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Zebrafish pode ser peça importante para testagem da vacina para a Covid-19

  • Por: Caroline Simor - Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Pesquisa realizada por vários pesquisadores do Brasil e do exterior conta com a participação da UPF

Novos vírus, mutações, reações adversas em cada pessoa. Quem encontra a solução para essas equações? Sim, a ciência. Diante da pandemia do Coronavírus, pesquisadores do mundo todo têm unido esforços e buscado maneiras de enfrentar o problema. Com vacinas ainda em fase de testes, cientistas que trabalham com o pequeno zebrafish viram uma possibilidade de auxiliar no processo. O estudo, publicado no repositório BioRxiv, descobriu que o modelo animal pode ser utilizado para testagem da vacina para Covid-19, agindo como uma ferramenta de fácil manejo e menos invasiva, em função da sua semelhança genética com o ser humano. A Universidade de Passo Fundo (UPF), juntamente com diversas instituições, integra o estudo com a contribuição do professor Dr. Leonardo José Gil Barcellos. 

A pesquisa contou com a participação diversas instituiçõesO trabalho intitulado “Estudos do zebrafish sobre a vacina candidata a Covid-19, a proteína Spike: produção de anticorpo e reação adversa”, foi disponibilizado em preprint, ou seja, como uma prévia da publicação, antecipando a divulgação dos resultados obtidos.

Barcellos destaca que encontrar modelos animais experimentais para avaliar a segurança e a resposta do organismo ao antígeno usado para a elaboração da vacina é uma preocupação e um desafio para os pesquisadores na atualidade. No estudo, o docente representou o Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, da Universidade Federal de Santa Maria e o Laboratório de Fisiologia dos Peixes dos Programas de Pós-Graduação em Bioexperimentação e Ciências Ambientais da UPF. 

Ele explica que, com base nas vantagens de usar o zebrafish como um modelo de pesquisa, o artigo sugere fazer isso para testar a segurança das vacinas candidatas e para estudar a resposta imune contra o vírus. “No estudo, produzimos uma fração N-terminal recombinante da proteína Spike SARS-CoV-2 e a injetamos em fêmeas adultas. Os espécimes geraram imunidade humoral e passaram os anticorpos para os ovos. No entanto, apresentaram reações adversas e respostas inflamatórias semelhantes aos casos graves de Covid-19 em humanos”, pontua, destacando que a análise da estrutura e função modelo animal e da enzima conversora de angiotensina, o principal receptor humano para infecção por vírus, apresentou semelhanças de sequência notáveis.

Coordenador do projeto, que contou com a participação de mais de 50 pesquisadores de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia e da Noruega, Ives Charlie-Silva destaca que, além de ser uma ferramenta na testagem, o zebrafish pode também auxiliar na escolha de futuros fármacos terapêuticos a serem estudados. “Com base nos resultados in vivo e in silico (simulação computacional) apresentados, nós propomos o zebrafish como um modelo para a pesquisa translacional sobre a segurança da vacina e a resposta imune do organismo vertebrado ao vírus SARS-CoV-2”, ressalta.

Início da pesquisa

O trabalho teve origem quando da realização do seu pós-doutorado na Universidade de São Paulo. Pesquisando sobre toxicidade de fármacos anticâncer em zebrafish, ele teve que mudar a rotina em função da pandemia e do fechamento dos laboratórios.

Ives observa que a ideia foi unir várias expertises em diversas áreas e aproveitar o tempo para contribuir para algo tão necessário para a humanidade. “É um modelo extremamente importante para a ciência e este foi o primeiro estudo que colocou o zebrafish como teste para a Covid. Diferente de outros modelos, ele demonstra muita semelhança com os seres humanos, sendo um ótimo candidato para realizar testes em vacinas e também em novos fármacos”, frisa.