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Dia Mundial Sem Carro: os desafios da sustentabilidade no trânsito de veículos

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Arquivo/UPF

Conforme dados do IBGE e do Detran, Passo Fundo tem uma taxa de motorização de 57 veículos para cada 100 habitantes. O evento promovido pela UPF chama a atenção para o uso sustentável dos meios de transporte

A sustentabilidade é algo que vem sendo cada vez mais debatido em diversos âmbitos da sociedade, seja em razão do meio ambiente, seja pelo ponto de vista econômico. Ser sustentável é se harmonizar com boas práticas que visam ao bem-estar ambiental e coletivo da sociedade. Pensando nisso, foi criado, em 1997, na França, o evento Dia Mundial Sem Carro, que visa chamar a atenção para o impacto causado pelo grande número de veículos nas grandes cidades. 

A data é celebrada em 22 de setembro, mas em muitos lugares do mundo, ao longo de toda a semana são realizadas ações informando e promovendo a reflexão da população sobre os efeitos nocivos que gases emitidos pelos veículos no meio ambiente causam. Em Passo Fundo, o Dia Mundial Sem Carro, promovido pela Universidade de Passo Fundo (UPF), será celebrado em 29 de setembro, das 14h às 19h, no Parque da Gare, encerrando as atividades da Semana Nacional do Trânsito. 

A ação busca demonstrar a dependência da população para a utilização do carro como meio de transporte todos os dias, mesmo para percorrer curtas distâncias.  Conforme dados do Detran-RS de março de 2019, Passo Fundo conta com 128.052 veículos, dos quais 117.133 são carros e motos. “Conforme estimativa do IBGE, Passo Fundo tem 203.275 habitantes. Isso significa dizer que há uma taxa de motorização de 63 veículos a cada 100 habitantes, considerando o total de veículos, ou uma taxa de 57 para cada 100 habitantes, considerando carros e motos. Esta é a segunda edição do Dia Mundial Sem Carro, na qual buscamos fazer as pessoas se questionarem sobre a sua mobilidade na cidade, avaliando se é viável ou não realizar os deslocamentos diários usando de modalidades ativas, como a caminhada e a bicicleta, ou ainda a modalidade coletiva, como o transporte de ônibus, carona e aplicativos de transporte”, explicou a coordenadora do evento, professora Me. Eliara Riasyk Porto. 

Conforme Eliara, há três pilares no trânsito que devem andar juntos, quais sejam a educação, a fiscalização e a engenharia. “O que vemos é a educação na maioria das vezes ocorrendo somente nos Centros de Formação de Condutores (CFCs), ou seja, o pedestre, ao longo de sua vida, recebe o mínimo de educação sobre comportamento adequado no trânsito, e o motorista, por outro lado, recebe de forma insuficiente. Normalmente, quando não tem ‘ninguém olhando’, as pessoas tendem a se comportar de forma inadequada no trânsito, por isso, é necessária uma fiscalização eficaz, e para que a fiscalização ocorra e os usuários tenham clareza quanto à correta condução no trânsito, os projetos de engenharia de tráfego devem estar coerentes”, explicou a professora. 

Ainda conforme Eliara, muitas vezes passamos a naturalizar projetos ruins ou mesmo a inexistência deles, como calçadas em péssimas condições e desenhos de vias inadequados, por isso, a necessidade de fortalecer a educação no trânsito, a fiscalização e a melhoria de projetos viários e urbanos. “As pessoas devem se sentir parte do sistema, ter compreensão de como seu comportamento pode afetar negativamente ou positivamente a segurança de todos, e aí mudar as suas atitudes e práticas enquanto pedestre e motorista”, afirmou.

Mobilidade Urbana
A mobilidade urbana deixou de ser preocupação somente de grandes cidades e capitais. Devido ao grande número de veículos, municípios de médio e pequeno porte vêm enfrentando o problema. “Nos últimos 20 anos, cresceu muito a quantidade de veículos transitando nas cidades. Hoje, os municípios se tornaram distantes porque muitas pessoas moram muito longe de seus trabalhos, e o transporte coletivo não teve a atenção merecida, não recebeu os investimentos necessários em infraestrutura e se revela, portanto, ineficiente sob as novas demandas da sociedade. O resultado disso foi a elevação na taxa de acidentes de trânsito a escalas absurdas, e, pior ainda, a naturalização dessas estatísticas pelas pessoas. Então, muito se avançou no estudo de mobilidade urbana visando à diminuição e à erradicação desses índices de morte no trânsito e, por consequência desses projetos, há também o aumento da qualidade de vida das pessoas”, observou a professora.

Confira a programação do Dia Mundial Sem Carro em Passo Fundo:
O evento inicia às 14h, com atividades concentradas na Avenida Sete de Setembro em frente ao Parque da Gare, onde estará fechado o trânsito para veículos. O cronograma prevê pista de trânsito infantil, passeio de bike dupla, brincadeiras para crianças, compartilhamento de bicicletas, aulas de dança, entre outras atividades. 

O evento é promovido pelo Grupo de Estudos em Mobilidade MOVE UPF, pela Faculdade de Engenharia e Arquitetura (Fear) em conjunto com a Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (Feff) da UPF. O Dia Mundial Sem Carro conta ainda com o apoio da Secretaria de Esportes da Prefeitura de Passo Fundo, dos cursos e dos projetos de extensão da UPF e de diversas empresas.