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Do papel direto para a comunidade

  • Por: Caroline Simor / Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Reprodução

Projeto de pesquisa realizado pela UPF e CEEE possibilitou a elaboração de um processo para maior segurança na distribuição de energia. O trabalho teve sua carta patente registrada

Aprender e propor soluções práticas para a sociedade. Esses são dois grandes objetivos da pesquisa e inovação desenvolvidas dentro da Universidade de Passo Fundo (UPF). O conhecimento gerado, transformado em produtos e serviços, é o que se busca nos diversos projetos em andamento da Instituição. O reconhecimento do trabalho se dá de várias formas, entre elas, quando a inovação é reconhecida pelos órgãos competentes, como o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). E foi exatamente isso que ocorreu com a pesquisa realizada pela UPF em parceria com a empresa de energia CEEE. Juntos, os pesquisadores descobriram e elaboraram uma forma mais eficaz e segura para a distribuição de energia por meio do desenvolvimento e aplicação de Controladores de Chaves Seccionadoras de Alta Tensão. A carta patente, que permite a colocação no mercado, foi concedida recentemente.

Depois de colocada no papel, a ideia foi transformada em ação

Coordenador do projeto pela UPF, o professor Dr. Charles Leonardo Israel lembra que a ideia nasceu durante a realização do mestrado do egresso do curso de Engenharia Elétrica e funcionário da CEEE, Luciano Favretto da Rocha. 

Charles destaca que, a partir de um problema real que precisava ser resolvido, o grupo, que contou com acadêmicos de graduação, pós-graduação e técnicos da empresa, descobriu uma nova forma de promover a vibração mecânica para as chaves seccionadas de energia, permitindo a abertura e o fechamento de forma mais segura e eficiente. “Os controladores para a abertura e o fechamento das chaves seccionadoras desenvolvidos pelo grupo vão garantir uma maior eficiência desse processo, uma maior segurança para as equipes que estão em campo, além do aumento da vida útil dos equipamentos. Diretamente a comunidade inteira é beneficiada a partir do momento que existe um sistema mais confiável para a transmissão da energia elétrica”, explica, ressaltando que a iniciativa é fruto da renovação do projeto original. 

Com o deferimento da patente pelo INPI, a equipe tem um ano e meio para colocar a solução em prática, disponibilizando para o mercado como forma de produto. “Essa é a primeira patente de invenção da UPF compartilhada com uma empresa e isso significa que o conhecimento gerado dentro da Universidade atua diretamente para a realidade do mercado”, observa.

Aprendizagem e solução de problemas do mundo real

O projeto foi feito com apoio financeiro do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem como objetivo garantir a

Espaço físico foi construído para testes

alocação de recursos humanos e investimentos para gerar soluções inovadoras e benéficas voltadas ao setor elétrico e, consequentemente, para toda a sociedade.

Foi dentro deste contexto que nasceu a parceria entre a UPF e a CEEE. De acordo com a equipe, o projeto contou com duas frentes de atuação. A primeira numérica, com o escaneamento e construção de modelos 3D virtuais e execução de análises computacionais dos efeitos da vibração. Já a segunda frente contou com a construção da bancada de testes em escala real com seccionadores utilizados pela CEEE, possibilitando a análise experimental das soluções e validando os resultados das simulações.

Para Luciano Favretto da Rocha, a pesquisa permite agora a automação das subestações, até hoje não automatizadas devido à falta de confiança na manobra dos seccionadores. “Entendo que esse tipo de produto deve ser um casamento entre uma instituição de ensino e pesquisa e uma empresa do setor”, explica, pontuando como se deu ideia de patentear a proposta.

Em 2011, quando iniciou o Mestrado em Engenharia Mecânica na área de materiais, Rocha estava investigando a ocorrência de ponto quente em conexões elétricas de alta tensão, momento em que publicou um artigo sobre o tema. A partir daí ele percebeu que poderia melhorar a pesquisa, solucionando um dos pontos encontrados que dão origem ao ponto quente. “Com a orientação do professor Charles, tivemos a ideia de fazer pequenos movimentos na conexão, para ajustar o encaixe assim tornando maior a superfície de contato, fizemos alguns testes na pratica e implementamos em um seccionador real para poder validar as teorias”, conceitua.

O reflexo na sociedade é um ponto importante da pesquisa. Conforme Rocha, a falha no fornecimento de energia traz vários prejuízos para a comunidade em geral. Ele salienta que um estudo publicado no Conselho Internacional de Grandes Sistemas Elétricos (CIGRE) apontou que 70% das falhas em equipamentos em subestações de energia elétrica ocorrem por problemas em seccionadores. “Com a instalação do equipamento desenvolvido, estimamos em reduzir praticamente para zero o problema com esses equipamentos. Acredito que esse trabalho é a materialização das teorias desenvolvidas no curso de engenharia”, pontua.