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“A comunidade educacional não reagiu a esses ataques durante muito tempo, porque esses discursos de ódio soavam absurdos”

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Natália Fávero

O pesquisador Dr. Fernando Penna, palestrou na III Meduc, na UPF

A III Mostra de Pesquisa em Educação da Universidade de Passo Fundo (Meduc/UPF) promoveu na quinta-feira, 21 de novembro, a conferência “Educação e democracia em tempos de obscurantismo”, com o professor Dr. Fernando Penna, da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Rio de Janeiro. O palestrante, que é coordenador do Movimento Educação Democrática e líder do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos em Educação Democrática, tem suas pesquisas mais recentes dedicadas aos temas educação democrática, ensino de história e "escola sem partido". A conferência foi mediada pela professora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da UPF, professora Dra. Flávia Eloísa Caimi.

A conferência de Penna abordou os tempos de obscurantismo na educação e os ataques. Ele falou sobre o discurso conservador ou reacionário, sobre as discussões que estão sendo censuradas, especialmente sobre gênero e sexualidade, entre outros assuntos. “Há muito tempo já existiam grupos que tentavam impedir a discussão de algumas temáticas, atacavam a educação, professores. Só que a comunidade educacional não reagiu a esses ataques durante muito tempo, porque esses discursos de ódio soavam absurdos para quem estava inserido num contexto educacional”, observou o palestrante, doutor em Educação.

Os discursos e ataques de ódio à educação não faziam sentido nenhum, por isso, foram ignorados. “Só que isso foi um problema, porque dentro da escola, da academia, de repente, essas ações não estivessem repercutindo, mas, fora, esse discurso teve adesão na sociedade, e muito da política atual pode ser explicado nesse sentido. Nós demoramos a responder a esses ataques porque estávamos muito inseridos nas bolhas educacionais, enquanto lá fora esse discurso ganhava adesão, sem que ninguém fizesse crítica a ele”, comentou Penna.

Por que alguns grupos conservadores odeiam Paulo Freire?
Um dos ataques mais frequentes de grupos conservadores é a Paulo Freire, o mais célebre educador brasileiro. “Uma das características principais do conservadorismo é tentar manter algumas relações de opressão que acontecem especialmente no espaço privado. Há pessoas que não querem que a escola problematize algumas dessas relações de subordinação na sociedade. E a raiva vem porque Paulo Freire foi um dos primeiros autores do mundo a pensar sobre isso. Entendo que o ódio deles é porque Paulo Freire é um símbolo dessa educação que eles não querem. Atacar ele é atacar outra escola possível, aquela que eu e tantos outros professores e pesquisadores defendemos”, disse o conferencista.

Diálogo como caminho possível
Penna enfatiza que ainda dá tempo de combater o cenário atual da educação. “O professor tem que, cada vez mais, dialogar com os estudantes, debater temas contemporâneos.  Em ‘Pedagogia da esperança’, Freire fala que não podemos esperar ter uma sociedade perfeitamente democrática para tentar democratizar a escola, um fator, inclusive, que pode democratizar a sociedade”, destaca Penna.

Sobre a Meduc
A III Mostra de Pesquisa em Educação (Meduc), realizada nos dias 21 e 22 de novembro, é promovida pelos discentes do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da UPF e a temática orientadora desta edição é “Obscurantismo educacional: o papel da pesquisa na formação dos sujeitos”. 

O Grupo de Choro da UPF, projeto ligado à Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (VREAC), realizou apresentação musical no evento.