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Máscaras de mergulho são adaptadas para uso em ambiente hospitalar

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

A partir de demanda de médicos do HVSP, engenheiros da UPF desenvolvem alternativa de equipamento de proteção individual feito com uma máscara de mergulho. Opção é mais barata, confortável e pode ser produzida em pouco tempo

A proteção de profissionais da área da saúde que atuam na linha de frente no combate à Covid-19 é uma preocupação no mundo todo. Desde o início da pandemia, diversos países tiveram altos índices de contaminação de médicos e enfermeiros. Muitos em função da falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), mas em alguns casos, também pela ineficiência desses equipamentos na proteção dos profissionais. Essa situação acendeu o sinal de alerta para o médico do Serviço de Anestesiologia e Recuperação do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) Edison Horn, que junto a outros colegas começou a buscar soluções para esse problema.

De acordo com o médico, a máscara N95 e as máscaras faciais, chamadas de “face Shields”, utilizadas nos hospitais falham em oferecer a proteção adequada. Então, a necessidade de encontrar uma alternativa em pouco tempo, fez com o time de médicos se unisse aos engenheiros da Universidade de Passo Fundo (UPF) para pensar em alternativas. “Tínhamos uma emergência médica para atender. E uma das formas de queimar etapas, seria o reaproveitamento de equipamentos fabricados para outras finalidades, mas que pudessem facilmente ser modificados e adaptados para novas funções no ambiente hospitalar. Por sorte, esta preocupação não era exclusividade nossa. Começamos a notar que em várias partes do mundo, estavam experimentando soluções diferentes para o mesmo problema”, explicou o médico.

A resposta foi encontrada em notícias que falavam sobre o aproveitamento de máscaras de mergulho, tanto para assistência aos pacientes, quanto como EPI para os profissionais da saúde. “Resolvemos investigar a solução. Adquirimos duas máscaras de mergulho com snorkel. Retiramos o snorkel e com a preciosa colaboração dos engenheiros da UPF, fizemos as modificações necessárias para uso como EPI médico”, contou Horn.

O desenvolvimento do equipamento ficou nas mãos do responsável técnico do Núcleo Tecnologia Mecânica, ligado ao curso de Engenharia Mecânica, André Hagen, e do responsável técnico do MEV, do UPF Parque, Luiz Eduardo da Silva. A maior dificuldade de utilizar a máscara de mergulho, foi encontrar um tipo de filtro para o ar inspirado e expirado pelos ductos da máscara. Depois de muitos testes e discussões, os profissionais encontraram nos filtros 3M 6006 uma peça de uso ideal. “A gente pensou, inicialmente, nesse filtro, que é um utilizado em respiradores. Mas paralelo a isso, pensamos que esse tipo de filtro, em função da alta demanda que podemos ter, seja mais difícil de encontrar. Então, também fizemos adaptadores para um outro tipo de filtro, o 5N11, que são mais baratos e oferecem proteção adequada”, comentou Hagen.

Proteção máxima
Horn foi o primeiro a utilizar o equipamento em Passo Fundo, mas outros dez médicos já estão com máscaras prontas e adaptadas para uso em ambiente hospitalar. Segundo o médico, a principal vantagem do artefato está no fato de a máscara de mergulho cobrir toda a face do profissional que for utilizá-la, garantindo proteção máxima ao usuário. “Ele veda totalmente o rosto do usuário, tornando a contaminação extremamente improvável.  É mais confortável que o conjunto de N95 e face shield, além de garantir ar puro em quantidade para o usuário”, comentou.

Ainda nesta semana, os engenheiros pretendem fazer novas adaptações no equipamento, para a utilização de dois filtros, para que os médicos tenham mais facilidade na respiração. “Com um filtro só, o fluxo de ar é um pouco baixo. Por isso, nós estamos produzindo um novo adaptador para utilizar dois desses filtros. O primeiro protótipo deve ser finalizado até quinta-feira, então, vamos repassar para o doutor e ele fará os testes para ver se consegue ter a facilidade de oxigenação ideal”, destacou o engenheiro.

Se o resultado for positivo, novos equipamentos serão produzidos e distribuídos aos médicos do município. “Esse material está sendo inicialmente doado pela UPF. A UPF comprou o filamento que é usado na impressora 3D, é um filamento que não é muito caro a quantidade de material utilizada para a produção é pequena, então a Instituição acabou fazendo a doação desses primeiros equipamentos. Nos próximos, se for usado esse filtro novo, vamos ver conforme a demanda. Se for uma demanda muito grande, aí vamos começar a repassar esses custos para quem tiver interesse em comprar”, ressaltou Hagen.

Mesmo sem as novas alterações, o médico garante que o equipamento já tem gerado bons resultados. “Já estamos equipados e prontos para enfrentar a Covid-19 com melhor o nível de proteção individual”, concluiu.