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Literatura para viver o cotidiano

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Camila Guedes

Em sua terceira edição, projeto “Saúde Jornalizada: a arte literária no HC” levou música e poesia para pacientes em tratamento no Hospital de Clínicas na tarde desta quarta-feira, 14 de agosto

Os versos de Carlos Drummond de Andrade silenciaram a sala de oncologia do Hospital de Clínicas. No espaço lotado, todos os olhos e ouvidos se voltaram para a “Receita de Ano Novo”, escrita pelo poeta que diz que o tão desejado ano novo está presente dentro de cada um. Dentro de cada pessoa, está também a capacidade de transformar, mesmo que por alguns instantes, a vida do outro. E foi isso que três jovens estudantes fizeram na tarde desta quarta-feira, 14 de agosto, em mais uma ação do projeto “Saúde Jornalizada: a arte literária no HC”. 

Para isso, Júlia Ana Fachinello, Laura dos Santos Silveira e Yasmin Guedes Dias, estudantes do 3º ano do Centro de Ensino Médio Integrado UPF, tinham em mãos não apenas as palavras de Drummond, mas também as de Paulo Leminski, Alice Ruiz e Cora Coralina. Textos escolhidos por elas, que falam do cotidiano e da vida, e que, segundo as adolescentes, “se aproximam daquilo que os pacientes estão vivendo”. 

Os pacientes a que elas se referem são os que estão em tratamento oncológico no HC, que, pelo terceiro ano consecutivo, abriu suas portas para receber a ação que é promovida pelas Jornadas Literárias da Universidade de Passo Fundo (UPF), em parceria com o Hospital, por meio do Núcleo de Apoio ao Paciente Onco-Hematológico (Napon), organizado pela Comissão de Suporte Oncológico e Programa de Residência Multiprofissional HC/UPF/SMS. Em sua primeira visita deste semestre, o grupo também contou com a presença do músico Gustavo Leal, da banda Roudini e os Impostores, responsável pela música tema da 16ª Jornada. 

Em tratamento contra um câncer há apenas dois meses, Camila de Oliveira Marinho Martins foi uma das que recebeu com carinho a música e a poesia compartilhadas nesta tarde. Para ela, o tratamento é algo muito solitário e a iniciativa foi uma forma de sorrir e poder conversar. “Eu gosto de conversar, gosto de interagir. É muito bom escutar uma música, ter alguma coisa para distrair, porque vivemos um momento muito tenso, pesado para todos nós. Esse vai ser um dia do qual vamos lembrar com afeto, com certeza. Aqui, a gente recebe muito carinho dos enfermeiros que nos atendem, mas música e poesia sempre são bem-vindas”, disse. 

O prazer e a beleza da arte
A iniciativa faz parte do projeto Jornada em Movimento, que tem o objetivo de dar continuidade às atividades realizadas pelas Jornadas Literárias, com foco na formação permanente de leitores. A novidade desta edição é que, pela primeira vez, além dos pacientes em tratamento oncológico, a ação também foi estendida aos pacientes em hemodiálise, que também passam um tempo maior no hospital. Ao todo, outras quatro ações devem ser realizadas até o final do ano, pelo menos uma vez por mês. 

De acordo com um dos coordenadores das Jornadas Literárias, professor Dr. Miguel Rettenmaier, o Saúde Jornalizada é um trabalho que busca levar literatura às pessoas. “Um pouco diferente de outras ações da Jornada, essa iniciativa não é especificamente para a formação do leitor, ela é voltada para a nossa intenção de levar literatura para a vida das pessoas nos mais distintos momentos, sejam eles educativos ou mesmo momentos como esse, vividos em um espaço de cura”, explicou. 

Para atingir esse objetivo, o grupo planeja a ação a partir de textos e autores que possam gerar uma identificação das pessoas, como o cotidiano e a vida, conforme mencionado pelas estudantes. “Nós não estamos muito preocupados em ser pedagógicos, porque não é o momento de ensinar, mas sim de levar o prazer e a beleza da arte para as pessoas. Mas obviamente, se despertar o prazer pela leitura e pela literatura, se mostrar uma outra faceta de leitura e de literatura que as pessoas não conheciam, a gente também se sente bastante realizado”, completou Rettenmaier.