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Conscientização que vem por meio da educação

  • Por: Caroline Simor
  • Fotos: Divulgação

Pesquisa realizada por doutoranda do PPGEng leva à crianças e adultos informações e ações para o cuidado com o meio ambiente

Utilizar a ciência como ferramenta para mudanças sociais é um dos objetivos de todo pesquisador. E foi exatamente com esse foco que a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGEng), Vanessa Tibola da Rocha, colocou em prática a pesquisa Educação em Mudanças Climáticas: um estudo de caso em Passo Fundo. Orientada pela professora Dra. Luciana Brandli, ela levou até o Instituto Estadual Cardeal Arcoverde, ações e informações sobre o que é possível fazer no dia-a-dia para melhorar e cuidar do planeta.

Embasada na Agenda 2030, que apresenta os desafios para o desenvolvimento sustentável das comunidades globais, representados pelos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados pela ONU em 2015, Vanessa buscou unir a teoria e a prática. De acordo com ela, as Instituições de Ensino Superior (IES); empresas privadas; setor público e a sociedade em geral, vem somando forças para o desenvolvimento de estratégias que qualifiquem o território aonde vivem. “O trabalho de tese vem sendo desenvolvido como um estudo de caso, com base metodológica estruturada por meio de documentos da UNESCO. “Essa pesquisa apresenta impactos positivos, em primeiro plano, para o ambiente escolar uma vez que, há consciência sobre a necessidade de separação e destino adequado dos resíduos produzidos por cada um, entre muitas outras estratégias (pela pesquisa enfatizadas), sobre a necessidade do comportamento orientado para o desenvolvimento sustentável. Mas, há também, a contribuição em outras esferas, tais como: em casa, no bairro, na cidade, em outros territórios atuais e futuros que essas crianças irão conhecer e/ou passar a viver ao longo da vida”, destaca, ressaltando que o trabalho atua em duas frentes: estudantes e professores.

Segundo Vanessa, o impacto inicia de forma local, mas acredita-se que, com o tempo e com as atividades, irá atingir outros níveis e territórios. A proposta metodológica foi baseada em documentos já publicados pela Unesco, distribuído globalmente e voltados para a capacitação de professores. Para aplicação na Escola Arcoverde, a doutoranda fez algumas adaptações e especificou seis temas para a abordagem: aprendizagem, futuro, adaptação e mitigação, impactos locais, impactos globais e empoderamento e ação. “Todos os tópicos foram trabalhados com professores e crianças. Eles foram convidados para participar de treinamentos, incluindo diversas disciplinas, não apenas aquelas relacionadas diretamente ao tema, o que potencializou a formação e permitiu uma troca ainda maior de conhecimentos”, ressaltou.

Uma construção coletiva e integradora
Para conseguir tirar as ideias do papel, Vanessa contou com a ajuda da comunidade, bem como de parceiros como o Escritório Escola do curso de Engenharia Civil e a Cooperativa Sicredi.

A construção coletiva também se deu a partir da escuta da comunidade e da compreensão daquilo que era importante para a realidade vivenciada por eles. Por isso, entre as ações feitas estão uma horta, levantamento dos dados do reservatório de água e melhoria dos recursos existentes, além da conscientização sobre descarte correto de materiais e o cuidado com a rua, o bairro e a escola. 

A intensão, de acordo com Vanessa, é mobilizar todos os envolvidos, permitindo ações contínuas até mesmo após a conclusão do projeto em abril deste ano. “Sabemos que a mudança de postura não é fácil, nem rápida. Temos ideias já instituídas e que precisam de tempo para serem mudadas ou adaptadas. Vemos uma comunidade ainda resistente, mas que sabe que é preciso melhorar as ações para que menos catástrofes ambientais sejam vivenciadas ao longo do tempo. Temos consciência de que alguns aprendem com o conceito, outros pelo exemplo e ainda aqueles que aprendem apenas quando algo ruim de fato acontece”, destacou.

Para a orientadora, professora Luciana, a pesquisa tem um alcance ainda maior, uma vez que consolida ainda mais o papel da UPF na comunidade e permite que a Instituição, por meio do Programa e da doutoranda, possa estar ciente das diversas realidades da sociedade. “A questão social influencia muito nos indicadores educacionais, por isso, o trabalho da Vanessa é fundamental, pois leva até as crianças, que nem sempre têm acesso ao conhecimento acadêmico, as informações e as possibilidades de uma vida melhor por meio do ambiente”, frisou, lembrando que o projeto foi aprovado e teve o apoio da FAPERGS, através do edital pesquisador gaúcho. 

Familiarizar professores e estudantes de escolas públicas, bem como seus pais e a própria comunidade é o papel da Universidade, segundo Brandli. “Esse é o nosso papel: estar inserida na comunidade, mostrar o quanto eles são importantes e explicar que é possível mudar comportamentos. Queremos continuar, de alguma forma, sempre atuando em trabalhos que permitam a aproximação da UPF com a comunidade, produzindo ciência e também consolidando a relação com as pessoas”, finalizou a professora.