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Uma chamada para a ação: Dia Mundial de Luta contra a Aids

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Freepik

Data marca importância do acesso à informação adequada sobre HIV, evolução da doença e dos métodos de prevenção e de tratamento

 1º de dezembro - Dia Mundial de Combate a Aids

Conhecimento mais ação é igual a prevenção. O dia 1° de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, foi instituído para sensibilizar a população a respeito da prevenção e do tratamento da doença. É com esse objetivo que ações de governos e instituições não-governamentais vem atuando no sentido de expandir informações sobre a Aids, para fazer com que a doença seja desmitificada e a população esteja consciente a respeito dos métodos de prevenção e de tratamento da Aids/HIV.

De acordo com a professora da Universidade de Passo Fundo (UPF), Me. Sandra Maria Vanini, neste ano, em virtude da pandemia da Covid-19, as ações em relação a data ficaram restritas. “A UPF e especialmente o curso de Enfermagem sempre se sensibilizaram muito com esse tema HIV/Aids. Sempre participamos de campanhas de prevenção, sensibilização e também de testagem. Porém, devido a pandemia, esse ano ficou restrito e não vai ocorrer da maneira tão intensa como acontecia nos outros anos”, explicou Sandra.

Conforme a professora, a pandemia da Covid-19 também impactou no diagnóstico e prevenção à Aids, já que houve uma redução da testagem para o diagnóstico. Além disso, Sandra destaca que a terapia com antirretroviral possibilita que pacientes possam ter uma boa qualidade de vida. “Sabemos que a epidemia mundial do HIV ainda é um problema relevante de saúde pública, apesar dos inúmeros avanços que foram feitos nos últimos anos, mas a gente ainda tem uma taxa de mortalidade importante no Brasil. O que podemos destacar é que todo paciente que tem acesso a terapia antirretroviral, a manutenção de serviços de saúde, consegue ter uma qualidade de vida muito boa, então por isso é necessário a testagem o mais precoce possível para fazer essa detecção, para iniciar  logo com o acompanhamento médico”, destacou.

O Rio Grande do Sul (RS), segundo o Ministério da Saúde, é o terceiro lugar no ranking nacional de casos de Aids no Brasil. De acordo com o psicólogo do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), Vanderlei Linassi Carniel, Passo Fundo registra em média de 90 a 100 casos novos por ano. “Nossa taxa de contágio é 46 pacientes por 100 mil habitantes. Temos, em tratamento, residentes em Passo Fundo, 935 pacientes, segundo a farmácia do SAE. Existem mais um número de pacientes que não mais busca tratamento e/ou que não sabe seu diagnóstico. O SAE também atende pacientes de nossa região”, explicou.

Conforme Carniel, é importante falar sobre a Aids, porque muitas pessoas ainda estão infectando-se com o HIV atualmente. “É uma doença que ainda causa complicações quanto à saúde, caso não seja tratada, ou incorretamente tratada, podendo levar até ao óbito. É importante trabalhar a prevenção, as formas de contágio, o sigilo do diagnóstico, o tratamento e a qualidade de vida destas pessoas, em especial no que se refere ao preconceito, ainda muito presente em relação às mesmas”, comenta o psicólogo.

Quando o diagnóstico acontece

Renato (nome fictício) tem 58 anos, é professor e recebeu o diagnóstico da doença há 19 anos. “Recebi a notícia em razão de um exame de sangue que foi solicitado por uma dermatologista. Foi em 2001 e na época fiquei bastante apreensivo. Pensava que teria pouco tempo de vida”, conta.

De acordo com o psicólogo, o paciente pode e deve ter uma vida mais normal possível, tendo condições de trabalhar, relacionar-se com proteção, ter vida sexual reprodutiva, com acompanhamento médico, sendo vedada somente a amamentação, pois pode ser transmitido pelo leite materno. “As outras formas de transmissão são o contato sangue com sangue, por exemplo, por meio do compartilhamento de objetos cortantes, como agulhas, seringas e o contato sexual desprotegido. Todos os demais contatos com o paciente não oferecem risco de contágio, daí a necessidade de reforçar estas informações para combater o preconceito social contra os pacientes”, salienta o Carniel.

O uso do preservativo é a melhor forma de prevenção a Aids

Juventude precisa ser consciente

Adolescentes e jovens estão sendo infectados e afetados pelo HIV mais do que qualquer outro grupo, conforme a professora Sandra, mesmo havendo informação, parece não ocorrer a prevenção entre a juventude. “O principal recurso de prevenção é uso do preservativo, que por vezes perde sua importância, mas não podemos deixar de destacar que é a única forma de prevenção. Porém, as taxas têm mostrado um aumento de incidência de HIV e Sífilis entre jovens, porque parece que tem uma percepção diminuída do risco e ao mesmo tempo são os que menos fazem testagem para o diagnóstico precoce”, disse.

HIV e as estatísticas

Segundo dados de 2019 do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), aproximadamente 38 milhões de pessoas estão vivendo em todo o mundo com HIV.  Quando a epidemia de Aids começou há cerca de 40 anos, milhares de pessoas perderam suas vidas sem explicação, com a evolução do tratamento e da compreensão a respeito da doença, hoje pacientes podem ter uma vida normal mantendo a doença controlada.

“A realidade do soropositivo vem mudando muito com perspectivas bastante favoráveis em termos de medicamentos. O indivíduo contaminado que faz o tratamento de forma adequada, que segue as orientações do seu médico, que leva uma vida saudável em termos de alimentação e exercícios físicos, não enfrenta maiores dificuldades. O HIV hoje é tratado como uma doença crônica e as medicações estão cada vez mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Isso, no entanto, não quer dizer que não deva haver um cuidado permanente por parte de toda a sociedade no sentido de evitar contrair o vírus. A prevenção é o melhor caminho”, finalizou Renato.

Você sabe o que é o HIV?
HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da Aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Ter o HIV não é a mesma coisa que ter Aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações.

Como se pega Aids? Sexo vaginal sem camisinha; Sexo anal sem camisinha; Sexo oral sem camisinha; Uso de seringa por mais de uma pessoa; Transfusão de sangue contaminado; Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação; Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.
Assim não pega: Sexo desde que se use corretamente a camisinha;  Beijo no rosto ou na boca;  Suor e lágrima; Picada de inseto; Aperto de mão ou abraço; Sabonete/toalha/lençóis; Talheres/copos; Assento de ônibus; Piscina; Banheiro; Doação de sangue;  Pelo ar. 

 

Conheça a história da Aids AQUI. Os resumos das estatísticas sobre HIV e AIDS, disponíveis nos relatórios do UNAIDS, bem como nos informativos mais recentes do Ministério da Saúde podem ser acessados neste link.