculina na revista Veja (1968-1983). Para tanto é preciso considerar a historicidade das vivências homossexuais e sua construção como abjeção. O autoritarismo do período civil-militar brasileiro direcionou esforços no intento de preservar a chamada “moral e os bons costumes” reprimindo os sujeitos dissidentes desse padrão e censurando a imprensa para que não publicasse temas tidos como subversivos. Nesse cenário, várias representações a respeito dos homossexuais entravam em contato em razão das transformações internacionais, nacionais, e o surgimento dos movimentos identitários politizados. A revista Veja introduzida no mercado como uma proposta inovadora de segmentação, em seu intento de informar, contribuiu com a construção e/ou divulgação de distintas representações. Estas são analisadas nos diferentes espaços em que tais sujeitos foram mencionados nessa revista, desde a sua criação, em 1968, até a primeira reportagem sobre a aids na Veja, em 1983. Valendo-nos da categoria gênero e de suas possibilidades de articulação aos estudos queer foram analisados alguns elementos que envolveram as homossexualidades e as relações de poder estabelecidas nos grupos sociais mediadas e potencializadas pela ação da imprensa. Trata-se de uma pesquisa por amostragem metodologicamente amparada em pressupostos da análise de conteúdo numa abordagem quantitativa e qualitativa. O teor das publicações permitiu agrupar as reportagens em categorias temáticas que revelam o imbricativo e, muitas vezes, a sobreposição de entendimentos que unidos integraram as representações coletivas sobre os homossexuais, na época. A pesquisa visa demonstrar as distintas situações que envolveram os gays, em especial, e as representações na revista Veja decorrentes dessas publicações que estiveram inseridas num contexto conturbado, mas de notórias transformações que marcam a história dos(as) homossexuais no Brasil; período que assinala o apreço proselitista do discurso da moralidade por grande parte dos sujeitos e representantes institucionais, reforçando as representações dominantes e estigmatizantes para com esses sujeitos, mas que também evidenciou olhares múltiplos que ganhariam força e contribuiriam com novas representações.

 

317 – Título: “Imigração e colonização: a colônia Getúlio Vargas/RS em fotografias (1908-1954)”

Autor: Patricia Lilian Mokfa

Orientador: Profa. Dra. Rosane Márcia Neumann

Banca: Cláudio de Sá Machado Júnior (UFPR), Gerson Luís Trombetta (UPF)

Defesa: 22/08/2019

Resumo: Abordar o processo de imigração e colonização a partir das imagens fotográficas tem revelado particularidades sobre a representação dos/e sobre os núcleos coloniais. No presente estudo, analisam-se as imagens fotográficas da colônia Getúlio Vargas, parte da colônia Erechim, hoje município de Getúlio Vargas, localizada no norte do Rio Grande do Sul, no período de 1908 a 1954. O recorte temporal estabelecido pela pesquisa corresponde ao período em que os imigrantes e migrantes começaram a se estabelecer na colônia; em seguida, ocorre o processo de colonização e desenvolvimento. Trata-se da análise de um conjunto de trinta e nove fotografias que se encontram sob a guarda do Arquivo Histórico e Geográfico de Getúlio Vargas, cuja temática são as mudanças e permanências do espaço rural e urbano da colônia Getúlio Vargas e seus sujeitos, colonos e imigrantes que povoaram esse local. Justifica-se o recorte temático pela relevância e carência de estudos nessa linha e a disponibilidade desse acervo fotográfico. Partindo do conceito de representação de Chartier (1991), objetiva-se perceber como os fotógrafos representaram a formação da colônia de Getúlio Vargas no que diz respeito aos espaços fotografados, a instalação dos colonos em seus lotes, a correlação entre colonização e ferrovia, a organização do espaço urbano da colônia no início do século XX. A pesquisa permite compreender que os registros feitos pelos fotógrafos constroem narrativas, em imagens fotográficas, sobre a colonização de Getúlio Vargas ao longo de mais de cinquenta anos e deixam para a posteridade as representações desse processo. As fotografias ganham status de documento e fonte de pesquisa para recuperar o passado, multiplicar os olhares e descobrir como era a vida naquela época. Apresentou as várias etnias e como elas operaram no universo cotidiano por meio de suas práticas culturais e sociais em meio às suas resistências, conflitos. Procurou-se refletir sobre as representações do processo de colonização na fotografia, sob inspiração das vivências e necessidades de adaptação dos imigrantes que ali se instalaram, como um recurso para a representação visual, para a criação de memórias e para a significação histórica e social.

 

318 – Título: “A representação do imigrante judeu na literatura do Rio Grande do Sul: Cágada e O exército de um homem só”

Autor: Gláucia Elisa Zinani Rodrigues

Orientador: Profa. Dra. Rosane Márcia Neumann

Banca: Ivânia Campigotto Aquino (UPF), Isabel Rosa Gritti (UFFS)

Defesa: 26/08/2019

Resumo: Este estudo trata da representação do imigrante judeu na Literatura contemporânea do Rio Grande do Sul, com o recorte na obra de Gladstone Osório Mársico (1927-1976) e Moacyr Scliar (1937- 2011). A presença dos imigrantes judeus no Estado data no início do século XX, com a fundação da colônia Quatro Irmãos que também correspondia às áreas das vilas Baronesa Clara e Barão Hirsch, no espaço rural em 1909, na região norte do Rio Grande do Sul e o estabelecimento de um amplo contingente de imigrantes na capital, localizados no Bairro Bom Fim, por volta de 1914 vinculados ao comércio e profissões de ofício. Distinguiam-se dos demais imigrantes principalmente em razão da religião. Objetiva-se analisar a representação do imigrante judeu na literatura, optando pelas obras Cágada (ou a história de um município a passo de), de Mársico, publicada em 1974, tendo como cenário a Fazenda Quatro Irmãos, em Erechim; e a obra O exército de um homem só, de Scliar, publicada em 1973, ambientada no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Assim, a proposta justifica-se por analisar a presença do judeu na literatura, justamente por sua representação de forma marginal, ora por meio da sátira, ora pela ironia. O estudo, em termos teóricos metodológicos, dialoga com a História Cultural e situa-se na fronteira entre a Literatura e a História. O cruzamento de fontes inclui revisão bibliográfica, documentos sobre a imigração por fontes orais e literárias. Pautado nos dados coletados, ambos os autores, Scliar de origem judaica, e Mársico, advogado da Jewish Colonization Association (ICA), eram testemunhas oculares da presença judaica no Estado, mesclando em suas obras literárias saberes históricos, vivências sociais e culturais. Logo, seus personagens transitam no espaço urbano e rural, carregam consigo sua cultura, sua religiosidade, seus saberes e fazeres, vivendo o seu cotidiano. O imigrante judeu, em espaços de imigração, apresenta uma identidade étnica externa homogênea, sobreposta à heterogeneidade interna, ocupando principalmente espaços urbanos, dedicando-se a atividades de ofício e comércio, representação esta reproduzida também na literatura, e de forma crítica, em relação a colonização da colônia de Quatro Irmãos, como um projeto que não foi bem sucedido mas, atingiu os objetivos de auxiliar os imigrantes judeus vítimas de discriminações nos países de leste europeu.

 

319 – Título: “A ESCOLA PILCHADA - O uso da educação e das políticas públicas pelo MTG”

Autor: Ricardo da Conceição

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin

Banca: Jacqueline Ahlert (UPF), João Vicente Ribas (UPF)

Defesa: 11/09/2019

Resumo: Este trabalho é dedicado à análise do uso das políticas públicas por parte do Movimento Tradicionalista Gaúcho, nas mais diversas áreas públicas do Rio Grande do Sul, em especial na área da educação. Para tanto, são analisadas proposições e teses apresentadas nos Congressos Tradicionalistas, organizados pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, que tenham como finalidade demandas para políticas no estado do Rio Grande do Sul. É analisado, ainda, como as demandas do Movimento Tradicionalista Gaúcho são de fato implementadas nas políticas de estado do Rio Grande do Sul. Também, se faz a análise de como surgiu e se difundiu o gauchismo ao longo história, e como hoje se transformou numa das principais forças políticas e econômicas do Estado. São ainda analisadas como as ações propositivas do Movimento Tradicionalista Gaúcho encontram nas escolas amplo espaço para sua implementação, com inúmeras atividades desenvolvidas por entidades e sujeitos ligados ao Movimento. A documentação analisada faz parte de publicações bibliográficas do Movimento Tradicionalista Gaúcho, bem como publicações digitais de portais, sites e blogs ligados ao MTG. É a partir das análises dos documentos basilares do Movimento Tradicionalista Gaúcho e de proposições apresentadas em Congressos Tradicionalistas, pode-se concluir que o Movimento se entende como órgão de utilidade pública, sendo apto a auxiliar o Estado em seus problemas. Sendo que o MTG se entende, por vezes, como parte integrante da estrutura de estado, propondo ações, leis, manuais utilizando-se de ações diretas em determinadas áreas. Também, que o movimento entende ser necessária sua atuação para a Educação de crianças e jovens com a introdução dos princípios tradicionalistas na escola, apoiando-se numa estância imaginária e impondo uma cultura única a todos, desconsiderando a multiculturalidade que forma o Estado do Rio Grande do Sul. Dessa forma, o movimento encontra na educação e nas escolas terreno fértil para a implementação de suas demandas.

 

320 – Título: “A trajetória histórica da APAE: os casos de Getúlio Vargas e Passo Fundo RS, 1967-2008”

Autor: Ingrid Pelissari Kravos

Orientador: Prof. Dr. Marcos Gerhardt

Banca: Rosimar Serena Siqueira Esquinsani (UPF), Samira Peruchi Moretto (UFFS)

Defesa: 16/09/2019

Resumo: No processo do estudo das instituições privadas que fornecem serviços a pessoas com deficiência, se deu a origem essa pesquisa, que aborda a história de duas entidades da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Getúlio Vargas – RS e de Passo Fundo – RS. Para isso, pesquisou-se a história das associações e com um recorte temporal que inicia no ano de fundação da APAE Passo Fundo, em 1967 e finaliza em 2008, em virtude da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Busca compreender as mudanças legais que ocorreram entre os anos de 1967 e 2008 e como tais modificações influenciaram no cotidiano das pessoas com deficiência. As fontes utilizadas na pesquisa englobam as publicações legais, documentação das entidades (livros de atas e acervo fotográfico) e pesquisa oral realizada com pessoas relacionadas ás de APAEs de Getúlio Vargas – RS e de Passo Fundo – RS, como familiares de alunos, membros da diretoria, funcionários e ex-funcionários. Essa pesquisa intercorreu na perspectiva da história regional com ênfase nas cidades sedes das associações. Por meio do estudo da história regional, busca-se reflexões de maior abrangência e a compreensão de processos históricos mais amplos. Assim, entende-se que o estudo da história do período proposto é significativo não apenas para a compreensão da história local, mas possibilita o entendimento de conjunturas que envolvem a história da educação do deficiente em âmbito nacional, pois traz inúmeros elementos que são representativos de processos históricos e contextos mais abrangentes. Neste contexto, percebemos que a assistência pública aos deficientes iniciou na década de 1990, abrangendo os investimentos das esferas federais, estaduais e municipais, resultando na consolidação da institucionalização da educação especial, fazendo que tais associações privadas, se constituíssem socialmente como o locus da deficiência e que as questões educacionais sobre a inclusão escolar ainda estão sendo pensadas, discutidas e organizadas pelos órgãos legais responsáveis.

 

321 – Título: “A trajetória política de Siegfried Emanuel Heuser (1950-1986)”

Autor: Gustavo Henrique Kunsler Guimarães

Orientador: Prof. Dr. Alessandro Batistella

Banca: Carla Brandalise (UFRGS), Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 27/09/2019

Resumo: A presente pesquisa tem por objetivo analisar a trajetória política de Siegfried Emanuel Heuser, considerando o espaço em que o mesmo esteve ativo politicamente. Nesse sentido, a dissertação insere-se dentro dos estudos que versam sobre História Política, com ênfase no estado do Rio Grande do Sul. Dentro da proposta, se estabelece como recorte cronológico o período de 1950 até 1969, quando teve seus direitos políticos cassados e 1979 até 1986, ano em que o político faleceu. Para viabilizar o estudo, foram utilizados os periódicos Diário de Notícias e Correio do Povo, de Porto Alegre, e Gazeta do Sul de Santa Cruz do Sul. Juntamente com fontes de imprensa, foram analisados anais da Assembleia Legislativa do estado do Rio Grande do Sul, referentes aos pronunciamentos do político, feitos em sessões plenárias das legislaturas em que esteve presente no legislativo (1951-1967). Além destas fontes, também se analisa os pronunciamentos, projetos de lei e proposições de Siegfried Heuser como deputado federal (1983-1986). Para a análise destas fontes e otimização do tempo de pesquisa, utiliza-se como método a análise de conteúdo, dentro de uma perspectiva quantitativa, a fim de organizar as informações, e qualitativa, no sentido de análise. Sob essa perspectiva, busca-se problematizar a passagem do político inicialmente pelo Partido Trabalhista Brasileiro e posteriormente pelo Movimento Democrático Brasileiro, onde atuou como Presidente da executiva estadual do partido até sua cassação, em 1969. É analisado também o retorno para mesmo MDB e migração para os quadros do Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Para isso, analisa-se questões intrapartidárias, a construção do capital político de Siegfried Heuser e a relação deste com o eleitorado. Então, procura-se compreender as ações do mesmo problematizando seus pronunciamentos, projetos de lei apresentados e grupos beneficiados pelos mesmos, escolhas feitas no decorrer da trajetória política, contextualizando os posicionamentos dele dentro do campo político.

 

322 – Título: “CARTAS EM TEMPOS DE GUERRA: A REVOLUÇÃO FEDERALISTA NA CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA POR FLORIANO PEIXOTO (RS, SC, PR, 1893-1894)”

Autor: Waleska Sheila Gaspar

Orientador: Profa. Dra. Ana Luiza Setti Reckziegel

Banca: Maria Medianeira Padoin (UFSM), Adelar Heinsfeld (UPF)

Defesa: 18/11/2019

Resumo: A Revolução Federalista, como ficou conhecida a guerra civil ocorrida entre os anos de 1893 a 1895 no Rio Grande do Sul, opôs federalistas e castilhistas na luta pelo poder do Estado e integra um dos episódios mais graves que a recém-proclamada República do Brasil teve de enfrentar. O conflito não ficou circunscrito ao estado sul-rio-grandense, alcançando seus estados vizinhos: Santa Catarina e Paraná. Isto posto, o presente estudo tem como objetivo analisar a Revolução a partir de um conjunto documental constituído pela correspondência passiva durante a revolta do então presidente da República Floriano Peixoto. Para tanto, optouse pela seleção das missivas correspondentes aos estados envolvidos diretamente com o conflito: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a fim de compreender quais foram os influxos políticos decorrentes do conflito em sua perspectiva regional, bem como as relações estabelecidas com o governo federal nesse sentido. A análise e interpretação das cartas remete aos referenciais teórico-metodológicos que levam em consideração as peculiaridades da escrita epistolar, articulando a isso estudos que perpassam a identificação do documento enquanto portador de um discurso. Dessa forma, interessa entender a Revolução Federalista em seu contexto levando em consideração os desdobramentos desta nos estados sulinos em consonância com a atuação do governo federal na guerra, buscando caracterizar as ações, articulações políticas, interesses e ideias manifestadas na correspondência investigada. A análise das fontes aponta para a existência de uma trama estabelecida entre os indivíduos por meio das práticas e discursos presentes em suas correspondências e estas, além de revelarem as percepções, estratégias e dificuldades encontradas no decorrer da guerra, evidenciam os valores e ideais comuns compartilhados pelos sujeitos nesse contexto histórico em específico. Desse modo, este estudo contribui para a originalidade da pesquisa, visto que a investigação sistemática das fontes elencadas é algo ainda não apresentado em outros exames sobre a Revolução Federalista. Assim, considera-se que esse trabalho contribui significativamente para a historiografia acerca do conflito sulino e do cenário político que marcaram os primeiros anos da República brasileira.

 

323 – Título: ““TERRAS DE NEGRO”: CAMINHO ENTRE O DIREITO CONSUETUDINÁRIO E O DIREITO CONSTITUCIONAL SOBRE A PROPRIEDADE”

Autor: Áxsel Batistella de Oliveira

Orientador: Profa. Dra. Ironita Policarpo Machado

Banca: Ancelmo Schörner (Unicentro - Campus Irati), João Carlos Tedesco (UPF)

Defesa: 28/11/2019