Exposições

Exposição “Os enigmas de Clara Pechansky”

A exposição “Os Enigmas de Clara Pechansky” do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS) pode ser visitada na Sala Desdêmona Machado Aires -Teatro Municipal Mucio de Castro. A mostra, que tem curadoria da coordenadora do Museu Tania Aimi, tem como objetivo apresentar obras que integram o acervo do MAVRS em outro espaço de Passo Fundo, em razão de que a sede dos Museus encontrasse temporariamente fechada, para reforma elétrica.

São oito gravuras da artista que trazem a presença da mulher, dos movimentos sociais e políticos do Brasil das décadas de 1980 a 1990. Entre os personagens da artista – operários, militares, quixotes, músicos, anjos – a mulher foi escolhida como enfoque principal dessa proposta expositiva. “A mulher artista – Clara Pechansky –   as mulheres no contexto de Clara e inseridas nos movimentos sociais, no cotidiano, a mulher oprimida, calada, representada através da ausência da boca, e seus enigmas”, explicou, a coordenadora, lembrando que Clara é uma artista que trata do universo humano. 

Outro motivo, que justifica a escolha de obras da artista é a publicação “Variações sobre o enigma”, de 2000 que apresenta seus 40 anos de arte e na qual Clara convida escritores e artistas a uma reflexão sobre seu trabalho. A mostra apresenta também alguns desses fragmentos. Entre os convidados, estão Moacyr Scliar, Lya Luft, Cyro Martins, Luís Fernando Verissimo e Armindo Trevisan, além críticos de arte, e da artista Liana Timm que também faz a apresentação da publicação.

O MAVRS é vinculado à Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (VREAC) da UPF. 

Serviço
O que: Exposição “Os enigmas de Clara Pechansky”
Onde: Sala Desdêmona Machado Aires – Teatro  Municipal Mucio de Castro
Quando: de 22/04 a 22/05/2019
Entrada gratuita
 

Exposição "AMOR QUE MATA – do sonho ao pesadelo do feminicídio no RS”

A Exposição AMOR QUE MATA- do sonho ao pesadelo do feminicídio no RS,  conduz o visitante no mergulho profundo do sonho de amor embalado por poemas de Frida Khalo e Pablo Neruda, em composição com fotografias de Fran Tobin,  Francisco Severo e Suelena Moreira para introduzi-los na instalação, construída colaborativamente com mulheres e adolescentes, que aborda o feminicídio  em território gaúcho, num convite para a reflexão sobre relacionamentos adoecidos e as saídas possíveis para as mulheres que vivem  tal situação.

É da condição humana o desejo de amar e ser amado. De viver a melhor das relações e ter no outro o complemento para que tudo faça mais sentido e o caminho seja mais alegre, leve, divertido.

De modo geral todos os começos são a materialização desse sonho, porém, em muitos casos mais do que caminhar lado a lado, de estabelecer uma relação sadia, há o aprisionamento da alma, do corpo e se instala a violência contra a mulher.

O Rio Grande do Sul ocupa o 14 º lugar no ranking nacional do feminicídio: morte de mulheres em ambiente doméstico ou por misoginia (aversão à mulheres), praticadas por homens, em geral maridos, companheiros e namorados.

Partindo deste contexto a museóloga Doris Couto que foi vítima de violência por parte do Ex-marido, idealizou a exposição, da qual é curadora em parceria com Leila Pedrozo – também museóloga.

Trazer textos de Frida Khalo, uma mulher que viveu um relacionamento abusivo com Diego Riveira, faz com que a narrativa e a reflexão propostas pela exposição, ao mesmo tempo que profunda, tenha a verdade melancólica e dolorida de quem sofreu na pele a violência moral e psicológica em um relacionamento – tipos de violência nem sempre percebidos como violência. Frases de Frida perpassam os diferentes momentos da expografia, diz Doris.

Bustos transparentes representam as 117 mulheres mortas em 2018 por seus namorados, maridos e/ou companheiros numa representação da invisibilidade dessas mortes enquanto resultado de uma prática machista originada na sociedade patriarcal da qual fazemos parte.

Os tipos de violência contra a mulher, até chegar na morte, são apresentados numa escada onde cada degrau representa um desses tipos, muitas vezes negligenciados.

Alguns dos artefatos da Exposição foram produzidos por 16 crianças e adolescentes de um projeto social de Porto Alegre através de oficinas, onde o tema foi tratado. Para Consuelo Garcia, Coordenadora do IDHESCA BRASIL – instituição proponente da Exposição “esse engajamento de crianças e jovens é fundamental na construção de uma sociedade onde os direitos das mulheres sejam respeitados pelos homens e onde as mulheres não se sujeitem a nenhum tipo de violência por achá-las natural. Esse processo de desnaturalização da violência é determinante na construção da cidadania”.

Para a Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo (CDHPF), uma das organizações co-promotoras da Exposição, “mostrar a realidade é fundamental para que a consciência seja ativada e, ao ser ativada, possa gerar posicionamento e compromissos concretos. A denúncia é alimento para fortalecer a ação de resistência e de enfrentamento para que nenhum ser humano, nenhuma mulher, passe por situações tão tristes. O amor não pode matar, de modo algum”, justifica Paulo César Carbonari, coordenador geral da CDHPF.

O Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, que sediará a exposição com o apoio da Universidade de Passo Fundo cumpre uma de suas funções sociais que é estar acompanhando, denunciando, divulgando ações e ao lado da comunidade buscando alternativas para combater situações como essas. Como também são as práticas cotidianas da nossa Universidade que busca estar sempre próximo e inserida na comunidade através de seus programas e projetos como o PROJUR MULHER (Programa Projur Mulher e Diversidade), CEPAVI (Projeto Clínica de Estudos, Prevenção, Intervenção e Acompanhamento à Violência), PAIFAM (Programa de Acolhimento Interinstitucional às famílias), Projeto Economia Solidária e Equidade de Gênero.

Também apoiam a exposição a FAC (Faculdade de Artes e Comunicação) e o Curso de História. 

A exposição tem também o apoio de entidades e associações da Comunidade: Coletivo Feminista Maria Vem com as Outras, Movimento Olga Benário, Caritas, Conselho da Mulher, ACEMUN (Associação Cultural de Mulheres Negras), PLPS (Promotoras Legais Populares), Ocupações, IFSUL (Instituto Federal Sul-Rio-Grandense), UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul).

Importante informar que a Exposição integra a 17ª Semana Nacional de Museus que ocorre em todo o Brasil de 13 a 19 de maio.  É uma temporada cultural promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus em comemoração ao Dia Internacional de Museus (18 de maio).  Nessa edição, 1.114 instituições de cultura de todo o país oferecem ao público 3.222 atividades especiais, como visitas mediadas, palestras, oficinas, exibição de filmes e muito mais!

Serviço:
Local: Portal das Linguagens – UPF - Campus I
Abertura: Dia 09/05/2019 às 17h
Data e horário: De 09 a 31/05/2019 – Das 8h 30min às 17h.

Exposição Gênese

Em 1995, a cidade de Passo Fundo recebeu uma coleção de mais ou menos 300 obras de arte doadas pela artista Ruth Trella Schneider. Esse gesto reverberou como um dispositivo para que a Universidade de Passo Fundo, através da artista e professora Roseli Doleski Pretto e da então Vice-Reitora de Pesquisa,
Pós-Graduação e Extensão Tânia M. K. Rösing, em parceria com a Prefeitura Municipal, através da Secretária de Cultura, Lurdes Canelles, criasse um museu de arte, distante da capital do estado, ou seja, fora da rota do hegemônico Sistema de Arte.

Essas três mulheres junto à artista Ruth Schneider e a uma pequena e dedicada equipe de funcionários, contando com a contribuição de mais de uma centena de artistas dos mais diversos cantos do Rio Grande do Sul, tornaram possível a inauguração do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider- MAVRS e a reabertura do Museu Histórico Regional-MHR, no dia 18 de maio de 1996. Em formato de exposição, foram apresentados, de forma inédita para muitos moradores da cidade e região, obras de arte e objetos de valor histórico.

O Museu de Artes Visuais Ruth Schneider iniciou seu acervo a partir da doação de boa parte da coleção das obras da artista que dá nome ao museu, reconhecida internacionalmente, e com participação na 25ª edição da maior exposição de arte do país, a Bienal Internacional de São Paulo, com obra Vermelho 27 Crônica Satírica em 1991. Através de sua obra, Ruth Schneider falou sobre seu passado e suas histórias de família, inspiradas no contato que seus entes tiveram com um conhecido cassino que funcionou na cidade na década de 40. Como diz o ditado: “é universal quem fala de sua tribo”. Assim, com sua narrativa visual, a artista ganhou o mundo, transformando, em arte o que viveu e guardou na memória sobre sua cidade natal, Passo Fundo. É privilégio deste povo eternizar uma parte de sua história através da criação de obras de arte de uma artista de tal representatividade.

Contudo, é preciso lembrar que, antes mesmo da inauguração do MAVRS, um grande número de artistas, em sua maioria gaúchos, mas de alcance nacional e internacional, além de galerias, oficinas e instituições artísticas, doaram obras para que se formasse o seu acervo. Assim, a extensa lista de contribuições foi composta por: Renato Rosa (Galeria Agência de Arte), Milton Couto (Galeria Arte e Fato), Museu do Trabalho, Oficina 11, Galeria Espaço da Arte (de Passo Fundo), Amarilli Licht, Ana Baladão, Aniko Herskovits, Astrid Linsenmayer, Beatriz Camelier, Beno Pfersher, Berenice Unikowsky, Esther Bianco, Bina Monteiro, Brunhilda, Caé Braga, Carlos Alberto Mayer, Carlos Scliar, Carlos Wladimirsky, Carmen Medeiros, Celma Paese, Clara Pechansky, Cláudia Tolentino, Clóvis Peretti, Cris Rocha, Danúbio Gonçalves, Edgar do Valle, Edson Brettas, Egia Fiedler, Eleonora Fabre, Eliane Santos Rocha, Esther Bianco, Felix Bressan, Fernando Bakos, Fernando Baril, Francisco Stockinger, Antônio Augusto Frantz Soares, Glaé Eva Macalos, Gustavo Nakle, Hans Steiner, Harold Brody, Hélio Fróes, Heloísa Tigre, Henrique Leo Fuhro, Hilda Mattos, Ibenetti Ícaro, Irene Ludwig, Isabel Cristina Coelho Carvalho, Isabel Nectoux, João Luiz Roth, Jorge Taffarel, Nelson Jungbluth, Klaudiucs Kowol, Lara Spinosa, Lígia Brisolara, Loide Hortência Wagner, Lourdes Sterzi, Luiz Alberto, Luiz Gonzaga, Luiza Fontoura, Magaça, Maia Menna Barreto, Márcia Leal Wialich, Maria Lucina Busato Bueno, Maria Tomaselli, Marta Loguercio, Miriam Postal, Miriam Tolpolar, Mônica Kabregu, Nadja Rossato Cruz, Nelson Gonzales, Norma Cazzullo, Ondina Pozoco, Paulo Chimendes, Roberto Bililos, Roberto Schmitt-Prym, Rodo, Rojane Lamego, Rosana Almendares, Rosana Bortolin, Roseli Pretto, Rusy Scliar, Sandra Bethieray, Antônio Soriano, Tânia Couto, Vagner Dotto, Vasco Prado, Waldeni Elias, Waldomiro Motta, Wilson Alves, Wilson Cavalcanti, Yen Yordi,Zélia Araújo Santos e Zorávia Bettiol. 

Esses artistas que confiaram suas obras à salvaguarda de um museu de arte em Passo Fundo, não só entregaram suas criações como oportunizaram ao público da cidade e região uma chance de dialogar com o cenário cultural do estado e do país vigente na década de 1990. Um acervo de arte é um diário do cotidiano, que guarda, para as futuras gerações, leituras, vivências, acordos e desacordos referentes à percepção do mundo na forma de objetos, ideias ou proposições. Engana-se quem acredita que o acervo é algo estático. Cada vez que reencontramos as obras de um acervo, abrimos oportunidades para ampliar o futuro sem correr o risco de refazer os mesmos traços, mas sim de seguir a partir deles. Um acervo existe para além de um museu, mas um museu só existe porque dispõe de um acervo. É um bem público de domínio privado. A manutenção de instituições que façam a salvaguarda da história e da cultura, promovendo o seu compartilhamento com o público, é um direito de todos, inclusive, dos artistas, que confiaram a elas as suas obras, acreditando que serão expostas e mantidas a salvo das ações do tempo.

Hoje composta por mais de 1.400 obras de arte, a reserva técnica do MAVRS abre suas portas e apresenta, nesta exposição, pela primeira vez, um panorama do acervo do MAVRS desde a sua composição inicial. Assim, é uma oportunidade rara de visualizar o maior número de obras de arte já apresentado pela instituição nesta cidade. Estão contemplados artistas representantes do que se produziu e foi legitimado pelo Sistema de Arte do Rio Grande do Sul desde a década de 1970 até o presente. Através de obras de cunho Modernista e de aportes do Contemporâneo, é possível vislumbrar as mudanças de posturas e a diversidade de visões dos artistas em suas criações.

Segundo Anne Cauquelin, hoje seguimos a partir do conceito de arte contemporânea como sendo tudo aquilo que une o conhecimento e está “além da técnica e uso deste ou daquele material, ou ainda ao fato de pertencerem a este ou aquele movimento dito ou não de vanguarda”, mas de apresentar ao invés de representar. A “pluralidade incontrolável de ‘agoras’”, ou seja, de intermediar um diálogo entre a sucessão de outros tempos e o presente. Se, para o público, muitas vezes, a arte contemporânea parece incompreensível, é dado nesses novos tempos o direito de estabelecer outras formas de conexão com o mundo, que vão além da beleza, do gosto pessoal e do comportamento contemplativo, remetendo-nos para o dialógico, envolvendo perguntas e inúmeras tentativas de respostas. Assim, uma exposição é um universo de trocas simbólica, de experiências que vão construindo suas próprias narrativas.

Até 31-07-2019.