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PPGEH comemora a defesa de dissertação número 200

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Em 2019, o Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano da Universidade de Passo Fundo (PPGEH/UPF) comemora 10 anos do ingresso da primeira turma e na última sexta-feira, dia 5 de julho, o momento também foi de comemoração com a realização da 200ª defesa de dissertação do programa. O estudo é um recorte de um projeto intitulado "Padrões de Envelhecimento e Longevidade: Aspectos Biológicos, Educacionais e Psicossociais de Idosos Institucionalizados", vinculado ao Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (Procad), aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UPF, sob protocolo número 2.097.278. 

O fisioterapeuta, especialista em Fisioterapia Traumato-ortopédica e agora mestre em Envelhecimento Humano pela UPF, Matheus Santos Gomes Jorge, apresentou o trabalho a uma banca avaliadora composta pela Dra. Eliane Lucia Colussi, Dra. Marilene Rodrigues Portela e pelo Dr. Luciano de Oliveira Siqueira. 

O trabalho foi orientado pela professora Dra. Lia Mara Wibelinger (fisioterapeuta pela Universidade de Cruz Alta, especialista em Saúde Pública pela Universidade de Ribeirão Preto, mestre e doutora em Gerontologia Biomédica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e contou com o auxílio da coorientadora professora Dra. Ana Carolina Bertoletti De Marchi (bacharel em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, mestre em Computação e doutora em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

A pesquisa foi desenvolvida em conjunto com outras três instituições de ensino superior que estudaram três diferentes contextos de idosos: Universidade Estadual de Campinas (contexto da comunidade), Universidade Católica de Brasília (contexto dos ambulatórios e hospitais) e a UPF (contexto das instituições de longa permanência para idosos, residenciais antigamente conhecidos como asilos). “Em nosso estudo tivemos por objetivo verificar a prevalência de sarcopenia e as condições de saúde de idosos institucionalizados, de onde surgiram duas produções científicas Produção I: “Prevalência de sarcopenia e fatores associados em idosos institucionalizados”; e Produção II: “Risco de sarcopenia em idosos institucionalizados”, explicaram os pesquisadores. 

A sarcopenia é uma condição clínica independente ligada ao envelhecimento humano, onde caracteriza-se pela perda da massa muscular acompanhada da perda da força e/ou da função muscular. Pode estar associada a diversos fatores, tais como a idade avançada, o sexo masculino, doenças crônicas e outros problemas de saúde, declínio cognitivo, desnutrição, síndrome da fragilidade, incapacidade funcional, entre outros tantos, que poderão causar impacto negativo sobre a qualidade de vida e, até mesmo, a morte do idoso.

Sarcopenia em idosos
A dissertação contribui para o entendimento a respeito da sarcopenia em idosos residentes em ILPI, no intuito de promover o desenvolvimento de estratégias interdisciplinares e políticas públicas neste contexto. De acordo com os pesquisadores, a prevalência da sarcopenia é muito maior entre os indivíduos residentes em instituições de longa permanência para idosos (ILPI), residenciais antigamente chamados de asilos, do que nos idosos residentes em suas casas na comunidade ou, até mesmo, que se encontram em ambulatórios e hospitais. “Todavia, a minoria dos estudos realizados para verificar a prevalência de sarcopenia em idosos é realizada no contexto da institucionalização, em virtude, muitas vezes, da dificuldade de se avaliar este público que apresenta maiores limitações física, psíquicas e emocionais para realizar os testes de diagnóstico”, explicaram.

Ao todo, foram avaliados 479 idosos residentes em 18 instituições de longa permanência dos municípios de Passo Fundo, Bento Gonçalves e Carazinho. Os idosos foram avaliados quanto à inúmeros aspectos biológicos e psicossociais. “Em nosso estudo avaliamos a sarcopenia nos por meio dos critérios propostos pelo European Working Group on Sarcopenia in Older People, que é a forma mais utilizada pela literatura. Os instrumentos que utilizamos para avaliar as variáveis de sarcopenia (massa, força e função muscular) foram a Equação de Lee et al. (2000), o teste de dinamometria manual e o teste de velocidade da marcha de 4 metros, respectivamente. Todos os instrumentos foram validados e apresentam pontos de corte, inclusive, para a população brasileira”, pontuaram. 

Ainda segundo os pesquisadores, os instrumentos muitas vezes podem ser restritos a uma significativa parcela da população de idosos institucionalizados. Desta forma, foram utilizados instrumentos para verificar o risco de sarcopenia destes idosos: o Questionário SARC-CalF, validado e utilizado na população de idosos brasileiros. “Os artigos foram redigidos de acordo com normas de periódicos internacionais para os quais foram encaminhados e onde poderão ser encontrados os resultados na íntegra, após publicação. Em síntese, a prevalência de sarcopenia nesta população foi de 44,4% (sendo 95% do tipo grave) e o risco de desenvolver sarcopenia foi de 76,4%. Verificamos, ainda, que algumas ferramentas de monitoramento da massa muscular como a circunferência da panturrilha, o IMC e o Questionário SARC-CalF mostram-se consistentes e úteis para esta população”, finalizaram.