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Geração de conhecimento com os olhos no futuro

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Gelsoli Casagrande

AFK, empresa incubada no UPF Parque, desenvolve pesquisa na área de microbiologia, imunologia e biotecnologia, trabalhando para a viabilidade de kits de diagnóstico e vacinas

A ideia de estruturar uma empresa surgiu durante a participação em um congresso internacional sobre diagnóstico veterinário. Juntos, os professores Dr. Luiz Carlos Kreutz, Dr. Rafael Frandoloso e Dr. Deniz Anziliero pensaram em formar a AFK Imunotech, empresa especializada em desenvolver biotecnologias aplicadas ao diagnóstico e à prevenção de doenças infectocontagiosas que afetam a saúde animal e humana. A empresa é uma das incubadas do UPF Parque e funciona dentro do Laboratório de Microbiologia e Imunologia Avançada, dando suporte a pesquisas científicas desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação da UPF. 

O objetivo do projeto era suprir uma deficiência existente na área e possibilitar que não mais se dependesse de tecnologias estrangeiras para a realização de diagnósticos veterinários e humanos, desde os processos mais simples até os mais sofisticados. Utilizando como base as experiências nas áreas de bacteriologia, virologia, imunologia e biotecnologia, e sabendo das necessidades e carências na área de diagnóstico, a equipe procurou estudar o assunto e a viabilidade de desenvolver um kit de diagnóstico. Segundo Luiz Carlos Kreutz, os processos estão em andamento. “É nessa fase que estamos agora, desenvolvendo kits que têm potencial para entrar no mercado no futuro. Obviamente, isso necessita aprovações dos órgãos oficiais como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ou o Ministério da Saúde, dependendo se o kit for para uso na saúde animal ou humana”, explica.

Além disso, a AFK pretende estudar determinados patógenos, desenvolver e aprimorar vacinas principalmente para doenças de suínos, e avaliar o uso de novos adjuvantes vacinais. “Esse também é um trabalho demorado, pois, para isso, é necessário estudar profundamente um determinado patógeno e conhecer sua capacidade de mutação e distribuição geográfica, e entender como esse patógeno causa a doença. Para isso, é necessário analisar o material genético do patógeno, classificar, reconhecer os fatores de virulência e, a partir daí, elaborar estratégias para compor vacinas que protejam contra o maior número possível de cepas clínicas”, ressalta Kreutz.

Espaço para novas ideias
Os processos são feitos em longo prazo, mas não há dúvidas de que os resultados serão sentidos pela comunidade e de que o espaço usado para a criação de novas ideias vai ao encontro dos objetivos institucionais de ensino, pesquisa e extensão. 

Para Kreutz, o Parque abre ao pesquisador a possibilidade de desenvolver um produto não apenas no sentido da curiosidade científica ou para a resolução de um problema local, mas principalmente para possibilitar que esse produto seja transformado em algo comercializável e que gere recursos para todos os agentes envolvidos no processo.

De acordo com ele, esse é o caminho traçado em diversas universidades no Brasil e no exterior. “É um estímulo ao pesquisador, que vê na empresa uma maneira de continuar suas atividades além da academia. Ver o resultado da pesquisa publicado é gratificante e, para muitos, seria o objetivo final. Porém, ver a pesquisa sendo aplicada em um kit de diagnóstico, por exemplo, é muito mais gratificante, pois, de certa forma, com isso, é possível devolver à sociedade o investimento que se faz na pesquisa e no desenvolvimento, considerando que grande parte dos recursos da pesquisa ainda é oriunda de setores públicos”, explica. 

Um kit de diagnóstico novo, aprimorado ou genuinamente nacional, tem um impacto positivo no controle de infecções e contribui para a saúde pública. De acordo com o professor, o mesmo pode ser dito para o desenvolvimento de novas vacinas e adjuvantes, ou a formulação de uma determinada vacina que tenha maior cobertura de proteção contra várias cepas do mesmo patógeno, justificando o espaço para a criação dessas novas ideias. “O importante agora é estimular a incubação de empresas, dar condições para os trabalhos, estimular a captação de recursos, preparar pessoas para dar suporte a esse processo de transformação da Universidade, onde há novos paradigmas a serem assimilados. Sim, o processo é lento e tem que ser fomentado continuadamente para obtermos os resultados esperados. Os bons exemplos existem em diversas universidades e nós temos que observar o que deu certo e buscar nosso caminho para atingir os objetivos”, frisa.