Pesquisa da UPF mapeia opções na formação de gestores de serviços de saúde no Brasil
27/02/2026
16:12
Por: Assessoria de Imprensa
Fotos: Divulgação
Artigo foi publicado na revista Frontiers in Medicine
Um estudo conduzido pela Universidade de Passo Fundo (UPF) organizou e analisou um amplo conjunto de dados do Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Educação Superior (e-MEC) para compreender como se estrutura, no país, a oferta de cursos de especialização voltados à gestão em saúde. O trabalho, publicado na revista internacional Frontiers in Medicine, ajuda a revelar tendências, lacunas e caminhos estratégicos para qualificar a liderança na administração de serviços de saúde.
O artigo “Educational background of professionals managing health services in Brazil: insights from the national registry of specialization and certification course offerings” (Formação acadêmica de profissionais que atuam na área da saúde no Brasil: perspectivas do cadastro nacional de cursos de especialização e certificação) foi conduzido na UPF e detalha um panorama nacional sobre a formação voltada à gestão de serviços de saúde, a partir do registro oficial de cursos de especialização e certificação no Brasil. O estudo tem autoria principal de Eric Bellei, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano (PPGEH), com orientação da professora Dra. Ana Carolina Bertoletti De Marchi e colaboração de professores vinculados ao Instituto de Saúde (IS), ao Instituto de Tecnologia (Itec), e à Escola de Ciências Agrárias, Inovação e Negócios (Esan).
A gestão em saúde, explicam os pesquisadores, reúne competências de diferentes áreas e nem sempre segue uma trilha formativa única. Por isso, segundo eles, observar a oferta educacional disponível se torna um caminho para entender que conhecimentos e habilidades vêm sendo oportunizados para quem coordena, supervisiona ou dirige serviços e redes de atenção.
Para construir esse retrato, o grupo extraiu e sistematizou dados do e-MEC, sistema que reúne informações oficiais sobre cursos reconhecidos e regulados no país. A análise descritiva do material aponta tendências importantes. Entre elas, a prevalência de programas de ensino à distância como modalidade predominante e a concentração da oferta em grandes centros, especialmente na região Sudeste, ainda que existam cursos registrados nas cinco regiões.
Outro destaque é o mapeamento das ênfases curriculares. Ao classificar os cursos em 20 categorias temáticas, os autores observaram uma presença forte de formações generalistas e de trilhas voltadas à gestão hospitalar, estratégica e do setor público. Ao mesmo tempo, aparecem áreas mais específicas, como qualidade, auditoria e acreditação, enquanto temas como finanças, direito, empreendedorismo e outras frentes emergentes também acompanham a formação.
Além de contribuir para o debate acadêmico, a pesquisa também disponibilizou um conjunto de dados como artefato que pode apoiar reguladores e avaliadores na discussão sobre alinhamento de ofertas formativas com prioridades do sistema, e também servir de base para estudos que relacionem características da formação gerencial com outros indicadores no sistema de saúde.
Como parte do compromisso com a ciência aberta, o artigo e o dataset do estudo estão disponíveis publicamente.
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