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Estudo da UPF desenvolve blends de chás de mate

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Dyessica Abadi e Luiz Chaves/Palácio Piratini

Pesquisa desenvolvida pelo curso de Farmácia e pela empresa Inovamate, incubada no UPFParque, apresentou seus resultados para o governo do estado

Ícone da tradição gaúcha, o chimarrão vai muito além de um hábito rio-grandense que reúne amigos e movimenta rodas de conversa. Ele também oferece múltiplos benefícios à saúde. A diversificação do cultivo, consumo e comercialização da erva-mate no Rio Grande do Sul foi o foco do estudo “Ciência e tecnologia para novos ritos do mate”, apresentado nessa quarta-feira, 12 de dezembro, ao governo do estado em uma solenidade no Galpão Crioulo do Palácio Piratini.

O estudo desenvolvido na Universidade de Passo Fundo (UPF), por intermédio do curso de Farmácia e da empresa Inovamate, incubada no Parque Científico e Tecnológico UPF Planalto Médio (UPFParque), pesquisou sobre os blends de chás da linha Matequero, relatando os seus benefícios à saúde humana. A pesquisa, que leva o título “Valoração nacional da Ilex Paraguariensis por meio de chás associados a comprovação científica”, é de autoria da professora Dra. Charise Dallazem Bertol, com o suporte da acadêmica Angélica Wagner da Costa.

A apresentação dos resultados da pesquisa foi feita pela professora Charise e prestigiada pela diretora do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UPF, professora Dra. Marilene Rodrigues Portella. O governador José Ivo Sartori, secretários de Estado, prefeitos e agricultores participaram da cerimônia.

O estudo

O projeto é realizado em parceria com a empresa Inovamate, que está situada em Ilópolis e que se incubou no UPFParque. O objetivo é, principalmente, aumentar o consumo da erva-mate (Ilex paraguariensis A.St.-Hil.) nas diferentes regiões do Brasil, além da região Sul.

Conforme a professora, a erva-mate possui, em sua composição, saponinas, metilxantinas (cafeína e teobromina), polifenóis, e minerais como potássio, zinco, ferro, níquel e cromo, vitaminas A, C, E, vitaminas do complexo B e alguns aminoácidos. “Apresentando benefícios à saúde, é usada para diversos fins terapêuticos, como dor de cabeça, doenças reumáticas, constipação, hemorroidas, fadiga, obesidade, retenção de líquidos, hipertensão, desordens hepáticas e má digestão”, explica.

O costume de consumir a erva mate é sulista, de acordo com Charise, e a intenção com o projeto é disseminar os benefícios da planta. “A erva-mate, na nossa região, é consumida na forma de chimarrão e nem todas as regiões têm esse costume. Dessa forma, a empresa desenvolveu blends de chás de erva-mate contendo outras plantas que conferem benefícios adicionais aos chás, bem como conferem maior palatabilidade e sabor agradável ao amargor da erva-mate”, comenta, considerando que os blends levaram também em consideração as características de consumo das diversas regiões do Brasil.

Aplicabilidade

O desenvolvimento dos chás contou com o auxílio de engenheiros de alimentos e engenheiros químicos, profissionais, pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação. “Com o nosso grupo da Farmácia, foram realizadas análises da composição fitoquímica, polifenóis totais e atividade antioxidante dos diferentes blends. Nessa pesquisa, foi observado que a associação de plantas altera os constituintes químicos normalmente encontrados, bem como seu potencial antioxidante, oferecendo resultados diferentes para cada região apresentada”, enfatiza ela.

O estudo indicou que a associação de plantas medicinais em chás potencializa os efeitos benéficos proporcionados pelas diferentes plantas, bem como é uma estratégia interessante na questão do aroma e sabor dos chás. “Novos produtos à base de erva-mate aumentam sua popularidade e aumentam a valoração nacional”, avalia a docente da UPF.

Para Charise, a comprovação científica, obtida por meio de parcerias com a Universidade, é essencial para consolidar o conhecimento e aumentar o potencial agronômico do RS. “Em trabalhos assim, percebe-se uma aplicação direta da pesquisa, onde há um crescimento mútuo tanto da Universidade, quanto da empresa. A empresa gera os recursos, a universidade gera o conhecimento, além do envolvimento de alunos na execução dos projetos, e a empresa proporciona uma aplicabilidade direta na comunidade, por meio da apresentação de produtos com comprovação científica, aumentando também a valoração da erva-mate nacionalmente”, conclui.