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Primeiras experiências poéticas acontecem na infância

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Leonardo Andreoli

No Dia Mundial da Poesia, professora da UPF fala sobre a importância do gênero literário na infância e como despertar nas crianças o interesse pela poesia

Cantigas entoadas para embalar o sono, brincadeiras de roda, histórias compartilhadas entre gerações. Pouca gente sabe, mas é logo após o primeiro choro que se tem contato com a poesia. Apesar de ainda pouco popular no Brasil o gênero tem um dia só dele. Neste sábado, dia 21 de março, é comemorado o Dia Mundial da Poesia. Coincidência ou não, é neste mesmo dia que se celebra o Dia Mundial da Infância, momento em que todos vivem suas primeiras experiências poéticas. 

De acordo com a professora do curso de Letras da Universidade de Passo Fundo (UPF) e uma das coordenadoras das Jornadas Literárias professora Dra. Fabiane Verardi, essas primeiras experiências podem ocorrem antes mesmo do nascimento. “A poesia nos é ofertada desde tenra idade. Desde quando a mãe acalenta o filho ainda na barriga e, posteriormente, ao seu nascimento, por meio de versos ritmados, muitas vezes colhidos da cultura popular, passados de geração para geração”, explica. E é esse primeiro contato que abre as portas para utilizar o gênero como um aliado na formação de crianças leitoras. 

Como a professora comenta, é durante a primeira infância que se pode e deve jogar com o caráter lúdico da linguagem. “O primeiro contato da criança com a poesia se dá pelo domínio das sonoridades, que são encontrados na tradição oral, como cantigas de roda, parlendas, travalínguas”, ensina. Citando Nelly Novaes Coelho, uma das precursoras dos estudos sobre a literatura infantil, Fabiane comenta que, assim como a música, a poesia precisa apelar para o ouvido da criança. “Dessa forma, ao oferecer este tipo de texto que proporciona à criança brincar com as palavras, ela, aos poucos, vai tomando gosto pelo texto poético, uma vez que ele permite e estimula a sensibilidade, a criatividade e sua formação crítica”, completa. 

Como despertar o interesse pela poesia
A pesquisa mais recente que fala sobre leitura no Brasil é de 2015. Dados do Instituto Pró-Livro mostram que apenas 12% dos brasileiros lê livros de poesia. A falta de interesse – ou mesmo de compreensão – dos adultos pelo gênero, pode refletir na das crianças. Para a professora, o primeiro passo para fazer com que crianças se interessem pela poesia é retirar o caráter pedagógico do texto poético. “Infelizmente, a poesia ainda está na escola como um apêndice do ensino de língua, a serviço do ensino da gramática, o que é extremamente nefasto para despertar o gosto pela leitura do texto poético, pois não se trabalha com o texto em sua essência, no seu simbolismo e estrutura. O que fazer para que as crianças gostem de poesia? Deve-se deixa-las brincar com seus sentidos, sons e imagens, uma vez que, como disse Huizinga: ‘o que a linguagem poética faz é essencialmente jogar com as palavras’”, ensina a professora.  

Isso passa, obviamente, pela escolha dos livros. Conforme Fabiane, pais e professores devem escolher poemas que esteja de acordo com a faixa etária e interesses da criança. “Essencialmente que sejam poemas que interajam com a sensibilidade infantil por meio dos jogos linguísticos, das brincadeiras vocabulares e das intuições rítmicas que o poema suscita e amplia, sempre visando o desenvolvimento da sua percepção estética e sua emancipação literária”, ressalta. 

Na opinião dela, a poesia infantil brasileira está inserida num panorama mercadológico muito exitoso. “Temos excelentes autoras e autores, que, felizmente, rompem com a tradição escolar e atentam para as dimensões lúdica e especulativa do texto lírico infantil”, pontua. Entre alguns dos escritores sugeridos pela professora estão nomes conhecidos dos brasileiros como Cecília Meireles, Vinícius de Morais e Mário Quintana. Outros autores como Roseana Muray, Angela Lago, José Paulo Paes, Sérgio Cappareli, Leo Cunha, André Neves, Ricardo Azevedo, Elias José e Gláucia de Souza também estão na lista dos indicados por Fabiane. 

Para ler com os pequenos: