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Genoma da população brasileira será mapeado pela primeira vez

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

O projeto DNA do Brasil promete melhorar diagnósticos e tratamentos de doenças e revelar informações desconhecidas sobre nossas origens étnicas

Lançado nesta terça-feira (10), o Projeto DNA do Brasil, liderado pela cientista Lygia da Veiga Pereira, irá mapear o genoma de mais de 15 mil pessoas de 35 a 74 anos de idade para que nós possamos compreender melhor as características genéticas da população brasileira. Isso irá permitir diagnosticar doenças com maior antecedência e criar tratamentos mais eficazes.

A previsão é que em cinco anos os primeiros resultados sejam divulgados a população possa ser beneficiada daqui a 5 anos. O projeto é uma parceria do Ministério da Saúde com organizações privadas, como a empresa de saúde Dasa, que fará o sequenciamento das amostras de DNA; e o Google Cloud, plataforma que será usada para guardar os dados científicos sob sigilo.

O estudo do DNA do Brasil levará em consideração quais partes do genoma mostram a origem o povo do brasileiro, que nasceu de uma mistura de povos indígenas, europeus e africanos.

Uma pesquisa em uma proporção que corresponda à nossa população nunca tinha sido feita antes. Para se ter uma ideia, de todos os genomas completos já estudados até 2019, 78,39% têm ancestralidade com predominância europeia. Apenas 1,13% são pesquisas que se baseiam na América Latina. E só 2,03% consideram a ancestralidade da África.

Ao sequenciar o genoma dos brasileiros estamos reconstruindo uma mistura de toda essa riqueza étnica ainda não explorada pela genética. “A gente pode entender a evolução da nossa população. Grande parte dos 5 milhões de índios brasileiros foi exterminada. Mas é possível que fragmentos do genoma dessas populações [que hoje já estão extintas] possam ainda existir em nós”, contou Pereira durante evento de lançamento do DNA do Brasil, que ocorreu nesta manhã em São Paulo.

Como funciona o DNA
Cada indivíduo possui trilhões de células que se especializam em mais de 200 tipos de tecidos diferentes (como tecido muscular e nervoso). As nossas células sabem se organizar nesses tecidos, pois seguem as instruções dos nossos genes.

Esse “passo a passo” dos genes é criado na fecundação, quando cada um de nós surge como uma única célula (embrião). E os genes nos acompanham por toda a vida, definindo as nossas características.

Em média, 30 mil genes compõem o genoma humano. “Se os genes são as instruções de uma receita, essa receita é o genoma”, afirmou a pesquisadora. “Nós todos somos humanos, mas o genoma de cada um de nós não é idêntico um ao outro, atualmente temos 7 bilhões de genomas humanos diferentes”.

Pessoas do mesmo sexo têm o genoma 99,9% parecido, segundo Pereira. “Esse 0,01% de diferença é o que é responsável pelas características individuais, não só as de aparência, mas também sua capacidade de cicatrizar um corte, sua pressão arterial, distribuição de gordura e como você responde a medicamentos”.

O grande desafio que a genética busca solucionar é justamente entender quais dessas características todas (e muitas outras) estão associadas a quais tipos de genomas.

Sequenciar o genoma de milhares brasileiros, portanto, permitirá entender quais são as principais informações genéticas que correspondem a certas doenças que afetam nossa população.

Isso pode ajudar a encontrar tratamentos que atuam em versões específicas de genomas que estão ligadas a doenças como câncer, diabetes e depressão. E também facilitar na hora de diagnosticar informações sobre a saúde. “A gente sabe que a pressão alta, por exemplo, é ligada a milhares de variações do genoma, então a complexidade da área da genética é muito grande”, disse a especialista.

Fonte: Revista Galileu