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Um programa de pós-graduação com as portas abertas para o mundo

  • Por: Caroline Simor
  • Fotos: Divulgação

Um dos mais antigos da UPF, o Programa de Pós-Graduação em Educação tem ampliado suas parcerias para uma formação sem fronteiras

Consolidar um programa de pós-graduação é um desafio para a Instituições de Ensino Superior. Ao longo dos seus mais de 20 anos, o Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Passo Fundo (PPGEdu/UPF) conseguiu consolidar pesquisas e projetos, ampliando as parcerias com importantes instituições pelo mundo. Esse processo, feito coletivamente entre docentes e discentes, coloca o Programa entre os melhores do país.

Na atual política da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação que avalia os Programas de Pós-Graduação, a internacionalização é um dos aspectos decisivos para financiamento e para atribuição de conceito no processo de avaliação. 

De acordo com o coordenador do PPGEdu, professor Dr. Claudio Dalbosco, o Programa da UPF tem quase duas décadas de internacionalização, com o primeiro convênio assinado em 2001, com a Universidade de Kassel, Alemanha. Segundo ele, convênios ancorados em plano de trabalho com ações concretas são a mola propulsora da internacionalização, e um plano de publicação internacional, domínio de linguagem estrangeira e intercâmbio entre professores e alunos são ações que fortalecem os programas. “Eu diria que simultaneamente a tudo isso, o grupo de pesquisa no interior das linhas, aglutinando projetos de pesquisa, é o que dá solidez não só à internacionalização, mas, sobretudo, à formação consistente de novos sujeitos pesquisadores. É, pois, no grupo, que acontece de maneira eficaz o aspecto formativo da pesquisa e, portanto, dos orientadores com seus respectivos orientados. Pode-se dizer metaforicamente que o grupo de pesquisa é a sementeira da formação do sujeito pesquisador”, frisa o coordenador.

Formação de pesquisadores comprometidos com os temas do mudo
O PPGEdu conta com três linhas de pesquisa: Fundamentos da educação, Processos educativos e Linguagem e políticas educacionais, contemplando temas atuais e relevantes para a pesquisa na área da educação.

A linha de pesquisa Processos educativos e linguagem se ocupa de investigar processos educativos nas perspectivas da língua e da linguagem, das ciências sociais, das tecnologias digitais e da educação científica. Segundo a professora Dra. Cleci Werner da Rosa, responsável pela linha, ela trata de conceitos nucleares como ensino, aprendizagem, alfabetização, interação discursiva e construção do conhecimento escolar, se propondo a investigar questões relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem, perguntando pelo seu significado em contextos sociais marcados pelo desenvolvimento da tecnologia digital e do emprego de diferentes dispositivos digitais. 

De acordo com Cleci, a linha ocupa-se com a formação do sujeito pesquisador com ênfase em questões pedagógicas (de ensino) que emergem desde o âmbito da educação infantil até a educação de jovens. Dentre as principais atividades desenvolvidas pelos docentes e discentes que integram a linha, destacam-se as atividades de pesquisa associadas ao grupos que integram a linha; a participação em eventos científicos; a organização de eventos como o Seminário Nacional de Inclusão Digital; o envolvimento em projetos de extensão como o Mutirão pela Inclusão Digital e o Astronomia na Educação Básica; a realização de palestras, oficinas e minicursos para professores da educação básica, estudantes de licenciaturas e bolsistas do Pibid. Destaca-se, ainda, como atividade principal da linha, a realização de encontros quinzenais, envolvendo todos os professores e alunos da linha de pesquisa nos quais aspectos epistemológicos e metodológicos dos projetos de pesquisa em andamento são analisados, aprofundados e delineados.

A internacionalização também está presente nas atividades. Entre elas, destacam-se o envolvimento em grupos e projetos de pesquisa, participação em bancas de defesas de teses e dissertações, intercâmbio de pós-graduandos, palestras, participação em eventos, publicação de artigos em periódicos internacionais e a publicação de capítulos de livros com a participação de pesquisadores de fora do Brasil. 

Cleci reforça que, atualmente, a linha desenvolve atividades em interlocução com grupos de pesquisa localizados em diversos países, como Portugal, Espanha, Itália, Chile e Argentina. Ela lembra que outro aspecto que caracteriza a atuação da linha em termos da internacionalização diz respeito aos convênios marco que a linha mantém com instituições como a Universidade de Roma Três (Itália), Universidade aberta de Lisboa (Portugal), Universidade de Concepcion (Chile), Universidade de Alcalá de Henares (Espanha) e Universidade de Burgos (Espanha). 

Para ela, a internacionalização é um dos aspectos fundamentais para a divulgação das produções acadêmicas produzidas no âmbito da linha de pesquisa, bem como da atualização dos seus docentes. Além disso, representa uma oportunidade para que os pós-graduandos realizem interlocuções com pesquisadores de diferentes países, especialmente no que diz respeito à realização de atividades de doutorado sanduíche. Com esse intuito, os docentes da linha vêm mantendo ativos os convênios e buscando oportunizar que essas atividades se concretizem. “A internacionalização representa a oportunidade de mobilidade de estudantes da pós-graduação e dos docentes/pesquisadores, cooperação entre grupos de pesquisa e dá uma visibilidade internacional aos estudos desenvolvidos no Programa. Os desafios desse processo situam-se na busca por aumentar o impacto da pesquisa nacional, além da elevação no nível de inserção internacional dos docentes. Soma-se a isso a necessidade de ampliar os programas governamentais que fomentam a participação de pesquisadores e estudantes de pós-graduação em grupos internacionais de pesquisa, especialmente naqueles consolidados nas áreas de investigação em curso”, explica.

Parcerias sólidas e com bons frutos
Na opinião do professor Dr. Altair Fávero, as linhas de pesquisa são fundamentais para estruturar a forma como o Programa se organiza para verticalizar a pesquisa. De acordo com ele, a Capes exige que os programas definam suas linhas para que as atividades de pesquisa sejam coordenadas e com isso não haja dispersão e fragmentação do saber. “Tudo o que se desenvolve no Programa (orientações, aulas, disciplinas, autores estudados, publicações, enfoques epistemológicos, perspectivas epistemológicas, diretrizes) deve estar sintonizado com as linhas de pesquisa. A própria avaliação do Programa, que é feita anualmente pela Capes e de forma mais geral a cada quatro anos, tem como critério a coerência interna do programa que se estrutura a partir das linhas”, pontua.

Segundo Fávero, cada linha procura realizar, dentro de suas temáticas de investigação, a internacionalização de suas pesquisas. A linha 3, por exemplo, tem convênios de internacionalização com México e Argentina. Com o México, a linha tem atividades de internacionalização com a Universidad Autónoma del Estado de México - UAEMéx (desde 2010) e com a Universidad de Colima - UCOL (desde 2014). Com a UAEMéx, de acordo com ele, cinco alunos cursaram um semestre de mestrado na UPF em 2011 e 2012. O próprio professor Altair fez seu pós-doutorado em 2012 (janeiro a julho) na UAEMéx com a orientação do Dr. Aristeo Santos López, que, no mesmo ano, permaneceu quatro meses (de agosto a novembro) na UPF como professor visitante. “Esse mesmo professor tem realizado todos os anos, no mês de novembro, uma instância de curta duração aqui na UPF, quando são realizadas atividades com os grupos de pesquisas, planejamento de investigação e produção acadêmica. Já foram publicados diversos trabalhos conjuntos em livros e artigos científicos”, exemplifica.

Com a Universidad de Colima, o Programa teve a participação, em 2016 e 2017, do Dr. Jaime Moreles Vazquez como professor visitante. Em agosto deste ano, Fávero passou uma semana na Universidade de Colima como professor convidado, realizando diversas atividades com alunos do doutorado, do mestrado e da graduação, bem como com professores do programa de pós-graduação daquela universidade. Como resultado desse intercâmbio, serão publicadas, no próximo ano, duas coletâneas que foram planejadas nesse período.

Com a Argentina, a linha de Políticas Educacionais tem convênio com a Universidad Nacional de La Plata; a Universidad de San Martin e a Universidad Tres de Febrero. Ele ressalta que diversas atividades de intercâmbio de professores e estudantes já foram desenvolvidas desde 2014, com troca de experiências e produção de artigos e publicações.

Para o professor, a internacionalização tem sido um dos critérios mais importantes de avaliação da Capes. Ele ressalta que, na última avaliação, o PPGEDU atingiu o conceito 5 destinado a programas justamente porque, dentre vários outros aspectos, possui um bom nível de internacionalização. “A internacionalização representa a qualificação das pesquisas, o aporte de novos olhares e perspectivas, o aprimoramento epistemológico do que está sendo investigado. Dentre os desafios, está o financiamento da internacionalização, a busca de novas parcerias e a disponibilidade de abrir-se para novas fronteiras”, destaca.