Exposições

Gênese: A construção do acervo do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider

Em 1995, a cidade de Passo Fundo recebeu uma coleção de mais ou menos 300 obras de arte doadas pela artista Ruth Trella Schneider.   Esse gesto reverberou como um dispositivo para que a Universidade de Passo Fundo, por intermédio da artista e professora Roseli Doleski Pretto e da então Vice-Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão Tânia M. K. Rösing, em parceria com a Prefeitura Municipal, através da Secretária de Cultura Lurdes Canelles, criasse um museu de arte, distante da capital do estado, ou seja, fora da rota do hegemônico Sistema de Arte. 

Essas três mulheres, junto à artista Ruth Schneider e a uma pequena e dedicada equipe de funcionários, contando com a contribuição de mais de uma centena de artistas dos mais diversos cantos do Rio Grande do Sul, tornaram possível a inauguração do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS) e a reabertura do Museu Histórico Regional (MHR), no dia 18 de maio de 1996.  Em formato de exposição, foram apresentados, de forma inédita para muitos moradores da cidade e da região, obras de arte e objetos de valor histórico. 

O MAVRS iniciou seu acervo a partir da doação de boa parte da coleção das obras da artista que dá nome ao museu, reconhecida internacionalmente, e com participação na 25ª edição da maior exposição de arte do país, a Bienal Internacional de São Paulo, com a obra Vermelho 27 Crônica Satírica, em 1991. Com sua obra, Ruth Schneider falou sobre seu passado e sobre suas histórias de família, inspiradas no contato que seus entes tiveram com um conhecido cassino que funcionou na cidade na década de 1940.  Como diz o ditado: “é universal quem fala de sua tribo”.  Assim, com sua narrativa visual, a artista ganhou o mundo, transformando em arte o que viveu e guardou na memória sobre sua cidade natal, Passo Fundo, cujo povo tem o privilégio de eternizar uma parte de sua história através da criação de obras de arte de uma artista de tal representatividade. 

Contudo, é preciso lembrar que, antes mesmo da inauguração do MAVRS, um grande número de artistas, em sua maioria gaúchos, mas de alcance nacional e internacional, além de galerias, oficinas e instituições artísticas, doaram obras para que o acervo fosse formado. Assim, a extensa lista de contribuições foi composta por: Renato Rosa (Galeria Agência de Arte), Milton Couto (Galeria Arte e Fato), Museu do Trabalho, Oficina 11, Galeria Espaço da Arte (de Passo Fundo), Antônio Augusto Frantz Soares, Amarilli Licht, Ana Baladão, Aniko Herskovits, Astrid Linsenmayer, Beatriz Camelier, Beno Pfersher, Berenice Unikowsky, Esther Bianco, Bina Monteiro, Brunhilda, Caé Braga, Carlos Alberto Mayer, Carlos Scliar, Carlos Wladimirsky, Carmen Medeiros, Celma Paese, Clara Pechansky, Cláudia Tolentino, Clóvis Peretti, Cris Rocha, Danúbio Gonçalves, Edgar do Valle, Edson Brettas, Egia Fiedler, Eleonora Fabre, Eliane Santos Rocha, Esther Bianco, Felix Bressan, Fernando Bakos, Fernando Baril, Francisco Stockinger, Glaé Eva Macalos, Gustavo Nakle, Hans Steiner, Harold Brody, Hélio Fróes, Heloísa Tigre, Henrique Leo Fuhro, Hilda Mattos, Ibenetti Ícaro, Irene Ludwig, Isabel Cristina Coelho Carvalho, Isabel Nectoux, João Luiz Roth, Jorge Taffarel, Nelson Jungbluth, Klaudiucs Kowol, Lara Spinosa, Lígia Brisolara, Loide Hortência Wagner, Lourdes Sterzi, Luiz Alberto, Luiz Gonzaga, Luiza Fontoura, Magaça, Maia Menna Barreto, Márcia Leal Wialich, Maria Lucina Busato Bueno, Maria Tomaselli, Marta Loguercio, Miriam Postal, Miriam Tolpolar, Mônica Kabregu, Nadja Rossato Cruz, Nelson Gonzales, Norma Cazzullo, Ondina Pozoco, Paulo Chimendes, Roberto Bililos, Roberto Schmitt-Prym, Rodo, Rojane Lamego, Rosana Almendares, Rosana Bortolin, Roseli Pretto, Rusy Scliar, Sandra Bethieray, Antônio Soriano, Tânia Couto, Vagner Dotto, Vasco Prado, Waldeni Elias, Waldomiro Motta, Wilson Alves, Wilson Cavalcanti, Yen Yordi, Zélia Araújo Santos e  Zorávia Bettiol.   

Esses artistas, que confiaram suas obras à salvaguarda de um museu de arte em Passo Fundo, não só entregaram suas criações como oportunizaram ao público da cidade e região uma chance de dialogar com o cenário cultural do estado e do país vigente na década de 1990.  Um acervo de arte é um diário do cotidiano, que guarda, para as futuras gerações, leituras, vivências, acordos e desacordos referentes à percepção do mundo na forma de objetos, ideias ou proposições. Engana-se quem acredita que o acervo é algo estático. Cada vez que reencontramos as obras de um acervo, abrimos oportunidades para ampliar o futuro sem correr o risco de refazer os mesmos traços, mas sim de seguir a partir deles. Um acervo existe para além de um museu, mas um museu só existe porque dispõe de um acervo.  É um bem público de domínio privado. A manutenção de instituições que façam a salvaguarda da história e da cultura, promovendo o seu compartilhamento com o público, é um direito de todos, inclusive, dos artistas, que confiaram a elas as suas obras, acreditando que serão expostas e mantidas a salvo das ações do tempo.

Hoje composta por mais de 1.400 obras de arte, a reserva técnica do MAVRS abre suas portas e, pela primeira vez, apresenta – na exposição Gênese – um panorama do acervo do MAVRS desde a sua composição inicial. Assim, é uma oportunidade rara de visualizar o maior número de obras de arte já apresentado pela instituição nesta cidade. Estão contemplados artistas representantes do que se produziu e foi legitimado pelo Sistema de Arte do Rio Grande do Sul desde a década de 1970 até o presente. O contato com obras de cunho Modernista e de aportes do Contemporâneo oportuniza que se vislumbe as mudanças de posturas e a diversidade de visões dos artistas em suas criações. 

Segundo Anne Cauquelin, hoje concebemos a arte contemporânea como sendo tudo aquilo que une o conhecimento e está “além da técnica e uso deste ou daquele material, ou ainda ao fato de pertencerem a este ou aquele movimento dito ou não de vanguarda”. Hoje, priorizamos o apresentar em detrimento do representar. É a “pluralidade incontrolável de ‘agoras’”, ou seja, é a intermediação de um diálogo entre a sucessão de outros tempos e o presente.     

Se, para o público, muitas vezes, a arte contemporânea parece incompreensível, é dado nesses novos tempos o direito de estabelecer outras formas de conexão com o mundo, que vão além da beleza, do gosto pessoal e do comportamento contemplativo,  remetendo-nos para o dialógico, envolvendo perguntas e inúmeras tentativas de respostas.  Assim, uma exposição é um universo de trocas simbólicas e de experiências que vão construindo suas próprias narrativas.

  

Curadoria
Luciane Campana Tomasini

Funcionamento
De terça a sexta-feira, das 8h30min às 17h.
Sábados e domingos, das 14h às 17h.
Local: Portal das Linguagens, ao lado do Centro de Eventos, Campus I da UPF. A entrada é gratuita.


Exposição: "Projeto Rio Passo Fundo: patrimônio paisagístico, natural, ambiental, histórico-cultural, econômico e político" de 10/08 a 16/12/2018

Conheça a exposição

O Projeto Rio Passo Fundo: patrimônio paisagístico, natural, ambiental, histórico-cultural, econômico e político - desenvolvido pelo Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS), com o apoio do Museu Histórico Regional (MHR) e do Museu Zoobotânico Augusto Ruschi (Muzar), ligados à Universidade de Passo Fundo e realizado a partir do patrocínio de R$ 300 mil provenientes do Programa CAIXA de Apoio ao Patrimônio Cultural Brasileiro 2017/2018 - busca reconhecer o Rio Passo Fundo como parte essencial da sociedade. 

O projeto que envolve os 30 municípios da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo, foi desenvolvido durante os anos de 2017 e 2018, e consiste na realização de exposições,  e na construção de um banco de dados – constituído a partir de informações obtidas durante as expedições realizadas e, ainda, através do Edital de Mapeamento de Potenciais Informativos - que permite que a comunidade tenha acesso e conhecimento sobre todas as informações que compreendem a Bacia Hidrográfica. Para a construção das exposições, foram realizadas, cinco expedições que percorreram nove municípios - Campinas do Sul, Cruzaltense, Entre Rios do Sul, Faxinalzinho, Nonoai, Passo Fundo, Pontão, Ronda Alta  e Sertão - em busca de informações e vestígios históricos e ambientais sobre o Rio Passo Fundo.
 “Só mais um” é uma instalação na qual o destaque são os resíduos retirados das margens e do interior do Rio Passo Fundo. Esses materiais foram recolhidos, higienizados, pintados e separados por categorias distintas, de acordo com a coleta seletiva realizada por professoras e acadêmicos do Curso de Artes Visuais da UPF.

A exposição “ÁGUA – (nossa) imagem líquida”, foi realizada pela Profª Fabiana Beltrami da NexJor/FAC/UPF, e conta com projeção de imagens feitas do Rio Passo Fundo, na água.

A Profª Me. do curso de Artes Visuais FAC/UPF Ivana Rocha Tissot realizou a exposição “Sons do Mundo”, que busca sensibilizar o participante para questões que dizem respeito à extração, à produção e ao consumo exagerado de produtos e a geração de resíduos que esse processo causa para o nosso planeta. 

A exposição “Percurso poético do rio: terras, cores e nuances” da artista Maria Lucina Busato Bueno e por acadêmicas do curso de Artes Visuais FAC/UPF, conta com painéis confeccionados com tintas naturais.

Funcionamento
De terça a sexta-feira, das 8h30min às 17h.
Sábados e domingos das 14h às 17h.
Local: Portal das Linguagens, ao lado do Centro de Eventos, Campus I da UPF. A entrada é gratuita.