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  2. 04/05/2015
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Inventário botânico mostra e valoriza a riqueza da biodiversidade no Campus I da UPF

A exuberância da natureza preservada traz mais do que ar puro e beleza aos olhos, mantém a biodiversidade e colore o Campus I da Universidade de Passo Fundo (UPF), que conta com um significativo patrimônio vegetal. Os vários tons de verde se fundem com as diferentes cores características de cada estação do ano, como das flores dos ipês amarelo e roxo no inverno, que se destacam em meio as azaléias, a beleza dos jacarandás na primavera, a tonalidade das canafístulas, manduiranas e paineiras no verão, e as folhas de plátanos e de nogueira que colorem o outono. No mesmo espaço, as grevilheas, as tipuanas e outras 100 diferentes espécies nativas e exóticas compõe a vegetação do Campus I da UPF, sendo que mais da metade das espécies encontradas na área são da flora nativa do Brasil, porém, quanto ao quantitativo de espécies, a maior ocorrência é de eucaliptos.

Historicamente e cada vez mais, o espaço tem servido para lazer da comunidade de Passo Fundo e região e, com sua vegetação diversificada e exuberante, também representa um verdadeiro laboratório vivo. Para conhecer as espécies vegetais que integram o Campus, a Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF) tem realizado há alguns anos o Plano de Monitoramento da Flora, onde foram identificadas e localizadas as Áreas de Preservação Permanente (APPs), a fim de implantar o Sistema de Gestão Ambiental da Instituição. Além de incentivar e promover o reflorestamento e a preservação de espécies nativas da região, o objetivo é associar espécies de beleza exuberante e espécies que venham proporcionar alimentos a fauna regional que habita a área ou transita temporariamente. O plano também atende as determinações da Licença de Operação Nº 14/2012 DL concedida pela Fundação de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler (FEPAM). Anualmente é realizado um novo levantamento a fim de verificar o desenvolvimento das espécies implantadas e identificar a necessidade de manejo da vegetação, com o propósito de uma melhor distribuição de espécies, recuperar os danos fitossanitários e físicos decorrentes do avanço da idade das plantas.

Conforme a Engenheira Florestal e Agrônoma, Doutora em Agronomia e responsável técnica pelo levantamento, professora Evanisa Fátima Reginato Quevedo Melo, muitos exemplares que compõe a vegetação têm grande importância para o microclima, para o conforto ambiental das edificações e bem estar para o desenvolvimento das atividades com melhor rendimento pelos alunos, professores e funcionários, envolvidos na atividade fim da Universidade. Algumas quadras com vegetação estão integradas com as Unidades Acadêmicas ou protegidas pelas cortinas vegetais propiciadas pelas APPs. “Temos uma vegetação especial dentro das quadras implantadas, exemplares de rara beleza, como as corticeiras do banhado e da serra, o açucará, o bosque de araucárias, as canelas, uma vegetação característica de mirtáceas com espécies frutíferas nativas, integrados a vegetação exótica, como os povoamentos de eucalipto e pinus,”, comenta, explicando que o inventário consiste em um trabalho detalhado de campo onde foram identificadas cada espécie e que, ao final, pode mapear a área de vegetação e traçar um panorama das espécies que compõe o Campus.

Regeneração das APPs e enriquecimento da flora
De acordo com a doutora Evanisa, há alguns anos foram definidas as Áreas de Preservação Permanente que compõe o Campus I da UPF, conforme as características de vegetação, a umidade das áreas, a presença de nascentes, açudes ou lagos, e cursos d’água. As APPs compreendem uma área aos fundos do Centro de Eventos da UPF e uma faixa que inicia no zoológico, passa aos fundos dos prédios do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e da Fonoaudiologia, pelo prédio da Engenharia de Alimentos, até a Estação de Tratamento de Esgotos da Instituição, formando um corredor ecológico com a presença de vegetação nativa, criando uma área verde para a interligação desses fragmentos arbóreos.

No ano de 2013, foi implantado um projeto de reflorestamento e enriquecimento das áreas que ficam abaixo dos prédios do ICB e da Fonoaudiologia. Amparado pelo Alvará de Licenciamento Nº 0024568 D, protocolado junto ao Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (DEFAP/SEMA-RS), o projeto realizou a substituição de pinus e eucaliptos na área de preservação permanente, espaço que recebeu o plantio de, aproximadamente, 1.300 exemplares de espécies nativas. Dentre as espécies arbóreas encontradas nas áreas de APP em regeneração estão a aroeira-vermelha, bracatinga, canela-guaicá, fumo-bravo, leiteiro, mamica-de-cadela, timbauva, vacum e vassoura.

Levantamento botânico
O inventário botânico realizado no Campus I da UPF mostrou que, ao longo das diferentes quadras, é possível verificar a diversidade vegetal, tanto de espécies exóticas, como eucaliptos, pinus, ciprestes, tipuana, grevilhea e plátanos – que se adaptaram às condições climáticas locais, integrando-se com as espécies brasileiras – como de espécies nativas, como ipês, corticeiras, canafístula, gerivá, umbu e pinheiro brasileiro. “Essa convivência demonstra a propriedade da mistura de exemplares, para que se possa explorar seus benefícios, sob diversos aspectos, e demonstra que é possível trabalhar as variações que envolvem a vegetação e a sustentabilidade de uma área que representa a cultura, a história e a biodiversidade, podendo variar de museu a laboratório, e concluindo com beleza e bem estar”, aponta Evanisa.

As espécies que apresentam maior ocorrência são eucalipto, cipreste, ipê roxo, ipê amarelo, araucária, canafístula, pinus, grevilhea, tipuana, uva-do-Japão, cedro e jacarandá. De acordo com a Engenheira Florestal e Agrônoma, muitos exemplares arbóreos foram implantados ao longo dos anos, com preferência às espécies da flora nativa, porém houve a preocupação em preservar os antigos exemplares já instalados. “As espécies de eucalipto, grevilhea e pinus foram plantadas, em diversos locais, com a finalidade também de proteção como quebra-vento ou cortina natural”, explica, ressaltando a importância da vegetação, que cria um ambiente de ímpar beleza na área central do Campus I, onde os usuários podem perceber diversos exemplares da flora regional, mesclados com espécies exóticas.

A composição vegetal ornamental é formada por azaléia, jasmim amarelo, buquê-de-noiva, pingo-de-ouro, pitospóro, angiquinho, hortência, agapanto, lírio amarelo e espécies anuais, em canteiros na frente de alguns prédios. “A vegetação do Campus resgata a cultura, a educação e a história, preservando a vegetação característica regional e nativa, assim como ameniza as condições climáticas deste espaço, mantendo a diversidade de espécies, contribuindo para minimizar o impacto visual do ambiente construído, garantindo maior conforto para os usuários da área, cumprindo o papel social e de melhoria da qualidade de vida”, define Evanisa.

Espécies ameaçadas e um exemplar raro
O levantamento realizado aponta que o Campus I da UPF contempla exemplares ameaçados de extinção, como as corticeiras, a araucária e o xaxim. A biodiversidade das espécies surpreende, especialmente quando existe apenas um exemplar raro e ameaçado de extinção, como é o caso do açucará ou sucará. “A presença de exemplares de xaxim, de araucária, de açucará, de corticeira-do-banhado e de corticeira-da-serra servem de importante documento para a vegetação em risco ou ameaçada de extinção, relacionada nas listas vermelhas, tendo importância como valores educativos, demonstrando a preocupação com a preservação da natureza”, comenta a responsável técnica Evanisa.

Segundo ela, os exemplares de corticeira-do-banhado ganham destaque especialmente na época de floração, criando uma área cênica de contemplação valorizado por se tratar de uma espécie ameaçada de extinção. “A preservação desses exemplares na composição paisagística da arborização do Campus, permite o reconhecimento educativo, a valorização do patrimônio vegetal e a responsabilidade social”, finaliza.