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Pesquisa estuda os benefícios do óleo ozonizado no tratamento de osteoartrose

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Alessandra Pasinato

Se comprovada a eficácia do tratamento, população terá um medicamento de fácil acesso e mais barato para tratar a doença. Estudo vem sendo desenvolvido no curso de Farmácia e no Programa de Pós graduação em Envelhecimento Humano da UPF

Popularmente conhecida como artrose, a osteoartrose é a mais frequente entre as doenças designadas como “reumatismos”, representando de 30% a 40% das consultas em ambulatórios de reumatologia e responsável por 7,5% dos afastamentos de trabalho. Muito comum na população idosa – a doença atinge 85% das pessoas com mais de 75 anos –, ela decorre de uma lenta e progressiva degradação da cartilagem articular, um tecido elástico que recobre as extremidades ósseas e amortece os impactos. Os principais sintomas são dor ao se movimentar, sensação de rigidez e barulho nas articulações, que podem se repetir por vários dias. O tratamento, normalmente, é feito com exercícios, fisioterapia e medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos.  A falta de tratamentos totalmente eficazes, no entanto, diminui a qualidade de vida dos portadores da doença. 

Uma das alternativas, de baixo custo e que parece realmente efetiva no tratamento da dor crônica, é a ozonioterapia. A técnica começou a ser utilizada na Alemanha e na União Soviética na Primeira Guerra Mundial, se dissipando pela Europa, China e América. Hoje, porém, apenas Rússia, Cuba, Espanha e Itália legalizaram o procedimento. Para comprovar a eficácia desse tratamento, pesquisadores da Universidade de Passo Fundo (UPF) desenvolvem, desde 2010, um estudo que busca comprovar o benefício do óleo ozonizado via tópica para doença de artrose. Coordenada pela professora do Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano (PPGEH) Dra. Charise Dallazem Bertol, a pesquisa “Óleo ozonizado via tópica na osteoartrose: estudo clínico triplo cego placebo controlado” é desenvolvida por uma equipe multidisciplinar e está em fase de análise dos dados. 

Dentre os benefícios já identificados, estão o fato de que o óleo ozonizado favorece e acelera o processo de regeneração e cicatrização tecidual, reduz a inflamação e a dor. Na inflamação crônica, como é caso da osteoartrose, ainda não há relatos que comprovem ou não a ação do óleo ozonizado. De acordo com a mestranda do PPGEH Ana Paula Anzolin, que desenvolve a pesquisa junto com a professora Charise, a ozonioterapia já é usada no exterior e muitas pessoas que sofrem da doença trazem a medicação de outros países e relatam seus benefícios. Por esse motivo, elas identificaram a necessidade de verificar a eficácia – ou não – do tratamento. “Meu foco no momento é comprovar o benefício do óleo ozonizado via tópica para doença de artrose. Essa medicação já é usada no exterior e algumas pessoas a trazem de fora e relatam benefícios. Como a osteoartrose é a segunda doença crônica mais prevalente no Brasil e na previdência social, cabe a nós encontramos soluções para esse problema público”, explica. 

Pesquisa clínica
Envolvida com o ozônio desde 2014, quando ainda era acadêmica do curso de Farmácia, Ana Paula e a professora Charise já publicaram dois artigos a respeito do tema. O primeiro deles, com o título “Ozone generated by air purifier in low concentrations: friend or foe?”, publicado em 2017, abordava a toxicidade do ozônio. Já em 2018, orientadora e mestranda publicaram uma revisão sistemática sobre o ozônio na osteoartrose, em um trabalho intitulado “Ozone therapy as an integrating therapeutic in osteoartrosis treatment: a systematic review”. Após anos de estudo, a dupla colocou em prática o teste em humanos, que inicia no diagnóstico da doença e segue até o pós-tratamento dos pacientes. 

A pesquisa clínica é realizada no Centro Ambulatorial do Hospital de Clínicas de Passo Fundo e no curso de Farmácia da UPF. Além de Ana Paula e da professora Charise, a equipe também conta com a participação dos médicos ortopedistas Renato Tadeu dos Santos e Diego Collares, dos bolsistas de iniciação científica Silvia Cristina Fagundes e Micheila Alana Fagundes, e da mestranda do Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação (PPGBioexp)Gabriela Dall Pizzol. O estudo está sendo desenvolvido com 80 pacientes – 37 do grupo de tratamento e 43 do grupo de placebo. “Para a população ficar sabendo do nosso trabalho, disponibilizamos informações nas redes sociais e na Rádio Uirapuru, que divulgou o estudo. Em questão de duas semanas, tínhamos todos os pacientes de que precisávamos. Pacientes não apenas de Passo Fundo, mas de várias cidades da região norte do estado. Foi incrível a repercussão da população”, conta. 

A produção do óleo ozonizado é feita a partir de uma parceria entre a empresa Sentinela, de Ronda Alta, e uma empresa de Caxias do Sul, que também está colaborando na ajuda dos custos para os exames laboratoriais. “Como precisávamos realizar o diagnóstico de artrose nos pacientes como critério de inclusão no estudo, fizemos uma parceria com a Empresa Cedil, de Passo Fundo, que está realizando todos os raios X para nossos pacientes. O óleo, material básico para a produção do medicamento, foi uma parceria com a indústria farmacêutica Cristália. Portanto, com isso, os pacientes que participam do estudo não têm custo nenhum e estão satisfeitos com os resultados”, completa. 

Até agora, a equipe já realizou a parte experimental e a análise dos dados. No momento, eles estão escrevendo o artigo principal com os dados que conseguiram. Em virtude da legalidade, esses dados ainda não podem ser divulgados, mas, segundo a mestranda, não foram registrados efeitos colaterais, apenas coceira em alguns pacientes, em virtude do óleo mineral utilizado. “Também percebi que os pacientes gostaram do tratamento, entretanto, ainda não sabemos se é resultado da eficácia ou efeito placebo”, ressalta Ana Paula. 

Novo medicamento
Apesar de ainda não ser legalizada no Brasil, em 2018, durante o 1º Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Saúde Pública, o Ministério da Saúde incluiu a ozonioterapia como uma Prática Integrativa e Complementar (PICs) do SUS. De acordo com Ana Paula, caso seja comprovada a eficácia do medicamento, o próximo passo da pesquisa é conseguir o registro na Anvisa e oferecer à população um medicamento novo para a artrose, de fácil acesso e mais barato que os que estão hoje no mercado. “Também pretendemos, como próximo passo, ajudar com estudos científicos e de forma técnica a legalização da ozonioterapia no Brasil”, pontua a mestranda. 

Os artigos sobre a pesquisa já publicados em revista internacional podem ser conferidos aqui (artigo 1) e aqui (artigo 2).