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Um espetáculo com duas mil crianças

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Gelsoli Casagrande

Iniciativa inédita no Brasil, Slam de Ilustração se transformou em uma grande performance de ilustradores com a participação do público da Jornadinha

“Um dia, cheguei em casa cansado do trabalho, encontrei meu vilão favorito e ele me convidou para...”. Foi a partir dessa provocação, feita pelo coordenador Volnei Canônica, que os ilustradores Daniel Kondo, Ivan Zigg, Mariana Massarani e Roger Mello deram início ao Slam de Ilustração, atividade que fez parte da programação da 8ª Jornadinha Nacional de Literatura nesta quinta-feira, 5 de outubro. 

Atividade inédita no Brasil – algo parecido só havia sido feito na Feira do Livro de Xangai, na China –, o desafio dos ilustradores foi criar desenhos a partir do tema escolhido pelo coordenador. Dois grupos foram criados para isso. As regras, no entanto, eram feitas pelas duas mil crianças do 6º ao 9º ano do ensino fundamental que acompanharam a atividade. Ao sinal dos gritos de guerra inventados pelas crianças, os ilustradores trocavam de lugar passando a intervir um na ilustração do outro em uma performance/competição de ilustradores. “Um espetáculo feito com duas mil crianças”, definiu Canônica. Além dos ilustradores, 12 crianças da plateia foram convidadas a participar da brincadeira. 

O resultado da brincadeira foi uma grande criação coletiva em que cada ilustrador pôde mostrar seu traço e sua criatividade com a possibilidade de levar para a plateia essa possibilidade de criação coletiva, de instantaneidade, de liberdade de criação e de fluxo. “A ideia é tirar a literatura da estante e trazer para a vida, para o cotidiano, com a imagem narrativa, a ilustração de vários ilustradores. O processo criativo fica em contato com o leitor, a ideia é dar uma pegada da rua mesmo, comunicar, colocar essas coisas para que elas dialoguem, e estamos tendo uma resposta muito positiva com um grupo de adolescentes, crianças, fazendo uma produção realmente criativa, original e questionadora”, disse o ilustrador Roger Mello. 

Para o escritor e ilustrador Daniel Kondo, o Slam é uma oportunidade única de as crianças interagirem com os artistas. “Acho que a Jornada foi muito inteligente na proposta de, no final desse processo todo, conectar muito mais de perto a produção do artista com a produção do público e isso me deixa muito feliz porque muitas vezes existe um distanciamento do autor e essas ações aproximam e acabam incentivando você a continuar produzindo também”, comentou. 

No final, os times ainda foram desafiados a criar uma história baseada nas ilustrações desenvolvidas em um jogo que acabou com todos vencedores e sem julgamentos do que é mais bonito. “Às vezes, é bom lembrar que o bonito não existe, é o interessante que nos provoca, que mexe com nossos sentimentos. Quem ganhou? Todos nós!”, encerrou Canônica.